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Experiência e observação: de Rousseau ao Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil

PID: S1517-97022011000400007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Batista
O artigo tem o objetivo de resgatar os conceitos de experiência e observação presentes em Emílio, de Jean-Jacques Rousseau, discutindo-os na perspectiva de uma educação para a emancipação, conforme formulada pelos autores da teoria crítica, especialmente Walter Benjamin e Theodor W. Adorno. Considerando a utilização e a valorização desses conceitos na teoria e na prática educativas, analisou-se a abordagem dada a eles no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, com o objetivo de ressaltar a criticidade presente na defesa da experiência das crianças e de sua observação no cotidiano escolar. Conclui-se, a partir das reflexões sobre os textos de Rousseau e dos autores da teoria crítica, que, no referido documento, diante da polissemia da experiência formativa, ressaltam-se o recorte curricular, a instrumentalização da ação do professor, as experiências e aprendizagens ditas essenciais, a experiência que o professor propicia às crianças e o esquadrinhamento das subjetividades por meio da observação e do registro sistemático. Se Rousseau solicita-nos observar a criança, bem como proporcionar e valorizar experiências significativas, é porque, de alguma forma, valendo-se de um recurso teórico-metodológico, dirige-se a educadores e educandos concretos que, passados quase três séculos, ainda se emaranham entre conceitos e representações sociais de infância sem se darem conta da experiência que legitima a construção desses mesmos conceitos e representações.

Formação continuada de professores e resultados dos alunos no SARESP: propostas e realizações

PID: S1517-97022011000400009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Bauer
O presente trabalho apresenta resultados obtidos por meio da pesquisa realizada entre 2005 e 2006, intitulada Uso dos resultados do SARESP: o papel da avaliação nas políticas de formação docente, cujo propósito foi analisar possibilidades e limites da utilização dos resultados obtidos pelos alunos no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP) para a formulação e o direcionamento de políticas de formação de professores. As preocupações recaíram sobre os programas de formação em língua portuguesa para o ensino fundamental. Foram visitadas quatro das treza diretorias regionais de ensino da capital do Estado de São Paulo a fim de conhecer o trabalho de formação docente realizado e analisar em que medida ele se relacionava aos dados obtidos no SARESP. O estudo qualitativo teve como principal estratégia a enquete exploratória, com uso de roteiros de entrevista e de observação semiestruturados. O referencial teórico sintetizou contribuições de Dennis Palumbo (1998) e de Marcus Figueiredo e Argelina Figueiredo (1986) para a compreensão do conceito e das etapas da política pública, assim como de Elba Barreto e Regina Pinto (2001), Blaine Worthen, James Sanders e Jody Fitzpatrick (2004) e Almerindo Afonso (1998) a respeito da discussão da avaliação de programas, entre outros. Concluiu-se que, apesar de a documentação dos programas de formação e o SARESP declararem que há relação entre os resultados da avaliação e os programas propostos, a concretização desse propósito depende do engajamento dos profissionais presentes nas diretorias de ensino. As ações formais da Secretaria da Educação para induzir esse uso de resultados não se mostraram suficientes para assegurar o pretenso vínculo entre avaliação e formação docente.

Implicaciones de la acción educativa en espacios específicos de proyección profesional en España

PID: S1517-97022011000300009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Blanco Encomienda Latorre Medina
En los últimos años, ha aumentado considerablemente el número de publicaciones que ilustran actuaciones educativas en espacios excepcionales de proyección profesional, como aquellas que necesitan los menores enfermos y/u hospitalizados, no sólo desde el punto de vista físico o médico, sino también desde el psicológico y educativo. Concretamente, como parte del abordaje integral de las situaciones de atención a necesidades educativas especiales en los hospitales, surgen las aulas hospitalarias; entornos de enseñanza-aprendizaje que, dadas sus características peculiares de espacio y ubicación, demandan una intervención psicopedagógica eficaz, diferente de la ordinaria. El presente trabajo pretende ser una contribución en esta dirección, centrando su atención, primero, en descifrar el sentido de la Psicopedagogía en el contexto hospitalario. A este respecto, la literatura deja constancia de que la intervención psicopedagógica en las aulas hospitalarias cobra sentido e importancia al tener, como objetivo último, ayudar a reforzar y apoyar psicológica y educativamente los procesos de enfermedad y hospitalización infantil, con el fin de conseguir la mayor normalización en la vida del paciente y su familia. A continuación, el artículo profundiza en el estudio de una formación adecuada para el profesional de la Psicopedagogía Hospitalaria, identificando cuatro clusters de competencias: competencias pedagógico-didácticas, competencias político-institucionales, competencias interactivas y competencias específicas. Por último, recoge las principales implicaciones educativas del trabajo en este contexto, perfilando propuestas para la acción.

