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Teoria e prática no curso de pedagogia

PID: S1517-97022012000100010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Cruz
Este estudo discute a complexa relação entre teoria e prática no curso de pedagogia a partir da visão de pedagogos primordiais. A pesquisa realizada voltou-se para um grupo de 17 pedagogos que testemunharam, como alunos, os tempos iniciais de implantação do curso no Brasil e que se destacaram no campo acadêmico educacional como referenciais de formação e de pesquisa. Dois objetivos orientaram o estudo: levantar características do início do curso e das mutações por ele sofridas para analisar as implicações, resistências e avanços em sua trajetória, bem como sua importância no âmbito acadêmico; e obter, junto aos participantes, suas opiniões acerca da pedagogia como domínio de conhecimento e curso de graduação, para então interpretar sua posição no contexto do campo educacional brasileiro. Como principais interlocuções teóricas situam-se Dermeval Saviani (2007) e Jean Houssaye (2004). Metodologicamente, trabalhou-se com análise de depoimentos colhidos por meio de entrevistas semiestruturadas. A investigação revelou aspectos que evidenciam como o curso de pedagogia construiu-se entre nós e a posição conflituosa, porém importante, que ele ocupa no espaço acadêmico da educação. O trabalho apresenta uma análise parcial desses dados, abordando especificamente o histórico embate entre a teoria e a prática no curso em seus tempos iniciais e na atualidade, mediante as diretrizes curriculares de 2006.

The transition process towards a critical-phenomenological consciousness of the teaching profession

PID: S1517-97022012000200003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Gaete Vergara Castro Hidalgo
Este artículo presenta parte de los resultados de un estudio cualitativo de corte fenomenológico, orientado a comprender e interpretar las percepciones, vivencias y experiencias de profesores de Educación General Básica que han participado en proyectos de investigación de su propio quehacer pedagógico como factor relevante en el desarrollo de una conciencia crítica-fenomenológica de su profesión. Específicamente se identifican y analizan 5 ejes claves que se movilizan en el proceso de concientización de los docentes. Proceso caracterizado por un movimiento asincrónico de profundización desde una conciencia natural o ingenua hacia una conciencia crítica, que empodera epistemológica y socialmente a los maestros, lo que se evidencia en un razonamiento más complejo y profundo del fenómeno educativo, otorgándoles grados crecientes de autonomía profesional y posibilidades de ser agentes de transformación social. Se identifica además, que el tránsito hacia una conciencia crítica es complejo, recursivo, cíclico y ascendente, siendo la investigación de la propia práctica una condición necesaria pero no suficiente para desarrollar una conciencia crítica de la tarea docente. Incluso, el camino de concientización puede detenerse o dirigirse hacia la conciencia ingenua o natural si alguno de los ejes es sobredimensionado o desarrollado exclusivamente sin la conexión con los restantes.

Três gerações de avaliação da educação básica no Brasil: interfaces com o currículo da/na escola

PID: S1517-97022012000200007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Bonamino Sousa
Analisam-se, neste artigo, três gerações de avaliação da educação em larga escala, a partir dos objetivos e desenhos usuais em iniciativas implementadas no Brasil. A primeira geração consiste na avaliação diagnóstica da qualidade da educação, sem atribuição de consequências diretas para as escolas e para o currículo escolar. As outras duas gerações articulam os resultados das avaliações a políticas de responsabilização, com atribuição de consequências simbólicas ou materiais para os agentes escolares. Tomando como parâmetro de análise os objetivos e desenhos dessas avaliações, bem como estudos e pesquisas que produziram evidências sobre o tema, exploram-se possíveis implicações para o currículo escolar. Por um lado, discutem-se os riscos de as provas padronizadas, com avaliações que referenciam políticas de responsabilização envolvendo consequências fracas e fortes, exacerbarem a preocupação de diretores e professores com a preparação para os testes e para as atividades por estes abordadas, levando a um estreitamento do currículo escolar. Por outro lado, aponta-se o potencial das avaliações de segunda e terceira gerações em propiciarem uma discussão informada sobre o currículo escolar, em termos das habilidades fundamentais de leitura e matemática que ainda não têm sido garantidas a todos os alunos.

