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El componente liderazgo en la validación de un modelo de gestión escolar hacia la calidad

PID: S1517-97022010000300009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: López Alfaro
A medida que el país alcanza mejor estado de desarrollo, las organizaciones no educacionales han incorporado paulatinamente a su quehacer, elementos de liderazgo, planificación estratégica, de desarrollo organizacional y evaluaciones de la calidad de su gestión, aplicando planes sistemáticos de mejoramiento. Este acento en la gestión también se ha manifestado en el ámbito de las instituciones educativas, siendo el liderazgo uno de los factores de mayor incidencia en la gestión de estas organizaciones. En este contexto el propósito del presente artículo es dar a conocer la importancia del componente liderazgo en las comunidades escolares en Chile y su relación con la calidad de la educación. El estudio permitió determinar los efectos de variables asociadas a la gestión escolar, entre las que se releva la variable liderazgo, sobre la calidad educativa. Para ello se utilizó una muestra de 870 profesores de centros educativos públicos y privados, a quienes se aplicó una encuesta estructurada. Posteriormente se realizó un exhaustivo análisis psicométrico de los datos, por medio de una serie de análisis exploratorios y confirmatorios que incluyó ecuaciones estructurales. El estudio pone de manifiesto una realidad en torno a las escuelas como organizaciones. A medida que pasa el tiempo, éstas se transforman en sistemas cada vez más complejos, siendo el liderazgo que se ejerce en un centro educativo una de las variables fundamentales que influye en el logro de los objetivos propuestos por la organización.

Ensinar a escrever no ensino médio: cadê a dissertação?

PID: S1517-97022010000100008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Riolfi Igreja
Visando a elucidar em que medida o aluno aprende a escrever uma dissertação na aula de língua portuguesa no ensino médio, analisamos 2.434 horas de aula previamente registradas em diário de campo e que foram ministradas de 2006 a 2008 em 61 escolas públicas na capital de São Paulo. A análise dos dados mostrou que a literatura foi o conteúdo privilegiado em metade das aulas, e a gramática, em um quarto delas. Apenas 15% do tempo foi utilizado para ensinar a escrever, preferencialmente o texto não dissertativo. Assim, a pesquisa constatou que o ensino da escrita do texto dissertativo vem sendo negligenciado. Apenas 6% do tempo das aulas de língua portuguesa foi dedicado à exposição das características desse tipo de texto, seguida da demanda de produção escrita. Os momentos dedicados à correção coletiva e à reescrita foram praticamente inexistentes e aqueles dedicados a fazer uma reflexão prévia à prática da escrita, raríssimos. Frente às repetidas denúncias dos graves problemas de escrita que se encontram nos textos dos egressos do ensino médio, incapazes de vencer as barreiras dos vestibulares das universidades públicas, fica um alerta para os formadores de professores e para os pesquisadores que se dedicam ao ensino da escrita.

Escolarização no Brasil: articulando as perspectivas de gênero, raça e classe social

PID: S1517-97022010000200006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Ferraro
Este artigo apresenta os resultados de um experimento de articulação das dimensões gênero, raça e classe social no estudo da dinâmica da escolarização no Brasil, com base nos microdados do Censo Demográfico 2000. O nível de escolarização é medido por meio da média de anos de estudo realizados com aprovação pela população de 10 anos ou mais. O estudo evidencia que essas três dimensões produzem efeitos que não podem ser simplesmente adicionados, porque obedecem a lógicas distintas. À medida que se passa das gerações mais velhas para as mais novas, as mulheres passam da condição de inferioridade à de superioridade em termos de média de anos de estudo, ao passo que a população negra mantém-se em posição de inferioridade, em relação à população branca, em todas as idades, embora com alguma redução no nível de desigualdade. Por sua vez, as desigualdades educacionais relacionadas com as diferentes posições na ocupação, tomadas aqui como indicadores de classe, aparecem como as mais acentuadas, e isso tanto na população masculina como na feminina, tanto na população branca como na negra. O texto reforça, assim, a importância e a viabilidade de se articular, no estudo da escolarização, as dimensões gênero, raça e classe social, como recomendado pela literatura sobre a questão.

