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Necessidades Formativas do Professor Frente à Demanda de Alunos da Educação Especial em Classes Comuns

PID: S1413-65382024000100308 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: Rodrigues Sales
RESUMO: Este estudo teve como escopo analisar os avanços da inclusão do público da Educação Especial nas salas de aula comuns da Educação Básica, considerando as necessidades formativas dos docentes nessa área específica. Consiste em um estudo quantiqualitativo, tendo como fontes empíricas microdados da Prova Brasil, edição 2021, mais especificamente os questionários destinados aos docentes do 5º ano do Ensino Fundamental, os quais estão disponíveis no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A extração dessas informações e análise estatística foram realizadas com o auxílio do Statistical Package for Social Science (SPSS). O resultado da investigação revela que o percentual de matrículas dos alunos com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades em classes comuns, no Brasil, entre 2013 e 2019, cresceu 7,4%. Aponta, também, que 86,5% dos professores da amostra investigada declararam possuir necessidades formativas de nível moderado a alto. Conclui-se que o público da Educação Especial ainda necessita travar muitos embates em prol de uma escola mais justa e inclusiva para todos, o que implica batalhar para que os princípios de igualdade e equidade se materializem tanto no campo real quanto no campo ideal.

Neurodiversidade na Vida Acadêmica de uma Estudante de Medicina com Transtorno do Espectro Autista

PID: S1413-65382024000100425 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: SANTOS ALMEIDA SOUZA MACEDO ARRUDA
RESUMO O objetivo deste trabalho foi relatar o caso de uma acadêmica com Transtorno do Espectro Autista (TEA) inserida na metodologia Problem-Based Learning do curso de Medicina. Ela foi diagnosticada com TEA aos 20 anos de idade, manifesta déficit na interação social, comprometimento da linguagem, comportamento repetitivo, padrão motor peculiar, alterações na integração sensorial, alterações qualitativas em funções executivas e crises de ansiedade em situações de exposição social, principalmente no ambiente acadêmico. Ela recebeu alguns auxílios e adaptações fornecidos pela coordenação e docentes da faculdade de Medicina, porém ainda são insuficientes para sua total inclusão na realidade da graduação. As pessoas com TEA, ou outras neurodiversidades, possuem dificuldades peculiares; assim, cabe à instituição e ao pessoal envolvido com os processos de ensino-aprendizagem assegurar o acesso, a permanência e a necessidade de implementar medidas que proporcionem ao estudante todo o suporte educacional que faz parte do seu direito. É importante que haja adequação às condições desses estudantes, bem como a capacitação do corpo docente para que seja capaz de lidar com essas pessoas, visando a sua verdadeira inclusão no meio acadêmico e seu aperfeiçoamento para incluí-los no mercado de trabalho.

O Impacto da Consciência Morfológica na Leitura e na Ortografia

PID: S1413-65382024000100301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: Coelho Capelas Couto Vinagre Lousada
RESUMO: A consciência morfológica é caracterizada pela capacidade de refletir e manipular intencionalmente os morfemas. O presente estudo visou caracterizar o desenvolvimento da consciência morfológica em crianças em idade escolar e analisar o seu impacto na leitura e na ortografia. A amostra foi composta por 60 crianças portuguesas com desenvolvimento linguístico típico a frequentar o 1º ciclo do Ensino Básico, com uma média de idades de 8,6 anos (desvio padrão = 0.1), 30 das quais frequentam o 2º ano e 30 o 4º ano. Os dados foram analisados com recurso a instrumentos de avaliação linguística, leitura e ortografia e testes de consciência morfológica adaptados de outros estudos. Os resultados mostraram uma diferença significativa na consciência morfológica entre o 2º ano e o 4º ano. Embora com diferentes proporções estatísticas, houve uma correlação positiva entre consciência morfológica e leitura, e entre esta capacidade metalinguística e ortográfica em ambos os grupos. É sugerida uma associação entre consciência morfológica e leitura e ortografia e uma diferença nesta correlação entre os dois anos de escolaridade.