Um acordo insólito: ensino religioso sem ônus para os poderes públicos na primeira LDB

PID: S1517-97022012000400005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Cunha Fernandes
Este artigo aborda o ensino religioso nas escolas públicas, buscando identificar os posicionamentos de grupos político-ideológicos em torno da questão durante a tramitação do projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional promulgada em 20 de dezembro de 1961. A análise tomou como fonte o Diário do Congresso Nacional no período entre 1948 e 1962. Constatou-se que, durante o longo período de tramitação do projeto na Câmara dos Deputados, diferentes pressões imprimiram suas marcas na LDB: de um lado, a extensão do dispositivo constitucional sobre o ensino religioso nas escolas públicas, a fim de atender aos interesses da Igreja Católica, a única organização manifestamente comprometida com sua oferta; de outro lado, uma aliança de amplo espectro, mas inorgânica, que, sem condições políticas de defender um projeto laico para a educação pública, limitou-se a resistir ao avanço do confessionalismo. Ao fim e ao cabo, nenhum dos dois lados foi capaz de fazer valer completamente suas demandas, de modo que a lei promulgada e sancionada resultou em um produto híbrido, em razão de possível acordo entre os membros da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, pelo menos no que diz respeito à questão do ensino religioso nas escolas públicas.

Uma escola para homem rural: a cultura popular, os camponeses e o movimento de educação de base (1960-1964)

PID: S1517-97022012000200016 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2012
Autores: Souza
Nos idos dos anos 1960, a intervenção sobre a cultura popular tornou-se um suposto da ação política de agentes modernizadores da sociedade brasileira. Por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Igreja Católica elaborou um projeto educacional de dimensão nacional, articulando suas emissoras de rádio no território brasileiro aos centros de educação radiofônica rural e criando, em 1961, o Movimento de Educação de Base (MEB). Os pressupostos teóricos e filosóficos do Movimento transcendiam as questões do aprendizado formal e pautavam-se por estratégias de ação da Igreja sobre os problemas de crescimento econômico e desenvolvimento social das regiões pobres brasileiras. O artigo em questãoversa sobre o camponês que participou do MEB e suas experiências escolares, avaliando os preceitos de educação rural, educação cívica e alfabetização de adultos propostos na ação dos agentes e das instituições modernizadoras do campo brasileiro. Analisamos os processos de assimilação e resistência do camponês aos princípios e projetos modernizantes externos à sua cultura. Novos ritmos de tempo, novas representações e novos significados foram introduzidos pela escola sobre práticas culturais seculares do campesinato brasileiro. No MEB, tal fenômeno resultou tanto na assimilação dos novos estímulos trazidos pela escola, quanto na insurreição de costumes e hábitos interligados às funções ritualísticas e costumeiras do indivíduo e/ou da comunidade rural.

"Pensamento do fora", conhecimento e pensamento em educação: conversações com Michel Foucault

PID: S1517-97022011000300011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Ribeiro
O presente trabalho visa problematizar a suposta constituição virtuosa entre educação e conhecimento oriunda de certa herança cultural da modernidade ocidental. A problemática ancora-se na indagação difusa, porém insistente, a ecoar no campo educacional: "o que é o ato do pensar, em educação, na contemporaneidade?". A tomada das condições atuais do pensamento como um problema de pesquisa educacional coloca em questão a histórica articulação entre conhecimento e pensamento reflexivo, obrigando ao confronto de certos amálgamas pedagógicos caros ao campo educacional moderno. Tal enfrentamento se realiza na companhia dos pensadores Michel Foucault e Friedrich Nietzsche, dada a relevância estratégica de suas produções, particularmente acerca da linguagem, da produção da verdade e de suas implicações nos modos de conhecer e pensar. Busca-se operacionalizar uma crítica da linguagem em direção a uma crítica do pensamento em educação, na chave de uma problematização ético-política. Nesse trabalho, tal plataforma analítica configura-se a partir das discussões de Michel Foucault - tanto em relação à questão do pensamento do fora, tal como elaborada por Maurice Blanchot, como em relação ao pensamento da diferença, tal como formulado por Gilles Deleuze. Sugerimos que a exploração desse debate possa atuar como um exercício de exterioridade ou de pensamento diferencial no jogo com o conhecimento e com o pensamento reflexivo presentes no campo educacional - seja no âmbito dos fazeres pedagógicos cotidianos da escola, seja no campo da produção da pesquisa educacional.