Estigma e discriminação vividos na escola por crianças e jovens órfãos por Aids

PID: S1517-97022010000300005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Zucchi Barros Paiva França Junior
A restrição de direitos humanos é uma das características mais marcantes da epidemia da Aids. Crianças e jovens infectados ou afetados pela Aids são particularmente vulneráveis a sofrer estigma em ambientes educacionais. O objetivo deste artigo foi analisar episódios de estigma e discriminação relacionados ao HIV/Aids na escola. Integradas a um estudo de base populacional, foram analisadas sete entrevistas em profundidade com coordenadores pedagógicos de seis escolas públicas e privadas, de ensino infantil e fundamental, na cidade de São Paulo. A maioria dos episódios de estigma vividos por crianças e jovens no âmbito escolar ocorreu em circunstâncias de namoro/sexualidade, conflito com colegas, dificuldade de aprendizagem, revelação da orfandade por Aids, interação entre professores e alunos com HIV, sendo as causas mais frequentemente atribuídas: ter HIV, ser proveniente de "família desestruturada", desigualdade nos papéis de gênero, idade e classe social. Homofobia e racismo foram indicados como reforçadores do estigma. Foram descritas respostas institucionais ao estigma da Aids e práticas de atividades de prevenção às DST/Aids. Os episódios indicam o quanto o estigma e a discriminação relacionados ao HIV/Aids podem aprofundar uma desigualdade social já instalada no âmbito da educação, constituindo obstáculos ao direito à educação, à convivência familiar, ao lazer, à privacidade, ao sigilo/confidencialidade e à vida afetiva dos jovens. Por outro lado, tais episódios também expressam a ausência de programas de prevenção nas escolas visitadas e a dificuldade de abordar outras modalidades de estigma (tais como racismo e estigma da pobreza).

Familles populaires et institution scolaire: entre autonomie et hétéronomie

PID: S1517-97022010000400006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Thin
O artigo se propõe a analisar alguns problemas teóricos no estudo das relações entre famílias populares e escola, problemas que são os mesmos encontrados pela a sociologia no estudo das classes populares e suas relações com o mundo dominante e as instituições. Ele explora a possibilidade de superar a alternativa entre uma perspectiva estritamente legitimista que tende a reduzir as classes populares e suas práticas a uma relação de dominação que as aliena (heteronomia), e a perspectiva relativista que as considera dentro de uma alteridade radical (autonomia), ocultando as relações sociais de dominação. Ele insiste na ambivalência das lógicas e das práticas das famílias populares.

Formação de educadores: uma perspectiva de educação de idosos em programas de EJA

PID: S1517-97022010000200004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Marques Pachane
O objetivo deste estudo é salientar a necessidade de melhor formação docente em relação à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, mais especificamente, em relação ao idoso, um grupo marcado por múltiplas exclusões e bastante presente nas salas de aula de EJA. O estudo foi realizado a partir de revisão bibliográfica sobre Educação de Jovens e Adultos, idosos e formação docente, da reflexão sobre documentos, tais como a Constituição da República Federativa do Brasil e o Estatuto do Idoso, e da análise da experiência desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação de Campinas-SP, por meio da FUMEC (Fundação Municipal de Educação Comunitária). Após apresentar algumas perspectivas a respeito da ampliação no número de idosos na sociedade atual, dos preconceitos relacionados ao envelhecimento e da luta pelos direitos do cidadão idoso, focamos a importância do papel do educador no intuito de reverter a obscuridade a que é remetida a pessoa idosa, tanto no âmbito social quanto no educacional. Para tanto, concluímos, tornam-se necessárias rupturas, que dizem respeito à própria imagem do pedagogo e da área da educação na sociedade, notadamente vinculada à infância, no intuito de incluir temáticas relativas ao idoso e ao envelhecimento nos currículos dos cursos de pedagogia, bem como de ampliar discussões a respeito do idoso, em especial aquele oriundo de camadas populares, nas pesquisas no campo educacional.

