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Inteligência artificial na educação básica: futuro das profissões na sala de aula

PID: S1519-39932025000100405 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Tussi Praça Vicari
Resumo A presença da Inteligência Artificial nos espaços de produção, seja do conhecimento ou de produtos e serviços, impacta e transforma a nossa relação com o trabalho. Esclarecer conceitos e os processos que estão por detrás das novas tecnologias e pensar sobre as consequências do seu uso são pontos que começam lentamente a fazer parte dos currículos e das políticas educacionais. A partir do presente estudo, verificaram-se os efeitos de uma sequência didática sobre Inteligência Artificial na percepção de alunos de duas turmas do 9° ano da educação básica com relação ao tema e seu impacto sobre o futuro das profissões. Um questionário estruturado foi aplicado antes e depois da aula, a fim de, primeiramente, obter um diagnóstico do conhecimento e das opiniões dos alunos sobre o assunto e, posteriormente, identificar o que mudou com a reflexão feita em aula. Foram obtidas 48 respostas e, a partir da comparação entre os questionários, pré e pós-teste, pode-se perceber que os alunos não alteraram significativamente as respostas, mas melhoraram o seu entendimento a respeito das consequências da Inteligência Artificial no campo profissional e com relação à sua influência no campo da educação.

Memorial de formação: trajetórias de vida, resistência e desenvolvimento profissional docente

PID: S1519-39932025000100404 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Santos Anunciato
Resumo Este artigo apresenta um memorial de formação construído por meio de uma narrativa autobiográfica, que reconstrói a trajetória de vida e profissional de um sujeito negro nordestino, oriundo do interior da Bahia, marcado por experiências de vulnerabilidade social, trabalho infantil e interrupções escolares. Ao lançar mão da escrita de si, o autor revisita, de maneira crítica e reflexiva, os caminhos percorridos na constituição de sua identidade docente, destacando a educação como eixo estruturante de sua emancipação pessoal, social e intelectual. O objetivo central é compreender como as experiências vividas (familiares, escolares, profissionais e acadêmicas) contribuíram para o desenvolvimento de sua prática pedagógica e de sua formação docente, em um percurso que vai desde a alfabetização em escola pública até a conquista do doutorado em Educação. Metodologicamente, a investigação insere-se no campo das pesquisas qualitativas com enfoque nas narrativas autobiográficas, compreendidas como instrumento epistemológico potente para a produção de saberes docentes. A escrita assume caráter analítico, revelando os sentidos atribuídos aos acontecimentos vividos, por meio da memória e da linguagem, situando-os em contextos históricos, sociais e institucionais. A opção por essa abordagem justifica-se pela crença na experiência como fonte legítima de conhecimento e pela valorização das vozes que, muitas vezes, permanecem à margem do discurso acadêmico tradicional. Assim, este memorial configura-se como um exercício de resistência e afirmação, dando visibilidade às histórias de superação e à construção contínua da identidade profissional docente em contextos desafiadores.

Núcleo de Arte Avenida dos Desfiles: o ensino da arte sob as arquibancadas do Sambódromo

PID: S1519-39932025000100401 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Araujo
Resumo O estudo apresenta a unidade de extensão Núcleo de Arte Avenida dos Desfiles, que funciona no interior das arquibancadas da Passarela do Samba, tratando suas dinâmicas pedagógicas, seu currículo e as políticas públicas. O objetivo é compreender como o ensino da arte se desenvolve ao longo do tempo no Sambódromo, considerando o Núcleo de Arte como instituição promotora de educação pela arte nesse território. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica exploratória, de abordagem qualitativa. Os resultados apontam para a emergência de um campo epistemológico envolvendo o ensino da arte no Sambódromo. Nesse processo, o dispositivo “fio condutor” mostrou-se um elemento estratégico à dinâmica do Núcleo de Arte. E verificou a necessidade de preservar a história das instituições que atuam na Passarela do Samba.

