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O ensino da língua materna na École Maternelle pública francesa

PID: S1519-39932020000100304 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Reis Moretto
Resumo As experiências como professora da Educação Infantil foram as razões que motivaram a investigação do trabalho com a língua materna nesse nível escolar. Todavia, a oportunidade de vivenciar algumas práticas de ensino em uma escola de Coësmes (França) proporcionou o interesse de realizar pesquisa no território francês de forma a compreender como a alfabetização tem ocorrido nesse país. Diante disso, o presente trabalho objetiva analisar o que as docentes francesas priorizam em relação ao ensino da língua materna com crianças de quatro anos. Foram realizadas entrevistas narrativas com duas professoras que lecionam em uma escola pública localizada no centro de Paris. As análises mostram que elas priorizam a alfabetização ao invés do letramento e o ensino da língua pátria, ou seja, objetivam a alfabetização das crianças francesas e daquelas que vieram de outros países.

O envelhecimento no currículo do Ensino Superior nos cursos de Saúde e Humanidades

PID: S1519-39932020000100407 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Agliardi Areosa Graeff
Resumo Este artigo apresenta um panorama da formação de recursos humanos nas áreas de saúde e humanidades em 14 Instituições de Ensino Superior do estado do Rio Grande do Sul. É um estudo realizado nos anos de 2017/2018 pelo Fórum Gaúcho do Ensino Superior sobre Envelhecimento Humano, intitulado “Currículo do Ensino Superior e Envelhecimento Humano”. O estudo tem abordagem qualitativa com o objetivo de analisar os currículos dos cursos de graduação das áreas da Saúde e Humanidades em relação à temática da velhice na formação de profissionais de diversas áreas do conhecimento. A pesquisa foi realizada através de questionário enviado pela plataforma Google Docs a professores, coordenadores de cursos de graduação e pró-reitores. A sustentação teórica está embasada nos estudos das áreas de Geriatria e Gerontologia, as quais se articulam com a legislação nacional da educação e da saúde. Os resultados mostram que 162 disciplinas trabalham com a temática do envelhecimento em 32 cursos de graduação. Os professores dessas disciplinas do currículo de graduação possuem titulação de doutor e mestre e desenvolvem planos de ensino de abordagem interdisciplinar, refletindo a necessidade de se entender a velhice sob múltiplas dimensões: biológica, social, cultural e psicológica. Importante destacar que a implantação dessas disciplinas nos cursos de graduação pesquisados se deu de maneira gradual, porém de forma mais efetiva nos últimos 15 anos.

O portfólio na Educação Infantil e o desenvolvimento profissional: contribuições da Psicologia Escolar Crítica

PID: S1519-39932020000100408 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Arantes Silva
Resumo A avaliação escolar é um aspecto importante no universo escolar; portanto, pesquisar sobre instrumentos de avaliação se faz muito relevante. Esta pesquisa objetiva refletir, à luz da Psicologia Escolar Crítica, a construção do portfólio como um instrumento que promove reflexão e desenvolvimento profissional, a partir da mediação de uma coordenadora pedagógica junto a uma professora de Educação Infantil. Para tanto, trabalhou-se com a pesquisa qualitativa, em especial a pesquisa participante. O estudo se realizou em uma escola da rede privada de Uberlândia (MG) com duas participantes, sendo a coordenadora pedagógica com formação em Psicologia e uma professora da Educação Infantil. Os dados foram construídos por meio de entrevista semiestruturada; da análise do portfólio e do diário de campo da pesquisadora. Três eixos de análise foram elaborados, os quais versam sobre a professora e sua prática e sobre a mediação da coordenadora junto à docente a partir da análise e construção do portfólio. Ficou claro que este consiste em um rico instrumento de reflexão sobre as práticas escolares, pois evidencia elementos sobre o processo de aprendizagem das crianças, o desenvolvimento profissional da professora e o trabalho da escola como um todo. Sendo assim, esse material pode se configurar como um ótimo instrumento para ajudar o psicólogo escolar a compreender a prática do professor e a elaborar intervenções com vistas a colaborar com o desenvolvimento profissional deste.

