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Formar o mestre na universidade: a experiência paulista nos anos de 1930

PID: S1517-97022001000200004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2001
Autores: Evangelista
Este artigo apresenta resultados de pesquisa sobre a formação universitária docente na década de 1930, no Brasil. A investigação realizou-se coligindo fontes produzidas no período, tanto as originárias da instituição em estudo quanto as advindas de periódicos, legislação, jornais e obras educacionais, entre outras. A partir do corpus documental arrolado, pode-se verificar que em 1933, no estado de São Paulo, inaugurou-se a primeira escola de nível superior para o preparo do professor, o Instituto de Educação, originário da reforma educacional de Fernando de Azevedo. Em 1934 foi incorporado à Universidade de São Paulo e, em conjunto com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, responsabilizou-se pelo preparo docente em nível universitário. No IEUSP institucionalizou-se a primeira geração de professores universitários voltados à formação de professores primários e secundários, projeto enraizado no debate intelectual ocorrido especialmente nos anos de 1920. Embora uma das respostas à demanda pela profissionalização docente e modelo para outras iniciativas, o Instituto foi encerrado em 1938. Forças políticas ligadas ao estado intervencionista de Ademar de Barros e à Igreja Católica finalizam, em 1938, a primeira experiência brasileira de formação de professores em nível universitário.

La lectura como práctica cultural: conceptos para el estudio de los libros escolares

PID: S1517-97022001000100002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2001
Autores: Rockwell
Este artículo presenta una perspectiva para el estudio de prácticas de lectura en aula basada en el trabajo del historia dor francés Roger Chartier. Para este autor, “los actos de lectura que dan a los textos sus significados plurales y móviles se sitúan en el encuentro entre las maneras de leer y los protocolos de lectura dispuestos en el objeto leído” (Chartier, 1993). Su análisis se centra en aspectos materiales del libro y prácticas de lectura, además del texto en sí. Se ilustra este abordaje con el análisis de una clase en una escuela rural mexicana. En este caso, la maestra presentaba un cuento tomado del libro de texto, siguiendo de cerca el protocolo implícito de la lección. Sin embargo, tan to el formato del texto como las maneras de leer influyeron en su interacción con el grupo. El artículo discute las relaciones cambiantes que los niños construyen con el mundo de la escritura a partir de su experiencia escolar. La historia de la lectura muestra una inflexión significativa entre la lectura intensiva del texto único y la aparición de patrones de lectura extensiva de múltiples textos, entre ellos, los libros escolares. Sin embargo, Chartier argumenta que el proceso de apropiación si em pre transforma las prácticas culturales y los significados, según cada contexto. Una mayor atención a las maneras de leer en las aulas puede revelar múltiples apropiaciones de los libros de texto que seña lan diversos tipos de relación, algunas más incluyentes que otras.

Lembranças da matemática escolar: a constituição dos alunos da EJA como sujeitos da aprendizagem

PID: S1517-97022001000200010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2001
Autores: Fonseca
Pouco se tem refletido sobre a incorporação da experiência escolar anterior de alunos adultos que se re-inserem na Educação Básica. Este artigo focaliza a enunciação de reminiscências da matemática escolar protagonizada por alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), procurando revelá-las como um componente fundamental na constituição do aluno adulto como sujeito não só da aprendizagem da matemática, mas do próprio processo de escolarização. Mais do que meras referências a conceitos ou procedimentos de matemática aprendidos em outras oportunidades, compreendem-se, aqui, as reminiscências como efeitos da memória que permeiam a produção de sentido. O texto focaliza sua enunciação no âmbito das práticas discursivas que conformam os (e se conformam nos) processos de ensino-aprendizagem da matemática na EJA, tomando-a como ação social organizada, que institui a lembrança compartilhada da matemática escolar como árbitro da legitimidade coletiva. Ao se analisarem trechos de interações entre a pesquisadora e alunos que cursam o equivalente à 5ª série do ensino fundamental num projeto de EJA, destacam-se as dimensões semântico-pragmáticas da rememoração que nesse contexto se manifesta e que se considera autoconsciente, metacognitiva, e estruturada no discurso e pelo discurso. Por sua natureza sociocultural, essa rememoração, ao se fazer coletiva, atende a um chamado do presente, re-significando o passado.

