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Escuelas, familias y tramas sociourbanas: entrecruzamientos en contextos de diversidad y desigualdad social

PID: S1517-97022015000501137 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Neufeld Santillán Cerletti
ResumenEn este artículo se presentan algunos aspectos significativos de las investigaciones histórico-etnográficas realizadas por las autoras en los últimos quince años, en escenarios escolares y barrios de la ciudad de Buenos Aires y su conurbación. El objetivo principal es problematizar los procesos escolares y educativos vinculados a las mayorías populares de la Argentina, tomando tres ejes de análisis interconectados. Primero, se hace referencia a las modalidades que caracterizaban la relación entre familias y escuelas a comienzos del siglo actual (que se habían gestado en las últimas décadas del siglo XX), y a las formas en que las políticas sociales de cada momento atravesaban la vida cotidiana escolar y barrial, así como eran apropiadas y significadas por los docentes, las familias y los académicos. Luego, se presentan las formas hegemónicas de representar la relación entre las familias y las escuelas en la actualidad, que la han constituido como una problemática social, caracterizada por particulares requerimientos y demandas tanto para las escuelas como para las familias. Asimismo, se incorpora la presencia de múltiples prácticas y sentidos desplegados por sus protagonistas en su cotidianeidad, que tensionan esas demandas, y articulan con los procesos políticos de mayor generalidad. Finalmente, se puntualizan estas prácticas y sentidos tomando en cuenta las tramas organizativas locales, mostrando los modos en que los procesos escolares y educativos son llevados adelante por múltiples actores sociopolíticos vinculados a diversas formas de acción colectiva, en donde lo escolar se dirime incluyendo y –a la vez- avanzando más allá de la escuela.

Estranhos... Abjetos... Cobiçados... Construídos: corpos, desejos e educação

PID: S1517-97022015000501521 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Ferrari
ResumoA proposta deste dossiê nasceu da minha circulação como membro de diferentes espaços acadêmicos de produção e divulgação de pesquisas em educação, especialmente no Grupo de Trabalho 23 da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped) – Gênero, Sexualidade e Educação –, e na Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (ABEH). Nesses encontros, percebia que cada vez mais, nos diferentes espaços acadêmicos, nas pesquisas, na mídia impressa e eletrônica, na publicidade, nos cursos de formação e nas preocupações que dizem de processos educativos, proliferam discursos e práticas de construção dos corpos. Também é recorrente a ideia de construção, o que faz com que essas ações de investimentos nos corpos sejam contraditórias, algumas vezes paradoxais, mas também repletas de relações de poder, prazer, desejos, de maneira que também tenhamos que falar de investimentos que são comemorados, fazendo com que os discursos e práticas também possam ser classificados como entusiasmados. Com isso, podemos dizer que o conhecimento do corpo, sobre o corpo e com o corpo é resultado de investimento, confronto, negociação e processos históricos, sempre relacionados aos desejos, medos, preocupações, sonhos de cada lugar, momento, cultura e grupo social. Estranhos, abjetos, cobiçados, construídos: corpos, desejos e educação é um dossiê que procura operar com esses pressupostos, dando lugar a diferentes configurações e funcionamento das sociedades ocidentais que nos convidam a explorar essas construções e valorizações que dizem dessas sociedades ocidentais e que as transformam, colocando sob suspeita os processos educativos dos sujeitos, assumindo-os como provisórios e contingentes.

La escuela y la cuestión del mérito: reflexiones desde la experiencia chilena

PID: S1517-97022015000501503 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Araujo Martuccelli
ResumenEste artículo discute la importancia y centralidad que ha adquirido el mérito en la sociedad chilena hoy, enfocándose principalmente en sus efectos asociados con la experiencia educacional. El argumento es desarrollado en tres pasos. Luego de una presentación del contexto histórico y de las transformaciones sociales que dan cuenta de su expansión, se analizan sobre todo las maneras en que el reconocimiento del mérito es distintamente evaluado en las diferentes etapas de la trayectoria escolar por las clases medias y los sectores populares. En un tercer momento, se muestra de qué manera a través del extendido recurso a las redes sociales y a los contactos interpersonales, la expansión del mérito se acompaña del surgimiento de un nuevo horizonte de injusticia social. El artículo pone en evidencia, así, a la vez el fuerte consenso en torno al valor del mérito en Chile y los sentimientos de injusticia y frustración que ello engendra en los individuos. La discusión presentada se basa en los resultados de dos estudios cualitativos. La primera investigación se desarrolló en las ciudades de Santiago, Concepción y Valparaíso, entre 2007 y 2009, a través de alrededor de un centenar de entrevistas a hombres y mujeres de entre 30 y 55 años, pertenecientes la mitad de ellos a sectores populares urbanos y la otra mitad a las clases medias y medias-altas. La segunda investigación, en curso, aportó al análisis dieciséis entrevistas hechas en Santiago, a lo largo del 2014, a partir de las cuales se profundizó la problemática del mérito.

