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A Análise temática e o uso de software para análise de dados qualitativos como uma possibilidade metodológica

PID: S1519-39932025000100407 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Ferrari Almeida Brum Dalapicola Araujo
Resumo Os debates legislativos têm se mostrado fontes importantes de análises e um fértil material para o campo das políticas educacionais. Todavia, nesse campo, há uma lacuna no que se refere à profundidade teórico-metodológica nas produções acadêmicas. Nesse sentido, este artigo objetiva apresentar possibilidades para um percurso metodológico utilizando a Análise Temática, baseada na produção de Virginia Braun e Victoria Clarke, e o software MAXQDA, de natureza Computer Assisted Qualitative Data Analysis Software, para analisar políticas educacionais a partir de fonte legislativa. Os resultados apontam que a Análise Temática se estabelece como uma metodologia eficaz e versátil na pesquisa qualitativa em educação, sobretudo para a análise das políticas educacionais de tramitação de projetos de lei no legislativo. A metodologia apresentada nesse artigo proporciona um percurso claro e sistemático, que oferece tanto uma base teórica sólida quanto ferramentas tecnológicas adequadas para tratar dados qualitativos.

A construção de universidades de classe mundial: implicações, estratégias e desafios para o Ensino Superior

PID: S1519-39932025000100500 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Abreu Diegues Lima Araújo Castro
Resumo A busca pela excelência acadêmica tem levado instituições de ensino superior a adotarem estratégias para se tornarem universidades de classe mundial. O conceito, amplamente promovido por organismos internacionais como o Banco Mundial, enfatiza a concentração de talentos, a abundância de recursos e uma governança eficiente. Este estudo tem como objetivo analisar criticamente o conceito de universidade de classe mundial, bem como as estratégias de internacionalização e as parcerias público-privadas associadas a esse modelo, além dos impactos dos rankings internacionais no ensino superior. Metodologicamente, a pesquisa baseia-se na análise documental de um relatório do Banco Mundial (2009) e de estudos correlatos, adotando uma perspectiva crítica fundamentada na sociologia da educação. Os resultados indicam que, embora as universidades de classe mundial possam impulsionar a competitividade global, a adoção de modelos globais, sem adaptações ao contexto local, pode comprometer a inclusão e a autonomia das universidades. Conclui-se que é fundamental equilibrar excelência acadêmica e equidade social para garantir um ensino superior sustentável e acessível.

A educação superior em tempos de pandemia: uma análise da implementação do ensino remoto emergencial na Universidade Estadual do Tocantins

PID: S1519-39932025000100409 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Moreira Silva
Resumo Em resposta à crise desencadeada pela pandemia de COVID-19, as Instituições de Educação Superior tiveram que paralisar a oferta dos cursos presenciais. Deste modo, a presente pesquisa buscou analisar o processo de implementação do ensino remoto emergencial, na Universidade Estadual do Tocantins. A metodologia empregada foi a abordagem qualitativa, utilizando pesquisas bibliográfica e documental. A implementação do ensino remoto emergencial, na Universidade Estadual do Tocantins, ocorreu como uma “ação em experimento”, em razão do contexto pandêmico. Apesar dos desafios e obstáculos, a Universidade Estadual do Tocantins conseguiu implementar o ensino remoto emergencial com relativo êxito, buscando minimizar o impacto no ensino e aprendizagem. Os resultados da pesquisa evidenciam a importância do planejamento na gestão educacional; do investimento em formação docente e da oferta de suporte técnico para o sucesso do ensino remoto. É preciso repensar a educação superior no contexto pós-pandemia. Assim, destaca-se, também, a necessidade de criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas para a inclusão de tecnologias digitais na educação superior e de estratégias de apoio aos professores e alunos. Essas políticas podem ampliar oportunidades educacionais e reduzir desigualdades, contribuindo para o desenvolvimento do país.