Produção de textos narrativos em pares: reflexões sobre o processo de interação

PID: S1517-97022001000100003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2001
Autores: Leal Luz
O artigo analisa o significado do índice de evasão escolar na vida de uma comunidade de pequenos produtores rurais, imigrantes vindos da região da Pomerânia, norte da Alemanha. A população do município escolhido é composta por 90% de descendentes de pomeranos, que lá chegaram no ano de 1847. Embora o Espírito Santo não receba mais alemães desde a década de 1870, essas comunidades mantiveram o uso de seu dialeto, suas festas, seus costumes culturais e maritais, a continuidade da narrativa da tradição oral camponesa, enfim, o modo de vida camponês. No contexto da imigração brasileira, nenhuma outra etnia se concentrou tanto em áreas homogêneas e compactas como esta, concorrendo para modificar a estrutura fundiária e a vida rural dos estados onde se estabeleceu. Este trabalho aborda a relação entre o uso de várias línguas (portuguesa, alemã e pomerana) e a religiosidade luterana no cotidiano do grupo, os padrões de transmissão da herança da terra e a consequente valorização destes elementos no ensino confirmatório empreendido pela igrejas Luterana e Missouri, como pontos que permitem compreender os valores sociais e educacionais mais importantes para o grupo na reprodução da sua condição campesina. São examinadas as representações do grupo acerca do papel social desempenhado pela escola, pelo professor e pelo pastor, e sua relação com os elementos mantenedores de seu ethos camponês: a obediência às regras de reciprocidade, a conformidade com os princípios de hierarquia (autoridade paterna e pastoral) e a solidariedade com parentes e vizinhos.

Programas de educação de jovens e adultos e pesquisa acadêmica: a contribuição dos estudos do letramento

PID: S1517-97022001000200006 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2001
Autores: Kleiman
O objetivo deste trabalho é apresentar elementos que permitam construir uma interface entre a pesquisa acadêmica e os programas no campo de Educação Básica de Jovens e Adultos. Serão discutidas contribuições para esses programas, que podem ser encontradas nos resultados das pesquisas qualitativas. Serão utilizados, em especial, dados obtidos de uma investigação, que se estendeu por cinco anos, de um projeto para formação do alfabetizador que visava a análise da interação entre professor e aluno em classes de alfabetização de jovens e adultos. A pesquisa em questão foi realizada em contextos naturais, com o objetivo de compreender uma determinada realidade social e não o estabelecimento de leis gerais. Portanto, a credibilidade dos resultados foi construída por meio da observação de múltiplos contextos e da obtenção de dados, por vários métodos, a partir das diversas perspectivas dos participantes nos contextos observados, por um período prolongado de tempo. Essa base empírica foi utilizada para avaliar as indicações do relatório encomendado pela Unesco ao Instituto Internacional de Alfabetização/Letramento (International Literacy Institute, EFA 2000) para apresentação no Fórum sobre Educação Mundial, realizado em Dacar em 2000, que apresentou, como um dos grandes desafios para o milênio, a permanência do alunos nos cursos de Educação Básica. Em relação ao problema do abandono dos cursos e programas pelos adultos, serão discutidos os fatores motivação e acessibilidade, apontados, nos documentos oficiais de desenvolvimento, como fatores relevantes para o sucesso ou fracasso dos programas.

