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Projetos de vida e resolução de conflitos profissionais na perspectiva dos Modelos Organizadores do Pensamento

PID: S1519-39932019000100109 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2019
Autores: Pinheiro Arantes Araújo
Resumo O objetivo deste artigo é identificar formas de resolução de um conflito profissional sobre projetos de vida de jovens brasileiros. A amostra foi composta por duzentos estudantes, de 15 a 19 anos, de escolas públicas das cinco macrorregiões geográficas do país. No estudo, os jovens analisaram um conflito moral hipotético, em que deviam optar entre seguir seu sonho de realização profissional ou cumprir suas obrigações familiares. Utilizou-se a Teoria dos Modelos Organizadores do Pensamento como fundamentação teórica e como instrumento metodológico de análise. Os resultados indicaram sete formas de organização do pensamento. Dentre os modelos organizadores aplicados, destacam-se aqueles em que os jovens optam por seguir seus objetivos profissionais desconsiderando as necessidades da família; aqueles que decidem se submeter apenas ao que a família precisa; e outros que buscam conciliar ambas as perspectivas. Apesar de um grande percentual de jovens que se preocupam com as necessidades do outro, ainda é pequena a porcentagem dos que conseguem conciliar perspectivas, buscando soluções que atendam aos diferentes pontos de vista. A partir dos resultados, como implicações educacionais, discute-se a necessidade de introduzir a estratégia da resolução de conflitos no cotidiano escolar, integrando trabalho, projetos de vida, desejos e necessidades dos jovens, com a intenção de levá-los a construir formas de pensar a vida considerando a integração de valores e sentimentos.

Qualificação profissional e as políticas educacionais para a juventude no Brasil

PID: S1519-39932019000300497 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2019
Autores: Lira Santos
Resumo Este artigo pretende discutir as proposições de políticaseducacionais para a juventude brasileira, especialmenterelacionada à expansão da Educação Profissional quepodem ser notadas no Plano Nacional de Educação(2014-2024) e na atual reforma do Ensino Médio. Comoreferencial teórico, foram utilizadas as análises situadasno campo do materialismo histórico e dialético de basemarxista, à luz das categorias analíticas de “Estado”, combase em Engels e Mészáros, da relação entre “trabalho”e “educação”, segundo Saviani, e de “classe social” fundamentada em Marx e Mészáros. Entende-se que a Educação Profissional pensada a partir daanálise das legislações e políticas educacionais adotadas apresenta complexos problemas no quesitodo papel do Estado para com a sua oferta e qualidade. Além disso, essa modalidade de educação temperpetuado o dualismo histórico na educação, que oferta uma formação prática para a juventudede origem trabalhadora e destina uma formação mais ampla possível para a juventude oriunda dasclasses dirigentes. Para fundamentar essas hipóteses, recorreu-se à pesquisa documental, utilizandoa Lei n°13.415/2017 da reforma do Ensino Médio e o Plano Nacional de Educação (2014-2024), bemcomo a revisão de literatura a partir de autores como Frigotto, Krawczyk, Adrião e Pinto, Bezerra eAraújo, entre outros, que contribuem para as reflexões e contextualizações acerca da relação entreeducação, Estado, sociedade e mercado.

Trabalho com dilemas morais na resolução de conflitos entre escolares: fundamentos habermasianos à teoria kohlberguiana

PID: S1519-39932019000100125 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2019
Autores: Nunes Bataglia
Resumo Este ensaio defende a estratégia de discussão condu-zida a partir de dilemas morais como meio para a problematização de conflitos entre escolares. Tal estratégia, inicialmente proposta por Moshe Blatt e Lawrence Kohlberg, em 1975, evidencia o papel do conflito de ordem cognitiva no processo de indução do desenvolvimento moral. Por este texto, no entanto, propõe-se um resgate da dimensão intersubjetiva dessa estratégia, revelando o viés social dos conflitos. Com isso, é endossada a tese de que a discussão de dilemas é positiva para a abordagem dos conflitos na escola. Para tanto, são sublinhados alguns dos conceitos capitais das teorias de Lawrence Kohlberg e Jürgen Habermas, dando ênfase à sua intersecção. Das implicações educacionais que derivam desse encontro, é encaminhada uma reflexão sobre sua aplicação à dimensão dos conflitos entre estudantes na comunidade escolar. Entende-se, por fim, a discussão de dilemas como um momento institucional privilegiado para a promoção dos conflitos motrizes do desenvolvimento moral, para o favorecimento da ação comunicativa e para a coordenação de perspectivas, o que leva ao reconhecimento do outro e, portanto, ao desenvolvimento moral.

