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Nova embalagem, mercadoria antiga

PID: S1517-97022006000300005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2006
Autores: Bajard
Diante das intervenções institucionais dos promotores do método fônico na aprendizagem da escrita, visando substituí-lo ao caminho promovido pelos Parâmetros Curriculares, o artigo analisa dois textos representativos dessa nova frente: o Relatório entregue à Câmara dos Deputados do Brasil e um texto do Observatoire National de la Lecture (ONL), instituição referenciada no Relatório. Os dois textos analisados, expressando a visão do ONL, definem o ato de ler como uma seqüência de dois processos distintos: uma extração da pronúncia, seguida por uma extração da compreensão. Retomando a visão saussuriana que considera a língua escrita como uma mera representação da língua oral, o ONL vê nos grafemas apenas a tradução dos fonemas e, na leitura, a transposição dos primeiros nos segundos. A especificidade da leitura, para os autores, encontra-se na 'decodificação'. Ao postergar a compreensão para uma segunda etapa, transformam a leitura em uma atividade que, operando fora do significado, deixa de ser um ato de linguagem. A partir dessa visão da escrita, a proposta pedagógica promove conseqüentemente uma abordagem em duas etapas a serem seguidas pela totalidade das crianças, sem considerar a experiência personalizada anterior. No entanto, parcialmente letradas pelo contato com a literatura infanto-juvenil e pela escuta de textos de ficção, nem sempre as crianças começam pela extração da pronúncia, escapando assim ao programa previsto pelo ONL. Esse retorno de uma proposta que apresenta semelhanças com o método da cartilha, com sua seqüência decifração e leitura corrente, não pode constituir uma resposta às necessidades de um país que quer erradicar o analfabetismo funcional.

O sujeito inexistente: reflexões sobre o caráter da consciência fonológica a partir do “Relatório final do grupo de trabalho alfabetização infantil - os novos caminhos”

PID: S1517-97022006000100009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2006
Autores: Calil Lopes
Este artigo busca debater alguns trabalhos para os quais o sucesso na aprendizagem da leitura e escrita deve ter como base principal a consciência fonológica. Assim, do "Relatório final do grupo de trabalho alfabetização infantil: os novos caminhos", publicado pela Câmara dos Deputados em 2003, questionaremos pontos específicos, tais como a metodologia utilizada e o conseqüente tratamento de higienização dos dados, a relação fonema/grafema e a noção "chave" de consciência fonológica como fonte do (in)sucesso da leitura e escrita. Debateremos ainda trabalhos nos quais está subjacente a busca de um "estágio ideal" de ligação entre consciência, memória e aquisição da escrita. Os autores também evocam a importância da consciência fonológica para a aquisição de regras ortográficas e apontam a existência de um sujeito consciente que evolui em estágios de desenvolvimento. A partir de nosso campo de pesquisa, qual seja, o da aquisição de linguagem, e questionando e nos contrapondo à metodologia de seleção de dados estatisticamente relevantes por meio do método experimental, buscaremos mostrar, mediante a análise de erros singulares, que a relação entre sujeito e língua não pode ser pautada por uma análise metalingüística, sob pena de perder-se a singularidade do sujeito. Desse modo, argumentamos que, ao largo das competências e habilidades que o aluno, segundo aqueles estudos, deve desenvolver/adquirir por meio do defendido método fônico, há desde sempre uma língua que, em seu funcionamento simbólico, enreda o sujeito em suas tramas.

