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Educação de Jovens e Adultos na esfera municipal em Minas Gerais

PID: S1517-97022021000100706 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Silva Soares
Resumo A ampliação dos encargos subnacionais com a educação básica interroga o protagonismo do poder local desde os anos de 1990. A educação de jovens e adultos (EJA) insere-se na agenda dos compromissos municipais e desperta a atenção quanto às formas de atendimento que têm sido realizadas a fim de se cumprir com o direito de todos à educação. O artigo apresenta dados da investigação que se preocupou em mapear e compreender ofertas educativas a jovens e adultos empreendidas por dez municípios mineiros. A investigação quanti-qualitativa produziu dados a partir de reuniões com gestores de EJA, seminários de pesquisa, acompanhamento em sala de aula, entrevistas com gestores, professores e alunos, os quais dialogam com a literatura da área do pós Constituição Federal de 1988. A análise dos dados à luz das convergências e das singularidades destaca a afirmativa recorrente de que “A EJA vai acabar” e ressonâncias da frase “Caí na EJA” advindas dos colaboradores da pesquisa. Há reconhecimento por parte dos gestores de que a Educação de Jovens e Adultos tem características próprias. Constata-se que somente esse reconhecimento não tem sido suficiente para amparar uma proposta de EJA, que atenda ao provimento de vaga de educador por meio do concurso público e à formação continuada voltada para as especificidades de jovens, adultos e idosos. Ao final, encaminha recomendações a partir das implicações ao perfil do professor como um profissional que afirma poder: “se jogar na EJA”.

Educação em direitos humanos no currículo das licenciaturas de instituições federais de educação superior

PID: S1517-97022021000100508 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Silva Caputo Veras
Resumo A legislação brasileira contempla a necessidade da inclusão da Educação em direitos humanos na educação básica e superior. Para tanto, faz-se necessário que ela esteja presente na formação de professores, pois estes profissionais são responsáveis por desenvolver e implementar ações e programas de educação formal e não formal em todos os níveis de ensino. O objetivo deste estudo é analisar os currículos dos cursos de licenciatura ofertados por instituições federais de ensino superior, para identificar como a Educação em direitos humanos está inserida nesses currículos, tendo por referência a Resolução n. 01/2012 do Conselho Nacional de Educação (CNE). Trata-se de uma pesquisa descritiva-avaliativa, do tipo documental, que incidiu sobre as ementas de 38 currículos de licenciaturas com melhor avaliação no Conceito Preliminar de Cursos 2017, distribuídos em 21 instituições federais de educação e relacionados a 11 áreas: Matemática, Física, Computação e Química, Ciências Biológicas, Educação Física, Filosofia e Pedagogia, Letras, Artes Visuais e Música. Como resultado, foi possível identificar que as instituições não são omissas, considerando que 36 currículos abordam direitos humanos com conteúdos distribuídos em uma ou mais disciplinas, porém apenas 21% dos cursos ofertam componente curricular obrigatório específico para o tema, contrariando o que determina o CNE. Conclui-se que é preciso ampliar a inserção da educação em direitos humanos nas licenciaturas e que não se restrinja apenas a uma disciplina ou conteúdos isolados, mas que seja uma formação transversalizada em todo o currículo.

Educação na aldeia e escola indígena de Muã Mimatxi: o tehêy de pescaria de conhecimento

