☰ Menu
Educ@

Busca por Índice

Filtro por título, resumo, autor, periódico e ano

Total: 1582 | Página 58 de 80
0 resultados selecionados

Aprendizagem da docência em grupo colaborativo: histórias infantis e matemática

PID: S1517-97022013000400003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Souza Oliveira
Investiga-se de que maneiras o processo de elaboração, análise e utilização de um material educativo desenvolvido em um grupo com características colaborativas pode se configurar como fonte de aprendizagem da docência na formação inicial no curso de Pedagogia, analisando-se o processo de aprendizagem da docência das participantes, os conhecimentos mobilizados e as dificuldades enfrentadas. Para tanto, optou-se pelo estudo de caso da Atividade Curricular de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (Aciepe) intitulada Histórias Infantis e Matemática nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental e tomaram-se como dados os depoimentos de cinco egressas do curso de Pedagogia sobre o processo vivido ao estudarem referenciais que abordavam a língua materna, a linguagem matemática, o ensino de matemática e a conexão entre literatura infantil e matemática, bem como ao construírem e implementarem livros infantis com conteúdos matemáticos. Foram utilizadas múltiplas fontes de dados, tais como: diversos registros escritos elaborados ao longo da atividade de pesquisa, ensino e extensão (relatórios, planos de aula, diários de campo, livros produzidos etc.), entrevistas e questionários respondidos após o término da Aciepe. Os resultados, cuja análise possibilitou discutir as potencialidades de materialização de um espaço para elaboração, análise e utilização de materiais educativos, permeado pela discussão coletiva entre graduandos, professores em exercício e formadores de diferentes áreas, apresentam as aprendizagens da docência referentes às dimensões pessoal e profissional das participantes.

Aprendizagem de desaprender: Machado de Assis e a pedagogia da escolha

PID: S1517-97022013000400012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Almeida
O presente estudo resulta de uma pesquisa sobre o imaginário trágico da obra de Machado de Assis e sua relação com as dimensões da escolha no âmbito da educação, considerada em perspectiva filosófica. A questão que se coloca relaciona-se ao desdobramento educacional do pensamento machadiano, que pressupõe uma passagem pela desaprendizagem para se chegar à escolha da aprovação da existência - itinerário percorrido por seus personagens a partir da fase de sua obra consensualmente dita madura, inaugurada pela publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas. O objetivo é compreender o imaginário trágico, expresso pelas noções de nada, acaso e convenção, bem como as condições para a escolha da aprovação. O trajeto metodológico apropriou-se da fenomenologia e da hermenêutica na análise da obra machadiana e, como resultado, apontou para uma educação cujas bases filosóficas se assentam na escolha possível entre a aprovação incondicional da existência e a aprovação condicionada. No caso da opção machadiana, a aprovação se manifesta pela relativização das referências de sentido, pelo questionamento da crença, pela adesão às circunstâncias, pelo reconhecimento do espetáculo, da força das opiniões e das convenções sociais, e pela afirmação do caráter efêmero da vida, das contradições humanas e da conjunção entre realidade adversa e vontade de viver.

Aprendizagem e desenvolvimento de jovens e adultos: novas práticas sociais, novos sentidos