O Pode Falar e a escuta: a importância da escuta acolhedora no enfrentamento da violência escolar no Nordeste

PID: S1519-39932025000100204 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Ferreira Melo
Resumo Este artigo tem a intenção de compreender a inter-relação entre o programa Pode Falar e a ambiência escolar, considerando a escuta acolhedora de adolescentes como um elemento central de intersecção entre os princípios constitutivos do Pode Falar e uma atuação escolar centrada na pedagogia da escuta acolhedora. O Pode Falar é uma plataforma digital criada em 2020 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, com assessoria pedagógica da Universidade Federal Rural de Pernambuco e anuência do Conselho Nacional do Ministério Público, e sua finalidade é a escuta acolhedora de adolescentes e jovens de todo o Brasil. Em 2023, a referida plataforma possibilitou a criação da Rede Pode Falar, constituída por 22 instituições públicas de ensino superior localizadas em várias regiões brasileiras e que atuam na relação entre o cuidado humano e a educação. Os documentos analisados neste artigo se referem a produções feitas no âmbito da Região Nordeste do Brasil. A metodologia para construção dos dados se valeu de abordagem qualitativa, tendo a análise documental como método de pesquisa e a semiologia interpretativa como técnica de análise de dados. Os aportes teóricos nos quais os pesquisadores se fundamentaram para tratarem de conceitos que serão explorados, como “pode falar”, “adolescências”, “escuta acolhedora”, “enfrentamento” e “violência escolar”, estão amparados nos estudos transversalizados pela psicologia, sociologia, educação, história e antropologia. Os resultados encontrados sinalizam que a escuta acolhedora experimentada pelos adolescentes/jovens usuários do Pode Falar, quando praticada na ambiência escolar, amplia as possibilidades no campo do enfrentamento das violências existentes no cotidiano da escola, permitindo aos adolescentes/jovens maiores e melhores condições de expressarem suas emoções e seus sentimentos.

Os cenários da alfabetização na Região Norte após a pandemia da COVID-19

PID: S1519-39932025000100301 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Santos Santos
Resumo Este texto define por objetivo compreender como as/os professoras/es alfabetizadoras/es da Região Norte do Brasil vivenciaram/vivenciam e avaliam o retorno às aulas presenciais após a pandemia da COVID-19, os desafios enfrentados e as formas de enfrentamento dessa nova realidade. Para isso, realizamos uma discussão sobre a alfabetização em contexto pandêmico a partir de dados do banco de dados do coletivo Alfabetização em Rede (AlfaRede). Trata-se de um estudo de abordagem quati-qualitativa, que contou com a participação de professoras/es de todo o Brasil, os quais responderam a um survey com 25 questões e participaram de um grupo focal. Neste texto, realizamos um recorte para os dados da Região Norte, que foram analisados à luz da Análise de Conteúdo. Os resultados demonstram que, durante o retorno ao presencial, no que se refere ao ensino da alfabetização, houve um cenário de reorganização sanitária, pedagógica e de infraestrutura das escolas de educação básica. Demonstram, ainda, que as/os professoras/es alfabetizadoras/es avaliam como boas ou muito boas as ações tomadas pelas instituições da Região Norte na preparação do retorno ao presencial. Quanto aos desafios enfrentados e às possíveis formas de enfrentamento, destacam-se as rupturas, descontinuidades na aprendizagem, a necessidade de maior diálogo e formação docente.

Os rastros das práticas de leitura de romances na biblioteca do Instituto de Educação “Carlos Gomes”

PID: S1519-39932025000100410 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Kirchner
Resumo Este trabalho rastreou vestígios deixados por “possíveis leitoras” nos romances da Coleção Biblioteca das Moças encontrados no acervo do Instituto de Educação “Carlos Gomes”, em Campinas. O recorte temporal foi estabelecido considerando as marcas de leitura e registros de empréstimos deixados nos exemplares e coincide com o período que a Instituição recebeu a denominação de Instituto de Educação entre 1951 e 1976. O trabalho buscou uma aproximação das práticas de leitura realizadas por “possíveis leitoras” dos romances da Coleção e durante a pesquisa foi identificada uma transição entre a “leitora pretendida”, estabelecida a partir da estratégia editorial, e a “leitora rastreada” identificada a partir dos vestígios encontrados nos romances e memórias relatadas por quatro ex-alunas da instituição, o que possibilitou uma aproximação da coleção na perspectiva da leitora. A Coleção foi publicada pela Companhia Editora Nacional no período entre 1926 e 1960 e foi considerada uma leitura adequada para a formação feminina promovendo uma representação de mulher adequada aos padrões vigentes no período pesquisado. Contudo, ao investigar as marcas deixadas nos livros, como anotações, carimbos e registros de empréstimos, foi possível observar como essas leitoras reinterpretaram e adaptaram os textos conforme suas próprias vivências e necessidades. A análise segue o paradigma indiciário de Ginzburg, que propõe a leitura de vestígios como pistas para compreender as práticas de leitura do passado. Também se baseia nos conceitos de Certeau sobre estratégias e táticas, sugerindo que as “possíveis leitoras” não consumiam passivamente os romances, mas criavam significados, desafiando as intenções editoriais.

