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Faces e metamorfoses do poder: uma sociografia dos ministros da educação no Portugal democrático

PID: S1517-97022014000401045 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Abrantes Roldão
O presente artigo caracteriza o perfil e a trajetória social dos 27 agentes que ocuparam o cargo de ministro da Educação em Portugal, desde a revolução democrática de 1974. Busca-se, com este estudo, contribuir para a análise dos grupos, interesses e ideologias que têm governado o sistema educativo no país, nas últimas décadas. Partimos de um quadro teórico em que se cruzam os estudos a respeito das elites políticas com as pesquisas sobre políticas educativas. Após um debate acerca da volatilidade do cargo, a análise centra-se na compreensão de um padrão observado: a larga maioria dos ministros são homens, nascidos em Lisboa, formados em certas escolas e cursos, com mestrado ou doutorado. Em geral, apresentam-se como independentes, têm carreiras ligadas à docência universitária, à administração pública e, em alguns casos, também à administração de empresas e fundações. É possível, ainda assim, observar mudanças ao longo das últimas décadas, nomeadamente, quanto à área de formação: os historiadores e filósofos do período revolucionário foram substituídos por engenheiros, nos anos 1980 e 1990, e, mais recentemente, por economistas e sociólogos. A formação pós-graduada no estrangeiro, sobretudo na Inglaterra e nos Estados Unidos, também consiste em um recurso importante. Conclui-se que, apesar das mudanças geradas pelos processos democráticos, os ministros da Educação mantiveram um perfil muito específico, buscando conciliar as elites político-econômica e cultural-intelectual, mas mantendo a distinção (e tensão) relativamente ao campo educativo e aos seus agentes, em particular, aos professores do ensino básico e secundário.

Formação de professores e saberes docentes: trajetória e preocupações de uma pesquisadora da docência - uma entrevista com Ruth Mercado

PID: S1517-97022014000100016 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Souza Zibetti
A entrevista concedida pela pesquisadora mexicana Ruth Mercado Maldonado em outubro de 2013 traz importantes contribuições para o campo educacional ao tratar de temas contemporâneos a partir da experiência profissional de uma investigadora de renome internacional. Docente e pesquisadora do Departamiento de Investigaciones Educativas del Centro de Investigación y de Estudios Avanzados del Instituto Politécnico Nacional (DIE-CINVESTAV), a Dra. Ruth Mercado mantém contato com pesquisadores brasileiros desde a década de 1980, debatendo temas envolvendo a etnografia e a formação de professores. A abordagem etnográfica, calcada na articulação entre trabalho empírico e conceitual, possibilita que a autora, a partir do pensamento de Agnes Heller, Mikhail Bakhtin e Lev Vigotsky, dentre outros, produza uma construção teórica própria acerca dos saberes docentes. Sua trajetória revela as concepções de uma pesquisadora que busca compreender a perspectiva do outro, distanciando-se dos olhares avaliativos e prescritivos comuns ao campo pedagógico. Na entrevista, a autora aborda, de modo instigante, questões atuais e relativas ao campo da formação inicial e continuada de professores: o processo de universitarização e suas implicações, o papel dos formadores, as relações entre cultura universitária e cultura escolar. Suas reflexões sobre a história da profissão docente no México e da criação de programas de mestrado profissional em diferentes países oferecem contribuições importantes para a comunidade educacional da América Latina. A leitura da entrevista envolve, assim, um convite à reflexão sobre os desafios que a universidade e seus profissionais enfrentam na construção de propostas de formação docente adequadas às necessidades, demandas e características próprias daqueles que atuam na educação básica.