Os Cursos Técnicos Integrados do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul

PID: S1519-39932020000100203 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Brizueña Figueira
Resumo Este artigo tem como objetivo analisar a constituição dos Cursos Técnicos Integrados de Nível Médio no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, Campus Campo Grande, no período de 2011 a 2015. Trata-se de estudo qualitativo, que tem como metodologia a análise documental, o uso de questionários e a entrevista semiestruturada. A pesquisa é norteada pela relação entre trabalho e educação, por meio das categorias de análise propostas por Petitat (espaço, tempo e conteúdos). Os sujeitos da pesquisa foram 20 estudantes egressos, 19 docentes e 1 diretor, os quais participaram dos 3 cursos (Informática, Eletrotécnica e Mecânica). Constatou-se que, apesar da existência da proposta de integração, a dualidade histórica não foi totalmente superada, pois, segundo os egressos dos cursos, nem sempre ocorre integração entre as unidades curriculares; além disso, na percepção da maioria, a referida integração ocorre apenas de forma parcial. Somente um quarto dos sujeitos afirmou perceber a integração, de acordo com a constatação de que 57,8% dos docentes compreendem a concepção de integração do Ensino Médio com a Educação Profissional com vistas ao desenvolvimento integral dos estudantes. Com isso, sinaliza-se que há aspectos a serem aprimorados pela comunidade acadêmica.

Planejamento de gestão universitária: identidade e regulação

PID: S1519-39932020000100404 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Salerno Leite
Resumo O presente estudo analisa o planejamento de gestão universitária como construção de identidade e regulação para a Instituição de Educação Superior. O instrumento de planejamento em questão é o Plano de Desenvolvimento Institucional, pois é um recurso de gestão que estabelece diretrizes pedagógicas, estrutura organizacional e estratégias a serem utilizadas para atingir metas, objetivos e ações que a instituição pretende desenvolver, explicitando sua identidade. Utilizou-se do método de pesquisa qualitativa, por pesquisa bibliográfica, com respaldo teórico no Planejamento Estratégico Situacional à luz da abordagem de Carlos Matus. A análise documental de fontes como Plano de Desenvolvimento Institucional da Universidade Estadual de Londrina, bem como a aplicação de entrevista semiestruturada foram utilizadas para trazer elementos de uma universidade para reflexão. Objetivou-se com este estudo reconhecer quais os desafios encontrados pela Universidade para a elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional, em especial a Universidade Estadual de Londrina, considerando o processo recente de elaboração pela instituição e sua regulação pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior. No complexo papel da universidade, o processo de elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional tem apresentado desafios internos sobre a mobilização e a participação da comunidade acadêmica.

Planejamento e organização do estágio nos cursos de Licenciatura em Educação Física de Mato Grosso

PID: S1519-39932020000100402 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Almeida Moreira
Resumo O objetivo deste artigo foi analisar o planejamento e a organização das disciplinas de Estágio Curricular em cursos de Licenciatura em Educação Física no Estado de Mato Grosso. A pesquisa é do tipo descritiva, com abordagem qualitativa. Foram analisados os programas das disciplinas de Estágio Curricular de dez cursos de Licenciatura em Educação Física no Estado de Mato Grosso a partir das ementas, dos objetivos, dos conteúdos, das metodologias e da avaliação. O estudo observou avanços no processo de estruturação e de organização do Estágio na formação de professores, como inclusão de seminários, momentos de produção e socialização de conhecimentos sobre o estágio.

