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O desenvolvimento de competências gerenciais nas escolas públicas estaduais

PID: S1517-97022012000100009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Galvão Silva Silva
Este artigo objetiva identificar a influência da educação formal, da experiência profissional e da experiência social no desenvolvimento das competências gerenciais de diretores de escolas públicas estaduais. O referencial teórico abordou os conceitos de competência e aprendizagem gerencial, além de questões alusivas à educação pública. O estudo foi realizado em 58 escolas públicas de educação básica da rede estadual localizadas em uma capital do Nordeste brasileiro. Utilizou-se, como base para a realização da pesquisa, o estudo de Veronica Bezerra de Araújo Galvão e Emanuelle Arnaud Cavalcanti (2009), o qual identificou um conjunto de competências gerenciais de diretores escolares. A análise dos dados foi realizada por meio de análise fatorial, o que possibilitou a caracterização de dez competências gerenciais que foram denominadas técnicas, sociais e comportamentais. Cada diretor atribuiu um peso às competências em termos de importância, além do nível de influência da educação formal, da experiência profissional e da experiência social no desenvolvimento de cada uma delas. Os resultados revelaram que, no âmbito da importância, a integração família-escola, o disciplinamento da equipe e a aprendizagem permanente foram as competências de maior destaque. Quanto ao nível de influência, a experiência, seja vinculada ao contexto profissional ou social, apresentou a maior ascendência no desenvolvimento de competências dos diretores. Chamou a atenção, em todos os casos, o fato de a educação formal apresentar uma contribuição de menor impacto no processo de desenvolvimento das competências gerenciais. Recomenda-se a realização da pesquisa em outros municípios do Estado ou com gestores de escolas da rede estadual de ensino de outros Estados brasileiros.

O discurso curricular intercultural na educação de jovens e adultos e a produção de subjetividades

PID: S1517-97022012000100004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Carvalho
O discurso pela interculturalidade, ao contrapor-se às formas homogeneizadoras de diferentes processos educativos, apresenta uma vontade de poder-saber e problematiza experiências dominantes de currículos monoculturalistas, ao mesmo tempo em que produz subjetividades multidimensionais de classe, gênero, raça, etnia, geração. Sob o enfoque da análise foucaultiana do discurso, desenvolveu-se um estudo sobre o eixo pedagógico e as regras de normalização da formação discursiva da interculturalidade no campo da educação de jovens e adultos, com vistas a analisar os enunciados que conformam o sujeito da interculturalidade. Para tal análise, foram selecionados, no discurso pela interculturalidade, enunciados que delineiam modos de abordar as práticas de objetivação do ser jovem e adulto na sociedade e em relação a si próprio, isto é, enunciados que indicam processos de governamentalidade - técnicas de si - dos sujeitos da educação. Examinou-se o jogo de poder-saber subjacente às verdades apresentadas no discurso pela interculturalidade, as quais afirmam o cidadão coletivo e/ou multicultural. Em relação à produção de subjetividades no discurso curricular, pode-se considerar, a partir de uma perspectiva nietzscheana, que, ao dizer-se da interculturalidade em substituição à homogeneização cultural, diz-se também daquilo que se é.

O dualismo perverso da escola pública brasileira: escola do conhecimento para os ricos, escola do acolhimento social para os pobres

PID: S1517-97022012000100002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Libâneo
O texto aborda o agravamento da dualidade da escola pública brasileira atual, caracterizada como uma escola do conhecimento para os ricos e como uma escola do acolhimento social para os pobres. Esse dualismo, perverso por reproduzir e manter desigualdades sociais, tem vínculos evidentes com as reformas educativas iniciadas na Inglaterra nos anos 1980, no contexto das políticas neoliberais; mais especificamente, ele está em consonância com os acordos internacionais em torno do movimento Educação para Todos, cujo marco é a Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em Jomtien, na Tailândia, em 1990, sob os auspícios do Banco Mundial, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura (UNESCO). Com base em pesquisa bibliográfica, este estudo argumenta que a associação entre as políticas educacionais do Banco Mundial para os países em desenvolvimento e os traços da escola dualista representa substantivas explicações para o incessante declínio da escola pública brasileira nos últimos 30 anos. Ao final do texto, retoma-se a discussão sobre a necessidade de uma pauta comum dos educadores em torno dos objetivos e das funções da escola pública.

