PID: S1413-65382023000100309 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2023
Autores: ALMOHALHA COSTA NASCIMENTO SANTOS PFEIFER
RESUMO: Este estudo objetivou adaptar culturalmente, verificar a confiabilidade e sugerir um escore normativo do School Companion Sensory Profile 2 (SCSP-2) para crianças e jovens brasileiros de 3 a 14 anos e 11 meses. O SCSP-2 foi adaptado culturalmente para o Brasil seguindo as etapas de tradução inicial (dois tradutores independentes), tradução conciliada (dois integrantes do comitê técnico), análise de equivalência (quatro especialistas em integração sensorial), retrotradução (dois tradutores de língua materna inglesa), aprovação da autora e pré-teste. O pré-teste verificou a clareza e a compreensão (desdobramento cognitivo/validade de face) e a confiabilidade (equivalência interexaminadores, consistência interna e reprodutibilidade) da versão traduzida, com a participação de 74 professores que responderam ao questionário referente a 146 crianças. Os itens apresentaram índice de concordância acima de 75% no desdobramento cognitivo. A equivalência interexaminadores e teste-reteste apresentaram K ≥ 0,88 em todos os itens pesquisados. Observaram-se valores aceitáveis de consistência interna em quase todas as áreas sensoriais, quadrantes de procura sensorial e sensibilidade sensorial e no fator escolar 2. Os escores preliminares brasileiros são distintos dos americanos. O SCSP-2 adaptado para o Brasil apresenta evidências de validade baseada no conteúdo, além de boa consistência interna, possibilitando identificar problemas de processamento sensorial em crianças e jovens brasileiros.
PID: S1413-65382023000100314 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2023
Autores: GALEGO GOYOS
RESUMO: Um dos fatores de maior preocupação dos pais de filhos com autismo é o déficit na comunicação social. O ensino dos pais de como desenvolver tal habilidade em seu filho, além de ser uma forma de ampliar o tempo de intervenção é um tratamento com resultados satisfatórios. Destaca-se a importância do ensino do ecoico no desenvolvimento da fala da criança por ser um prérequisito para a instalação de comportamentos mais complexos. No que se refere ao cenário pandêmico de isolamento social, faz-se necessária uma intervenção comportamental a distância, e o pacote de Behavior Skills Training (BST) tem sido útil para ensinar pais a aplicarem procedimentos comportamentais em seus filhos. O presente estudo teve como objetivo verificar os efeitos do pacote de treinamento ministrado de modo remoto aos pais sobre o ensino da aplicação do protocolo teste do repertório de ecoico a crianças com autismo. Por meio de um delineamento de linha de base múltipla, foram observados os resultados de três mães participantes, das quais uma apresentou 24% de acertos em linha de base, atingindo 100% após a introdução do BST, o que indicou a eficácia do procedimento de ensino. Após o aprendizado, as mães não voltaram a aplicar o procedimento nos filhos.
PID: S1413-65382023000100600 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2023
Autores: BAPTISTA FREITAS ZAGHI
RESUMO Esta entrevista tem como objetivo compartilhar as reflexões de Andrea Canevaro, um estudioso considerado o principal acadêmico que se dedicou à Educação Especial e à inclusão escolar na Itália, nos últimos 40 anos, com trabalho que se desdobra em muitos outros países, o qual contempla atividades de formação de profissionais, coordenação de projetos e assessoria a órgãos públicos no campo educacional. Por meio de um diálogo, procurou-se dar destaque às dimensões históricas e aos desafios atuais concernentes às políticas de inclusão escolar, às mudanças na organização dos serviços e ao avanço de novas perspectivas na compreensão de fenômenos como a deficiência. A análise procura colocar em evidência dinâmicas que favoreceram as transformações na organização dos serviços e a criação de novas alternativas no campo pedagógico.