Questões em torno da construção de indicadores de analfabetismo e letramento

PID: S1517-97022001000200007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2001
Autores: Ribeiro
Este artigo discute questões em torno da construção de indicadores de analfabetismo e de seu oposto, o letramento. Primeiramente, analisa a evolução desses conceitos e sua relevância para o campo da educação. Em seguida, descreve a situação brasileira em relação a três estratégias de medição de analfabetismo e letramento: os censos populacionais, as avaliações dos sistemas de ensino e os estudos por amostragem. Analisa problemas metodológicos de cada uma dessas estratégias e suas implicações políticas e ideológicas. Em relação aos dados censitários, questiona a validade do critério adotado pelo IBGE - menos de quatro anos de escolaridade - para quantificar o analfabetismo funcional. Aponta as potencialidades das avaliações dos sistemas de ensino, evidenciando sua grande repercussão na mídia e a pouca atenção que recebem dos especialistas da academia. Com relação às pesquisas por amostragem, descreve tendências internacionais recentes e uma iniciativa pioneira de construção de um indicador nacional de alfabetismo no Brasil. Destaca a importância de criticar os mitos associados ao letramento e evitar os estigmas associados ao analfabetismo. Conclui que a divulgação de pesquisas, sobre o letramento e sua distribuição na população, proporciona uma rica oportunidade para que a sociedade reflita sobre a própria cultura, sobre suas expectativas com relação à escola e outras instituições.

Um breve balanço da pesquisa sobre violência escolar no Brasil

PID: S1517-97022001000100007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2001
Autores: Sposito
O artigo realiza balanço da pesquisa sobre as relações entre violência e escola no Brasil, após 1980. Examina os raros diagnósticos quantitativos em torno do tema e a produção discente (dissertações e teses) na pós-graduação em Educação, no mesmo período. Apesar de ainda ser incipiente, a produção já traça um quadro importante do fenômeno no Brasil, mostrando as principais modalidades: ações contra o patrimônio - depredações, pichações - e formas de agressão interpessoal, sobretudo entre os próprios alunos. Durante esse período a violência em meio escolar tanto foi examinada como decorrência de um conjunto significativo de práticas escolares inadequadas, quanto foi investigada como um dos aspectos que caracterizam a violência na sociedade contemporânea. Nesse último enfoque, parte dos trabalhos pesquisou a dinâmica de funcionamento de escolas situadas em áreas sob a influência do tráfico de drogas ou do crime organizado e um pequeno conjunto buscou entender o comportamento dos alunos como uma forma de sociabilidade marcada pelas agressões e pequenos delitos, caracterizada como incivilidade, que se origina na crise do processo civilizatório da sociedade contemporânea.

A "infância desamparada" no asilo agrícola de Santa Isabel: instrução rural e infantil (1880 - 1886)

PID: S1517-97022000000100009 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Schueler
O presente trabalho trata da criação da Associação Protetora da Infância Desamparada, na Província do Rio de Janeiro, nos anos 1880, e as suas propostas de promover a instrução primária e a educação agrícola destinadas às chamadas crianças pobres do Império. Para tanto, levou-se em consideração os debates sobre a difusão da instrução elementar, o trabalho e a reatualização das políticas de controle social. Estas políticas estiveram presentes entre as preocupações e os objetivos dos sócios fundadores e políticos do Império e sinalizaram para um projeto de educação asilar, no qual a economia agrícola surgia como base da construção nacional. Para compreender essas questões, o artigo detém-se na análise do Asylo Agrícola de Santa Isabel, criado pela Associação e inaugurado em 1886. Busca-se caracterizar: sua arquitetura, os espaços construídos e áreas externas; as crianças para lá enviadas, sua naturalidade, sexo e condição social; e o ensino ministrado, os saberes difundidos, disciplina de caráter religioso, recursos a prêmios como emulação e trabalho no campo. Conclui-se com a afirmação de que a tentativa de estabelecer uma política de educação moral e religiosa, aliada à instrução elementar e ao ensino voltado ao trabalho rural, com o intuito de conservação de uma mão-de-obra dependente nas fazendas agrícolas, consistiu nos fundamentos e objetivos principais da Associação Protetora da Infância Desamparada.

