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Principios orientadores de la convivencia en el aula: una estrategia de reflexión colectiva

PID: S1517-97022013000200006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Nail Kröyer Muñoz Reyes Gajardo Aguayo
El siguiente informe presenta los resultados de un estudio de caso sobre construcción colectiva de la convivencia en el aula, realizado en un establecimiento educacional público de la ciudad de Concepción, Chile. El objetivo general de la investigación es desarrollar a través de un proceso reflexivo y participativo, principios y valores orientadores de la convivencia en el aula, que creen las condiciones para el aprendizaje de los estudiantes. La importancia de la presente investigación radica en que la reflexión docente en materia de convivencia escolar es una necesidad en las unidades educativas, y su ausencia manifiesta múltiples tensiones: dialéctica entre cultura-contenidos, violencia simbólica, violencia escolar y dificultades para la gestión de aula. Frente a esto se propone una estrategia de reflexión colectiva, fundamentada en la recogida y análisis de datos mediante tres instrumentos, para su posterior discusión con los docentes de la comunidad educativa. Entre las principales conclusiones se encuentran que los sujetos participantes asignan una alta gravedad a los problemas que involucran al entramado humano en el aula, la necesidad de la construcción colectiva entre docentes de las normas para la convivencia en la sala de clases, y la importancia que tiene la gestión del equipo directivo en función de la mejora de la convivencia en el aula.

Professores discriminados: um estudo sobre os docentes do sexo masculino nas séries do ensino fundamental

PID: S1517-97022013000400006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Rabelo
Este artigo tem como objetivo analisar algumas representações de gênero que envolvem a docência nas séries iniciais do ensino fundamental no Rio de Janeiro (Brasil) e em Aveiro (Portugal), especialmente as representações geradoras de discriminações que afetam os homens atuantes na profissão. Socialmente definida como feminina, tal profissão carrega representações que podem diferenciar as práticas e as escolhas, sendo que muitas delas associam o magistério ao feminino e alegam que os professores homens estariam fora de lugar. A partir da análise qualitativa e quantitativa de questionários e entrevistas com professores desse segmento, examinamos, então, quais são as representações de gênero que circulam em relação à docência nas séries iniciais do ensino fundamental, se existe discriminação em relação a eles, bem como se os homens que entram na profissão são desprovidos de preconceitos e ajudariam a diminuir as discriminações de gênero. Concluímos que o simples fato de existir um professor do sexo masculino nas salas de aula pode provocar várias representações de gênero; nesse sentido, os professores podem ou não tentar quebrar tais representações, o que aconteceu com alguns dos participantes desta investigação. Mesmo sofrendo preconceitos, porém, muitos se aproveitam das vantagens da masculinidade na sociedade. Apesar disso, demarcamos que a presença de professores do sexo masculino nas séries iniciais é uma forma de inserir as questões de gênero na educação, demonstrar às crianças na escola que o homem também pode escolher essa atividade com sucesso e evidenciar que a aptidão para o magistério não depende do sexo.

Programa Escola Ativa, escolas multisseriadas do campo e educação matemática

PID: S1517-97022013000100014 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Knijnik Wanderer
O artigo discute o Programa Escola Ativa (PEA), uma política pública de âmbito federal endereçada às escolas multisseriadas do campo, enfocando a área da matemática. O referencial teórico do estudo consiste em uma perspectiva etnomatemática concebida na interlocução com ideias da obra de maturidade de Wittgenstein e de Foucault. Deste, a principal noção utilizada é a de governamentalidade. O material de pesquisa abrange os documentos disponibilizados pelo PEA e questionários respondidos por professores responsáveis pelos cursos de formação no Estado do Rio Grande do Sul. Sua análise mostrou que há um tensionamento entre as orientações pedagógicas oferecidas aos professores e as atividades propostas aos alunos na área da matemática, e que o programa conduz a conduta dos professores, dos alunos e, de modo mais amplo, da população camponesa. Ao regular essa população, ele funciona como um dispositivo de governamento que institui uma visão despolitizada e romântica do campo, trivializa a necessidade de teorização para informar os processos educativos e posiciona a forma de vida camponesa em um patamar inferior ao da forma de vida urbana. Isso se expressa, de modo específico, na educação matemática, sobretudo na geometria: estratégias são postas em ação pelo PEA de modo a reforçar esse processo hierarquizante que é, no limite, um processo (re)produtor de desigualdades. Assim, a população urbana e a do campo acabam por ser significadas não só como diferentes, mas como desiguais.