O Paradesporto como Conteúdo da Educação Física Escolar: uma Revisão Sistemática

PID: S1413-65382024000100704 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: FRAGA SILVA
RESUMO Os paradesportos são práticas esportivas criadas ou modificadas para as pessoas com deficiência (PcD) e, como manifestação da cultura corporal, devem estar presentes no currículo da Educação Física na escola. Assim sendo, este artigo tem como objetivo analisar o trato pedagógico e seus efeitos em intervenções relacionadas ao paradesporto na Educação Física escolar. Para isso, foi realizada uma revisão sistemática, seguindo as principais etapas propostas pelo PRISMA 2020, de publicações em revistas acadêmicas nacionais e internacionais. Das 9.188 publicações inicialmente identificadas, foram selecionados 14 estudos. Os resultados indicam que os artigos investigados, ainda que demonstrem avanços na relação atitudinal frente às PcD, após diferentes tipos de intervenção com o paradesporto, não abordam as diferentes dimensões que envolvem a cultura do paradesporto no trato pedagógico desse conteúdo na Educação Física escolar, o que implica a demanda por novos estudos.

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO NO CUIDADO À PESSOA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NOS CENTROS ESPECIALIZADOS EM REABILITAÇÃO DA CIDADE DE SÃO PAULO

PID: S1413-65382024000100417 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: HIRAKAWA ROSSIT
RESUMO O Centro Especializado em Reabilitação (CER) faz parte de uma rede de serviços que atua de maneira multiprofissional no atendimento à pessoa com deficiência. Dentre essas deficiências, inclui-se o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesse sentido, esta pesquisa tem por objetivo compreender a organização do trabalho nos CERs da cidade São Paulo para atender às pessoas com TEA, na perspectiva do trabalho em equipe e da prática colaborativa. O estudo, de abordagem qualitativa, transversal e descritiva, foi realizado com 14 profissionais das equipes dos CERs. Uma amostra intencional foi constituída progressivamente por um profissional de cada CER Regional, respeitando-se a diversidade entre as categorias, até que se obteve o caráter de saturação da amostra. Da análise de conteúdo, na modalidade temática, emergiram duas categorias: Organização do trabalho da/na equipe; Organização do CER para o atendimento do TEA. Os resultados mostram a importância do atendimento compartilhado; das aprendizagens de uns com os outros na equipe; da ausência de discussões sistemáticas relacionadas às ações, resultados das intervenções e para o planejamento de novas ações. Conclui-se que há necessidade de espaços formativos na perspectiva do trabalho em equipe e da prática colaborativa para possibilitar maior efetividade no cuidado e no fortalecimento da relação entre educação e saúde.

Obstáculos Estruturais e Funcionais na Criação de Escolas Inclusivas: o Caso do Sistema Alemão

PID: S1413-65382024000101200 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: URBAN
RESUMO O presente ensaio visa identificar estruturas e obstáculos funcionais que se opõem à criação de um sistema escolar inclusivo. Essas reflexões serão tecidas tendo como exemplo o sistema alemão. Sua relevância, porém, se estende para além do contexto da Alemanha, já que desdobramentos e problemáticas parecidos podem ser encontrados em todos os sistemas escolares, o que tem por consequência a emergência de outras reflexões fundamentais, referentes à relação entre inovação, transformação e propensão à persistência de estruturas e de formatos procedimentais já diferenciados nas escolas.

