☰ Menu
Educ@

Busca por Índice

Filtro por título, resumo, autor, periódico e ano

Total: 1582 | Página 67 de 80
0 resultados selecionados

Pedagogias queer e libertária para educação em cultura visual

PID: S1517-97022010000300006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Rodrigues
Cada vez mais, a escola distancia suas prioridades da formação integral do indivíduo e concentra seus esforços numa preparação econômica dos jovens. Novos modos de ensinar ou a retomada de pedagogias esquecidas podem relembrar os significados primordiais da educação. Na perspectiva de novas maneiras de pensar a educação, encontra-se a pedagogia queer, maneira de educar inspirada na teoria homônima, que analisa e vive a sexualidade e/ou o gênero fluído, não binário. A pedagogia queer não ignora a diversidade das manifestações sexuais, fugindo da maneira binária de entender o gênero e a cultura; é uma educação que traz as diferenças para dentro do cotidiano da sala de aula. Por sua vez, a pedagogia libertária encontra inspiração teórica nos pensamentos e práticas anarquistas de diversos autores, sendo a vertente socialista libertária a mais citada pelos educadores. Os princípios norteadores da pedagogia anarquista são: liberdade, autonomia, criatividade e solidariedade - ademais, a educação integral, que propõe um aprendizado que abarque todos os aspectos do ser humano (intelectual, social, emotivo e motor) e em que os interesses e a individualidade dos estudantes sejam valorizados. Nessa pedagogia, a liberdade é sinônimo de harmonia social. No âmbito da educação em cultura visual, conceito que amplifica o conteúdo geralmente abordado na arte/educação com manifestações culturais contemporâneas e do cotidiano, as novas formas de ensinar possibilitam ao estudante uma maneira menos predeterminada de entender o mundo e a si mesmo.

Política pública educacional e sua dimensão internacional: abordagens teóricas

PID: S1517-97022010000400004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Amaral
A dimensão internacional das políticas públicas de educação tem sido bastante discutida nos últimos anos. Este artigo argumenta que as atividades dos agentes internacionais no domínio das políticas da educação não podem ser compreendidas inteira e exclusivamente a partir da perspectiva nacional e, por isso, devem ser estudadas em um nível distinto de análise. Questionando como melhor conceituar teoricamente esse campo de estudo, o artigo apresenta três abordagens teóricas: neoinstitucionalismo/ isomorfia, externalização e teoria do regime internacional. O foco dessa contribuição está centrado na análise da política internacional da educação a partir do último conceito indicado.

Rir das solenidades da origem: ou o inesperado da pesquisa em educação

PID: S1517-97022010000200009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Favacho
Este artigo relata questões teórico-metodológicas de uma pesquisa de doutorado que aplicou a abordagem foucaultiana às Cartas Jesuíticas do século XVI. Essa pesquisa recupera noções importantes da obra de Michel Foucault como, por exemplo, genealogia, poder, saber, proveniência e emergência não como uma simples revisão de literatura, mas como uma forma de problematização do objeto que se almejou pesquisar. Com isso, fizemos de Foucault o mesmo que ele diz ter feito de Nietzsche: uma caixa de ferramentas para ajudar a pensar um problema que o próprio filósofo não havia pensado. Dessa maneira, este artigo procura mostrar como o autor da tese pensou uma história da educação do tipo genealógica, a partir da seguinte interrogação: com qual pedagogia se educava o aprendiz no Ocidente antes da "descoberta" do Brasil e como tal pedagogia pôde ser aplicada, negada e atualizada na colônia brasileira, no confronto entre jesuítas, europeus e índios? Explicita-se a noção de recolhimento do filho do outro - procedimento utilizado pelos jesuítas para recrutar e educar os filhos dos gentios da América portuguesa no século XVI. Metodologicamente, mostram-se as regularidades discursivas/enunciativas das cartas jesuíticas (principalmente os relatos do Padre Manuel da Nóbrega), o que significou tomá-las como algo que cruza, um domínio de estruturas e de unidades possíveis e que faz com que apareçam como conteúdos concretos no tempo e no espaço. Ou seja, verificou-se como, em tais cartas, se impunha nas práticas educativas do século XVI certo procedimento acerca do ato de ensinar.