Organização da escolaridade em ciclos no Brasil: revisão da literatura e perspectivas para a pesquisa

PID: S1517-97022006000100002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2006
Autores: Mainardes
Este artigo apresenta uma revisão da literatura sobre a organização da escolaridade em ciclos no Brasil, evidenciando os aspectos que têm sido enfatizados, as limitações e as perspectivas para a pesquisa desse tema. A revisão inclui 147 textos que foram classificados em cinco categorias: (a) discussão de aspectos teóricos referentes à escola em ciclos; (b) geração e formulação de políticas; (c) implementação de políticas; (d) análise de resultados das políticas e impacto no desempenho de alunos; e (e) revisão de literatura. Argumenta-se que a natureza da política e a análise do desenvolvimento de seu discurso são aspectos que têm sido excluídos das pesquisas sobre ciclos. Além disso, argumenta-se que os seguintes aspectos têm sido pouco explorados: (a) a análise da implementação da política na escola e na sala por meio de observações e pesquisa etnográfica; (b) a análise da trajetória das políticas desde sua formulação até a implementação em sala de aula; e (c) pesquisas que incluam a opinião de gestores e formuladores de políticas de escola em ciclos. A conclusão apresenta aspectos que necessitam ser investigados com maior profundidade para se atingir uma compreensão mais clara, ampla e crítica dos ciclos no Brasil.

Pesquisa educacional com base nas artes: pensando a educação dos professores como experiência estética

PID: S1517-97022006000300006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2006
Autores: Telles
Neste artigo, o autor descreve dois estudos, realizados com professores, nos quais objetos de arte são usados como dispositivos deflagradores de reflexão compartilhada. Teoricamente fundamentado em uma nova modalidade de investigação qualitativa no campo da Educação a Pesquisa Educacional com Base nas Artes (PEBA), ele discute particularidades do funcionamento e do papel dessa modalidade de pesquisa no desenvolvimento profissional docente, as diferentes naturezas dos dois objetos de arte utilizados (a fotografia e o espetáculo teatral) e aponta para duas principais vertentes dessa modalidade de pesquisa a vertente de produção de significados, pela qual o educador de professores e os participantes da pesquisa compartilham e constroem significados ao entrarem em contato com um objeto de arte previamente pronto e confeccionado por um artista profissional; e a vertente representacional, pela qual os professores e educadores participantes constroem, individualmente ou de forma compartilhada, um determinado objeto de arte que reflita e expresse suas representações do mundo da docência. Por fim, o artigo sugere que a PEBA, além de estabelecer contextos reflexivos nos quais alunos e professores têm oportunidades de desvelar a experiência estética, instaura relações alternativas dos participantes com o conhecimento e com a prática pedagógica, evidenciando sua importância social e suas forças revitalizadoras.

Políticas para avaliação da qualidade do ensino superior no Brasil: um balanço crítico

PID: S1517-97022006000300002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2006
Autores: Dias Horiguela Marchelli
Este trabalho tem como objetivo contribuir para o debate sobre a avaliação do Ensino Superior no Brasil, apresentando um estudo a respeito dos sistemas utilizados para as medidas de qualidade e produtividade. Busca-se analisar, por meio da revisão bibliográfica e da análise documental, as origens do processo de avaliação, a seqüência histórica dos debates políticos que definiram os programas de trabalho na área, as concepções metodológicas adotadas por esses programas, os instrumentos de mensuração e acompanhamento que foram desenvolvidos e os sistemas de indicadores criados para aferir a qualidade de ensino nas instituições, bem como o desempenho dos estudantes. A discussão contempla todos os sistemas de avaliação praticados no Brasil até o ano de 2005 e conclui que, desde os primeiros procedimentos estabelecidos, houve uma evolução contínua na definição de indicadores mais precisos e eficientes. Os resultados alcançados pela pesquisa que fundamenta o trabalho aplicam-se explicitamente à revisão dos instrumentos de avaliação praticados no Brasil. O trabalho sugere indicadores ainda não utilizados no processo histórico de avaliação, buscando o aperfeiçoamento do sistema atual.