A excelência como modelo opressor: violência e convivência escolar

PID: S1519-39932025000100209 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Ferreira
Resumo Embora a questão da “violência escolar” se revista de grande complexidade, ela tende a ser abordada de forma restrita, usualmente centrada na violência interpessoal, entre alunos ou alunos e professores. Este artigo não tem a pretensão de examinar as suas múltiplas formas, mas contribuir para a discussão a respeito dela enquanto fenômeno social. Argumenta-se que a violência neoliberal constitui hoje uma das mais intensas formas de opressão, especialmente por se manifestar de forma oculta, dissimulada e até legitimada. Além de uma discussão teórico-conceitual em torno do fenômeno e da sua relação com o modelo opressor de excelência acadêmica, analisa-se o caso de um agrupamento de escolas português que inclui nos seus princípios e práticas a não violência e a promoção da convivência no ambiente escolar. Sendo o autor um consultor desse grupamento, adotou-se a “amizade crítica” como método de pesquisa, numa tentativa de lidar com a familiaridade através da vigilância crítica e reflexiva. As escolas que fazem parte do agrupamento inserem-se num território social e economicamente vulnerável, do qual faz parte o chamado “bairro social”, habitado em grande parte por ciganos e imigrantes. Ainda que não consiga manter-se à margem de políticas neoliberais hostis à sua proposta político-pedagógica baseada em direitos humanos, o compromisso do agrupamento escolar com as crianças, os adolescentes, as famílias e as comunidades abrangidos por ele faz com que esteja menos orientado para a excelência e mais para a experiência e o afeto, ocupando, assim, um lugar inclusivo no seu território.

A promoção da convivência no contexto da educação infantil: apontamentos da literatura

PID: S1519-39932025000100505 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Rosa Tessaro
Resumo Este artigo tem como objetivo analisar estratégias pedagógicas utilizadas na educação infantil para a promoção da convivência, por meio de uma pesquisa de revisão bibliográfica. Os estudos analisados estão indexados nas bases de dados: Catálogo de Teses e Dissertação Capes; Portal de Periódicos Capes (Acesso CAFe) e The Scientific Electronic Library Online (SciELO), tendo como recorte temporal os anos de 2013 a 2023. Com base em critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 31 trabalhos para compor a discussão deste texto. Do processo analítico, seguindo os critérios metodológicos da pesquisa, emergiram três categorias: (a) percepções e a formação do professor para promoção da convivência; (b) o brincar como uma possibilidade de promoção da convivência na educação infantil; (c) reconhecimento da diversidade para a promoção da convivência. Entre os destaques desta investigação, identificou-se que a valorização do brincar e da diversidade na escola podem servir de base para a promoção da convivência entre as crianças, mas, para isso, os professores necessitam de formação inicial e continuada. Igualmente, verificamos que diferentes abordagens teórico-metodológicas são utilizadas para fundamentar as práticas pedagógicas dos professores, com vistas à promoção da convivência na infância.

Alfabetização de crianças: a pandemia e a ruptura nos ritos de transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental

PID: S1519-39932025000100304 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Barros Brito
Resumo Este relato discorre sobre experiências relacionadas à alfabetização de crianças durante e após a de pandemia da COVID-19, especificamente os anos de 2021 e 2022, na rede municipal de educação de Juazeiro do Piauí. Metodologicamente, o trabalho constitui-se em pesquisa narrativa, em que utilizamos a observação participante, os relatórios e os documentos orientadores do trabalho pedagógico para a produção dos dados. Os resultados destacam o relevante trabalho realizado no período pós-pandemia, a partir de três categorias: 1) Reconfiguração do currículo; 2) Reorganização do trabalho pedagógico; 3) Acompanhamento pedagógico, apontando para a necessidade de políticas públicas potentes e ações permanentes para que as crianças tenham o direito à educação efetivado. Conclui-se que muitos entraves estão sendo encontrados, principalmente pelos professores, no trabalho de transição e no processo de alfabetização e letramento. O ensino não presencial afetou, significativamente, a maioria das crianças em fase de alfabetização, principalmente as mais vulneráveis. Dessa forma, faz-se necessário avançar na formulação de políticas específicas voltadas para a superação da defasagem de aprendizagem e desenvolvidas a partir do comprometimento coletivo com a infância.

