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Racismo e Educação Escolar: reflexões sobre o lugar do aluno negro

PID: S1519-39932017000100093 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2017
Autores: Melo Santos Loureiro Calvente
Resumo Este artigo é parte de uma pesquisa desenvolvida em uma escola municipal do Rio de Janeiro, pertencente à Segunda Coordenadoria Regional de Educação, entre os anos de 2012 e 2015. Objetiva analisar e discutir, omnileticamente, de que formas o racismo e os mecanismos de invisibilidade imputados ao aluno negro colocam-no em um lugar de exclusão nas escolas públicas brasileiras. O argumento central deste estudo é o de que tais dispositivos, cotidianamente exercidos na escola tanto de forma sutil como explícita, engendram nos alunos negros uma percepção negativa, desvalorizada de si, fazendo com que a própria criança, ao internalizar esses valores por meio do modo como é tratada, acabe introjetando a ideia do lugar de exclusão como sendo seu espaço natural. Baseia-se na abordagem de Pesquisa-Ação e na perspectiva Omnilética de análise. Analisa e discute dois eventos retirados do cotidiano da sala de aula, com base em estudos e pesquisas sobre o assunto. Conclui que, nas escolas, apesar de serem maioria, os alunos negros trazem consigo uma “herança” de racismo e invisibilidade, e que tal herança se manifesta na prática como ações efetivas de exclusão.

Representações sociais de professores formadores sobre a prática de professores da Educação Básica

PID: S1519-39932017000200299 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2017
Autores: Domingos Castro
Resumo A formação e a profissionalização do professor da escola regular são temáticas que vêm sendo bastante abordadas por pesquisadores em Educação, cujos estudos sobre a preparação dos futuros professores vêm contribuindo para a melhoria de sua formação. Este artigo focaliza uma pesquisa que teve como objetivo investigar as representações sociais que professores da graduação em Pedagogia têm acerca das práticas de professores da Educação Básica. Optou-se por utilizar a abordagem processual das representações sociais articulada à análise argumentativa como referencial teórico-metodológico. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, induções de metáforas e videogravações. Participaram do estudo dez professores universitários de Pedagogia. Os resultados mostram indícios de transformação nas suas representações, devido a transformações em suas práticas profissionais, ocasionadas pela percepção da mudança no perfil dos alunos que têm ingressado na graduação. Suas representações sociais da prática do professor da Educação Básica estão objetivadas nos elementos: ensinar e aprender, dar atenção, pesquisa e estudo. Os sujeitos ancoram esses elementos nos sentidos de professor reflexivo e de uma prática dialógica. Esses sentidos são identificados em suas falas, pois são repetidos por eles, quase automaticamente, em situações em que são questionados. Nos processos de formação, veem-se como modelos de professores para a melhoria da formação na Educação Básica.

Segunda licenciatura em dança do PARFOR: da cidadania consentida à cidadania negada

PID: S1519-39932017000200255 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2017
Autores: Brzezinski
Resumo Este artigo é resultante de duas pesquisas matrizes de abrangência nacional e da Região Centro-Oeste, financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Os impactos das políticas emergenciais de formação de professores constituem seu objeto. São políticas fomentadas pela Coordenação de Desenvolvimento de Pessoal do Ensino Superior, via Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Decreto nº 6.755/2009). Os planos estratégicos de formação de professores dos sistemas estaduais e distrital de ensino são elaborados e implementados pelos Fóruns Permanentes de Apoio à Formação Docente. Neste artigo faz-se um recorte das pesquisas matrizes para enfocar a Segunda Licenciatura em Dança, em curso de formação continuada ministrado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia-Campus Brasília. O objetivo foi avaliar o curso, com submissão de questionários aos egressos de 2013. O método de investigação é o materialismo histórico dialético, com abordagem qualitativa, na modalidade de pesquisa participante e análise comparativa de dados de duas pesquisas com o mesmo objeto: uma pesquisa oficial feita pela Secretaria de Educação do Distrito Federal, e outra coordenada pela Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação. Os resultados revelam que, embora a investigação oficial seja otimista quanto à qualidade do curso cidadania - consentida -, a pesquisa não oficial detectou fragilidades que desvelam a cidadania negada aos professores cursistas.

