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Realização acadêmica e problemas de internalização em alunos do ensino básico e secundário em Portugal

PID: S1517-97022020000100540 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Veríssimo Dias Santos Ortigão
Resumo O presente estudo teve como objetivo geral analisar as diferenças nos problemas de internalização (ansiedade, depressão, queixas somáticas), avaliados por diferentes informadores (pais, professores e jovens), em função do nível de realização acadêmica, em alunos do ensino básico e secundário. Para tal, recorreu-se a uma amostra estratificada representativa da população portuguesa constituída por 1.510 alunos, com idades compreendidas entre os 11 e 18 anos. Do conjunto de provas da bateria Achenbach System of Empirically Based Assessment validados para a população portuguesa, foram utilizadas a Child Behavior Checklist 6-18, a Youth Self-Report 11-18 e a Teacher Report Form 6-18. De uma forma geral, os resultados evidenciam que os alunos com realização acadêmica baixa apresentam mais problemas de internalização do que alunos com realização acadêmica média e/ou elevada. No entanto, no 3º ciclo do ensino básico, na perspectiva dos próprios jovens, os alunos com realização acadêmica elevada apresentam maiores níveis de ansiedade/depressão, comparativamente aos alunos com realização acadêmica baixa. Estes resultados indicam-nos que, para além de os alunos com realização acadêmica baixa se encontrarem numa situação de risco e vulnerabilidade para problemas de internalização, é necessário ter também especial atenção aos alunos com realização acadêmica elevada. Destes resultados decorrem implicações práticas relevantes para os contextos escolares, nomeadamente ao nível da consideração da relação entre a realização acadêmica e o bem-estar psicológico.

Relación pedagógica en la educación intercultural: una aproximación desde los profesores mentores en La Araucanía

PID: S1517-97022020000100560 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Arias-Ortega
Resumen En Chile la educación intercultural bilingüe (EIB) es una política del Estado que incorpora la enseñanza de la lengua y la cultura de los pueblos indígenas en el currículum escolar. El problema de investigación plantea que la concretización de la EIB en el aula se encuentra limitada por desafíos epistemológicos entre los encargados de implementarla. El artículo expone resultados de investigación que describen la percepción de profesores mentores sobre los factores que afectan la enseñanza de la lengua y la cultura mapuche en la relación pedagógica con el educador tradicional, en tres escuelas situadas en comunidades mapuche en La Araucanía. La metodología es de carácter cualitativo, con un nivel descriptivo, en que se aplicaron entrevistas semidirigidas a los participantes. El análisis de la información se realiza mediante el uso de la técnica de teoría fundamentada. Los resultados muestran que existe una percepción negativa hacia la EIB, al concebirla como una política educativa impuesta por el Estado, lo que limita un quiebre paradigmático de la escuela para la enseñanza de la lengua y la cultura mapuche en el aula. Se concluye que es urgente poner en discusión y cuestionamiento la política de EIB que desde su enfoque funcional aumenta el racismo y prejuicio hacia lo mapuche en la educación escolar. Por ende, es necesario repensar la educación intercultural desde una perspectiva crítica, que surge desde los sujetos que históricamente han sido subalternizados.

Relação com o saber: um estudo com universitários ingressantes em uma instituição privada

PID: S1517-97022020000100523 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Vieira
Resumo Este artigo apresenta resultados de uma investigação que buscou compreender a relação com o saber acadêmico de estudantes universitários de uma instituição privada de educação superior. O campo da pesquisa foi o Centro Universitário AGES (UniAGES) localizado no estado da Bahia. Os sujeitos da pesquisa foram 170 estudantes de primeiro e segundo período que ingressaram na educação superior mediante o auxílio de programas governamentais, tais como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (ProUni) e mesmo o implementado pela Instituição, o Programa de Acolhimento (ProVIDA). A coleta de dados foi realizada a partir do balanço de saber, instrumento proposto por Bernard Charlot que consiste no processo da produção de um texto a respeito das aprendizagens do sujeito. Primeiramente, o artigo apresenta os eixos teóricos, seguidos da análise das aprendizagens evocadas pelos estudantes, após é discutido com quem os estudantes dizem ter aprendido, a preponderância das aprendizagens intelectuais e acadêmicas e, por fim, os projetos que elaboram para o futuro. Conclui-se que a relação com o saber dos sujeitos da pesquisa está ligada à valorização das aprendizagens intelectuais e acadêmicas como promessa de uma vida melhor. Trata-se do elemento de mobilização para entrar na universidade e, por almejarem a inserção no mercado de trabalho em uma sociedade especializada, não é incomum a preponderância apresentada para o tipo de aprendizado indicado com veemência.