A sementeira do porvir: higiene e infância no século XIX

PID: S1517-97022000000100008 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Gondra
Este artigo apresenta uma análise e reflexão sobre a produção da idéia da infância no Brasil. Religião, ciência, progresso, indústria, comércio e civilização são alguns dos signos que têm participado da configuração e construção desse conceito no contexto brasileiro. Diante da complexidade da questão e da proliferação dos discursos sobre a infância, examina-se aqui um deles, bastante expressivo no século XIX, que incide na combinatória entre regenerar e civilizar. Esta fórmula, cuja legitimidade foi forjada no interior da ordem médica, determinou que o trabalho viesse a focalizar a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (FMRJ), um dos lugares em que o tema da infância esteve presente regularmente ao longo do século XIX. Com a perspectiva de analisar as representações que a respeito da infância foram produzidas, trabalhou-se com parte da produção da FMRJ, sobretudo com as teses defendidas pelos alunos ao final do curso para a obtenção do título de doutor. Além disto, fez-se incursões precisas nas atas do I Congresso Brasileiro de Protecção á Infância e no conjunto das teses da I Conferência Nacional de Educação, na tentativa de indicar a permanência da infância na ordem do discurso médico, a ênfase na necessidade de sua higienização e certos deslocamentos das representações.

Alfabetização e fracasso escolar: problematizando alguns pressupostos da concepção construtivista

PID: S1517-97022000000100005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Sawaya
O objetivo deste artigo é contribuir com elementos para o debate das questões relativas à alfabetização e ao fracasso escolar das crianças de baixa renda. Parte-se de resultados de uma pesquisa que examina algumas teses que, tendo como uma das suas bases conceituais a teoria construtivista de Emília Ferreiro e Ana Teberosky, vêm norteando as políticas públicas de alfabetização em nosso país desde a década de 1980. Levaram-se também em conta dados de pesquisas anteriores que estudaram a presença dos materiais escritos na cultura popular. Os pressupostos construtivistas acerca do desenvolvimento cognitivo das crianças das camadas populares e suas relações com o texto escrito foram analisados a partir de uma linha de pensamento da História Cultural, que vê a leitura e a escrita como práticas culturais, ou seja, como forma de expressão do indivíduo na sociedade. As conclusões a que se chegou são: não há marginalidade cultural no sentido de não participação na cultura escrita, pois numa sociedade letrada as práticas de escrita se impõem de diferentes maneiras nas formas de existência social, definindo relações sociais. As relações das crianças de camadas populares com o texto escrito só podem ser compreendidas em toda sua complexidade dentro do contexto e da diversidade das formas culturais da sua produção.

Cognição, afetividade e moralidade

PID: S1517-97022000000200010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Araújo
O presente trabalho fundamenta-se em algumas tendências atuais no campo da Psicologia Moral, que buscam compreender a natureza dos juízos e das ações morais, incorporando o papel da afetividade em tais processos. Para atender esse objetivo, são apresentados alguns trabalhos recentes bem como os dados relativos a uma investigação, na qual se buscou identificar e analisar as possíveis relações entre os estados emocionais, os raciocínios morais e a organização do pensamento dos sujeitos quando solicitados a resolverem conflitos de natureza moral. Dentre seus resultados, foi encontrada uma forte relação entre o estado emocional dos sujeitos e a forma como organizavam seu raciocínio. A partir das novas contribuições teóricas que vêm surgindo recentemente neste campo de estudos, discute-se a necessidade de se pesquisar como a educação moral pode ser pautada em parâmetros distintos daqueles relacionados ao desenvolvimento e à construção da capacidade racional da justiça. Sem negar a importância de tal construção, defende-se o princípio de que a educação deve preocupar-se também com a construção e organização da dimensão afetiva do psiquismo, buscando a formação de personalidades morais que integrem em seus juízos e suas ações, ao mesmo tempo, os interesses pessoais e coletivos.