Práticas de alfabetização e letramento com o livro infantil: ensinando com os “Dois Chapéus Vermelhinhos”

PID: S1519-39932020000100303 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Silva Oliveira
Resumo Este trabalho é um recorte da pesquisa de mestrado e configura-se como um estudo de caso, de abordagem qualitativa. Tem como objetivo analisar uma proposta de ensino para a alfabetização e para o letramento de uma turma de 3º ano do Ensino Fundamental. A proposta, elaborada a partir da obra “Dois Chapéus Vermelhinhos”, escrita por Ronaldo Simões Coelho e ilustrada por Humberto Guimarães, desenvolveu-se no período de quatro dias. As aulas foram observadas, e, como instrumentos de coleta de dados, foi usado o diário de campo, além do registro fotográfico. O referencial teórico que norteia as análises do trabalho se refere aos processos de alfabetização e de letramento. Constatou-se que o livro infantil, com seu potencial textual, pode ser um instrumento significativo para o ensino da leitura e da escrita. Além disso, pode fornecer subsídio para o desenvolvimento de atividades que envolvem gêneros textuais de forma contextualizada. Por fim, compreende-se o livro infantil como uma ferramenta que pode vir a colaborar com os processos de alfabetização e de letramento.

Reforma do Ensino Médio: retrocesso nas políticas educacionais brasileiras

PID: S1519-39932020000100204 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Marcelino Porto Cabral
Resumo O presente artigo é um ensaio que tem por objetivo refletir o contexto da reforma do Ensino Médio, implantada no Brasil por meio da Lei n°13.415/2017 e os seus impactos na formação docente, visando levantar discussões, estudos, diálogos e evidências que possam levar à reflexão acerca das políticas de formação dos professores vinculadas ao modelo de gerenciamento empresarial que vem sendo recentemente aplicado à educação. Constata-se, neste estudo, que essas políticas reformistas não estão comprometidas com a luta dos trabalhadores da educação e não propõem uma qualidade social. A reforma do Ensino Médio é vista neste estudo como um mecanismo de reprodução quando analisada à luz dos referenciais teóricos de Bourdieu e Passeron. Apontam-se, ainda, encaminhamentos que busquem o fortalecimento das estratégias de resistência dos profissionais docentes e a constante luta em prol do compromisso com as classes populares e/ou com quem precisar fazer uso da Educação Pública brasileira. A pesquisa se inspira na investigação temática, embasada em Freire, que se caracteriza pela leitura e análise crítica da realidade, bem como pela elaboração de propostas de ação, considerando que as políticas de formação docente deverão partir das necessidades dos educadores e da leitura crítica da realidade, a fim de que estes possam construir uma trajetória emancipatória, num processo permanente de reflexão-ação-reflexão.

Reforma do Ensino Médio: velhos problemas e novas alterações

PID: S1519-39932020000100206 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Mendonça Fialho
Resumo O presente estudo objetiva apresentar uma retomada cronológica das mudanças ocorridas no Ensino Médio brasileiro, bem como discutir a atual Reforma Educativa, a partir da Lei nº 13.415, de 16/02/2017 e da Base Nacional Comum Curricular. O problema foi pensado por meio da pergunta: alterações do Ensino Médio são suficientes para qualificar a educação ao menos deste nível de ensino? A hipótese do texto é de que não há Reforma que qualifique um nível de ensino sem que se leve em consideração a correlação com outros níveis, neste caso, o Ensino Fundamental e o Ensino Superior. O método utilizado consistiu em pesquisa bibliográfica e documental, sobretudo o exame da legislação que trata do Ensino Médio, mas também pesquisa qualitativa no que diz respeito ao exame de posições de autores que tratam do tema. A singularidade do artigo está na necessidade de se pensar uma Reforma ampla e não de apenas um nível de ensino. Como resultados, argumenta-se que a proposta de Reforma do Ensino Médio, operacionalizada pela Lei n°13.415 de 16/02/2017, não oferece possibilidade de qualificação do Ensino Médio por desconsiderar outros níveis de ensino, além das interferências na estrutura das provas dos vestibulares de universidades estaduais, confessionais e privadas, adequando-a às competências e habilidades; a alteração sobre o entendimento em relação à formação docente e, por fim, a transparência nas parcerias entre os sistemas de ensino, instituições de educação e o Ensino a Distância.