Texto e dialogismo no estudo da memória coletiva

PID: S1517-97022010000400010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Wertsch
As ideias bakhtinianas sobre texto e dialogismo oferecem ferramentas importantes para trazer ordem ao caótico e fragmentado campo dos estudos da memória coletiva. Embora a definição de memória coletiva neste momento ainda esteja por ser resolvida, é possível obter alguma compreensão do espectro de opções, situando-se as discussões em termos do contraste entre versões fortes e distribuídas da memória coletiva. Tendo por base a noção de mediação semiótica e as afirmações a ela relacionadas sobre uma versão distribuída da memória coletiva, invoca-se a noção bakhtiniana de texto dialogicamente organizado. O fato de que o 'sistema da linguagem' concebido por Bakhtin inclui as orientações dialógicas do diálogo coletivo, generalizado assim como os elementos gramaticais padrão, significa que ele introduz um elemento essencial de dinamismo na memória coletiva.

Transversalidades no estudo sobre jovens no Brasil: educação, ação coletiva e cultura

PID: S1517-97022010000400008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Sposito
O artigo examina as possibilidades de análise das ações coletivas de jovens, particularmente aquelas que derivam de práticas culturais, no interior de uma perspectiva que procura resgatar orientações do pensamento sociológico brasileiro que recusa uma segmentação estanque dos campos de estudo. A partir de balanço realizado da produção discente na Pós-Graduação nas Ciências Sociais, Educação e Serviço Social, é possível delinear novos desafios para a pesquisa sobre jovens e suas práticas coletivas. Um conjunto de estudos realizados a partir de meados dos anos 1990 oferece um quadro importante das manifestações derivadas dos denominados grupos de estilos e culturas juvenis, sobretudo no campo da música. Darks, punks, rappers foram os principais estilos investigados e, em menor escala, a cultura funk. A compreensão adensada das presenças diversificadas dos jovens nos espaços públicos em seus coletivos remete a uma necessária trans-versalidade que demanda não desconsiderar na análise outras dimensões da experiência juvenil. As transformações decorrentes da intensa expansão dos sistemas de ensino nas últimas décadas no Brasil, as novas configurações do mundo do trabalho e as significativas formas de apropriação do espaço urbano que articula novas formas de sociabilidade são aspectos importantes a serem considerados nas análises das denominadas culturas juvenis e suas formas de ação coletiva.

Um caminho para atender às diferenças na escola

PID: S1517-97022010000100011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Monteiro Smole
Em 1999, o Conselho de Educação Judaica do Rio de Janeiro implantou o Programa de Inovação Educativa (PIE) nas Escolas Israelitas do Rio de Janeiro para atender às novas tendências da educação brasileira. O presente trabalho tem como objetivo analisar as modificações ocorridas no ambiente escolar a partir da implantação e implementação do PIE em uma escola judaica do Rio de Janeiro. Esse programa apresenta como ideia central trabalhar os conceitos de aprendizagem ativa e de inteligências múltiplas na concepção de Piaget, Dewey e Gardner. Para analisarmos o PIE, utilizamos uma abordagem de natureza qualitativa com os participantes da pesquisa por meio de entrevistas semiestruturadas e observação das salas de aula do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Baseando-se no referencial teórico, foi feita a análise dos dados. Os resultados desse estudo indicaram que, a partir do programa, os profissionais envolvidos ficaram mais motivados a buscar informações e a renovar os seus conhecimentos para atenderem às diferenças entre os alunos, utilizando estratégias diversificadas, o que possibilita um trabalho mais dinâmico que facilita o desenvolvimento da autonomia nos estudantes. Como dificuldades relatadas para o desenvolvimento do PIE, foram citadas a grade de horários que precisa ser revista e o fato de as professoras terem que cumprir um currículo extenso. A escola ainda está em processo de adaptação a esse programa inovador, por isso é muito importante que os profissionais envolvidos constantemente reavaliem o desenvolvimento do programa, buscando modificações ou alternativas à medida que encontram dificuldades.