PERFIL DE AUTODETERMINAÇÃO DE ADULTOS COM E SEM DIFICULDADES INTELECTUAIS E DESENVOLVIMENTAIS: ESTUDO COMPARATIVO

PID: S1413-65382024000100414 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: PIRES LIMA RIBEIRO MOREIRA SANTOS
RESUMO O reconhecimento da autodeterminação tem vindo a ser evidente também no campo da Dificuldade Intelectual e Desenvolvimental (DID), visto que a pessoa deve assumir-se como agente ativo e decisor na própria vida. A aprendizagem das competências autodeterminadas é fundamental dada a sua transversalidade contextual, não se devendo restringir apenas à adolescência. Em Portugal, as evidências são escassas e baseadas no anterior modelo. Assim sendo, o objetivo deste estudo foi identificar o perfil de autodeterminação, à luz da teoria do agente causal, de adultos com DID, no intuito de analisar as variáveis que o influenciam. A versão portuguesa do Inventário de Autodeterminação foi aplicada a 44 participantes entre os 21-73 anos (40.77±12.07), 20 do género feminino e 24 do masculino. Metade da amostra eram participantes com DID, todos institucionalizados. A consistência interna foi aceitável (α=.65). A análise comparativa pelo diagnóstico, género, idade, habilitações académicas, situação profissional e local de residência apontou a tendência para perfis semelhantes (p>.05). As diferenças encontradas estão associadas a perfis mais autodeterminados de adultos com DID, inferindo-se o maior peso das características envolvimentais do que individuais (diagnóstico). As pessoas com DID reconhecem a autodeterminação como relevante e apresentam as habilidades para a decisão. Recomendações para a investigação e para a prática serão avançadas.

PROCESSO DE INCLUSÃO ESCOLAR DE USUÁRIOS DE IMPLANTE COCLEAR

PID: S1413-65382024000100412 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: LIRA QUEIROGA CORDEIRO
RESUMO Neste estudo, objetivou-se analisar a inclusão escolar de usuários de implante coclear. A pesquisa teve abordagem qualitativa, com desenho transversal e foi realizada em um hospital de alta complexidade em saúde auditiva credenciado ao Ministério da Saúde. A amostra foi por conveniência, constituída por implantados, com idades entre 4 e 17 anos e seus respectivos responsáveis legais. O fechamento amostral deu-se por saturação teórica com um total de 13 participantes. A participação no estudo foi voluntária e seguiu todas as normativas éticas vigentes. A coleta de dados foi realizada, inicialmente, por meio de caracterização sociodemográfica baseada nos prontuários e fichas sociais. Na sequência, foi realizada entrevista narrativa com os responsáveis, permitindo uma análise do corpus em profundidade. Os dados demonstraram situações vivenciadas pelos usuários de implante coclear no processo de inclusão escolar como: negativa de vagas; desconhecimento das equipes de educação; baixo desempenho; situação de bullying; preconceito; e falta de profissional para o atendimento educacional especializado. Os resultados apontaram que os usuários de implante coclear apresentam dificuldades no processo de inclusão escolar e que estas decorrem, principalmente, da falta de articulação das políticas públicas de saúde e educação no que concerne a essa população.

Pessoa com Deficiência Intelectual e o Ambiente de Trabalho

PID: S1413-65382024000100303 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: Silva Mietto Chariglione
RESUMO: O objetivo deste estudo foi identificar a compreensão das pessoas com deficiência intelectual sobre o ambiente de trabalho. A pesquisa foi realizada na perspectiva da psicologia histórico-cultural, em uma metodologia qualitativa, com participação de quatro pessoas com deficiência intelectual, maiores de 18 anos, por meio de entrevistas semiestruturadas de perspectiva narrativa. Os resultados indicaram que o conceito complexo Inclusão no Mercado de Trabalho foi formado por sete temas iniciais (sentido do trabalho; relações interpessoais; facilidades no trabalho; dificuldades no trabalho; autopercepção – significado da deficiência intelectual; percepção do outro em relação à pessoa com deficiência intelectual; e perspectivas laborais), que, por sua vez, foram organizados em cinco temas complexos (sentido do trabalho, relações interpessoais, políticas públicas, barreiras atitudinais e perspectivas laborais). A análise da formação conceitual indica que as narrativas apresentaram diversas conotações sobre a inclusão no ambiente de trabalho, sendo um importante espaço de desenvolvimento humano. Concluiu-se que a implementação de estudos com vistas à compreensão da inclusão no mercado de trabalho torna-se relevante para a compreensão do desenvolvimento humano e para a implementação e o planejamento de políticas públicas de inclusão.