Representações das emoções do trabalho docente em uma perspectiva histórica

PID: S1517-97022020000100512 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Costa Lugli
Resumo Este artigo apresenta os resultados de um estudo cujo objetivo foi identificar as representações, compreendidas na acepção de Chartier, a respeito das dimensões emocionais do trabalho dos professores primários em São Paulo, entre as décadas de 1950 e 1970. Utilizaram-se, para tanto, romances autobiográficos de professoras que exerceram o magistério no período, as revistas produzidas pelo Centro do Professorado Paulista - CPP, bem como as produções da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos – RBEP, como forma de comparar as representações acerca das dimensões emocionais do trabalho docente produzidas pelos próprios professores e as representações produzidas pelos pesquisadores em educação, divulgadas pela RBEP. As emoções são definidas, a partir de Estrela e Damásio, como um sistema dinâmico que proporciona o lidar com o desconhecido e tomadas de consciência, além do julgamento constante (inconsciente e consciente) das ameaças e das oportunidades do cotidiano. As dimensões emocionais do trabalho docente são entendidas como um conjunto de emoções resultantes das interações dos professores no exercício da docência: a relação com os alunos, família, os demais profissionais do ambiente escolar, bem como as emoções decorrentes das condições de trabalho e as mudanças na estrutura educacional. A análise das fontes permitiu identificar em que medida as representações sobre as emoções no trabalho docente estavam relacionadas com a produção do discurso acerca da formação e da prática do professor primário, bem como com a constituição e divulgação da representação do professor primário pelo CPP.

Saberes curriculares e práticas de formação de professores para o ensino médio: problematizações contemporâneas

PID: S1517-97022020000100544 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Silva
Resumo No decorrer das últimas duas décadas, no Brasil, pode-se constatar uma situação paradoxal no que tange às políticas educacionais destinadas ao Ensino Médio. Ao mesmo tempo em que ocorreu um crescimento vertiginoso no número de matrículas para essa etapa da escolarização, constata-se um declínio da institucionalidade da escola e uma intensificação de certa gramática da crise pedagógica. Impulsionado pelas constantes reformas educacionais, nota-se um forte investimento político no Ensino Médio tanto com foco na formação de professores quanto na produção de currículos escolares ajustados às novas demandas da sociedade do século XXI. Assim sendo, o presente texto considera, analiticamente, as relações estabelecidas entre o currículo escolar e as recentes políticas e práticas de formação de professores para o Ensino Médio implementadas no contexto brasileiro. Apoiando-se nos estudos curriculares e em tradições da teoria social contemporânea, sobretudo os escritos recentes de Gilles Lipovestsky, serão examinadas três cenas de formação inicial de professores ocorridas em cursos no Sul do Brasil, desenvolvidos por instituições públicas e privadas de ensino superior. Em tais experiências parece evidenciar-se um declínio da legitimidade acadêmica nos recentes modelos formativos em favor de uma centralidade das práticas, de uma ludificação dos procedimentos e um esmaecimento dos saberes curriculares e de sua função pública.

Tempos da infância: entre um poeta, um filósofo, um educador

PID: S1517-97022020000100404 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Kohan Fernandes
Resumo A ideia central que aqui apresentaremos é que há um valor político na temporalidade infantil, que é preciso atentar e cuidar, muito mais do que interromper, como fazem, atualmente, as instituições educacionais. Assim, os modos de entender o político exigem repensar a experiência temporal propiciada e afirmada nas instituições educacionais. Nossa estratégia é chamar personagens infantis, vindos da literatura, da filosofia e da educação: Gonzalo Rojas, Gilles Deleuze e Paulo Freire. Um conceito atravessa o presente ensaio: o tempo. Na poesia de Gonzalo Rojas, o esforço do poeta é por honrar o tempo presente da infância que é, também, o tempo da escrita poética. Eis o tempo da reniñez: um tempo que não passa, durativo, atento e sensível à palavra do mundo. Com Gilles Deleuze, pensar a infância como uma cena infantil é restaurar à infância um tempo propriamente infantil, como diz Heráclito no seu icônico fragmento 52. Finalmente, Paulo Freire expande o tempo da infância para todas as idades: invasão aiónica de khrónos, que torna urgente aos educadores e às educadoras de todas as idades, ao habitar um tempo infantil, um presente curioso que olha o mundo com estranheza e pergunta, inquieto, por que o mundo é como é e de que outras maneiras ele poderia ser. Com Freire, ouvíamos uma palavra infantil para pensar o sentido da presença da filosofia na escola: ele não diz respeito a fazer da infância algo diferente do que ela é, mas nos lembra e nos leva à (um tempo de) infância.