PID: S1517-97022021000100771 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Braz Valadares
Resumo Atualmente, no que se refere à educação indígena, as legislações no Brasil trazem, em seus textos, tanto a necessária construção de uma escola diferenciada nas aldeias quanto a inclusão da temática indígena em escolas urbanas. Neste trabalho buscamos compreender a cultura do povo Pataxoop, cuja aldeia Muã Mimatxi localiza-se no município de Itapecerica, Minas Gerais. A nossa intenção é buscar elementos que auxiliaram na construção da identidade cultural desse povo, fortalecendo o sentimento de pertencimento. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cujo objetivo é compreender o passado em suas conexões com o presente, diferenciando os tempos subjetivos da temporalidade do conjunto. Para tanto, entrevistamos o cacique e a professora da disciplina “Usos do território”, que tem construído desenhos-narrativas denominados tehêys de pescaria de conhecimento. Nos tehêys representa-se a formação do povo Pataxoop, suas cosmogonias, os mitos, as interações geracionais e as formas de resistência, além de se constituir como material didático para a escola da aldeia. Percebemos, nas duas entrevistas, uma narração espontânea, sem cortes, na qual os entrevistados desenvolveram as suas histórias com grande compromisso afetivo. Aumentamos a nossa compreensão sobre as interações entre educação, cultura e identidade desse grupo indígena, o que nos fez compreender melhor tanto a formação social do povo brasileiro quanto a importância dos mitos na construção da história da aldeia. O fato de compreender o modo de viver, de pensar, os rituais e as práticas sociais contribuiu para se pensar na seleção de temas para serem trabalhados nas escolas indígenas e urbanas.

Educação não formal: história e crítica de uma forma social

PID: S1517-97022021000100725 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Catini
Resumo O presente artigo apresenta uma pesquisa que tomou como hipótese uma interpretação crítica da história da educação não formal no Brasil, que aborda seu surgimento ligado a um projeto conservador para mitigar a força da educação popular no período da Ditadura Civil Militar. A investigação partiu de tais indícios e de uma proposta metodológica da sociologia política que se refere ao estudo das formas sociais hegemônicas para buscar elos de tal processo na história da educação não formal. A exposição que segue apresenta os resultados de uma investigação com base em pesquisa bibliográfica e documental. De um lado, tal processo é especificado pela substituição dos programas de educação de adultos desenvolvidos no início dos anos 1960, no bojo dos movimentos de cultura popular, que tinham Paulo Freire como referência, pela instituição do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização). De outro lado, o exame dos documentos da UNESCO, sobretudo a partir dos textos de Philip Coombs, considerado o pioneiro no uso do termo educação não formal, como recomendação para superação da crise na educação. Em ambos os movimentos, o nacional e internacional, é possível identificar a gênese dessa forma social que se configura pela associação entre Estado, entidades privadas e sociedade civil. Essa forma altera os agentes e as finalidades de uma educação voltada às classes populares. A prevalência dessa forma social apresenta-se em outros momentos-chave da história da educação não formal, sobretudo na década de 1990, com o crescimento do terceiro setor, das ONGs e das fundações e institutos empresariais.

Educação, escola e matemática escolar: sentidos dos professores de matemática da educação básica

PID: S1517-97022021000100757 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Godoy Gerab Santos
Resumo A formação inicial do professor de matemática tem sido objeto de discussão nas esferas governamentais e nas Sociedades Brasileiras de Educação Matemática e de Matemática. Por consequência disso, percebe-se avanços em alguns pontos críticos, dentre os quais destaca-se – o excesso de matemática acadêmica desarticulada da matemática escolar; e – a aproximação das tendências teórico-metodológicas da educação matemática com a organização curricular dos cursos de licenciatura em matemática. Todavia, ainda estão ausentes as conversas envolvendo as distintas e variadas dimensões que interferem no processo de ensino e aprendizagem da matemática escolar; e as diferentes teorias do currículo. Em virtude disso, a neutralidade do conhecimento matemático e a excessiva preocupação com a dimensão normativa do currículo continuam sendo protagonistas na formação inicial do professor de matemática. Neste sentido, o presente artigo teve como objetivo investigar aspectos relacionados à percepção e entendimento de professores da disciplina de matemática na educação básica, acerca das disciplinas escolares, da escola, da educação escolar e do ser professor de matemática. Metodologicamente, incluiu-se numa abordagem quali-quantitativa de pesquisa, na qual, para alcançar os objetivos do projeto, realizou-se junto aos professores de matemática da rede pública do estado de São Paulo uma pesquisa de campo, por meio de questionário disponibilizado no “ google docs ”. Teoricamente, fundamentou-se em estudos sobre teorias do currículo. Mostrou-se tangível que os professores colaboradores ainda estão muito presos à dimensão normativa do currículo, priorizando sempre o que ensinar, como ensinar e como avaliar, sem se preocuparem com outras dimensões (cultural, social, política) que interferem na organização curricular da matemática escolar.