Quadros interativos na educação: uma avaliação a partir das pesquisas da área

PID: S1517-97022013000300012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Sampaio Coutinho
Este artigo parte da premissa de que é necessário os professores das escolas do século XXI terem acesso a recursos e habilidades tecnológicas que permitam transmitir conhecimento com competências em Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). Tendo em vista essa necessidade, o governo português implementou o Plano Tecnológico da Educação, propondo-se a atuar diretamente com a maioria dos professores, de maneira a reforçar substancialmente as infraestruturas tecnológicas das escolas, assim como formar e certificar esses profissionais nas competências fundamentais para as TICs. Nesse plano de formação, o quadro interativo é um dos recursos trabalhados. Objetiva-se assegurar a presença de um equipamento em cada três salas de aula e formar seus respectivos docentes no uso pedagógico e profissional dessa ferramenta. Tendo em vista a ampla difusão desses quadros, importa refletir a respeito da importância pedagógica dessa ferramenta educativa. Neste artigo, apresenta-se uma síntese de diversos estudos que têm sido feitos em Portugal e em outras partes do mundo a respeito da utilização dos quadros interativos em contexto educativo. O intuito dessa apresentação é sistematizar as vantagens e desvantagens do uso desse tipo de tecnologia, avaliando as suas influências e potencialidades no ensino-aprendizagem. Queremos investigar que atitudes demonstram os professores na integração com os quadros e no planeamento das aulas e que níveis de utilização são alcançados pelos docentes em contexto de sala de aula. Considera-se que essa ferramenta educativa poderá permitir melhorias no processo de ensino-aprendizagem em diversos níveis. Contudo, cabe enfatizar que os docentes necessitam de tempo e formação para adquirir as competências tecnológicas necessárias para fazer uso do quadro interativo, de modo a alterar metodologias e atitudes em sala de aula. Podem, assim, integrar pedagogicamente essa tecnologia nos seus planos de aula, não se focando na tecnologia em si, mas na forma como será utilizada e nos objetivos almejados por cada docente.

Razão, sentido e formação a partir de um diálogo entre Benjamin e Habermas

PID: S1517-97022013000300006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Fenerich
O artigo aborda o tema da formação sob a perspectiva da filosofia, buscando enfrentar o problema de como conferir-lhe, nas atuais condições sociais e de pensamento, um direcionamento ético, moral e político. Com esse foco, a partir de um diálogo entre os pensamentos de Habermas e de Benjamin estabelecido com base em pesquisa bibliográfica, propõe e encaminha as seguintes questões: é possível formar sem transmitir conteúdos éticos, sem compartilhar experiências de vida?; é possível emancipar-se sem atribuir sentido à existência?; qual é a relação entre a razão e o sentido? Uma dupla hipótese orienta a investigação apresentada: a ética, a moral e a política constituem dimensões fundamentais da vida humana, sem as quais não há parâmetro para a formação; a formação para a emancipação depende de uma experiência da liberdade de pensar, criar, expressar e atribuir sentidos que passa, necessariamente, pela vitalização das possibilidades de comunicação entre aqueles que compartilham práticas de vida. A partir da pesquisa realizada, o artigo conclui que, para favorecer a abertura ao outro e fornecer parâmetros para o julgamento moral, autônomo - atitudes fundamentais para a convivência democrática nas sociedades complexas atuais -, a formação não pode prescindir do processo de transmissão de experiências éticas de vida, ainda que isso seja um grande desafio perante a razão secularizada de que dispomos hoje.