Infância e crianças de 6 anos: desafios das transições na educação infantil e no ensino fundamental

PID: S1517-97022011000100005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Kramer Nunes Corsino
A inserção das crianças de 6 anos no ensino fundamental tem provocado indagações tanto para a educação infantil quanto para o ensino fundamental, especialmente no que tange às políticas e práticas pedagógicas e sua adequação à faixa etária das crianças. O objetivo deste texto é analisar e discutir questões que atravessam essas etapas a partir de pesquisa desenvolvida em creches, escolas de educação infantil e escolas de ensino fundamental. Pesquisar as práticas com crianças na educação infantil permitiu problematizar o trabalho com as crianças de 6 anos no ensino fundamental. Mais do que conceber as duas etapas de modo dicotômico, trata-se - na ótica deste texto - de pensar, para além, transições e desafios na organização dos sistemas de ensino e em termos de políticas e gestão pública, de propostas curriculares e de formação de professores e de todos os profissionais envolvidos neste trabalho. Com este objetivo, o primeiro item analisa as políticas da educação básica no contexto da expansão da obrigatoriedade e os desafios para trabalhar com as crianças de 6 anos. O segundo apresenta e problematiza a pesquisa no que diz respeito às práticas de leitura e escrita observadas. O terceiro sugere prioridades para o trabalho com a leitura e a escrita na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, a formação e as transições.

Interrogações sobre políticas de formação e ensino de arte nos currículos dos cursos de pedagogia

PID: S1517-97022011000300004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Gondim Fernandes
O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa desenvolvida no programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba. A investigação objetivou analisar as contradições sociais, políticas e ideológicas presentes nos documentos institucionais sobre as políticas de formação de professores e o ensino de arte nos currículos dos cursos de Pedagogia, utilizando para tal os princípios teóricos e metodológicos da análise crítica do discurso. Foram analisadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Pedagogia de 2006, os projetos político-pedagógicos desses cursos nas universidades públicas da Paraíba (Universidade Federal da Paraíba - Campus João Pessoa, Universidade Federal de Campina Grande - Campus Campina Grande, Universidade Estadual da Paraíba - Campus Campina Grande) e as ementas das disciplinas relacionadas ao ensino de arte desses projetos. Apesar de as mudanças curriculares serem recentes, encontraram-se concepções e modelos descontextualizados, conservadores e equivocados no que diz respeito à formação docente e ao sentido da arte, demonstrando que existe ainda um longo caminho a ser seguido na construção de propostas curriculares que estejam comprometidas com a atividade criadora do ser humano. Portanto, investir no ensino de arte e na formação do professor-pedagogo contribuiria tanto para o enriquecimento de sua formação humana, por meio da produção artística, como para a potencialização da capacidade criadora dos estudantes, conforme proclamado pelos defensores de um ensino de arte que aponte para a multiplicidade do ser humano.

Jogo e letramento: crianças de 6 anos no ensino fundamental

PID: S1517-97022011000100012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Kishimoto Pinazza Morgado Toyofuki
Discute-se uma prática curricular em que se alia o jogo ao processo de letramento no primeiro ano do ensino fundamental de nove anos da Escola de Aplicação da USP. A análise do currículo assentado no lúdico como atividade importante para o letramento pode representar a possibilidade de integração de crianças de 6 anos e a superação dos desalinhos curriculares no âmbito da política pública de ampliação do ensino fundamental. A investigação, de caráter qualitativo, pautou-se em dados do acompanhamento das cinco turmas de primeiro ano do ensino fundamental de nove anos do período de 2006 a 2010, com análise do plano de ensino, registros de desempenho das crianças, entrevistas com pais, depoimentos orais de crianças, registros da professora e relatórios da brinquedoteca. Os dados indicam que o currículo implementado, em seus aspectos estruturais e pedagógicos, atende as necessidades das crianças, ajusta-se às concepções de atividade, mediações e uso de jogos imaginários com apoio de signos e artefatos. Constatou-se que as mediações são mais adequadas quando há dois docentes para desenvolver atividades relacionadas à pedagogia de jogos destinados ao letramento. No plano das políticas públicas, a implementação dessa prática exigirá atenção para os aspectos estruturais e pedagógicos.