PID: S1413-65382022000100319 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: MAIO FREITAS
RESUMO: O presente artigo aborda a temática da comunicação em crianças com surdocegueira congênita. Fundamentado nas proposições teórico-metodológicas da perspectiva histórico-cultural do desenvolvimento humano, o estudo considera as dimensões sociais e semióticas como fundantes para o processo de desenvolvimento dos indivíduos. O estudo empírico foi realizado em uma instituição especializada no atendimento educacional de pessoas com surdocegueira e teve por objetivo compreender as (im) possibilidades de comunicação de uma criança com surdocegueira congênita a partir da dinâmica das relações sociais vivenciadas por ela no contexto das práticas educativas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada por meio de um estudo de caso, tomando como lócus de observação e de intervenção os atendimentos educacionais realizados pela pedagoga da instituição, em parceria com a pesquisadora participante. Para registro, optou-se por videogravação e diário de campo. Todo o material audiovisual foi transcrito para análise e os dados organizados em três eixos: 1- Corpos biológicos e corpos signos; 2- O jogo de significados e sentidos; 3- O domínio do espaço como fonte de mobilização de funções psíquicas superiores. Em consonância com a perspectiva histórico-cultural, decidiu-se pela análise microgenética dos dados. Os resultados indicam que, quando são consideradas as especificidades da comunicação, o aluno com surdocegueira congênita pode participar e atribuir sentidos ao contexto educacional. O uso de diferentes sistemas de comunicação, quando alicerçado na mediação social, amplia as possibilidades de interação social. Ademais, diante de condições de acesso ao entorno, a criança tem mais oportunidades de planejar ações e comunicar seus desejos e suas intenções.
PID: S1413-65382022000100307 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: TORRES MOREIRA GOMES SANTOS
RESUMO: No atual contexto português, é ainda visível a generalizada dificuldade em obter instrumentos de avaliação adaptados à população com Dificuldades Intelectuais e Desenvolvimentais (DID) que avaliem o constructo da autodeterminação. Nesse sentido, este artigo tem por objetivo a adaptação e a validação da Arc’s Self-Determination Scale à população adolescente e adulta portuguesa com DID. Para esse efeito, foram seguidas as recomendações internacionais inerentes a processos dessa natureza, culminando em uma avaliação de 11 peritos para a evidência quantitativa da validade de conteúdo. Todos os itens dessa escala foram considerados como relevantes ou muito relevantes (n=72), tendo-se obtido acordos moderados (k>.40) e excelentes (k>.75) entre os peritos no cálculo do Kappa de Cohen. A amostra foi constituída por 500 indivíduos adolescentes e adultos entre 16 e 70 anos de idade (24.03±9.15), sendo 256 do género feminino e 244 do género masculino com e sem DID. A escala apresentou uma excelente consistência interna (α=.89), com tendência para correlações fracas a moderadas (.01>r<.51). Os procedimentos inerentes à validade de constructo são, igualmente, apresentados e discutidos. Os principais resultados parecem apontar a ideia de que o instrumento em estudo apresenta as características de validade e de fiabilidade necessárias para que possa ser utilizado em nível nacional.
PID: S1413-65382022000100325 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: DALL’ASEN PIECZKOWSKI
RESUMO: Atender às necessidades linguísticas e de escolarização de crianças surdas impõe desafos às famílias e à escola. Assim sendo, este artigo está alicerçado nos estudos realizados em uma pesquisa de Mestrado em Educação, a qual teve por objetivo compreender como acontece a aprendizagem da língua de sinais por crianças surdas, desde os primeiros anos de vida, até a aquisição do português escrito nos anos iniciais da Educação Básica. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa e para o seu desenvolvimento foram adotadas entrevistas narrativas com famílias de crianças surdas e professores atuantes com esses estudantes. As materialidades empíricas oriundas das entrevistas foram organizadas em agrupamentos temáticos e analisadas pela perspectiva da Análise do Discurso com base em Foucault. As narrativas dos familiares evidenciaram que as crianças surdas passam a ter acesso tardiamente à língua de sinais, somente quando frequentam a escola. Nesse espaço, os docentes seguem um currículo escolar homogêneo, com práticas escolares que são elaboradas de forma independente, sem articulação com os intérpretes ou os professores da Língua Brasileira de Sinais do Atendimento Educacional Especializado. O texto evidencia os desafos das famílias e dos docentes infuenciados pela falta de conhecimento da especificidade de comunicação de crianças surdas e da língua de sinais.