A contribuição da educação infantil de qualidade e seus impactos no início do ensino fundamental

PID: S1517-97022011000100002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Campos Bhering Espósito Gimene Abuchaim Valle Unbehaum
Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa cujos objetivos foram avaliar a qualidade da educação infantil (EI) em seis capitais brasileiras (estudo da qualidade), para, a seguir, identificar diferenças no desempenho escolar de crianças no início do ensino fundamental (EF) associadas à frequência de uma pré-escola de qualidade (estudo de impacto). O estudo de impacto utilizou os resultados do estudo da qualidade obtidos por meio da aplicação de escalas de avaliação da qualidade a uma amostra de pré-escolas de três capitais brasileiras, resultados estes que indicam um nível de qualidade comprometido na maioria das instituições avaliadas. A amostra do estudo de impacto foi constituída por 762 alunos de escolas públicas com notas na Provinha Brasil, dos quais 605 haviam frequentado uma pré-escola avaliada no estudo da qualidade e 157 crianças que não frequentaram a EI. Os dados foram analisados utilizando a análise multinível/hierárquica com classificação cruzada, que permite levar em conta, simultaneamente, o efeito de diversas variáveis explicativas (características dos alunos e de suas famílias; das escolas de EI e das escolas de EF) sobre os resultados da variável resposta (as notas dos alunos do segundo ano na Provinha Brasil). O estudo de impacto revela que a frequência à pré-escola de boa qualidade influi positivamente no desempenho dos alunos na Provinha Brasil. As análises indicam, também, que a idade da criança é um fator importante nos resultados apresentados nessa prova, assim como a escolaridade da mãe, a renda familiar e o Ideb da escola de EF.

A escrita como modo de vida: conexões e desdobramentos educacionais

PID: S1517-97022011000300013 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Aquino
Tomando por base as principais reflexões de Michel Foucault sobre o ato de escrever, o presente ensaio discorre sobre a correlação intrínseca entre os modos de escrita e de vida nas escolas, apontando para uma agonística em operação diuturna nas práticas escriturais levadas a cabo nesse quadrante. Isso significa que, no interior dos procedimentos de escrita, embatem-se forças superlativas, tanto no sentido da investida unificadora dos modos de subjetivação aí implicados, quanto na direção de uma transfiguração radical desses mesmos modos, tendo em vista a sua multiplicação. Adensando a discussão teórica, tematiza-se a escrita de si, tal como formulada por Foucault, como um esforço escultural desmedido em favor de uma dispersão, uma rarefação e, então, uma elisão subjetivas. Em seguida, interpelam-se analiticamente três argumentos recorrentes acerca da escrita escolar: sua categorização segundo gêneros, sua função examinatória e sua subordinação à leitura. Por meio de tal exame crítico, visa-se desestabilizar as bases de justificação de um tipo de apropriação representacional e cientificista dos fazeres escriturais escolares, bem como fabular cenários divergentes de seu mainstream. Por fim, intenta-se perspectivar a escrita como circunstância propícia à estilização existencial daquele que escreve, tendo em mente, com Foucault, o imprescindível esforço de resistência e de autocriação ética diante dos jogos subjetivadores típicos das práticas escolares. Trata-se do inextricável movimento de diferença e de variação que uma escrita não cativa das convenções pedagógicas da época faculta e, ao mesmo tempo, exige de todo aquele que por ela envereda.

A passagem da educação infantil para o ensino fundamental: tensões contemporâneas

PID: S1517-97022011000100008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Neves Gouvêa Castanheira
No contexto da ampliação do ensino fundamental para nove anos, o artigo relata como foi vivida, por um grupo de crianças, a transição de uma escola de educação infantil para uma de ensino fundamental em Belo Horizonte. O processo de construção e análise dos dados da pesquisa baseou-se na abordagem interpretativa da sociologia da infância e na etnografia interacional. Verificou-se que as práticas educativas que assumiram centralidade na educação infantil e no ensino fundamental se estruturavam em torno da brincadeira e do letramento, mas situadas diferencialmente nos dois segmentos. Na escola de educação infantil, a centralidade do brincar esteve presente na organização das rotinas institucionais. No entanto, tendo em vista sua condição de sujeitos inseridos em uma cultura grafocêntrica, as crianças voltaram-se para a apropriação da língua escrita, engajando-se individual e coletivamente em diversos eventos de letramento. Ao inserir-se no ensino fundamental, as crianças depararam-se com um hiato entre as experiências desenvolvidas na educação infantil e as práticas educativas da nova escola: o brincar foi situado em segundo plano. Argumentamos que a falta de diálogo presente na organização do sistema educacional brasileiro em relação aos dois primeiros níveis da educação básica se refletiu no processo de desencontros vivenciados pelas crianças pesquisadas. Nesse sentido, a investigação, ao ter como foco o registro da experiência infantil, evidenciou a necessidade de uma maior integração entre o brincar e o letramento nas práticas pedagógicas da educação infantil e do ensino fundamental, ambas dimensões centrais da cultura infantil contemporânea.