Sujeito aprendente e transformações do mundo do trabalho

PID: S1519-39932017000300515 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2017
Autores: Simão Dalpiaz
Resumo No presente texto, o objetivo é apresentar os elementos com que esboçamos a noção de sujeito aprendente, articulando duas perspectivas complementares. Do ponto de vista conceitual, caracterizamos essa noção articulando aspectos teóricos de diferentes autores de referência. Do ponto de vista empírico, abordamos a empresa como lócus de aprendizagem, em que o sujeito aprendente aprende na e com a organização, considerando o contexto das transformações do mundo do trabalho para além dos dois modelos clássicos de gestão da produção e do trabalho: taylorismo/fordismo e toyotismo. No plano metodológico, associamos de forma exploratória e qualitativa pesquisa bibliográfica, documental e trabalho de campo efetuado em uma empresa de grande porte, do ramo alimentício, da região do meio-oeste de Santa Catarina. Os resultados mostram que o sujeito aprendente corresponde a uma posição material e subjetiva que opera o trabalho vivo, o qual se constitui em uma prática educativa. O trabalho vivo refere-se à ação do sujeito que, ao transformar o mundo, transforma a si mesmo em uma perspectiva da educação ao longo da vida. Ele contém um campo paradoxal de possibilidades, seja como alienação e adoecimento, seja como autorrealização e emancipação. O trabalho de campo evidenciou três questões emergentes sobre a constituição do sujeito aprendente no contexto organizacional: exigências produzidas pelas novas tecnologias, formação profissional e avaliação do trabalhador no processo de trabalho.

Unamuno: el maestro y su misión educativa

PID: S1519-39932017000100151 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2017
Autores: Santos
Resumo La misión educativa del maestro, del profesor de primeras letras, fue uno de los temas pedagógicos al que Unamuno, el insigne rector de la Universidad de Salamanca, más páginas de análisis y reflexión dedicó a lo largo de su producción ensayística. El presente artículo, centrado en dicho tema, procura desvelar la concepción unamuniana del maestro, en cuanto a su misión de promover la formación de una concepción unitaria del saber en sus alumnos. Para nuestro autor, la fragmentación del saber era un grave error educativo al que había que combatir con vehemencia. En contra de dicha fragmentación, propuso, inspirado en su formación romántica, una visión holista e integrada de los saberes impartidos en clase a partir de la cosmovisión étnica del pueblo español (intrahistoria). No pudiendo haber educaciones ideológicamente neutrales, sólo el trasfondo espiritual de la comunidad patria a la que el alumno pertenece podría unificar el saber escolar que tendría siempre que ser consustancial al espíritu del propio pueblo (Volksgeist) en cuanto expresión individualizada del alma de la propia humanidad (Allgeist). Y es aquí donde se hace sentir la educación de talante nacionalista propuesta por Unamuno, siendo cierto que lo nacional en el autor es siempre concebido como puerta para lo universal.

A afetividade na relação professor-aluno: perspectivas de estudantes de Pedagogia

PID: S1519-39932016000200211 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Murgo Alves Francisco
Resumo Esta pesquisa verificou como os alunos de um curso de graduação em Pedagogia concebem a afetividade em sala aula e avaliam a abordagem da mesma na formação inicial. Participaram 25 estudantes do segundo e terceiro anos de uma instituição particular de uma cidade do interior de São Paulo. O estudo é qualitativo de cunho fenomenológico. Na coleta de dados utilizou-se um questionário composto de perguntas abertas e, para a análise, recorreu-se à Análise de Conteúdo. Ao descreverem a afetividade, os participantes reportaram-se a sentimentos relacionados à afeição e à interação entre as pessoas. Ressaltaram que uma relação afetiva em sala de aula pode ser favorável ou não para que os alunos tenham êxito no processo de ensino e aprendizagem, sobretudo, porque a dimensão afetiva de um professor extrapola a dinâmica das relações interpessoais, ao abarcar, inclusive, seus posicionamentos e ações na práxis-pedagógica. Por fim, destacaram a importância da afetividade na relação educativa desde a formação inicial.

A coordenadora pedagógica e a formação docente: possíveis estratégias de atuação

PID: S1519-39932016000200179 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Campos Aragão
Resumo Este trabalho discute a formação docente com foco no desenvolvimento do trabalho da coordenadora pedagógica. A literatura destaca que a atuação dessa profissional pode contribuir para a formação de professores no cotidiano escolar. Partindo da experiência na atuação do cargo de coordenação pedagógica e com base nos resultados da pesquisa de mestrado, este texto tem como objetivos discutir aspectos que envolvem a ação cotidiana da coordenadora pedagógica no espaço escolar e apresentar algumas possibilidades de estratégias planejadas com a finalidade de promover a formação docente. Isso a partir de uma perspectiva em que a pesquisadora assume o próprio trabalho como fonte de pesquisa.