PID: S1413-65382022000100324 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: DIOGO GELLER
RESUMO: A chegada de estudantes com deficiência nos cursos técnicos dos Institutos Federais tem aumentado com a aprovação da Lei nº 13.409, de 28 de dezembro de 2016, que prevê reserva de vagas para esse público. Neste texto, analisa-se a visão dos docentes do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), divididos na área técnica e propedêutica, em relação à presença dos estudantes com deficiência, particularmente a intelectual, nos cursos técnicos e a respeito das possíveis adaptações curriculares nos itinerários formativos desses estudantes. O referencial teórico mostrou o deslocamento em relação aos termos adaptações/adequações curriculares para fexibilização, diferenciação e acessibilidade curricular, que implica um entendimento mais amplo dos seus significados. A pesquisa, feita a partir das 81 respostas obtidas em um questionário com perguntas abertas e em escala Likert, teve como suporte metodológico a análise de conteúdo de Bardin (2010), com categorização a posteriori e critério semântico na separação das respostas. Por fim, a organização e a discussão dos resultados foram realizadas, problematizando-se as contribuições dos participantes da pesquisa. Os resultados mostraram diferenças no entendimento da importância do uso das adaptações entre docentes das áreas técnica e propedêutica, mas também revelaram igual discordância com aquelas que suprimem conteúdos das disciplinas e preocupação com o refexo disso na formação do estudante.
PID: S1413-65382022000100304 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: SILVA PIMENTEL
RESUMO: Este artigo analisa o ponto de vista dos/as estudantes com deficiência visual sobre o seu ingresso e a sua permanência na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e busca refletir sobre o processo de inclusão por eles/as vivenciado. Trata-se de uma pesquisa qualitativa realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com oito estudantes com deficiência visual matriculados/as em diferentes cursos dessa instituição. A análise do material textual demonstrou que o ingresso e a permanência no Ensino Superior foram marcados por dificuldades relacionadas às barreiras físicas, à disponibilidade e ao acesso a recursos materiais, didáticos, pedagógicos e tecnológicos, bem como às barreiras atitudinais, que agudizam o desempenho acadêmico dos/as estudantes com deficiência visual. Desse modo, a inclusão educacional, em processo de construção na UFBA, requer envolvimento e participação de toda a comunidade acadêmica para que de fato se concretize.
PID: S1413-65382022000100317 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: SÁ MARSICO
RESUMO: A subjetividade expressa uma qualidade específica da experiência do indivíduo marcada pela cultura ao integrar os elementos simbólicos à emocionalidade que constituem os sujeitos e seus contextos simultaneamente. A partir do referencial teórico da subjetividade em uma perspectiva cultural-histórica, a presença do diagnóstico de transtorno de aprendizagem na escola é entendida como fenômeno da subjetividade social. Assim sendo, o objetivo deste estudo foi compreender como o diagnóstico de transtorno de aprendizagem se integra à subjetividade social da escola. O estudo foi realizado em uma escola de anos iniciais do Ensino Fundamental de Brasília, Distrito Federal. O método e os procedimentos de análise basearam-se na Epistemologia Qualitativa com o uso de uma diversidade de instrumentos escritos e não-escritos aplicados com os profissionais da escola, entre os quais três professores se constituíram como informantes privilegiados. Por meio da produção de indicadores, construiu-se a hipótese de que a institucionalização escolar contribui para a produção de transtornos de aprendizagem. Nesse sentido, é apresentado um modelo teórico, o qual representa a configuração da subjetividade social da escola da qual a institucionalização escolar faz parte. Conclui-se que a incorporação do diagnóstico de transtorno de aprendizagem na rotina pedagógica colabora para um refinamento científico da exclusão de alunos que destoam das expectativas escolares.
PID: S1413-65382022000100303 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: MARTÍNEZ LÓPEZ TEIXEIRA
RESUMO: O objetivo deste estudo foi determinar comparativamente a atividade física na Educação Física e no recreio escolar de alunos com deficiência auditiva no Ensino Fundamental. Foram avaliadas 58 aulas de Educação Física e o recreio no Ensino Fundamental, de forma representativa, em instituições de ensino especializadas para pessoas com deficiência auditiva. A atividade física foi determinada usando o sistema de observação do tempo de instrução de fitness (SOFIT). A estatística inferencial, usando o teste t de Student, relatou diferenças significativas com atividades físicas mais moderadas a vigorosas realizadas durante o recreio do que na Educação Física. O mesmo padrão foi identificado em alunos sem deficiência diagnosticada. Recomenda-se aos professores orientar o conteúdo para o desenvolvimento de coordenar capacidades que favoreçam as condições motoras grossas e finas dessa população, implementando estratégias didáticas que aumentem a quantidade de atividade moderada a vigorosa na Educação Física que seja maior do que a realizada no recreio.