Pensar desde otro lugar, pensar lo impensable: hacia una pedagogía queer

PID: S1517-97022015000501527 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Trujillo
ResumenEl reconocimiento de la diversidad ha asumido un papel crucial en lo que respecta a la educación debido a las transformaciones sociales que han tenido lugar en las llamadas democracias avanzadas. Ciertamente, el contexto multicultural y la preeminencia de las luchas por el reconocimiento de las diferencias (ya sean sexuales, de género(s), raciales, culturales, religiosas, etc.) son las dos características principales que podrían caracterizar las tendencias sociales actuales. No obstante, las diferentes concepciones de la diversidad, implícitas y no suficientemente cuestionadas, delimitan un área controvertida de debate. Teniendo en cuenta estas consideraciones, mi objetivo en este artículo es, por una parte, realizar una reflexión crítica sobre los límites y los retos que la diversidad de género y sexual representa en el ámbito educativo, y para la política actual; y, por otra, analizar las aportaciones que desde las teorías feministas y queer se vienen realizado en los últimos años y su valiosa contribución para la educación. El artículo concluye con unas notas sobre la(s) pedagogía(s) queer y los retos que plantean.

Regulação da educação superior brasileira: a Lei de Inovação Tecnológica e da Parceria Público-Privada

PID: S1517-97022015000400961 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Borges
ResumoO artigo problematiza as articulações entre o público e o privado, colocadas na pauta do debate sobre a concepção de educação superior a partir do marco regulatório inaugurado pela Lei de Inovação Tecnológica (Lei nº 10.973/2004) e pela Lei da Parceria Público-Privada (Lei nº 11.079/2004). Parte-se do pressuposto de que esse marco regulatório recupera as ideias-chave do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (BRASIL, 1995), sobretudo a concepção de educação superior como um serviço comercializável, cuja regulação, no âmbito internacional, encontra-se no General Agreement on Trade in Services (WTO, 1995) – acordo engendrado na Organização Mundial do Comércio (OMC). Os denominados serviços de educação superior terciária são vistos como um serviço não exclusivo do Estado na acepção do Plano Diretor no contexto brasileiro, diferentemente da concepção de educação superior como um direito garantido pelo ente estatal, conforme o art. 205, da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Aprofunda-se, nesse marco, uma concepção orientada pela produção da inovação tecnológica; a produtividade dos serviços da universidade passa a ser medida segundo a lógica regulada pela Lei de Inovação Tecnológica (2004a), a qual dita o estabelecimento dos contratos de parceria entre a instituição universitária e o mercado conforme as regras da Lei da Parceria Público-Privada (2004b). Tal marco regulatório traduz continuidades e aprofundamentos no tocante à construção de uma concepção de educação superior como um serviço comercial, redefinindo-se o cidadão como usuário ou consumidor desses serviços.

Teoria em ato: o que pode e o que aprende um corpo?

PID: S1517-97022015000501541 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Mossi
ResumoNo intuito de retomar a célebre pergunta feita por Spinoza – “O que pode um corpo?” –, o artigo sustenta sua problemática em torno da questão “O que pode e o que aprende um corpo?” Nesse sentido, procura-se percorrer algo que no texto é designado como uma teoria em ato. Para tanto, num primeiro momento, busca-se elucidar as possibilidades teóricas e os locais de fala utilizados operacionalmente para produzir tal construção. Apoia-se a noção de um corpo fendido, ou seja, um corpo que se abre para outras possibilidades de ser corpo, distantes das comumente instituídas (corpo autônomo, consciente, racional) e, desse modo, produz uma teoria em ato que não mais reconhece a clássica separação corpo versus mente (alma, pensamento). Em seguida, associa-se à referida questão-problema a prática do corpo-sem-órgãos, cunhada pelo dramaturgo francês Antoni Artaud em sua conferência radiofônica de 1947 (Pour en finir avec le jugement de dieu) e retomada por Deleuze e Guattari em sua ampla produção filosófica com o intuito de, desse modo, propor a ação de pensar como fluxo que atravessa os atos de ler e escrever em meio à vida enquanto esteiras de criação e invenção, ao passo que não somente representam, mas produzem realidades.