Territorialização nacional da Educação do Campo: marcos históricos no Sudeste paraense

PID: S1517-97022020000100554 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Medeiros Batista
Resumo O artigo aborda a territorialização nacional da Educação do Campo no Brasil com foco na implementação dos cursos de Licenciatura em Educação do Campo (LEDoC), em especial nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Buscou-se compreender a política nacional de expansão e territorialização desses cursos, refletindo acerca de ações e implementação de programas em Educação do Campo desde o protagonismo dos movimentos sociais e da territorialização nacional dos cursos de Licenciatura em Educação do Campo (LEDoC). A fonte privilegiada da pesquisa é o Censo da Educação Superior, publicado em 2017 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Historicizou-se o processo de constituição das ações e programas em Educação do Campo, destacando-se os efeitos da política nacional de expansão da LEDoC no Sudeste do Pará, onde foi criada a primeira Faculdade de Educação do Campo do país, vinculada à Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) e que, nacionalmente, tem o maior número de alunos matriculados no curso. Foram analisados dados dos 40 cursos, executados por 27 Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), distribuídos entre capitais e municípios do interior de 17 estados brasileiros, mais o Distrito Federal.

Tirando o máximo partido da educação privada: construção de laços e significados em uma escola de elite em Portugal

PID: S1517-97022020000100522 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Macedo Araújo
Resumo Este artigo parte da sociologia da educação para documentar e teorizar dimensões sociais, culturais e políticas da educação de jovens adultos da elite econômica em uma escola privada, que foi criada em reação à educação em massa e como forma de garantir às elites a distinção anteriormente fornecida pelo acesso em exclusivo à educação pública. O artigo traz à colação contextos e consequências associadas à ascensão da privatização, com base em uma incursão etnográfica durante mais de dez anos em uma escola privada no Norte de Portugal, complementada por grupos focais com jovens adultos no ensino secundário. Destacam-se as formas como esse grupo de elite econômica constrói os seus laços sociais e significados no interior da escola. Admite-se que a educação privada molda e reforça o status das elites econômicas. Entretanto, tensões entre desigualdade e privilégio podem surgir no decurso desse processo. Argumentamos que se há uma ação individual na interpretação e construção da realidade social, essa escola tem um impacto especial nos estudantes, como membros da elite global. Por meio desse contexto educacional, que muitas vezes reforça as expectativas de status e de mobilidade ascendente das famílias, através da educação, esses alunos são seduzidos pelo (poder do) consumo e a maioria deles quer participar do mercado de trabalho e na concorrência nacional e internacional.

Transições na vida de bebês e de crianças bem pequenas no cotidiano da creche

PID: S1517-97022020000100410 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Piva Carvalho
Resumo O artigo é decorrente de uma pesquisa situada no campo dos Estudos da Criança e nas contribuições das Pesquisas sobre Transições, cujo objetivo central é o mapeamento e a discussão de transições cotidianas ocorridas nos modos de ser e de viver de bebês e crianças bem pequenas na creche. Conceitualmente, as transições cotidianas são entendidas como aprendizagens socioculturais que exigem e/ou geram mudanças na vida de bebês e crianças bem pequenas no contexto institucional. Isso significa que são aprendizagens relativas aos modos como as crianças lidam com o tempo, habitam o espaço, relacionam-se com os seus pares e utilizam artefatos partilhados socialmente durante a jornada na creche. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa com crianças, de inspiração etnográfica, na qual foram adotados a observação, o diário de campo e o registro fotográfico e fílmico enquanto estratégias de geração de dados. A pesquisa foi realizada com 10 crianças de 0 a 2 anos em uma Escola Municipal de Educação Infantil. Por meio dos dados gerados, o artigo focaliza especificamente as transições referentes à forma como as crianças habitam os espaços, relacionam-se com seus pares e utilizam os talheres durante os momentos de alimentação. Com as análises, é possível inferir que as transições cotidianas estão vinculadas aos aprendizados socioculturais que ocorrem por meio da participação guiada das crianças em eventos diários da escola, do convívio com os coetâneos, dos desafios enfrentados e do suporte e estrutura recebidos das professoras a partir de um planejamento que combina previsibilidade com flexibilidade.