Violência juvenil, bullying e insucesso escolar: memórias de infância e o início de trajetórias desviantes

PID: S1519-39932019000100089 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2019
Autores: Saraiva Pereira Cruz
Resumo Este estudo de caso integra uma investigação mais abrangente na área da violência e criminalidade e analisa a construção narrativa das vivências de violência na escola, relatadas por um grupo de reclusos portugueses, tendo como pano de fundo seus percursos escolares. Os dez participantes, com idade entre 19 e 46 anos, foram entrevistados nos Açores. Foi utilizado um roteiro de entrevista, especificamente construído para esta investigação, com o conjunto de tópicos a serem abordados em tom informal. O tratamento de dados de nível descritivo e interpretativo seguiu a Análise de Conteúdo segundo Bardin e centrou-se em dados retrospectivos, colhidos por entrevista, relativos a episódios específicos de violência e bullying em contexto escolar. Foram identificados quatro tipos distintos de percursos de violência infantil e juvenil, principalmente bullying, envolvendo vítima e agressor, defensor da vítima, vítima com coping eficaz e observador passivo. O estudo analisa os fatores de desencadeamento e manutenção desses percursos, com impacto no desempenho escolar, bem como discute as implicações para a prevenção secundária e o diagnóstico diferencial.

A Caatinga em imagens: representações de estudantes de dois contextos socioculturais da Bahia

PID: S1519-39932018000300455 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Teixeira Silva Freixo
Resumo O presente trabalho visa investigar as representações do bioma Caatinga existentes entre estudantes do Ensino Fundamental de duas escolas situadas em diferentes contextos (urbano e rural) no estado da Bahia, por meio da análise de desenhos produzidos em um momento de intervenção pedagógica. Em cada escola, os alunos apresentaram uma imagem autoral representativa do bioma Caatinga, explicando os motivos da escolha da imagem. Ao longo da intervenção foram realizados registros audiovisuais para a composição de um videomosaico de imagens nas duas escolas, como forma de registro documental. Os estudantes da escola urbana perceberam a Caatinga como um bioma pobre em biodiversidade, onde a seca é predominante e constante. Os estudantes da escola do campo, por sua vez, revelaram representações diferentes acerca da Caatinga, principalmente um sentimento de pertencimento a esse bioma. O trabalho possibilitou uma reflexão sobre os diversos significados do bioma nesses distintos contextos socioculturais.

A coordenação pedagógica nos planos de carreira e salários dos municípios da região de Bauru

PID: S1519-39932018000200209 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Fernandes Barbosa Cunha
Resumo A coordenação pedagógica é função relativamente nova na realidade escolar brasileira, tendo crescido numericamente a partir da aprovação das leis quefavoreceram a gestão democrática e a autonomia nas escolas. A atuação do coordenador volta-se à articulação e organização do trabalho pedagógico nas escolas. Dada a importância dessa atividade, foi realizada uma pesquisa que teve como objetivo central analisar o trabalho da coordenação pedagógica nas redes municipais de ensino da região geográfica de Bauru, interior do Estado de São Paulo. Este artigo discute alguns resultados obtidos por meio da realização de uma análise documental junto aos planos de carreira e salários de 18 municípios localizados na região considerada. Na análise, foram estabelecidos alguns eixos de discussão: situação legal da coordenação pedagógica quanto aos cargos e funções; formas de provimento da função e/ou cargo; processo de acesso e escolha; requisitos legais para a coordenação pedagógica e atribuições legalmente estabelecidas para o trabalho. No conjunto de municípios analisado, observou-se que a coordenação pedagógica está presente em todos, porém, com condições de acesso, critérios de escolhas e atribuições bastante heterogêneas. Foi possível observar, ainda, que a função e/ou cargo tem frágeis condições para atuação na autonomia e gestão escolar democrática, realizando um amplo conjunto de tarefas que nem sempre se aproximam da dimensão pedagógica e coletiva do trabalho.