PID: S1517-97022013000200011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Vargas Gomes
O texto discute a influência do processo de escolarização no desenvolvimento mental e cultural de estudantes da educação de jovens e adultos (EJA) a partir de questões construídas no decorrer da pesquisa de mestrado intitulada Educação de jovens e adultos: novas práticas de leituras construindo novas identidades. O material empírico do estudo está situado nos relatos das histórias de vida e práticas de leitura dos estudantes de uma turma inicial de alfabetização de jovens e adultos da rede pública municipal de Belo Horizonte. Tais relatos possibilitaram-lhes a construção de discursos sobre suas formas de ser e estar no mundo e sobre suas práticas sociais, agora na perspectiva de sujeitos inseridos no universo da língua escrita. Além disso, instigaram algumas questões: Quais são os sentidos que jovens e adultos pouco ou não escolarizados constroem ao se inserirem no processo de alfabetização na escola? O ensino de conceitos científicos e escolares desencadeia processos de desenvolvimento mental e cultural nos jovens e adultos analfabetos? Com o propósito de tentar responder a tais perguntas, estabeleceu-se um diálogo entre as contribuições da psicologia histórico-cultural de Lev S. Vygotsky, do processo de alfabetização e de conscientização de Paulo Freire e da etnografia interacional. A análise de aspectos do desenvolvimento mental e cultural de um dos estudantes - aspectos estes gestados social e discursivamente, dentro e fora da escola, pela mediação das práticas sociais e educacionais experienciadas em seu processo de escolarização - revela-nos que a aprendizagem de conhecimentos científicos e escolares permitiu-lhe exercer novas práticas sociais no trabalho, na igreja e na família, ressignificando sua condição de ser e estar no mundo.

As formações imaginárias e seus efeitos de sentido no ensino e na aprendizagem de criação publicitária

PID: S1517-97022013000200012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Hansen
A partir das noções de formações imaginárias e antecipação, este artigo apresenta uma reflexão sobre o ensino de criação publicitária na perspectiva teórica da análise de discurso. Examinamos como o mundo profissional insere-se na prática docente e na dinâmica da sala de aula, entrelaçando-se ao discurso pedagógico. Diante disso, o objetivo do estudo foi investigar o modo como a imagem que o professor atribui a si e aos estudantes produz efeitos de sentido nos procedimentos didático-pedagógicos em disciplinas da área de criação publicitária. Para cumprir tal objetivo, recorremos a uma pesquisa de caráter empírico, na qual selecionamos sequências discursivas produzidas em 2011 por meio da gravação em áudio e vídeo de aulas das disciplinas de Criação, Direção de Arte, Redação Publicitária e Criação de Campanha na Escola Superior de Propaganda e Marketing de Porto Alegre. Revelamos que o conteúdo programático trabalhado em sala de aula e que emerge durante a preparação do curso é determinado pelas formulações imaginárias do professor, pela antecipação do efeito de sentido e pela homogeneização dos estudantes. A ação educativa é norteada pela antecipação da resistência do sistema de ensino. Por fim, pode-se afirmar que o lugar de professor e de aluno são representações socialmente incorporadas que impactam terminantemente as práticas pedagógicas.

As indicações dos organismos internacionais para as políticas nacionais de educação infantil: do direito à focalização

PID: S1517-97022013000100013 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Campos
O objetivo deste artigo é analisar os discursos presentes em documentos elaborados por organismos internacionais e governos locais que orientam as políticas voltadas para a educação infantil, com base na concepção de educação como política pública, projeto de governo sob responsabilidade do Estado e direito de todos. A partir do referencial analítico de políticas desenvolvido por Roger Dale, concentramos nossas análises nos textos de diferentes documentos produzidos, sobretudo, pela UNESCO e pela UNICEF. O objetivo foi identificar as indicações desses organismos para a educação infantil e suas implicações na efetivação da política local. As análises demonstram que o deslocamento interpretativo da questão social no contexto latino-americano embasa a orientação, recorrente nos documentos, de adoção da educação infantil como estratégia de combate à pobreza e, desse modo, como uma via para promover a equidade social. A repercussão de tal indicação nas políticas locais para a educação infantil, especialmente no que concerne à universalização desse direito, é alarmante, visto que as análises apontam um movimento de ampliação de perspectivas conservadoras e excludentes que acabam reforçando a segmentação da educação das crianças menores de 6 anos.