Alfabetização e deficiência no Uruguai: do direito ao fato

PID: S1519-39932025000100308 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Carro
Resumo O trabalho versa sobre o estado da alfabetização no Uruguai e torna visível o principal fator da desigualdade no acesso à educação e à alfabetização, que significa ser uma pessoa com deficiência. Embora tenham sido alcançados progressos nesta área, ainda existe uma enorme distância entre as regulamentações, que salientam a necessidade de fazer efetivo o direito à educação para todas as pessoas, e a realidade concreta do país. Levando em conta a análise dos dados disponíveis através da Pesquisa Domiciliar Contínua (2007 a 2019), o país apresenta uma diminuição constante do analfabetismo ao longo do tempo, atingindo 98,77% em 2019. Isto o situa acima da média mundial e da América Latina e Caribe (94,45%). No entanto, a relação entre analfabetismo e deficiência continua pouco visível no mundo, incluído o Uruguai e, talvez seja a que mais abala a determinação se uma pessoa tem acesso a seu direito de ser educada e, dentro deste aspecto, de ser alfabetizada. Entre os limitados dados disponíveis, no Uruguai, 70% das pessoas que se declararam analfabetos também indicaram ter algum tipo de deficiência. Pode-se arriscar que existe e persiste uma ampla barreira, fruto da falta de medição, da escassez de recursos materiais e humanos especializados em educação, e da prevalência de um paradigma excludente, coincidindo com um modelo de rejeição, muito distante do modelo social e dos direitos no cuidado da diversidade funcional. Portanto, é imperativo realizar um planejamento de medição e intervenção sobre uma realidade latente e pressurosa para a população que a sofre.

Alfabetização: superando obstáculos em meio à pandemia

PID: S1519-39932025000100307 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Nunes Faria
Resumo Na atualidade, a educação reflete mudanças sociais impulsionadas por dois pilares: a interação comunitária e o avanço tecnológico. A interação comunitária envolve a colaboração e participação ativa de educadores, alunos, famílias e a comunidade, promovendo uma educação contextualizada e significativa, enquanto o avanço tecnológico, por sua vez, amplia as possibilidades de ensino e aprendizagem, fornecendo instrumentos e metodologias que reverberam em outras modalidades de comunicação e construção de conhecimentos. A combinação desses fatores impulsiona a educação rumo a novos horizontes, promovendo a formação de cidadãos críticos, criativos e preparados para desafios contemporâneos. Diante desse contexto, esse estudo visa não apenas compreender e abordar os desafios enfrentados no processo de alfabetização diante das transformações sociais e educacionais decorrentes da pandemia e do retorno às aulas presenciais, mas também compartilhar as oportunidades exploradas nesse contexto. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de cunho bibliográfico, baseada na análise da literatura existente sobre o uso do lúdico no processo de alfabetização inicial e nas atividades desenvolvidas com alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental I, em uma escola pública de Ji-Paraná (Rondônia). O aporte empírico foi ancorado na metodologia colaborativa, conforme delineada por Ibiapina (2008). Ao compartilhar essas experiências, pretende-se contribuir para práticas pedagógicas mais eficazes e inclusivas, visando a uma aprendizagem significativa focada nos alunos em sua jornada educacional, bem como na promoção da conscientização em direção ao alfaletramento e na garantia dos direitos de aprendizagem da criança.

Apoio aos estudantes nas universidades federais brasileiras: perfil dos profissionais dos serviços de Assuntos Estudantis