Moral no mundo adulto: a visão dos jovens sobre os adultos de hoje

PID: S1517-97022011000400005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Imanishi Passarelli Taille
A pergunta central desta pesquisa é: como os adolescentes da atualidade julgam os adultos no que se refere essencialmente a critérios morais? Responder a essa indagação possui relevância para a formação ética e moral dos alunos devido a duas razões principais: a primeira refere-se ao desenvolvimento moral do adolescente; a segunda, à aparente deserção do espaço público por parte dos jovens em favor do espaço privado. Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho foi verificar como os jovens julgam moralmente os adultos e se, de fato, eles operam uma clara cisão entre as esferas privada e pública. Foram realizadas separadamente duas pesquisas: no estudo 1 (E1), utilizou-se um questionário fechado de 24 questões e duas questões abertas; no estudo 2 (E2), além da aplicação de um questionário com 14 perguntas, foi realizado um debate em grupo acerca delas. É importante ressaltar que, neste artigo, são analisadas tanto questões presentes nos dois estudos, quanto algumas presentes apenas no E1. Os resultados obtidos mostram certa desconfiança dos jovens em relação à moralidade dos adultos. A maioria não os considera pessoas éticas e, de forma geral, critica sua condução da esfera pública. Além disso, os jovens questionam as virtudes dos adultos e consideram o egoísmo como o maior defeito deles, associando-o a uma preocupação exclusiva com a esfera privada. Dividem-se quanto à sabedoria, à responsabilidade e à confiança atribuída aos adultos de hoje. Os dados apontam, ainda, que a imagem do adulto apresentada é relativizada a partir da distinção entre os adultos da esfera pública e aqueles da esfera privada.

O elogio de si e a desmedida antropologização das ciências humanas

PID: S1517-97022011000300012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Pereira Ratto
Este trabalho faz a crítica filosófica a um certo modo de antropologização nas ciências humanas. O humano não é um dado natural de determinação biológica no campo das ciências. Diferente disso, o específico do conhecimento no campo das humanidades é o resultado de um processo de antropologização que fez do homem sujeito com consciência epistemológica. Por isso, o homem, figura de proa da modernidade, é esse duplo empírico-transcendental que, dobrado sobre si mesmo, produz um regime próprio de saber. Conhecimento de si, portanto, passou a ser a grande matriz dos saberes das humanidades na proporção equivalente em que a metafísica se transfigurou em metafísica da subjetividade e a linguagem ganhou prestígio ontológico. Ao lado disso, ergueu-se boa parte dos projetos de crítica à ciência clássica, dando lugar de destaque à linguagem como fabricante de realidade. Chegou-se a falar de um giro linguístico, argumento primeiro de crítica às metanarrativas e apologia dos regimes fragmentários e relativistas de verdade. Ainda assim, assumir que a verdade é um efeito discursivo e que a realidade por si mesma é resultado de uma produção não é o bastante. Importa também colocar em exame este regime que fez da linguagem a expressão do conhecimento e da consciência do mundo. O homem tornou-se a medida do conhecimento.

O ensino fundamental de nove anos e o direito à educação

PID: S1517-97022011000100003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Arelaro Jacomini Klein
Neste artigo são analisadas as consequências das Leis Federais nº. 11.114/05, que instituiu o início da obrigatoriedade do ensino fundamental aos 6 anos de idade, e a de nº 11. 274/06, que ampliou a duração do ensino fundamental para nove anos, mantido o início aos 6 anos. As análises ora apresentadas são baseadas em documentos e dados empíricos da pesquisa Avaliando políticas educacionais: um estudo sobre a implantação do ensino fundamental de nove anos no Estado de São Paulo, de caráter qualitativo, realizada em redes de ensino municipal e estadual, que envolveu diferentes segmentos: profissionais da educação, pais e crianças de 6 anos matriculadas no primeiro ano do ensino fundamental. As entrevistas e os questionários permitiram o levantamento de opiniões dos sujeitos sobre diversos aspectos da implantação do ensino fundamental de nove anos e a comparação com as intenções anunciadas nos documentos oficiais à luz de três princípios educacionais: direito à educação, gestão democrática e qualidade de ensino. Constatou-se a permanência de práticas que desconsideram tanto os preceitos legais quanto a importância da participação dos envolvidos no processo educativo para a realização de uma educação de qualidade. Da mesma forma, o currículo do primeiro ano reflete somente uma adaptação simplista do antigo currículo da primeira série, com pequenas adequações metodológicas que não incorporam o lúdico como específico da infância. Ficou evidente a insuficiência de recursos materiais e financeiros, a não orientação aos professores, bem como a não discussão do futuro da pré-escola na nova organização escolar.