Relações entre pesquisa em ensino de ciências e formação de professores: algumas representações

PID: S1517-97022013000200004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Almeida Nardi
Este estudo foi realizado com o objetivo de investigar representações de pesquisadores da área de ensino de Física sobre a possível interferência da pesquisa da área de ensino de Ciências na maneira como se formam professores no Brasil. Para tal, foram analisadas as respostas a uma questão formulada em entrevistas a treze pesquisadores do ensino da Física, indicados por seus pares por meio de correio eletrônico encaminhado a pesquisadores do ensino de Ciências, incluindo as subáreas de Biologia, Física, Geociências e Química. A análise de discurso desenvolvida na França por Michel Pêcheux, a partir de subsídios obtidos principalmente em publicações de Eni Orlandi no Brasil, foi o apoio teórico que sustentou o estudo. As representações que os discursos selecionados permitem inferir evidenciam pequena influência. Entretanto, foram enunciados fatores de grande abrangência, incluindo desde aqueles internos à própria área, quanto fatores associados a políticas públicas. Também se observou uma diversidade de posições entre os pesquisadores entrevistados. No conjunto, os fatores abordados pelos entrevistados constituem um amplo quadro configurativo de representações que pode ser elemento de reflexão para outros pesquisadores. Acreditamos que essas representações têm potencial de contribuição para efetivas interferências na forma de realização de políticas públicas, sem a necessidade do uso de prescrições e cada vez menos com recomendações vazias.

Sigam-me os bons: apuros e aflições nos enfrentamentos ao regime da heteronormatividade no espaço escolar

PID: S1517-97022013000100010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Seffner
Este artigo aborda os desafios enfrentados quando se busca modificar os regimes de desigualdade na escola envolvendo atributos de gênero e sexualidade. Utiliza-se a etnografia de cenas escolares em três escolas públicas de Porto Alegre, as quais são palco de ações autoclassificadas como de “combate à homofobia”, “respeito pela diversidade” e “inclusão para todos”. Não se trata de fazer uma avaliação das políticas públicas, uma vez que há pouca envergadura do trabalho de campo, mas a reflexão sobre o que foi observado e relatado tem importância como insumo de monitoramento e avaliação das ações, bem como para estimular a reflexão teórica acerca das categorias conceituais em que tais ações se baseiam. O texto está estruturado em três unidades. Na primeira, percorre-se parte da complexa discussão conceitual e política que hoje envolve categorias como diferença, diversidade, inclusão, igualdade e desigualdade, em articulação com as categorias do campo específico: gênero, sexualidade e masculinidades no espaço escolar. Na segunda unidade, explicita-se o método de etnografia de cenas escolares, situando o contexto das escolas e dos grupos de alunos. A terceira narra algumas cenas, articulando seu conteúdo com questões de ordem teórica e com diretrizes de políticas públicas vigentes na área. A principal hipótese aqui desenvolvida é de que as ações escolares parecem querer valorizar a diversidade sem tocar no estatuto da heteronormatividade, o que compromete seu alcance.

Sobre o conceito de justiça: como estudantes o mobilizam na discussão de dilemas morais?

PID: S1517-97022013000200009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Andrade Câmara
Como estudantes de ensino médio mobilizam o conceito de justiça para lidar com dilemas morais? Buscou-se responder a essa questão de pesquisa a partir de dados empíricos e de algumas concepções de Habermas, em especial sobre o conceito de justiça procedimental e os critérios de igualdade, equidade, reciprocidade e de troca de papéis. O levantamento dos dados deu-se por meio da articulação de duas estratégias metodológicas: grupos focais e resolução de dilemas morais envolvendo questões de justiça e dignidade humana. Os grupos focais buscam entender a interação entre os sujeitos, ou seja, sua ênfase está na interlocução, o que se apresentou como fundamental para o estudo dos desafios cognitivos sobre o conceito de justiça numa perspectiva discursiva. Os dilemas morais, por sua vez, apresentam-se como situações hipotéticas e, nesta investigação, propiciaram um alto envolvimento dos sujeitos de pesquisa com a situação proposta. Dentre algumas conclusões possíveis, a pesquisa indica que os jovens não hesitam quando desafiados a se posicionarem em relação a problemas que envolvam suas crenças e convicções. Nesse sentido, a investigação reforça a pertinência de se utilizar o debate como uma estratégia para a prática pedagógica, de modo que, no espaço e no tempo da escola, as diversas visões de mundo e as características pessoais possam expressar-se.