Por dentro de uma sala de aula de física

PID: S1517-97022006000100010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2006
Autores: Moreira Borges
Apresentamos os resultados de uma investigação etnometodológica sobre uma sala de aula de física, desenvolvendo uma abordagem descritiva desse ambiente de aprendizagem. Atividades com simulações, exercícios com lápis e papel e experimentação foram combinadas para proporcionar aos alunos ambientes de aprendizagem diferenciados. As interações de alguns grupos de alunos foram gravadas, em áudio e vídeo, e analisadas. Ao compará-las, destacamos e analisamos situações nas quais as interações vivenciadas nos diferentes ambientes contribuíam para a descrição de aspectos característicos da prática de alunos e professor. A produção de narrativas é o principal instrumento de descrição. Identificamos o etnométodo de direcionar as interações para a obtenção da resposta correta. Mostramos como esse procedimento, compartilhado por alunos e professor, interfere nas perguntas dirigidas ao professor e na forma de este exercitar sua escuta no diálogo com os alunos. A sala de aula é caracterizada como um local de ações simultâneas, que ocorrem para além do controle docente. Discutimos a concepção expressiva de objetivo e de atividade como referência para lidar com essa impossibilidade de controle. Chamamos atenção para a diversidade de estilos de conduta dos alunos e analisamos suas implicações. Discutimos, finalmente, as conseqüências de tratarmos a sala de aula como um lugar onde se desenvolve uma prática social específica, especialmente em relação aos obstáculos à transposição, para o seu interior, de resultados de pesquisa que implicam em modificações nessa prática.

Questões im-pertinentes para a Filosofia da Educação

PID: S1517-97022006000300011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2006
Autores: Goergen
A crítica pós-moderna aos rumos da modernidade provocou uma intensa discussão em torno de alguns pressupostos básicos da tradição iluminista. Entre eles, encontram-se as noções de filosofia da história, de sujeito e de valores. Vivemos um momento histórico conturbado em que não só a filosofia da história, mas também a razão e a subjetividade, os fundamentos e os valores, as identidades e as certezas se tornam ambíguos. O estremecimento desses conceitos angulares, que orientam o pensamento e a ação do homem moderno, afeta a vida em todas as suas dimensões. E como tais conceitos representam também os fundamentos da tradição educacional, é particularmente a educação que se vê diante de novos desafios, cruciais para o estabelecimento de seus objetivos e suas práticas. O presente artigo procura assinalar a necessidade de se incorporar à Filosofia da Educação os debates que vêm sendo desenvolvidos nos campos da Filosofia, da Ética e da Estética para averiguar tanto a procedência das teses pós-modernas, quanto a sua eventual repercussão no campo da Educação. Trata-se, portanto, de defender o ponto de vista de que não é mais satisfatório rejeitar, em princípio, os argumentos dos chamados pós-modernos, mas de averiguar se sua leitura da realidade contemporânea é justificada ou não e, na seqüência, avaliar as implicações para o campo da teoria e da prática educacionais.

Teorias econômicas de oferta de educação: evolução histórica, estado atual e perspectivas

PID: S1517-97022006000100008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2006
Autores: Waltenberg
Este artigo preocupa-se com uma faceta particular (o lado da oferta) de uma das duas grandes linhas de pesquisa em economia da educação (aspectos econômicos dos sistemas educacionais). Apresentam-se a evolução histórica, o estado atual do debate e as perspectivas de desenvolvimento das teorias econômicas de oferta de educação, abarcando-se o período compreendido entre o início da década de 1960 e as contribuições mais recentes. Argumenta-se que as teorias tradicionais de economia da educação (capital humano e sinalização) não deram tratamento adequado ao lado da oferta da educação. Mais tarde, os conceitos e o instrumental da microeconomia da firma foram mobilizados a fim de se tentar mapear a "tecnologia de produção de educação". A abordagem das funções de produção de educação, baseadas inicialmente apenas em insumos monetários, não foi suficiente para que se apreendesse toda a complexidade envolvida no processo de provisão de educação. Uma análise de artigos mais recentes revela três caminhos promissores para o desenvolvimento das teorias de oferta de educação: (i) incluir insumos não monetários às funções de produção; (ii) levar em consideração aspectos institucionais e organizacionais do sistema educativo; e (iii) aprimorar as técnicas econométricas de estimação das funções de produção. Por fim, o artigo discute mais detidamente o primeiro desses três caminhos.