Educação, formação docente e multiletramentos: articulando projetos de pesquisa-formação

PID: S1517-97022021000100720 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Silva Anecleto Santos
Resumo Este estudo tem como objetivo discutir a formação docente, no âmbito da Educação Básica, criando espaço para que os professores (re)pensem e (res)signifiquem suas práticas pedagógicas, tendo em vista o atual contexto sociocultural, a exigir desses profissionais que se apropriem da diversidade de linguagens, culturas e hipermídias que constituem os multiletramentos. Trata-se de um projeto guarda-chuva que articula diferentes projetos (stricto sensu), desenvolvidos em programas de Pós-Graduação de uma universidade pública, que trazem ao debate temáticas como diversidade cultural, multimodalidade, multissemiose, convergência digital, articulação entre ensino, aprendizagem e pesquisa, no âmbito da formação docente. Nesse contexto, a questão central deste estudo traduz-se da seguinte forma: como os professores têm se preparado para trabalhar os diferentes tipos de letramentos existentes, inclusive, os que envolvem as tecnologias digitais, relacionados às demandas e desafios propostos pelos (multi)letramentos? Como metodologia, optou-se pela pesquisa-formação, colaborativa, materializada por encontros formativos organizados sob a forma de sessões reflexivas. Resultados de pesquisas realizadas entre 2017 e 2018 levam à conclusão de que os projetos e políticas públicas voltados à formação de professor precisarão, diante das transformações advindas da cultura digital e dos multiletramentos, pensar a formação docente e as práticas pedagógicas, a partir de uma concepção de ensino que, efetivamente, estabeleça relação entre o conhecimento e a vida cotidiana do estudante; entre os processos de desenvolvimento humano e as possibilidades de aprendizagem oferecidas pelas agências da cultura letrada, considerando as orientações de inclusão da diversidade como princípio básico da cidadania.

Educação, redistribuição e reconhecimento: contribuições do pensamento de Nancy Fraser para a debate sobre justiça

PID: S1517-97022021000100507 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Soares
Resumo Este artigo discute as contribuições da filósofa e ativista norte-americana Nancy Fraser para o debate sobre redistribuição e reconhecimento, analisando possíveis repercussões na relação entre justiça e educação. O debate ora apresentado tem sido um dos mais fecundos nas ciências sociais nos últimos anos, com forte repercussão para as políticas sociais e educacionais. A questão é compreender em que medida as políticas priorizam aspectos mais universais, com foco no conceito de equidade e em seus desdobramentos, ou ações de reconhecimento de identidades, pauta que tem ganhado centralidade, inclusive, nos discursos educacionais a partir do debate sobre gênero. Conhecida pela sua atuação no debate sobre feminismo, Fraser tem como um de seus focos de análise a organização dos discursos e das ações políticas no contexto das lutas nacionais e transnacionais. A partir das contribuições de Fraser, busca-se compreender as tensões deste debate e as perspectivas conciliatórias entre as duas correntes. Ao final, procura-se refletir sobre como redistribuição e reconhecimento influenciam o debate educacional, especialmente no momento social e político contemporâneo. De tendência conciliadora, Fraser aponta a possibilidade de pontes entre ações políticas que valorizem as identidades dos sujeitos e as que fortaleçam lutas históricas ligadas à universalização de direitos e da justa distribuição financeira que, em países como o Brasil, ainda estão longe de serem temas de um passado distante.