Um ajuste justo ou mais alguns passos atrás para a educação básica pública no Brasil?

PID: S1517-97022020000100561 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Ferreira
Resumo Neste artigo, iremos apresentar e discutir o relatório Um ajuste justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil (2017), produzido pelo Banco Mundial para conjecturar acerca da necessidade de um ajuste fiscal radical para sanar as finanças e os problemas orçamentários do país. O relatório em questão apresenta alguns argumentos e estratégias para a execução de um ajuste das contas públicas, em especial, para setores como saúde, educação, previdência social, dentre outros. Partindo de uma abordagem crítica acerca das recomendações do Banco para a educação básica pública brasileira, questionamos as diretrizes expressas no documento, que apontam para a necessidade de contingenciamentos e cortes no orçamento como forma de melhorar as contas e equilibrar a razão investimento/resultados. O relatório ampara-se em uma econometria que busca legitimar a todo custo a tese que vê na política fiscal contracionista o melhor caminho para intervir na educação básica pública. Ao longo do texto, discutimos se isso é factível considerando o nosso contexto histórico de subfinanciamento, onde, diferentemente de outros países mais ricos e menos desiguais, jamais alcançamos um patamar de investimentos suficientes para garantir o acesso, a permanência e a qualidade na educação básica.

Um intelectual cosmopolita: trajetórias de Noah Sobe na (história da) educação

PID: S1517-97022020000100201 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Vidal Bontempi Jr
Resumo Professor Titular de Estudos em Política Cultural e Educacional na Escola de Educação da Universidade Loyola em Chicago (EUA), Noah W. Sobe é especialista em história da educação, história comparada e educação internacional. Suas pesquisas examinam a circulação global de políticas e práticas educacionais com ênfase particular nas maneiras pelas quais as escolas funcionam como locais de resistência à imposição cultural a pessoas, povos, sociedades e mundos. Interessa-se também por metodologias de pesquisa em educação comparada, especificamente interrogando-se como as noções de contexto, nação, transnacional e globalização/global podem ser reconceitualizadas. Por fim, dedica-se ainda à história do afeto e da emoção na educação, com foco na história do tédio na escola. Sua formação e trânsito na arena educativa, bem como as escolhas teóricas e metodológicas são abordadas nesta entrevista, que se estende ainda sobre as relações tramadas com pesquisadores brasileiros associados à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), à Faculdade de Educação e ao Instituto de Estudos Brasileiros da USP, e explora suas atuais atribuições como Oficial Sênior de Projeto no programa de Pesquisa e Prospecção em Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) junto à iniciativa Futures of Education: Learning to Become (“Futuros da Educação: Aprendendo a se Tornar”). A reflexão abrange também os efeitos da COVID-19 no cenário educativo internacional. Em seu conjunto, o diálogo entabulado oferece ao leitor um leque instigante e atual de problematizações, dentre as quais a inquietante afirmação feita por Noah Sobe de que o “futuro é um fato cultural”.

Uma análise de orientações sobre revisão e reescrita de textos científicos no universo digital