Rousseau e sua educação infantocêntrica e anticultural

PID: S1519-39932020000100406 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Vitorino Pires Brogiato
Resumo Este artigo busca expor que Rousseau, no seu Emílio, parte do pressuposto segundo o qual a liberdade é um dado natural; e por conseguinte considerou a liberdade como algo inato ao homem e intacto na criança. Por isso, o pedagogo que procurasse educar a partir desse princípio, (qual seja, de que a liberdade é um dado natural), ao buscar a virtude somente a encontra depois de muito esforço e, talvez mesmo de alguns artifícios, ao enunciar que é a bondade de Deus que torna o homem virtuoso. Dessa forma, mesmo depois de nos convencer não ser possível educar sem valores aceitos por sua tradição cultural, Rousseau não nos mostra como a tradição cultural é uma referência a valores aceitos por sua tradição cultural, não nos mostra como a tradição cultural é transmitida nem como a tradição cultural pode ser renovada e utilizada como base para o desenvolvimento posterior da cultura. Como efeito da sua rejeição, a princípio, e sua aceitação tardia, e isso em tempos diferentes do princípio ético transcendente, Rousseau estabeleceu a separação do campo educacional do cultural, cuja larga significação foi a ideia comumente aceita da educação anticultural paralela à educação infantocêntrica.

Sentido pessoal e atividade docente pela Psicologia Histórico-Cultural

PID: S1519-39932020000100400 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Pessoa Leonardo
Resumo Nesta pesquisa objetivou-se compreender o processo de atribuição de sentido pessoal à atividade docente de professoras da Educação Básica. A Psicologia Histórico--Cultural figura como referência teórica dessa investigação, fornecendo subsídios para o estudo da constituição do humano por meio da cultura e das relações sociais. Como metodologia, foram utilizadas entrevistas semiestruturadas realizadas individualmente com três docentes, juntamente com observação e acompanhamento de seus cotidianos de trabalho. O intuito foi compreender o sentido pessoal atribuído à atividade docente estudando o modo como o professor organiza seu trabalho, como compreende seu papel junto à educação, seus alunos e colegas de trabalho, dentre outros fatores relacionados com sua atividade. Diante desta investigação, obteve-se como resultado o sentido pessoal atribuído pelas professoras relacionando-se majoritariamente com a particularidade de suas atuações, ou seja, com o dia a dia escolar. Depreendeu-se que as ações de ensino elaboradas e desenvolvidas pelo docente devem se pautar no sentido pessoal que corresponda à humanização dos sujeitos e à apropriação de conhecimento, ampliando a finalidade da Educação Escolar. Por fim, investigar o sentido pessoal atribuído à atividade docente endossa os estudos para buscar a superação de uma educação construída baseada apenas nas demandas do cotidiano, imediatas, voltando-se para a transformação da realidade e das condições limitadoras do desenvolvimento docente.

Tempo de travessia: narrativas da trajetória de uma professora alfabetizadora

PID: S1519-39932020000100300 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Costa Monteiro
Resumo O artigo apresenta a história acadêmica e profissional de uma professora que trabalhou durante muitos anos em classes de alfabetização na rede pública municipal de ensino em Vila Velha (ES). Propõe, a partir de narrativas, desenvolver uma compreensão ativa e responsiva a respeito das transformações pelas quais passou a professora em relação às políticas, especialmente em relação aos programas de formação continuada de professores alfabetizadores, organizados no âmbito educacional, sob a justificativa de que minimizariam os problemas de aprendizagem das crianças que frequentavam/frequentam as salas de aula de alfabetização. Utiliza a abordagem qualitativa de pesquisa por meio da narrativa como fonte e método de investigação científica. Fundamenta-se na perspectiva bakhtiniana de linguagem, especificamente na noção de evento, que evidencia o ser no mundo a partir de uma consciência que se constitui na relação com o universo sociocultural. Conclui que o processo de compreensão ativa e responsiva por meio da escrita-evento, que se dá no ato de narrar sua história profissional em um processo de reflexão e diálogo, pode contribuir para a constituição do professor/sujeito de seu trabalho à medida em que desenvolve um posicionamento fundamentado em análises críticas sobre o fazer do processo ensinoaprendizagem com vistas à tomada de decisões, tendo como foco a criatividade e a inventividade que envolvem os atores do ato educativo.