O ensino libertário e a relação entre trabalho e educação: algumas reflexões

PID: S1517-97022012000400014 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Moraes Calsavara Martins
Um dos principais desafios nos estudos a respeito da pedagogia escolar anarquista consiste, precisamente, em apreender os conteúdos de ensino. Com essa preocupação, este texto tem triplo objetivo: analisar a proposta educativa da instituição a cargo do professor libertário João Penteado, em São Paulo, nas primeiras décadas do século XX; indicar aspectos considerados relevantes relacionados à concepção de educação integral e à forma como o trabalho está presente na organização do ensino; e, por fim, apresentar alguns apontamentos de pesquisa que possam contribuir para sua continuidade e seu aprofundamento. Optou-se por abarcar período relativo a dois momentos de existência da escola dirigida por João Penteado - a Escola Moderna Nº 1 (1912-1919) e a Escola Nova (1920-1923). Entende-se que a cronologia definida consegue abranger a pluralidade de práticas escolares necessárias aos propósitos da análise. A documentação utilizada limita-se basicamente a jornais e demais fontes produzidas e/ou acumuladas nos diferentes períodos de existência da(s) escola(s), em particular, os jornais Boletim da Escola Moderna, Boletim da Escola Nova, Boletim da Academia Saldanha Marinho, O Início, O Iris. No estudo do primeiro período, que coincide com o da Escola Moderna, são também utilizadas notícias publicadas por alguns jornais da imprensa operária e anarquista, como A Lanterna, A Vida e O Amigo do Povo, entre outros.

O professor coordenador pedagógico nas escolas estaduais paulistas: da articulação pedagógica ao gerenciamento das reformas educacionais

PID: S1517-97022012000400002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Fernandes
Este artigo apresenta os principais resultados de uma pesquisa concluída que teve como objeto de estudo a função de coordenação pedagógica na rede estadual paulista, com destaque para o trabalho do professor coordenador pedagógico (PCP). A partir de um estudo bibliográfico-documental, analisamos as principais resoluções publicadas pela Secretaria de Estado da Educação de São Paulo no período de 1996 a 2010. Para a definição do período de análise, foram consideradas as sucessivas medidas educacionais de natureza neoliberal ocorridas na referida rede de ensino. A partir das resoluções selecionadas, foram estabelecidas algumas categorias de análise relacionadas à função: denominação, justificativa e atribuições legais; requisitos necessários para os professores coordenadores e critérios de escolha; avaliação do trabalho realizado e bibliografia básica solicitada nos processos seletivos. A análise dos documentos legais permite identificar a apropriação da função pelas reformas educacionais recentes, reconhecendo as implicações para o trabalho docente e para a organização da escola. Influenciadas por princípios gerencialistas e performáticos, as reformas educacionais promoveram profundas alterações na natureza do trabalho do professor coordenador pedagógico, o qual, de articulador no âmbito da escola, passou a ser legalmente o sujeito responsável pela disseminação das medidas oficiais e pelo controle das atividades docentes.

O triângulo da formação docente: seus jogadores e configurações

PID: S1517-97022012000200004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Sarti
O artigo tem por tema a formação dos professores que atuam nos anos iniciais da educação básica, considerando-a como um jogo que assume diferentes configurações em função das relações estabelecidas entre seus jogadores. Essas relações são analisadas por meio de um esquema de triangulação, aqui denominado como triângulo da formação docente. Cada um dos três vértices desse triângulo é ocupado por agentes que, a partir de seus capitais específicos, localizam-se em lugares desiguais no campo da formação docente: os professores e as instâncias que os representam; as universidades, fundações e institutos de pesquisa, com seus especialistas; e o poder público, representado por secretarias de educação e outros órgãos administrativos. Relações privilegiadas entre dois vértices do triângulo da formação docente apontam para diferentes modelos formativos. Explorando esse triângulo como um recurso de análise, o artigo focaliza as configurações assumidas pelo jogo da formação docente na versão brasileira do movimento ora em curso de universitarização do magistério. Atenção especial é conferida ao lugar que os professores atuantes nos anos iniciais da educação básica ocupam nesse jogo, às relações que eles estabelecem com os demais jogadores e, também, às possibilidades que têm de subverter e alterar o jogo em andamento.