Venezuela e ALBA: regionalismo contra-hegemônico e ensino superior para todos

PID: S1517-97022010000200013 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Muhr
Partindo de um quadro teórico neo-gramsciano crítico à globalização, este artigo aplica a nova teoria do regionalismo (NTR) e a teoria do regionalismo regulatório (TRR) à sua análise e teorização dos tratados de comércio da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA-TCP) como regionalismo contra-hegemônico na América Latina e Caribe (ALC). A ALBA está centrada na ideia de um Socialismo do Século XXI, que, como (inicialmente) também a Revolução Bolivariana da Venezuela, substitui a 'vantagem competitiva' pela 'vantagem cooperativa'. Em seu caráter de conjunto de processos multidimensionais e transnacionais a ALBA-TCP opera dentro de/transversalmente a um número de setores e escalas, ao mesmo passo que as transformações estruturais são movidas pela interação de agentes do Estado e agentes não estatais. A política de Educação Superior para Todos (ESPT) do governo venezuelano rejeita a agenda neoliberal globalizada de mercadorização, privatização e elitismo e reinvindica educação pública gratuita em todos os níveis como um direito humano fundamental. A ESPT está sendo regionalizado em um espaço educacional emergente da ALBA e assume um papel-chave nos processos de democracia direta e participatória, dos quais a construção popular (bottom-up) da contra-hegemonia e a redefinição política e econômica da ALC dependem. Antes de produzir sujeitos empreendedores conformes ao capitalismo global, a ESPT procura formar subjetividades ao longo de valores morais de solidariedade e cooperação. Isso será ilustrado com referência a um estudo etnográfico de caso da Universidade Bolivariana da Venezuela (UBV).

Violência em meio escolar: fatos e representações na produção da realidade

PID: S1517-97022010000100010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2010
Autores: Ruotti
Este artigo tem como objetivo central investigar as conexões e os distanciamentos entre a violência em meio escolar e a violência nos bairros de onde provém sua clientela. Procuraram-se identificar fatos que caracterizam a realidade escolar como também as representações sobre a violência. O estudo teve uma abordagem qualitativa, no qual foi utilizada a metodologia de estudo de caso. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas e observações das relações escolares. A escolha da escola esteve pautada em critérios socioeconômicos da população residente, na condição de violência no entorno e na situação de violência da própria escola. Os resultados obtidos indicam tanto a existência de manifestações de violência, próprias da realidade externa penetrando o interior das escolas, quanto o modo como essas representações interferem na conduta dos profissionais e agentes da educação. Essas representações têm por referência dois momentos. O primeiro em que relatos de acentuada violência estimulam sentimentos de medo e insegurança entre os atores da escola, impedindo ou dificultando a ação educativa. Um segundo momento, datado a partir da chegada de nova direção, no qual são percebidas tentativas de reversão desse quadro mediante adoção de disciplina rígida. Os efeitos dessa mudança revelam, por um lado, percepções quanto à redução da violência associada à realidade externa, em especial à presença do tráfico de drogas nas dependências da escola; por outro, evidenciam a produção de uma violência institucional, que exclui aqueles resistentes à nova ordem.

A agenda do legislativo federal para as políticas curriculares no Brasil (1995-2007)

PID: S1517-97022009000300009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Oliveira
Considerando a organização do Congresso Nacional instituída a partir da Constituição Federal de 1988, este trabalho tem o objetivo de investigar o papel do Poder Legislativo na formulação das políticas curriculares no Brasil, destacando e discutindo a agenda proposta no âmbito desse Poder para as matérias sobre esse tema. Para consecução desse objetivo, foram identificadas todas as proposições sobre educação apresentadas e concluídas no processo legislativo durante as 50ª, 51ª e 52ª legislaturas (1995-2007), analisando-se, entre estas, aquelas que tomam como objeto o currículo escolar. Dessa maneira, o trabalho analisa o processo legislativo de 29 proposições sobre currículo escolar, 3 das quais transformadas em norma jurídica. Conclui-se que o Poder Legislativo apresenta um fraco poder de agenda em relação às políticas curriculares, limitando suas propostas à criação ou à modificação de disciplinas escolares. Na concepção de política curricular expressa por meio das proposições apresentadas, é como se o currículo escolar se instituísse de fora para dentro das escolas, pelo somatório desarticulado de disciplinas pretensamente importantes para a minimização das mazelas sociais. Não são preocupações de tais projetos os objetivos precípuos da instituição escolar, mas as próprias problemáticas sociais que os inspiraram. Desconsideram o contexto da prática, revelando procedimentos para os quais o texto da política curricular parece fazer sentido em si mesmo, fora dos processos de recontextualização e hibridismo fundamentais para o entendimento das políticas curriculares como políticas culturais.