Trajetórias escolares no Ensino Médio Integrado: uma análise da atribuição de sentidos de jovens estudantes por meio da história oral temática

PID: S1519-39932020000100202 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Zimmermann Socorro
Resumo Este artigo se insere na problemática dos desafios atuais do Ensino Médio brasileiro no que concerne à relação distanciada de muitos jovens frente à escola, marcada por tensão e altos índices de desistência dos estudantes. Nesta pesquisa entrevistamos 11 estudantes do Ensino Médio Integrado do Instituto Federal do Mato Grosso do Sul - Coxim, dos quais 4 foram selecionados para este artigo. A instituição foi selecionada por apresentar boa infraestrutura, docentes com alto nível de escolaridade e, em contraponto, altos índices de desistência escolar. O objetivo do estudo foi conhecer as trajetórias escolares dos jovens estudantes, bem como analisar os sentidos atribuídos à experiência escolar no Ensino Médio Integrado da instituição. As narrativas foram analisadas de forma descritiva, com base na metodologia da História Oral Temática, através da qual se estabeleceu um diálogo entre as falas dos estudantes e os interlocutores teóricos. Entre os estudantes desistentes, pôde-se observar a dificuldade de conciliação entre escola e trabalho, o desejo da independência financeira, a timidez e o excesso de reprovações. Também se observou trajetórias de êxito de estudantes ligados a iniciativas de ensino diferenciadas, embora com o reconhecimento do cansaço gerado pelas atividades escolares. Os resultados sinalizam a necessidade de ouvir e reconhecer as particularidades dos estudantes do Ensino Médio.

“Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo... e vivo escolhendo o dia inteiro!” – Currículo e alfabetização para além das evidências

PID: S1519-39932020000100308 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2020
Autores: Frangella
Resumo O artigo objetiva discutir políticas educacionais contemporâneas para alfabetização e os sentidos de currículo e alfabetização que estas mobilizam. A análise põe em destaque as proposições da Política Nacional de Alfabetização interrogando uma das premissas indicadas no programa: a alfabetização baseadaem evidências científicas. Ao arguir tal questão, discute-se a partir de uma perspectiva discursiva pós-estrutural que questiona a lógica binária entre verdade/não verdade calcada numa dada concepção de “evidência científica” e que, por conseguinte, invalida outras perspectivas que não se erijam à sua semelhança. Argumenta-se que a tomada da Ciência como preditividade, ordem fixada e sentidos unívocos expulsa a diferença e incide sobre uma ideia da alfabetização e currículo com feições instrumentais e processos homogeneizantes. Nessa linha de problematização, defende-se uma perspectiva discursiva para currículo e alfabetização, em que os significados não são dados aprioristicamente, dão-se nos termos derridianos da imprevisibilidade, contingência, alteridade, o que exige decisão responsável, mas que, como decisão, só se dá no terreno do indecidível. Assim, alfabetização e currículo são significados como enunciações culturais, produzidos em relações alteritárias que, sempre plurais, borram e transbordam as fronteiras em que tentam contê-los.

Bullying na adolescência: causas e comportamentos de alunos portugueses e brasileiros

PID: S1519-39932019000100055 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2019
Autores: Trevisol Pereira Mattana
Resumo O artigo objetiva analisar razões promotoras do bullying, bem como a maneira como alunos portugueses e brasileiros se posicionam diante do problema e como eles avaliam os encaminhamentos tomados pela escola. A base empírica é uma investigação, de cunho exploratório e de natureza quantiqualitativa, tendo uma amostra aleatória de 235 alunos, matriculados nos anos finais do Ensino Fundamental (7º, 8º e 9º anos), na faixa etária de 13 a 16 anos, procedentes de duas escolas públicas, uma do Brasil, da região oeste catarinense e outra de Portugal, da região Norte, do Minho. Como procedimento de coleta de dados utilizou-se um questionário. As respostas das questões fechadas foram tabuladas com a utilização de uma ferramenta online (Google Docs), enquanto as respostas à única questão aberta foram submetidas a análise do conteúdo. Quanto às razões que promovem o bullying, houve convergência entre as respostas das amostras, tendo prevalecido a menção a variáveis intrapessoais. Sobre o posicionamento em relação ao bullying, a resposta mais indicada pelos alunos brasileiros foi de que se afastam e não se envolvem com o que está acontecendo, enquanto a amostra portuguesa indicou pedir aos agressores que parem com esse tipo de comportamento. Tais atitudes revelam maior empatia e solidariedade por parte da amostra portuguesa, e, também, podem indicar que os alunos da amostra brasileira temem ser as próximas vítimas. O bullying é um problema sério que demanda encaminhamento daqueles que fazem parte do meio escolar e familiar dos educandos.