Indicadores de estresse e coping no contexto da educação inclusive

PID: S1517-97022014000100009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Silveira Enumo Pozzatto Paula
A escola tem sido o principal meio de educação para alunos com necessidades educativas especiais (NEE), graças às políticas inclusivas. Mas as dificuldades vivenciadas na implementação de tais políticas podem contribuir para o desenvolvimento de estresse entre docentes. Tendo isso em vista, no presente artigo procurou-se identificar os estressores e os níveis de estresse docente e analisar variáveis sóciodemográficas, pessoais, do trabalho e dos alunos, de acordo com a presença de estresse. Dezenove professoras de classes de 1º, 2º e 3º ano do Ensino Fundamental de escolas públicas da cidade de Vitória/ES, regentes de classes com alunos com NEE, responderam ao Inventário de Sintomas de Stress para adultos de Lipp, a um questionário com variáveis de interesse e a seis escalas de estressores e de enfrentamento (coping), especialmente traduzidas e adaptadas para o presente estudo. A grande quantidade de alunos e seus problemas comportamentais foram os estressores mais frequentes. Especificamente com relação à educação inclusiva, destacaram-se a sobrecarga de serviço e a percepção de pouca preocupação governamental em fornecer subsídios para o trabalho. Todavia, cabe ressaltar que a inclusão de alunos com NEE foi um fator menos citado, podendo não ser a variável central para o estresse, uma vez que os docentes com estresse apontaram mais frequentemente a seguinte causa: a percepção de incompreensão pública frente ao trabalho docente. A partir dessa constatação, sugerem-se intervenções para a promoção do bem-estar entre os professores.

Interações comunicativas entre uma professora e um aluno com autismo na escola comum: uma proposta de intervenção

PID: S1517-97022014000100010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Gomes Nunes
Abstract The controversial aspects involving the process of inclusion of students with autism in public school classrooms have sparked extensive debate in recent decades. One of the main challenges faced by teachers to perform this type of inclusion are impairments in communication, typically evidenced by students with this diagnosis. Thus, it becomes imperative to develop intervention programs focused on the development of the communicative skills of these students. Keeping this in view, the aim of this study was to evaluate the effects of a program of intervention on the communicative interactions, in the context of common classrooms, between a non-speaking student aged 10 years, diagnosed with autism, and his teacher. Data were collected in a primary education school located in Natal city, Rio Grande do Norte state. In the intervention program, the teacher was trained to employ naturalistic teaching strategies and resources of extended alternative communication to increase the frequency of interactions with the student during three routines of the classroom. Based on a quasi-experimental research design of AB type (baseline and treatment), we identified qualitative and quantitative changes in teacher-student interactions shortly after the implementation of the intervention program. Limitations of the study are presented and discussed on the basis of observational data and records of the interactions between the dyad.

La confiabilidad de la información en Internet: criterios declarados y utilizados por jóvenes estudiantes mexicanos

PID: S1517-97022014000400913 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Kriscautzky Ferreiro
La frecuencia del uso de Internet con propósitos de estudio entre jóvenes y niños pone de relieve la necesaria utilización de criterios de confiabilidad propios del medio. El tema es motivo de preocupación en el ámbito educativo y ha sido investigado, principalmente, con encuestas de opción múltiple. La originalidad del presente trabajo consiste en diseñar y aplicar un instrumento que permite un acercamiento a las discordancias entre datos de carácter declarativo y datos próximos a las decisiones a tomar en un contexto de acción. El TICómetro(r) es una encuesta en línea aplicada a 628 estudiantes mexicanos, entre 14 y 18 años de edad. Cuatro de las veintiséis preguntas del cuestionario son analizadas. Una de ellas remite a una lista de criterios para evaluar la confiabilidad de la información (opción múltiple); las otras tres preguntas exigen la selección de sitios Web confiables, con base en imágenes tomadas de Internet (screen shots). Es una situación más próxima a la búsqueda real en pantalla que permite contrastar los criterios declarados con los efectivamente utilizados. El análisis estadístico de los datos muestra que los criterios declarados no coinciden con los utilizados a la hora de seleccionar sitios Web confiables, en ambos grupos de edad. Sin embargo, aparecen diferencias significativas entre los dos grupos de edad en lo que concierne a los criterios enunciados. Otra contribución del presente trabajo consiste en proponer un nuevo agrupamiento de los datos declarativos, utilizando la distinción clásica entre texto y paratexto, proveniente de la teoría literaria, con los ajustes necesarios para tratar textos informativos en el espacio digital.