Governança e governamentalidade: relação e relevância de dois conceitos científico-sociais proeminentes na educação comparada

PID: S1517-97022010000400003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Amos
Contrapondo-se ao retrospecto da existência de uma relação volátil entre o Estado e “seu” sistema educacional, este trabalho enfoca dois conceitos que podem ser empregados como ferramentas de análise para estudar as transformações em curso. O termo “governança” está mais relacionado a aspectos técnicos: tratam-se de instrumentos e modos, procedimentos e atores, além de suas constelações e formas de cooperação. Ele concentra a pesquisa em questões como: quem oferece serviços educacionais, qual é a relação entre ensino público e privado etc. Ele também é extremamente útil na investigação da relação entre os diversos níveis de análise e provou-se particularmente importante para a compreensão teórica adequada do papel das organizações internacionais na formulação de políticas educacionais. A sociologia e a ciência política são duas disciplinas cuja associação se mostra mais notável na elaboração do conceito sob diversas perspectivas. “Governamentalidade”, por sua vez, apesar de compartilhar muitas características com governança, é um termo foucautiano dedicado à geração de subjetividades distintas por meio de técnicas e modos de regulação e conduta em sentido lato. Assim, governamentalidade inclui investigações do nexo tipicamente foucautiano conhecimento/poder. Consideramos ambas as perspectivas em conjunto para discutir suas implicações para a educação comparada.

Hannah Arendt: pensar a crise da educação no mundo contemporâneo

PID: S1517-97022010000300012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: César Duarte
Dividido em três etapas complementares, o presente artigo discute a reflexão de Hannah Arendt sobre a crise da educação no mundo contemporâneo. Na primeira parte se estabelecem algumas conexões teóricas gerais entre as teses de Arendt a respeito da crise da educação e sua reflexão filosófico-política sobre a crise política da modernidade. Na segunda parte do texto, discute-se a hipótese arendtiana de que a crise da educação também está relacionada à introdução de abordagens educacionais de caráter psicopedagógico, as quais, em vez contribuir para educar os jovens para a responsabilidade pelo mundo e para a ação política, os mantêm numa condição infantilizada que se estende até a idade adulta, trazendo, em consequência, novos problemas políticos. Finalmente, na terceira parte do texto, propõe-se a hipótese de que uma das principais contribuições do pensamento arendtiano para pensar a crise contemporânea da educação se encontra em sua interessante discussão do binômio “crítica” e “crise”, o qual põe em questão o binômio tradicional “crise/reforma”. Arendt, assim como Foucault e Deleuze, nos ensina que crítica e crise são fenômenos modernos indissociáveis e nos convida a enxergar a crise como momento privilegiado para o exercício da atividade da crítica. Para Arendt, a crise na educação deve ser entendida como oportunidade crucial para reflexões críticas a respeito do próprio processo educativo.

Interação, afeto e construção de sentidos entre crianças na brinquedoteca

PID: S1517-97022010000100012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Oliveira Gebara
Contextos em que as crianças interagem sem uma intervenção mais intensa dos adultos, como nos momentos de atividades livres em uma brinquedoteca, revelam-se significativos para problematizar e discutir aspectos referentes ao desenvolvimento infantil. De que maneira ocorrem as interações entre as crianças nesse espaço? Que pistas elas fornecem para uma compreensão dos fatores envolvidos no percurso de construção do “eu” entre essas crianças? Qual o papel do outro/criança nesse processo? Essas são algumas questões que o presente estudo busca discutir, tomando como base as contribuições de Vigotski sobre o desenvolvimento da consciência, as de Wallon relativas ao papel do outro na consciência do eu, e as de Elias, referentes à relação entre o sentido que o sujeito constrói sobre sua vida e os sentidos que os outros atribuem a ele. A análise dos dados relativos a observações de interações entre crianças e de crianças com adultos em uma brinquedoteca e, em especial, de duas crianças, um menino com síndrome de Down que vive com sua família e uma menina que mora em um orfanato, indica que, na relação estabelecida com o outro, mais do que um sentido único, o que se destaca é uma multiplicidade de sentidos a respeito do eu e do outro, acompanhada de ressonâncias afetivas que podem ser variadas e até contraditórias.