PID: S1517-97022020000100581 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Bessa
Resumo Ao considerar o amplo alcance e a facilidade do acesso que o universo digital possibilita na propagação de ideias e conteúdos, bem como a necessidade de examinar a credibilidade e a qualidade de conteúdos com viés educativo e/ou instrutivo que são veiculados nas práticas comunicativas desse universo, este trabalho investiga o tratamento dado à revisão e à reescrita de textos científicos em sites e blogs nacionais que abordam a escrita acadêmico-científica. Fundamentado em trabalhos situados dentro de uma perspectiva sociointeracionista da linguagem articulada ao ensino da produção textual (GERALDI, 1997; ANTUNES, 2003; GARCEZ, 2010; SUASSUNA, 2011) e em estudos que abordam a escrita de textos acadêmico-científicos (RUSSEL, 2009; NAVARRO, 2014; CARLINO, 2017), este artigo realiza uma análise de natureza interpretativa e de base qualitativa de um corpus constituído por 40 textos com conteúdo a respeito da produção de artigos científicos e monografias coletados em sites e blogs como enago, Ciência prática, Lendo.org, Monografia urgente e TCC pronto. A análise aponta que a maioria dos sites e blogs investigados contemplam, de maneira precária e restrita, aspectos implicados na prática de escrever e reescrever textos científicos, contribuindo, assim, para produzir uma imagem fragmentada do que é efetivamente a atividade de produção de textos acadêmico-científicos.

Universidad y feminización: la experiencia cubana

PID: S1517-97022020000100516 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Martínez
Resumen A lo largo de los últimos sesenta años la educación superior cubana ha mostrado variaciones importantes de su matrícula general dependiendo de las políticas de acceso puestas en vigor en diferentes momentos. Sin embargo, hasta el curso 2006-2007 se mantuvo un incremento sostenido de la proporción de mujeres en las aulas universitarias, lo que dio lugar a igual comportamiento del índice de paridad de género, aunque a partir del mencionado año académico se invirtió la tendencia del indicador hasta alcanzar un valor mínimo en el 2014-2015. El trabajo realiza una revisión analítica de datos de matrícula, tanto totales como desagregados por ramas del conocimiento, con el propósito de identificar las causas que determinaron la disminución de la feminización de la matrícula universitaria entre los cursos 2006-2007 y 2014-2015, así como su recuperación en los cursos posteriores. Se concluye que tales variaciones en el acceso de las mujeres se explican esencialmente a partir de cambios que tuvieron lugar en las políticas de ingreso desde finales de la primera década del 2000. El estudio también aborda la diferenciación por sexo de las carreras universitarias, donde se aprecia claramente una menor incorporación de las mujeres en los programas de estudio relacionados con las Ciencias, Tecnologías, Ingenierías y Matemática (CTIM), a pesar de su reconocida importancia en la necesaria diversificación de profesiones y empleos directamente relacionados con el desarrollo económico y social. Adicionalmente se proponen tareas de investigación para continuar profundizando en estas problemáticas.

Universo afetivo-semiótico de adolescentes em medida socioeducativa de internação

PID: S1517-97022020000100555 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Cunha Oliveira Branco
Resumo O Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990) afirma o compromisso compartilhado por Estado, família e sociedade quanto à proteção dos direitos das crianças e jovens brasileiros. O adolescente que comprovadamente praticou ato infracional, após o devido processo, deve cumprir medidas socioeducativas, as quais visam a promover seu desenvolvimento e integração social. Essa orientação para o trabalho pedagógico social pressupõe uma abordagem criminológica crítica. A criminalização da pobreza, no entanto, é uma característica histórica e ideologicamente enraizada na cultura brasileira. Neste artigo, que compreende uma elaboração teórica inspirada em pressupostos da criminologia crítica, em especial no conceito de criminalização da pobreza, e de contribuições da psicologia cultural, foi analisado o universo afetivo-semiótico que impregna as vidas dos adolescentes durante o período em que cumprem medida socioeducativa de internação. Como material ilustrativo das reflexões teóricas, foram contempladas narrativas orais e crônicas escritas a partir de uma experiência de rodas de conversa com adolescentes de uma Unidade de Internação do Distrito Federal/Brasil. Esse material, recolhido em contexto de formação profissional de psicólogos (estágio curricular supervisionado), evidencia que o trabalho semiótico operado pelo sistema socioeducativo se desloca da educação, enquanto prática orientada para a emancipação e a construção de outras possibilidades de futuro, de novas trajetórias biográficas, para o engendramento da periculosidade dos adolescentes. Nessa semiosfera, os signos indiciaram crenças depreciativas e condenatórias. As rodas de conversa revelaram-se espaços favoráveis à superação do estigma de bandido que a criminalização da pobreza, em particular do adolescente pobre, impõe sobre o jovem alcançado pela justiça.

¿Cuán reconocidos como autoridad se sienten los profesores principiantes y a qué factores lo atribuyen?