A sala de aula como campo de pesquisa: aproximações e a utilização de equipamentos digitais

PID: S1517-97022009000100008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Cardoso Penin
Este artigo apresenta considerações de ordem metodológica sobre pesquisas de observação de sala de aula realizadas na cidade de São Paulo, em 2002 e 2005, e em duas cidades francesas, no ano letivo 2006-2007. Com base na metodologia utilizada nessas pesquisas e no diálogo com a bibliografia sobre pesquisas de campo, inclusive de outras áreas, os autores analisam as dificuldades enfrentadas nesse contexto e propõem a utilização de equipamentos digitais em campo como contribuição ao rigor e à validade desse tipo de pesquisa. Na primeira parte do artigo, são discutidos problemas fundamentais da pesquisa de observação de sala de aula, como o estranhamento do familiar, a conquista da " solidariedade" e da " camaradagem" dos atores de campo e o estabelecimento de certa diferença entre observação e interpretação. Na segunda parte, são apresentados equipamentos digitais utilizados nas pesquisas citadas que não apenas agilizam ou facilitam o ofício do pesquisador. O uso desses equipamentos, orientado por uma metodologia que lhes dê sentido, pode auxiliar os pesquisadores de sala de aula a ampliar significativamente o rigor e a validade de seu trabalho ao multiplicar as possibilidades de criação de tipos de fonte de dados. Nessa parte do artigo, é discutido o uso de palmtops, gravadores de áudio e câmeras fotográficas digitais, smartphones, microcâmeras sem fio, notebooks e editores de áudio e vídeo em pesquisas de observação de sala de aula.

Análise do processo de exame de grau na pós-graduação stricto sensu

PID: S1517-97022009000100003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Pezzi Steil
O artigo tem por objetivo contribuir para o aprofundamento das discussões acerca da qualidade da pós-graduação stricto sensu no âmbito nacional, a partir de um de seus elementos constituintes: o exame de grau. O exame de grau é discutido de forma teórica, por meio da análise sistematizada de pesquisas nacionais e internacionais relacionadas com o tema. Primeiramente, são discutidos os propósitos de mestrados e doutorados, analisados os objetivos dos exames de grau, investigados os procedimentos e os critérios adotados na avaliação dos exames de grau, apontando seus pontos de vulnerabilidade. A seguir, sistematizam-se e analisam-se as variáveis relacionadas à subjetividade dos elementos decisórios de cada examinador e as influências externas às quais a banca está envolta. Em sua conclusão, ressalta-se o alto nível de heterogeneidade associado ao conhecimento e à percepção dos padrões esperados para a formação de um mestre e um doutor, que influencia sistemicamente no processo de exame de grau. Por fim, os temas sugeridos para a continuação da pesquisa visam buscar maior consistência nos procedimentos de avaliação dos exames de grau e uma avaliação mais equitativa do pós-graduando, contribuindo para a qualidade da pós-graduação stricto sensu.

Avaliação e qualidade no ensino superior: os impactos do período 1995-2002

PID: S1517-97022009000300011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Real
O objetivo deste trabalho consiste em apreender os impactos que a política de avaliação da Educação Superior adotada no período de 1995 a 2002 proporcionou à construção da concepção de qualidade nas instituições de Ensino Superior de forma a compreender a sua lógica intrínseca. Adotou-se como procedimento metodológico a análise documental, a partir dos resultados da sistemática de avaliação desenvolvida pelo Ministério da Educação - MEC - para os cursos de graduação, no período em tela, que considerou os seguintes instrumentos de avaliação: o Exame Nacional de Cursos; as avaliações desenvolvidas por pares para fins de autorização e reconhecimento de cursos; e as informações estatísticas. Para a análise dos relatórios das comissões de avaliação, procedeu-se a um recorte geográfico, considerando as avaliações processadas no estado de Mato Grosso do Sul. Como resultados, observou-se que a avaliação, a partir de 1995, passa a ser utilizada como um mecanismo de expansão de cursos e instituições, a partir da configuração de concepções distintas de qualidade, estabelecidas de acordo com a organização administrativa das instituições de Ensino Superior, o que conformou a diversificação existente constituída por universidade, centro universitário e faculdade. Apesar do impacto positivo da avaliação, observado no contexto institucional, as evidências encontradas permitem apontar para um esgotamento do poder indutor da avaliação na melhoria da qualidade do ensino, na medida em que as instituições vêm procurando atender aos padrões de qualidade estabelecidos pelo MEC em seus aspectos formais sem, contudo, alterar a essência da qualidade do ensino que oferecem.