Entre reformas curriculares e práticas pedagógicas: Ursula Hoadley e a “pedagogia na pobreza”

PID: S1517-97022021000100302 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Galian Carvalho
Resumo Nesta entrevista, Ursula Hoadley, docente e pesquisadora da Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul, discute algumas das ideias que desenvolve em seu livro Pedagogia na pobreza: lições de vinte anos de reformas curriculares na África do Sul, bem como salienta a potência explicativa da teoria de Basil Bernstein, sua principal referência nesta e em outras investigações no contexto sul-africano. A entrevistada comenta seus principais achados nessa pesquisa, que possibilitou descrever e analisar práticas docentes desenvolvidas por professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental, frente a um movimento de vinte anos de reformas curriculares, no contexto anterior e posterior ao apartheid. Suas reflexões não perdem de vista as especificidades de seu país, mas situam as reformas curriculares estudadas no cenário mais amplo de mudanças em países em desenvolvimento, o que as torna especialmente interessantes para os debates sobre o currículo da educação básica no Brasil.

Envolvimento de alunos com TEA em situações de bullying de acordo com múltiplos informantes

PID: S1517-97022021000100724 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Falcão Stelko-Pereira Alves
Resumo Há lacuna de estudos nacionais acerca de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e envolvimento em bullying escolar, ainda que esses indivíduos frequentem cada vez mais escolas regulares. Assim, este estudo identificou a participação em bullying de estudantes com TEA, de acordo com eles mesmos, seus pais e seus professores de educação física (EF), bem como analisou o quanto conhecem a respeito do fenômeno. Trata-se de um estudo transversal, com abordagem analítica. A amostra foi de 133 indivíduos, 63 pais (97% do sexo feminino), 51 professores de EF (56,9% homens e 78% lecionando em escolas públicas) e 19 alunos com TEA (18 do sexo masculino). Os participantes foram recrutados em uma instituição que faz atendimentos especializados em Fortaleza, Ceará. Foram aplicadas entrevistas estruturadas de acordo com cada categoria de participante. Os professores de EF demonstraram maior entendimento sobre o bullying do que pais e estudantes, porém houve cinco professores que minimizaram o problema caracterizando-o como brincadeira entre crianças. Verificou-se que 30 pais (47,6%) disseram não saber se o filho era envolvido em bullying e que 33 (52,4%) identificaram o envolvimento, sendo 76% como vítima, 21% como agressor/vítima e 3% como agressor. Já os professores afirmaram que 53% dos estudantes com TEA não estavam envolvidos no problema e os outros 47% apontaram-nos como vítima. Por fim, 63% dos alunos declararam-se vítimas. Essas diferenças foram estatisticamente relevantes. Portanto, urge a necessidade de programas educativos para toda a comunidade escolar com o intuito de prevenir o bullying e promover uma inclusão escolar efetiva dos estudantes com TEA.

Escribir para aprender en dos disciplinas: construcción conjunta del conocimiento y extensión del tiempo didáctico

PID: S1517-97022021000100748 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Molina Colombo
Resumen En las últimas décadas, los vínculos entre la escritura y el aprendizaje han sido ampliamente estudiados. En la enseñanza superior, en particular, los investigadores se han centrado en las producciones de los estudiantes, en sus puntos de vista respecto de la escritura en las diferentes disciplinas y en las complejas relaciones entre los contenidos de las disciplinas y las prácticas de escritura, entre otros. Sin embargo, escasas investigaciones se centran en las prácticas docentes que entrelazan la escritura y los contenidos disciplinarios. Este trabajo analiza dos aspectos claves de las prácticas de enseñanza cuando se escribe para aprender: el tiempo didáctico y las responsabilidades en la construcción del conocimiento. Los resultados forman parte de una investigación didáctica diseñada como un estudio de casos múltiples en dos disciplinas universitarias (Lingüística y Biología). Los casos estudiados pertenecen a dos cursos de primer año impartidos en dos de las principales universidades argentinas. Las técnicas de recolección de datos incluyeron, principalmente, análisis de documentos, observaciones de clase y entrevistas semiestructuradas con los estudiantes. En este sentido, centrándose en las observaciones de clase, este trabajo muestra cómo se amplió el tiempo de enseñanza en esos cursos al entrelazar las prácticas de enseñanza con la escritura como herramienta de aprendizaje. En estas clases, la escritura prolongó el tiempo didáctico en la medida en que los estudiantes tuvieron la oportunidad de escribir fuera de las aulas y de discutir lo que escribieron dentro de ellas. Además, esta práctica ayudó a estudiantes y profesores a compartir, de manera más simétrica, las responsabilidades vinculadas con la construcción del conocimiento.