Um caso de contratendência: baixa evasão na licenciatura em química explicada pelas disposições e integrações

PID: S1517-97022015000400975 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Massi Villani
ResumoEste trabalho faz parte de um estudo de caso sobre uma instituição pela qual seus alunos apresentavam um forte sentimento de pertencimento e adesão, materializado em baixos índices de evasão. Trata-se da licenciatura em química do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Araraquara, no interior do estado de São Paulo. Analisamos as trajetórias escolares e acadêmicas de 27 licenciandos em química, com base na Teoria da Integração do Estudante (TIE) de Vincent Tinto, quanto à integração social e acadêmica. Também utilizamos o conceito de disposição, apresentado inicialmente por Pierre Bourdieu e revisto por Bernard Lahire, para compreender essas integrações e explicar qualitativamente os baixos índices de evasão analisados quantitativamente. Adotamos a metodologia dos retratos sociológicos, também proposta por Lahire, para analisar as entrevistas dos licenciandos quanto a esses aspectos. Os retratos apontam para uma predominância de trajetos que conjugam uma integração social e acadêmica, favorecida por um encaixe das disposições anteriores atualizadas ou reforçadas na universidade. Ao investigar o caso de uma instituição específica, percebemos que as condições oferecidas pela universidade, que implícita ou explicitamente promovem a atualização de várias disposições dos licenciandos e são favoráveis à sua integração social e acadêmica, são fundamentais para explicar os baixos índices de evasão e tornam esse curso peculiar, principalmente pelas maneiras de criar vínculos com seus alunos.

A aprendizagem contextualizada: análise dos seus fundamentos e práticas pedagógicas

PID: S1517-97022015000300713 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Festas
Neste artigo, é abordada a aprendizagem contextualizada, bem como alguns dos seus fundamentos pedagógicos e psicológicos, nomeadamente aqueles que se reportam à pedagogia crítica e à aprendizagem situada. Partindo de estudos acerca do funcionamento cognitivo humano e de resultados de investigações empíricas, é dedicada uma especial atenção à análise de algumas das suas ideias fundamentais, como a de que os currículos devem basear-se na experiência dos alunos, a de que a aprendizagem necessita partir de atividades autênticas, e a que advoga o recurso aos métodos da descoberta. Muitos trabalhos da psicologia cognitiva, como os da teoria da carga cognitiva, não reforçam a ideia de uma aprendizagem baseada em atividades autênticas, na medida em que esta não promove a aquisição e automatização de conhecimentos em um domínio de especialidade nem reduz a carga cognitiva imposta pelas tarefas. Quanto aos estudos empíricos, embora eles mostrem que uma instrução guiada traz benefícios à aprendizagem, também revelam que a descoberta, se acompanhada de orientações, pode mostrar-se eficaz. Este resultado chama a atenção para a necessidade de se desenvolver investigação que, explorando as relações entre os dois tipos de métodos, permita um melhor conhecimento de como dosear a descoberta com instruções e, simultaneamente, abra a possibilidade de um diálogo entre diferentes concepções de educação.

A autoavaliação pode fazer diferença na qualidade da educação: conversando com John MacBeath