Prática Pedagógica, Contextos Físicos e Sociais: Implicações Para a Inclusão

PID: S1413-65382024000100300 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: Makida-Dyonisio Martinic Gimenez
RESUMO: Este estudo compara os contextos físicos, sociais e a prática pedagógica da Educação Infantil com a do Ensino Fundamental e levanta suas respectivas implicações para a inclusão das crianças. Participaram desta pesquisa dois estudantes com deficiência matriculados no último ano da Educação Infantil, comparados com outros dois estudantes com deficiência do Ensino Fundamental. Configura-se uma pesquisa descritiva de cunho quantitativo. O método baseou-se na etologia. Os resultados indicam que, na Educação Infantil, houve altos índices de interação social, variabilidade na utilização de espaços, maior tempo em atividades corporais e o direcionamento da prática pedagógica voltada à interação. Já no Ensino Fundamental, os alunos apresentaram relativo grau de autonomia, mas ainda muito condicionado ao conteúdo.

Práticas Educacionais Inclusivas na Educação Infantil: Estudo Observacional

PID: S1413-65382024000100424 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: CARVALHO MIRANDA SCHMIDT
RESUMO O ensino inclusivo é um desafio para a Educação Básica, até mesmo para a Educação Infantil. O movimento das práticas baseadas em evidências vem ganhando destaque na educação como um caminho para proporcionar educação de qualidade para todos, inclusive para crianças com necessidades educacionais especiais (NEE). Assim sendo, o objetivo desta pesquisa foi verificar, em uma amostra de cinco professoras da Educação Infantil, se suas práticas cotidianas incluem práticas recomendadas pela literatura para promover a inclusão de crianças com NEE. Foram filmadas 14 atividades conduzidas pelas professoras com as cinco turmas, que incluíam nove crianças com NEE. Para cada filmagem, foi feito um registro de ocorrência de uma lista prédefinida de 29 práticas educativas inclusivas, dirigidas para a classe como um todo, ou para as crianças com NEE especificamente. Houve maior percentagem de ocorrências das práticas para a classe como um todo do que para as crianças com NEE, mas essas percentagens foram baixas para ambos os grupos. Para as crianças com NEE, apenas as “Práticas durante as atividades em geral” se destacaram. Verificou-se que as professoras empregam práticas baseadas em evidências, mas têm dificuldades em identificar quando e com quem utilizá-las. São discutidas barreiras para a inclusão e fragilidades na formação do professor para atender crianças com NEE na Educação Infantil.

Recontextualização do Texto da Política de Inclusão de Estudantes com Deficiência: os (Des)Caminhos da Educação inclusiva

PID: S1413-65382024000100305 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: Oliveira Mello
RESUMO: Neste trabalho, buscou-se discutir a recontextualização do discurso político de inclusão no contexto educacional, a partir do Decreto nº 10.502/2020 e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com aproximações à teoria de Bernstein. Trata-se de uma pesquisa documental, qualitativa, analisada por meio da análise de conteúdo descrita por Bardin. Os resultados evidenciam o apagamento da palavra “inclusão” e a falta de previsão quanto à oferta das acessibilidades. Entende-se que esse indício permite a compreensão de um distanciamento entre currículo, planejamento, práticas pedagógicas e Educação Inclusiva no que tange às diversidades encontradas no contexto escolar, articulação evidenciada pelo Decreto nº 10.502/2020. Destaca-se que o Decreto foi julgado como Ação Direta de Inconstitucionalidade por ferir artigos constitucionais ao possibilitar a segregação de pessoas com deficiência, ocasionando a sua revogação no dia 1º de janeiro de 2023. Conclui-se, a partir deste estudo, que tanto a BNCC quanto o referido Decreto possuem seus percursos marcados pelo campo da recontextualização, conforme a teoria de Bernstein aponta, o que mostra como a distribuição do poder na sociedade e seus princípios de controle social podem afetar o texto político produzido e a sua reprodução no contexto escolar.