A escola e o desenvolvimento moral do aluno: concepções, práticas e desafios dos profissionais da educação

PID: S1519-39932016000100019 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Santos Treviso
O desenvolvimento moral do aluno é resultante de um processo. A escola e os profissionais que nela atuam possuem papel relevante nesse processo, pois se acredita que, por meio da convivência nos diferentes espaços e das experiências vividas na escola, o aluno constrói conceitos relativos à sua moral. Este artigo objetiva analisar as concepções de profissionais que atuam na rede municipal de ensino de municípios localizados na região do Planalto Sul catarinense sobre como educar moralmente, bem como sobre as práticas e os desafios em relação a esse processo. A base empírica deste artigo é uma investigação de cunho exploratório e de natureza qualitativa. Como procedimento de coleta de dados utilizou-se um questionário com questões abertas e fechadas. A partir dos dados coletados, observou-se que os profissionais pesquisados atribuem importância ao seu papel na construção moral dos alunos, preocupam-se com sua prática pedagógica e a organizam por meio de várias estratégias, considerando essa construção.

A formação do pesquisador e a Pós-Graduação em Educação no Brasil

PID: S1519-39932016000100089 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Abreu Lima Junior
Nesta investigação objetivou-se implementar uma discussão teórico-crítica sobre a formação do pesquisador em Educação e a Pós-Graduação no Brasil. Tomaram-se como base os eixos: Formação do pesquisador em Educação, fazendo uma abordagem histórico-crítica do surgimento da Pós-Graduação no Brasil, suas bases legais e influências; Problemas e dilemas da formação, apresentando situações contraditórias e conflituosas da realidade da formação do pesquisador em Educação no Brasil, e estabelecendo relações com o contexto político, econômico e social. Realizou-se uma abordagem qualitativa de pesquisa, considerando-se a análise de dados bibliográficos e documentais, com a utilização de técnicas e análises de conteúdos. Foi constatado que a discussão metodológica é um tanto nebulosa na formação do pesquisador em Educação, pois as metodologias que se legitimaram nesse campo, muitas vezes, são vistas como um universo incontestável. Durante o percurso formativo, não é comum fóruns que se disponham a debater essas metodologias, muito menos o que as fundamenta. Tal realidade contribui para o empobrecimento das práticas investigativas. Coloca-se a necessidade de uma discussão mais aprofundada sobre a relação saber, conhecimento e verdade, dado que, em Educação, "saber" é restrito ao conhecimento decorrente de práticas sociais e cotidianas. Constatou-se, ainda, que a fragilidade dessa formação está intimamente relacionada com aspectos políticos, sociais e econômicos. É preciso repensar as bases da formação, convocando todas as partes envolvidas para uma discussão, bem como colocar em pauta a sua atual condição e discutir se os pesquisadores ali formados tiveram oportunidades reais de construir uma base epistemológica que colabore com a construção de suas pesquisas e os faça pensar em sua verdadeira função social.

A formação docente no espaço escolar em sua concepção colaborativa de conhecimento

PID: S1519-39932016000100075 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Torra Martins Vanzo
O presente trabalho origina-se de um estudo teórico-prático acerca da concepção formativa de um grupo de docentes em um colégio da cidade de Curitiba (PR). O núcleo reflexivo incide sobre as concepções que alicerçaram o modelo formativo docente no Brasil, bem como a análise da opção epistemológico-formativa da área de Filosofia e Sociologia no colégio lócus da pesquisa. Utilizando o Método Dialético como referencial, foram analisadas as produções dos docentes sobre a concepção teórico-prática, no que tange à questão formativa que prevê uma dialogia permanente entre reflexão/colaboração/produção coletiva. A finalidade, com isso, foi compreender e verificar como a proposta de formar e reformar a prática, por meio do conhecimento sistematizado pelo grupo, de modo colaborativo, tendo a escola como espaço privilegiado de formação de professores, reflete nas ações pedagógicas do grupo docente. O estudo fundamenta-se no posicionamento teórico de Edgar Faure, António Nóvoa, Francisco Imbernón, Ilma Veiga, Carlos Marcelo, Edgar Morin e Pura Lúcia Martins, que indicam um tipo de formação continuada que considera os saberes práticos gestados na escola. A trajetória percorrida aponta para uma ressignificação dos conteúdos tradicionais e ortodoxos da área estudada.