La individuación y el trabajo de los indivíduos

PID: S1517-97022010000400007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Araujo Martuccelli
Este artículo parte por reconocer la creciente importancia del individuo para la comprensión de las sociedades en el momento actual al mismo tiempo que subrayar ciertos impasses cuando la estrategia privilegiada para ello es la socialización o la subjetivación. En este contexto, y una vez formuladas una serie de críticas a estas vías, el artículo presenta y desarrolla las maneras en que es posible desde la individuación dar cuenta por un lado, a escala del individuo, de las principales pruebas de un tipo de sociedad y, por el otro, analizar concretamente las maneras como en este marco los individuos son capaces de construirse como sujetos.

Mapas conceituais e avaliação formativa: tecendo aproximações

PID: S1517-97022010000300010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Souza Boruchovitch
Tendo a avaliação formativa como pano de fundo e a aprendizagem significativa como horizonte possível, o texto intenta evidenciar o mapa conceitual como ferramenta particularmente relevante às intenções formativas, porque favorável à regulação do ensino e à autorregulação da aprendizagem e pertinente enquanto estratégia de ensino/aprendizagem. Revisitar o referencial teórico relativo à temática favoreceu: (a) contemplar a utilidade do mapa conceitual - empreendido enquanto estratégia de ensino e/ou avaliação - sob diferentes perspectivas: a daquele que ensina/avalia e a daquele que aprende/é avaliado; (b) aquilatar o quanto se valer dos mapas conceituais é criar alternativas para a organização do conhecimento, pela promoção de experiências educativas que incitem não somente a reflexão, a busca de compreensão e o processamento profundo da informação, mas também o desenvolvimento da autorregulação, da meta cognição e do aprender a aprender; (c) repensar a importância dos meios utilizados para avaliar a aprendizagem, que não podem ser quaisquer meios, mas aqueles que favoreçam uma percepção clara das aprendizagens edificadas e daquelas ainda em curso, orientando e viabilizando ações de superação; e, (d) conferir novo sentido à tarefa de ensinar a aprender, compreendida como auxílio permanente na elaboração do saber, pelo desvelamento das razões que subjazem às dificuldades a serem superadas.

Momentos do parque em uma rotina de educação infantil: corpo, consumo, barbárie

PID: S1517-97022010000300002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Richter Vaz
O trabalho resulta de uma pesquisa de abordagem etnográfica realizada em uma creche da Rede Pública de Ensino de Florianópolis (SC). Os dados foram analisados considerando-se o “tempo didático” - recomendado pela legislação -, estruturado por uma rotina constituída por diferentes momentos: entrada, higiene, alimentação, sono, parque, atividade orientada, saída. Inspirado por tópicas da Teoria Crítica da Sociedade, o texto aborda os momentos de parque, declarados como “ocasiões privilegiadas de educação”, tanto nos discursos das professoras, quanto nas ações que distinguem esses momentos dos demais, estabelecendo uma certa contraposição entre “tempo de trabalho” e “tempo livre”. Nessa relação, além de configurarem-se como períodos de renovação das energias para as demais atividades, esses momentos acabam por escusar um acompanhamento mais atento por parte dos professores: o olhar adulto “precisará” apenas afastar as crianças de locais inconvenientes ou evitar feridas “expostas”, conformando um conjunto de práticas sociossanitárias centradas nas necessidades vitais e que contribuem na eliminação de desvios e diferenças, na garantia de pseudogratificações. A ausência de uma aproximação mais atenta também colocará as crianças entregues a uma ambígua “espontaneidade”, sujeitas à violência que acaba por produzir cicatrizes que se colocam, principalmente, sobre o corpo, fomentando uma educação que, ao invés de se contrapor à barbárie, a privilegia. Os resultados revelam ainda a presença de produtos para o consumo do lazer que informam, de antemão, a sequência de operações a reproduzir, exigindo gestos e ações automatizadas que preceituam a aridez da imaginação.