PID: S1519-39932025000100408 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Toti Dias Heringer Prado Silva
Resumo A expansão do sistema de Ensino Superior brasileiro, associada à mudança na concepção sobre o apoio institucional à permanência estudantil, promoveu mudanças importantes na constituição das equipes profissionais que atuam nos setores dedicados aos Assuntos Estudantis nas universidades federais. Este estudo se insere no campo do Ensino Superior e explora o subcampo emergente dos assuntos estudantis nas universidades federais brasileiras. O trabalho tem como objetivo apresentar o perfil das equipes das Pró-reitorias de Assuntos Estudantis ou equivalentes nas universidades federais brasileiras, considerando a importância da atuação desses profissionais para as ações de apoio integral aos estudantes universitários. Com abordagem qualitativa, a pesquisa utilizou levantamento bibliográfico e coleta de dados por meio de análise de sites institucionais e consultas às universidades via Fala.BR, abordando informações públicas disponibilizadas pelas instituições. Os resultados mostram que a maioria das universidades federais ampliou o público atendido pelas Pró-reitorias de Assuntos Estudantis para além dos alunos beneficiários de auxílio financeiro (perfil PNAES), abrangendo uma parcela maior da comunidade acadêmica. Identificou-se um crescimento nas equipes multiprofissionais, com destaque para pedagogos, psicólogos e assistentes sociais, refletindo uma expansão nas ações de apoio pedagógico e psicológico. Contudo, há uma concentração de servidores em funções administrativas, indicando que as políticas de permanência ainda estão voltadas principalmente para o suporte material. A pesquisa sugere a necessidade de aumentar as equipes para atender às demandas diversificadas dos estudantes e promover uma abordagem multidimensional da permanência acadêmica.

As aprendizagens docentes e a pandemia: e agora?

PID: S1519-39932025000100303 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Tassoni Goulart
Resumo Apresentamos parte dos resultados da pesquisa realizada com professores no interior de um projeto de investigação de abrangência nacional. O projeto visou conhecer o trabalho pedagógico que foi realizado desde o início do ensino remoto emergencial até o retorno totalmente presencial às escolas. De abordagem quali-quantitativa, a pesquisa abrangeu grande parte do Brasil. Este recorte focaliza três estados da Região Sudeste – Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Os instrumentos empregados tanto no período de ensino remoto quanto na volta às aulas presenciais foram questionários seguidos do trabalho com grupos focais. Em ambos os momentos, tais instrumentos oportunizaram que professores falassem sobre suas condições de trabalho, angústias, medos e desafios, constituindo-se em uma forma de acolher uma categoria profissional que se deparou com uma mudança radical na essência do seu trabalho. Problematizamos aqui as aprendizagens docentes no período remoto, apesar das inúmeras dificuldades e desigualdades em diversos âmbitos, bem como o risco que o retorno às aulas presenciais pode trazer para o enfraquecimento dessas aprendizagens. A padronização das avaliações, desconsiderando os quase dois anos letivos de ensino remoto, e a responsabilização de professores pela não aprendizagem ameaçam as poucas experiências relevantes e promissoras vividas durante o ensino remoto. A parceria entre professores, a troca de saberes e descobertas e a aproximação com as famílias contribuíram para fortalecer o trabalho docente. A literatura, as reflexões dinâmicas com e sobre a linguagem escrita e os espaços de escuta dos estudantes foram relevantes fontes de produção de discurso e atribuição de sentidos ao que se escreveu, leu e falou.

Ataques de violência extrema às escolas no Brasil

PID: S1519-39932025000100200 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Garcia Vinha
Resumo O aumento dos ataques de violência extrema às escolas no Brasil gerou um clima de apreensão e intensos debates em diversos setores da sociedade. Esses ataques diferem de outras formas de violência, tratando-se de um fenômeno com características específicas e multicausal. Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa documental que mapeou episódios de violência extrema em escolas no Brasil, cometidos por estudantes e ex-estudantes. Foram considerados os incidentes intencionais que ocorreram no espaço escolar, planejados e com o objetivo de causar mortes e lesões. Eles se caracterizam como crimes de ódio e/ou são motivados por vingança (quando o autor é menor de idade, são atos infracionais violentos de tentativa contra a vida). A pesquisa identificou o primeiro registro no país em agosto de 2001 e, até julho de 2024, contabilizou 40 episódios, com um aumento expressivo, entre 2022 e 2024, de 25 casos. Do total, 31 foram ataques ativos, em que o objetivo é matar indiscriminadamente o maior número de pessoas, e nove foram ataques direcionados, com alvos específicos. O estudo detalha as características desses eventos e dos seus autores, analisa por que os ataques são especificamente direcionados às escolas, explora os armamentos utilizados e examina a progressão das denúncias e das investigações decorrentes. Espera-se que esta pesquisa contribua para uma compreensão mais aprofundada desse tipo de violência cruel que atinge nossas escolas, oferecendo subsídios para o planejamento de ações de prevenção e enfrentamento.