A religião como educação

PID: S1519-39932016000100127 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Albuquerque Barbosa
O artigo analisa a relação entre educação e religião a partir de uma perspectiva antropológica e epistemológica. Parte do pressuposto de que a religião pode ser entendida como um processo educativo, por meio do qual um conjunto de saberes circula e é apreendido pelos sujeitos, contribuindo para a formação de identidades. A partir das contribuições oriundas dos estudos sobre a educação em sua interface com a antropologia e com a história cultural, o artigo objetiva analisar a conexão entre educação e cultura, considerando alguns trabalhos de pesquisa que apontam para o horizonte da religião como educação, bem como refletir sobre alguns desafios epistemológicos para repensar a educação e a pesquisa no campo de confluências entre educação, cultura e religião. Metodologicamente, o texto resulta de pesquisa teórico-bibliográfica tomando por base algumas experiências de pesquisas que abordam a educação ocorrida em ambientes religiosos, para, a partir disso, instaurar uma reflexão sobre o estatuto epistêmico dessas proposições. Conclui-se que a educação vivenciada em espaços religiosos configura-se como uma prática ligada à produção da vida e reprodução social, na qual indivíduos constroem sua subjetividade e dão continuidade a sua existência. Partindo da realidade das múltiplas formas de vivência da experiência religiosa, trata-se de considerar, também, que tais vivências apelam para a necessidade de ampliação da análise investigativa para além dos padrões exclusivamente racionais ou técnico-científicos predominantes em tais análises.

Afrocentricidade: um conceito para a discussão do currículo escolar e a questão étnico-racial na escola

PID: S1519-39932016000200255 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Silva
Resumo Este artigo trata da relação entre a Lei nº 10.639 de 2003, que tornou obrigatório o estudo de história e cultura africana e afro-brasileira nos ensinos fundamental e médio, e o currículo escolar, relacionando-o a temas próprios desses universos culturais. O objetivo do artigo é discutir a aplicação de um currículo afrocentrado, tomando como ponto de partida o conceito de afrocentricidade, proposto pelo educador afroamericano Molefi Asante. Discute-se, nesse sentido, a promoção de práticas de interação dos diversos contextos sociais nos quais os alunos estão inseridos, dentro da dinâmica histórica e cultural própria do continente africano. A análise explora o conceito de afrocentricidade, divulgado nos Estados Unidos da América entre os anos 1980 e 1990, sobretudo por Molefi Asante, conceito que tem em seus fundamentos as teorias da negritude de Aimé Césaire e do pan-africanismo de Du Bois e Garvey. Segundo Moleti, a ideia de afrocentricidade se opõe à visão excludente, discriminatória e preconceituosa que a cultura eurocêntrica historicamente manifesta, defendendo a assunção dos afrodescendentes como sujeitos e agentes de práticas culturais e escolares.

Alineación entre una prueba de aprovechamiento y los estándares curriculares: del discurso a los métodos

PID: S1519-39932016000300371 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Medina-Díaz
Resumen La alineación entre un instrumento para medir el desempeño estudiantil, como una prueba de aprovechamiento, y los estándares curriculares es uno de los requisitos impuestos por la ley No Child Left Behind (Public Law 107-110) y su reemplazo, la ley Every Student Succeeds (Public Law 114-95) a los sistemas de evaluación estudiantil de los estados y territorios de los Estados Unidos de América, incluyendo Puerto Rico. Se refiere al grado de acuerdo o armonía entre los ítems de una prueba de aprovechamiento y los estándares curriculares que intenta representar. Este artículo expone brevemente algunos de los métodos tradicionales (i.e., tabla de especificaciones y revisión de conocedoras del contenido) y los particulares, desarrollados por investigadores, para determinar la alineación. Destaca los métodos propuestos por Norman Webb y Andrew Porter y colaboradores. La autora sostiene que el discurso de la alineación de los políticos y funcionarios de las agencias educativas es insuficiente para atender lo que la ley reclama. Deben describir claramente los métodos aplicados y sus resultados. Tampoco la evidencia de la alineación es bastante para reclamar la validez de las puntuaciones de una prueba de aprovechamiento y sus inferencias acerca del aprendizaje estudiantil en las escuelas.