Relação entre a Ficha de Observação do Desenvolvimento Mental da Criança de Helena Antipoff e a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)

PID: S1413-65382024000100306 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: Javarrotti Borges Van Petten
RESUMO: No início do século XX, intensificaram-se as pesquisas relacionadas ao desenvolvimento infantil. Helena Antipoff (1892-1974) foi uma pesquisadora e professora que dedicou seus estudos a esse tema, principalmente no que se refere ao desenvolvimento das crianças nomeadas na época como “anormais”. Um dos instrumentos elaborados por ela foi a Ficha de Observação do Desenvolvimento Mental da Criança, em 1939. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sugere uma avaliação da condição do sujeito baseada nos aspectos biológicos, psíquicos e sociais, em contraposição a uma avaliação baseada somente no critério da doença ou da incapacidade. Assim sendo, o objetivo deste estudo foi resgatar a Ficha de Observação proposta por Helena Antipoff e compará-la à CIF, utilizando os guias recomendados por Alarcos Cieza e colaboradores. Os resultados apontam que a maioria dos itens da ficha puderam ser codificados e relacionados à CIF, pois os itens da ficha de Antipoff buscam também avaliar, de forma associada, funções do corpo, atividade e participação, podendo ser utilizados como instrumento de avaliação prévia da criança, devendo, ainda, serem atualizados com uma nomenclatura mais atual, baseada na nomenclatura empregada na CIF.

Reunindo-Se para Transformar Vidas na Desigualdade: Incluindo o Conhecimento Nativo Baseado em Evidências nas Agendas de Educação Inclusiva

PID: S1413-65382024000101101 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: EBERSӦHN
RESUMO Este artigo utiliza o caso do conhecimento afrocêntrico sobre resiliência para defender a presença do conhecimento nativo nas agendas de educação inclusiva para permitir a transformação em espaços altamente desiguais. A premissa é de que o conhecimento local e nativo serve como evidência de uma proteção eficaz e eficiente contra a desigualdade, que fornece informações sobre opções de transformação de baixo limiar. Quando as pessoas estão em risco estrutural desproporcional, elas têm acesso limitado aos recursos, e o seu potencial para prosperar é limitado - como é o caso em contextos de economia emergente. Ironicamente, embora a necessidade de transformação seja maior em contextos extremamente desiguais, o conhecimento do Sul Global e das economias emergentes continua sub-representado nos discursos globais sobre desenvolvimento. Pelo contrário, as agendas e os mecanismos de desenvolvimento (incluindo para a educação inclusiva) baseiam-se em noções eurocêntricas e do Norte Global de mudança, inclusão, bem-estar, distribuição de recursos e prestação de serviços. O conhecimento nativo fornece provas de como, intergeracionalmente, as pessoas recorrem aos recursos disponíveis como forma de aproveitar recursos limitados e promover um desenvolvimento inclusivo e positivo para muitos. O artigo utiliza as evidências de uma teoria da psicologia nativo-afrocêntrica, Resiliência com Recursos de Relacionamento, para postular o uso do conhecimento nativo na educação inclusiva para permitir a transformação em resposta às dificuldades, a qual promove o bem-estar coletivo e inclusivo.

