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Contribuições metodológicas para a análise dos sentidos em um estudo sobre atividade docente

PID: S1517-97022016000100039 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Silva Davis
Resumo O presente artigo tem por objetivo realizar uma discussão a respeito do método utilizado em uma pesquisa que visa a identificar e explicar os sentidos e significados da atividade docente. A pesquisa é de caráter qualitativo e está fundamentada nos pressupostos teórico--metodológicos da psicologia sócio-histórica. Condizente com a linha teórica escolhida, opta ainda pela proposta metodológica de Aguiar e Ozella (2006), que sugerem a construção e a análise de “núcleos de significação”. Dentre as categorias de análise oferecidas pelo referencial adotado, a fundamental para a pesquisa é a de sentido. A pergunta que move este estudo, frequentemente feita por muitos pesquisadores ou que , pelo menos, deve ser, é: como a escolha do método e dos procedimentos pode contribuir para a realização da análise? Sendo assim, a principal discussão que este artigo suscita – e, portanto, seu tema fundamental – é a contribuição de procedimentos já notórios, como a entrevista individual recorrente, e de procedimentos não tão usuais, como os recursos de sensibilização, nesse tipo de análise que busca a apreensão dos sentidos da atividade docente. O resultado da pesquisa evidencia que uma nova forma de entender e trabalhar com esses procedimentos pode possibilitar um maior domínio e envolvimento do pesquisador com o processo investigativo e, sobretudo, ampliar o alcance construtivo-interpretativo da análise. A conclusão assinala a necessidade de empregar novos instrumentos para análise dos sentidos.

Crianças na educação infantil: a escola como lugar de experiência social

PID: S1517-97022016000100131 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Santos Oliveira e Silva
Resumo O artigo apresenta uma análise das experiências de crianças de 4 e 5 anos na instituição de educação infantil. A categoria experiência foi tomada das teorias de François Dubet (1996), Walter Benjamin (1984, 2011a, 2011b) e dos estudos sociais da infância (SARMENTO 2002, 2008; CORSARO 2002, 2009, 2011, dentre outros/as). O estudo de caso foi desenvolvido em uma instituição pública de educação infantil, contou com a participação de dezoito crianças e duas professoras, e utilizou registros em caderno de campo e registros audiovisuais como forma de captar as ações das crianças. Desse modo, identificou-se que as crianças na instituição articulam diversas lógicas de ação nas relações que estabelecem entre si e com os adultos, baseadas nas dimensões integradora, de estratégica e de subjetivação – essenciais à noção de experiência social. O texto discute a necessidade de considerar as crianças no contexto de relações reguladas pelos adultos ao se utilizarem as categorias da ação social para o estudo das experiências vividas pelas crianças nessa instituição escolar. As análises apresentam leitura interpretativa de tais experiências, expressas por meio tanto da linguagem verbal como do que aparece nos corpos dos meninos e das meninas. Verificou-se ainda que, ao vivenciar as experiências na instituição, as crianças o fazem articulando-as a outras experiências de suas vidas, imprimindo-lhes o caráter de continuidade.

Currículo escolar, conocimiento [matemático] y prácticas sociales: posibilidades otras en una comunidad indígena Gunadule

PID: S1517-97022016000400003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Tamayo-Osorio
Resumen Este artículo es resultado de una investigación de maestría titulada: (re)significación del currículo escolar indígena, relativo al conocimiento [matemático], desde y para las prácticas sociales: el caso de los maestros de la comunidad Dule en Alto Caimán (TAMAYO-OSORIO, 2012). En coherencia el objetivo de investigación fue: (re)significar el currículo escolar indígena, relativo al conocimiento [matemático], desde y para las prácticas sociales de la comunidad Dule en Alto Caimán. El horizonte teórico se orientó desde una perspectiva sociocultural de la educación matemática considerando la Etnomatemática y la interculturalidad. Este estudio es de orden cualitativo con visión crítico-dialéctica, basado en una investigación colaborativa. Podemos afirmar que hablar de currículo escolar indígena, relativo al conocimiento [matemático], desde una perspectiva crítica implica (re)conceptualizaciones, donde se hagan visibles no sólo las concepciones teóricas, políticas y culturales que sustentan la sociedad que se quiere construir, sino que también se manifieste la dialéctica entre prácticas sociales y conocimientos [matemáticos].