O inavaliável em uma sociedade de desconfiança

PID: S1517-97022011000300014 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Haroche
Vivemos presentemente em sociedades de controle contínuo que induzem e reforçam a falta de confiança e, além disso, uma desconfiança difusa e crescente que nos leva a falar de sociedade de desconfiança. Nestas sociedades exige-se tanto dos organismos como dos indivíduos que prestem conta, com precisão, não tanto daquilo que fizeram, mas do que fazem no momento presente, assim como o que pretendem fazer: procura-se assim suprimir a perda de tempo, a falta de rentabilidade e, mais ainda, o imprevisível, inavaliável por definição. Em face do ininteligível provocado e intensificado pela mudança permanente, ligada entre outras coisas à aceleração das tecnologias, a sociedade foi levada a desenvolver ferramentas de avaliação; indiferente ao indivíduo em sua singularidade, a avaliação tende a individualizá-lo e controlá-lo incessantemente e, ao mesmo tempo, a diferenciá-lo e homogeneizá-lo cada vez mais. Atualmente, os bens e as pessoas são cada vez mais avaliados e, portanto, inevitavelmente comparados, engendrando e reforçando formas de concorrência e rivalidade permanentes e exacerbadas.

O ingresso de crianças de 6 anos no ensino fundamental: uma pesquisa em Rondônia

PID: S1517-97022011000100006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Pansini Marin
Estudos indicam que, embora as políticas educacionais implantadas no Brasil desde a década de 1990 tenham em comum o discurso de enfrentamento da exclusão em defesa de uma escola para todos, há um hiato entre a intenção e a realidade. Essa constatação aponta para a importância de pesquisas que se dediquem a conhecer os bastidores dessas políticas de maneira a identificar como são analisadas por aqueles que as vivem, que as materializam em suas práticas educativas. Nessa direção, o presente texto apresenta resultados de uma pesquisa realizada em oito escolas da rede estadual de um município de Rondônia com o objetivo de investigar em que condições ocorreu a implantação do ensino fundamental de nove anos. A partir de uma abordagem qualitativa, os dados foram produzidos com base em análise de documentos, entrevistas individuais e coletivas e registro fotográfico. Os resultados indicam que a implantação da referida política nas escolas investigadas ocorreu de forma intempestiva, sem nenhuma preparação prévia que garantisse alterações dos aspectos estruturais das escolas, adaptações curriculares e/ou discussões/formação com as equipes pedagógicas, professores e comunidades. Revelam ainda que a falta de clareza a respeito das propostas pedagógicas a serem implementadas com as crianças de 6 anos pode antecipar o fracasso enfrentado por um grande contingente de crianças em seu processo de alfabetização.

O portefólio na formação e avaliação profissional de professores

PID: S1517-97022011000300006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Silva Rebelo Mendes Candeias
A área da avaliação e formação de professores está em constante renovação, incapaz de abarcar todos os conteúdos relevantes de um modo completo, deixando (in)satisfeitos avaliados e avaliadores (ou seja, os docentes). Sendo uma área bastante complexa, o método de avaliação por portefólios tem assumido uma importância vital nos últimos anos, tido como uma ferramenta que possibilita a avaliação de vários domínios. Para além disso, permite o acompanhamento da evolução do desenvolvimento pessoal e profissional enquanto medida qualitativa de avaliação, mas também é utilizado para discriminar professores excelentes de professores "satisfatórios" no processo de progressão na carreira. Os portefólios são ainda utilizados como base para as entrevistas de emprego e como meio de apresentação do indivíduo em novos contextos de trabalho. Neste sentido, procurámos estudar a validade e a utilidade desta ferramenta de avaliação de professores na área da formação profissional, comprovando a sua aplicabilidade e as respectivas vantagens/desvantagens. Através da revisão bibliográfica de vários estudos desenvolvidos até o momento, salienta-se a importância do portefólio como instrumento de avaliação de docentes em início de carreira (visando a sua evolução) e sua complementaridade com outros métodos. Assim, atingimos um modelo de avaliação mais completo, individualizado, eficaz no desenvolvimento e avaliação de competências, acessível a toda a comunidade escolar e não circunscrito a um determinado período ou momento, mas valorizando a vida profissional dos docentes.