Sérgio Niza: um aguerrido pedagogo português

PID: S1517-97022013000300015 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2013
Autores: Aquino
A entrevista em pauta tem o objetivo principal de dar a conhecer ao público brasileiro informações e reflexões substanciais acerca do Movimento da Escola Moderna - associação portuguesa de autoformação cooperada de professores de todos os graus de ensino, operante em todo o território português desde meados da década de 1970. Para tanto, foi colhido o depoimento de Sérgio Niza, fundador e diretor do Centro de Formação de Professores e da revista Escola Moderna, ambos ligados ao referido Movimento. Os trabalhos editoriais ficaram a cargo do Professor Julio Groppa Aquino, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Por meio do diálogo estabelecido in loco entre entrevistador e entrevistado em setembro de 2012, desponta uma espécie de registro histórico e, ao mesmo tempo, analítico-crítico das questões fulcrais que rondam as práticas escolares desde o retorno da democracia em Portugal, na década de 1970, e que em tantos pontos parecem coincidir com a conjuntura brasileira e suas inflexões características. Tendo o Movimento da Escola Moderna como núcleo temático da entrevista, Sérgio Niza traz à baila a proposta da criação de espaços de gestão coletivo-formativa centrados na reflexão teórico-prática acerca do cotidiano pedagógico, além de oferecer uma apurada avaliação da educação portuguesa nas últimas décadas. Inclui-se, ainda, uma reflexão oportuna sobre a Escola da Ponte (a experiência lusitana mais conhecida entre os brasileiros), assim como lúcidas ponderações sobre o Brasil contemporâneo, conclamando este a “ir muito mais longe” no quesito educacional.

A educação básica na proposta da Confederação Nacional da Indústria (CNI) nos anos 2000

PID: S1517-97022012000100003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Melo
O presente artigo, fruto de uma tese de doutorado, tem como propósito apresentar e discutir criticamente a proposta de educação básica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio da descrição e da análise de alguns documentos da entidade expostos publicamente ao longo dos anos 2000. O projeto de educação básica dos empresários brasileiros contempla a necessidade dessa classe de competir no mercado globalizado e em crise, vinculando o aumento do nível de escolaridade ao aumento da produtividade e da inovação necessárias para sua consecução. As bases de tal projeto educativo são a retomada da teoria do capital humano, a empregabilidade e o empreendedorismo. Em termos de projeto social, os empresários remetem-se a um pacto social, ou seja, pretendem generalizar uma concepção de mundo em que não caberia o conflito entre capital e trabalho, mas sim a adaptação dos trabalhadores à sociedade de classes. Nessa concepção, a ênfase recai sobre um projeto educativo que visa à responsabilização dos indivíduos por suas próprias carreiras; assim, a inserção ou exclusão social não é vista como resultante da estrutura macrossocial, mas do esforço individual empreendido, ou seja, da capacidade de o trabalhador ser organicamente produtivo para o capital.