Desigualdades de gênero na universidade pública:a prática dos docentes das ciências agrárias em estudo

PID: S1517-97022016000300803 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Fiúza Pinto Costa
Resumo Este estudo teve como objetivo analisar as desigualdades de gênero existentes entre os docentes do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Viçosa (UFV), procurando identificar os fatores que poderiam influenciar esse viés de gênero. Buscou-se não apenas descrever as desigualdades de gênero nos espaços ocupados por homens e mulheres nos cursos de graduação e nos programas de pós-graduação do CCA/UFV, mas também compreender os mecanismos através dos quais as assimetrias de gênero se perpetuavam. Para tanto, utilizou-se o Currículo Lattes dos professores como fonte de informação para a análise das variáveis que apresentavam padrões diferenciados entre os docentes de ambos os sexos que atuavam nos programas de pós-graduação no campo das ciências agrárias na UFV. A análise dos dados relativos à distribuição por sexo também nos cursos de graduação do CCA visou a apresentar uma perspectiva completa das configurações de gênero em todas as instâncias acadêmicas: graduação, pós-graduação e docência. A grande pista que guiou as conclusões finais desta pesquisa foi alcançada a partir da percepção de que o vínculo de origem do docente mostrava relação com os padrões de orientação estabelecidos pelos professores na pós-graduação.

Educação a distância na ótica discente

PID: S1517-97022016000100099 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Souza Franco Costa
Resumo Este artigo apresenta parte das reflexões desenvolvidas durante uma pesquisa de doutorado que buscou respostas à questão: o que revelam os discursos de estudantes veteranos dos cursos de licenciatura em física e em pedagogia da Universidade Estadual de Maringá, Paraná, a respeito da modalidade de educação a distância e, mais especificamente, dos elementos constitutivos de cada curso? Para tanto, vinte e seis acadêmicos concederam entrevistas, que foram gravadas em áudio, transcritas e compreendidas segundo a teoria da Análise do Discurso de linha francesa, o que permitiu desvelar os sentidos que emanaram dos dizeres dos participantes da pesquisa, sem pretensão de generalizações. O objetivo foi compreender os discursos de estudantes quanto às suas experiências pessoais em cursos de graduação, na modalidade a distância, nos âmbitos estrutural, organizacional e pedagógico. Do resultado das análises, destacaram-se: a forte influência das imagens construídas ao longo da história pela escolarização na modalidade presencial; a facilidade de acesso ao ensino superior via educação a distância (EaD) e sua adequação às condições de vida dos alunos; a preferência dos estudantes pelo livro impresso e pelas videoaulas como suportes à aprendizagem; as resistências, as falhas técnicas e o uso limitado das tecnologias de informação e comunicação (TIC) como mediadores do processo de ensino e de aprendizagem; a presença de fragilidades no processo de comunicação entre tutores e alunos.

Educação do corpo e higiene escolar na imprensa do Rio de Janeiro (1930-1939)

PID: S1517-97022016000200411 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Góis Junior Silva
Resumo No Rio de Janeiro, na década de 1930, uma presença mais efetiva de intelectuais em cargos governamentais poderia garantir a efetivação de uma série de estratégias que visava à construção de uma reforma mais ampla da sociedade pautada pela modernidade, que residia também nas reformas de hábitos, como a higiene e a educação do corpo. Sendo o Rio de Janeiro, o centro administrativo da República, haveria a necessidade de articulação entre as políticas governamentais no âmbito da educação e saúde sobretudo naquela cidade. Na análise desse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar a influência e o impacto de estratégias higienistas sobre o cotidiano das escolas. O estudo teve como fontes, principalmente, os jornais O Paiz e o Jornal do Brasil no período de 1930 a 1939. O corpo documental foi composto por 37 artigos de jornal, sendo que 21 foram analisados nesta pesquisa, pois envolviam as categorias específicas “medicina escolar”, “higiene escolar” e “educação higiênica”. A hipótese versava sobre uma influência limitada dos intelectuais, havendo uma distância entre o que era pensado e o que era executado. Contudo, os resultados obtidos permitem considerar uma aproximação entre os discursos e as práticas pedagógicas influenciada pela participação efetiva de intelectuais como Fernando de Azevedo e Anísio Teixeira, por exemplo, na organização da educação no Rio de Janeiro, sobretudo no início da década de 1930.