Os alfabetizados-desviantes ou sobre a educação dos 6 anos

PID: S1517-97022011000100009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Dornelles
Neste texto, busca-se fazer emergir a análise realizada numa classe de primeiro ano de 6 anos do ensino fundamental de nove anos de uma escola pública de periferia de Porto Alegre (RS). Ele indica como as crianças deste primeiro ano tramam seu processo de alfabetização e escapam do estigma da tristeza e do fracasso. Estudam-se os documentos (MEC- Lei nº. 11.274, de 2006 /EFNA) que ordenam e administram a vida de crianças e professores, através de programas empresariais e governamentais, e se tornam o olho - Argos Panopticon. Optando-se por uma metodologia-bricolagem e baseando-se nos estudos pós-estruturalistas, trama-se a análise dos documentos legais com observações participantes. Mostra-se um acontecimento especial que marcou a alfabetização desta turma ou sobre como, a partir de Flávia, a menina que ajuda a pensar o título deste artigo, de 6 anos, guria, preta, gorda e que, portanto, fugia de todos os parâmetros da naturalização dos sujeitos-meninas ou daqueles que têm tudo para dar certo na vida, encontra um modo de se alfabetizar e com ela o seu grupo. Trata-se da alegria na sua potência de agir de uma alfabetizanda-desviante ao se constituir como leitora de histórias para seu grupo, e como esta vitalidade de criação transforma o aprendizado de crianças e professores. Encerra-se o artigo com o desejo de que se faça emergir a alegria spinoziana da descoberta da alfabetização, mesmo que desviante, no processo de meninas e meninos alfabetizandos com 6 anos. Convida-se ao desvio!

Os conflitos de licenciandos e o desenvolvimento profissional docente

PID: S1517-97022011000400008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Massabni
Aprender a ensinar requer o desenvolvimento de atitudes, valores e conhecimentos próprios da docência por parte dos futuros professores, constituindo-se em um processo complexo a ser desencadeado pelas licenciaturas. Este estudo parte da premissa de que o licenciando vivencia conflitos ao longo de tal processo, os quais são possivelmente agravados pelas mudanças que a profissão docente tem sofrido, mudanças estas que, para alguns, configuram uma crise. Estudos anteriores, apoiados na teoria de Jean Piaget, indicam que a forma de perceber e resolver conflitos por professores em exercício é diferente entre os sujeitos, e que nem sempre o modo de lidar com as situações profissionais está relacionado ao tempo de carreira, mas sim a níveis de construção da docência. Assim, buscou-se saber se existem conflitos entre os professores em formação e se a forma de resolvê-los relaciona-se à aquisição da profissionalidade. Para tanto, licenciandos responderam a questionário e entrevista a partir de histórias hipotéticas envolvendo situações potencialmente geradoras de conflitos relativos a questões como autoridade docente, autonomia profissional e escolhas pedagógicas, entre outras. A compreensão da forma como os licenciandos interpretavam e enfrentavam - ou não - tais conflitos ofereceu indícios de níveis de construção da profissionalidade pelos sujeitos, mesmo que ainda não formados. Reconhecer a existência desses níveis abre caminhos para repensar a formação de professores nas licenciaturas, a fim de que se propiciem condições para que o licenciando desenvolva-se a um patamar superior de profissionalidade ainda durante a formação inicial.