A prática esportiva como ferramenta educacional: trabalhando valores e a resiliência

PID: S1517-97022011000400010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Sanches Rubio
A sociedade brasileira vislumbra, na atualidade, o desafio de organizar e realizar megaeventos esportivos de grande impacto social. Nesse contexto, a atividade esportiva pode ser considerada uma ferramenta eficaz de intervenção psicossocial, especialmente com crianças e jovens. A presente pesquisa teve por objetivo investigar situações e vivências de atletas de alto rendimento relacionadas ao aprendizado decorrente da inserção nesse contexto e aos valores ali preconizados. Foram realizadas entrevistas por meio do método de história de vida com quatro atletas de duas equipes de atletismo do interior do Estado de São Paulo. Os dados foram categorizados e o conteúdo foi analisado qualitativamente. Os resultados apontaram para diversas contribuições decorrentes da inserção no contexto esportivo, algumas atreladas às transformações externas, como a melhora da condição estética, financeira ou de inclusão social, e outras relacionadas aos aspectos internos e subjetivos, como o reforço e o desenvolvimento de valores de cooperação, amizade, solidariedade e a capacidade de compartilhar e de superar adversidades (resiliência). Conclui-se que a atividade esportiva, quando bem conduzida (por profissionais bem capacitados), pode beneficiar tanto o desenvolvimento global do praticante, quanto os demais ambientes nos quais ele está inserido, como a família e o grupo de iguais, ampliando as contribuições para a sociedade de modo geral.

A recontextualização e o nível de exigência conceitual do conhecimento escolar

PID: S1517-97022011000400006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Galian
O estudo empírico descrito neste artigo focalizou as transformações que ocorrem no discurso pedagógico em relação ao nível conceitual do conhecimento e visou ampliar a compreensão do processo de constituição do conhecimento escolar. Foi conduzido em uma escola da rede pública estadual, no município de Valinhos, Estado de São Paulo, e as fontes de pesquisa foram os Parâmetros Curriculares Nacionais de Ciências Naturais, um livro didático e as aulas de uma professora da 8ª série do ensino fundamental. Adotaram-se os procedimentos de análise documental e observação de aulas, e a principal referência teórico-metodológica foi a teoria de Basil Bernstein. A metodologia mista de investigação adotada nesta pesquisa mostrou-se interessante por permitir que uma abordagem quantitativa demarcasse um espaço de reflexão sobre os aspectos qualitativos envolvidos na análise do processo de recontextualização. Os resultados flagraram o processo de recontextualização e revelaram que, ao longo desse processo, ocorreu um empobrecimento do nível de exigência conceitual. Isso se deu - dentro dos limites desta investigação - por meio de perdas no que se refere à intradisciplinaridade, à complexidade das competências científicas e à complexidade dos conteúdos científicos mobilizados no processo de ensino/aprendizagem. Identificados os pontos nos quais ficou mais evidente a tendência às perdas no nível de exigência conceitual do conhecimento escolar, ressaltam-se elementos que podem trazer alguma contribuição para os processos de produção e implantação de políticas educacionais, bem como de produção de materiais didáticos e de formação dos professores.