Educação escolar indígena e projetos comunitários de futuro

PID: S1517-97022016000400002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Abbonizio Ghanem
Resumo Este artigo reporta uma pesquisa sobre a escola de uma comunidade indígena e as aspirações de futuro das pessoas que fazem parte dela. O principal problema que se buscou enfrentar esteve voltado a aspectos distintivos entre a educação escolar indígena e a educação escolar convencional no Brasil. A preocupação de fundo foi trazer elementos que pudessem elucidar em que nível as comunidades indígenas têm autonomia para definir processos escolares que superem o caráter colonialista da educação escolar convencional. Para tanto, buscou-se um tipo de escola que intervém diretamente sobre as condições de vida das pessoas a quem presta serviços educacionais. A principal base etnográfica do trabalho foi a Escola Municipal Indígena Khumuno Wʉ'ʉ Kotiria, situada no território dos indígenas Kotiria, no município de São Gabriel da Cachoeira, estado do Amazonas, Amazônia brasileira. As informações foram coletadas especialmente por meio de observação direta e registros de conversas informais durante um período de quatro meses em Caruru Cachoeira, a maior comunidade Kotiria no Brasil. Os resultados consistem na descrição de características marcantes da prática escolar, levando à conclusão de que aquele grupo local, ao planejar seus objetivos escolares, está refletindo sobre o que quer do seu futuro e de sua comunidade, o que faz de sua escola o espaço principal de reunião comunitária, debate e intervenção sobre as condições de vida atuais e futuras.

Educação intercultural e formação de professores em contexto espanhol para alunos imigrantes

PID: S1517-97022016000400015 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Matos Permisán
Resumo Este trabalho convida à discussão sobre a relação entre a educação intercultural e a formação de professores em contexto multicultural e multilíngue. Partimos do fenômeno das migrações, que tem ocupado lugar de destaque no cenário mundial e, do mosaico cultural decorrente desse fenômeno, surgem conflitos de ordem política, ideológica, religiosa, étnica, cultural, dentre outros. Investigamos o papel da escola e dos professores em meio ao cenário estabelecido e temos como objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa realizada em contexto espanhol, com professores que recebem alunos imigrantes que, em sua maioria, não sabem o idioma local e precisam aprendê-lo para integrar-se ao ambiente escolar, assim como à sociedade em que estão inseridos. Para tanto, a metodologia utilizada seguiu os princípios da pesquisa mista, utilizando as abordagens qualitativa e quantitativa, de paradigma interpretativista, para a análise dos dados obtidos por meio de questionários e transcrições de reuniões dos grupos de discussão. A coleta foi realizada com professores que atuam nas Aulas Temporales de Adaptación Lingüística (ATAL) situadas na provincia de Cádis, dentro da comunidade autônoma da Andaluzia, na Espanha. Os resultados evidenciaram a demanda, por parte dos professores, darealização de ações pedagógicas orientadas para a formação com base na educação intercultural, indicando que as discussões sobre essa temática são importantes para a construção de uma escola que promova e entenda o encontro com o outro como parte das relações interculturais.

Educação, empoderamento e lutas pelo reconhecimento: a questão dos direitos de cidadania

PID: S1517-97022016000300789 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Barbosa Mühl
Resumo A revisão em baixa de certos direitos de cidadania, como os sociais e os laborais, em contextos de ajustamento estrutural e de crise econômica, está a reacender as lutas pelo reconhecimento, já não propriamente em termos de reconhecimento cultural ou identitário, como de fato se verificou, com intensidade, nas duas últimas décadas, mas em termos de reconhecimento jurídico, ou seja, de respeito por expectativas que podem ser satisfeitas porque estão legalmente protegidas. A educação, sendo fiel à sua vocação de defesa da integridade da pessoa humana, pelo menos desde a afirmação iluminista desse valor, não se pode alhear dessas brigas pelo reconhecimento jurídico. Tem seguramente um papel a desempenhar nessas contendas, mas qual, e de que modo? Esta é a questão de investigação que leva a demandar três objetivos: o primeiro consiste em associar a educação às brigas pelo reconhecimento, convocando, para o efeito, a “gramática moral dos conflitos sociais” de Honneth; o segundo, vinculando educação e empoderamento, procura mostrar que este último, não obstante dissensos interpretativos, pode ser interessante para definir o envolvimento da educação nas lutas pelo reconhecimento jurídico; o terceiro, por fim, consiste em delimitar as principais articulações desse papel em termos de empoderamento. A investigação, conjugando o quadro analítico honnethiano com a revisão de literatura sobre diagnósticos da “recessão jurídica” que hoje se vive em diversos contextos, nomeadamente nos países europeus mais fortemente atingidos pelas políticas de austeridade como modelo ou paradigma de resposta à crise do euro, das dívidas públicas e do Estado de bem-estar social, leva a concluir que a “era dos direitos” está sob ameaça e que a educação, mediante práticas de empoderamento bem delineadas, pode ser estratégica na potenciação de reações individuais e sociais ao ressurgimento desse tipo de ameaça.