Reflexões sobre homofobia e educação em escolas do interior paulista

PID: S1517-97022011000400004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Teixeira-Filho Rondini Bessa
Trata-se de um estudo do tipo survey realizado em 2009 junto a 2.282 estudantes de ambos os sexos cursando as três séries do ensino médio em três cidades do interior do Oeste Paulista (Assis, Presidente Prudente e Ourinhos). O instrumento de coleta de dados foi um questionário autoaplicável e anônimo com 131 questões. Neste artigo, reflete-se sobre o quanto as participantes da pesquisa reproduzem e reforçam, no espaço escolar, os discursos hegemônicos de controle das sexualidades pautados na tentativa de fazer prevalecer a heterossexualidade como a única forma de inteligibilidade sexual, em detrimento de outras formas de manifestação da sexualidade. Discute-se como a homofobia e os dispositivos de controle social das sexualidades (re)produzem preconceitos e estereotipias, resultantes em vulnerabilidades que os adolescentes não-heterossexuais apresentam, tais como: vitimização homofóbica, isolamentos sociais e afetivos, e ideações e entativas de suicídio. O estudo mostra que o invariante foram as discriminações, as violências homofóbicas e as injúrias que são perpetradas nos valores e discursos dos adolescentes em situação escolar e familiar, demonstrando a institucionalização da homofobia como prática regulatória da construção social e psicológica de gêneros e identidades sexuais. Destaca-se quão importante é, para a escola, apropriar-se de meios de desconstrução das normativas heterocentradas, visando preservar os direitos e a cidadania de pessoas que não se identificam aos modelos vigentes da heterossexualidade.

Teorias da socialização: um estudo sobre as relações entre indivíduo e sociedade

PID: S1517-97022011000400003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Setton
O artigo propõe uma reflexão na qual a interdependência entre as instâncias de socialização e os indivíduos faça-se presente. Com base em algumas formulações sobre a sociologia dos processos socializadores, empreende-se uma análise a fim de apreender a complexa dinâmica educativa da atualidade. Existe e é possível concretizar empiricamente a articulação de interdependência entre as matrizes de cultura? Como compreender o imbricado e conflituoso processo de construção das disposições de habitus? Identificando uma nova estruturação no campo da socialização, busca-se uma perspectiva relacional entre as agências a fim de apreender a especificidade do processo de construção das disposições de habitus do indivíduo contemporâneo. A partir dos conceitos de fato social total, de Marcel Mauss, e de hibridismo, do antropólogo latino-americano Nestor García-Canclini, formula-se a hipótese de que a cultura da modernidade imprime uma nova prática socializadora distinta das demais verificadas historicamente. Assim sendo, a discussão pretende contribuir para os estudos relativos aos processos socializadores nos âmbitos institucional e individual, bem como auxiliar no difícil procedimento de investigar a construção das disposições de habitus com base na observação cuidadosa dos mecanismos e das estratégias formadoras. Amplia a leitura sobre o alcance e o limite de cada uma das matrizes de cultura e, simultaneamente, permite perscrutar sobre o movimento de ascensão de novas agências socializadoras.

Trabalho docente e desenvolvimento das atividades simbólicas: considerações para o ensino fundamental de nove anos

PID: S1517-97022011000100011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Nogueira Catanante
Como forma de garantir às crianças de 6 anos de idade o acesso à educação escolar, a ampliação do ensino fundamental para nove anos traz relevantes questões para o atual debate educacional brasileiro. A partir da concepção do trabalho como atividade historicamente situada e mediada, este artigo discute como a implantação do ensino fundamental de nove anos pode afetar as condições de o trabalho do professor e produzir formas de intervenção educativa. Ao analisar trechos de entrevistas realizadas com professoras da educação infantil e/ou ensino fundamental, problematiza os ajustes e renormalizações efetivados pelo profissional ao preencher as lacunas entre o trabalho prescrito realizado e real, e aborda os processos de individualização, de enfraquecimento do coletivo de trabalho, de amputação do agir e de produção do déficit instrumental (conforme explicitado pela ergonomia francesa para análise do trabalho). Como parte das tensões do trabalho, os comentários das professoras trazem os impasses relacionados à forma de lidar com o processo de desenvolvimento das atividades simbólicas e da linguagem escrita, discutidos neste artigo a partir da abordagem histórico-cultural. Dessa forma, como um aspecto do conhecimento que caracteriza o ofício do professor, este artigo se propõe fundamentar os comentários acerca da importância de efetivar tempo e espaço para as brincadeiras na rotina escolar, tendo em vista que a organização de propostas educativas que atendam às peculiaridades e necessidades das crianças de 6 anos é condição básica para efetivar o direito à educação previsto pela proposta de ampliação do ensino fundamental.