A formação inicial de professores de sala de recursos multifuncionais a partir do olhar dos professores atuantes

PID: S1519-39932018000100124 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Caramori Mendes Picharillo
Resumo A questão sobre a formação do professor de Educação Especial é controversa; alguns defendem que seja na formação inicial enquanto outros apontam a formação continuada. O presente estudo teve como objetivo investigar o que os professores que atuam no atendimento educacional especializado pensam sobre como deve ser a formação inicial em Educação Especial. O estudo, de natureza qualitativa, baseado na metodologia de pesquisa colaborativa, teve a realização de grupos focais com professores de 14 cidades do Brasil. Os dados se referem a 134 excertos, analisados e codificados no software ATLAS.ti, selecionados por se referirem especificamente à formação inicial ideal para atuar em Educação Especial. Os resultados mostram que os professores tendem a valorizar a própria formação, em sua maioria a Pedagogia. Ao mesmo tempo que defendem suas graduações como o melhor lócus de formação, também demandam muitas mudanças, como a inserção de conteúdos teórico-práticos específicos da Educação Especial, a ponto de se questionar se seria viável, e se a solução da formação seria a base generalista. Muitas dessas mudanças são decorrentes da complexidade do papel do professor de Educação Especial conforme a atual política de inclusão escolar, mas pouco se questiona se as atribuições que lhe são impostas são viáveis, se existe algum tipo de formação que leve a esse superprofissional, ou mesmo se é essa a política de atendimento que garante o direito à educação de alunos público-alvo da Educação Especial.

A psicologia de Carl Rogers na formação e atuação de orientadores educacionais

PID: S1519-39932018000200311 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Almeida
Resumo O objetivo deste artigo é investigar a contribuição da Psicologia de Carl Rogers na formação e atuação de orientadores educacionais no Estado de São Paulo. O estudo realizado atende às características da abordagem qualitativa de pesquisa. Foram analisados depoimentos de duas ex-orientadoras educacionais, uma de escola pública e outra de escola particular. Para a análise dos depoimentos empregou-se a “análise da prosa”, proposta metodológica de Marli André. Para contextualizar a Orientação Educacional no Estado de São Paulo, evidenciando seu entrecruzamento com a abordagem rogeriana, é feita apresentação sucinta da Orientação Educacional na legislação brasileira e uma referência ao primeiro concurso público de ingresso de orientadores educacionais na rede pública estadual de ensino de São Paulo. A análise evidenciou que a psicologia de Rogers, em especial as condições ou atitudes facilitadoras, consideração positiva incondicional, autenticidade e empatia, fizeram parte do repertório formativo das orientadoras. Também evidenciou que, no contexto escolar, a incompreensão do não diretivismo da proposta rogeriana ocasionou a deturpação das ideias de Carl Rogers.

A responsabilidade da escola perante manifestações de agressividade: o olhar revelado por meio das redes sociais

PID: S1519-39932018000200223 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Placco Miranda Matsuda Franco Franco
Resumo Este artigo relata uma investigação sobre as representações sociais (Serge Moscovici), construídas a partir da veiculação, nas redes sociais, de um vídeo que retrata uma criança derrubando objetos em uma sala, ocorrido em outubro de 2015, em Macaé, Rio de Janeiro. Esse vídeo ganhou enorme repercussão, evidenciada pelo seu destaque também em canais de televisão. Neste sentido, buscou-se compreender as teorias construídas por diferentes pessoas para o que estavam vendo naquelas imagens. Assim, a análise se centrou nos comentários de leitores sobre o vídeo, de modo que foram alocadas em quatro categorias preestabelecidas, com base nas concepções de responsabilidade elencadas por Yves Lenoir: senso comum, internalista, externalista (forte) do eu profundo e externalista fraca. Como resultados, evidenciou-se uma visão de responsabilidade majoritariamente centrada na mãe e na incapacidade da criança de distinção sobre o que é aceitável socialmente. Paradoxalmente, embora se considere a incapacidade da criança para esta distinção, os comentários defendem sanções à mesma. Outra representação, embora menos presente, é a denominada externalista fraca, na qual o aluno deve igualmente receber uma sanção, mas que também se orienta pela autocorreção e a autotransformação, em uma perspectiva social inter-relacional. Para superar esse impasse ético é preciso que o ser humano – professores, alunos, pais e leitores –, desenvolva em suas experiências a aprendizagem ética (Josep Maria Puig).