Natalidade e amor mundi: sobre a relação entre educação e política em Hannah Arendt

PID: S1517-97022010000300011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Correia
Pretende-se examinar, no presente artigo, as articulações entre o ensaio “A crise na educação”, de Hannah Arendt, e temas centrais de seu pensamento político, como a natalidade, a condição de estrangeiro no mundo, o amor ao mundo (amor mundi), a ação política e a crise na era moderna. O objetivo central consiste em explicitar o quanto esse ensaio de ocasião se integra harmonicamente no âmbito do pensamento político da autora, por um lado, e ressaltar o vigor clássico de sua análise, por outro. Para ela, a essência da educação é a natalidade, ou seja, o fato de que constantemente chegam ao mundo novos indivíduos como estrangeiros, a quem deve ser feito o convite para que se sintam em casa. Esses estrangeiros em um mundo em constante mudança são capazes de iniciar novos eventos, sem os quais a conservação do próprio mundo estaria em questão. A educação dos jovens tem de lidar com o paradoxo de familiarizar os novos com o mundo velho que os precede, sem ao mesmo tempo acomodá-los inteiramente a ponto de a novidade de sua aparição ser sufocada, o que poria em risco a conservação mesma do mundo, demandante de permanente zelo e renovação. Não obstante a dificuldade da mediação, Arendt julga que a educação deve ser, antes de tudo, orientada pela responsabilidade pelo mundo, que se traduz tanto na sua apresentação aos novos quanto na conservação da novidade nestes.

Notas sobre o problema da explicação e da experiência no ensino da Filosofia

PID: S1517-97022010000200007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Gelamo
Apesar do esforço dos defensores do ensino da Filosofia para que essa disciplina volte a fazer parte do Ensino Médio, observamos, atualmente, seu abandono nos cursos universitários. Notamos que hoje, na sociedade normalizada e no espaço educacional, não é mais valorizado o desenvolvimento integral do pensamento, mas a transmissão de uma série de conteúdos que, supostamente, dão condições para a integração do estudante no quadro do progresso tecnológico e proporcionam sua entrada no mercado de trabalho. Circunscrevendo-se nesse contexto, neste texto pretende-se investigar o espaço em que o ensino da Filosofia se desenvolve na atualidade. Delineando os contornos de um problema que emerge nos espaços institucionais universitários onde o ensino da Filosofia ainda persiste, procurou-se evidenciar em que bases a Filosofia é ensinada. Procurou-se, ainda, compreender quais consequências os modos de compreender o ensino da Filosofia trazem para o aprendizado do filosofar. Uma consideração a que se pode chegar, a partir deste estudo, é a de que o ensino da Filosofia além de não privilegiar, e muitas vezes negar a experiência de pensamento que o aluno pode fazer e ter com o texto filosófico, contribui para o empobrecimento dessa mesma experiência do e com o filosofar.

O ensino e a aprendizagem da leitura nos primeiros anos da escolaridade em Timor-Leste

PID: S1517-97022010000200005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Bassarewan Silvestre
Timor-Leste é um novo país do terceiro milênio. Enquanto nação com uma sociedade de tradição oral, e, em sua maioria, ágrafa, enfrenta muitos desafios nesta era de globalização. Tendo em consideração a importância da leitura para a vida do ser humano, o ensino e a aprendizagem da leitura das crianças timorenses devem ser trabalhados desde os primeiros anos de escolaridade, levando em conta a realidade linguística e sociocultural do país. Com um estudo de caso na Escola Pública n° 1 Nularan, em Díli, Timor-Leste, sobre o ensino e a aprendizagem da leitura, nos primeiros três anos de escolaridade, pôde-se verificar que tanto as orientações do programa curricular como os livros de referência aplicados pela escola no trabalho com os alunos não promovem o desenvolvimento da leitura reflexiva nem estimulam situações em que a criança possa expor suas ideias ou comunicar-se tendo o texto para uma discussão coletiva. Dessa forma, sugere-se o acompanhamento e a avaliação constantes do processo de ensino e aprendizagem da leitura nas escolas primárias e do investimento tanto na formação dos recursos humanos quanto na melhoria de materiais didáticos e na infraestrutura das escolas. É de notar que não basta constar na Constituição e nas leis; o importante é a ação das entidades competentes na concretização do ensino de qualidade ao timorense como sujeito ativo nas invenções e nos saberes para que tenha acesso a uma vida melhor para si e para a comunidade da qual faz parte.