Comemorar a infância, celebrar qual criança? Festejos comemorativos nas primeiras décadas republicanas

PID: S1517-97022000000100010 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Veiga Gouvea
O artigo discute aspectos dos múltiplos processos de formação da identidade do brasileiro a partir do estudo da institucionalização das comemorações da criança em Belo Horizonte. Partindo da constatação de que entre o fim do século XIX e o início do XX diferentes saberes dos campos antropológico, médico, jurídico, pedagógico e psicológico são estabelecidos com o intuito de produzir essa identidade, o trabalho focaliza três eventos realizados na cidade: o dia da criança relativo à data nacional de 12 de outubro, instituída em 1924 e fortemente identificado como uma festa escolar; as festas de Natal para as crianças pobres, nas quais a filantropia mobilizou diferentes setores da sociedade; e os concursos de robustez e beleza infantil, iniciados em Belo Horizonte a partir de 1935, com a intenção de comemorar a infância associada aos ideais eugênicos. Argumenta-se que tais eventos contribuíram para a legitimação e propagação dos saberes científicos que elegeram a criança como objeto central de estudo e intervenção. Mais do que celebrar a infância, buscou-se comemorar as ciências, com o objetivo de perseguir o ideal de uma nação civilizada e una, embora marcada por profundas clivagens sócio-raciais, e projetar a criança como utopia de um mundo adulto a ser estabelecido. O trabalho mostra nas conclusões que, hoje, traços de realização desses eventos ainda se mantêm, revelando a permanência de um ideal racial europeizado que marca pela exclusão a vivência de parte das crianças brasileiras.

Crianças de revistas (1930/1950)

PID: S1517-97022000000100011 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Brites
As revistas brasileiras Vida Doméstica e Fon-Fon! publicaram entre 1930 e 1959 diferentes materiais sobre infância: textos, fotografias, caricaturas, desenhos ilustrativos etc. Este artigo analisa algumas imagens fotográficas ali presentes, discutindo seus campos temáticos e alguns procedimentos de análise que contribuíram para a caracterização das crianças no universo social brasileiro pelos periódicos indicados. As crianças neles representadas eram, na sua maioria, brancas e possuíam vida familiar estruturada (pai, mãe) e condição social privilegiada. As fotos das crianças, em algumas circunstâncias, eram produzidas em estúdios fotográficos e destacavam a beleza e felicidade. Seus trajes e adereços ajudavam a compor a imagem de criança bem nascida e feliz. O universo da fotografia na infância está articulado a outras preocupações constantes quando se fala de criança: saúde, educação, religiosidade, lazer e moda. As fotos institucionais como, por exemplo, dos parques infantis assumem características diferentes daquelas explicitadas anteriormente. Nesse caso, as crianças eram fotografadas coletivamente como propaganda das atividades desenvolvidas pelas instituições. Considerando a fotografia como produção social, e evitando, portanto, concebê-la como reflexo do real, o artigo procura articular textos e imagens, bem como refletir sobre diferentes possibilidades do mundo infantil.

Cultura da rua ou cultura da escola?

PID: S1517-97022000000100003 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: van Zanten
Este artigo objetiva estudar a construção de atitudes e práticas desviantes de adolescentes de origem francesa ou imigrantes. Os dados da pesquisa foram obtidos em uma pesquisa de campo que incluiu observações e entrevistas realizadas ao longo de dois anos numa escola da periferia parisiense, A hipótese central é a de que os adolescentes dos bairros periféricos, ao ingressarem no ensino médio, já estão predispostos à cultura da escola ou à cultura da rua, cujas predisposições foram estruturadas na família, na comunidade ou nas escolas primárias. Assim, é nos colégios, em interação com processos especificamente escolares, que se desenvolvem condutas desviantes em alguns deles. Este texto evoca, primeiramente e de maneira geral, como os jovens percebem as interpelações e diferenças entre o colégio e o bairro, para em seguida voltar a atenção para três dimensões da sociabilidade adolescente que expressam as tensões entre a rua e a escola: as amizades juvenis, a sociabilidade em sala de aula e as relações interétnicas. A conclusão ressalta o peso que os processos de segregação têm para a perda da capacidade integrativa da escola, quer se tratem dos processos que ocorrrem nos estabelecimentos com um todo, quer sejam os que tomam lugar nas salas de aula.

