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Mediação docente online para colaboração: notas de uma pesquisa-formação na cibercultura

PID: S1676-25922016000100023 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Santos Carvalho Pimentel
Nesta pesquisa-formação na cibercultura, investigamos a mediação docente com os cursistas da disciplina Informática na Educação, do curso de Licenciatura em Pedagogia a Distância da UERJ/CEDERJ/UAB no 2º semestre de 2014. Para este artigo, optamos em interpretar os dados produzidos num fórum de discussão de uma das aulas da disciplina. Como principal noção emergente das análises, chegamos ao conceito de "Mediação Docente Online para Colaboração", que enfatiza a necessidade de uma mediação ativa e crítica para a promoção da colaboração.

Metamorfose ambulante a desidentificação carnavalesca de Ney Matogrosso na militadura brasileira

PID: S1676-25922016000400769 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Nogueira
RESUMO Este ensaio é um relato crítico sobre a carreira de Ney Matogrosso na década de 1970. Tratamos aqui de ler o repertório estético e político do artista como parte da produção filosófica e crítica brasileira que confronta a ditadura militar e a ordem sexual binária imposta aos corpos, ambas heranças vivas de esferas de controle e dominação implementadas desde a colonização. O texto faz também um chamado a romper com a historiografia tradicional, baseada no acúmulo de informação típico da era do capitalismo cognitivo, em prol de uma epistemologia sensível, que seja capaz de reler repertórios locais populares excluídos do âmbito acadêmico com o intuito de encontrar ali um teoria de gênero situada. A primeira parte desse relato oferece um panorama das motivações que levaram a desenvolver esta pesquisa; logo procura conectar características intervencionistas do trabalho de Ney Matogrosso, a ruptura de expectativas elaborada por ele, e a confrontação de esquemas perceptivos em uma sociedade marcada pela colonialidade e pela ditadura; oferece ainda leituras de época sobre a questão de gênero em seu trabalho e de outros artistas, e termina com trechos de relatos em primeira pessoa de diferentes momentos, onde Ney Matogrosso menciona claramente temas como gênero, sexualidade e sua forma de ativismo artístico, marcado por estratégias camaleônicas, metamórficas, inclassificáveis. As reflexões apresentadas no texto têm como pano de fundo a história da ditadura militar no Brasil, a história dos movimentos homossexuais e feminista, teorias pós-marxistas e pós-estruturais, e políticas existenciais periféricas.

O corpo indigno

PID: S1676-25922016000400789 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Borghi
RESUMO Abordarei neste texto os corpos, mais especificamente os corpos fora de norma, esses corpos que o olhar héteropatriarcal sexista e capitalista considera como out of place, em particular do espaço público. Dos corpos que, evidentemente, é preciso colocar de lado, marginalizar, invisibilizar, excluir dos privilégios. Para fazer isso, eu vou lhes contar uma história. E porque sou feminista, vou partir de mim mesma. Eu gostaria de construir minha intervenção em torno da relação entre espaço, ordem social e dinâmicas de controle dos corpos, uma relação construída para manter os privilégios de sujeitos dominantes e o status quo social. Mas ao invés de me concentrar na denúncia de como a injustiça social foi construída também através do espaço e de seu uso e como cada um(a) de nós participa de forma mais ou menos consciente da legitimação ou da recusa das normas espaciais, vou me concentrar nas reações, nas ações e nas micropolíticas de enfrentamento, de desvio e de transbordamento do controle do corpo e da imposição de normas dominantes. Minha abordagem é a do transfeminismo queer, eu sou feminista, uma acadêmica feminista. Minhas pesquisas e meu trabalho como pesquisadora, isto é, o que eu vou propor são provenientes da epistemologia feminista que me ensinou que a divisão entre teoria e prática nos serve também para criar tipologias de conhecimento hierarquizado, deslegitimando tudo o que não se refere aos produtores de conhecimentos legítimos, com ferramentas consideradas "científicas".