O professor de filosofia: limites e possibilidades, dinâmica e problematização do ensino-aprendizagem

PID: S1517-97022010000100009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Pimentel Monteiro
A temática do presente texto versa sobre limites e possibilidades do professor de filosofia na relação ensino-aprendizagem desenvolvida nas salas de aula. Localizando os elementos fundamentais ao processo pedagógico - tais como o ensino, o papel do professor, a experiência filosófica e o sentido pedagógico de reaprender o aprendido -, o contexto pedagógico é pensado nos seus agentes e no objetivo a ser alcançado: o conhecimento que permite a integração de saberes. Recorrendo à contribuição do pensamento de Hannah Arendt no que corresponde ao esclarecimento de uma das várias questões da crise da educação, que segundo a autora é a quebra da autoridade do professor, faz-se o resgate do papel fundamental do docente no jogo ensino-aprendizagem. Tal resgate torna-se possível quando a prática docente é repensada nos termos próprios de sua fundamentação e perspectiva mais abrangente: a formação humana. Ao longo do texto, as propostas pedagógicas de pensadores da educação para o ensino de filosofia em turmas de ensino médio contribuem para a compreensão das perspectivas lançadas na abordagem do tema. Elementos como aprendizagem, conteúdo, ensino, processo educativo são retomados de modo que favoreçam a apreensão do sentido verdadeiramente filosófico da disciplina filosofia. Imprescindível para tal acontecimento é a experiência, que não se caracteriza empiricamente, mas no modo pela qual busca contribuir para o desenvolvimento do modo de conceber e desenvolver a docência de filosofia, da mesma forma que tem por intenção permitir o florescimento de novas formas de aprendizagem como proporcionadora de uma verdadeira experiência filosófica.

O sentido da educação democrática: revisitando o conceito de experiência educativa em John Dewey

PID: S1517-97022010000200012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Branco
A compreensão da atualidade da proposta pedagógica de John Dewey requer uma análise cuidadosa do conceito de experiência educativa desenvolvido por esse autor. Efetivamente, a sua filosofia educativa está alicerçada numa teoria da experiência na medida em que se assenta numa conexão entre a experiência pessoal e a aprendizagem, tendo em vista o alargamento progressivo da primeira. Neste artigo, e com recurso a algumas das principais obras pedagógicas do autor, procedemos à caracterização do conceito de experiência educativa, começando por distingui-lo do conceito de experiência pura e simples. As dimensões fundamentais de qualquer experiência são a continuidade e a interação, distinguindo-se a experiência educativa pela qualidade dessas dimensões no sentido de proporcionar o desenvolvimento do sujeito, isto é, o crescimento e ampliação da sua experiência anterior. A partir da elucidação desse conceito, procuraremos de seguida compreender o impacto que essa concepção possui na organização de um ensino indireto, baseado numa busca cooperativa, e nas concepções de currículo e do papel do professor e do aluno. É ainda tendo em conta a centralidade do conceito de experiência educativa que elucidaremos o nexo profundo existente entre educação progressiva e educação democrática, cuja chave é a realidade social da inteligência potenciada em ambientes democráticos, além do nexo entre educação e democracia.