Ansiedade reportada frente à produção textual: correlações com variáveis motivacionais

PID: S1519-39932018000300407 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Mello Rosário Polydoro Högemann
Resumo A literatura tem revelado que as atuais exigências sociais e acadêmicas têm produzido nos alunos um comportamento ansioso frente à escrita. O presente estudo, de abordagem sociocognitiva, identificou a presença e variação da ansiedade reportada frente à produção textual ao longo do processo de tomadas de medidas e avaliou a relação da ansiedade reportada diante da produção textual com variáveis motivacionais (autoeficácia, autorregulação da aprendizagem e desempenho global da produção escrita). Trata-se de um estudo com medidas repetidas. Participaram 693 alunos (M=9,13; DP=0,16) do ensino básico, da região Norte de Portugal, com idade entre 8 e 12 anos. Para a coleta de dados foram utilizados questionários de autorrelato. A análise dos dados revelou diferenças estatísticamente significativas na ansiedade reportada frente à escrita na autoeficácia e na autorregulação da aprendizagem ao longo do ano escolar. A ansiedade diante da escrita revelou correlação positiva e estatisticamente significativa com a autoeficácia percebida. As demais variáveis apresentaram correlações negativas e estatisticamente significativas com a ansiedade frente à escrita.

Autorregulação da aprendizagem e compreensão leitora no Ensino Fundamental

PID: S1519-39932018000300365 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Moreira Silva
Resumo Este artigo tem como objetivo apresentar o processo de construção e validação de uma ferramenta educacional fundamentada nos pressupostos da autorregulação da aprendizagem e que tem como foco a melhoria da compreensão leitora de estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental. Essa ferramenta resulta de uma pesquisa-ação, de caráter quali-quantitativo, desenvolvida no contexto de um curso de mestrado profissional. O material foi submetido à avaliação por professores e profissionais da Educação Básica. A seleção e instrumentalização dos pares avaliadores foram realizadas por meio de um curso de extensão. A coleta de dados referentes à avaliação do produto foi feita por meio de questionário de avaliação com perguntas fechadas e espaço para inserção de comentários dos avaliadores. Os dados quantitativos oriundos desse instrumento foram descritos e sumarizados, tendo como base a estatística descritiva. A consistência interna e a confiabilidade do questionário foram estimadas por meio dos valores do “alfa de Cronbach”. Os dados qualitativos foram analisados pela técnica de análise de conteúdo de Bardin. Os resultados sugerem que o produto educacional apresenta potencial para melhorar a prática educativa, desenvolver os processos autorregulatórios e ampliar o repertório de estratégias de aprendizagem dos estudantes, destacando-se por sua originalidade, clareza de redação e possibilidade de se levantarem novos questionamentos a partir das atividades propostas.

Avaliação da Educação Infantil: questões controversas e suas implicações educacionais e sociais

PID: S1519-39932018000100065 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Sousa
Resumo O texto apresenta e discute proposições e iniciativas de avaliação da Educação Infantil que se fazem presentes no debate nacional, difundidas por gestores públicos, trabalhadores, estudiosos e pesquisadores da área. São encaminhamentos que expressam controvérsias sobre como a avaliação pode induzir a melhoria da qualidade da Educação Infantil e que, no limite, representam projetos educacionais e sociais distintos. As evidências que apoiam as considerações sobre possíveis caminhos a serem trilhados pela avaliação têm como fontes documentos produzidos por órgãos governamentais e não governamentais. Antecedendo a essas considerações, são sucintamente mencionados dados que permitem aferir a realidade da Educação Infantil no Brasil e que necessariamente devem ser tomados em conta ao se escolher qual trilha será adotada para a sua avaliação. Os elementos debatidos no texto propiciam subsídios para apontar distintas perspectivas no que concerne à incorporação da educação infantil no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, como prevê o Plano Nacional de Educação 2014–2024.