A sala de aula foi o meu mundo: a carreira do magistério em São Paulo (1920-1950)

PID: S1517-97022012000200002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Alcântara
Nas primeiras décadas do século XX, dá-se a implantação, a expansão e a estruturação do sistema público de ensino paulista republicano. A criação de uma rede de escolas impulsiona a organização da carreira docente pela necessidade de formação de professores capazes de tornar tal expansão mais eficiente. Nesse período, foi estabelecido um conjunto de leis que normatizavam o exercício da profissão, fazendo dos professores funcionários do Estado. Ao lado da organização do sistema educativo, portanto, foi-se organizando também a profissão docente. Objetiva-se, aqui, problematizar a carreira e o trabalho docente em São Paulo a partir da experiência e da trajetória da professora paulista Botyra Camorim, tomando seu itinerário como representativo, pois a identidade de uma classe, de uma profissão, não pode ser considerada evidente independentemente das trajetórias dos membros que a compõem. Nesse movimento, acompanhar os fios de tal itinerário particular, inserido em meadas de relações, permitiu perceber a multiplicidade das experiências docentes, a pluralidade dos contextos de referência e as tensões que configuram limites e possibilidades ao fazer cotidiano. O confronto de fontes primárias - autobiografias, romances e contos escritos por Botyra Camorim - com a legislação, textos de educadores e pesquisas evidenciou que não se deve perseguir apenas a uniformidade e a homogeneização dos professores, pois os significados atribuídos ao trabalho docente e os modos de vivenciá-lo ou executá-lo não são perenes, mas estão intimamente relacionados com as condições espaço-temporais de exercício da profissão.

Agroecologia, consumo sustentável e aprendizado coletivo no Brasil

PID: S1517-97022012000200013 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Santos Chalub-Martins
O que acontece quando consumidores e produtores agroecológicos adotam uma prática econômica alternativa ao consumo convencional? O presente artigo analisa e qualifica as comunidades aprendentes existentes no âmbito desse tipo de prática econômica. O estudo de caso do grupo de consumo coletivo de produtos agroecológicos Trocas Verdes, situado em Campinas (SP), no contexto da agricultura familiar no Brasil, mostrou que as trocas econômicas são também trocas de saberes. Além disso, tais trocas constituem uma práxis em educação ambiental. As três dimensões da sustentabilidade - econômica, social e ambiental - são as categorias de análise utilizadas para determinar o potencial pedagógico existente na articulação de uma prática de consumo coletivo. A partir da metodologia da pesquisa participante, observou-se que, na venda direta de produtos agroecológicos a grupos de consumidores organizados de forma autônoma ou que funcionam em regime de autogestão, essa prática econômica também caracteriza um processo de educação ambiental crítica, pois possibilita que se apreenda coletivamente a realidade socioeconômica dos atores envolvidos. As dinâmicas socioeconômicas são objeto de aprendizado dos consumidores e pesquisadores atuantes nas compras e, assim, conclui-se que esse tipo de prática promove um aprendizado coletivo. O presente estudo confirma que um importante fator para a existência de comunidades aprendentes é a autogestão da organização social.

As universidades federais mineiras estão-se tornando mais desiguais? Análise da produção de pesquisa científica e conhecimento (2000-2008)

PID: S1517-97022012000400008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Chiarini Vieira
As instituições de ensino superior são importantes para a capacitação profissional, bem como para a geração de conhecimento científico, o que é fundamental para o avanço na fronteira de conhecimento. A liderança da UFMG e da UFV encontra respaldo em indicadores históricos que são apresentados no decorrer deste trabalho, tais como a participação de programas de mestrado e/ou doutorado, a participação de doutores permanentes, a proporção de pesquisadores registrados no Diretório do CNPq e a proporção de grupos de pesquisa registrados no Diretório do CNPq. Por essa razão, justificou-se a separação das instituições de ensino superior federais de Minas Gerais em dois grupos para efeitos de análise: um grupo classificado como relativamente mais expressivo na produção de conhecimento científico (constituído pela UFMG e pela UFV) e outro classificado como relativamente menos expressivo na produção de conhecimento científico (constituído pelas demais instituições de ensino superior federais de Minas Gerais, ou seja, CEFET/MG, UFJF, UFLA, UFOP, UFSJ, UFTM, UFU, UFVJM, UNIFAL e UNIFEI). A partir da concepção hipotética desses dois grupos, foi possível verificar a trajetória de estreitamento/afastamento entre os agentes que os compõem no que se refere a alguns indicadores básicos de produção de conhecimento: a) grupos de pesquisa por universidade; b) pesquisadores por universidade; e c) publicações por universidade. Utilizou-se o índice de desigualdade T de Theil para o período 2000-2008.