A internet vai à escola: domínio e apropriação de ferramentas culturais

PID: S1517-97022005000100005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Giordan
RESUMO O objetivo deste artigo é descrever e analisar o processo de introdução da internet em uma comunidade escolar, e verificar como o domínio e a apropriação da ferramenta cultural e os propósitos da ação mediada condicionam esse processo. A partir da descrição e análise desse processo, identificam-se os elementos condicionantes do domínio e da apropriação das ferramentas culturais, tendo como suposto o conceito de ambientes telemáticos. Definem-se ambientes da internet a partir do conceito de ferramenta cultural e das propriedades da ação mediada. Descreve-se a introdução da internet em uma escola no curso de um programa de formação continuada, de onde se obtêm evidências da determinação dos propósitos e das formas de uso da ferramenta cultural pelos agentes sobre os processos de elaboração de significados, e de apropriação do correio eletrônico pelos professores e pela instituição. Analisam-se as modalidades discursivas observadas nos diálogos para explicar as ações internas e externas realizadas pelos professores, a partir das quais se discute a interação entre a estrutura discursiva e a estrutura das ações mediadas, bem como as funções do diálogo e da ferramenta cultural na elaboração de significados. Apresentam-se razões para se realizarem programas de formação continuada sobre o uso da internet, no interior da escola, justificadas pelas transformações observadas na ambiência de ensino e aprendizagem.

Amplitude e aspectos peculiares das desigualdades sociais na escola francesa

PID: S1517-97022005000100002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Duru-Bellat
RESUMO A sociologia francesa denuncia com intensidade, desde o fim dos anos 1960, desigualdades sociais importantes e estáveis tanto no acesso aos diferentes níveis de ensino quanto ao sucesso escolar stricto sensu. Essa denúncia tomou a forma de uma teoria geral, elaborada por Bourdieu e Passeron, que faz dessas desigualdades sociais a resultante necessária do funcionamento da instituição escolar. E essa tese, não só de grande influência entre os sociólogos, como também amplamente difundida, contribuiu para nutrir um certo fatalismo, pois estabelece que a função mesma da escola é reproduzir e legitimar as desigualdades sociais. Por outro lado, ela produziu também um fluxo continuado de trabalhos que visam a fornecer-lhe confirmações empíricas. Este artigo apresenta, de maneira sintética, os principais resultados acumulados pela sociologia da educação francesa nessa direção, isto é, no que concerne às desigualdades sociais na escola. Na análise da gênese dessas desigualdades, distingue os mecanismos individuais e os mecanismos contextuais, assim como as desigualdades decorrentes do sucesso acadêmico stricto sensu, daqueles que resultam dos fenômenos de orientação e de escolhas escolares. A questão da responsabilidade própria da escola perante essas desigualdades é abordada em conclusão, indicando que o papel da escola em matéria de desigualdades sociais é ajustado por fatores estruturais, o que leva, quanto a teorias como a de Bourdieu, a relativizar um pouco sua importância, ou pelo menos a repensá-la profundamente.