As macropolíticas educacionais e a micropolítica de gestão escolar: repercussões na saúde dos trabalhadores

PID: S1517-97022013000200010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Souza Rozemberg
O objetivo do presente artigo é analisar e interpretar as políticas de gestão do trabalho em vigor na rede de educação pública do Rio de Janeiro, em sua relação com a saúde dos trabalhadores de escolas. Por intermédio de uma pesquisa de base qualitativa, foram entrevistados trabalhadores de doze escolas, sendo as entrevistas interpretadas segundo o enfoque da análise do discurso. As políticas mais citadas pelos entrevistados foram: as políticas administrativas relacionadas à saúde dos profissionais da educação, como a readaptação funcional e a licença médica; as políticas relacionadas a práticas pedagógicas, como a política de aprovação automática, o sistema de ciclos e o Programa Nova Escola; e, ainda, as políticas relacionadas ao atual modelo de gestão pública, como a terceirização de funcionários. Constatamos que o paradigma hegemônico de gestão do trabalho em escolas não tem levado em consideração o contexto do trabalho onde se efetiva a gestão micropolítica dessa atividade. A partir das entrevistas, verificamos o quanto as macropolíticas educacionais e as medidas governamentais podem ser determinantes das atuais circunstâncias de saúde dos profissionais da educação, sendo necessário um conjunto de medidas para modificar as condições e a organização do trabalho que são geradoras de adoecimento, como o desenvolvimento de políticas participativas para diminuir os afastamentos por motivo de saúde. Desenvolvemos o argumento de que é preciso conhecer e transformar os efeitos sociais e econômicos originados da ausência de uma macropolítica pública de saúde voltada para o trabalho em escolas.

Breve genealogia dos estudos da governamentalidade: o efeito Foucault e seus desdobramentos. Uma entrevista com Colin Gordon

PID: S1517-97022013000400016 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Jardim
A entrevista aborda o contexto intelectual no campo da filosofia e das ciências sociais no Reino Unido, durante os anos 1970, bem como apresenta um balanço do trabalho realizado por Colin Gordon na tradução e na edição de livros em língua inglesa das pesquisas sobre poder e política que Michel Foucault empreendeu de meados dos anos 1970 até sua morte prematura, em 1984. Finalmente, procura-se avaliar os desdobramentos dessa estranha noção de governamentalidade no mundo intelectual anglófono e sua atualidade. O objetivo principal da entrevista, que foi realizada por Fabiana Jardim, professora da área de Sociologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo em maio de 2013, por ocasião da presença de Colin Gordon no Brasil, foi revisitar o contexto no qual o campo dos estudos sobre governamentalidade se constituiu, de modo a colocar em perspectiva o intenso alargamento desse campo a partir da publicação, em 2004, dos cursos de Michel Foucault no Collège de France nos quais a noção aparece. Isso nos pareceu oportuno não apenas devido ao alcance dos estudos sobre governamentalidade e educação no Brasil, o que pode ser atestado pelo volume da produção - artigos, dossiês e livros -, mas também tendo em conta as apropriações que foram feitas de tal noção no campo dos estudos pós-coloniais; nesse sentido, a noção preserva sua operacionalidade na tarefa de compreender as especificidades de nossa modernidade à brasileira por meio da identificação de problematizações constitutivas de nossa experiência.

Como os indivíduos se tornam indivíduos? Entrevista com Danilo Martuccelli

PID: S1517-97022013000100016 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Setton Sposito
O objetivo desta entrevista é oferecer subsídios para o debate acerca dos desafios epistemológicos atuais da sociologia. Trata-se de uma rara oportunidade de dar voz a um pesquisador que mesmo se ocupando de temas europeus e específicos da realidade francesa, não deixa de ter um envolvimento com a realidade latino-americana. A entrevista concedida por Danilo Martuccelli, em outubro de 2012, foi realizada pelas professoras de sociologia da educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Maria da Graça Jacintho Setton e Marilia Pontes Sposito, a partir de um debate informal e cordial realizado ora por e-mail, ora presencialmente. Danilo Martuccelli é professor de sociologia da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Paris-Descartes (Sorbonne). É também membro do grupo de pesquisa CERLIS (Centre de recherches sur les liens sociaux), que pertence à mesma instituição. Nesta entrevista temos a exposição de um instrumental teórico e analítico que evidencia a integração das perspectivas micro e macrossociológica. Aproveitando-se de uma sólida leitura dos clássicos da sociologia a partir de um enfoque grupal ou individual, Danilo Martuccelli oferece um relato inspirador de como podemos nos apropriar de uma larga tradição teórica. Fazendo uso dessas reflexões, o depoimento põe em tela um debate contemporâneo no interior das ciências sociais, bem como garante a ampliação e a contextualização histórica e teórica dos processos de formação do social.