Percepções de estudantes de engenharia sobre as influências do relacionamento docente e discente no aprendizado

PID: S1519-39932025000100406 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Sanches Lemos
Resumo A boa interação entre professor e estudante é considerada como um dos aspectos fundamentais para o sucesso do processo de ensino e de aprendizagem. Este estudo investigou a percepção de estudantes acerca da importância do relacionamento docente e discente no aprendizado de engenharia, em uma instituição superior privada. Alunos do último semestre de um curso de Engenharia Aeronáutica foram ouvidos em entrevistas semiestruturadas, que foram gravadas e transcritas na íntegra. A metodologia de análise dos dados coletados foi baseada nas Categorias de Codificação. As respostas foram agrupadas, por regularidades e padrões, em duas categorias: A) Crítica à transmissão de conteúdos e B) Relações interpessoais respeitosas. Os resultados mostraram que os alunos consideram que o relacionamento com os docentes impacta diretamente na motivação para os estudos e no aprendizado. Esse relacionamento depende de vários fatores, como uma prática didática bem conduzida, boa comunicação e empatia no tratamento interpessoal.

Planejamento e prática pedagógica no retorno ao ensino presencial: o que relatam as professoras alfabetizadoras

PID: S1519-39932025000100306 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Passos Almeida
Resumo O artigo tem como objetivo apresentar e discutir elementos do planejamento e da prática pedagógica mobilizada por professoras alfabetizadoras na região do Campo das Vertentes, Minas Gerais, no contexto da volta ao ensino presencial, após a pandemia da COVID-19. Trata-se de um recorte de uma pesquisa maior desenvolvida pelo grupo Alfabetização em Rede e, mais especificamente, pelo Grupo de Pesquisa em Alfabetização, Linguagem e Colonialidade. Os dados foram produzidos por meio de grupos focais no formato virtual e analisados com base na análise de conteúdo. Os resultados indicam a presença de avaliações diagnósticas como ponto de partida para a elaboração do planejamento e de práticas pedagógicas voltadas para a atenuação da defasagem na apropriação da língua escrita pelas crianças, com foco no Sistema de Escrita Alfabética. Para isso, as docentes realizavam reagrupamentos dos alunos, sequências didáticas organizadas a partir de gêneros textuais menores, como parlendas, poemas, quadrinhos e jogos que instigam a consciência fonológica. As escolhas metodológicas das docentes sinalizam uma concepção restrita de alfabetização, com a opção por práticas já cristalizadas e amplamente veiculadas em formações continuadas anteriores, como o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.

Plataformas digitais na educação básica: uma pesquisa do tipo Estado da Arte

PID: S1519-39932025000100502 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Feldmann Ferreira
Resumo Este artigo apresenta uma pesquisa de abordagem qualitativa do tipo Estado da Arte. Teve o objetivo de mapear e analisar as contribuições e limitações relacionadas ao uso das plataformas digitais na educação básica. Os dados foram coletados na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações e, com o auxílio do software ATLAS.ti, analisados a partir da Análise de Conteúdo de Bardin. A pesquisa evidenciou que as plataformas digitais contribuem para a personalização do ensino e o aumento do engajamento dos alunos, oferecendo novas práticas pedagógicas e ferramentas de aprendizagem. No entanto, sua efetivação enfrenta desafios consideráveis, como a dificuldade de acesso a recursos tecnológicos e a necessidade de capacitação contínua dos docentes. Embora as plataformas digitais possuam um grande potencial transformador, é essencial a implementação de políticas públicas que promovam a inclusão digital e investimentos em infraestrutura, além de programas contínuos de formação docente para uma integração eficaz dessas tecnologias no ambiente educacional.