As identidades docentes como fabricação da docência

PID: S1517-97022005000100004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Garcia Hypolit Vieira
RESUMO Neste trabalho se discute como os docentes têm sido vistos e posicionados especialmente pelos discursos educacionais das últimas décadas, analisando-se como têm sido definidas a sua situação ocupacional e a profissionalização do ponto de vista dos estudos do campo educacional. Discute-se a identidade em relação às posições de sujeito, que são atribuídas aos professores e às professoras no exercício de suas funções em contextos laborais concretos, e, ainda, em relação ao conjunto das representações postas em circulação pelos discursos relativos aos modos de ser e agir dos professores e professoras no exercício de suas funções. Exploram-se os argumentos quanto aos modelos de profissionalismo que transitam como mais ou menos adequados e debatem-se possíveis implicações desses modelos na construção das identidades docentes. Busca-se, também, mostrar como as reestruturações educativas das últimas décadas, ao estimular certos modelos de profissionalismo, constroem identidades docentes mais ou menos articuladas aos objetivos últimos das reformas, e assim procurar revelar contradições, avanços, limites e possibilidades em cada um deles. Por fim, discutem-se alguns aspectos teórico-metodológicos para investigações sobre a identidade docente, indicando que um dos caminhos produtivos para a pesquisa nesse campo pode ser a busca das diferenças, das descontinuidades, das divisões dessa categoria, privilegiando as narrativas dos professores e das professoras acerca de si mesmos e de seus contextos de trabalho.

Crise da consciência contemporânea e expansão do saber não cumulativo

PID: S1517-97022005000300002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Haroche
RESUMO Refletindo sobre os fins da universidade, este ensaio se questio-na quanto à possibilidade mesma do ensino e, além disso, à possibilidade de conhecimento e de sentido nas sociedades contemporâneas, nas quais as condições de apropriação e de transmissão dos saberes estão profundamente transtornadas: uma incerteza às vezes radical quanto a si mesmo e quanto ao outro abre caminho para uma insegurança psíquica profunda. Os fluxos sensoriais contínuos provocam uma divisão inédita do trabalho dos sentidos, acentuando o papel da visão em detrimento dos demais; induzem a uma redistribuição das relações entre sensação, percepção, reflexão; e fortalecem a contingência, a instabilidade, a incerteza que se encontram no âmago da crise da cultura e da educação. O pensamento se encolhe, traduzido numa especialização, uma compartimentalização dos saberes. Que tipo de personalidade e de consciência, que forma de sensibilidade são estimuladas por essa educação? O que designa hoje em dia a palavra consciência? Poderemos ainda falar de atividade crítica? O pensamento individual, original, parece ter declinado diante da corporação, do grupo, do coletivo, legitimado pelo número, a quantidade, as exigências de produtividade e a avaliação por gestores, e tende, a partir daí, a se tornar cada vez mais homogêneo e conformista. Contudo, o ensaio busca mostrar que essas características, não sendo novas, foram apenas aceleradas e intensificadas na contemporaneidade, paradoxalmente, não nos privando de toda esperança quanto aos fins da universidade e às possibilidades do pensamento crítico.

Discutindo a educação ambiental a partir do diagnóstico em quatro ecossistemas no Brasil

PID: S1517-97022005000200011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Carvalho
RESUMO Este artigo disponibiliza os principais resultados do estudo "Uma leitura da educação ambiental em cinco estados e um bioma do Brasil", realizado em quatro redes de educação ambiental. O estudo em questão foi concluído em novembro de 2004, respondendo à demanda da Rede Brasileira de Educação Ambiental e baseou-se nos dados dos diagnósticos realizados pelas seguintes redes: Rede Paulista - REPEA(SP); Rede Sul - REASUL (PR, SC e RS); Rede Aguapé (MT e MS/bioma Pantanal) e Rede Acre - RAEA (AC) para alimentação do Sistema Brasileiro de Informações Ambientais; Ministério do Meio Ambiente (SIBEA/MMA) no período 2001-2003. O estudo teve como objetivos apresentar uma sistematização das categorias comuns pesquisadas em cada rede; discutir se é possível, a partir consolidação dos dados recolhidos, comparar as características da educação ambiental para as regiões pesquisadas; e, finalmente, destacar desafios, limites e oportunidades que se evidenciam no desenvolvimento da educação ambiental. Na análise dos dados são destacadas tendências como: a natureza das instituições que oferecem atividades de educação ambiental, na sua maioria instituições públicas e da sociedade civil e em menor escala, privadas; as instituições de educação ambiental e educadores/especialistas e pesquisadores concentram-se na região sudeste; predominam atividades de sensibilização/mobilização seguidas de capacitação em educação ambiental; o conceito de educação ambiental não apresenta uma compreensão consensual no conjunto das redes; existem mais projetos que programas de educação ambiental; predominam cursos de curta duração na formação do educador ambiental. Nas considerações finais são analisadas estas tendências à luz dos contextos políticos e educacionais e sugeridas questões para a reflexão sobre as relações entre educação ambiental e sua inserção social.