Contexto escolar e indicadores educacionais: condições desiguais para a efetivação de uma política de avaliação educacional

PID: S1517-97022013000100012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Alves Soares
A introdução do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) pelo governo federal representou uma mudança significativa na forma como a educação passou a ser acompanhada no Brasil. O Ideb é o indicador de qualidade desenvolvido para avaliar a educação oferecida no país e em cada unidade da federação, município e escola pública. Ele serve também para acompanhar a melhoria da qualidade educacional segundo metas preestabelecidas. Seu uso para essas finalidades tem suscitado debates sobre o tipo de política de responsabilização que o indicador engendra. Argumenta-se, neste artigo, que o Ideb coloca foco em resultados finalísticos, sem considerar as condições que propiciam a obtenção de tais resultados. O trabalho analisa a relação entre o indicador e o contexto escolar, considerando para tal o perfil de seus alunos e as características do estabelecimento de ensino. A análise empírica utiliza dados da Prova Brasil, do Censo Escolar e do próprio Ideb, por meio de modelos de regressão linear múltipla. Os resultados mostram que as escolas que atendem a alunos de menor nível socioeconômico, como esperado, têm piores resultados, mesmo com o controle de outras características. Para essas escolas, é muito mais difícil elevar o valor do indicador. Além disso, as condições de infraestrutura e de complexidade da instituição também guardam relação com o Ideb. Por fim, os resultados indicam que são necessárias políticas de superação dessas limitações e que tais condições não podem ser ignoradas na análise do Ideb.

Currículo de ciências: estabilidade e mudança em livros didáticos

PID: S1517-97022013000200013 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Gomes Selles Lopes
O estudo focaliza aspectos relacionados aos conteúdos de ensino presentes em livros didáticos de Ciências no período entre as décadas de 1970 e 2000. A partir de questões que buscam compreender como vem se dando sócio-historicamente a valorização dos conhecimentos ecológicos nos currículos dessa disciplina, a análise prioriza as relações estabelecidas entre tais conhecimentos e outras temáticas também ensinadas. Para tanto, os conteúdos de ecologia selecionados para ensino são considerados resultantes de aspectos relativos à produção científica da ecologia biológica, ao ensino de Ciências, ao campo educacional e aos movimentos ambientais. Assim, com a finalidade de compreender a inserção de conhecimentos ecológicos nos currículos brasileiros de Ciências, identificam-se enfoques curriculares articulados às seleções de conteúdos de ensino e investigam-se as relações estabelecidas entre esses conhecimentos e outras temáticas dessa disciplina escolar em livros didáticos destinados ao ensino fundamental. Com base principalmente nas discussões de Ivor Goodson, evidencia-se a trajetória sócio-histórica dos currículos de Ciências por uma relação interdependente entre padrões de estabilidade e de mudança. Argumenta-se que os conteúdos de ecologia são introduzidos, causando mudança, na medida em que se inserem num padrão de estabilidade. Nessa perspectiva, tais materiais são tratados como fontes históricas importantes para entender a produção curricular escolar desenvolvida no período em questão.