La enseñanza y su relación con el saber en los estudiantes universitarios colombianos

PID: S1517-97022014000300002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Gómez Mendoza Alzate Piedrahita
Se exponen los resultados de una investigación sobre las respuestas de los estudiantes a las exigencias de las formas de los saberes enseñados en la universidad desde la perspectiva de su relación con el saber. Estudio exploratorio, cualitativo, descriptivo y descriptivo en una muestra cualitativa con representatividad teórica de dieciséis estudiantes de seis cursos universitarios, que se desarrollaron en el segundo semestre de 2012 en la Universidad Tecnológica de Pereira, Colombia. Se adoptaron cinco dimensiones de la relación con el saber: (1) sentido; (2) dimensión de lo que es importante en el saber; (3) contrato didáctico; (4) relación de identidad y afectiva con el saber; y (5) actitudes de estudio. Tres rasgos generales surgen de la investigación: (1) si bien los estudiantes, aceptan en su relación con el saber la exigencia de la significación, esperan también los momentos de la designación; (2) obstáculo importante en la relación constituye la distancia entre lo que el curso propone y la representación que el estudiante puede tener de la práctica fuente y la práctica objetivo; (3) rasgo común para los cursos es la distancia entre la percepción de las exigencias del profesor antes y después de la evaluación. Se confirma la hipótesis comprensiva: la respuesta que dan los estudiantes a las exigencias de las formas de los saberes enseñados en la universidad dependen de su relación con el saber y de sus actitudes y tratativas o enfoques que esta relación implica.

La investigación sobre educación de personas jóvenes y adultas: las tesis de un concurso latino-americano

PID: S1517-97022014000300008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: López-Velarde
Con la finalidad de conocer la situación que guarda la investigación de la educación de personas jóvenes y adultas (EPJA) en América Latina y el Caribe se realizó un estudio comparativo mediante la revisión de 170 tesis de licenciatura y posgrado que participaron en un concurso durante los años 2005 al 2011. Se comparan las instituciones, el género, así como los estudios realizados por los concursantes y las temáticas de las tesis para establecer la correspondencia y los cambios con respecto a las áreas y temas de investigación propuestos en los documentos regionales previos a la V y VI Conferencias Internacionales de Educación de Adultos (Hamburgo, 1997 y Belén, 2009). La investigación educativa en la EPJA, es mínima, ausente en muchos países y desigual, concentrándose en Brasil, México y Argentina. Se realiza en instituciones universitarias públicas mediante programas de licenciatura y posgrados en educación, ciencias de la educación, pedagogía y psicología, pero coexisten con una variedad de programas que son cursados en su mayoría por mujeres. La diversidad temática se acentúa como un rasgo de la investigación en la EPJA, reemplazando a la alfabetización y la educación básica. Los programas de licenciatura y posgrado sobre EPJA son escasos y no constituyen una línea consolidada de investigación con excepción de Cuba y Brasil. Es impostergable reactivar un análisis que trascienda el término EPJA desde la perspectiva del aprendizaje a lo largo de toda la vida.

Literatura y competencia comunicativa: ¿Matrimonio mal avenido?

PID: S1517-97022014000401015 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Troncoso Araos
Este artículo aborda la relación problemática entre enseñanza de la literatura y enfoque comunicacional, específicamente, entre aprender literatura y desarrollar la competencia comunicativa. A partir de esta tensión diagnosticada, surgen las preguntas: ¿es plausible enseñar literatura desarrollando a la vez competencias comunicativas?, ¿es compatible la literatura con un enfoque comunicativo? Estas interrogantes consideran una premisa: entender la literatura como dominio con características diferenciales. Luego, se somete a prueba, desde una perspectiva literaria y didáctica, la hipótesis que es posible desarrollar competencia comunicativa sin descuidar la especificidad y potencialidad de la literatura. Para ello, se analizan diversos textos en relación con cuatro subcompetencias: léxico-semántica, textual, discursiva y sociocognitiva. Si bien una misma obra podría analizarse en función de todas estas subcompetencias, se consideran por separado para efectos de la investigación. El análisis contempla textos principalmente narrativos y algunos líricos, sin distinción de edad. Esto evidencia que es factible desarrollar las subcompetencias en distintos niveles educacionales, aunque regulando la pertinencia de los textos y el tratamiento didáctico. En términos globales, se concluye que es posible compatibilizar competencia comunicativa y literatura considerando los énfasis específicos de lo literario y sus consecuentes derivaciones didácticas.