Educación ambiental en tiempos de catástrofe: la respuesta educativa al naufragio del Prestige

PID: S1517-97022005000200009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Cartea
RESUMEN En noviembre de 2002, un petrolero obsoleto, el Prestige, naufragó y vertió su carga en las costas de Galicia (noroeste de la Península Ibérica). Este accidente originó un "experimento" social indeseado pero valioso para comprender cómo se representa socialmente la experiencia catastrófica de los "riesgos manufacturados". Este artículo analiza la respuesta del sistema educativo regional a la catástrofe desde dos puntos de vista: a) su comprensión en el marco de la respuesta social crítica y proactiva ante los intentos oficiales de representar una "no-catástrofe" y, b) el papel de la Educación Ambiental (EA) como praxis pedagógica cuya dimensión política se revela como indispensable. La tesis que defendemos es que la naturaleza política de la EA, muchas veces sólo implícita y otras negada explícitamente, se redescubre aquí como eje primordial en la respuesta del sistema educativo y de otros agentes educadores. En este sentido, la catástrofe no ha sido sólo ecológica, sino también, y sobre todo, social y política al cuestionar la globalización económica - su causa radical - y poner en evidencia la vulnerabilidad de las administraciones, incapaces de prevenir o mitigar su impacto sobre el ambiente y las comunidades humanas. En este escenario, la EA contribuye a reflexionar sobre el origen de la catástrofe como consecuencia inesperada de la "modernidad avanzada", en sintonía con el análisis que hace Ulrich Beck sobre la "sociedad del riesgo" y sobre el potencial politizador de las sucesivas catástrofes - la punta del iceberg - en las que el nuevo ethos social se manifiesta y construye.

Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo

PID: S1517-97022005000200007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Jacobi
RESUMO A multiplicação dos riscos, em especial os ambientais e tecnológicos de graves conseqüências, é elemento chave para se entender as características, os limites e as transformações da nossa modernidade. É cada vez mais notória a complexidade desse processo de transformação de uma sociedade cada vez mais não só ameaçada, mas diretamente afetada por riscos e agravos socioambientais. Os riscos contemporâneos explicitam os limites e as conseqüências das práticas sociais, trazendo consigo um novo elemento, a "reflexividade". A sociedade, produtora de riscos, torna-se crescentemente reflexiva, o que significa dizer que ela se torna um tema e um problema para si própria. O conceito de risco passa a ocupar um papel estratégico para o entendimento das características, dos limites e das transformações do projeto histórico da modernidade e para reorientar estilos de vida coletivos e individuais. Num contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, isso envolve um conjunto de atores do universo educativo em todos os níveis, potencializando o engajamento dos diversos sistemas de conhecimento e a sua capacitação numa perspectiva interdisciplinar. Os educadores têm um papel estratégico e decisivo na inserção da educação ambiental no cotidiano escolar, qualificando os alunos para um posicionamento crítico face à crise socioambiental, tendo como horizonte a transformação de hábitos e práticas sociais e a formação de uma cidadania ambiental que os mobilize para a questão da sustentabilidade no seu significado mais abrangente.