A teoria de Norbert Elias: uma análise do ser professor

PID: S1517-97022011000400002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Hunger Rossi Souza Neto
No presente artigo, conforme o entendimento de que modelos teóricos subsidiam a compreensão de fenômenos investigativos, objetivou-se elucidar os conceitos da teoria sociológica de Norbert Elias, considerando-se que esta é uma excelente fonte de análise para se compreender o universo do ser professor, apesar de o autor não abordar diretamente questões relacionadas ao campo da educação. A partir do conceito de configuração, é possível dizer que a constituição do ser professor resulta das diferentes configurações nas quais ele está imerso, pois, de acordo com Elias, as pessoas (professores, pais, gestores, ministros, alunos etc.) modelam suas ideias a partir de todas as suas experiências e, essencialmente, das experiências vividas no interior do próprio grupo. É observável que as configurações, formadas por grupos interdependentes de pessoas, e não por indivíduos singulares, apresentam-se cada vez mais ampliadas nos contextos escolares, com funções especializadas e específicas (professores, alunos, diretores, coordenadores, supervisores, secretários etc.), em grupos que se tornam cada vez mais funcionalmente dependentes. As cadeias de interdependência estão mais diferenciadas e, consequentemente, mais opacas e dificilmente controláveis por parte de quaisquer grupos ou indivíduos. Portanto, uma melhor compreensão será possível quando se estudar empiricamente as configurações que estão em jogo na educação brasileira. Daí se justifica a análise das configurações e das teias de interdependência em que os professores estão envolvidos. Enfim, a aplicação dos modelos de competição abordados por Elias possibilita evidenciar as problemáticas sociológicas do ser professor, tornando-as mais evidentes e facilitando o entendimento do jogo para reorganizá-lo em termos de equilíbrio na teia social.

Ampliação do ensino fundamental: a que demandas atende? A que regras obedece? A que racionalidades corresponde?

PID: S1517-97022011000100004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Marcello Bujes
O objetivo deste texto é analisar, a partir de um conjunto de materiais oficiais e sob a luz de um referencial foucaultiano, como o ensino fundamental de 9 anos (e a nova organização curricular a ele implicada) torna-se efeito emblemático de um processo de “mudança de ênfases” (Saraiva, Veiga-Neto, 2009) acerca dos tipos de racionalidade que orientam as práticas sociais voltadas para a criança pequena. Para tanto, num primeiro momento, mostra-se de que maneiras outras “mudanças de ênfases” foram operadas em outros contextos nacionais. Ou seja, a partir dos trabalhos de Hultqvist (1998) e Baker (1998), descreve- se como se deram, na Suécia e nos Estados Unidos (respectivamente), profundas modificações no cuidado e atendimento à criança pré-escolar, bem como na proposta e mesmo na forma de organização da escola infantil. Em seguida, e tomando tais autores como base, a discussão analítica empreendida se dá a partir de três tópicos fundamentais: inicialmente, descrevemos a captura da infância em nome de algo que se denomina e se apresenta sob a égide da qualidade; em seguida (e daí decorrente), voltamos nosso olhar para a relação entre Estado e o conceito de criança-projeto (relação da qual parte uma fórmula criança-ideal - sociedade-ideal) e, por fim, tratamos do conceito de criança-capaz, na qualidade de objeto discursivo que emerge, a um só tempo, do espaço deixado pela lógica de resgate (Baker, 1998) e das tensões mutuamente constitutivas entre educação infantil e ensino fundamental.

Análise de atitudes de professoras do ensino fundamental no que se refere à educação inclusiva

PID: S1517-97022011000300008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Crochík Pedrossian Anache Meneses Lima
Este artigo, que tem como referência a teoria crítica, relata o resultado de uma pesquisa sobre atitudes em relação à educação inclusiva, realizada com doze professoras do 5º ano do ensino fundamental; dentre elas, seis tinham experiência de ter em sala de aula alunos com deficiência, e seis não tinham. A análise qualitativa dos dados decorrentes do levantamento realizado em seis escolas da rede municipal de Campo Grande (MS) demonstrou que, de modo geral, as professoras foram favoráveis à educação inclusiva. Contudo, ficou evidente a expressão de atitudes preconceituosas veladas ou explícitas no âmbito escolar. A formação para experiência com quem é "diferente" ainda encontra barreiras por conta do preconceito e da discriminação presentes nesta sociedade que tem como lógica uma "inclusão marginal". Em suas manifestações, apontaram dificuldades de trabalhar com alunos com deficiência intelectual severa; assinalaram que a responsabilidade de trabalhar sob a predominância da educação centrada no desempenho, com foco na inserção das pessoas no mercado de trabalho, gerava um "sentimento de impotência". Diante das contradições existentes, a educação inclusiva não deixa de evidenciar a presença das injustiças que ainda se apresentam no processo educativo. Apesar disso, foram indicados vários elementos favoráveis a essa forma de educação, que não é dissociada de movimentos sociais mais amplos.