Egressos da licenciatura em matemática abandonam o magistério: reflexões sobre profissão e condição docente

PID: S1517-97022016000400014 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Souto
Resumo Neste artigo apresentam-se os resultados de um estudo realizado com todos os egressos da licenciatura em matemática da Universidade Federal de São João del-Rei, Minas Gerais. Na investigação, buscou-se identificar e analisar as dificuldades encontradas por esses profissionais no exercício da docência na escola básica. Nos casos de abandono do magistério, buscou-se identificar e analisar também os motivos que levaram os egressos a essa decisão. Como instrumento de coleta de dados, utilizou-se um questionário, com questões abertas e fechadas, que foi enviado aos 114 professores egressos do curso até julho de 2012. Desses questionários, 89 retornaram. Verificou-se que um contingente expressivo de licenciados (53%) não está exercendo ou não pretende continuar a exercer a profissão docente. Os dados levantados podem auxiliar na compreensão do preocupante déficit de professores para atuarem na educação básica pública no Brasil. Os resultados mostraram que as maiores dificuldades encontradas na docência pelos professores pesquisados estão relacionadas aos alunos e suas famílias e são decorrentes de manifestações de desinteresse e indisciplina dos alunos. A maior causa de abandono do magistério, entre os investigados, se deve ao sentimento de desvalorização profissional e às más condições de trabalho nas escolas. Com base nos resultados, apresentam-se algumas reflexões sobre os desafios enfrentados pelos professores iniciantes, sobre a formação, a profissão e a condição docente no Brasil.

Elementos espirituais, simbólicos e afetivos na construção da escola mbyá guarani

PID: S1517-97022016000400004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Stumpf Bergamaschi
Resumo Historicamente a escola foi imposta aos povos indígenas, por vezes de forma violenta. Porém, quando inserida ao cotidiano das aldeias e conduzida de acordo com os preceitos de cada povo, em muitos aspectos é apropriada por esses coletivos. No processo de construção da escola específica, diferenciada e intercultural, o povo mbyá guarani vive um momento de reflexão acerca dessa instituição educativa. Este artigo aprofunda reflexões sobre o processo de construção da escola a partir de observações e convivências realizadas em aldeias mbyá guarani do Rio Grande do Sul. Por meio de intensa etnografia que registrou vivências, diálogos e reflexões dentro e fora da escola, foram observadas as dimensões da espiritualidade e da afetividade na aprendizagem cognitiva, no desenvolvimento de habilidades e na internalização de valores. Estes elementos são aqui apresentados na forma de um diálogo com a educação proposta pelo paradigma indígena comunitário do Bem viver, mostrados como potencialidades para a construção da escola específica, diferenciada e intercultural. A vida mbyá guarani apresenta elementos vivenciais complexos, presentes nos processos educacionais próprios e consolidam uma continuidade milenar. No entanto, precisam também se constituir como fundamento na construção da escola diferenciada, contribuindo para uma afirmação cultural, junto ao acesso a tecnologias e conhecimentos de outras culturas. A espiritualidade, a sensibilidade, o simbolismo, a vivência e a arte constituem alguns elementos que estão se inserindo na construção da escola mbyá guarani por serem fundamentais na educação desse povo.