Educação ambiental como política pública

PID: S1517-97022005000200010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Sorrentino Trajber Mendonça Ferraro Junior
RESUMO A educação ambiental surge como uma das possíveis estratégias para o enfrentamento da crise civilizatória de dupla ordem, cultural e social. Sua perspectiva crítica e emancipatória visa à deflagração de processos nos quais a busca individual e coletiva por mudanças culturais e sociais estão dialeticamente indissociadas. A articulação de princípios de Estado e comunidade, sob a égide da comunidade, coloca o Estado como parceiro desta no processo de transformação do status quo situado, segundo Boaventura de Souza Santos, como um "novíssimo movimento social". A tal Estado cumpre o papel de fortalecer a sociedade civil como sede da superestrutura. No campo ambiental, o Estado tem crescido em termos de marcos regulatórios sem uma capacidade operacional que condiga com a demanda em vista da redução do Estado (década de 1990) e da ausência de reformas que não sejam a do Estado mínimo. À educação ambiental cumpre, portanto, contribuir com o processo dialético Estado-sociedade civil que possibilite uma definição das políticas públicas a partir do diálogo. Nesse sentido, a construção da educação ambiental como política pública, implementada pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), implica processos de intervenção direta, regulamentação e contratualismo que fortalecem a articulação de diferentes atores sociais (nos âmbitos formal e não formal da educação) e sua capacidade de desempenhar gestão territorial sustentável e educadora, formação de educadores ambientais, educomunicação socioambiental e outras estratégias que promovam a educação ambiental crítica e emancipatória. As políticas públicas em educação ambiental implicarão uma crescente capacidade do Estado de responder, ainda que com mínima intervenção direta, às demandas que surgem do conjunto articulado de instituições atuantes na educação ambiental crítica e emancipatória.

Educação, desenvolvimento humano e cosmos

PID: S1517-97022005000300003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Mogilka
RESUMO Este artigo procura analisar o processo de formação e desenvolvimento humano. Ele toma como ponto de partida conceitos da pedagogia humanista e tenta produzir alguns avanços na reflexão sobre esses processos. O artigo tenta demonstrar que essa abordagem explica esses processos de forma interacionista, global e holística. Suas reflexões iniciais se baseiam no pensamento de Carl Rogers, Jean-Jacques Rousseau e John Dewey, tentando resgatar importantes contribuições desses três pensadores sobre o desenvolvimento humano. Em seguida, busca demonstrar a necessidade de superar algumas contradições nas idéias desses autores, atitude necessária para radicalizar uma compreensão interacionista do tema. Talvez a principal contradição nesses autores e em uma parte considerável das pedagogias antiautoritárias esteja na oscilação entre inatismo e interacionismo. Não obstante o grande valor dessas pedagogias para a estruturação de propostas radicalmente democráticas de educação e de sociedade, o artigo tenta demonstrar a necessidade de superação da citada oscilação para avançarmos nesse campo. Ao radicalizarmos o interacionismo, podemos exercitar uma compreensão complexa de ser humano, que o enxerga como um ser afetivo, político e cósmico, simultaneamente. Assim, o organismo humano é entendido em sua unidade interna, em seu pertencimento social e em sua ligação com o cosmos, dimensões imprescindíveis para uma compreensão não fragmentária do desenvolvimento humano.

Escolas, professores e caipiras: exercício para um descentramento histórico

PID: S1517-97022005000100009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Garnica
RESUMO Com a intenção de constituir um cenário histórico para a formação e atuação de professores no interior do estado de São Paulo, este artigo esboça o que chamamos de Educação (Matemática) "caipira", aproveitando uma adjetivação já consagrada pela Sociologia. O termo "descentramento", emprestado de Hall (2004), serve, aqui, para intensificar uma característica deste estudo, a saber, a pretensão de dissociar-se das abordagens mais freqüentes, tanto na História da Educação quanto na História da Educação Matemática, que tomam como ponto de partida os grandes centros e as instituições formadoras "clássicas" (como as Faculdades de Filosofia), negligenciando uma pluralidade de aspectos que, segundo cremos, é essencial para se compreender, mais ampla e globalmente, certas práticas educativas. Para efetivar tal intenção, partimos de uma caracterização do sistema educacional rural para, em seguida, situar o movimento de ampliação do ensino secundário, cuja ênfase determinante ocorre na década de 1950 com a construção de escolas e a necessidade de formar professores que nelas atuassem. Embora focando, nesses dois aspectos, a região de Bauru (SP), percebe-se que as compreensões que daí surgem podem caracterizar outros contextos. Finalmente, discutimos a Nova Alta Paulista, região de colonização mais recente, com o que se configura um movimento de intercâmbio entre, de um lado, as regiões mais velhas do estado e suas instituições já bem estabelecidas e, por outro, as regiões "novas", com o que uma espécie da ampliação do conceito de colonização, agora aplicada ao contexto educacional, pode ser vislumbrada.