Expansão escolar pública e privada na periferia de São Paulo (1900-1964)

PID: S1517-97022021000100737 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Dantas
Resumo Este artigo tem como tema a expansão das escolas públicas e privadas da periferia leste de São Paulo nas primeiras décadas do século XX. A pesquisa originária que resultou neste texto teve como objeto a expansão da escola privada na Zona Leste de São Paulo, cuja hipótese inicial era de que tal expansão não era um fenômeno recente do novo milênio, mas que aconteceria desde o século XX. Hipótese comprovada, os dados demonstram que a expansão privada foi concomitante com a formação da periferia leste. Para tanto foram produzidos mapas desta expansão no tempo e no espaço, a partir de dados quantitativos das escolas públicas e privadas da Zona Leste de São Paulo fornecidos pela Secretaria Estadual de Educação (SEE). A técnica utilizada para a elaboração dos mapas foi o georreferenciamento. A análise foi realizada a partir da releitura da literatura sobre educação e periferia, considerando as relações raciais para discutir o crescimento das escolas públicas e privadas. A investigação permitiu concluir que a expansão da escola privada esteve presente durante a formação da periferia leste, além de confirmar a participação popular na contribuição da expansão da escola pública na região.

Experiência educativa no Taekwondo: autoconfrontação como análise subjetiva do movimento

PID: S1517-97022021000100731 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Silva Nóbrega
Resumo Neste trabalho, apresentamos a experiência do corpo como fenômeno educativo no Taekwondo, por meio do método da autoconfrontação como análise subjetiva do movimento e da experiência educativa. Nosso objetivo é compreender como essa experiência do corpo inaugura o fenômeno educativo nas significações e expressões do próprio corpo no Taekwondo, a partir da autoconfrontação. A metodologia pauta-se na atitude fenomenológica do filósofo francês Maurice Merleau-Ponty, por meio da qual realizamos diálogos e discussões nesse universo de significações que se expressam no corpo. Trouxemos ainda como aliado à fenomenologia o cinema-verdade, descrito por Edgar Morin e Jean Rouch, no intuito de dar o tratamento necessário para a construção imagética do nosso corpus de análise, constituído por filmagens de entrevistas, aulas e autoconfrontações, a partir da captura e da leitura dos registros de Mestres do Taekwondo. Assim, situamos três momentos distintos nos quais foram feitos registros (filmagens): entrevistas com os Mestres (conversa/relatos), aulas de Taekwondo ministradas por eles e a autoconfrontação. O olhar sensível oportunizado pela leitura flutuante do material e pela variação imaginativa ampliou o pensamento na percepção para a compreensão do fenômeno em pauta, dando-nos elaborações para refletir o fenômeno educativo em horizontes de sentidos epistemológicos, éticos, existenciais, dentre outros. Assim, destacamos o papel da autoconfrontação como dispositivo para perceber a experiência vivida, no corpo, como educação sensível que transita entre mestre e discípulo por meio do gesto, da técnica e da relação do corpo com o outro, com o mundo e com o próprio ser. Percebemos, nesse contexto, a marca da educação que se transfigura pela experiência educativa assinalada pela sensibilidade.