Desafios do currículo multicultural na educação superior para indígenas

PID: S1517-97022013000100008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: David Melo Malheiro
O artigo avalia como a universidade brasileira está enfrentando os desafios curriculares para atender à demanda de alunos índios diante do recente acesso institucionalizado dos povos indígenas à educação superior. Apresenta-se a trajetória da educação escolar indígena até a universidade ocorrida nos primeiros anos da década de 2000, após as mudanças promovidas pela Constituição Federal de 1988, que reconheceu o direito indígena à alteridade. A questão central levantada é: o currículo da educação superior está em consonância com a perspectiva multicultural? Mostra-se um retrato da situação brasileira, desenhado a partir de pesquisa documental feita em sites governamentais e não governamentais, além de portais de notícia. Com discussões teóricas em torno do que é o currículo multicultural, destaca-se que, devido aos problemas relatados, a prática de ações afirmativas para promover o acesso de indígenas ao ensino superior tem-se limitado a um multiculturalismo reparador. Expõe-se também o resultado de pesquisa feita com discentes indígenas de um dos cursos mais procurados da Universidade Federal do Pará, que revelou contradições e resignação: os entrevistados apontam a existência de um etnocentrismo curricular, mas dizem que a formação é satisfatória para o exercício da profissão escolhida. Discute-se o fenômeno à luz da semelhança com o multiculturalismo curricular norte-americano. Os resultados indicam que a igualdade no acesso à educação não é obtida simplesmente pela igualdade de acesso a um currículo hegemônico. Sugere-se pensar currículos que considerem as múltiplas identidades e diferenças de nossa sociedade, bom como o modo como estas são produzidas e reproduzidas constantemente por meio das relações de poder.

Desenhos e vozes no ensino de geografia: a pluralidade das favelas pelos olhares das crianças

PID: S1517-97022013000400014 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Dias
A ciência geográfica prioriza como objeto de estudo as relações entre sociedade e natureza. No entanto, é preciso refletir sobre a possibilidade de escuta no ensino da geografia escolar, em diálogo com sua epistemologia. O recorte escolhido para ilustrar a potencialidade dessa perspectiva se deu na busca por compreender a leitura de mundo a partir da favela, considerando-se a pluralidade presente nas produções de sentidos e significados dos sujeitos que a observam. Em tais produções, existem as experiências mediadas e aquelas diretas com as/nas favelas. Quais noções, entretanto, orientam a concepção de favelas construídas pelos alunos? Compreender como os alunos percebem as favelas e criam sentidos e significados ao conceberem suas noções foi uma importante aproximação entre os saberes escolares e não escolares no processo educativo e na aprendizagem espacial. A pesquisa desenvolvida aponta a geografia humanista como uma possibilidade de compreensão do universo investigativo na contemporaneidade, ao permitir deslocar diferentes sentidos - no caso, do espaço urbano e de suas relações com o ensino - para escorar ações de formação de professores. Repensar noções como espaço e lugar propicia a reflexão sobre a apropriação de diferentes sentidos e saberes na escola e fora dela. O espaço urbano está repleto de práticas sociais que revelam diversas temporalidades e experiências espaciais. Pensá-lo no interior da escola significa dar visibilidade aos diferentes sujeitos e às suas territorialidades. Para alcançar esse objetivo, utilizou-se o desenho infantil como um instrumento de interlocução com os sujeitos.

Do pensamento abissal à ecologia de saberes na escola: reflexões sobre uma experiência de colaboração

PID: S1517-97022013000400002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Urzêda-Freitas
Neste trabalho, compartilho algumas reflexões a respeito da minha experiência de colaboração com uma professora de inglês da rede estadual de ensino em Goiânia (GO). A pesquisa teve por objetivo investigar os aspectos e desafios que permeiam a colaboração entre pesquisadores e professores. Para fundamentar as reflexões, busco respaldo em teorias que exploram: os aspectos e desafios da educação regular pública no Brasil; as condições de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras, em especial, inglês, em escolas públicas; as políticas da formação de professores de línguas estrangeiras; a relação entre pesquisa/reflexão colaborativa e formação de professores; e, por fim, a disparidade que separa a universidade e a escola na produção de conhecimentos pedagógicos. O estudo se caracteriza como uma pesquisa colaborativa e emancipatória, uma vez que encoraja a produção colaborativa de saberes entre um pesquisador e uma professora. Por meio de um questionário, três sessões reflexivas e um diário de campo, foram selecionados dois aspectos principais para serem analisados: os entraves iniciais da colaboração entre os participantes e as reflexões que os participantes produziram na e por meio da ação colaborativa. A análise desses aspectos mostrou que a pesquisa colaborativa pode reduzir as linhas abissais que separam pesquisadores, enquanto articuladores da teoria, e professores em sua prática, abrindo espaço para uma ecologia de saberes na escola.