PID: S1517-97022015000501601 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Caramelo Terrasêca Kruppa
ResumoEm uma época em que se tornam avassaladoras as influências das avaliações externas de escolas sobre os sistemas nacionais de educação, a escola pública e a qualidade da educação, é premente ouvir um conceituado e autorizado investigador que defende a necessidade de investir crítica e implicadamente em processos de autoavaliação. John MacBeath, professor emérito da Universidade de Cambridge, e consultor de diversos organismos internacionais, designadamente, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e Organização Internacional do Trabalho (OIT), tem vasta experiência de trabalho e pesquisa em avaliação de escolas e estudos sobre eficácia e melhoria da escola. Na entrevista, John MacBeath refere-se ao projeto europeu desenvolvido no quadro do Programa Sócrates, denominado Avaliação da qualidade na educação escolar, que levou à construção de um instrumento de autoavaliação, o Perfil de Autoavaliação da Escola (PAVE). A sua defesa da relevância e imprescindibilidade da autoavaliação reside na convicção de que qualquer avaliação tem de ser capaz de compreender a cultura da escola, escutar as vozes dos seus protagonistas – os pais, os alunos e os professores –, dar conta de consonâncias e de discordâncias, o que exige um tempo que um visitante/inspetor externo não tem. Para MacBeath, a escola apenas pode promover a sua melhoria a partir do seu interior, pelo trabalho reflexivo e crítico de todos os seus membros. Não menos importante é a sua referência aos efeitos que o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) tem provocado, já que em vez de ajudar a diluir as distâncias entre os países, inspirou a competição e exacerbou as desigualdades, criando uma legião de alunos sem esperança.

A avaliação das aprendizagens no ensino básico português e o reforço da avaliação sumativa externa

PID: S1517-97022015000100153 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Ferreira
A avaliação das aprendizagens, nas últimas décadas, tem sido utilizada pelos Estados economicamente desenvolvidos como um processo de monitorização e de prestação de contas da qualidade da educação escolar promovida, naquilo que se vem designando de processos de accountability. Tal finalidade tem sido concretizada pelo aumento da avaliação sumativa externa, realizada por exames nacionais estandardizados. Os resultados obtidos pelos alunos nessas provas servem de barômetro para aferir e monitorizar essa qualidade educativa, com referência a padrões uniformes, determinados economicamente e que são visíveis em metas oficialmente estabelecidas para a educação escolar. É pela medição do cumprimento dessas metas pelos alunos nos exames nacionais que se processa a aferição e a monitorização por parte dos Estados da qualidade educativa. Não estando Portugal distante dessa influência neoliberal e neoconservadora na educação escolar, o objetivo do presente texto consiste em analisar e refletir sobre as mudanças nas orientações legais para a avaliação das aprendizagens no ensino básico que foram implementadas a partir de 2012 e que têm que ser enquadradas numa ideologia neoliberal mitigada. Esta análise e reflexão incidem sobre os documentos normativos que atualmente regulamentam a avaliação das aprendizagens no ensino básico português e que se traduziram no alargamento dos exames nacionais de português e a matemática aos três ciclos desse nível de ensino e na tendência de valorização dos resultados em detrimento dos processos de aprendizagem.

A avaliação institucional como instrumento de racionalização e o retorno à escola como organização formal

PID: S1517-97022015000501339 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Lima
ResumoO papel central da avaliação, da avaliação institucional e dos processos de garantia da qualidade de escolas e universidades nas políticas educacionais é objeto de discussão, também considerando a reforma do Estado. As teorias da nova gestão pública e as perspectivas gestionárias são consideradas como algumas das principais fontes de inspiração e de legitimação no contexto dominante de uma educação contábil. Dados empíricos preliminares resultantes do processo de avaliação externa de escolas básicas e secundárias portuguesas são apresentados e interpretados de acordo com os principais conceitos e representações organizacionais de escola presentes nos relatórios externos. Examinando algumas das imagens e dos significados de escola, cultura de escola, autonomia, objetivos, liderança e eficácia presentes nos relatórios de avaliação, o autor releva a importância das imagens formais, racionais e burocráticas de escolas. Várias questões de investigação são apresentadas tendo por base aquilo a que o autor chama o processo da hiperburocratização das organizações educativas. Algumas dimensões do conceito de burocracia de Max Weber são revisitadas, em articulação com perspectivas neocientíficas de garantia da qualidade e com as tecnologias da informação e comunicação. O autor sugere que maior relevância deve ser atribuída aos modelos formais e racionais de interpretação das organizações educativas, pois os processos de avaliação e de garantia da qualidade estão a contribuir para a formalização de escolas e universidades e para a intensificação do seu processo de racionalização, isto é, para a emergência de uma imagem analítica das escolas como hiperburocracias.

