Interculturalidade crítica decolonial como ferramenta de análise do Espaço de Bitita
PID: S1517-97022025000100609 |
Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) |
Ano: 2025
Autores: Silva
Resumo Este trabalho analisa, a partir da Interculturalidade Crítica Decolonial, algumas das práticas educacionais da escola paulistana EMEF Espaço de Bitita, reconhecida internacionalmente por suas boas práticas de inclusão de estudantes migrantes. A etnografia, realizada entre 2019 e 2021, destaca como a escola implementou abordagens interculturais e decoloniais em um contexto de diversidade cultural e desafios sociais em meio à pandemia. A diversidade existente nas escolas brasileiras, intensificada também por fluxos migratórios, exige práticas educacionais que respondam aos desafios das desigualdades sociais e do legado colonial. O Espaço de Bitita é notável por iniciativas como os projetos Escola Apropriada, Rádio de Bitita, Discutindo gênero para uma cultura de paz e os Roteiros de Aprendizagem, que incorporam elementos das culturas migrantes ao currículo, promovendo um ambiente inclusivo e respeitoso. A etnografia utiliza a Teoria Modernidade/Colonialidade e a Interculturalidade Crítica Decolonial para analisar como a instituição desafia estruturas de poder coloniais através de suas ações e iniciativas. Durante o estudo, a escola enfrentou desafios como uma enchente e a pandemia de Covid-19, revelando a complexidade de implementar uma educação justa em um contexto de desigualdades estruturais. A pesquisa contribui para a Antropologia da Educação, oferecendo insights sobre como as escolas podem valorizar a diversidade cultural e desafiar estruturas coloniais. A experiência etnográfica mostrou que a educação intercultural crítica não apenas reconhece a diversidade, mas busca transformar as relações de poder, promovendo uma sociedade equitativa e democrática. Bitita exemplifica como práticas educacionais inovadoras podem surgir em resposta a desafios, promovendo uma educação inclusiva e culturalmente sensível.