Dos desafios para a psicologia histórico-cultural à reflexão sobre a pesquisa nas ciências humanas: entrevista com Pablo del Río

PID: S1517-97022013000200015 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Rego Braga
O texto apresenta reflexões instigantes de Pablo del Río Pereda, renomado professor espanhol da Faculdade de Humanidades, Comunicação e Documentação da Universidade Carlos III de Madri, editor e revisor (em conjunto com Amelia Álvarez) da Coleção Obras Escogidas, de Lev Semienovitch Vigotski, e presidente da Fundación Infancia y Aprendizaje (FIA). Considerado um dos principais responsáveis pela divulgação dos trabalhos de Vigotski no mundo ocidental, Pablo del Río é muito respeitado no cenário acadêmico internacional pelo fato de ser um profundo conhecedor e intérprete da chamada psicologia histórico-cultural. Nessa linha, tem desenvolvido e coordenado importantes projetos de investigação em diversas universidades e instituições, como a Universidade Complutense de Madri (Grupo GOMEL), a Universidade de Salamanca (Centro Tecnológico de Diseño Cultural) e a própria Fundación Infancia y Aprendizaje. Atualmente dirige o Laboratorio de Investigación Cultural (LIC) e o Master Oficial Universitario en Investigación Aplicada a Medios de Comunicación. A entrevista foi realizada em agosto de 2012. Por um lado, o relato de Pablo del Río expressa a solidez de sua formação, sua erudição e sua experiência como investigador da psicologia; por outro, revela o perfil de um intelectual inquieto e crítico, capaz de analisar com rigor e abertura as vicissitudes de nosso tempo. Assim, as reflexões apresentadas oferecem ricos subsídios para o debate acerca dos desafios atuais da psicologia e das ciências humanas de modo geral.

Educadores e a implementação de diretrizes contra desigualdades: o caso do ProJovem Urbano

PID: S1517-97022013000100011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Ferreira
O artigo apresenta e discute resultados de uma pesquisa com educadores do ProJovem Urbano na Região Metropolitana de São Paulo. O objetivo foi investigar as experiências dos educadores com a implementação das diretrizes desse programa e a possibilidade de construção de relações entre professor e aluno marcadas pelo respeito à diferença e compromissadas com a inclusão. A orientação teórica apoia-se nos estudos que abordam a escola como lugar de reprodução das desigualdades sociais, nos autores que estudam os modos como se dão as relações entre a lógica escolar e as formas de socialização das famílias populares, e também nas investigações sobre escola e diversidade cultural. As linhas teóricas destacam o processo que converte diferenças em desigualdades. Foram realizadas entrevistas em profundidade com educadores do ProJovem a fim de compreender se os objetivos e as diretrizes do programa aproximam educadores e educandos e promovem a produção conjunta do conhecimento, contribuindo para a construção de relações mais justas e respeitosas entre professores e alunos. Os resultados comprovam essa possibilidade, elucidando o papel-chave do educador na implementação do programa. Além disso, também são desvendados problemas como a falta de apoio aos educadores e a precariedade da relação de trabalho, os quais podem prejudicar os resultados do ProJovem.