Conhecimento técnico e atitude no ensino de língua portuguesa

PID: S1517-97022009000300006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Fairchild
Contra a ideia de que os conhecimentos técnicos do professor de língua materna sirvam prioritariamente ao conteúdo de seu ensino ou ao planejamento de suas aulas, neste artigo, discute-se o preceito de que tal conhecimento seja assumido também como base para a elaboração de uma atitude a ser mantida nas interações face a face da sala de aula. Essa atitude diz respeito à constante necessidade de tomar decisões diante do inesperado e aponta para a construção de um lugar discursivo específico do professor de língua - o de quem escuta a palavra do aluno e a enlaça à sua, de maneira a garantir que a assunção de um lugar de sujeito passe por uma reflexão sobre os meios linguísticos disponíveis para tanto. Toma-se como exemplo para esse debate a interpretação inusitada que alguns alunos fazem da palavra "rataria", presente num texto de Monteiro Lobato. Discutem-se certas atitudes que poderiam ser tomadas em relação a esse erro de leitura e suas implicações: requisitar a modificação da resposta, modificar o material didático, explicitar o trabalho linguístico subjacente ao erro ou utilizar o erro como pretexto para outras atividades. Os encaminhamentos discutidos fundamentam-se na premissa de que erros e outras manifestações imprevistas não apenas revelam procedimentos de construção do conhecimento, mas também oferecem oportunidades importantes para que o professor se faça incluir na palavra do aluno, sendo, portanto, um aspecto fundamental na construção de uma relação em que o ensino se torne possível.

Contribuições para a construção de uma matriz para avaliação de projetos de educação ambiental

PID: S1517-97022009000200012 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Guanabara Gama Eigenheer
Hoje em dia, presenciamos uma grande proliferação de projetos de educação ambiental, mas não se observa esse mesmo desenvolvimento em relação aos métodos para avaliação destes. O presente artigo teve por objetivo colaborar com a construção de uma matriz para avaliação de tais projetos. Foram utilizados, como exemplo de avaliação, dois projetos desenvolvidos no município de Petrópolis (RJ), que apresentam os resíduos sólidos como tema central. A matriz analisou a adequação dos projetos Araras sem lixo e Petrópolis recicla com as principais políticas públicas que regem a região e o tema escolhido. Foram elaboradas 13 questões para avaliar se os projetos estavam ou não de acordo com os propostos pelas políticas públicas escolhidas. No total, cada projeto poderia pontuar um máximo de 39 e um mínimo de 13 pontos, podendo ser avaliados como: (i) não de acordo com as políticas públicas analisadas (pontuação entre 13-21); (ii) parcialmente de acordo (entre 22 e 30 pontos); e (iii) de acordo (entre 31-39 pontos). Segundo a avaliação, o projeto Araras sem lixo tem seus princípios e objetivos parcialmente de acordo com aqueles propostos pelas políticas públicas analisadas. Já o projeto Petrópolis recicla mostrou-se inadequado aos propostos por essas políticas públicas. A matriz de avaliação mostrou ser um instrumento adequado para avaliação e posterior comparação de projetos de educação ambiental, podendo ser adaptada aos mais diferentes temas e realidades.

Crianças com câncer e o atendimento educacional nos ambientes hospitalar e escolar