A disciplina estatística no curso de pedagogia da USP: uma abordagem histórica

PID: S1517-97022015000200461 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Ferreira Passos
Este artigo apresenta uma abordagem histórica acerca da disciplina estatística no curso de pedagogia da Universidade de São Paulo – USP (1939-1999). O objetivo foi investigar as origens da disciplina, os conteúdos e métodos propostos e seu papel na formação do pedagogo. A análise documental e a história oral foram utilizadas como recursos metodológicos. Fundamentando-se na história do currículo, a pesquisa dialogou especialmente com as ideias centrais de Ivor Goodson, ao compreender o currículo como construção social e investigar como e por que certo conhecimento é ensinado (ou não) em determinado contexto histórico. Constatou-se que a estatística foi considerada muito importante para a área educacional na primeira metade do século XX, por contribuir com a produção de diagnósticos para o planejamento de políticas públicas, com os trabalhos de inspeção escolar e com a classificação de alunos. Com origem nos cursos de administradores escolares do Instituto de Educação da Universidade de São Paulo nos anos 1930, a estatística ganhou espaço no curso de pedagogia, criado em 1939, mantendo-se presente no currículo, ainda que tenha passado por várias reformulações curriculares. A partir dos anos 1980, começou a sofrer limitações no campo educacional, seja pelo enfoque das pesquisas educacionais, que perderam gradualmente o cunho quantitativo, seja pela redefinição do curso de pedagogia, que passou a defender a docência como a base da formação do pedagogo.

A eficácia sociopedagógica da pena de privação da liberdade

PID: S1517-97022015000100033 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Silva
Este artigo recupera parte da pesquisa de doutoramento intitulada A eficácia sociopedagógica da pena de privação da liberdadeII, realizada no período de 1997 a 2001, junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de São Paulo e defendida em 21 de agosto de 2001. A pertinência de voltar a refletir sobre o tema decorre da aprovação das Diretrizes Nacionais para a Oferta da Educação em Estabelecimentos Penais, conforme Resolução no 3, de 11 de março de 2009, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) e homologada pelo Ministério da Educação, por meio da Resolução nº 2 do Conselho Nacional de Educação (CNE) em 19 de maio de 2010. Uma consequência prática dessa normativa é a elaboração do Plano Nacional de Educação no Sistema Prisional e a obrigatoriedade de que cada estado da federação tenha o seu Plano Estadual de Educação nas Prisões, de onde emerge, implícita ou explicitamente, a ideia de um projeto político pedagógico para a educação em prisões. A pesquisa foi desenvolvida em quatro unidades de privação da liberdade, no estado de São Paulo, com uma amostra que envolve adolescentes, mulheres, homens adultos no interior do estado e homens cumprindo mais de doze anos de sentença. Trata-se de uma pesquisa longitudinal, documentada da infância à fase adulta e que diagnostica o estado em que os indivíduos entraram na prisão, as transformações que sofreram e as condições objetivas que teriam ao saírem em liberdade. As conclusões da pesquisa constituem importante subsídio para o atual debate sobre a educação em prisões no Brasil.

A escola: entre o reconhecimento, o mérito e a excelência

PID: S1517-97022015000501385 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Setton Martuccelli
ResumoO objetivo desta apresentação é evocar as principais justificativas, ganhos teóricos e empíricos de investigações que têm como base noções como excelência, mérito e reconhecimento. Há muito a pesquisa educacional vem se debruçando sobre os mecanismos objetivos e simbólicos que contribuem para a manutenção das desigualdades sociais frente aos processos educativos. Contudo, ainda que muito precise ser feito para minimizarmos as barreiras de ordem estrutural, a sociologia da educação contemporânea se vê diante de uma problemática mais difusa e por vezes consensual acerca do mérito e da excelência individual. Para muitos, as oportunidades educativas já estão bem encaminhadas, e agora seria tarefa dos indivíduos traçarem seus próprios destinos. Mal-estar na civilização que apostou seu futuro na escola; cobranças e pressões institucionais e pessoais permeiam todos os processos educativos à custa de enganos e desenganos. Mas como desvelar essa difícil trama? Na tentativa de colaborar com as reflexões da área, convidamos alguns pesquisadores que vêm acumulando conhecimentos que interessam aos desafios da escolarização atual. Temos confiança de que este material inédito trará uma contribuição para os que se interessam sobre o tema.