Michael Young e o campo do currículo: da ênfase no "conhecimento dos poderosos" à defesa do "conhecimento poderoso"

PID: S1517-97022014000401109 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Galian Louzano
Em novembro de 2013, Michael Young, professor emérito do Instituto de Educação da Universidade de Londres, esteve na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, participando como palestrante, ao lado do Professor Antônio Flávio Barbosa Moreira, da Universidade Católica de Petrópolis, do II Seminário FEUSP sobre Currículo - Escola e Sociedade do Conhecimento: aportes para a discussão dos processos de construção, seleção e organização do currículo. Na ocasião, expôs sua perspectiva atual sobre o debate teórico em torno do currículo, afirmando a falta de uma sólida teoria do conhecimento que oriente as discussões acerca das escolhas curriculares. Identificou uma recusa dos teóricos do currículo em enfrentar o que considera a função específica da educação: a promoção do desenvolvimento intelectual dos estudantes, com base no que define como conhecimento poderoso, intimamente ligado às áreas do conhecimento, nas universidades, e às disciplinas escolares. A reflexão central para esses teóricos, segundo Young, deveria se concentrar na pergunta: o que deve ser ensinado às crianças e jovens na escola? Vale destacar que sua posição atual contrasta, em diversos pontos, com a perspectiva que marcou o movimento da Nova Sociologia da Educação, na Inglaterra, no início da década de 1970, e que foi apresentada no livro Knowledge and Control: New Directions for the Sociology of Education, editado por ele e considerado um marco do referido movimento. A entrevista a seguir pretende trazer elementos para a compreensão dessa transformação na análise, empreendida por Michael Young, das questões referentes ao currículo.

Modelagem do crescimento da aprendizagem nos anos iniciais com dados longitudinais da pesquisa GERES

PID: S1517-97022014000100006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Brooke Fernandes Miranda Soares
Resumo Este artigo compara duas abordagens de valor agregado para dados oriundos do survey educacional de recorte longitudinal, chamado GERES - Estudo Longitudinal da Geração Escolar 2005, que acompanhou uma coorte de alunos de mais de 300 escolas públicas e privadas ao longo dos primeiros quatro anos do Ensino Fundamental. Ambas as abordagens utilizam modelos lineares hierárquicos, permitindo o agrupamento natural dos dados educacionais provenientes dos três níveis: aluno, turma e escola. Na primeira abordagem de valor agregado, constroem-se modelos cuja variável dependente é a proficiência do aluno em cada ano avaliado. Com um modelo distinto para cada ano é possível detectar fatores do aluno, da turma e da escola associados ao desempenho dos alunos. A segunda abordagem cria modelos para mostrar o efeito das covariáveis de aluno, turma e escola nas curvas de evolução da proficiência ao longo do período do estudo. Quando comparados os dois tipos de modelos de valor agregado, o primeiro foi o mais eficiente em diagnosticar os efeitos do ambiente e da prática pedagógica do professor, mas somente em determinados anos. Já o segundo tipo de modelo foi capaz de identificar curvas de evolução de proficiência de formatos distintos de acordo com determinadas características das escolas e dos alunos, mas foi menos sensível na identificação de variáveis associadas ao processo de formação de grupos e à prática pedagógica do professor. Os dois tipos de modelos de valor agregado oferecem indicações de processos de aprendizagem diferenciados para as disciplinas Língua Portuguesa e Matemática que mereceriam estudos adicionais.