Obesidade infantil e bullying: a ótica dos professores

PID: S1517-97022012000300008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Costa Souza Oliveira
Este estudo objetivou verificar a percepção de professores em relação aos problemas enfrentados por alunos obesos no ambiente escolar, bem como associar tais problemas à definição de bullying. Foram entrevistados 63 professores da rede estadual de um município da região metropolitana do Rio de Janeiro e a eles foi feita uma pergunta aberta referente aos problemas enfrentados pelos alunos acima do peso. Tal pergunta, propositalmente, não mencionava a palavra bullying. Os professores foram abordados pelo pesquisador principal nas escolas, em período destinado ao descanso ou durante momentos em que os alunos estivessem realizando atividades que não necessitassem da intervenção direta do professor. As respostas foram agrupadas em dezessete categorias e os resultados mostraram que, segundo os professores, o problema mais enfrentado pelos alunos acima do peso é o preconceito. Além disso, como problemas enfrentados por esses alunos, ainda foram apontadas a exclusão, a timidez e a baixa autoestima, dentre outros. Os resultados também mostraram atitudes negativas do professor com relação aos alunos, os quais algumas vezes foram descritos como apáticos, desanimados, cansados, lentos, distraídos, preguiçosos, indispostos etc.; esse dado indica a possibilidade de o próprio professor atuar como autor do bullying. Os resultados da pesquisa evidenciam que mais estudos devem ser desenvolvidos a fim de buscar melhor compreensão do papel do professor diante da discriminação de alunos acima do peso, mais especificamente do bullying, de forma a permitir maior aprofundamento no desenvolvimento de ações que visem promover a diversidade cultural nas escolas.

Participação da comunidade educativa na gestão escolar

PID: S1517-97022012000400003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Veloso Rufino
O presente texto discute as modalidades de participação da comunidade educativa na gestão escolar, examinando essa dimensão já há muito tempo presente na agenda política portuguesa. Centra-se na análise da dimensão organizacional de 297 escolas portuguesas, tendo como base informações contempladas nos relatórios da avaliação externa nos anos lectivos 2006/2007, 2007/2008 e 2008/2009. O corpus analisado permitiu atender a dois eixos centrais dos processos de participação: a modalidade de integração da comunidade envolvente na vida escolar e os processos e limitações inerentes à participação de dois grupos de actores - os encarregados de educação e os alunos. Apesar de as imagens organizacionais das escolas presentes nos relatórios de avaliação externa serem semelhantes entre si, são significativos os aspectos diferenciadores. Os processos de participação não se mostram consolidados da mesma forma nas diferentes organizações escolares e nos respectivos territórios, mas assiste-se à crescente importância da presença dos vários agentes nas tarefas de gestão escolar. Esse envolvimento implica um conhecimento que se requer cada vez mais aprofundado sobre os processos de construção das aprendizagens culturais que atravessam as escolas. Detecta-se a presença de diferentes agentes nas escolas estudadas, o que acompanha uma mudança na concepção de comunidade educativa, a qual abarca alunos, professores, encarregados de educação e a comunidade envolvente em que as escolas se inserem.

Pesquisa em educação: os movimentos sociais e a reconstrução epistemológica num contexto de colonialidade

PID: S1517-97022012000100016 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Streck Adams
O artigo busca explicitar aspectos da epistemologia que embasam uma ação investigativa coerente com a educação emancipadora na América Latina. O pano de fundo a partir do qual se desenham alternativas para o conhecimento e a transformação da realidade é constituído pelas discussões sobre a colonialidade. A história revela que, junto com a subserviência epistêmica, houve e continua havendo um movimento contra-hegemônico que valoriza não só os saberes autóctones, mas também as distintas formas de conhecer. Adota-se o conceito epistemologias do Sul, de Boaventura de Sousa Santos, para designar as expressões historicamente tornadas invisíveis e que encontram múltiplas maneiras de sobreviver, resistir e expressar-se. Após a retomada histórica de cunho filosófico-epistemológico com o intuito de contribuir para a reconstrução e a ampliação do quadro de referência teórico, discute-se o papel dos movimentos sociais na América Latina como espaço de gênese da educação popular e de formas de pesquisa participativa que podem continuar inspirando práticas investigativas transformadoras. Argumenta-se que os movimentos sociais, em que pese sua heterogeneidade política e ideológica, podem conter potencialidades teóricas capazes de constituir um lugar epistemológico de avaliação crítica das correntes ideológicas do Norte, oportunizar a disputa na interpretação das realidades e impulsionar metodologias de pesquisa participativas e promotoras de cidadania.