A escolha e o reconhecimento pela educação: o caso de Antônio

PID: S1517-97022015000501405 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Setton
ResumoO artigo sistematiza ganhos teóricos e metodológicos do uso da noção híbridas disposições de habitus a partir de um estudo de caso. Para desenvolver o argumento, considera primeiramente que a escolha pelo projeto escolar, em função da conquista de um reconhecimento social, pode auxiliar na explanação do princípio hierárquico da construção de um híbrido sistema orientador de conduta. A análise permite observar que o biografado pouco a pouco traça sua singularidade fundindo disposições variadas, entre elas a submissão moral proveniente do trabalho braçal, bem como disposições intelectuais e cognitivas provenientes da escola. Injunções históricas e específicas chances de escolarização foram capturadas e apropriadas por ele num jogo e uso singulares do saber difuso disponibilizado pela frequência a vários círculos sociais. Apontando aspectos do comportamento em várias dimensões de sua vida, como práticas éticas, estéticas, religiosas e profissionais, é possível considerar uma articulação singular de disposições de cultura. Por fim, a reflexão permite identificar as relações indissociáveis entre contexto socializador e processos de individuação, na medida em que condições de socialização específicas são capazes de instrumentalizar a composição singular dos indivíduos.

A fabricação social dos indivíduos: quadros, modalidades, tempos e efeitos de socialização

PID: S1517-97022015000501393 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Lahire
ResumoO presente artigo apresenta uma discussão sobre os processos de socialização na atualidade. Dando seguimento às discussões já travadas anteriormente, faz algumas afirmações relevantes do ponto de vista metodológico para os interessados em pesquisar os processos socializadores. O texto traz uma discussão acerca da importância de se contextualizar as trajetórias individuais a fim de se conseguir apropriar de maneira concreta as experiências e tomadas de posição dos indivíduos ao longo dos percursos sociais. As categorias de cadres (instituições), modalidades (maneiras e formas de agir), tempo (momento de um percurso individual), e efeitos (disposições de agir, sentir e pensar) deveriam ser consideradas em todo o processo com a intenção de evitar interpretações vazias e ou retóricas acerca da incorporação das maneiras de ser. Tratando-se de uma discussão teórica e metodológica, texto busca elencar outras pesquisas que seguem o procedimento proposto. Todas as investigações citadas parecem seguir a metodologia de contextualizar o presente e o passado dos investigados a fim de alertar para os desvios e ou erros muitas vezes cometidos pelos pesquisadores. De fato, um número expressivo de pesquisas não levam em consideração os efeitos das socializações anteriores frente às novas socializações e creditam à socialização secundária um espaço de atualização de disposições adquiridas anteriormente.

A formação de conceitos em adultos não escolarizados

PID: S1517-97022015000300647 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Barros Filho Bastos
Neste trabalho, objetivou-se identificar o nível de abstração presente nos conceitos formulados por adultos não escolarizados que vivem em sociedades letradas. A amostra foi selecionada por conveniência e contou com quarenta adultos não escolarizados (analfabetos e semianalfabetos). Os dados foram coletados por meio da aplicação de instrumento sobre formação de conceitos, e analisados a partir da categorização proposta pelos autores. De acordo com essa categorização, os conceitos podem ser cotidianos ou científicos. Nos conceitos cotidianos, as palavras codificam informações com base nos atributos perceptíveis dos objetos aos quais se referem. Nos conceitos científicos, elas codificam informações com base em aspectos abstratos, não perceptíveis, dos objetos. Para Vigotski, um dos principais objetivos do processo de escolarização é possibilitar a passagem da formulação conceitual cotidiana para a científica. Este estudo investigou a possibilidade de desenvolvimento de uma estrutura conceitual científica fora da escola por adultos não escolarizados que residem em centros urbanos. Os resultados, após a análise das respostas, indicaram que, apesar de alguns desses adultos terem formulado conceitos científicos, predominou em suas respostas um padrão conceitual cotidiano. A partir desses resultados, concluiu-se que, por conta da atual institucionalização, na escola, do treinamento em operações teóricas, o contexto escolar ainda aparece como o mais privilegiado para propiciar esse tipo de desenvolvimento.