Política de alfabetização da rede municipal de Teresina: diretrizes e estratégias para o ciclo de alfabetização

PID: S1519-39932025000100403 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Sousa Bianchini
Resumo Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa de mestrado sobre o Projeto Alfabetiza Teresina, política de alfabetização implementada nas escolas públicas municipais de Teresina-Piauí e regulamentada pela Portaria n.º 240/2018 da Secretaria Municipal de Educação. O objetivo foi identificar as ações do Projeto no Ciclo de Alfabetização e avaliar suas implicações para o ensino e aprendizagem. Com abordagem qualitativa e bibliográfica, a pesquisa fundamentou-se no Ciclo de Políticas de Stephen Ball, Mortatti e Soares, dentre outros. A coleta de dados incluiu entrevistas semiestruturadas com 11 participantes, como professores, diretores e coordenadores pedagógicos que atuam com o Ciclo de Alfabetização. Os resultados evidenciam que as ações do Projeto contribuíram para a formação de leitores e escritores competentes, com avanços na leitura e escrita. Contudo, emergem desafios metodológicos e a necessidade de estratégias contextualizadas às realidades locais.

Qual é o papel da escola na prevenção da violência sexual infantil?

PID: S1519-39932025000100504 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Domingos Silva
Resumo O artigo busca contextualizar a violência sexual infantil como problema de Saúde Pública, mas também de Educação e examina a literatura, focalizando orientações para a ação pedagógica preventiva. No Brasil, toda criança deve cursar a Educação Básica, permanecendo por tempo significativo na presença de um professor. Esse é, algumas vezes, o único adulto contatado pelo infante, fora do seu núcleo familiar. Metodologicamente, foi implementada uma Revisão Sistemática Integrativa da literatura publicada entre 2010 e 2020. O levantamento foi feito nas bases Scientific Electronic Library Online, Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Sistema de Información Científica Redalyc e da Biblioteca Digital de Dissertações e Teses, utilizando-se os descritores “violência sexual infantil” e “educação sexual infantil”, dos quais emergiram 110 trabalhos. Foram selecionados 48 artigos científicos de periódicos avaliados com extrato A e dissertações de mestrado, nas Línguas Portuguesa, Inglesa e Espanhola, integralmente disponíveis para consulta. Os resultados indicam discrepância numérica entre estudos sobre tratamento a vítimas e sobre prevenção. O tema é abordado de forma multidisciplinar, destacando-se a área da Saúde, especialmente a Psicologia. Investigações se concentram no pós-violência, mais na perspectiva dos profissionais que compõem a rede de apoio, que da vítima.

Retorno às aulas presenciais (pós-)pandemia e o tempo escolar: qual o espaço para as heterogeneidades?

PID: S1519-39932025000100305 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Zacharias-Carolino Osti
Resumo O retorno às aulas presenciais, após o período do ensino não presencial, trouxe inúmeros desafios ao desenvolvimento do trabalho docente, especialmente no contexto dos anos iniciais do Ensino Fundamental, tendo em vista as especificidades que envolvem o processo de aprendizagem inicial da leitura e da escrita. Desse modo, este artigo, baseado em pressupostos autoetnográficos, tem como objetivo geral identificar as possíveis mudanças em uma escola pública municipal após o retorno às aulas presenciais, no alusivo às práticas de ensino direcionadas aos estudantes em processo de alfabetização e se desdobra em dois objetivos específicos: 1) descrever propostas didático-metodológicas desenvolvidas com estudantes do 3º ano e 2) analisar quais os espaços criados para o atendimento as heterogeneidades dos estudantes, a partir das experiências vivenciadas e dos planos de aulas construídos no decorrer do ano letivo de 2022. A turma com a qual as experiências compartilhadas se vinculam era composta por 21 estudantes com idade entre 8 e 9 anos, sendo que mais de cinquenta por cento ainda estavam em processo inicial de alfabetização. Por conseguinte, o trabalho desenvolvido pautou-se na busca de outras formas de se compreender os tempos de e na escola, com foco nos pressupostos da interdisciplinaridade e transversalidade dos conteúdos escolares e heterogeneidade das aprendizagens. Dadas essas circunstâncias, evidenciou-se a importância da criação de uma organização diferenciada da rotina escolar, que levasse em conta os diferentes ritmos de aprendizagem, a necessidade de escuta e consideração dos conhecimentos prévios das crianças, e a busca por espaços para o protagonismo infantil.