PID: S1517-97022020000100570 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Poblete Pardo Vial
Resumen Actualmente la construcción de una relación de autoridad pedagógica constituye un desafío y un foco de tensión, especialmente para los profesores principiantes. Hoy los maestros no tienen garantizado el respeto, la escucha y el reconocimiento sólo por el ejercicio del rol. Ello significa que los profesores no detentan automáticamente de una autoridad otorgada por la institución escolar, tal como fue planteado en el orden tradicional. En este contexto, el objetivo general de la presente investigación es examinar el grado en que los profesores principiantes chilenos se sienten reconocidos como autoridad y los factores que consideran que favorecen y obstaculizan este reconocimiento. Con este propósito se aplica un cuestionario a 576 profesores principiantes (de uno a cinco años de experiencia) de educación secundaria que atienden a estudiantes de distintos grupos socioeconómicos. Los resultados generales indican que el reconocimiento de la autoridad que presentan los profesores principiantes se encuentra especialmente vinculado a su capital profesional y al perfil social de sus alumnos. También se constata que los colegas y directivos constituyen importantes fuentes de apoyo para sentirse reconocidos. El estudio concluye que ante el declive de la institución escolar tradicional, que otorgaba un piso de autoridad a los profesores, hoy el soporte ha sido reemplazado por la comunidad escolar próxima, aquella en donde trabaja el profesor, siendo los pares y directivos los principales garantes del reconocimiento profesional.

Ética e corpo: a relação silenciada

PID: S1517-97022020000100568 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Hermann
Resumo O texto, de caráter ensaístico, investiga as razões da negação ou do silêncio do corpo na ética, tendo como contextualização do problema a tradição platônica, cartesiana e cristã e sua interpretação do ser humano como um duplo corpo-alma, que prioriza a consciência de si e reafirma a fundamentação racional da ética. A partir do século XIX, sob o influxo das tendências filosóficas de aspiração à vida, tem início a revisão do entendimento do corpo. Na sequência, apresenta-se a tese de Shusterman de que a rejeição do corpo na ética se deve à força de sua ambiguidade fundamental e se analisam diferentes expressões dessa ambiguidade inscritas no modo como o corpo as experiencia. Uma visão unificada de corpo e mente, como propõem Espinosa e Damásio, reconhece que consciência e emoção não são separadas e que uma consideração do corpo é decisiva para o cuidado de si e para a atenção aos outros. Por fim, argumenta-se que a estética pode operar em favor do corpóreo na ética, em especial para a ética na educação, pelo trabalho das emoções e sentimentos, pois decisões éticas evocam de maneira consistente experiências intelectuais, mas também emocionais, cuja base é corpórea. A literatura, pela experiência estética que provoca, apresenta condições especiais para narrar a complexidade envolvida na vida ética e trabalhar emoções e sentimentos, como se observa na obra A morte de Virgílio , de Hermann Broch.

Ética em pesquisa em ciências sociais: regulamentação, prática científica e controvérsias

PID: S1517-97022020000100507 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Alves Teixeira
Resumo O texto é resultado do mapeamento, feito por meio da análise de documentos e notícias disponíveis em arquivo ou na web , de controvérsias científicas a respeito da regulamentação da ética em pesquisa com seres humanos no Brasil. Apresentam-se as controvérsias referentes à regulamentação da ética em pesquisa com seres humanos no Brasil, desde a implementação e operacionalização de princípios bioéticos com a Resolução 01/1988, e as sucessivas mudanças legais ao longo do tempo até a visibilização das controvérsias em relação às Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas (CHSSA). Em um segundo momento, são apresentadas as controvérsias advindas dessa medida e o desenrolar do debate público entre a CONEP e os atores das CHSSA presentes no GT Ciências Humanas até o advento da resolução CNS510/2016. Por fim, são apresentadas as seguintes especificidades da pesquisa em ciências humanas e sociais e suas implicações para a dimensão ética: lógica argumentativa, relacional e intersubjetiva, transparência, vulnerabilidade e proteção aos participantes. Conclui-se que a dimensão ética da pesquisa não é separada da dimensão metodológica de cada campo do conhecimento. Além disso, constatou-se que o alinhamento dos pesquisadores em ciências humanas e sociais na rede da regulamentação ética é frágil.