Fatores mediadores no processo de desenvolvimento profissional de docentes do ensino superior

PID: S1517-97022021000100704 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Almeida
Resumo O artigo centra-se no estudo dos processos de desenvolvimento profissional de docentes do ensino superior, em particular no que diz respeito à vertente de ensino. Visando a captar diferentes perfis de orientação pedagógica num grupo de docentes de três escolas superiores de educação da zona geográfica de Lisboa e Vale do Tejo em Portugal e, simultaneamente, perceber que fatores (endógenos e exógenos) contribuem para um maior afastamento ou uma maior aproximação a um perfil pedagógico orientado para a aprendizagem, a pesquisa partiu de entrevistas e de revisão bibliográfica para construir um questionário com três escalas, a saber: níveis de implicação e compromisso pessoal com a profissão, preocupações docentes e fatores de mudança. Os resultados revelam a presença de perfis de orientação pedagógica distintos, sendo que um grupo evidencia um estádio de desenvolvimento profissional mais inicial, com preocupações essencialmente centradas em si e na proficiência científica; outro, com maior grau de desenvolvimento, orienta-se hegemonicamente para o aluno e para a aprendizagem; e ainda um outro sem foco dominante, aparentemente reunindo docentes dominados pelas exigências da carreira, particularmente com as imposições na vertente de investigação e produção científica.

Filosofia nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio e no Enem: lacunas temporais e conceituais

PID: S1517-97022021000100739 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Macedo
Resumo Este artigo analisa a adesão dos itens de filosofia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) às Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (Ocem), de 2006, como um estudo de caso da relação entre referencial curricular e avaliação em larga escala, usando como referencial teórico o ciclo de políticas de Stephen Ball e Richard Bowe (BALL; BOWE, 1992; BOWE, BALL; GOLD, 1992; MAINARDES, 2006). Este estudo torna-se particularmente relevante dada, por um lado, a intermitência da filosofia nessa etapa de ensino, e, por outro, a iminente reformulação do exame, a partir da publicação da Base Nacional Comum Curricular. Por meio dessa análise, reforça-se a tese de que a operacionalização dos documentos curriculares no exame não é automática, nem garantida. Ao analisar as Ocem como parte de uma rede de políticas educacionais para o ensino médio, da qual o Enem e a nova BNCC também são parte, este artigo visa contribuir para o fortalecimento da filosofia no ensino médio, ao destacar pontos de continuidade e pontos de tensão entre nodos anteriores desta rede. Este estudo é dividido em três partes: 1) um panorama quantitativo da cobertura dos conteúdos de filosofia das Ocem ao longo dos vinte anos do Enem, pontuando lacunas que ainda persistem; 2) apresentação de alguns fatores que explicam essas lacunas, em particular as diferenças nas origens e objetivos de cada um desses instrumentos; 3) análise qualitativa de como as diferenças conceituais entre as Ocem e o Enem se manifestam nas temáticas de filosofia abordadas na prova ao longo dos anos. Como conclusão, apresentam-se alguns pontos de reflexão acerca da perspectiva para a filosofia no exame nesse novo horizonte pós-BNCC.

Gramsci, educação e escola unitária

PID: S1517-97022021000100722 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Martins
Resumo Este artigo é produto de pesquisa sobre fundamentos da educação e apresenta os resultados de investigações sobre as contribuições de Antonio Gramsci (1891-1937). Este texto dá sequência a outras publicações sobre aspectos específicos do legado do autor italiano, mas aqui sintetizando as formulações que produziu, especificamente, sobre educação e escola, com vistas a averiguar sua identidade teórico-metodológica. Na primeira parte do texto, encontram-se dados biográficos e as especificidades dos escritos de Gramsci, e em seguida, há a explicitação de sua concepção de ser humano, para melhor compreender a principal contribuição que deixou sobre o nível básico de ensino: a escola unitária, apresentada na parte final da estrutura textual. A metodologia empregada foi a da pesquisa bibliográfica, que se desenvolveu principalmente pela análise dos cadernos miscelâneos e especiais de Gramsci, particularmente o 1 e o 4, e o 12 e o 22, porque são nesses escritos da maturidade que o comunista italiano mais detidamente tratou de educação e de escola. Além dos “cadernos do cárcere” e de cartas de Gramsci, textos de destacados comentadores também foram averiguados, com o objetivo de bem detectar a concepção do autor em questão sobre a escola básica. A conclusão é que as formulações sobre educação e escola apresentadas são expressões atualizadas do legado do marxismo originário e, portanto, não podem ser confundidas com concepções liberais, que implicaram propostas educacionais estranhas à escola unitária.