Tecnologia e controle do trabalho docente na rede estadual de educação do Paraná

PID: S1519-39932025000100402 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Gobetti Sbardelotto
Resumo Este artigo apresenta resultados parciais da pesquisa em curso que investiga o processo de controle do trabalho docente a partir do uso de tecnologias educacionais implementadas pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Com base no referencial teórico do materialismo histórico-dialético, o estudo parte da compreensão do trabalho como categoria fundante da existência humana e da educação como prática social historicamente constituída. Analisa como o trabalho docente, enquanto manifestação da atividade vital humana, vem sendo progressivamente subordinado às lógicas de padronização, mensuração e controle, especialmente por intermédio da tecnologia. A pesquisa tem caráter bibliográfico documental e utiliza como fontes para investigação as diretrizes institucionais, documentos oficiais disponíveis em portais governamentais, particularmente da Secretaria de Educação, além de reportagens e estudos acadêmicos relacionados ao tema. Analisa-se a rede pública estadual de ensino do Paraná, com foco nas políticas destinadas aos professores do ensino fundamental e médio. A partir da análise dos documentos observa-se que a incorporação de tecnologias, apesar de ter potencial para grande melhoria do processo de ensino-aprendizagem, tem sido apropriada sob uma lógica gerencialista, que mitiga a autonomia docente. As plataformas digitais, integradas ao sistema Escola Total, passaram a mensurar o uso de recursos pedagógicos e a vincular sua utilização ao desempenho profissional, consolidando uma forma de controle sobre o trabalho docente. Conclui-se que o avanço tecnológico, ao invés de emancipar, tem sido instrumentalizado para aprofundar a lógica da subordinação do trabalho ao capital, exigindo uma reflexão crítica sobre os rumos da educação pública.

Violência e convivência escolar: contribuições e desafios para políticas educacionais a partir da Psicologia Escolar

PID: S1519-39932025000100202 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Souza Fodra White
Resumo O aumento de atos de violência extrema em escolas de vários estados brasileiros trouxe para a cena educacional situações que sequer puderam ser consideradas em estudos sobre os processos de escolarização. As temáticas da aprendizagem e do desenvolvimento, tão caras para os pesquisadores e formadores de professores/as e psicólogos/as, não são suficientes para analisar a complexidade da vida escolar. Um novo ator entrou em cena: o processo de convivência escolar. Agravada pela situação deflagrada pela pandemia de COVID-19 e pela ação de grupos extremistas, as relações escolares encontram-se “à flor da pele” e precisam ser reconstruídas por meio de processos de civilidade, de garantia de direitos e de cultura de paz e não-violência, de forma a resgatar princípios de humanização que possibilitem a democratização das relações e a materialização da função social da escola. Este artigo tem como objetivo discutir a problemática da violência e convivência nas escolas. Por meio da Teoria Histórico-Cultural e de pesquisas e legislações sobre o tema, busca-se analisar: (a) o contexto de violência na sociedade e sua presença nas escolas (b) a mobilização da sociedade civil visando enfrentar situações de violência escolar; (c) os desafios da implementação de uma política educacional para o enfrentamento da violência escolar; e (d) ações de enfrentamento à violência na perspectiva da convivência escolar e o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas.