Emoções no cyberbullying: um estudo com adolescentes portugueses

PID: S1517-97022016000100199 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Caetano Freire Simão Martins Pessoa
Resumo Neste artigo, apresenta-se uma parte do estudo extensivo do projeto Cyberbullying – um diagnóstico da situação em Portugal, com a aplicação de um questionário a 3.525 adolescentes no 6.º, 8.º e 11.º níveis de escolaridade. Com vista à caracterização do cyberbullying, pretendeu-se contribuir para a identificação e interpretação das emoções experienciadas pelos jovens envolvidos, quer como vítimas, quer como agressores em situações de cyberbullying. Os dados revelam que a tristeza, a vontade de vingança e o medo são as emoções mais frequentes das vítimas, enquanto a satisfação, a indiferença e o alívio são aquelas que os agressores mais vivenciam. Revelam ainda diferenças significativas entre as emoções experienciadas pelas vítimas e aquelas que os agressores lhes atribuem, o que, podendo ser um indicador da falta de empatia destes últimos, requer o desenvolvimento de uma educação emocional dos jovens. Verificam-se algumas diferenças significativas em relação ao nível de escolaridade, sexo, escola e município, nomeadamente: na maior incidência de emoções como a tristeza, o medo, a insegurança e a vontade de vingança nas vítimas do sexo masculino; mais sentimentos de insegurança, de alívio, de confusão e desorientação nas jovens agressoras; emoções associadas a impotência e falta de apoio, experimentadas pelos jovens no papel de vítimas, mais numas escolas do que noutras. Esses dados levam-nos a refletir sobre formas de agir no sentido da prevenção do cyberbullying.

Escola, ensino médio e juventude: a massificação de um sistema e a busca de sentido

PID: S1517-97022016000200331 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Tomazetti Schlickmann
Resumo Este artigo resulta de um exercício de problematização acerca do ensino médio, no contexto contemporâneo, considerando sua massificação e, muitas vezes, a falta de sentido a ela atribuída pelos jovens alunos. Tomamos como referência pesquisas empíricas realizadas a respeito do tema e, também, algumas obras importantes, cujo foco é a crise da autoridade, estendida para o professor e para a escola e a consequente tensão geracional que daí decorre. Num segundo momento, buscamos refletir a respeito dos diferentes sentidos que a escola, como organização social e institucional, vem sofrendo a partir das mudanças sociais, culturais e políticas. Consideramos seu processo de massificação e a falta de sentido que os estudantes jovens, muitas vezes, apresentam como uma das questões que se pode colocar como explicativa da tensão no ambiente escolar. Como resultados, destacamos que, mesmo com a universalização do acesso ao ensino, com a ampliação da oferta compulsória, com o aumento do período de escolarização e, também, com a gradativa perda da autoridade por parte do professor e com as questões geracionais tensionadas na escola, somos levados a pensar que estamos em vias de constituir novos sentidos para a escola e para o ensino médio. Estamos tomando a situação de crise como um ativador de outras e novas configurações escolares, permeadas de valor para professores e jovens alunos.

Escravos, libertos, filhos de africanos livres, não livres, pretos, ingênuos: negros nas legislações educacionais do XIX

PID: S1517-97022016000300591 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Barros
Resumo Pretende discutir a relação entre o ordenamento jurídico da educação e a população negra como um aspecto da história da educação brasileira. Analisa como esse segmento da população apareceu em leis e regulamentos imperiais sobre instrução, destacando permanências e mudanças nas permissões e proibições no acesso e frequência à escola. Foram lidos conjuntos integrais de leis e regulamentos da instrução primária e secundária de nove províncias, e indiretamente o de outras sete localidades, em busca de termos que referenciem a condição jurídica ou racial dos alunos permitidos e dos indesejados. Acompanhando as mudanças nas denominações ao longo do período século XIX – escravos, não livres, libertos, pretos, filhos de africanos livres, ingênuos – nas diferentes províncias, destacam-se interdições e permissões para matrícula e/ou frequência negra entre 1835 (ano das primeiras menções à proibição de matrícula a não livres) e 1887 (última proibição à matrícula de escravos). Utiliza a perspectiva thompsoniana da lei como resultado de disputas e costumes a fim de sugerir explicações sobre a relação entre população negra e instrução no Império. Conclui que a relação entre ordenamento legal e educação ilumina a história da educação no que se refere à presença/ausência negra na escola pública do período Imperial no Brasil.