Políticas públicas, juventude e desigualdades sociais: uma discussão sobre o ProJovem Urbano em Belo Horizonte

PID: S1517-97022012000400004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Leão Nonato
O artigo discute alguns resultados de uma pesquisa qualitativa realizada entre 2009 e 2011 que investigou as trajetórias de jovens participantes do Programa ProJovem Urbano (Programa Nacional de Inclusão de Jovens) no ano de 2009, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Procurou-se compreender a vivência da condição juvenil pelos participantes do programa a partir de suas experiências de escolarização e trabalho e de seus projetos de futuro, para assim compreender os significados e sentidos do programa para eles. Na primeira etapa da pesquisa, foram aplicados 103 questionários a fim de construir um breve perfil socioeconômico dos alunos. Após o levantamento inicial dos dados, duas turmas foram selecionadas e observadas. Posteriormente, foram selecionados dez jovens para a realização de entrevistas semiestruturadas. A pesquisa revelou uma maioria de mulheres, negros e jovens em condições precárias de trabalho ou desempregados e com uma sociabilidade restrita em relação a outros estratos da população. Evidenciou-se que as desigualdades sociais têm uma importância central nas trajetórias de vida desses jovens, com impactos marcantes em suas experiências atuais e em suas expectativas em relação ao futuro. Com base nesse solo comum, foi possível perceber uma diversidade de experiências a partir das quais são produzidos diferentes significados e motivações em relação à escolarização, o que delimitava também a relação construída com o programa. De uma maneira geral, a busca pela certificação escolar era o principal interesse dos participantes.

Potenciais dificuldades e facilidades na educação de alunos com deficiência intelectual

PID: S1517-97022012000400010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Santos
Quando o assunto é o ensino escolar dos alunos com deficiência intelectual, não é raro o questionamento sobre o modo de trabalhar com tais alunos. Para tanto, este artigo procura apresentar uma descrição e uma compreensão acerca das características da deficiência intelectual em relação ao quadro principal de prejuízo cognitivo (as funções intelectuais) e adaptativo (as funções sociais, emocionais e práticas), para, então, definir as possibilidades da prática pedagógica no contexto escolar. O estudo foi construído a partir de uma pesquisa bibliográfica sobre a área da deficiência intelectual, dos transtornos da aprendizagem e do desenvolvimento, da inclusão escolar e do ensino especializado. Embora a deficiência intelectual seja um desafio no ensino escolar em face de seu objetivo curricular, tanto na sala de aula comum quanto no atendimento educacional especializado, é possível estabelecer um contexto pedagógico prolífico tendo em vista os objetivos educacionais de desenvolvimento pessoal e formação acadêmico-profissional, cultural e cidadã. Portanto, fato é que a didática no ensino do aluno com deficiência intelectual precisa ser específica não só em relação às peculiaridades do quadro da deficiência, como também em relação à individualidade de cada sujeito. De qualquer modo, mesmo que a deficiência intelectual não permita sua reversão completa, uma vez que consiste em um desenvolvimento neurológico deficitário, avanços escolares são possíveis.

Processos da vida, processos da matéria: os diferentes sentidos de natureza entre biólogos e físicos

PID: S1517-97022012000400009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Belo Falcão Faria
Aplicamos a metodologia de análise do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) para comparar as representações sociais relacionadas ao termo natureza em dois grupos de docentes pesquisadores - um de físicos, outro de biólogos - em uma universidade pública brasileira. Foram identificadas cinco classes de discurso coletivo entre os sujeitos investigados, cada uma das quais foi expressa por ambos os grupos. Dois discursos identificados - que denominamos natureza é o natural (DSC1) e natureza é tudo (DSC2) - associam natureza ao não tocado ou originalmente feito pelo homem (DSC1) e a tudo o que compõe o universo (DSC2). Embora de maior adesão em ambos os grupos, o primeiro discurso teve uma adesão mais significativa entre os físicos; o segundo, por sua vez, foi mais frequente entre os biólogos. Dentre as classes de discursos de menor adesão, uma delas foi caracterizada pela dúvida dos sujeitos sobre o significado efetivo de natureza. Os resultados foram discutidos sob duas abordagens: (a) do ponto de vista das relações entre os termos natureza e ambiente no âmbito da educação ambiental, tendo em vista a importância social dos cientistas na formação e na transmissão de conhecimentos relacionados ao assunto; e (b) do ponto de vista das diferenças de fundamentos filosóficos (ontológicos e epistemológicos) entre os dois grupos de cientistas da natureza.