Aprendendo a ser professor(a) no século XIX: algumas influências de Pestalozzi, Froebel e Herbart

PID: S1517-97022011000300002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Durães
No final do século XVIII e, sobretudo, ao longo do século XIX, com as teorias de Pestalozzi, Froebel e Herbart, foram modificadas radicalmente as concepções de professor(a), ensino e método. Essas mudanças propiciaram o que hoje em dia se entende por escola moderna. Dos reflexos das teorias propostas por esses três pedagogos, este estudo tem por objetivo apresentar, especificamente, algumas mudanças e sugestões relativas à formação de professores e professoras para a escola primária a partir dos centros de formação e/ou escolas normais. Entre as qualidades requeridas para eles e elas encontravam-se as características de cuidado, afetividade e carinho para com os meninos e meninas. Com a influência das ciências da educação (sobretudo da Pedagogia e da Psicologia), as escolas normais disseminaram novas concepções sobre a infância e passaram a propagar modelos pelos quais a prática do professor(a) deveria ser regida: racionalidade científica mesclada com atributos femininos. Em consequência, o espaço da sala de aula passou a ser, cada vez mais, evocado como ideal para as mulheres. Em suma, a discussão aqui realizada se centra na análise iniciada por Pestalozzi sobre o conceito de mulher como mãe-educadora e o fato de que Froebel foi o primeiro a incorporá-la como profissional da educação.

Aspiração por reconhecimento e educação do amor-próprio em Jean-Jacques Rousseau

PID: S1517-97022011000300003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Dalbosco
O artigo procura mostrar a existência de uma filosofia social no Segundo discurso de Rousseau, tomando a aspiração humana por reconhecimento como seu núcleo constitutivo. A investigação sobre a origem da desigualdade conduz o genebrino à interrogação acerca do próprio homem, descobrindo a liberdade e a perfectibilidade como forças (faculdades) originárias de sua sociabilidade. Pela liberdade o homem chega à consciência de sua espiritualidade, ou seja, torna-se apto a ir além do mecanicismo causal imposto pela natureza, construindo o universo linguístico, simbólico e cultural. Pela perfectibilidade, o homem adquire a capacidade de tornar-se cada vez melhor e apto não só para lutar pela sua sobrevivência imediata, como também para aspirar ser reconhecido pelos demais. Em síntese, liberdade e perfectibilidade abrem-lhe as portas para a sociabilidade e permitem-lhe ingressar no universo cultural. Contudo, simultâneo ao processo de tornar-se um ser livre e capaz de se aperfeiçoar, o homem desenvolve a capacidade de sair fora de si mesmo, sentindo a necessidade da comparação permanente com os demais. Isso marca, do ponto de vista da constituição humana, a passagem do amor de si para o amor-próprio: enquanto o primeiro é representativo do estado natural e está baseado na piedade, o segundo caracteriza o homem civil e está marcado pela propensão do homem de querer ocupar uma posição superior em relação aos demais. Se tal propensão se tornar incontrolável, ela pode conduzir à destruição da sociabilidade. Daí a necessidade de sua regulação jurídica e política, acompanhada, previamente, por um processo de formação pedagógica e moral. Isso justifica então a necessidade de educação permanente do amor-próprio.

Avaliação da educação superior no Brasil e a expansão da educação superior em enfermagem

PID: S1517-97022011000400011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Galleguillos Catani
Este trabalho tem como objetivo discutir a expansão da educação superior em enfermagem e o papel do sistema de avaliação na perspectiva da Comissão Assessora de Avaliação da Área de Enfermagem do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais "Anísio Teixeira" (INEP). Realizou-se o resgate da evolução do número de cursos e vagas da educação superior, e, especificamente para a enfermagem, a partir de dados do INEP e por meio de entrevistas, obteve-se o essencial do pensamento dos membros da Comissão no que se refere à expansão da educação superior em enfermagem e à atual política de avaliação. Entre 1994 e 2003, os aumentos foram da ordem de 118% no número das instituições de ensino superior, 195% nos cursos de graduação e 207% nos cursos de graduação em enfermagem no país. Entre 1991 e 2004, o número de vagas nos cursos de graduação em enfermagem passou de 7.460 para 70.400, com distribuição desigual nas diferentes regiões brasileiras; tal aumento ocorreu prioritariamente em instituições privadas, vinculando-se a interesses de mercado e sem o processo de avaliação e regulação plenamente implantado. Parte dos membros da Comissão considera necessária a abertura de novos cursos, pois o número de enfermeiros ainda é insuficiente. Eles expressam, porém, preocupação referente à proliferação desordenada de cursos e às condições concretas de formação e atuação do enfermeiro.