A deliberação moral: dimensões intelectuais e afetivas

PID: S1519-39932019000100005 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2019
Autores: Taille
Resumo Há uma “deliberação” moral, um pensar, um refletir que presidem um agir. Toda ação (e o próprio pensar é uma ação) depende, para ser realizada, da dimensão intelectual (a razão) e de uma motivação, ou seja, de uma energética. A deliberação moral e a ação que a segue não fogem à regra. O “dever” moral é uma forma de “querer”, e todo querer implica, por um lado, a formulação de um propósito (dimensão intelectual) e, por outro, uma “vontade” (dimensão afetiva). O artigo apresenta como essas duas dimensões se articulam e constituem a base das decisões dos sujeitos em diferentes contextos e situações, inclusive, o escolar. No que se refere a esse contexto, o texto aborda como a escola pode, por meio de uma “educação moral”, oportunizar aos alunos apreenderem esse fenômeno humano complexo que é a moralidade. Nesse sentido, o alcance desse objetivo se vê favorecido com a vivência de “uma verdadeira vida social aos alunos, no interior da sala de aula”. Vida social que permita relações de cooperação, de reciprocidade, na qual a justiça é fato e não apenas discurso, na qual o aluno poderá conquistar a autonomia moral e valorizar o “respeito de si”. A “verdadeira vida social” permitirá ao aluno vivenciar e compreender, na prática, o que lhe terá sido apresentado verbalmente, e nela investir a sua personalidade. A “verdadeira vida social” vai ajudá-lo a abrir seus horizontes intelectuais da moralidade, e também vai incidir sobre seus sentimentos, sobre a dimensão afetiva de seus juízos e atos.

A experiência e trajetória de gestão de Vital Didonet junto ao Ministério da Educação (1974-1990): construindo caminhos para a educação da primeira infância brasileira

PID: S1519-39932019000200318 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2019
Autores: Prado Hai
Resumo Discute-se, a partir da historiografia da política educativa, a experiência e trajetória de gestão de Vital Didonet entre os anos 1970 e 1990, objetivando acompanhar a sua trajetória político-educativa –, ou como se foi produzindo enquanto figura pública e intelectual na área da educação da primeira infância. Foram analisados documentos inexplorados e que se encontram nos arquivos da Coordenação de Educação Infantil no interior do Ministério da Educação. O recurso investigativo utilizado, partiu, portanto, da história da educação, enfatizando o âmbito da elaboração de políticas educativas e o acompanhamento da trajetória de Didonet junto à circulação de sujeitos nesse cenário. Esse conjunto analítico foi direcionado pela ótica nos momentos de “mudança” e/ou observável incremento nas ações governamentais, por meio de modificações na escrita de publicações oficiais do período e da área em questão ou nas maneiras de articulação com outros contextos, como o acadêmico, o da prática e do próprio âmbito público, considerando as instâncias de poder. Ainda que se note sua relevância como primeiro coordenador ao nível de Ministério da Educação, tem-se a raridade de pesquisas sobre a sua carreira e a trajetória da política educativa e/ou a história da Educação Infantil no período em discussão.