Educação bilíngue nos Estados Unidos: uma possível transição moral para a cidadania global

PID: S1517-97022013000300008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Barbosa
Este trabalho consiste em um estudo teórico cujo objetivo é investigar a importância de competências interculturais, tais como habilidades de comunicação, para o desenvolvimento de uma educação para a cidadania global. Tem como hipótese a sugestão de que os argumentos contra a educação bilíngue nos Estados Unidos da América (EUA) podem representar indícios da existência de uma transição entre uma abordagem conservadora de cidadania e uma de cidadania global. Para esse fim, uma reflexão teórica sobre os aspectos morais associados a argumentos contra a educação bilíngue e em favor de movimentos English-only dentro do sistema educacional dos EUA, bem como sobre as suas implicações para a cidadania global, será construída por meio de uma análise crítica da literatura produzida na área. Demonstra-se que os argumentos a favor do uso exclusivo do inglês e contra a educação bilíngue parecem reforçar a necessidade de uma reforma educacional baseada tanto na teoria de Adela Cortina (2005) sobre ética mínima, quanto na proposição de Makoni e Pennycook (2007) a respeito da necessidade de uma desinvenção e reconstituição das línguas. Concluiu-se que uma análise crítica dos argumentos contra a educação bilíngue, e em favor movimentos educacionais English-only, parece reforçar a proposta de que os EUA podem estar enfrentando um período de transição entre uma condição de monismo moral para uma de pluralismo moral, ao mesmo tempo em que o pluralismo moral pode ser um pré-requisito para a cidadania global.

Educação bilíngue para surdos e inclusão segundo a Política Nacional de educação especial e o Decreto n. 5.626/05

PID: S1517-97022013000100004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Lodi
Este artigo foi desenvolvido com o objetivo de desvendar os diferentes sentidos de educação bilíngue e de inclusão na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e no Decreto nº 5.626/05 à luz da teoria discursivo-enunciativa de Bakhtin. Enquanto a Política de Educação Especial defende a inclusão dos alunos surdos no sistema regular de ensino, as comunidades surdas e pesquisadores da área, considerando a diferença linguística desse grupo social e o disposto no Decreto nº 5.626/05, advogam que a educação de surdos constitui-se como um campo específico do conhecimento, distanciando-se da educação especial. Observou-se que o Decreto compreende educação bilíngue para surdos como uma questão social que envolve a língua brasileira de sinais (Libras) e a língua portuguesa, em uma relação intrínseca com os aspectos culturais determinantes e determinados por cada língua; a Política, por sua vez, reduz educação bilíngue à presença de duas línguas no interior da escola sem propiciar que cada uma assuma seu lugar de pertinência para os grupos que as utilizam, mantendo a hegemonia do português nos processos educacionais. Tal concepção limita a transformação proposta para a educação de surdos apenas ao plano discursivo e restringe a inclusão à escola, impossibilitando uma ampliação desse conceito a todas as esferas sociais, conforme defendido pelo Decreto. Essa diferença entre os sentidos dos conceitos de educação bilíngue e de inclusão nos dois documentos tem alimentado velhas tensões e inviabilizado o diálogo entre as proposições da Política de Educação Especial e do Decreto nº 5.626/05.

Ensino médio integrado: subsunção aos interesses do capital ou travessia para a formação humana integral?

PID: S1517-97022013000300010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Moura
Este artigo discute o significado do ensino médio na condição de etapa final da educação básica, tendo em vista a realidade socioeconômica e educacional brasileira, em que grande parte dos filhos das classes populares precisa trabalhar antes dos 18 anos de idade. Parte-se do pressuposto de que o objetivo a ser alcançado, na perspectiva de uma sociedade justa, é a formação omnilateral, integral ou politécnica de todos, de forma pública e igualitária e sob a responsabilidade do estado. Apesar de essa representar a utopia a ser buscada, a realidade atual está muito distante dessa perspectiva formativa. Neste trabalho, então, questiona-se: é possível caminhar nessa direção, mesmo em uma sociedade capitalista e periférica como a do Brasil? Tendo essa questão como norte do trabalho, discute-se o ensino médio integrado à educação profissional técnica de nível médio como uma possibilidade de travessia na direção formativa pretendida para os jovens brasileiros. O estudo foi desenvolvido tendo como referência os pensamentos de Karl Marx e Friedrich Engels, de Antonio Gramsci, assim como de autores que dialogam com eles. A análise permitiu concluir que a realidade socioeconômica brasileira exige, do ponto de vista teórico e ético-político, conceber e materializar um tipo de ensino médio que garanta uma base unitária para todos, fundamentado na concepção de formação humana integral, tendo como eixos estruturantes o trabalho, a ciência, a tecnologia e a cultura. Garantida essa mesma base, é preciso também que o ensino médio integrado à educação profissional técnica de nível médio seja colocado como uma possibilidade de formação.