PID: S1413-65382022000100322 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: RENDÓN RAMÍREZ CAÑADAS
RESUMO: Neste trabalho, analisamos as capacidades de visualização e de generalização na resolução por uma pessoa cega de duas tarefas propostas para a identificação de talentos matemáticos. A partir dessa análise, foram estabelecidas algumas diretrizes para a adaptação das tarefas e contrastadas com as competências exigidas no teste original, especialmente as relacionadas às características do talento associadas à generalização. Verificamos que as pessoas com deficiência visual requerem a manifestação de outras capacidades, tais como a memória visual e a percepção de relações espaciais, que não são essenciais na abordagem original.
PID: S1413-65382022000100318 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: MAZAK CRUZ PFEIFER CID
RESUMO: A avaliação em Terapia Ocupacional é o primeiro passo para determinar o caminho da intervenção e assegurar que o cliente tenha a maior participação ocupacional possível. O instrumento Te Short Child Occupational Profile (SCOPE) é uma ferramenta que possibilita avaliar sistematicamente fatores que facilitam ou restringem a participação nas ocupações de crianças e adolescentes, sendo esses fatores baseados no Modelo de Ocupação Humana (MOHO). O objetivo do presente artigo foi descrever o estudo metodológico da adaptação transcultural do SCOPE para o português brasileiro. Os procedimentos metodológicos envolveram a tradução do instrumento para o português e retrotradução para o inglês; análise de equivalências semântica, idiomática, conceitual e experiencial pelo Comitê de Especialistas; verificação de clareza e compreensão do instrumento mediante Pré-Teste para consolidação de versão final e aprovação pela principal autora do instrumento original. Os processos de tradução e de retrotradução apresentaram poucas discrepâncias entre os termos, obtendo boa resolutividade entre os tradutores para a elaboração da síntese. Todas as sugestões de alterações do Comitê de Especialistas foram analisadas e devidamente incorporadas na versão preliminar do instrumento, que, na etapa de Pré-Teste apresentou boa ou ótima compreensão das frases por parte dos participantes. A versão brasileira do SCOPE foi aprovada pela principal autora do instrumento original. Obteve-se êxito no processo de adaptação transcultural do instrumento de avaliação para o Brasil, atualmente intitulado Perfil Ocupacional Inicial da Criança e do Adolescente (SCOPE-Brasil), estando apto a passar por novos estudos para obtenção de medidas psicométricas de validação com a população brasileira.
PID: S1413-65382022000100201 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: NUNES LEITE AMARAL
RESUMO: Este artigo buscou investigar a percepção de profissionais de áreas relacionadas à avaliação da deficiência sobre o instrumento Índice de Funcionalidade Brasileiro Modificado (IFBr-M) e sobre as implicações de se adotar ou não esse novo modelo de avaliação, os recursos necessários para a sua implementação, a vigência e a situação atual do processo de consolidação no Sistema Único de Saúde (SUS) como um instrumento unificado, em conformidade com a concepção biopsicossocial de deficiência que caracteriza a legislação brasileira, a exemplo da Lei Brasileira de Inclusão - Lei N° 13.146, de 6 de julho de 2015. Foram realizadas aproximações com agentes públicos e representantes de diferentes instituições e entidades civis, por meio de entrevistas com duas profissionais envolvidas com o Movimento das Pessoas com Deficiência e com a formulação do IFBr-M. Trata-se de um debate ainda bastante incipiente e que precisa ser encarado com maior seriedade pelas instituições e pelos agentes públicos em sua formação e em sua atuação, visto a relevância do tema para a sociedade. O IFBr-M apresenta-se como uma importante ferramenta de avaliação biopsicossocial da deficiência, com inúmeras implicações práticas que marcam o cotidiano dessa população, e se mostra como um vetor para o debate público desse complexo fenômeno.
PID: S1413-65382022000100305 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: BAPTISTA CORDEIRO GOMES
RESUMO: Este trabalho tem como objetivo analisar as condições de trabalho do Docente de Apoio à Inclusão (DAI) em Córdoba, Argentina, a partir da Resolução nº 1.825, de 2019, sob a perspectiva das influências neoliberais na educação da América Latina. O percurso metodológico desta pesquisa qualitativa de inspiração etnográfica encontrou sustentação na teoria histórico-cultural, e contou com pesquisa de campo em Córdoba, pesquisa bibliográfica e documental, entrevista não estruturada e análise de conteúdo. Os resultados apontam para a presença de efeitos do capitalismo de cunho neoliberal na política educacional que orienta o trabalho da DAI. Um dos efeitos percebidos foi a intensificação das atribuições docentes, que pode resultar em uma sobrecarga de trabalho na medida em que a política exige um “superprofessor” e contrasta com a adoção de uma concepção social de deficiência para orientar o trabalho do DAI.