Violência na escola: mapeamento da produção científica no Centro-Oeste entre 2014 e 2024

PID: S1519-39932025000100205 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Andrade Faria Cotrin Freitas
Resumo Este artigo parte do pressuposto de que violência é um fenômeno social que também se manifesta dentro da escola. A análise deste fenômeno levará em conta sua construção social e manifestações no contexto escolar em diferentes instâncias. O objetivo é realizar um mapeamento da produção científica sobre a violência escolar na região Centro-Oeste. O artigo intenta problematizar: 1) O delineamento do conceito de violência adotado nos trabalhos; 2) Os tipos de violência identificados; 3) Os referenciais teóricos e metodológicos orientadores das discussões e análises; 4) O contexto e perfil dos sujeitos da pesquisa; 5) Os resultados das pesquisas; 6) As propostas de enfrentamento no âmbito das políticas públicas, programas de combate à violência, intervenções e encaminhamentos. O banco de dados foi constituído a partir da busca nas bases da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações com os seguintes descritores: violência escolar, violência na/da escola e bullying. Os resultados revelam a existência de 69 dissertações, 12 teses e 39 artigos científicos, estando estes publicados em periódicos bem qualificados, segundo o critério Qualis, com boa representatividade em cada estado do Centro-Oeste. Observou-se que a maioria dos estudos adotaram uma perspectiva qualitativa de investigação científica, ancorando-se em uma pluralidade de base teórica e temática. Sobre as temáticas que caracterizam a violência, destacaram-se termos como bullying, violência contra o professor, práticas pedagógicas para combater a violência na escola, concepções/percepções ou representações de professores e estudantes sobre a violência na escola e ações bem-sucedidas de combate à violência escolar.

Violência na/da escola: da urgência de estudá-la e da necessidade de caminhos para superá-la

PID: S1519-39932025000100100 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Rocha Bernardes
Resumo Este texto tem objetivo de apresentar um conjunto de 10 artigos resultantes de esforço coletivo de pesquisadores da área da Psicologia da Educação, mobilizados por dois desafios: a) analisar a problemática da violência na/da escola a partir da realidade concreta e decorrente de influências sociais, culturais, políticas e econômicas, constituídas historicamente; b) apresentar a violência como um fenômeno complexo que precisa ser compreendido a partir de múltiplas perspectivas teórico-metodológicas, articuladas ao campo das ações de políticas públicas educacionais. O dossiê emerge da constatação de lacunas na produção de pesquisas da área, especialmente identificada nos trabalhos apresentados em reuniões nacionais e regionais da ANPEd, dos últimos 10 anos. Os artigos que o compõem estão organizados em três partes. A primeira examina a concretização da violência no cenário nacional, considerando índices quantitativos e qualitativos que evidenciam este fenômeno na sociedade brasileira e reflete sobre impactos de políticas públicas para enfrentamento da violência na/da escola. A segunda parte traz análises regionais da violência no contexto escolar. Conta com a participação de pesquisadores do Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil que, a partir de uma diversidade metodológica, contemplam tendências nos estudos sobre o tema e analisam ações práticas regionais realizadas para combatê-lo. A terceira parte apresenta artigos entretecendo o diálogo entre pesquisadores do Brasil e de Portugal, apresentando a violência enquanto fenômeno generalizado na sociedade contemporânea. Os resultados do dossiê, que constam nos artigos apresentados a seguir, evidenciam uma visão, ao mesmo tempo panorâmica e aprofundada do fenômeno social em foco, contribuindo para que seja estudado, compreendido, enfrentado e superado.

Violência, escola e sociedade: percepções, retrocessos e perspectivas na Amazônia Ocidental

PID: S1519-39932025000100203 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Silva Castro Zibetti Nascimento
Resumo Considerada aquela que “vem de fora” e interfere na dinâmica interna do espaço escolar, a violência, em suas variadas manifestações, tem aumentado sistematicamente na sociedade brasileira, exigindo investigações com o objetivo de melhor compreender suas especificidades em cada contexto para a implementação de ações de enfrentamento. Este artigo apresenta elementos conceituais e históricos que ajudam a pensar a temática em seus aspectos mais amplos, bem como sustenta-se em entrevistas realizadas com professores e gestores de escolas de três cidades de três dos quatro estados que compõem a Amazônia Ocidental do Brasil: Cruzeiro do Sul, no Acre; Manaus, no Amazonas e Porto Velho, em Rondônia; participantes da Pesquisa Nacional “Preconceito e Violência nas Escolas”, em relação com informações do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apresenta dados de um questionário respondido por gestores escolares na Prova Brasil. As análises relacionadas evidenciam a complexidade e a gravidade dos problemas de violência e de preconceito enfrentados no cotidiano escolar; expressam a necessidade de implementar ações integradas envolvendo escola, família e poder público, com foco na prevenção e conscientização acerca das causas da violência e no fortalecimento dos vínculos comunitários. As impressões de professores e gestores em diálogo com dados atuais sobre violência na escola, sugerem que não há ações contínuas de médio e longo prazo elaboradas pelo Estado, voltadas ao enfrentamento da violência nas instituições escolares pelas vias da conscientização e da educação, sendo colocadas em prática atualmente. Em contrapartida, o aumento da militarização das escolas nos estados do Acre, do Amazonas e de Rondônia revela uma ação do Estado validada como principal estratégia de enfrentamento à violência escolar.