Nos interstícios da cidadania: a inevitabilidade e urgência da dimensão da virtude cívica na educação

PID: S1517-97022014000100012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Fonseca
Este artigo tem dois objetivos centrais. O primeiro é problematizar a conceptualização da cidadania, de acordo com sua acepção moral e o segundo é equacionar as respectivas implicações para qualquer projeto educativo que reconheça a importância da educação para a cidadania em contexto escolar. Assim, primeiramente serão feitas algumas considerações a respeito da dimensão poliédrica do conceito de cidadania. Especificamente, salientaremos que a cidadania participativa, além de requerer conhecimentos e competências, abrange igualmente o domínio de recursos pessoais e extrapessoais, bem como as disposições conducentes à ação. Ademais, existe um vínculo entre a constituição moral de cada cidadão, a democracia e a vivência democrática. Finalmente, abordaremos a cidadania democrática, a qual envolve a capacidade da pessoa de se mover além dos seus próprios interesses individuais, para que possa comprometer-se com o bem da comunidade onde se encontra inserida. A cidadania, nessa perspectiva, origina uma latente tensão que necessita ser prudentemente dirimida. O processo educativo, portanto, desenvolve-se na fronteira escorregadia entre a doutrinação e o respeito pela livre escolha individual, devendo existir uma fidelidade intransigente à bússola balizadora dos direitos humanos (UNESCO, 2006), os quais privilegiam a defesa da dignidade das pessoas, o direito ao desenvolvimento da personalidade e o combate a todas as formas de discriminação (ROLDÃO, 1992; SANTOS, 2011).

O conceito de compensação no diálogo de Vigotski com Adler: desenvolvimento humano, educação e deficiência

PID: S1517-97022014000401093 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Dainez Smolka
Atualmente, é ampla a divulgação dos estudos de Lev Semenovitch Vigotski e dos impactos que esses causaram no âmbito da educação, repercutindo no modo de pensar o ensino e o desenvolvimento de crianças. Entretanto, a obra desse autor referente ao tema da deficiência ainda permanece sem tradução para o português. Por essa razão, ainda é pouco conhecida no país. O conceito que Vigotski elabora quando aborda o desenvolvimento nas condições orgânicas adversas é o de compensação. Diante disso, a proposta deste trabalho é apresentar a história de elaboração conceitual da compensação na perspectiva histórico-cultural, compreendendo a emergência e o movimento das ideias e dos argumentos produzidos por Vigotski na interlocução com os seus contemporâneos, sobretudo com o psicanalista austríaco Alfred Adler. Trata-se de um estudo teórico-conceitual em que foram realizadas leituras de livros de Adler e dos principais textos de Vigotski e de autores contemporâneos que versam acerca do tema. As discussões apontam para os pontos de acordos e a explicitação das diferenças das perspectivas desses autores, além de dar a ver o modo como Vigotski redimensiona o conceito de compensação com orientação para a formação social da mente. Como conclusão, mostra-se a concepção da sustentação da vida do indivíduo pelo outro, a crença nas possibilidades de desenvolvimento para além da deficiência e a compreensão dos diferentes modos de humanização. A implicação dessas proposições é a responsabilidade social de organização do meio educacional de modo a projetar a formação do novo no processo de desenvolvimento da criança (com deficiência), investindo na formação, disponibilização e apropriação de recursos materiais e humanos.

O desempenho das universidades brasileiras na perspectiva do Índice Geral de Cursos (IGC)

PID: S1517-97022014000300005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Hoffmann Zanini Corrêa Siluk Schuch Júnior Ávila
A educação superior exerce papel fundamental no desenvolvimento econômico de determinado país, no que condiz ao atendimento das demandas da sociedade. A qualidade no contexto da educação superior tem sido tema recorrente nos últimos anos, sobretudo a partir da criação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), que instituiu um sistema de avaliação institucional global e integrador condizente a todas as Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras, sendo responsável por produzir índices para mensuração da qualidade como o Indicador de Diferença dentre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), o Conceito Preliminar de Curso (CPC) e o IGC, Índice Geral de Cursos, que mede o desempenho global da instituição. Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar o IGC das universidades públicas e privadas das cinco regiões brasileiras, no intuito de caracterizar o desempenho das IES por região e verificar possíveis discrepâncias intra e inter-regionais identificando oportunidades de melhoria. Os resultados evidenciaram desempenho superior das universidades públicas em todas as regiões, tendo maior destaque as regiões norte e sudeste. Quanto à variabilidade, as regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram os melhores desempenhos ambos condizentes ao setor privado. No entanto, para realizar uma avaliação consolidada do desempenho das IES por região faz-se necessário analisar, de forma integrada, os resultados do IGC alinhados aos demais subsistemas de avaliação que integram a avaliação multidimensional do SINAES.