PID: S1413-65382022000100326 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: ALKINJ PEREIRA SANTOS
RESUMO: O presente estudo teve como objetivo examinar as atitudes dos professores e dos profissionais das escolas em relação à inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas jordanianas. Especificamente, o estudo investiga se as variáveis de conhecimento e formação em TEA, papel educacional, experiência em TEA, qualificação acadêmica, gênero, idade e nível de escolaridade estão associados às atitudes dos educadores em relação à inclusão de estudantes com TEA. O método de pesquisa descritiva foi conduzido para examinar as atitudes dos educadores e suas correlações com as variáveis do estudo. Um questionário online foi respondido por 430 participantes que eram educadores em escolas públicas e privadas na Jordânia (incluindo professores de educação regular e especial), diretores de escolas e conselheiros escolares. Os resultados do estudo evidenciam que os educadores jordanianos têm atitudes neutras em relação à inclusão de alunos com TEA nas escolas jordanianas. Além disso, o estudo mostra que essas atitudes estão correlacionadas com a formação e o conhecimento em TEA. Em contraste, o papel educacional, a experiência, a qualificação acadêmica, a idade, o gênero ou o nível de escolaridade não estão associados às atitudes dos educadores. As implicações e as limitações do estudo são discutidas.
PID: S1413-65382022000100320 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: MORAES BASTOS RODRIGUES
RESUMO: Os objetivos deste estudo foram analisar a atitude e a autoeficácia de professores de Educação física (EF) portugueses, determinar a relação entre as atitudes e a autoeficácia dos professores de EF em relação à inclusão de alunos com deficiência e avaliar o efeito das variáveis independentes (género, tempo de serviço docente, formação complementar em EF Inclusiva e docência ao aluno com deficiência nas aulas de EF e no Desporto Escolar) sobre as dimensões das atitudes e nas dimensões da autoeficácia. Participaram do estudo 115 professores de EF portugueses. Para analisar as atitudes, foram utilizadas a versão portuguesa do Multidimentional Attitudes toward Inclusive Education e a versão portuguesa do Self-Efficacy Scale for Physical Education Teacher Education Majors towards Children with Disabilities. Os resultados indicaram que, de uma forma geral, os professores de EF revelam atitudes mais positivas na dimensão comportamental e são mais confantes para ensinar alunos com deficiência intelectual. Identificaram-se relações positivas entre as diferentes dimensões das atitudes e da autoeficácia. Na análise comparativa das atitudes e da autoeficácia, observaram-se diferenças estatisticamente significativas nas dimensões cognitiva e de deficiência intelectual na variável “formação complementar em EF Inclusiva” e nas dimensões deficiência intelectual e visual na variável “Docência a alunos com deficiência”. De um modo geral, os participantes reportaram atitudes positivas e são confantes em relação à inclusão de alunos com deficiência. A investigação futura deverá comparar as atitudes e a autoeficácia antes e após um programa prático de intervenção ao nível da EF inclusiva.
PID: S1413-65382022000100309 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: ESPER ARAÚJO SANTOS NASCIMENTO
RESUMO: A atuação qualificada do professor de Educação Especial é condição fundamental para o apoio à inclusão escolar do público-alvo em diferentes contextos escolares. Este estudo objetivou analisar a atuação do professor de Educação Especial no cenário da pandemia da Covid-19. Os dados foram coletados por meio da técnica de grupo focal on-line, com a participação de seis professoras. Das experiências compartilhadas nos encontros, foi possível elaborar três eixos temáticos: Os desafios vividos pelas professoras da Educação Especial; Contextos vivenciados pelas professoras da Educação Especial na escola; e Fortalezas, perspectivas e pontos positivos da inclusão escolar. A inclusão escolar é um projeto coletivo que pressupõe ações coordenadas e exige adesão de todos os segmentos da sociedade civil, não apenas da escola. Os professores de Educação Especial perceberam-se implicados no processo inclusivo, ainda que não haja envolvimento total das equipes educacionais, o que os faz se sentirem isolados e desamparados diante de algumas situações desafiadoras. Compreender o olhar dos professores de Educação Especial oferece subsídios para o planejamento da Educação Especial, na perspectiva da inclusão.