Avaliação oficial: o que dizem os professores sobre o impacto na prática docente

PID: S1517-97022011000300007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Carvalho Macedo
Este artigo tem por objetivo discutir, a partir de indícios observados no discurso de professores alfabetizadores, o impacto que o Proalfa (Programa de Avaliação da Alfabetização do Estado de Minas Gerais) pode causar na prática docente. Foram utilizados como instrumentos de investigação a pesquisa documental, e, como instrumento central, realizamos dois encontros com um grupo focal formado por sete professoras alfabetizadoras. Como aporte teórico-metodológico, utilizaram-se conceitos como os de reforma e mudança, propostos por Popkewitz, táticas e estratégias, postulado por Certeau, além dos conceitos de polifonia e vozes, discurso de autoridade e internamente persuasivos, da teoria da enunciação de Bakhtin. Os resultados indicam que, diante das estratégias de governo, os professores lançam mão de táticas de consumo daquilo que é imposto às escolas como algo a ser seguido. As táticas variam de acordo com a legitimação conferida aos objetivos dessa política, ou seja, para que as professoras ajam de forma a corroborar o Proalfa, primeiro, elas têm que estar convencidas de que dará certo. Nos aspectos em que esse convencimento não se concretiza, elas colocam em prática as táticas de resistência, principalmente através de discursos marcados por elementos explicativos daquilo que não está sendo alcançado, bem como de suas possíveis causas.

De crianças a alunos: transformações sociais na passagem da educação infantil para o ensino fundamental

PID: S1517-97022011000100010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Motta
Este texto discute alguns achados de uma pesquisa de doutorado em Educação conduzida no município de Três Rios, Rio de Janeiro, numa turma de uma escola pública municipal, cujo objeto foi a passagem das crianças da educação infantil para o ensino fundamental e a ação da cultura escolar sobre as culturas infantis transformando os agentes sociais de crianças em alunos. Os fundamentos teórico-metodológicos foram tecidos em diálogos com os conceitos elaborados especialmente por Bakhtin, Vigotski, Foucault, Certeau e Sacristán. Os conceitos operaram em três planos: de um lado, tivemos a concepção de linguagem de Bakhtin, principal categoria de análise dos dados do campo, e Vigotski, fornecendo subsídios para um pensamento dialético em torno das culturas infantil e escolar tomadas como textos. Em outro plano, consideramos Foucault e Certeau na análise das estratégias de poder e das táticas de resistência encontradas nas práticas observadas e suas influências na subjetivação dos sujeitos. Por fim, a sociologia da infância e o conceito de cultura escolar explicitaram os elementos do campo, colocando-os num contexto. Para abordar as transições e as rupturas entre a educação infantil e o ensino fundamental, contribuíram Moss e Corsaro e Molinari.

Educação infantil e ensino fundamental: desafios e desencontros na implantação de uma nova política

PID: S1517-97022011000100007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Correa
Neste artigo, apresentamos uma análise do processo de ampliação do ensino fundamental e seus reflexos sobre a educação infantil com base em resultados de pesquisa realizada entre 2008 e 2010, cujo objetivo foi estudar esse processo em um sistema municipal de ensino do interior do Estado de São Paulo. A pesquisa, de abordagem qualitativa, desenvolveu-se em duas escolas de ensino fundamental e em uma escola de educação infantil. Os resultados revelam, de um modo geral, como nossas atuais políticas públicas têm priorizado os investimentos no ensino fundamental, sem aumentar de modo significativo o seu montante, ao mesmo tempo em que, na implantação de novas medidas, desconsideram a realidade da escola e não a preparam para as mudanças. Além dos resultados dessa pesquisa, para a produção deste artigo também analisamos dados advindos do acompanhamento de um estágio curricular na disciplina de Educação Infantil que compõe um curso de Pedagogia em universidade pública paulista. Assim, tomando como base os resultados da pesquisa e da análise dos estágios, neste trabalho discutimos, de modo mais específico, como a ampliação do ensino fundamental no município, da forma como vem se realizando, tem se refletido negativamente sobre a organização pedagógica da educação infantil. Constatamos, por exemplo, que atividades mecânicas como cópia de letras e números vêm ocorrendo de maneira cada vez mais intensa, sob o argumento de que uma preparação para o ensino fundamental durante a pré-escola seria, agora, ainda mais necessária.
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