Avaliação da criatividade figural infantil em contexto de educação não formal

PID: S1519-39932018000100111 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Silva Nakano
Resumo Este estudo buscou avaliar a criatividade de crianças que frequentam, além da escola regular, um contexto educacional não formal no contraturno escolar. O objetivo foi investigar a influência que as variáveis Tipo de Organização não governamental e Tempo de Permanência no contexto não formal exercem sobre o desempenho criativo. Participaram do estudo 49 sujeitos na faixa etária de 9 a 11 anos, matriculados entre o quarto e o sétimo ano do Ensino Fundamental, selecionados em duas instituições do tipo Organização não governamental (instituição 1: n=26 e instituição 2: n=23). Para avaliação, foi utilizado o Teste de Criatividade Figural Infantil, composto por três atividades de estímulos incompletos, que devem ser respondidas sob a forma de desenhos. Essa ferramenta permite avaliar 12 características criativas, agrupadas em 4 fatores: Enriquecimento de Ideias, Emotividade, Preparação Criativa e Aspectos Cognitivos. Os resultados mostraram que, de modo geral, as variáveis investigadas não exerceram influência significativa em nenhum dos fatores criativos, excetuado o fato de que a variável Tempo de Permanência exerceu influência significativa nas características de Movimento (F=5,26; p≤0,001) e de Fluência (F=3,16; p≤0,05), ambas na atividade 2. Conclui-se que os meios de educação não formal ainda têm se mostrado pouco explorados nas pesquisas brasileiras, e maiores estudos como esses precisam ser desenvolvidos.

Avaliação educacional no Brasil para além dos testes cognitivos

PID: S1519-39932018000100037 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Horta Neto
Resumo O texto, com base em revisão da bibliografia, analisa o movimento da avaliação educacional no Brasil e discute uma proposta de incluir no processo avaliativo outros aspectos que não somente os resultados dos testes. Inicialmente, destaca o movimento das políticas educacionais brasileiras em direção aos testes cognitivos, principal instrumento das avaliações educacionais produzidas pelos diferentes níveis de governo. Aborda os principais movimentos que permitiram o desenvolvimento da avaliação, tanto aqueles relativos à construção de seus instrumentos, como a discussão da legislação educacional. Também destaca os princípios basilares do Sistema de Avaliação da Educação Básica, e como esse instrumento foi-se modificando ao longo do tempo para permitir a criação de um indicador educacional como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, e para a definição de metas por escolas. Por fim apresenta a proposta do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, proposto pelo Plano Nacional de Educação, que amplia a avaliação para outras dimensões, que não apenas os resultados nos testes, e cria um comitê de governança, trazendo outros atores, além do governo federal, para a discussão sobre os seus instrumentos e os usos de seus resultados.

Ação Afirmativa em foco: táticas e estratégias de candidatos para burlar a Lei de Cotas em uma universidade pública

PID: S1519-39932018000100142 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Coutrim Pena Sousa
Resumo O presente artigo aborda as Ações Afirmativas no Ensino Superior, mais especificamente a aplicação da Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Para a construção deste estudo, foram revistas discussões polarizadas que trouxeram argumentos favoráveis e contrários à implantação das Ações Afirmativas, buscando-se compreender o ciclo de desenvolvimento dessa política pública. Para além das discussões teóricas e políticas sobre a implementação da Política de Ação Afirmativa nas Instituições Federais de Ensino Superior, buscou-se verificar estratégias e táticas empreendidas pelos sujeitos de modo a se beneficiarem de tal política de acesso. Com base na pesquisa de mestrado “Caminhos de estudantes participantes da política de ação afirmativa: oportunidades e desafios no ensino superior”, realizada por Mariza Aparecida Costa Pena, a partir de levantamento feito no Registro Acadêmico, de denúncias e de percepções de funcionários, foram selecionados três casos diferenciados de estudantes de cursos da Universidade investigada, ingressantes por meio da Política de Ação Afirmativa entre 2013 e 2016, os quais utilizaram táticas para se beneficiarem da referida política. Os casos apresentados servem, principalmente, para a reflexão sobre a necessidade de uma ação conjunta de diversos agentes no sentido de coibir as táticas para ocupação de vagas em curso de graduação por estudantes que indevidamente se beneficiam da Política de Ação Afirmativa implementada a partir dessa Lei.