“A brincadeira é o que salva”: dimensão brincalhona e resistência das creches/pré-escolas da USP

PID: S1517-97022020000100401 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Prado Anselmo
Resumo Ao investigar as possibilidades de retomada da dimensão brincalhona de professoras e professores que atuam com crianças pequenas, principal pré-requisito da profissão docente, este artigo apresenta e discute relatos de professoras/es acerca de suas concepções e ações em relação à brincadeira, assim como as observações de suas jornadas educativas em uma das creches/pré-escolas da Universidade de São Paulo (USP). Para tanto, foi realizado um estudo de caso, de caráter qualitativo, com um grupo de meninas e meninos pequenas/os (5 anos de idade) e de sua professora, bem como momentos coletivos com as demais crianças, professoras e professor da instituição. Também foram realizadas entrevistas semiestruturadas com a professora da turma observada e com o único professor da equipe, além da coleta e análise de documentos, como o Projeto Político Pedagógico da referida creche/pré-escola. As análises dos dados foram realizadas em articulação com a produção brasileira e estrangeira de pesquisas recentes no campo da pedagogia da educação infantil e das ciências sociais (como a sociologia e a antropologia), bem como na interface com as artes na primeira infância, sobretudo com as corpóreas. Ao buscar compreender como ocorria uma educação de escuta sensível e de protagonismo infantil, centrada na criação de espaços, tempos e relações brincantes, verificaram-se caminhos de lutas e territórios de disputas pelo direito à creche e, por isso, de referência e de resistência pela Educação Infantil brasileira.

“A gente vinha porque queria e não porque era pressionado”: crianças e direitos de participação

PID: S1517-97022020000100408 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Mendonça Pires
Resumo Este trabalho versa acerca das percepções das crianças em relação à participação, enquanto direito de se envolver e transformar o contexto socioeducacional, de acordo com seus desejos, intenções e produções. Depois de situar a discussão sobre a participação enquanto direito garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pela Lei da Primeira Infância, apresentamos como esse processo investigativo emergiu na Escola Viva Olho do Tempo, periferia da cidade de João Pessoa – Paraíba. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma pesquisa etnográfica, a partir da observação participante emergida com as crianças enquanto co-pesquisadoras, possibilitando o reconhecimento de seus movimentos emancipatórios ao buscarem garantir e reivindicar o direito à participação, ou não, naquele contexto. Objetivamos refletir a respeito de como as crianças (re)conhecem e tecem suas participações ocupando/participando nos cantos na escola, entre os acordos e conflitos, em suas relações intra e intergeracionais. Ao considerar seus tempos-espaços de afetos e aprendizagens, revelamos como os direitos das crianças são experienciados, entendidos e (re)inventados por elas. Concluímos que é no sentir de suas práticas e experiências, entre as forças e poderes que circundam suas relações, que as crianças aprendem os sentidos de como podem reivindicar, conquistar e (re)criar, em suas alteridades, o direito de participar ou não das práticas no contexto educacional.

“Infância maior”: linha de fuga ao governo democrático da infância

PID: S1517-97022020000100407 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2020
Autores: Gallo Limongelli
Resumo A infância e a juventude têm sido pensadas e vividas sob o signo da menoridade. Quando fogem ao controle social são inclusive pensadas como uma doença que precisa ser curada. Este artigo traça uma breve genealogia do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), colocando em relevo os avanços que ele promoveu em relação às anteriores legislações acerca da infância no Brasil, os Códigos de Menores. Analisa a emergência do ECA no contexto da Nova República e do processo de redemocratização do país por meio do operador conceitual governamentalidade democrática, mostrando que se tratava de subjetivar crianças e jovens como cidadãos de direitos, sob uma lógica de proteção integral. Tratava-se de uma forma democrática de governo, mas ainda assim um governo da infância e da juventude, mantendo-as sob a tutela dos adultos. Apesar dos avanços, chama a atenção para os limites dessa legislação, visto que crianças e jovens continuam morrendo em massa ou sendo encarcerados, apesar da política de proteção integral. Ao questionar a respeito das possíveis linhas de fuga ao governo da infância, outro pensamento político que a tome fora da condição de menoridade, o texto explora a filosofia de Charles Fourier, que concebe uma relação completamente distinta entre crianças, jovens e adultos, sem qualquer tutela. Nas palavras de René Schérer, uma infância maior, emancipada, signo de uma grande saúde.
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