As (não) relações entre o quilombo e a escola

PID: S1519-39932016000300323 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Larchert
Resumo O presente trabalho debruça-se sobre a organização da resistência quilombola da comunidade de Pedras de Una em Una, Bahia e os processos educativos nela vivenciados. Objetiva compreender como esses processos educativos contribuíram e contribuem para as vivências cotidianas dos elementos constitutivos da epistemologia quilombola, seus saberes e conhecimentos. Subsidiado teoricamente nos referenciais da educação popular, especialmente nas obras de Paulo Freire, cultura popular e epistemologia, como abordada por Enrique Dussel e Boaventura de Souza Santos. Orientada pelos aportes da pesquisa colaborativa, a inserção na comunidade foi realizada na perspectiva etnográfica. Os dados coletados durante a inserção, registrados em diário de campo, foram extraídos das falas, dos gestos, dos cenários, da reunião da Associação, da sala da casa, da cozinha, do quintal, do terreiro à frente e na lateral da casa, do ramal de acesso às residências, da sala de aula, da área em frente à escola, da beira do rio e, ainda, de seis entrevistas. Foram categorizados três grupos de análise dos processos educativos oriundos do campo da epistemologia quilombola: o domicilio existencial, a epistemologia da natureza e o território comunitário. Em seguida, foram analisados os processos educativos da memória e da identidade quilombola de Pedras de Una. Além de apresentar e discutir tais processos, estabeleceram-se diálogos possíveis entre os processos educativos da comunidade e da escola local, entendendo-se que homens e mulheres quilombolas tenham na escola um espaço de fortalecimento de seus territórios identitários.

Autorregulação da aprendizagem: abordagens e desafios para as práticas de ensino em contextos educativos

PID: S1519-39932016000100001 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Frison
Este artigo busca conceituar e explicar o construto da autorregulação da aprendizagem, entendida como o controle e a regulação do próprio estudante sobre seus pensamentos, cognição, afeto, motivação, comportamento e a imbricação deste construto na formação de professores. A pesquisa apresentada é resultado da análise de três investigações que mostram a atuação estratégica de professores como aprendentes e ensinantes. Analisa-se o enfoque teórico-metodológico das intervenções realizadas e, ao final, pontuam-se os resultados encontrados nas referidas pesquisas, explicitando as articulações feitas entre elas e os resultados emergidos desses estudos.

Cotas raciais no Ensino Médio: processos de identificação e diálogo intercultural crítico

PID: S1519-39932016000300295 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Leite Silva
Resumo A implementação da reserva de vagas com componente racial no ensino médio da rede federal de educação, a partir da Lei nº 12.711/12, traz novas questões para a pesquisa acadêmica em torno da temática das ações afirmativas e do combate ao racismo na educação escolar. Considerando as especificidades da educação básica, este artigo discute os impactos da inclusão do viés racial em cotas para ingresso no nível médio do Colégio Pedro II, tradicional e valorizada instituição de ensino do Rio de Janeiro. Com base na perspectiva intercultural crítica - cuja apropriação é exposta em diálogo com Gayatri Spivak, Stuart Hall e Vera Candau - apresenta-se a síntese da problematização das entrevistas realizadas com gestores e professores do ensino médio nessa instituição, a respeito do novo quadro instaurado com as cotas raciais. A análise se constrói em dois eixos de interpretação: quanto às identificações dos alunos negros e quanto à promoção do diálogo intercultural crítico. Tomando também como referência estudos sobre ações afirmativas e racismo na Educação, desenvolvidos por autores como Antônio Sergio Guimarães, Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes, conclui-se pela relevância das ações afirmativas de viés racial também nesse nível de ensino, não apenas pela reparação histórica que oportunizam para a população negra do país, como ainda por favorecer a educação para as relações raciais de todos os sujeitos da escola.