Entre o texto e a vida: uma leitura sobre as políticas de educação especial

PID: S1517-97022013000100006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Vasques Moschen Gurski
À margem da agenda política do Estado, a educação especial tradicionalmente se organizou como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum, em classes e escolas especiais. Nas últimas décadas, o Brasil, em consonância com movimentos internacionais, estabeleceu uma série de leis, políticas e programas para combater as desigualdades e a exclusão escolar. Nesse movimento, sujeitos com transtornos globais do desenvolvimento (TGD), tradicionalmente apartados dos processos de escolarização, são recebidos nas salas de aula e no velho pátio da escola. Quais racionalidades sustentam as formas de nomear e identificar esses alunos? Como compreender as relações entre os diagnósticos, as políticas e a inscrição das (im)possibilidades escolares? Em que medida as políticas inclusivas de educação especial desconstroem sentidos que relacionam os TGD à ineducabilidade, ou, ainda, a diferença à anormalidade e à inferioridade? O presente ensaio discute a implementação das diretrizes inclusivas considerando o texto político e seus efeitos no contexto da prática. A hermenêutica filosófica oferece os tempos e os focos da leitura. O argumento é tecido com e a partir das falas de um aluno e de professores, em diferentes campos de pesquisa. Do texto à vida, o incremento das matrículas; a proliferação dos sentidos sobre esses alunos e as possibilidades escolares; a atualização de antigos impasses perante o novo, o diferente. Se, no âmbito dos princípios, são reconhecidas a igualdade e as diferenças, na concretude das escolas ainda persiste a noção do diferente como desigual. Da inclusão ao pertencimento, aposta-se no diálogo como valoração da alteridade e condição de pertença.

Estágio docente: formação profissional, preparação para o ensino ou docência em caráter precário?

PID: S1517-97022013000200005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Joaquim Vilas Boas Carrieri
Este trabalho foi construído a partir de um estudo desenvolvido com o intuito de avaliar a viabilidade do estágio docente como alternativa à prática do ensino. O alvo da pesquisa foram os pós- -graduandos matriculados no estágio docente durante o ano de 2010 em uma universidade federal situada no Estado de Minas Gerias. O trabalho foi desenvolvido com base no método de estudo de casos em um programa de pós-graduação em Administração e a coleta de dados foi feita por meio de um único questionamento sobre o sentido atribuído pelos pós-graduandos ao desenvolvimento do estágio. Para que fosse possível interpretar os dados coletados, utilizou-se da análise de conteúdo. Por meio da percepção dos pós-graduandos, ressaltaram-se as contribuições, o sentido e as motivações de se realizar o estágio docente. Dessa forma, foi possível identificar a necessidade de se adequar a disciplina em termos práticos para que haja um maior envolvimento de todos os sujeitos e para que os resultados produzidos coletivamente sejam melhores e mais efetivos. Por fim, constatou-se que o processo de formação de professores nos programas de pós-graduação stricto sensu demanda uma (re)integração entre teoria e prática, de modo que o envolvimento com o estágio docente pode ser uma forma interessante de se promover a prática do ensino por parte dos pós-graduandos. Além disso, para aqueles que estão mais envolvidos com a pesquisa e com a leitura técnica de textos acadêmicos, a maior motivação apontada foi a redução da distância experimentada entre teoria e prática.
Reportar erro A