A figura do mestre em Goethe e Foucault

PID: S1519-39932019000100157 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2019
Autores: Dalbosco Rossetto Marangon
Resumo A reflexão sobre a figura do mestre parece ter desa-parecido do cenário pedagógico contemporâneo. Originadas das reformas pedagógicas do final do século XIX e início do século XX, teorias educacionais atuais focam mais na figura do educando e menos na do educador. Partindo da hipótese de que não há formação humana sem autoformação, o presente ensaio procura investigar a figura do mestre em dois autores distantes historicamente entre si, Wolfgang Goethe e Michel Foucault. Reconstrói, na primeira parte, alguns traços que estão subjacentes ao personagem Wilhelm Meister, do romance de formação “Os anos de aprendizagem de Wilhelm Meister”. Na segunda parte, trata do sentido da figura do mestre em “A hermenêutica do sujeito”. Resume, na parte final, alguns traços em comum que são atribuídos por esses dois autores à figura do mestre, cabendo destaque para a ideia de que, sem o papel do mestre que se forma pela experiência, possibilitando que os outros também o façam, não há formação como autoformação. Ou seja, o difícil trabalho de formar-se a si mesmo ocorre pelo respeito à possibilidade de o outro também formar-se a si mesmo.

A implantação das equipes de ajuda como estratégia para a superação do bullying escolar

PID: S1519-39932019000300397 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2019
Autores: Tognetta Souza Lapa
Resumo Os problemas de convivência na escola, em especialum tipo de violência caracterizado com bullying, têmsido notados pelas investigações atuais não pela suaocorrência cada vez maior, mas pela urgência de queo tema da convivência seja um valor presente nasinstituições educativas. Pouco se sabe ainda sobreo que a literatura internacional já tem comprovado:a importância da participação efetiva dos alunos nasolução dos problemas vivenciados. Assim, este artigoapresenta uma investigação de caráter exploratório cujo objetivo é investigar as possíveis diferenças na frequência das intimidações entre estudantes do EnsinoFundamental II em escolas onde foram implantados sistemas de apoio entre pares na percepção dosalunos. A amostra é formada por 270 adolescentes estudantes do sexto ao nono ano de duas escolasdo interior paulista em que se organizou um Projeto de Formação para a Convivência Ética junto aprofessores, equipe gestora e alunos dos colégios. O instrumento trazia 20 questões em que os alunosnão necessitavam se identificar, mas precisariam apontar se eram ou não membros das equipes deajuda. Os dados encontrados corroboram a necessidade de que alunos se sintam acolhidos, protegidose fortalecidos nas escolas, indicando que a presença de equipes de ajuda na escola pode promovera melhoria da convivência e, assim, a diminuição de possibilidades de intimidação.

A legislação brasileira de Educação a Distância à luz da democracia dubetiana

PID: S1519-39932019000200254 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2019
Autores: Eid Assis
Resumo Desde seu surgimento, no início do século XX, a modalidade de Educação a Distância, no Brasil, corrobora concepções de democratização do ensino. Assim, ao se tratar dessa temática, inclusive na legislação referente à modalidade, diversas concepções de justiça, igualdade e democratização aparecem e se fundem. Uma dessas concepções é dada por François Dubet, que entende a democratização do ensino como um conceito multifacetado e multidimensional, que inclui a massificação, a igualdade do valor dos diplomas, a equidade de acesso, e outras várias características. Com vistas ao fomento dessa discussão, e sendo essa concepção de democratização de suma importância para que se atinja uma sociedade mais igualitária, é objetivo deste trabalho verificar se a democratização dubetiana se faz presente na legislação referente à Educação a Distância de 1996 a 2007. Para cumpri-lo, foram realizadas leituras de obras pré-selecionadas de Dubet e da legislação, e por meio da análise documental, foi feita a comparação entre a democratização descrita pelo autor e a que está presente na Legislação Nacional de Ensino a Distância. Notou-se que alguns elementos da concepção de democratização dubetiana apareceram, enquanto massificação, democracia interna e igualdade do valor dos diplomas. No entanto, o autor critica a estratégia brasileira de universalização, a qual ele chama de massificação, antes de se pensar na qualidade.
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