Sentidos de Política, Práticas e Inclusão na Educação Especial

PID: S1413-65382024000101001 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: SILVA
RESUMO Este texto ancora-se em alguns resultados de pesquisa, em processo de finalização, com o objetivo de expor análises endereçadas aos sentidos de política, práticas e inclusão na constituição de uma hipótese como Educação Especial Moderna, captados na Declaração de Incheon, de 2015, no Marco de Ação da Educação 2030, de 2016, e, no caso brasileiro, na Base Nacional Comum Curricular, de 2018. Na condição de fontes, a Declaração, o Marco e a Base procedem a jogos de palavras que incidem sobre teorizações políticas, educacionais e curriculares que, desde finais do século XX e início do XXI, priorizam a subjetivação das relações entre indivíduos, sociedades e projetos de escolarização. A composição da subjetivação alicerça-se no indivíduo como ser criativo em potencial, possuidor da subjetividade; trata-se, assim, de um conjunto de características individuais e singulares que, apesar de construídas socialmente, subsidiam certa capacidade singular de julgamento, orientadora das suas escolhas, da sua racionalidade e das tomadas de posições.

Soviética, Global e Local: Políticas de Inclusão na Educação Escolar no Azerbaijão e na Rússia

PID: S1413-65382024000101003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: KOSARETSKY MIKAYILOVA IVANOV
RESUMO Neste artigo, é revelado um quadro específico da formação da educação inclusiva nos países da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), utilizando o caso do Azerbaijão e da Rússia. Os processos de desmantelamento do sistema de educação especial soviético e de implementação de princípios globais de inclusão educativa foram válidos para ambos os países. Argumenta-se que, durante a implementação das reformas, ambos os países enfrentaram barreiras culturais e organizacionais semelhantes. Ao mesmo tempo, as especificidades culturais e políticas dos estados manifestaram-se em certas formas de superar essas contradições. Documentam-se as tentativas atualizadas dos países de construir sistemas nacionais globais, nos quais elementos soviéticos, globais e locais estão interligados. As conquistas e os problemas atuais são discutidos.

VALIDAÇÃO DE TECNOLOGIA ASSISTIVA PARA MÃES E PAIS COM DEFICIêNCIA VISUAL: ENFOQUE NA INTRODUÇÃO ALIMENTAR DO LACTENTE

PID: S1413-65382024000100421 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: ROSCOCHE OLIVEIRA GRIMALDI AGUIAR
RESUMO Mães e pais com deficiência visual podem ter dificuldades na introdução alimentar de seus filhos. Desse modo, foi desenvolvida uma Tecnologia Assistiva (TA) sobre essa temática. Objetivou-se, assim, validar a TA sobre introdução alimentar do lactente. Trata-se de um estudo metodológico conforme adaptação do modelo de Pasquali (2010). A TA foi previamente construída e avaliada por especialistas e por um teste piloto com a população meta. O presente estudo contemplou o polo empírico, por meio do qual a TA foi avaliada por um novo e amplo grupo de mães e pais. Todos responderam a um instrumento em formato de escala do tipo Lickert a respeito do conteúdo, dos aspectos pedagógicos e da acessibilidade da TA. Outrossim, o estudo contemplou o polo analítico por meio da análise estatística dos dados. Respeitaram-se os aspectos éticos de pesquisas envolvendo seres humanos. Participaram 89 mães e pais, principalmente mulheres (53,9%), com deficiência visual congênita (55,1%), com idade média de 37,91 anos, não casados (52,8%), com ensino médio (60,7%) e exercendo atividade remunerada (56,2%). Dentre os tópicos da tecnologia, todos apresentaram médias favoráveis, sendo melhor avaliado o conteúdo (91,1±11,7), seguido de acesso online (84,4±18,9) e aspectos pedagógicos (82,9±15,9). A TA é meio válido de disseminação de informações a mães e pais com deficiência visual.