PID: S1517-97022009000300007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Rolim Góes
Este trabalho aborda o atendimento educacional oferecido a crianças com câncer, que precisam afastar-se da escola por períodos longos ou recorrentes em razão do tratamento. O sistema escolar não tem respondido às necessidades desses alunos e são ainda escassas as iniciativas de classe hospitalar e atendimento domiciliar. Para discutir o problema, apresentamos uma pesquisa referenciada na abordagem histórico-cultural e realizada no âmbito de um programa educacional num hospital de câncer infantil. O objetivo foi analisar a significação que as crianças atribuíam ao aprender e sua receptividade a experiências de aprendizagem. Durante o programa, elas mostravam um claro desejo de participar das atividades, mas manifestavam uma grande insatisfação com o retorno à escola. Além de se confrontarem com preconceitos pela doença, não recebiam apoio para alcançar o ritmo da classe e geralmente cumpriam as lições mediante meras cópias. As avaliações eram feitas sem exigências e a promoção, facilitada. Assim, o direito a aprender era tornado um direito a não aprender. Essa mescla de despreparo e condescendência da escola leva ao desperdício do potencial e da vitalidade das crianças e produz uma dor adicional, um senso de inferioridade. Há divergências nessa área quanto à atenção a ser dada às atividades instrucionais, já que é essencial minimizar o sofrimento da criança. Os presentes dados indicam que o conhecimento escolar não deve ser secundarizado, pois ele preserva vínculos com esferas da cultura e, sobretudo, constitui uma fonte de vontade de viver pelo seu valor de futuro projetado.

Cultura escolar e práticas sociais: episódios cotidianos da vida escolar e a transição para a adolescência

PID: S1517-97022009000200010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Campolina Oliveira
É posição corrente que a cultura tem papel central no desenvolvimento psicológico do ser humano. Considerando-se o caráter plural dos contextos socioinstitucionais que participam da configuração de um contexto cultural particular, torna-se fundamental investigar como a cultura escolar participa do desenvolvimento humano, como ela influi nos processos de mudança e demarca trajetórias típicas. O presente estudo investiga a escola como contexto cultural e analisa interações espontâneas ocorridas entre alunos de 5ª e 6ª séries durante o período de recreio, a fim de compreender como a escola contribui para circunscrever um processo de desenvolvimento particular: a transição da infância à adolescência. O método adotado no estudo envolveu seções de observação de atividades cotidianas em sala de aula e no pátio de uma escola pública de Ensino Fundamental localizada na capital do Brasil. Toma-se como material de análise um episódio ocorrido durante o recreio escolar e que envolvia uma brincadeira, em grupo, de faz de conta. A análise do episódio revela a transgressão simbólica de normas escolares e as representações construídas coletivamente sobre a adolescência como seus temas centrais. As análises apontam ainda duas linhas de reflexão sobre o significado da transição para a adolescência na escola: (1) o papel das normas escolares na regulação moral do corpo e da conduta dos alunos; e (2) o papel do jogo e da experiência adolescente na transformação da ordem disciplinar imposta pelo funcionamento das escolas.

Do método do caso ao case: a trajetória de uma ferramenta pedagógica

PID: S1517-97022009000100009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Menezes
O presente trabalho procura distinguir os conceitos acerca do método de estudo de casos e o método do caso dentro das Ciências Sociais e suas aplicabilidades, assim como diferenciar o modo empírico/indutivo e o teórico/dedutivo de pensar, sendo apresentado no trabalho como característicos de americanos e alemães respectivamente, fatores que diferenciam o ensino nos dois países. Para tanto, realiza uma descrição sobre o momento do surgimento do método do caso na escola de Direito em Harvard, destacando a conjuntura social, econômica e cultural que possibilitaram a criação desse instrumento pedagógico e, concomitantemente, apresenta o estudo de caso que, como proposto por Yin, cuja obra referenciou o trabalho em questão, se configura em um dos mais utilizados métodos nos estudos científicos, rompendo com o credo de que é um método fácil de ser aplicado, antes, exige do pesquisador dedicação e rigor científico, além de uma elaboração do problema de maneira a não torná-lo óbvio, um simples relato de experiência. Já o método de casos, criado por Christopher Columbus Langdell, não busca a pesquisa empírica como resposta a um determinado problema, antes, é uma ferramenta pedagógica utilizada na formação de advogados, juristas e administradores de empresas em que a teoria é um subsídio à análise de jurisprudências e experiências em administração, não apenas o objetivo puro e simples da academia.

Educador social: uma identidade a caminho da profissionalização?