Características epistemológico-educacionais do componente curricular Projeto de Vida: compreensões de estudantes

PID: S1519-39932025000100400 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Mezzomo Kraemer
Resumo Este artigo tem como objetivo identificar as características epistemológico-educacionais do componente curricular Projeto de Vida em duas escolas de Ensino Médio no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, a partir da ótica de estudantes, no contexto da reforma do Ensino Médio – deflagrada em 2017. Na pesquisa de campo, foram utilizados questionários e grupos focais. A metodologia utilizada é mista, combinando estudos bibliográficos, documentais e pesquisa de campo. Conforme os dados, entre outros elementos, as análises expressam: significativa receptividade dos estudantes ao componente; desejo latente de uma educação integrada ao mundo; um potencial significativo de renovação da educação no modo de trabalho do Projeto de Vida e aspectos neoliberais presentes nos relatos dos estudantes. Conclui-se que o Projeto de Vida, ao mesmo tempo em que apresenta elementos de uma educação problematizadora em suas características epistemológico-educacionais, sinalizando mudanças profundas na educação contemporânea, também mobiliza traços do pensamento neoliberal em educação.

Contribuições da AlfaRede para o retrato da alfabetização na pandemia e no pós-pandemia

PID: S1519-39932025000100300 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Macedo
Resumo Neste artigo descrevemos e analisamos a dinâmica de pesquisa da AlfaRede, uma rede virtual de pesquisa composta por 33 universidades de todas as regiões do país. Os objetivos da pesquisa são analisar como essa rede contribui para a compreensão dos impactos da pandemia e do pós-pandemia na alfabetização das crianças e conhecer os principais desafios enfrentados pelas docentes durante o ensino remoto emergencial e após a reabertura das escolas. Foram utilizados métodos quanti-qualitativos que incluíam o survey e a realização de grupos focais. Os resultados indicam a impossibilidade de se alfabetizar remotamente as crianças. Assim, para a maioria das docentes, o ensino remoto emergencial conseguiu apenas manter o vínculo das crianças com atividades escolares, sendo que 30%, consideradas as desconectadas, não tiveram acesso a qualquer forma de ensino. O WhatsApp garantiu o mínimo de vínculo de 70% das famílias com a escola.

Convivência escolar e prevenção às violências: debates sobre a produção acadêmica da Região Sudeste do Brasil

PID: S1519-39932025000100206 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Moro Zambianco Pinheiro
Resumo O presente artigo objetiva apresentar uma revisão narrativa sobre a convivência escolar, com foco nas produções científicas desenvolvidas na Região Sudeste do Brasil. A partir do levantamento dos trabalhos, realizou-se uma análise de conteúdo para localizar possíveis relações entre a convivência escolar e a prevenção de violências escolares. Foram selecionados 14 materiais, entre artigos científicos, teses e dissertações, com um recorte temporal de 10 anos (2014 a 2024), a partir da busca no Google Acadêmico com os conceitos-chave: “convivência escolar” e “violência escolar”. A análise levou a três temas: práticas escolares para a promoção da convivência e combate à violência; formação de professores para a promoção da convivência ética e políticas públicas e implementação de programas para a convivência ética. Os resultados sinalizam que um corpo teórico sobre convivência ética, relacionado à prevenção da violência escolar, tem se fortalecido na região, embora não de forma hegemônica entre os estados; destacam práticas escolares aplicadas à promoção da convivência ética, nas atividades em sala de aula e envolvendo toda a escola, bem como as potencialidades da formação docente que promove o engajamento com a temática, e destrincham a implementação de programas profícuos para a promoção da convivência ética nas escolas públicas, como movimentos necessários às demandas de aumento de registros de violências nas escolas, mas obstaculizados por descontinuidades e justaposição de políticas públicas.

Custos dos restaurantes universitários para as universidades federais. O que este cenário revela?