Indicadores sociais sobre pessoas com deficiência intelectual: ensaio interseccional com vistas a políticas de educação

PID: S1517-97022021000100767 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Lopes Gonzalez Prieto
Resumo Com o objetivo de analisar intersecções entre indicadores sociais relacionados às pessoas classificadas na categoria deficiência intelectual (DI) no Brasil e suas implicações para as políticas educacionais, neste artigo apresentamos a caracterização dessa população a partir da extração de dados do Censo Demográfico de 2010, aplicando as recomendações do Grupo de Washington para a definição do quantitativo de pessoas com deficiência no país. Da análise de perspectiva interseccional, conclui-se que, em comparação com as demais categorias de deficiência, DI é a que mais sofre desvantagens nos indicadores de acesso ao trabalho (ocupação), rendimento nominal mensal e alfabetização. Além disso, os resultados quanto à categoria sexo mostram este como um eixo de subordinação, uma vez que o feminino apresenta menos acesso aos direitos sociais abordados neste estudo. Em relação à identificação racial das pessoas com DI no país, esta parece influenciar a classificação de sujeitos nessa categoria de deficiência, uma vez que é composta majoritariamente por homens negros. Contudo os dados não nos permitiram articular o eixo raça com os demais, indicando a emergente necessidade de produzir e divulgar informações que permitam análise e apreensão de como diferentes eixos de subordinação afetam a vida das pessoas com DI no Brasil e o que indicam para a implementação das políticas educacionais, como um vetor no enfrentamento de desigualdades que marcam singularmente a situação das pessoas com DI quando comparadas à população geral e, também, a outras categorias de deficiência.

Injustiças e astúcias associativas nas ocupações das escolas públicas do Rio de Janeiro em 2016

PID: S1517-97022021000100504 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Pinto
Resumo A partir de dados qualitativos construídos em pesquisa de campo realizada no ano de 2016 em cinco escolas públicas estaduais do Rio de Janeiro, são analisados os sentidos de injustiça que atravessam a escolarização pública estadual e os modos de atuar que conformam as ocupações das escolas e a experiência escolar atual. As análises conduzem a ampliar a definição da escola como arena pública e à percepção da multiplicidade de formas pelas quais os vínculos políticos se constituem, se rompem e se mantêm na escola e nas ocupações, assim como a interrogar as deficiências do equipamento público escolar e das políticas públicas destinadas ao ensino médio no Rio de Janeiro e noutros estados. Na mesma direção, argumenta-se no sentido de mostrar o instável e dificultoso trabalho associativo dos estudantes em vista de sustentar, enquanto coabitam a escola ocupada, a denúncia dos problemas que atravessam sua escolarização. As situações encontradas interrogam tanto a oferta de uma escola pública habitável quanto a ineficácia da qualificação escolar dos estudantes/jovens das classes populares brasileiras, entre os quais as questões problemáticas trazidas à tona evidenciam uma difícil batalha pela escolarização e pela autonomização nas condições complexas, desiguais e plurais da sociedade brasileira atual.

Injustiças vividas e demandas por reconhecimento numa escola pública: expressões de estudantes de ensino médio