Escrita de micronarrativas biográficas de viajantes luso-brasileiros: aproximações entre história das ciências no Brasil e ensino

PID: S1517-97022016000100165 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Pataca Oliveira
Resumo O presente trabalho sobre as Viagens filosóficas portuguesas ao Brasil no século XVIII tem o objetivo de expandir as temáticas e abordagens da história das ciências no Brasil, abrindo espaço para o debate sobre como o trabalho com as práticas, técnicas e representações científicas possibilita desenvolver metodologias de ensino que abordem temas brasileiros em seu contexto. A partir do material, retirado de um banco de dados biobibliográficos sobre os viajantes, traçamos redes de relações entre políticos, desenhistas, engenheiros, cartógrafos, gravadores, naturalistas e a população local. Para a divulgação dos dados, o material nos desafiou a pensar em propostas de escrita biográfica dos viajantes no ambiente virtual. O espaço permite que o trabalho afiance duas escalas de importância, ou seja, realce o papel particular dos viajantes, demonstrando singularidades, e garanta a análise dos contextos sociais pelas relações interpessoais na perspectiva espaço-temporal. No entremeio dos formatos biográficos e refletindo sobre o caráter híbrido do gênero, definimos que a formulação de micronarrativas asseguraria a escrita biográfica construída sobre os viajantes. A escrita de textos curtos será conduzida especialmente pela biografia modal, apontando as redes de relações sociais do sujeito, e pelos biografemas, caracterizados pela produção de uma impressão biográfica momentânea. Por um processo não-linear da História, a escrita biográfica e a criação de hiperlinks permitem que o caráter complexo das relações do período se reflitam nas micronarrativas formuladas.

Formación del profesorado en la lengua y cultura indígena: una histórica demanda educativa en contexto Mapuche

PID: S1517-97022016000100229 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Turra Ferrada
Resumen Este artículo presenta resultados de una investigación que tuvo como propósito construir, junto al profesorado en ejercicio en contexto educativo y cultural Mapuche, los requerimientos que estos docentes demandan a las instituciones formadoras en función de las necesidades del contexto de desempeño. Los requerimientos actuales del profesorado se correlacionan, en perspectiva histórica, con las demandas levantadas por un grupo de profesores pertenecientes a este pueblo originario y testimoniado hacia los años 30 y 40 del siglo XX. La investigación se desarrolló desde una metodología de investigación social mixta, de carácter histórico para concentrar las demandas del profesorado Mapuche y desde la metodología comunicativa para levantar las demandas actuales del profesorado. Para este último caso también se implementó un diseño de investigación mixto, de tipología secuencial e integrada que utilizó distintas técnicas de recolección de información durante su desarrollo (cuestionario comunicativo, entrevista comunicativa y grupo de discusión comunicativo). Los resultados de ambos corpus de requerimientos confluyen en demandar un profesorado con formación en la lengua y cultura Mapuche, que le permita dar cuenta de las características culturales y lingüísticas del estudiantado originario que asiste al sistema escolar, es decir abogan por la presencia de un cuerpo docente con habilitación profesional para desarrollar procesos pedagógicos con pertinencia cultural.

Ideologia e educação

PID: S1517-97022016000100245 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Chaui
Resumo A noção de ideologia pode ser compreendida como um corpus de representações e de normas que fixam e prescrevem de antemão o que se deve e como se deve pensar, agir e sentir. Com o objetivo de impor os interesses particulares da classe dominante, esse corpus produz uma universalidade imaginária. A eficácia da ideologia depende, justamente, da sua capacidade de produzir um imaginário coletivo em cujo interior os indivíduos possam localizar-se, identificar-se e, pelo autorreconhecimento assim obtido, legitimar involuntariamente a divisão social. Sua coerência está atrelada a uma lógica da lacuna e do silêncio sobre sua própria gênese, isto é, sobre a divisão social das classes. A anterioridade do corpus, a universalização do particular, a interiorização do imaginário como algo coletivo e comum e a coerência da lógica lacunar fazem com que a ideologia seja uma lógica da dissimulação (da existência de classes sociais contraditórias) e uma lógica da ocultação (da gênese da divisão social). A partir da análise de alguns temas correntes nas discussões pedagógicas, este ensaio pretende avaliar até que ponto o discurso educacional, marcado em grande medida pela regra da competência, encobre ou não alguma ideologia.

