A ESCRITA DE SURDOS EM AMBIENTE INTERACIONAL DE APRENDIZAGEM MEDIADO PELA LIBRAS
PID: S1676-25922018000401076 |
Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) |
Year: 2018
Authors: Almeida Lacerda
RESUMO No presente artigo pretende-se refletir sobre as práticas discursivas que incidiram no processo de escrita em Língua Portuguesa como segunda língua empreendido por sujeitos surdos em contextos interacionais de oficinas. Para tanto, realizou-se um trabalho de reescrita coletiva de uma história de aventura a partir de interações interdiscursivas entre língua de sinais e o português escrito. Investigando a interação entre participantes surdos e educadores ouvintes como elemento que caracterizou o processo de escrita, analisaram-se os modos pelos quais as diferentes práticas discursivas se constituíram em ambiente de aprendizagem. No início das oficinas, o educador ouvinte organiza e dirige as interações, promovendo o desenvolvimento das competências expressivas dos participantes surdos, provocando um ambiente propício à aprendizagem. Enquanto mediadores na construção do conhecimento, os educadores ouvintes assumem menos responsabilidades em relação à escrita, estimulando os sujeitos surdos a ocuparem cada vez mais o espaço discursivo. O caráter dessas interações gera situações favoráveis à autonomia dos participantes surdos. O que se observou nos movimentos registrados foram os deslocamentos instaurados: do educador como suporte total à confiança depositada nos pares surdos, que se apoiam rumo ao protagonismo na produção de linguagem escrita. Ressalta-se que as práticas e as formações discursivas nas oficinas, voltadas ao desenvolvimento dos mecanismos de produção e compreensão dos discursos, concretizaram-se por meio da língua de sinais como a base para o registro escrito.