PID: S1413-65382022000100401 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: COSTA BIANCHP SANTOS
RESUMO: Este estudo de revisão sistemática teve como objetivo identificar as características de crianças com altas habilidades/superdotação. Os critérios de inclusão foram: artigos científicos sobre pesquisas empíricas, publicados no período de 2010 a 2019, com participantes com altas habilidades/superdotação, menores de 12 anos, e a avaliação de altas habilidades/superdotação deveria ter, pelo menos, um teste de inteligência associado a outros instrumentos. Os critérios de exclusão foram: nenhum grupo composto apenas por crianças com altas habilidades/superdotação, não apresentar resultados exclusivos às crianças com altas habilidades/superdotação ou o grupo de crianças com altas habilidades/superdotação ter participantes com dupla excepcionalidade, deficiência física ou sensorial. A busca dos artigos foi feita nas bases Scopus e Web of Science em janeiro de 2020 e SciELO.org em abril de 2020. Foram analisados 29 artigos, agrupados em cinco categorias. Os resultados são apresentados em síntese narrativa e confirmam o caráter heterogêneo das altas habilidades/superdotação. A maioria dos artigos explorou características da cognição e dos processos de identificação e avaliação das crianças. Dentre as principais limitações, estão a obtenção de artigos com autores repetidos e a obtenção incompleta dos artigos potencialmente relevantes. Esta pesquisa contribui para a visibilidade sobre as características de crianças com superdotação, com um enfoque geral e amplo.
PID: S1413-65382022000100300 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: BRÍGIDO RODRIGUES SANTOS
RESUMO: A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) caracteriza-se por défices na comunicação e na interação social e por padrões repetitivos e restritos do comportamento, eventualmente explicados por alterações nas funções executivas (FE) e empatia. O objetivo desta investigação foi, assim, estudar as relações entre os comportamentos típicos da PEA, FE e empatia, de forma a estabelecer orientações de intervenção. O Questionário dos Comportamentos Típicos da PEA, o Inventário Comportamental de Avaliação das Funções Executivas – Pais e a Escala de Avaliação da Empatia foram aplicados a 75 crianças com PEA (9.67±1.29). Os resultados apontaram correlações positivas entre a sintomatologia da PEA e as FE, nomeadamente na regulação comportamental e na metacognição. A correlação positiva mais forte (p<.01) ocorreu entre a alternância e os comportamentos totais (r=.660), e padrões restritos e repetitivos (r=.665) e comunicação e interação social (r=.536). Todos os domínios e os subdomínios apresentaram associações com a iniciação e a planificação. Não se verificaram correlações entre os domínios e os subdomínios da PEA e empatia, apenas com alguns comportamentos específicos. Verificou-se que a empatia cognitiva estava associada à regulação comportamental. Esses resultados sugerem que as FE e a empatia têm um papel preponderante na melhoria dos défices sociais e não-sociais da PEA e a importância da intervenção individualizada centrada nas características da PEA, na empatia e nas FE, nomeadamente na regulação comportamental e na metacognição. A intervenção deve abranger não apenas os sintomas da PEA, mas também processos cognitivos subjacentes que possibilitam a melhoria dos comportamentos e uma maior adaptação a diferentes contextos e situações.
PID: S1413-65382022000100313 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2022
Autores: DAINEZ LAPLANE SILVA BAGAROLLO
RESUMO: O objetivo deste artigo é caracterizar a variabilidade das formas de aquisição da linguagem e analisar os meios de produção verbal, focalizando o papel da interação social. Na contramão de um modelo pautado na descrição de ausências, sintomas e desvios, adotou-se um ponto de vista dinâmico e processual na investigação da linguagem, considerando o sujeito, a sua história, seu meio social e sua condição de desenvolvimento. A pesquisa consistiu no seguimento de cinco crianças com idades entre dois e quatro anos, com queixas relacionadas à aquisição da fala. As sessões foram gravadas em vídeo e os dados foram construídos a partir da descrição do processo aquisicional envolvendo a produção das crianças em situações clínicas. Observou-se que os processos de aquisição da linguagem são entrelaçados com a história de constituição da singularidade dos sujeitos, e que os diversos fatores de caráter orgânico, psíquico e social incidem na trama do desenvolvimento linguístico e na formação da personalidade. Nas análises, chama-se atenção para o mosaico de recursos comunicacionais que se confgura ao confrontarem-se os casos e examinarem-se os componentes aquisicionais que se differenciam e se assemelham. Verificou-se que, para além de alterações de linguagem, se faz necessário focalizar os usos peculiares de recursos da linguagem.