“Eu faço parte da pesquisa”: PIBIC-EM, participação juvenil e direito à cidadania

PID: S1519-39932025000100411 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Miranda Lavor Filho Soares Barros Gonçalves
Resumo O Programa de Iniciação Científica para o Ensino Médio (PIBIC-EM) é uma política pública desenvolvida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico de incentivo à construção de pesquisas em uma parceria universidade-escolas de Ensino Médio, cujo objetivo é popularizar a produção científica. Neste artigo propõe-se discutir o PIBIC-EM como dispositivo de formação de jovens pesquisadores para pensar a participação juvenil e o direito à cidadania em escolas da periferia de Fortaleza/CE, e, para isso, foram discutidos, ao longo do texto, dois processos de pesquisa-intervenção, com as temáticas vínculo e questões de gênero, desenvolvidos através do PIBIC-EM no contexto de duas escolas públicas. Conclui-se que esse programa pode estimular a inserção social e a agenda política das juventudes, além de constituir-se em um modo de fomentar a participação juvenil em processos investigativos, imprimindo uma radicalidade nessa relação com os “objetos de pesquisa” por afirmar um espaço de coparticipação no processo de produção de pesquisas científicas através.

A Entrevista Narrativa possibilitando a escuta de professores do sistema carcerário

PID: S1519-39932024000100104 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2024
Autores: Silva Nacarato
Resumo Este artigo tem como objetivo evidenciar as potencialidades da Entrevista Narrativa como dispositivo de produção de dados de pesquisas e discutir suas potencialidades como instrumento de escuta de professores cujas práticas são invisibilizadas pelas políticas públicas. Apoia-se em estudos do campo das narrativas e do círculo de Bakhtin. A pesquisa foi realizada com quatro professores (três professores de matemática e uma pedagoga) que atuam no sistema de Educação Carcerária no estado de São Paulo. A análise foi realizada em duas unidades temáticas: influência familiar nas trajetórias docentes; e marcas deixadas pelo racismo e a mobilização para atuar no sistema carcerário. Conclui-se que, apesar das condições de trabalho, os docentes sentem que podem contribuir para a ressocialização de pessoas privadas de liberdade e fazem o melhor que podem em suas ações.

A educação da criança segundo o conceito de educação negativa em Rousseau

PID: S1519-39932024000100420 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2024
Autores: Silva
Resumo O objetivo deste artigo é destacar o conceito de educação negativa dentro da concepção teórico pedagógica de Jean-Jacques Rousseau, em específico para a educação da criança. Esse conceito não se encontra desenvolvido na maioria dos trabalhos acadêmicos que tratam questões sobre pedagogia ou educação na obra: Emílio ou da Educação. Por essa razão e, para trazer entendimento à importância e lugar teórico desse conceito, nossa explanação se distribui em quatro partes, a saber: 1) A educação deve ser pensada num programa de educação do ser humano enquanto tal, o que engloba a educação privada e pública, da criança ao adulto, articulando natureza e civilização, por conseguinte; 2) É preciso distinguir entre natureza e artifício, preservando e desenvolvendo a primeira para o exercício da real liberdade em sociedade. 3) Para entendimento da posição do filósofo, é necessário retomar o contexto histórico de sua época, o qual se estabeleceu no embate entre a tradição aristocrática e as transformações teorizadas pelo iluminismo francês e, por fim, 4) apresentamos uma definição da relevância da posição defendida por Rousseau acerca de uma educação da criança, a educação negativa, que promove seu desenvolvimento natural contra os enganos da artificialização social.
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