Formação de professoras e Escolas Normais paulistas: um estudo da disciplina Biologia Educacional

PID: S1517-97022005000200004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Viviani
RESUMO Este trabalho apresenta resultados de pesquisa sobre a história da disciplina Biologia Educacional (1933 a 1970), no âmbito da Escola Normal paulista. As elaborações dessa disciplina inseriram-se em projetos de renovação educacional em desenvolvimento no país desde a década de 1920, produzindo determinadas necessidades para o processo de formação de docentes e para suas futuras práticas. Esse processo, bem como os objetivos e as finalidades sociais da disciplina, foi analisado mediante o exame da atuação de diferentes grupos de interesses sociais, políticos e profissionais. Também foram investigadas as formas sob as quais o conhecimento científico disponível à época foi recriado para servir a esse processo de formação. Tomando como referência teórica os escritos de André Chervel e Ivor Goodson, pressupõe-se o caráter criativo das produções do sistema escolar, levando em conta suas possibilidades de reelaborar conhecimentos acadêmicos e de formar os indivíduos e também uma cultura escolar, produzindo padrões que se estendem a outras esferas sociais. A investigação baseou-se em análises de planos e programas de ensino, manuais didáticos, documentação arquivística e depoimentos de professoras. Foram identificadas várias formas de organização de conteúdos, com destaque para o padrão de maior sucesso, calcado no binômio hereditariedade e meio, dado como facilitador do conhecimento das individualidades humanas e, conseqüentemente, do trabalho do educador no sentido de disciplinar seus alunos para a máxima eficiência física e mental. Verificou-se também a construção de perfis de atuação social, em referência às crianças, mães e donas de casa, bem como de um ideal de desempenho profissional considerado moderno.

História das disciplinas escolares e história da educação: algumas reflexões

PID: S1517-97022005000300005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2005
Autores: Souza Júnior Galvão
RESUMO No contexto de renovação da historiografia da educação no Brasil, tem sido crescente o número de estudos que buscam compreender como determinados saberes se tornaram propriamente escolares. Essas pesquisas têm contribuído para um melhor entendimento do papel desempenhado pela escola e por outras instâncias sociais na definição daquilo que, ao longo do tempo, tem sido considerado essencial na formação das novas gerações. Esse campo de estudos tem sido identificado ao que se convencionou denominar História das Disciplinas Escolares, uma abordagem multidisciplinar que, já há algumas décadas, vem sendo desenvolvida por pesquisadores de vários países do mundo. O artigo, que constitui um ensaio bibliográfico, busca identificar e problematizar tendências de pesquisa nessa área no interior do campo mais amplo da História da Educação. Por fim, descreve sucintamente dois estudos realizados recentemente por pesquisadores brasileiros nas áreas da Educação Física e Educação Artística, que se inserem nessa linha de investigação. Apesar do crescente número de pesquisas realizadas em torno do tema, a maioria dos trabalhos, muitas vezes dedicados a traçar cronológica e retroativamente a presença de um saber na escola, é realizada de forma isolada e parte de pressupostos - muitas vezes rígidos - advindos das tradições da transposição didática ou da cultura escolar. Acredita-se que somente com a realização periódica de balanços é possível tornar inteligível o processo de transformação e/ou construção de saberes em saberes propriamente escolares tanto em uma perspectiva empírica quanto do ponto de vista propriamente teórico.
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