Avaliação da alfabetização: Provinha Brasil

PID: S1517-97022012000300005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Gontijo
Este texto é parte dos resultados de uma pesquisa documental mais ampla, cuja finalidade foi analisar os programas voltados para a alfabetização infantil implementados pelo Ministério da Educação a partir do ano de 2003. Busca compreender as origens do Programa de Avaliação da Alfabetização e as mudanças que ocorreram durante seu desenvolvimento; além disso, fundamentado no exame da Matriz de Referência para Avaliação da Alfabetização e do Letramento Inicial e dos documentos que compõem o kit da Provinha Brasil, visa a entender as concepções de alfabetização, de letramento inicial, de língua/linguagem e de leitura que sustentam o modelo de avaliação adotado pelo Ministério da Educação. Conclui que o programa tem origem nas definições de organismos mundiais para a década da alfabetização (2003-2012). O modelo autônomo de alfabetização ancora o Programa de Avaliação e, por isso, a ênfase é depositada no aprendizado das unidades abstratas da língua. A leitura, dimensão ligada ao letramento inicial, é compreendida como processo de decodificação e de identificação de ideias expressas de forma explícita em pequenos textos. Considerando os aspectos analisados, o artigo avalia que a concepção de língua/linguagem como estrutura sustenta a elaboração da Matriz de Referência e a construção dos itens da prova. Questiona, finalmente, de que modo a Provinha Brasil, pensada como instrumento pedagógico, poderá contribuir para a formação de leitores e escritores.

Bater não educa ninguém! Práticas educativas parentais coercitivas e suas repercussões no contexto escolar

PID: S1517-97022012000400013 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Patias Siqueira Dias
O objetivo deste artigo é refletir sobre os efeitos das práticas educativas coercitivas para o desenvolvimento da criança e do adolescente, buscando compreender sua influência no comportamento e na aprendizagem em ambiente escolar. A partir da análise assistemática de estudos sobre o tema, foi possível compreender que as estratégias coercitivas que se utilizam da força física para educar estão associadas a resultados negativos no desenvolvimento humano da criança e do adolescente, como comportamentos agressivos e baixa autoestima, constituindo-se em risco ao desenvolvimento saudável. Contudo, tais práticas são compartilhadas socialmente e consideradas naturais pelas famílias, não havendo, muitas vezes, o conhecimento de outras formas de educar. Sendo a escola um importante ambiente de interação das crianças, ela tem sido chamada a engajar-se nessa temática. Assim, discutem-se formas de instrumentalizar os profissionais da educação para a identificação dos casos de uso de estratégias coercitivas e violência física na educação dos filhos, como também ações preventivas junto aos estudantes e à comunidade. Para que o propósito seja alcançado, órgãos responsáveis pela defesa dos direitos da criança e psicólogo escolar poderão atuar juntamente com a escola, auxiliando-a nesse processo. O psicólogo pode trabalhar com os pais no sentido de apresentar formas de educar que não passem pela perspectiva da violência, prevenindo, assim, danos ao desenvolvimento e comportamentos que dificultam a aprendizagem. Fomentar reflexões sobre essa problemática fará com que os valores da educação sem violência tomem espaço nas famílias, contribuindo para que as crianças tornem-se adultos saudáveis no futuro.