Instalación de la escuela monocultural en la Araucanía, 1883-1910: dispositivos de poder y Sociedad Mapuche

PID: S1517-97022016000100213 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Sepúlveda Llancavil Chacaltana Vargas
Resumen Este artículo surge de un estudio historiográfico sobre la instalación de la escuela monocultural en la región de la Araucanía, en el sur de Chile entre 1883 y 1910. El objeto es analizar a la escuela como principal dispositivo de poder que permitió legitimar la instalación e implementación del curriculum nacional chileno en territorio mapuche. En esta investigación se piensa que la comprensión de los actuales problemas interculturales que se manifiestan entre los conocimientos mapuche y saberes propios de la sociedad occidental, tienen una explicación en el modo como se instaló y proyectó la escuela en la Araucanía a fines del siglo XIX. Con el análisis teórico documental que se realiza se pretende comprender la dinámica que adquirió la escuela en un diagrama disciplinario de poder-saber que se articuló desde la capital de la República de Chile, para lograr integrar a los mapuches al proyecto Estado-Nación que había sido pensado y soñado por los grupos dirigentes oligárquicos de Chile. Así, en este texto se exponen muestras empíricas de material de archivo que han sido confrontadas con fuentes secundarias que develan la presencia de nuevos actores, tales como inspectores, visitadores de escuelas, profesores, quienes asumieron la misión de concretar el curriculum prescrito republicano en territorio indígena. Fue posible encontrar que durante la instalación de la escuela monocultural a fines del siglo XIX y comienzos de la conmemoración del primer centenario de la Independencia de Chile no hubo contextualización curricular.

La competencia mediática en educación primaria en el contexto español

PID: S1517-97022016000200375 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: García Sánchez-Carrero Contreras-Pulido García Sánchez-Carrero Contreras-Pulido
Resumen Desde hace casi cuatro años un numeroso grupo de investigadores españoles de más de veinte universidades del país estudian los niveles de competencia mediática de la ciudadanía para promover así programas de alfabetización mediática en las escuelas y entornos no formales. La competencia mediática es un concepto que abarca nuestras habilidades y conocimientos frente a los medios de comunicación y puede ser medida a través de seis dimensiones: lenguaje, tecnología, producción y programación, recepción y audiencias, ideología y valores y finalmente la estética. Concretamente, en el estudio descriptivo que aquí se presenta, se explora el grado de dicha competencia en el caso concreto de escolares de cuarto de Educación Primaria de entre nueve y diez años, en el contexto español. Para ello fue necesario el diseño e implementación de un cuestionario online, adaptado a sus edades tanto en el contenido como en el diseño, para poder conocer si los 581 participantes que componen la muestra son competentes desde el punto de vista mediático. Los resultados muestran que nada es lo que parece. Pese a lo que se pudiera suponer, es necesario una mayor formación en medios entre el alumnado de esta etapa obligatoria y por tanto se precisan programas de alfabetización mediática en las escuelas y también en los entornos familiares.

Multicultura e interculturalidad: implicaciones de una ausencia en la educación

PID: S1517-97022016000200459 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2016
Autores: Aguero-Contreras Urquiza-García
Resumen Reflexión teórica desde las perspectivas sociológica – antropológica de la educación, sustentada en los enfoques de la multicultura e interculturalidad. Se parte de varios estudios realizados en la residencia estudiantil de la Universidad de Cienfuegos, al centro - sur de Cuba. Estos han combinados análisis cuantitativos y cualitativos, considerando variables e indicadores socio demográficos, relacionados con la satisfacción en el acceso a la cultura, la salud, las relaciones y dinámicas sociales, mediadas por una estructura social clasista y sociocultural que distingue especificidades en la biografía cultural de individuos y grupos. Se concedió importancia a la significación dada a la residencia como escenario relevante de la vida educacional, las percepciones de las relaciones múltiples y diversas entre los grupos que tienen presencia en ella, así como los niveles de diálogos en los ámbitos académicos, científicos y sociales. Se analizaron varios documentos, y se realizaron observaciones, entrevistas estructuradas y en profundidad. Desde este contexto se muestran las implicaciones del déficit teórico en la gestión formativa en la residencia universitaria, limitando el alcance del proyecto educativo como concreción curricular, para el desarrollo de procesos socializadores más coherentes. Se concluye que la ausencia de estas perspectivas teóricas en la educación superior posibilitaron que la visión política ocupara la primera interpretación del proceso, expresada en la acción solidaria y aun cuando se muestran resultados concretos de importancia en cuanto al número de alumnos graduados, el proceso formativo fue limitado en el diálogo profundo, la socialización cultural para la lograr la unidad en la diversidad.
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