O imperativo do afeto na educação infantil: a ordem do discurso de pedagogas em formaçãoThe imperative of affect in early childhood education: the order of discourse of undergraduate education students

PID: S1517-97022014000100015 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Carvalho
Resumo Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa que teve como foco de análise a problematização dos discursos sobre afeto docente presentes em relatórios de um estágio realizado em turmas de Educação Infantil por 30 acadêmicas de pedagogia em fase de conclusão do curso. O objetivo do artigo é problematizar como os discursos sobre afeto se constituem enquanto imperativos que inventam e regulam os modos de exercício docente. O campo de estudos no qual se fundamentou a pesquisa foi o dos estudos culturais e dos estudos desenvolvidos por Michel Foucault. A metodologia consistiu na análise do discurso foucaultiana, por meio da qual foram destacadas as regularidades e inflexões presentes nos relatórios. Estes foram escritos a partir de elementos recordatórios, como fotos, planejamentos e demais registros das acadêmicas. A análise evidenciou a assunção da afetividade como um imperativo profissional associado a um processo de generificação da docência. A partir da pesquisa, concluiu-se que os significados do afeto no exercício da docência só existem como resultados inacabados de processos que tratam de nomeá-lo e conformá-lo. Por essa razão, se for assumida a perspectiva de que os discursos que tomam o afeto como imperativo docente presentes nos relatórios analisados são produzidos pelas práticas sociais, pelas relações de poder e pelo tipo de lógica disciplinar que os operacionaliza, é possível desnaturalizá-los e reinventá-los, experimentando outros modos de agir e de pensar o exercício da docência na Educação Infantil.

O sucesso escolar de meninas de camadas populares: qual o papel da socialização familiar?

PID: S1517-97022014000300009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Carvalho Senkevics Loges
Este artigo apresenta resultados de um estudo qualitativo que procurou conhecer os processos de socialização de gênero no interior de oito famílias de setores populares na cidade de São Paulo. Aqui enfocamos alguns dos aspectos que nos pareceram relevantes na compreensão da trajetória escolar melhor sucedida das meninas. Ao longo de 2011, foram feitas entrevistas semiestruradas com oito mães, dois pais e dez crianças, além de conversas e observações nas escolas, envolvendo ao todo 26 crianças e jovens. Obtivemos indicações de que: a socialização de gênero no âmbito das famílias de setores populares urbanos favorece nas meninas, e não nos meninos, o desenvolvimento de comportamentos frequentemente desejados pelas escolas, tais como a disciplina, a organização e a obediência (ou formas de desobediência menos visíveis); ao mesmo tempo, essa socialização faz com que a frequência à escola tenha significados diferentes para garotas e garotos, uma vez que elas são responsabilizadas pelo trabalho doméstico e têm muito menos oportunidades de sociabilidade. Essas mesmas restrições parecem fazê-las valorizar atividades extracurriculares com formatos próximos ao escolar e desenvolver aspirações ligadas a uma escolarização prolongada e a profissões qualificadas. A existência mesma desses planos ambiciosos, realistas ou não, pode ser impulsionadora de maior empenho nos estudos, realimentando a roda do sucesso escolar das meninas, que parece surgir de dentro da própria subordinação de gênero.