PID: S1519-39932025000100600 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Pazzini Carneiro Bandoni
Resumo O custo para manter os restaurantes universitários é significativo e os recursos repassados pelo Governo Federal têm sido insuficientes para garantir a assistência estudantil. O objetivo deste estudo é demonstrar o custo dos restaurantes universitários para as universidades federais, a fim de subsidiar discussões e alternativas para melhor dimensionamento dos recursos, garantindo a manutenção e aprimoramento desses espaços essenciais para a assistência estudantil. Analisou-se 106 Termos de Referência de 54 universidades, além de aplicação de questionários com os gestores dos restaurantes universitários. Na análise dos dados notou-se que 66% das universidades federais isentam alunos em situação de vulnerabilidade social do pagamento das refeições e dentre os pagantes há variação no valor, sendo o discente da região Nordeste o que paga mais pela alimentação. O preço médio unitário da refeição também difere entre as regiões, sendo o Sudeste a região com menor valor e o Norte com o valor mais elevado, refletindo os desafios de transporte e produção local de alimentos. A relevância dos restaurantes universitários transcende o aspecto financeiro, promovendo hábitos alimentares saudáveis, além de atuar como espaços de convivência e cultura. Contudo, enfrenta desafios orçamentários, necessitando de uma distribuição de recursos mais equânime, respeitando as particularidades regionais e institucionais.

Debates da Psicologia da Educação da região Sul do Brasil acerca da violência nas escolas

PID: S1519-39932025000100207 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Santos Gomes Costas Cordeiro Selau
Resumo A violência é um fenômeno social complexo, com raízes históricas e cujas manifestações transcendem a criminalidade. Nas escolas, o fenômeno da violência, apesar de não ser um elemento novo, ocorre no cotidiano institucional e sua caracterização vem se modificando. Historicamente associado à indisciplina, a violência nas escolas apresenta-se como um fenômeno em crescimento e com diferentes expressões. Este artigo traz em debate os conhecimentos da Psicologia da Educação para discutir a violência estrutural nas escolas com foco na região Sul do Brasil. Foram realizados três movimentos: a construção do estado do conhecimento das produções do eixo Psicologia da Educação da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação Sul e Banco de Dados de Teses e Dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (BDTD-IBICT); a análise dos dados do Atlas da Violência e do Observatório Escolar; e notícias veiculadas nos portais do Ministério da Educação e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Como resultados, percebeu-se, entre as produções científicas, a supremacia da associação da violência escolar ao bullying em uma realidade que aponta a presença de outras expressões da violência nas escolas. Observou-se, também, o crescimento de episódios de violência extrema por meio de ataques às escolas e massacres da comunidade escolar. Nos Observatórios, constatou-se que apenas cerca de 8,8% dos registros correspondem à região Sul, denotando a fragilidade das notificações de violência no contexto escolar. Portanto, discutir a violência nas escolas é um desafio, pois ao mesmo tempo que a escola tem como função educar para a paz, o respeito à diversidade e combater a todo e qualquer tipo de preconceito e ódio, a violência nas escolas reflete os processos de desigualdade da sociedade. Em vista disso, é necessário problematizar e ser propositivo em relação a este fenômeno que compromete a aprendizagem, o conviver e a saúde física e mental das/dos educadores e estudantes.

Desafios da alfabetização na pandemia da COVID-19: três momentos de reabertura das escolas

PID: S1519-39932025000100302 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Ferreira Nogueira
Resumo O artigo apresenta dados de uma pesquisa qualitativa, realizada por meio de questionário on-line e grupos focais, com professoras do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental, sobre o retorno ao ensino presencial após a pandemia. A pesquisa está vinculada à AlfaRede e, neste artigo, contempla dados da região Sul e do Rio Grande do Sul, a fim de analisar como as professoras vivenciaram o retorno ao ensino presencial, entre maio de 2021 e março de 2022. Os dados do questionário indicam que as docentes consideraram boa a assiduidade dos alunos e avaliaram como regular os conhecimentos das crianças em leitura e escrita. A análise das experiências de cinco professoras do município de Rio Grande permitiu identificar aspectos referentes a três momentos marcantes da volta ao presencial: o primeiro, em que o retorno era opcional, com manutenção do ensino remoto emergencial; o segundo, com retorno obrigatório às atividades presenciais no estado do Rio Grande do Sul; e o terceiro, com a obrigatoriedade da presença dos estudantes nas escolas. Esses momentos foram marcados por infrequência dos alunos, sobrecarga de trabalho, ausência de formação docente e acentuada heterogeneidade entre os estudantes. Os dados evidenciam que o poder público foi omisso e que as professoras precisaram, sozinhas ou com seus pares, elaborar estratégias e ações com o intuito de promover o acolhimento e a recomposição das aprendizagens. Com isso, tomaram para si a responsabilidade de garantir o direito das crianças à alfabetização.