Professor de ensino superior: o entendimento a partir de narrativas de pós-graduandos em química

PID: S1517-97022012000200008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Quadros Silva Silva Silva Oliveira Andrade Tristão Santos Aleme
A qualidade do ensino superior tem despertado cada vez mais o interesse de pesquisadores e especialistas em educação. Neste trabalho, foi enfatizada a correlação entre a crescente especialização oferecida pelos programas de pós-graduação em química e a melhoria da qualidade docente dos professores universitários, procurando entender como os próprios pós-graduandos imaginam ser a atividade docente. Para isso, os estudantes de pós-graduação em química da Universidade Federal de Minas Gerais foram convidados a construir uma narrativa sobre uma situação fictícia em que se imaginavam professores. A análise dos relatos foi realizada agrupando-se os fatos narrados em três categorias: a preparação para aprovação no concurso, as aulas ministradas e as atividades desenvolvidas durante os quatro primeiros meses de trabalho. Os resultados mostraram que os estudantes dão menos atenção à atividade docente e tendem a valorizar a pesquisa e as atividades que a dinamizam. Isso evidencia que os futuros profissionais, mesmo assumindo o cargo de professor, estão mais predispostos a atuarem como pesquisadores do que a exercerem a docência. Tal indício parece estar relacionado com as exigências dos processos de seleção de professores de ensino superior e com o funcionamento atual da maior parte das universidades, que avaliam em termos qualitativos a produção intelectual na forma de artigos, ao passo que as aulas são avaliadas em seu caráter mais quantitativo.

Promoção automática nos anos 1950: a experiência pioneira do Grupo Experimental da Lapa (São Paulo)

PID: S1517-97022012000200015 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Viégas Souza
O presente artigo visa apresentar o projeto pioneiro de abolição da reprovação na rede estadual paulista, elaborado no final da década de 1950 e implantado no início de 1960, em caráter experimental, no Grupo Experimental da Lapa, escola que funcionava como unidade oficial de pesquisas da Secretaria da Educação. Apesar de inaugural, tal experiência raramente comparece em publicações sobre o tema, havendo poucos registros a seu respeito. Para tanto, o artigo esboça, a princípio, um breve contexto histórico do debate em torno da então chamada promoção automática, que se inicia no Brasil em 1918, no contexto da Primeira República, e ganha força, sobretudo, na década de 1950, no período desenvolvimentista. Em seguida, o texto aborda elementos constitutivos do projeto realizado no Grupo Experimental da Lapa, justificando a pertinência e a atualidade da promoção automática, bem como delineia sua formatação, em especial no que diz respeito à organização das classes, ao currículo, à avaliação e ao papel docente. Posto isso, são revelados trechos de depoimentos dados por educadores envolvidos na construção do referido projeto, os quais revelam suas potencialidades e contradições. Também são apresentados documentos raros sobre o tema publicados no contexto dessa experiência pioneira. Ao final, são tecidas considerações sobre a experiência em questão, a qual, apesar de pouco divulgada, possui enorme importância histórica. Espera-se, com este artigo, contribuir para a construção da escola pública de qualidade, principalmente considerando a crescente implantação da política de ciclos nas redes públicas educacionais brasileiras.

Rasuras orais em madrasta e as duas irmãs: processo de escritura de uma díade recém-alfabetizada