O sábio-aprendiz e o efêmero lugar da escrita: para uma ética da inventividade acadêmica

PID: S1517-97022014000200012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Vallera Paz
Este texto procura abrir a possibilidade de se discutir, em conjunto, os processos próprios da escrita, vividos individualmente, mas partilhados na condição comum de alunos de doutoramento. Trata-se de promover uma discussão intensiva em torno dos bloqueios históricos que atingem a produção e a circulação dos textos acadêmicos, a partir de conceitos emanados de duas teses em história da educação. Nomeadamente, identificou-se em cada uma delas instrumentos singulares que realizam essa ligação entre o passado e o presente da ontologia da aprendizagem, a saber, os conceitos de polícia e de gênio. Apresenta-se a desnaturalização dessas noções do presente como solução local, artesanal e inteiramente irrepetível destinada a suspender a permanência histórica de figuras incapacitadas pela posição de autoridade e de ingenuidade em que se instalaram no processo de escrita inventiva. Em primeiro lugar, procurou-se pensar um conceito de polícia que permitisse analisar o problema da autoridade no sábio. Em segundo lugar, pretendeu-se identificar no gênio um aprendiz ingênuo. A partir desse duplo deslocamento, extraímos generalizações imputáveis à nossa escrita, contornando a segurança de quem fala (sábio) e o medo de quem escreve (aprendiz) com a personagem ambivalente do sábio-aprendiz, imagem do estatuto efêmero do pesquisador e do escritor recém-legitimado ainda por consagrar. O debate apoia-se no convite lançado pela literatura pós-estruturalista ao equacionar a vida enquanto obra de arte, traduzido aqui na possibilidade de refletir criticamente a respeito da virtualidade de se ser, simultaneamente, o sujeito e o objeto do seu próprio texto.

Olhares e reflexões contemporâneas sobre o triângulo sociedade-educação-tecnologias e suas influências no ensino das ciências

PID: S1517-97022014000400953 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Morais Paiva
Quando se combinam termos como sociedade, educação e tecnologias, parece destacar-se a ideia de que as tecnologias têm sido associadas a algumas das mais expressivas mudanças ocorridas na sociedade do século XX e início do século XXI, e têm sido relatadas como capazes de influenciar aspetos diversos e significativos da realidade social, a ponto de alguns autores dizerem que estamos perante uma nova forma de organização da sociedade e do sistema econômico, à qual o sistema educativo deveria procurar corresponder, adequando-se. Neste artigo, apresentam-se algumas perspetivas e olhares que julgamos úteis para alavancar uma reflexão sustentada e projetiva sobre o passado, o presente e o futuro das inter-relações entre as esferas social, educativa e tecnológica e as possíveis influências daí decorrentes para o ensino das ciências. Assim, de forma mais descritiva, importa referir que este artigo é constituído por cinco tópicos que julgamos relevantes para consubstanciar a reflexão sobre a temática em apreço. Começando por apresentar algumas considerações sobre a sociedade da informação, a metáfora da rede e o potencial coletivo, segue-se um enfoque nas tecnologias e na sua relação com as "escolas que aprendem". Na medida em que o letramento digital não se esgota na competência tecnológica, a instituição escolar - e os seus agentes pode assumir um papel de mediação entre os desafios da sociedade do conhecimento e as novas gerações. Nesse contexto de interdependências múltiplas, termina-se o artigo com algumas reflexões sobre a educação em ciência, o ensino das ciências e o letramento científico na sociedade da informação.

Olhares epistemológicos e a pesquisa educacional na formação de professores de ciências

PID: S1517-97022014000400983 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Cavalcanti
Não existe professor de ciências sem uma epistemologia de fundo, sem uma base epistemológica que dê sustentação para o seu trabalho pedagógico. Não há pesquisa propriamente dita sem uma base epistemológica. Assim, para se formar o professor pesquisador, há que se enfrentar o desafio da formação epistemológica e a consequente discussão sobre os olhares epistemológicos. O objetivo do artigo é apresentar algumas das principais abordagens epistemológicas no campo da pesquisa em educação: dialética, positivismo, fenomenologia, estruturalismo e complexidade. A partir da metáfora do olhar, na relação sujeito-objeto do conhecimento, as epistemologias são discutidas enquanto possibilidades de olhares diversos sobre os fenômenos educacionais; ora convergentes, ora divergentes, completando-se ou excluindo-se. O que um olhar epistemológico enxerga outro pode não enxergar. Estaremos, nessa ótica da pesquisa educacional, numa dinâmica constante entre visão e/ou cegueira, a possibilidade de lucidez e/ou obscuridade. A Dialética representa o olhar em movimento, buscando captar o objeto na sua totalidade, desde uma perspectiva histórica de mudanças e contradições. O Positivismo representa o olhar de fora que se distancia buscando quantificar e mensurar o objeto, tornando-o imune à subjetividade daquele que o descreve. A Fenomenologia representa o olhar de dentro, do que é vivenciado e interpretado por sujeitos em determinado momento. O Estruturalismo representa o olhar por baixo que busca captar o que dá sustentação, a estrutura dos fenômenos sociais independente dos seus condicionamentos históricos. A Complexidade representa o olhar multidimensional que busca compreender a realidade no tecido complexus, em conjunto, considerando a incerteza e a incompletude.