Desafios da implementação da Lei nº 10.639/03: um estudo de caso de municípios do Estado de São Paulo

PID: S1519-39932016000300281 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Rodrigues Oliveira Santos
Resumo Após mais de uma década da aprovação da Lei nº 10.639/03, como está o processo de sua implementação? Essa legislação alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, tornando obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio oficiais e particulares. Este artigo busca responder à pergunta, a partir da perspectiva de dois dos principais atores envolvidos no processo de implementação da lei: professores e gestores. O objetivo é entender se, e como, tem sido trabalhada a temática das relações étnico-raciais e da cultura africana e afro-brasileira na rede pública de educação infantil e no ensino fundamental. O artigo toma como base a prática de formação continuada de professores, a partir dos dados acerca da oferta de um curso de aperfeiçoamento de 180 horas, em 12 municípios do Estado de São Paulo, durante o ano de 2014. No primeiro encontro, professores e gestores foram convidados a responder a um questionário em forma de diagnóstico, que contemplava informações pessoais, conhecimentos sobre a temática e suas visões sobre práticas pedagógicas referentes à Lei nº 10.639/03. Este estudo obteve a adesão de 1.272 participantes, sendo 1.134 professores e 138 gestores e, com base nas respostas, foram mapeados os elementos facilitadores e os obstáculos à implementação da lei, dentre os quais o desconhecimento, desinteresse e a existência de posicionamentos políticos conflitivos sobre a temática. Os resultados apontam que o assunto ainda é pouco discutido nas escolas e, também, na formação inicial dos professores e gestores.

Educação e linguagem: elementos para uma introdução crítica ao preconceito linguístico

PID: S1519-39932016000100103 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Vasco Pinheiro
O presente artigo tem como objetivo analisar alguns conceitos e concepções referentes à interação moderna entre dois fenômenos - educação e linguagem - cuja indissociabilidade aparente, tanto epistemológica quanto funcional, apresenta elementos que contribuem para o desenvolvimento de uma introdução crítica ao preconceito linguístico. Este é entendido como uma forma peculiar de preconceito social, que se efetiva no interior das relações sociais, por meio do sistema educacional - no qual a escola moderna é considerada o local privilegiado e legítimo de transmissão e imposição da língua caracterizada como padrão, oficial ou "culta" - e através da dominação cultural e da imposição linguística daí proveniente. Trata-se, portanto, de uma pesquisa de caráter qualitativo e de natureza analítico-descritiva que utilizará como metodologia um referencial bibliográfico a respeito da temática e dos objetos de estudos propostos.

Educação escolar e relações étnico-raciais a partir de representações dos professores

PID: S1519-39932016000300271 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Grisa Caregnato
Resumo O artigo analisa representações de professores acerca das relações étnico-raciais nas escolas, tendo por base questões suscitadas em curso de formação continuada de professores atuantes em escolas públicas do Rio Grande do Sul. O curso situou-se na área dos direitos humanos, e os professores foram provocados a se posicionar por meio de instrumento próprio. O texto discute as características do racismo no Brasil contemporâneo e suas implicações para educação, bem como analisa os dados empíricos na relação com os conceitos de raça e branquidade. Os resultados evidenciam dificuldades dos docentes para lidar com a noção de raça. Além disso, o racismo é encarado como problema menor diante de desigualdades econômicas e, para parcela minoritária dos professores, o Brasil teria relações étnico-raciais harmônicas. Os dados mostram a persistência do mito da democracia racial nas representações docentes e a necessidade de políticas de formação sobre o tema com base na efetiva implantação da Lei nº 10.639.

Educação inclusiva bilíngue para surdos: problematizações acerca das políticas educacionais e linguísticas

PID: S1519-39932016000200163 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2016
Autores: Martins Lacerda
Resumo O presente trabalho problematiza a polêmica educação de surdos, mais especificamente na educação infantil em escolas inclusivas. Algumas reflexões são tecidas no que tange à política educacional e linguística em escolas inclusivas bilíngues e, ainda, o desafio da manutenção de programas bilíngues que tomam a surdez pela centralidade da língua de sinais, como língua de instrução e de diferença no ensino. O olhar se dará na ação de uma escola polo de um dos municípios no interior do Estado de São Paulo. Evidencia-se a urgência de mudanças para a composição da diferença surda no espaço escolar e, com isso, a necessidade de quebras de paradigmas, travando diálogo entre as Secretarias de Educação e os movimentos surdos. Como método de análise utilizou-se um recorte da pesquisa em uma cena escolar a qual será usada como alegoria da teoria apresentada, promovendo um adensamento nos construtos foucaultianos. Usou-se a perspectiva genealógica de Michel Foucault que toma as relações de poder como efeito de saberes os quais circunscrevem o espaço institucional escolar. O leitor é, assim, convidado a desbravar algumas tensões presentes na perspectiva bilíngue a qual rompe radicalmente com o olhar da surdez a partir da deficiência e convoca a escuta da diferença na mais radical singularidade que a língua de sinais proporciona nos sujeitos surdos.
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