Concepções educativas morais de graduandos de Pedagogia

PID: S1519-39932018000300471 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Deolindo Caetano Yaegashi
Resumo Este artigo apresenta uma pesquisa que teve como objetivo investigar as concepções educativas mo-rais de 58 graduandos de Pedagogia de duas uni-versidades públicas, uma do estado de São Paulo e outra do Paraná, indagando-os quanto aos construtos obediência, justiça, respeito e autonomia. A escolha dos construtos fundamentou-se teoricamente na perspectiva piagetiana de psicologia moral. Foi utilizado o questionário “Concepções educacionais morais em graduandos de Pedagogia”, elaborado pelas autoras, o qual apresentava quatro perguntas e solicitava os respectivos exemplos. Esta pesquisa se caracteriza como um estudo de caráter descritivo, qualitativo e quantitativo. Foi observada uma tendência de respostas mais bem elaboradas por parte dos alunos cuja grade curricular continha uma disciplina destinada à construção de conhecimentos sobre moralidade e educação. Ambos os grupos, oriundos de diferentes universidades, apresentaram respostas mais alinhadas ao senso comum do que à teoria, contrariando aquilo que se esperava de sujeitos em processo de formação. Tal constatação aponta para o fato de que os cursos de Pedagogia investigados não demonstraram estar devidamente organizados e preparados para efetivarem esse tipo de formação, já que as concepções educativas morais apresentadas por seus formandos refletiram o desconhecimento de concepções educativas morais fundamentadas teoricamente.

Confiança e fracasso na educação: interpelação à pratica docente

PID: S1519-39932018000200291 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Silva Röhr
Resumo A pesquisa inscreve-se nos debates sobre Educação, Formação Humana e Prática Pedagógica. Sua investigação consiste em examinar, segundo o olhar de Otto Friedrich Bollnow, a possível interação entre os fenômenos estáveis e instáveis das estruturas da vida e dos processos educativos, a partir dos pressupostos da Filosofi a da Existência e da Filosofia da Esperança. Pretende-se, por um lado, interrogar sobre as especifi cidades da re/produção do fracasso escolar em uma era de desconfi ança e, por outro lado, equacionar as possibilidades de uma pedagogia da esperança. Em termos de problematização, questiona-se: o princípio da continuidade é realmente a pressuposição necessária de toda e qualquereducação? A discussão tem como objetivo investigar a relação entre a Confiança e o Fracasso na Educação e suas interpelações à prática docente, apresentando um diálogo entre as categorias da descontinuidade e da continuidade e suas exigências e implicações para a construção de uma educação esperançosa quando encontra confiança no ser educando, o fulcro de toda prática pedagógica que pretende a humanização dos homens em seus processos formativos. Do ponto de vista metodológico, optou-se pela reflexão hermenêutico-ontológica, por estar voltada para o tratamento interpretativo das informações e contribuições teóricas, à medida que visa desvelar as estruturas do desenvolvimento da formação e estabelecer uma íntima relação entre o educador e o sujeito educando.

Da solidão do trabalho docente à necessidade do trabalho coletivo na escola: relatos de professores iniciantes