PID: S1517-97022012000300004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Calil
Inserido no campo de estudos sobre processos de criação textual na escola (genética textual) e processos enunciativos (linguística da enunciação), o presente artigo apresenta uma discussão sobre as rasuras orais que emergem durante a escritura de uma história inventada, quando duas alunas recém-alfabetizadas (7 anos de idade) combinam e escrevem juntas um mesmo manuscrito escolar. A partir de considerações em torno do acaso da emergência dessas rasuras no fluxo do dizer e do dialogismo interlocutivo e interdiscursivo que constitui o dizer dessas alunas, descrevem-se algumas de suas formas de manifestação, acompanhadas por comentários que impedem ou justificam a entrada de um elemento na posição de outro. Respeitando as características etnolinguísticas, o processo de criação textual foi filmado em uma sala de aula da cidade de São Paulo e transcrito por meio do programa Eudico Linguistic Annotator (ELAN). A transcrição efetivada, ao associar e sincronizar a simultaneidade dos vários elementos (linguísticos, entoacionais, discursivos e gestuais) que emergiram no fluxo do dizer, permitiu a identificação de diferentes tipos de comentários, caracterizados como pragmáticos, textuais e semânticos. A análise enfatiza, de um lado, o azar e o instante de sua ocorrência, e, de outro, o dialogismo interlocutivo e interdiscursivo presente no modo de dizer das alunas. O desacordo intersubjetivo identificado no texto dialogal destaca um termo, questionando-o e comentando-o, de forma que ele pode ser substituído, inserido ou suprimido do texto final. O caráter fortuito e dialógico dos retornos dos escreventes sobre o que foi dito caracteriza a rasura oral e é o testemunho das posições subjetivas que singularizam tanto o processo de escritura quanto o manuscrito escolar.

Regulação educativa e trabalho docente em Minas Gerais: a obrigação de resultados

PID: S1517-97022012000300011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Augusto
Este artigo apresenta a descrição e a análise das políticas educacionais em desenvolvimento no sistema estadual de ensino em Minas Gerais, tendo por objetivo identificar seus efeitos sobre as relações de trabalho docente. Tais políticas educacionais enquadram-se na modalidade de regulação educativa denominada obrigação de resultados, que compreende um conjunto de intervenções caracterizadas como medidas de controle com o propósito de obter maior eficácia escolar. O levantamento documental e a análise dos dados empíricos indicaram que as medidas empreendidas pelo governo concentram sobre os professores a responsabilização pelo êxito ou pelo fracasso dos alunos nos sistemas de avaliação em larga escala e nas avaliações regulares das escolas. A avaliação de desempenho dos professores e a avaliação institucional das escolas são vinculadas aos resultados escolares, sendo definidos centralmente, sem a participação dos professores, os percentuais de alunos que devem ser promovidos e os índices de proficiência a serem alcançados. Em tal contexto de cobrança de resultados, não são levadas em consideração as condições de trabalho docente na rede estadual de ensino em Minas Gerais. O artigo discute, com base nos autores pesquisados, novos modos de regulação educativa - mais horizontais e menos hierárquicos - na definição das políticas públicas de educação.

Remuneração de professores no Brasil: um olhar a partir da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS)

PID: S1517-97022012000200005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Fernandes Benini Gouveia
Apresentam-se resultados de pesquisa utilizando como fonte o banco de dados Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego. O objetivo é verificar informações sobre remuneração de professores de ensino médio nas capitais brasileiras e, ao mesmo tempo, refletir sobre o potencial dessa base de dados para a análise. A opção por um recorte analítico relativo a professores de ensino médio deve-se à constatação de que, para o período compreendido entre 1996 e 2008, os dados sobre tais empregos estavam mais bem informados na RAIS, embora ela apresente certa irregularidade nas informações sobre o setor público. O período histórico selecionado deve-se à hipótese de que a política de fundos vigente entre 1998 e 2006, que priorizou o ensino fundamental, poderia ter efeito negativo na remuneração de professores de ensino médio. Para analisar as médias de remuneração, utilizaram-se o salário mínimo e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) como indexadores que permitem comparação do poder aquisitivo no período. Este estudo exploratório parece confirmar uma relação negativa, esperada, entre a priorização do ensino fundamental via políticas de fundos e a remuneração dos professores de ensino médio; além disso, evidencia o afastamento entre a valorização do salário mínimo nacional e a política de valorização do magistério, e, finalmente, expõe fragilidades da RAIS para o trabalho com os dados de remuneração do setor público de forma desagregada. Todavia, a coincidência entre os resultados deste trabalho e de estudos que se debruçaram sobre outras bases de dados indica a pertinência da continuidade das análises.