VALIDAÇÃO DE UM QUESTIONÁRIO SOBRE EDUCAÇÃO INCLUSIVA: VERSÃO PARA PROFESSORES E ALUNOS

PID: S1413-65382024000100419 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: SEMIÃO SANTOS FREIRE TINOCA MOGARRO
RESUMO Os atuais normativos no âmbito da educação inclusiva exigem metodologias de recolha de informação alinhadas com os mais recentes paradigmas. Assim, este estudo objetiva analisar as qualidades métricas (fiabilidade e validade) do Questionário sobre Educação Inclusiva, na dupla versão: professores e alunos. A partir da revisão de literatura e da consulta de instrumentos validados, estabeleceu-se uma versão inicial, avaliada por dez peritos, para a análise da validade de conteúdo (VC). Todos os itens foram considerados representativos, apresentando índices (IVC) superiores a .90 e acordos tendencialmente moderados (k>.30). No pré-teste, com dez participantes (n professores=5, n alunos=5), foi confirmada a fiabilidade ao nível da consistência interna total (α professores=.83; α alunos =.95) e estabilidade temporal (r professores=.92; r alunos=.80). A validade de constructo foi analisada com a aplicação da versão final a 305 professores, entre os 27 e os 68 anos (M=51.41; DP=7.73) e a 82 alunos, entre os 6 e os 20 anos (M=12.96; DP=3.32). As correlações entre secções são moderadas, mas contribuem significativamente (.74>r<.85) para o total. A análise fatorial exploratória aponta uma solução trifatorial e unifatorial explicando 41.88% e 48% da variância total, para professores e alunos, respetivamente. O questionário apresenta-se como um instrumento fiável para estudar perceções, práticas e culturas inclusivas vivenciadas na escola.

“UM ESTRANHO NO NINHO”: TENSÕES E CONTRADIÇÕES DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA CONFRONTADAS PELA PRESENÇA DE ESTUDANTES COM TEA EM SALAS DE AULA COMUNS

PID: S1413-65382024000100411 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2024
Autores: ROSA BORGES
RESUMO Este artigo problematiza as tensões e as contradições da educação inclusiva confrontadas pela presença de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em salas de aula comuns. Parte-se da premissa de que os princípios que orientam as políticas de Educação Especial na perspectiva inclusiva conflitam com o projeto social e educacional da Modernidade, potencializado por mecanismos excludentes instaurados pelo neoliberalismo contemporâneo. O texto discute fragmentos de uma pesquisa qualitativa que teve como objetivo compreender os desafios e as possibilidades dos processos de inclusão e escolarização de alunos autistas matriculados na rede municipal de ensino de Santo André, São Paulo. A análise de dados documentais e de campo, obtidos em uma roda de conversa com gestores escolares, evidencia as tensões e as ambivalências geradas no confronto entre perspectivas epistêmicas, pedagógicas e políticas antagônicas.

A Criança Surda como Sujeito do Olhar: Infância e Surdez nas Pesquisas em Educação

PID: S1413-65382023000100405 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2023
Autores: RAUGUST MARCELLO
RESUMO: O objetivo deste texto é debater como infância, criança, surdez e experiência visual têm se configurado como temas investigativos na Educação, detendo-se em uma análise sobre o olhar das crianças surdas e como sua experiência visual produz e é produzida pelo olhar. Realizou-se um levantamento bibliográfico no Banco de Theses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e nos trabalhos aprovados nas reuniões nacionais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) – GT Educação Especial, tendo como vetor decisivo pesquisas que tinham a infância e/ou a criança surda como temas centrais. Na análise das 23 pesquisas encontradas, verificaram-se três recorrências: a criança ou a infância surda como conceitos abrangentes, pouco abordados em suas singularidades; a experiência visual da criança surda assumida como secundária à aquisição, seja de outras linguagens (como, por exemplo, a escrita), seja da Língua Brasileira de Sinais (Libras), portanto, como experiência suplementar; o conceito de aprendizagem da criança surda vinculado à imagem como recurso didático. Com base nisso, percorreram-se pesquisas e trabalhos que rompem com essas recorrências e, assim, indicam caminhos para a construção de uma agenda de pesquisa sobre criança e infância surda.
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