Cómo hacer escuelas democráticas?

PID: S1517-97022000000200005 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Puig Rovira
Para responder a la pregunta que titula el presente artículo, "¿Cómo hacer escuelas democráticas?", se ha llevado a cabo un rodeo que nos ha conducido, en primer lugar, a definir qué se entiende por escuela democrática, a ver cuáles son sus principales limitaciones y errores, y qué posibilidades le quedan todavía como instrumento educativo de transformación social. La escuela democrática se ha caracterizado como un espacio de participación que, sin embargo, muy a menudo ha producido desigualdad y discriminación. Pese a todo, las escuelas democráticas deben ser espacios de controversia y lucha en favor de la democracia. En segundo lugar, el artículo realiza un rápido recorrido por algunos de las principales tendencias y momentos de desarrollo de las escuelas democráticas. Luego, en su tramo final, el escrito propone un conjunto de dinamismos pedagógicos que han de ayudar a construir escuelas entendidas como comunidades democráticas. Dinamismos como los encuentros, la formación de pequeños grupos, la definición de espacios de diálogo y participación, y el diseño de prácticas de valor. Finalmente, el texto concluye con la presentación de una de las prácticas esenciales de las escuelas democráticas: las asambleas de clase. Además de presentar qué son las asambleas y cómo deben funcionar, se analiza su papel en tanto que instrumento de educación en valores y preparación para la ciudadanía.

Educação, ampliação da cidadania e participação

PID: S1517-97022000000200002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Jacobi
Este artigo apresenta uma reflexão sobre educação e as possibilidades de ampliação da cidadania e da participação, considerando especialmente as condições em que está se construindo um espaço público no Brasil, assim como os alcances e limites do processo de consolidação de engenharias institucionais inovadoras na gestão da coisa pública. Os dados foram colhidos em pesquisa realizada em quatro municípios paulistas São Paulo, Santo André, Itu e Botucatu com a finalidade de examinar em que medida e de que forma se dá a participação na gestão da educação. Os resultados permitem avaliar as possibilidades e impossibilidades de viabilização de dinâmicas inovadoras na relação gestão local/população usuária. Dada a diversidade de formas de ação, foi possível analisar o papel dos diversos atores intervenientes, num contexto em que ainda convivem formas tradicionais de gestão e experiências inovadoras que começam a se legitimar aos olhos da população. O argumento que está no centro da reflexão sustenta que a participação encontra-se em estreita vinculação com o processo de descentralização e pode ser um mecanismo essencial para a democratização do poder público, além de constituir um espaço vital para o fortalecimento de uma cidadania ativa e para o processo de democratização da ação do Estado e das suas práticas institucionalizadoras. O tema articulador tem em vista a participação popular na gestão pública e as transformações qualitativas na relação Estado/Sociedade Civil, consideradas como referência de um ponto de inflexão e reforço das políticas públicas centradas na ampliação da cidadania ativa.

Escola, democracia e a construção de personalidades morais

PID: S1517-97022000000200007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Araújo
Este artigo propõe-se a discutir as relações entre moralidade, democracia e educação na perspectiva do pensamento complexo, apontando caminhos e propostas para sua efetiva implementação no cotidiano educacional, com a convicção de que esse é um imperativo das novas demandas sociais para a escola contemporânea. Entendendo que um dos objetivos da educação é o da formação ética, o autor propõe ações intencionais para que a escola propicie aos sujeitos da educação os instrumentos necessários à construção de suas competências cognitivas, afetivas, culturais e orgânicas, dando-lhes condições de agir moralmente no mundo. Nesse sentido, são identificados e discutidos sete aspectos da realidade escolar que impedem ou contribuem para a democratização da escola e que devem ser compreendidos a partir do paradigma da complexidade: os conteúdos escolares, a metodologia das aulas, a natureza das relações interpessoais, os valores, a auto-estima e o auto-conhecimento dos membros da comunidade escolar, assim como os processos de gestão escolar.