PID: S1517-97022009000300005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Silva
O objetivo deste artigo é apresentar uma síntese da pesquisa de mestrado A construção de identidade do educador social na sua prática cotidiana: a pluralidade de um sujeito singular, na qual se buscou conhecer características da identidade que o educador social, de nível universitário, da cidade de São Paulo, vem construindo na sua prática cotidiana. A metodologia desenvolvida para este estudo constou de um instrumento elaborado pelo pesquisador e preenchido, entre início de março e final de setembro de 2006, por quinze educadores sociais de áreas de formação diversas: Psicologia, Serviço Social e Pedagogia. Verificou-se, dessa maneira, o perfil socioeconômico e cultural desses educadores, complementando com aspectos qualitativos de sua prática cotidiana relatada mediante questões semidirigidas e duas cartas propiciadoras de livre expressão. Para a análise, contou-se com a Psicologia Histórico-Cultural e o diálogo com autores da Sociologia, Pedagogia e Serviço Social. Os resultados analisados apontaram a desvalorização, a impotência e a resignação como características marcantes dessa identidade em construção. A precariedade para o desenvolvimento do trabalho e a descontinuidade (principalmente dos Programas de Assistência Social) sustentam a queixa instaurada no discurso desses sujeitos. Constatou-se também certo apelo à necessidade de aprimoramento da formação (especialização, qualificação etc.), o que nos levou a pensar na profissionalização desse educador. Apontou-se, então, a universidade como campo dinâmico de reflexão, discussão, acolhimento e construção de saberes específicos e facilitadores de ressignificação do trabalho desenvolvido. Isso destituiria, assim pensamos, o caráter “missionário” dessa prática como um dos álibis da desesperança.

Educar sem reprovar: desafio de uma escola para todos

PID: S1517-97022009000300010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Jacomini
Neste artigo, discute-se a realização do direito à educação e a forma de organização do ensino na perspectiva de democratizá-la. Tem-se como pressuposto que os ciclos e a progressão continuada podem ser uma forma de organização do ensino que favorece a construção de um processo educacional capaz de incluir e oferecer condições de aprendizagem a todos. No entanto, para que o ensino organizado em ciclos e a progressão continuada contribuam para o atendimento das demandas de uma escola universal, faz-se necessário que, juntamente com a ruptura de uma prática educacional seriada, fragmentada e permeada pela reprovação anual, discuta-se um conceito de educação que leve em consideração a apropriação da cultura de forma ampla. Isso implica numa mudança paradigmática que envolve o campo da teoria, da política e da prática educacionais. Essa discussão é importante porque, embora nos últimos 30 anos algumas propostas educacionais tenham questionado a reprovação, ela continua presente na concepção de educação escolar dos educadores. Assim, para superar a reprovação escolar, é fundamental buscar, nos pressupostos de um processo educativo contínuo, concepções e práticas que rompam com a dicotomia promoção/reprovação. Nessa perspectiva, os ciclos e a progressão continuada precisam ser compreendidos como parte de uma política educacional mais ampla de construção da qualidade social de uma escola para todos.

Educação ambiental crítica: do socioambientalismo às sociedades sustentáveis

PID: S1517-97022009000100010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2009
Autores: Lima
O artigo reflete sobre o contexto histórico e teórico de formação da educação ambiental brasileira a partir da perspectiva do que se convencionou chamar de educação ambiental crítica. Partindo de um referencial teórico-conceitual da ecologia política, da teoria crítica e do pensamento complexo, problematiza as origens e os desdobramentos político-culturais, os argumentos e movimentos sociais que formataram essa tendência pedagógica de marcante presença na realidade educacional e ambiental brasileira. À luz desses referenciais, o artigo revisa e sistematiza a produção pertinente a esse novo campo de conhecimento e ação e, nesse sentido, dialoga, por meio desta produção, com os pesquisadores, educadores, agentes públicos e de organizações da sociedade civil que, nas décadas recentes, se envolveram com práticas e reflexões sobre a relação entre sociedade, educação e meio ambiente no Brasil. Investiga, para tanto, o debate, a diferenciação e as disputas internas ao campo da educação ambiental no Brasil, o processo de constituição do socioambientalismo que se coloca em contraposição a outra tendência conservacionista de educação ambiental e a construção de uma crítica a uma educação para o desenvolvimento sustentável, proposto pela UNESCO e demais setores interessados na conservação do status quo e numa sustentabilidade orientada pelas forças do mercado. Destaca, assim, em uma perspectiva histórica, as matrizes filosóficas, as posições político-pedagógicas e as forças sociais que inspiraram a emergência da educação ambiental crítica assim como as contribuições decisivas que esse processo legou ao avanço ético e político das relações entre a educação, a sociedade e o meio ambiente no Brasil.
Reportar erro A