PID: S1519-39932018000200191 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Cassão Chaluh
Resumo O presente texto apresenta parte de uma pesquisa de mestrado de Pamela Aparecida Cassão que analisou quais as marcas de alteridade presentes no início do exercício da profi ssão docente, com a fi nalidade de identifi car como afetam a constituição do ser professor. Dentro do foco de investigação, estavam os acontecimentos vividos pelos professores iniciantes e suas contribuições para a constituição docente dos mesmos, levando em consideração as relações estabelecidas com os outros sujeitos ao estarem inseridos na escola. O locus da pesquisa centrou-se em um grupo de troca de experiências docentes, composto por dez professores iniciantes. Foram realizados sete encontros com sete temas ligados à profissão. De caráter qualitativo, a pesquisa se orientou pela perspectiva sociohistórica de Maria Teresa de Assunção Freitas. Além disso, as entrevistas coletivas de Sonia Kramer foram utilizadas como instrumento de produção dos dados e a análise foi realizada a partir do paradigma indiciário de Carlo Ginzburg. Como resultado, foi possível indiciar onze marcas de alteridade presentes na constituição docente dos participantes e, a partir delas, refletir sobre novas propostas de formação dos professores, pensando na relação estreita entre alteridade e profissionalidade. Este trabalho tratará de uma marca de alteridade recorrente nos dizeres dos participantes da pesquisa: a solidão do trabalho docente e, a partir dela, revelará a necessidade da realização de um trabalho efetivamente coletivo na escola.

Dito (e)feito: ideologia e relações de poder nos discursos/práticas (anti) democráticas em contexto escolar

PID: S1519-39932018000100095 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Soares Assolini Lastoria
Resumo Este artigo apresenta um recorte de pesquisa de mestrado, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, em que se analisam discursivamente as relações entre dizeres e fazeres docentes no que concerne à construção de práticas democráticas no espaço escolar. O estudo toma por base entrevistas semiestruturadas, realizadas com professores, gestores e funcionários, apresentando observações acerca do último ano do ensino fundamental (9º ano) em três escolas municipais de uma cidade do interior do estado de São Paulo. A pesquisa apoiase no arcabouço teórico-metodológico da Análise de Discurso de matriz francesa, com o objetivo geral de analisar discursivamente as relações entre, de um lado, o interdiscurso que sustenta as falas a respeito do ideal de escola democrática corrente no meio educacional e, de outro, as práticas de fato concretizadas, apontando convergências e divergências constitutivas dos contextos estudados, bem como possíveis atravessamentos ideológicos. Buscou-se, ainda, corroboração nas obras de Foucault, Pêcheux, Gregolin, Orlandi, Assolini, Tfouni e Apple, dentre outros, para problematizar ‘se’ e ‘como’ a escola cria oportunidades para que os estudantes sejam sujeitos críticos de seus dizeres e fazeres. As análises mostram que, mesmo a escola ainda sendo um dispositivo disciplinar, voltado para a forma(ta) ção dos sujeitos estudantes e legitimação de verdades e ideologias, muitas vezes constitui um espaço para a problematização das relações de poder e formação de sujeitos críticos.

Escrita acadêmica: fragilidades, potencialidades e articulações possíveis

PID: S1519-39932018000300489 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2018
Autores: Rigo Costa Ramirez Vitória
Resumo Os cursos de pós-graduação em educação no Brasil desenvolvem estudos sobre a prática docente e a pesquisa científica. Esses processos são trans-versalizados pela escrita acadêmica, objeto deste estudo, que faz emergir questões como “O que torna a escrita na academia um processo tão desafiador para os estudantes?” ou “Afinal, por que é tão difícil escrever?”. Esta investigação tem o objetivo de analisar ponderações e argumentações de acadêmicos de um curso de pós-graduação em educação do Rio Grande do Sul acerca das dificuldades inerentes à escrita acadêmica. Quanto aos procedimentos metodológicos, utilizou-se uma análise qualitativa exploratória, realizada por meio de um estudo de caso. A coleta de dados envolveu uma pesquisa-ação que contou com a técnica de análise de conteúdo para a análise dos resultados. Evidenciou-se neste estudo significativa preocupação com a escrita de teses e dissertações, sobretudo quanto ao atendimento de especificidades de forma textual e formatação dos textos de acordo com as normas técnicas adotadas pelo curso. Os acadêmicos reconhecem a importância e a necessidade do engajamento ligado à aprendizagem e à capacidade de tomar decisões, assim como enfrentar complexos desafios na escrita acadêmica. Para os estudantes a escrita acadêmica é uma tarefa difícil, influenciada por fatores como escassez de leitura, insegurança sobre as próprias ideias, dificuldade de realizar registros por escrito, falta de familiaridade com a escrita acadêmica na graduação e dificuldades na (re)construção de conhecimentos gramaticais, semânticos e sintáticos.
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