Operando com conceitos: com e para além de Bourdieu

PID: S1517-97022010000100003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Brandão
O objetivo principal do artigo é destacar a importância de operar com conceitos, aceitando os desafios postos pela realidade empírica. Para isso, foi tomado como referência o material empírico produzido pelas pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisas em Sociologia da Educação - SOCED/PUC-Rio. Bourdieu, em várias ocasiões, questionou a leitura meramente teórica de seus conceitos. “Pôr em jogo as coisas teóricas” foi a recomendação do autor em várias ocasiões. Neste texto, buscamos exemplificar os desdobramentos da experiência de operar com os conceitos desse pesquisador, focalizando dois aspectos principais: as condições de transformação do habitus; e os contornos empíricos do capital cultural entre elites escolares estudadas em instituições de prestígio do Rio de Janeiro. No caso do estudo do capital cultural, ficou evidente a proposta dele de trabalhar “com e contra os autores”. Em que pese o valor da obra desse autor da Sociologia da Educação, o delineamento empírico do capital cultural, em sua vasta obra, é credor da realidade francesa nas décadas em que desenvolveu suas pesquisas. Para operar com o conceito de capital cultural de forma adequada aos desafios empíricos que enfrentamos, recorremos a autores que tematizaram as transformações no campo cultural para além da perspectiva das fronteiras entre a alta cultura e cultura popular analisadas por Bourdieu.

Oralidade, alfabetização e leitura: enfrentando diferenças e complexidades na escola pública

PID: S1517-97022010000300003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Belintane
Apresenta-se o relato de uma pesquisa, na área de ensino da leitura e da escrita, realizada em duas séries de primeiros anos do ensino fundamental, em uma escola pública da cidade de São Paulo. A partir de diagnósticos baseados na cultura oral de alunos que apresentavam dificuldades de aprendizagem de leitura mesmo após três ou quatro anos de escolarização, procurou-se criar, ministrar e monitorar um programa de ensino baseado na transição entre cultura oral e cultura escrita. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, cuja preocupação é lidar com a heterogeneidade da sala de aula em seu processo e em sua complexidade. O viés teórico é multidisciplinar, incluindo áreas de pesquisas sujeitas às influências da linguística, da psicanálise e da educação e, ainda, dos estudos de pesquisadores da área que se convencionou chamar "equação oralidade-escrita" (Havelock,1995). Os resultados trazem dados, relatos de intervenções e reflexões que podem subsidiar programas de ensino para a faixa etária estudada e questiona ainda o foco excessivo que as metodologias construtivistas põem sobre o ato de escrever ou sobre a própria escrita. Propõe uma nova perspectiva de enlaçamento entre a cultura oral dos alunos e letramento escolar, assumindo uma ambiência de oralidade, alfabetização e leitura que inclui o suporte eletrônico e uma organização mais coletiva do trabalho escolar nas séries iniciais, sobretudo na articulação ("dobradiça") entre o ensino infantil e o fundamental.

Participação escolar: representações dos alunos do 3º ciclo de Aveiro (Portugal)

PID: S1517-97022010000300007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Pedro Pereira
Este artigo propõe uma reflexão sobre a relação intrínseca entre democracia e educação, particularmente na vertente relacionada com a participação dos discentes nas decisões da escola. Neste sentido e, no quadro do regime de autonomia das escolas portuguesas, importa identificar os espaços formais e informais que são proporcionados aos jovens na tomada de decisões da vida organizativa da escola para compreendermos o papel desta na promoção e capacitação dos jovens para o exercício de uma cidadania ativa. O modo de vida democrático constrói-se através de oportunidades de aprendizagem acerca do mesmo, nomeadamente pela vivência de experiências participativas no contexto escolar. Em 2009, realizámos um estudo, no âmbito da dissertação de uma dissertação de mestrado em Ciências da Educação da Universidade de Aveiro, Portugal, em duas escolas públicas do ensino básico, do Concelho de Aveiro, abrangendo uma população composta por 240 alunos do 8º e 9º ano de escolaridade e 14 delegados de turma. Os resultados mostram que os alunos possuem uma débil participação formal e informal, apesar de o Decreto-lei n. 115-A/98 prever a possibilidade de cada escola, no âmbito da sua autonomia, poder promover e criar espaços de efetiva participação dos alunos. A análise dos instrumentos de autonomia das escolas estudadas revela que a participação dos alunos é assumida, ainda, como um ideal e não já como um efetivo projeto de concretização. Concluímos, pois, que as escolas ainda mantêm uma centralização das decisões nos professores, verificando-se, por parte dos alunos, uma participação formal, passiva e ritualizada.
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