Um ensaio sobre burnout, engagement e estratégias de coping na profissão docente

PID: S1517-97022011000300005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Pocinho Perestrelo
Investigadores, um pouco por todo o mundo, começaram a preocupar-se com o fenómeno do burnout, ao identificarem este sintoma essencialmente nas profissões que envolviam uma relação assistencial ou de ajuda, como o caso dos médicos, enfermeiros e psicólogos. Contudo, não tardou que se percebesse que este fenómeno pudesse também estar presente na profissão docente de uma forma muito significativa. A docência é, na atualidade, uma das profissões mais sujeitas a altos níveis de stresse, podendo levar ao burnout, caso se torne recorrente. Muitos docentes conseguem adaptar-se e reagir de uma forma funcional perante as dificuldades próprias da profissão, tornando-se profissionais engaged, ou seja, enquanto alguns professores vivenciam as dimensões negativas do burnout (exaustão emocional, despersonalização e perda de realização profissional), outros experienciam as três dimensões positivas do engagement(vigor, dedicação e absorção profissional). Com a entrada da chamada "psicologia positiva", surge uma nova perspectiva de estudo que procura respostas para determinadas formas de envolvimento profissional. Assim, apesar do fenómeno do engagement ainda não estar muito estudado, encontrar professores engagedcom a sua profissão também é uma realidade presente em muitos países. O recurso a estratégias de coping é uma forma de lidar com as dificuldades inerentes ao exercício da profissão docente. Logo, é importante perceber de que forma a utilização de determinado tipo de estratégia decoping poderá conduzir ao burnoutou, preferencialmente, ao engagement.

Violencias y climas sociales en escuelas medias: experiencias de docentes y directivos

PID: S1517-97022011000300010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2011
Autores: Di Leo
En el artículo se presenta parte de los resultados de la tesis doctoral del autor, en la que analiza los tipos de climas sociales dominantes en relación a los cuales los sujetos construyen sus experiencias en escuelas medias públicas, tomando como analizador las prácticas y sentidos desplegados por los mismos en torno a las violencias escolares. En el trabajo de campo, desarrollado entre 2005 y 2007 en dos escuelas medias públicas de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina, combinó tres técnicas de investigación social de tipo cualitativo: observaciones participantes, entrevistas semiestructuradas y grupos focales (focus group). Para la determinación de la muestra (muestreo teórico) y el análisis del corpus construido siguió los lineamientos generales de la teoría fundamentada (grounded theory), utilizando como herramienta informática auxiliar el programa Atlas.ti 5.0. El artículo se organiza en torno a dos de las categorías centrales identificadas: a) violencias escolares y b) crisis de la institución y de la autoridad escolar. En las dos primeras secciones se presentan las categorías emergentes de los discursos y prácticas de docentes y directivos, dialogando con herramientas conceptuales de la teoría social contemporánea y otras investigaciones sobre la temática. Finalmente, se propone una articulación entre las mismas, sintetizando las principales características y vinculaciones entre los dos tipos de clima social escolar dominantes en ambas instituciones: desubjetivante e integracionista-normativo.

A Educação Ambiental frente aos desafios apresentados pelos discursos contemporâneos sobre a natureza

PID: S1517-97022010000200008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Reigota
A noção de natureza tem tido papel importante na filosofia e também na Educação Ambiental. Filósofos contemporâneos como Gianni Vattimo e Newton Aquiles von Zuben afirmam que uma noção única de natureza contribuiu para a difusão da metafísica dogmática, que por sua vez, solidificou totalitarismos políticos e religiosos. A Educação Ambiental latino-americana tem constituído um campo teórico e espaço público privilegiado para a difusão de noções de natureza, não dogmáticas, nem totalitárias, em estreitas relações com a diversidade cultural e social. Num primeiro momento da Educação Ambiental a noção de natureza estava relacionada aos recursos naturais. Desde que temas específicos relacionados com os discursos contemporâneos sobre a natureza, como a biodiversidade e os transgênicos ganharam o espaço público, argumentamos que a Educação Ambiental se viu diante de novos desafios teóricos, políticos, ecológicos, sociais, culturais e pedagógicos. Neste artigo procuramos identificar e analisar alguns desses desafios tendo como apoio teórico o pensamento do filósofo italiano Gianni Vattimo e do filósofo brasileiro Newton Aquiles von Zuben, nos aspectos relacionados à bioética e ao papel político da educação, na formação de cidadãos e cidadãs. Concluímos que a abordagem dos discursos contemporâneos sobre a natureza possibilita que o diálogo entre a Educação Ambiental e a bioética tende a se ampliar e a se concretizar em práticas sociais e pedagógicas cotidianas, apresentando-se, assim, como alternativa concreta para que cidadãos e cidadãs possam enfrentar os desafios trazidos com a biodiversidade e com os transgênicos, com argumentos científicos, éticos e políticos.
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