Categorias metacognitivas como subsídio à prática pedagógica

PID: S1517-97022012000100012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Portilho Dreher
O objetivo deste artigo é apresentar as categorias metacognitivas presentes na maneira de cada criança planejar, supervisionar e avaliar suas tarefas escolares, bem como relacioná-las à prática pedagógica. O trabalho reflete uma preocupação empírica com a metacognição, e os dados dela derivados são analisados à luz, principalmente, dos trabalhos de John Flavell (1981, 1999), Juan Mayor, Aurora Suengas e Javier Marques (1995) e Evelise Portilho (2003, 2009). A pesquisa de abordagem qualitativa consistiu na análise das respostas de 396 crianças da 1ª série do ensino fundamental de uma rede municipal de ensino do Estado do Paraná. O instrumento utilizado foi uma entrevista semiestruturada com as crianças, contendo dez perguntas metacognitivas referentes à estratégia de controle. Os resultados indicaram que as crianças em processo de alfabetização geralmente utilizam estratégias metacognitivas e planejam suas tarefas, ou seja, fixam as metas e os meios, ora de forma parcial (fragmentando a tarefa realizada), ora de forma automatizada (ordenando a tarefa). Elas também se supervisionam, detectam os erros e/ou desvios cometidos, por meio de referencial externo (na fala, ação, correção ou ordem do outro), e justificam, ou não, suas ações. Elas avaliam seus resultados e focam as facilidades e dificuldades na identificação de palavras ou letras. A aprendizagem das estratégias metacognitivas solicita que o professor não apenas disponha de tarefas adequadas, mas, principalmente, adote atitudes estratégicas em relação a seu trabalho para que os alunos aprendam com elas, pois eles não chegam às escolas preparados para aprender exatamente da mesma maneira.

Concepções de conhecimento escolar: potencialidades do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência

PID: S1517-97022012000300010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Fetzner Souza
Considerando-se as possibilidades abertas por meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), o presente artigo discute as concepções de conhecimento escolar e os desafios de um projeto de transformação da escola básica em uma instituição que assuma perspectivas interculturais em relação ao conhecimento escolar. Nesse sentido, compreende-se que ainda é um desafio, para muitas escolas de ensino fundamental, reconhecer e trabalhar com conhecimentos que sejam significativos para a população que as frequenta. Apoiado pela CAPES, no âmbito do PIBID, este trabalho apresenta os resultados iniciais de um estudo sobre as concepções de conhecimento escolar que permeiam os saberes da docência de professores de escolas públicas e de bolsistas de iniciação à docência envolvidos no projeto. O desenvolvimento da pesquisa deu-se mediante o estudo da interculturalidade e de seus desafios contemporâneos, o acompanhamento do trabalho desenvolvido nas escolas e a aplicação de questionários a estudantes bolsistas de iniciação à docência da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), que desenvolvem um projeto por meio do referido programa. Observamos, até o presente momento, que a concepção de conhecimento escolar tem oscilado entre perspectivas conservadoras e perspectivas emancipatórias, sendo estas últimas entendidas como aquelas que, compartilhando do conceito de bem viver, procuram integrar-se às necessidades das comunidades e compartilhar de princípios que envolvem a relacionalidade, a correspondência e a complementariedade, tal como salienta Catherine Walsh.

Concepções de validade em pesquisas qualitativas

PID: S1517-97022012000100015 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Ollaik Ziller
Este ensaio tem como objetivo expor as distintas concepções existentes sobre validade e as várias formas de aferi-la, discutindo tais questões no âmbito da pesquisa qualitativa. Como metodologia, utilizou-se a análise comparativa. Foi possível perceber que as concepções de validade podem ser agrupadas em três grandes blocos: concepções relacionadas à fase de formulação da pesquisa (validade prévia), concepções relacionadas à fase de desenvolvimento da pesquisa (validade interna) e concepções relacionadas à fase de resultados da pesquisa (validade externa). Pôde-se notar, em cada uma das fases, a presença tanto de autores com visão conceitual quantitativa, quanto de autores de perspectiva qualitativa, embora os enfoques sejam diferenciados. As concepções de validade próximas às origens positivistas preocupam-se mais com a validade na formulação e nos resultados, enquanto as concepções de validade mais interpretativistas dão maior ênfase ao desenvolvimento da pesquisa, sem desconsiderar, porém, preocupações com a formulação e com os resultados. Conclui-se que um pesquisador qualitativo pode e deve preocupar-se com a validade nas três fases da pesquisa: formulação, desenvolvimento e resultados. A validade em pesquisas qualitativas parece, assim, ser mais ampla e pormenorizada, embora menos mensurável quantitativamente.