Repetir ou progredir? uma análise da repetência nas escolas públicas de Minas Gerais

PID: S1517-97022012000300006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Riani Silva Soares
O objetivo deste trabalho é avaliar se a retenção dos alunos do 3º ano do ensino fundamental em 2009 trouxe maiores benefícios no aprendizado de tais alunos em relação àqueles que progrediram para o 4º ano. Procura-se, dessa forma, contribuir para o debate sobre o impacto da repetência no aprendizado do aluno. No Brasil, devido à carência de dados longitudinais que possibilitem uma comparação mais apurada entre os repetentes e os promovidos, considerando seus desempenhos antes e depois do evento da repetência, a maioria dos estudos enfoca principalmente o impacto das políticas de ciclos no desempenho do aluno. Por meio dos dados do Programa de Avaliação da Alfabetização (avaliação externa realizada anualmente nas escolas públicas de Minas Gerais), foi possível constituir uma base de dados longidudinal que identificasse os alunos repetentes e os não repetentes. Para tentar explicar o desempenho dos alunos repetentes e não repetentes, utilizou-se como marco norteador a abordagem da Função de Produção Educacional e como base metodológica, os modelos hierárquicos. Os resultados indicam que tanto os alunos que repetiram quanto os que não repetiram apresentaram crescimentos bastante importantes nas médias de proficiência. No entanto, os modelos hierárquicos construídos demonstram que, dentre dois alunos com mesma proficiência em 2008, tendo um deles repetido e o outro não, aquele que não repetiu tende a apresentar maior nível de proficiência em 2009. Outro achado importante refere-se ao fato de que o resultado do aluno é muito influenciado pelo resultado geral da escola.

Stress ocupacional e alteração do Estatuto da Carreira Docente Português

PID: S1517-97022012000200006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Gomes Pacheco Silva Peixoto
Este estudo foi realizado com 1.162 professores e teve como objetivo analisar a experiência de stress e a síndrome de burnout antes e após a alteração do Estatuto da Carreira Docente em Portugal. Assim, foram efetuadas duas avaliações em momentos temporais distintos, assumindo-se um plano transversal de recolha de dados (2004/2005, n=689; 2008/2009, n=473). O protocolo de avaliação incluiu medidas de fontes de stress e de burnout. Os resultados indicaram que a experiência de stress e de burnout aumentou entre as duas avaliações. Foram encontrados, em 2008/2009, níveis mais altos em áreas relacionadas com pressões de tempo, excesso de trabalho e trabalho burocrático e administrativo; inversamente, houve diminuições em áreas relacionadas com as diferentes capacidades e motivações dos alunos. Quanto à predição da síndrome de burnout, não se verificaram alterações substanciais nas variáveis preditoras nos dois momentos. Em síntese, os resultados indicaram aumentos nas exigências profissionais dos professores, mas não se pode afirmar que tal se deva às alterações do Estatuto da Carreira Docente, uma vez que não observámos alterações no stress associado à carreira docente.

Teatro de fantoches na formação continuada docente em educação ambiental

PID: S1517-97022012000300012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Dantas Santana Nakayama
Neste artigo, apresentamos os resultados de uma pesquisa-ação participativa realizada no espaço do Grupo de Pesquisa e Estudos em Educação Ambiental / Sala Verde Pororoca: espaço socioambiental Paulo Freire (GPEEA/Sala Verde), na UFPA. O objetivo foi investigar as contribuições do teatro de fantoches como proposta pedagógica na formação continuada de professores em educação ambiental. Os sujeitos da pesquisa foram seis professoras do ensino básico, as quais são aqui identificadas pelos seguintes pseudônimos: Lucia, Michelle, Izabel, Eloísa, Marta e Ana. Utilizamos quatro fontes para a coleta das informações: 1) um questionário sobre dados pessoais e com as perguntas a) Que motivos levaram você a se inscrever na oficina? e b) Qual é o entendimento de educação ambiental predominante?; 2) uma oficina; 3) um diário de bordo; e 4) entrevistas para complementar as informações fornecidas pelas professoras. Para analisar os dados, utilizamos a técnica da triangulação metodológica. Constatamos que o teatro de fantoches, como estratégia de ensino-aprendizagem de conhecimentos ambientais, foi importante em todas as etapas. A utilização do teatro de fantoches como metodologia foi entusiasticamente reconhecida pelas professoras como viável na prática docente em todas as disciplinas. E o mais importante: elas perceberam que, para a elaboração de qualquer atividade alternativa, há a necessidade de um planejamento, pois é preciso ter uma finalidade pedagógica, com conotação diferente do lúdico pelo lúdico.
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