Análise sociológica da didática museal: os sujeitos pedagógicos e a dinâmica de constituição do discurso expositivo

PID: S1517-97022015000300695 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Marandino
Este artigo busca estudar o fenômeno educacional dos museus a partir da análise sociológica da didática museal. Tomando por base a Teoria do Discurso Pedagógico de Basil Bernstein e, em especial, os conceitos de recontextualização e campo recontextualizador desse autor, o processo de produção do discurso expositivo de cinco museus de ciências foi estudado. Assumiu-se o discurso expositivo como uma modalidade de discurso pedagógico e buscou-se evidenciar o processo de recontextualização de vários discursos na produção da exposição, além de caracterizar os sujeitos pedagógicos que compõem o campo recontextualizador pedagógico dos museus estudados. Ao revelar os agentes e instâncias responsáveis pela recontextualização e a dinâmica existente entre eles, evidenciou-se as relações de poder entre sujeitos e campos de conhecimento envolvidos na produção do discurso expositivo. A análise, com foco na dimensão sociológica da didática museal, fornece elementos-chave para a compreensão das dinâmicas de seleção e de distribuição do poder na elaboração das ações educativas dos museus, colaborando na formação dos profissionais que atuam nesses locais e, por conseguinte, qualificando as atividades educativas por eles elaboradas.

Autoavaliação como estratégia de resistência à avaliação externa ranqueadora

PID: S1517-97022015000501283 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Mendes Caramelo Arelaro Terrasêca De Sordi Kruppa
ResumoEste artigo discute o sentido atual das políticas de avaliação na e da escola ao apresentar a investigação realizada por pesquisadores brasileiros e portugueses, com a participação de vinte escolas públicas, nas cidades de São Paulo e Campinas (Brasil) e do Porto (Portugal). Referenciando-se na Avaliação Institucional Participativa e na Qualidade Negociada, a pesquisa se junta aos profissionais das escolas e de setores da administração educacional, com a formação de grupos de estudo em cada uma das universidades. O artigo aborda criticamente a função expertise da pesquisa que frequentemente legitima avaliações centradas nos produtos, portando credibilidade aos testes padronizados, à proliferação de uma avaliocracia, com consequente alteração de procedimentos de inspeção e direção escolares, além de mudanças na gestão dos sistemas educativos, corrompendo/deformando o conceito de autonomia escolar, favorecendo a proliferação de escolas administradas por concessão, o estímulo ao cheque-ensino, bem como o aumento e naturalização das desigualdades escolares e uma dada representação da sociedade do conhecimento, que refuncionaliza a formação profissional para as classes populares, recriando a dualidade do ensino. Em contraponto, a pesquisa argumenta as possibilidades de um circuito virtuoso do ensino, da pesquisa e da extensão como método na relação com escolas públicas, partindo de uma concepção de Qualidade Negociada que, em conjunto com profissionais e comunidade, em cada escola, inicia processos de autoavaliação, com intencionalidade de transformação e com a possibilidade de desenvolvimento de novas relações dentro e fora da escola, reforçando a aprendizagem estratégica da competência coletiva dos atores sociais em prol da escola pública de qualidade social.

Avaliações em larga escala: uma sistematização do debate

PID: S1517-97022015000501367 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2015
Autores: Bauer Alavarse Oliveira
ResumoAs reformas educativas implantadas nas últimas décadas caracterizam-se, entre outros traços, pela utilização de avaliações em larga escala como instrumento de gestão de redes de ensino e de responsabilização de profissionais da educação. Isso tem ocorrido de modo peculiar em cada país e, no Brasil, observa-se a difusão dessas avaliações, por meio de provas padronizadas. Tais avaliações geram na comunidade acadêmica e educacional um debate no qual há posições que vão da contraposição extremada ao reconhecimento da contribuição das avaliações em larga escala e das medidas educacionais como norteadoras de políticas e programas educacionais, incluindo as restrições ao uso que vem sendo feito de seus resultados. Diante dos argumentos favoráveis e contrários, incluindo as dimensões técnicas e políticas, neste trabalho, apresenta-se uma reflexão que reconhece a utilidade dessas avaliações, ainda que questionando alguns de seus usos para a gestão como critério, por exemplo, para a alocação de recursos nas escolas com melhores resultados, a definição de bônus para professores, o estabelecimento de rankings estimulando a competição entre escolas e redes de ensino, e seu entendimento como indicador único e principal de qualidade de ensino. Assim, o objetivo deste artigo é discutir as principais críticas e ponderações às avaliações em larga escala presentes na literatura nacional e internacional e sistematizar o debate em torno de suas potencialidades. Para tanto, dois aspectos recorrentes na literatura foram destacados, o papel e a validade das avaliações em larga escala nas reformas educacionais e o uso de seus resultados para a gestão de sistemas e escolas.
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