PID: S1517-97022021000100509 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Botler
Resumo Este artigo procura examinar a expressão de estudantes de ensino médio relativa às injustiças vividas no cotidiano da escola democrática e às demandas daí decorrentes. Trata-se de recorte de uma pesquisa que teve por objetivo geral analisar as concepções que os sujeitos escolares têm de justiça, o que está associado às situações de conflitos e violências na organização escolar. O debate teórico trata de conceitos como justiça plural, práticas escolares e identidade. O estudo de caso via grupos focais com estudantes do ensino médio de uma escola pública de Recife gerou debate entre os sujeitos, cujas manifestações indicam a forte presença de discriminação, especialmente do ponto de vista religioso e racial, como aspecto que desperta o sentimento de injustiça em parte dos escolares. Conclui-se que esse sentimento os leva a apresentar resistências, assim como potencializa sua identificação com o universo escolar específico. Os estudantes demandam o reconhecimento de suas identidades religiosas, étnicas e raciais, que são silenciadas no dia a dia na escola. A instituição, por sua vez, falha ao evitar o debate a respeito de temas tão presentes ali e perde oportunidades de mobilizar estudantes na perspectiva de criar uma maior aproximação com a escola.

Inserção profissional na docência: experiência de egressos do PIBID

PID: S1517-97022021000100710 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Farias Silva Cardoso
Resumo Discute sobre a formação de professores egressos de programa de iniciação à docência em seus primeiros anos de inserção no magistério. Parte-se do argumento de que, em geral, professores mais amplamente preparados e certificados são mais bem-sucedidos na tarefa de ensinar, instigando questionamentos sobre como docentes iniciantes, egressos de oportunidades diferenciadas de aprendizagem durante a formação inicial, vivenciam os primeiros anos de magistério. A análise recorre a dados sobre inserção profissional de egressos de programas de iniciação à docência, precisamente do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) no Ceará. A metodologia envolveu a realização de uma pesquisa de levantamento com 263 egressos do PIBID de duas Instituições de Ensino Superior (IES) cearenses. São jovens adultos com socialização pré-profissional, com aprendizagens constituídas em trajetória de escolarização marcada por experiência curricular na rede pública. O efetivo exercício da docência predomina entre os investigados (75,6%). A participação no PIBID proporcionou aos egressos deste ensaio, durante a formação inicial e a inserção na carreira, um defrontar-se mais construtivo em relação aos dilemas do ofício, fornecendo elementos para se reconhecerem capazes de enfrentar desafios. Predomina entre eles intensa identificação com o magistério, exceto por um reduzido grupo, que descobre, com essa experiência e a vivência dos primeiros anos de docência, que prefere investir esforços em uma profissão que lhe garanta retorno mais vantajoso. Mesmo ante as adversidades inerentes às demandas do trabalho, eles se declaram mais bem preparados para encarar os dilemas dos primeiros anos de magistério.

Investigaciones sobre los efectos de la neoliberalización de la educación superior pública en América Latina

PID: S1517-97022021000100703 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2021
Autores: Castelao-Huerta
Resumen El presente artículo es una revisión de la literatura publicada entre 1995 y 2019 acerca de los efectos de la aplicación de políticas neoliberales en la educación superior pública en América Latina. Da cuenta de cómo el recorte al presupuesto de las universidades, así como la implementación de sistemas de evaluación del desempeño, han traído consecuencias como un desfinanciamiento de las instituciones y una precarización laboral del profesorado, lo que va en detrimento de la educación. Se destaca que la aplicación de estas políticas ha encontrado resistencias a su paso a través de movimientos sociales, pero también con la creación de instituciones que tienen principios pedagógicos alejados del neoliberalismo. La selección de la literatura presentada se llevó a cabo a partir de una búsqueda en bases de datos a partir de los términos Neoliberalismo y América Latina, Neoliberalismo y Universidad y América Latina, Neoliberalismo y Educación Superior y América Latina, tanto en español como en portugués e inglés. Durante la revisión de los trabajos, que incluye artículos, capítulos de libros, libros, tesis y páginas de internet, se identificaron y sistematizaron las discusiones centrales y los resultados de cada uno. Posteriormente, se estableció cuáles han sido las principales temáticas señaladas por las y los autores. Como conclusión, se enfatiza la necesidad de que nuevos estudios de corte cualitativo profundicen en cómo el neoliberalismo se intersecta de forma particular con ciertas categorías sociales para configurar la experiencia de las personas al interior de las universidades.
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