Les parcs d'attractions: jeu, divertissement, éducation

PID: S1517-97022000000100002 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Brougère
Les parcs d'attractions se sont, dans les années 90, développés en France comme dans l'ensemble du monde. Ils apparaissent comme des lieux de divertissement spécifiques dans la construction d'une illusion basée souvent sur des contenus culturels et/ou scientifiques sophistiqués. D'où la tentation d'y voir de nouveaux lieux d'éducation qui pourraient servir de modèles aux musées. Les expositions universelles sont des lieux qui mélangent volontiers des perspectives pédagogiques avec les procédés des parcs d'attractions. L'article essaie d'analyser ce qui caractérise ce type de loisir et l'architecture qui lui est liée, proposant de nouveaux objets qui ressemblent à des jouets surdimensionnés tant leur logique est semblable. Il importe en effet d'analyser la logique et le fonctionnement de ces nouveaux supports de loisir, pour comprendre leurs limites comme lieu d'éducation formelle. Celle-ci ne peut se développer que sur la base d'une analyse des parcs, d'une déconstruction de leurs effets.

Linguagem oral na escola em tempo de redes

PID: S1517-97022000000100004 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Belintane
O presente artigo propõe reflexões sobre as possibilidades de ensino da língua oral, a partir das concepções veiculadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil) do ensino fundamental e de críticas consensuais que evidenciam a carência de materiais didáticos e de currículos que dêem à língua falada e às produções orais um tratamento didático-pedagógico à altura do papel que esses fenômenos desempenham, tanto no uso pragmático da língua como no campo literário. As reflexões são elaboradas a partir de uma concepção que assume a língua como instrumento, meio de interação e constituição de subjetividades; adotam o conceito de gêneros do discurso de Bakthin e constroem sua coerência contextual tendo como base a práxis pedagógica do autor em cursos de formação de professores (iniciais e em serviço). Argumenta em prol de uma perspectiva curricular que considere a oralidade, neste contexto de novas tecnologias, um campo complexo, dinâmico e suficientemente propício a impregnações com a escrita, sobretudo com a literatura. Sugere-se um esboço de modelo que propõe o tratamento didático-pedagógico das atividades de escuta e produção oral em conjunção explícita com as atividades de leitura e produção escrita e, ainda, apresenta reflexões sobre as possibilidades e vantagens de incluir, sem preconceitos, produções orais contemporâneas e as originárias da tradição do oral.

Notas em torno de retratos de criança

PID: S1517-97022000000100007 | Periódico: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Ano: 2000
Autores: Fernandes
Ao destacar o caráter polissémico da palavra criança, o artigo questiona tal polissemia para tempos pretéritos. Afirma que o vocábulo foi muitas vezes substituído por outros, com o intuito de designar com mais propriedade as fases de desenvolvimento infantil e problematiza com isto o estudo clássico de Philippe Ariès acerca do sentimento de infância na Idade Média. As análises partem de uma releitura da Crónica de D. João I, de Fernão Lopes e rastrea no texto do cronista as palavras usadas para significar criança na acepção que hoje se dá ao termo. O propósito foi o de efetuar sondagem em uma das obras desse grande criador da língua portuguesa no período considerado. A essa fonte acrescentam-se algumas páginas da literatura que focaliza a criança em diferentes situações, cuja análise permitiu reconstruir as diversas representações de crianças, as quais, por sua vez, depõem sobre traços significativos da mentalidade pedagógica, em Portugal, quanto ao modo de conceber a infância. Conclui pela necessidade de compreender o termo infância em seu plural, pois assinala a variedade de perfis que essa categoria histórica, social e psicológica comporta; e alerta para o facto de que é preciso recordar que os retratos de crianças não provêm diretamente de crianças, mas foram produzidos por aqueles que já não eram meninos.
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