Os gestores educacionais e a recepção dos sistemas externos de avaliação no cotidiano escolar

PID: S1517-97022014000100002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Rosistolato Viana
Este artigo discute alguns dos desafios presentes na incorporação das avaliações externas à cultura das escolas. Parte-se da observação de que tais avaliações foram concebidas com base em um modelo de escola que pressupõe a homogeneização da distribuição do saber escolar e, por conseguinte, a possibilidade de avaliar o produto final do processo: a aprendizagem em termos coletivos. Nenhuma delas tem o aluno como unidade de análise, pois todas privilegiam a escola e as redes de ensino a fim de mapear os processos de distribuição do saber. Elas não são, no entanto, consenso no campo educacional, e as abordagens críticas a respeito delas indicam a redução da autonomia dos professores e a construção de modelos de ensino padronizados como resultados perversos. O projeto que deu origem a este artigo teve como objetivo analisar a visão de gestores da educação básica do Rio de Janeiro sobre esse debate. Para tanto, em uma abordagem etnográfica, realizamos entrevistas em profundidade com seis gestores que trabalham na zona oeste da cidade. É possível dizer que eles leram, interpretaram e reinterpretaram os resultados obtidos por suas escolas tendo por base suas visões sobre seu próprio trabalho, a instituição, os estudantes e as políticas educacionais. As críticas dos entrevistados seguem uma lógica que coloca em xeque o modelo republicano de escola e suas possibilidades no Rio de Janeiro. Ao longo do texto, demonstraremos a construção dessas narrativas com foco nas convergências e divergências existentes entre as falas dos gestores e os discursos que configuram o embate público relacionado às avaliações externas de aprendizagem.

Os licenciados em Portugal: uma tipificação de perfis de inserção profissional

PID: S1517-97022014000200006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2014
Autores: Ramos Parente Santos
A adequação entre o nível e tipo de formação académica e a situação profissional é um tema presente sempre que se aborda a temática da inserção profissional dos licenciados. Pretende-se, com este artigo, analisar as situações profissionais de diplomados portugueses do ensino superior cinco anos após a conclusão da licenciatura, à luz da problemática da inserção e transição profissional. Enquadra-se a relação entre sistema de ensino e mercado de trabalho comparando-se indicadores internacionais que contextualizam o caso português, de modo a discutir os resultados empíricos que caracterizam a situação profissional vivida em 2010 por uma amostra de 1.004 diplomados de duas universidades portuguesas. Definem-se cinco tipos de situações profissionais a partir de técnicas de análise multivariadas e reflete-se sobre os perfis encontrados. Conclui-se que a maioria dos licenciados exerce uma atividade profissional adequada ao seu nível de graduação, com rendimentos salariais, vínculos laborais e horários adequados ao grupo dos especialistas das actividades intelectuais e científicas. Porém, a análise mais fina revela-nos uma configuração hierárquica das situações profissionais num continuum que se organiza desde a inserção frágil à inserção qualificante associada às áreas de formação frequentadas. Os diplomados nas áreas de educação, artes e humanidades ocupam as situações profissionais mais precarizantes, contrastando com a sobrerrepresentação nos empregos mais favoráveis dos licenciados das áreas de saúde, economia, gestão e direito.
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