Contribuições da racionalidade argumentativa para a abordagem da ética na escola

PID: S1517-97022012000100008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Oliveira
Este artigo discute o trabalho com a ética na escola (ensinos fundamental e médio) a partir de uma crítica ao modelo de racionalidade demonstrativa, predominante desde o advento da modernidade. Como alternativa, apresenta outro modelo, a racionalidade argumentativa, discutida com base nas abordagens feitas por Chaïm Perelman, Lucie Olbrechts-Tyteca e Michel Meyer. Os dois primeiros autores formularam uma teoria da argumentação cujo objetivo é subsidiar os raciocínios próprios das ciências humanas e sociais, áreas do conhecimento nas quais procedimentos típicos da racionalidade demonstrativa, como a dedução e o cálculo, não se aplicam. Já Meyer salienta a natureza problematizadora da racionalidade argumentativa, situando a retórica como meio de negociar as distâncias existentes entre os indivíduos a propósito de determinadas questões. Esse quadro teórico é complementado pela filosofia do pluralismo, apontada por Perelman como contraponto às visões de mundo alicerçadas sobre concepções unitárias da verdade, denominadas monismos. Nos marcos desses referenciais, a concepção ética universalista de Immanuel Kant e o relativismo proposto pela ética da estética defendida por Michel Maffesoli são discutidos. Em um segundo tópico, a ética na educação escolar é problematizada tendo em vista a seguinte questão: como formar o caráter do aluno sem recair em algum tipo de doutrinação? Na medida em que ética e moral dizem respeito a essa questão, discutimos como os dois termos vêm sendo compreendidos e propomos tomá-los como instâncias intercambiáveis. As conclusões que apresentamos com base nessas discussões não objetivam solucionar os problemas inerentes aos hábitos e às atitudes dos discentes, mas colocam-se como contribuições para a reflexão dos docentes acerca de suas práticas pedagógicas.

Contribuições e dificuldades da abordagem de questões sociocientíficas na prática de professores de ciências

PID: S1517-97022012000300013 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Martínez Pérez Carvalho
Neste artigo, apresentamos os resultados de uma pesquisa sobre as contribuições e as dificuldades da abordagem de questões sociocientíficas na prática de professores de ciências em serviço. Na pesquisa realizada, de caráter qualitativo com corte crítico, a realidade é entendida como uma construção social subjetiva e intersubjetiva, marcada por um contexto histórico. A constituição dos dados foi feita no decorrer de uma disciplina sobre ensino de ciências a partir de questões sociocientíficas, desenvolvida em um curso de mestrado em ensino de química, e teve a participação de 31 professores de ciências em serviço. No intuito de garantir a validade de fidedignidade da pesquisa, foi utilizada mais de uma fonte de dados. Assim, os dados foram constituídos por meio de vários instrumentos, tais como: questionário inicial de caracterização dos participantes da pesquisa, gravações de entrevistas focais e trabalhos apresentados pelos professores sobre a abordagem de questões sociocientíficas (QSCs) em sala de aula. As análises alcançadas indicam que a abordagem de questões sociocientíficas possui um potencial considerável para a prática do professor em termos da tomada de decisão e do desenvolvimento de pensamento crítico dos alunos. O trabalho com questões sociocientíficas também exige planejamento do ensino e ações bem sustentadas, assim como a participação ativa do professor. Finalmente, são caracterizadas as dificuldades do trabalho realizado em termos pedagógicos, formativos e curriculares.
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