Entrelaçamento das neurociências na formação de professores(as): uma revisão sistemática

PID: S1519-39932025000100501 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Teixeira Lindemann
Resumo Este estudo objetiva compreender o entrelaçamento das neurociências na formação de professores por meio de uma revisão sistemática de pesquisas publicadas entre 2015 a maio de 2024. A investigação foi conduzida nas bases Educational Resources Information Center e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, considerando estudos brasileiros com aplicação prática. Foram selecionados 13 trabalhos, organizados em três categorias: neurociências e inclusão na educação, neurociências e uma formação crítica e reflexiva, e neurociências aplicadas à prática docente. A análise revelou que a incorporação das neurociências à formação de professores contribui para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas, a promoção de um ensino reflexivo e crítico e a aplicação de estratégias alinhadas ao funcionamento cerebral. Entretanto, desafios persistem, como a presença de concepções equivocadas sobre neurociências na formação inicial, dificuldades na transposição da teoria para a prática e a necessidade de programas de formação continuada que articulem conhecimentos neurocientíficos, mediação pedagógica e desenvolvimento profissional.

Escolarização como aspecto de “risco” suicida à juventude cis-heterodissidente: problematizações iniciais

PID: S1519-39932025000100503 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Costa Prado
Resumo O objetivo deste texto é problematizar, teoricamente, como as experiências escolares desviadas de jovens podem constituir-se - e estão constituindo-se - como aspecto de “risco” suicida. Na intenção de complexificar cada vez mais as leituras a respeito da morte auto infligida, o artigo recorre a produções pós-estruturalistas e queer, sobretudo, às realizadas pelo campo educacional. Interroga-se como as experiências escolarizantes da juventude cis-heterodissidente podem se relacionar com a produção social da abjeção e com o suicídio. Aponta-se limites quanto a categorias de “risco” suicida mobilizadas por parcela das produções científicas. Sugere-se, por fim, que tal debate siga operado por outras formas de conceber o conhecimento e a linguagem, em particular, a partir de pesquisas em Educação.

Iniciativas de promoção da convivência escolar realizadas pelas Secretarias Estaduais brasileiras de Educação pós onda de ataques (2022-2023)

PID: S1519-39932025000100201 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Tognetta Tessaro
Resumo O objetivo deste artigo é analisar as ações voltadas para a promoção da convivência entre alunos da Educação Básica como resposta aos ataques sofridos nas escolas brasileiras a partir de 2022 produzidas e publicizadas nos sites das Assembleias Legislativas e das Secretarias Estaduais de Educação dos 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal. Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo documental e analítico. Utilizando-se dos pressupostos de análise de Bardin, categorizou-se e interpretou-se as ações em categorias primárias e secundárias. As primárias se referem à análise de leis, e as secundárias foram organizadas a partir das ações realizadas e publicadas pelas Secretarias Estaduais de Educação. Os resultados mostram que ações interventivas envolvendo policiais acontecem com mais frequência nos estados das regiões Sul e Norte do pais; as ações de formação, nas regiões Sudeste e Nordeste; as informativas são mais comuns nos estados do Centro-Oeste e as punitivas, de controle e vigia, em todas as regiões, com destaque para os estados das regiões Sudeste e Sul. Conclui-se que as ações de enfrentamento às violências se dão de forma punitiva e de controle; as intervenções envolvem a polícia na escola e que há pouco envolvimento da comunidade e da rede de proteção (núcleos multiprofissionais) para a promoção da convivência nas escolas.
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