O direito a olhar

PID: S1676-25922016000400745 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Mirzoeff
RESUMO Este ensaio foi publicado como prévia do meu livro "The Right to Look: A Counterhistory of Visuality". Ele foi escrito primeiramente como apresentação para a Conferência sobre Cultura Visual na Universidade de Westminster, organizada por Marq Smith e Jo Morra em 2010. Em "O direito a olhar", desenvolvi um quadro descolonial comparativo para os estudos de cultura visual. Considerando a modernidade como uma competição em curso entre visualidade e contravisualidade ("O direito a olhar"), apresento como a visualidade conecta autoridade e poder, naturalizando a referida conexão. A visualidade, conceito do início do século XIX, refere-se à visualização da história, e tem sido fundamental para a legitimação da hegemonia ocidental. Neste texto, identifico três "complexos de visualidade": 1. a escravidão nas plantations; 2. o imperialismo; e 3. o atual complexo militar-industrial. Explico como em cada um desses complexos o poder é tornado auto-evidente graças à técnicas de classificação, separação e estetização. Ao mesmo tempo, apresento como cada complexo de visualidade tem sido combatido: pelos escravizados, pelos colonizados, e pelos oponentes da guerra, os quais proclamam sua autonomia da autoridade, reivindicando o direito a olhar.

Ocupações (im)prováveis: que cidade devém?

PID: S1676-25922016000300651 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Andrade
RESUMO Fios-palavras-gestos em uma intimidade quase exposta. Momentos de produção de imagens que (se) pretendem deslugar: grafites em um muro de escola pública em Feira de Santana e oficinas de fotografias realizadas com alunos do ensino médio também de uma escola pública em Ichu (ambas no sertão baiano). Ações decorrentes do projeto de pesquisa "Cidades (des)enquadradas em imagens: experimentações (atra)versando o conceito de signo" que questiona: o que podem as imagens quando não pretendem explicar, ilustrar, registrar as cidades? Pretender, então, proliferar conexões, provocar a invenção de novas formas de olhar e vivenciar o mundo, a cidade, a produção de conhecimento, a expressão cultural dos artistas e estudantes no lugar das explicações e coerências. Propor, então, que a cidade não seja entendida, sentida, explorada apenas como cenário, mas sim máquina produtora de signos, expressão, conhecimentos. O conceito deleuziano de diagrama busca explorar e potencializar tais produções, pretendendo a desestabilização de uma política da representação para olhar, conhecer e inventar cidades. Provocar (na arte, na vida, na escrita, na educação, em lugar nenhum) rompantes de caos, desconsiderações às classificações e aos julgamentos morais.

Para disparar leituras e escritas, para pensar na pesquisa e na docência: experimentando um espaço da pós-graduação em educação

PID: S1676-25922016000400955 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Oliveira Dalmaso Garlet
RESUMO Estes escritos buscam relatar - e ensaiar-se enquanto relato - sobre uma experimentação produzida num espaço formativo de uma pós-graduação, curso de doutorado em educação. Foram usados como disparadores alguns contos do escritor moçambicano Mia Couto (2012) para que, a partir da leitura dos mesmos, escritas e pensamentos sobre docência e pesquisa pudessem ser produzidos. O encontro com alguns autores do pensamento da diferença, tais como Deleuze, Larrosa e Levy, e com as produções de colegas da disciplina, nos faz pensar o lugar da pesquisa, ao que possa ser problematizado como um pesquisar, menos em delimitá-lo em protocolos e mais como um espaço mesmo de experimentação e um modo de pensar nossos lugares de docência, de criarmos outras relações com a linguagem e com a vida. Ensaiar-se, ensaiar docências e pesquisas, como experiência de estabelecer outra relação consigo mesmo e com o mundo.

Percepção de tempo e necessidade de atividade na sociedade do excesso: educação no contexto das tecnologias digitais

PID: S1676-25922016000100071 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Chaves Maia Filho
O contexto educativo promovido pelas tecnologias digitais tem sido objeto de investigação de inúmeros pesquisadores. Abordam o tempo diminuto com que as informações circulam e a quantidade expressiva de atividades humanas supostamente facilitadas pelas tecnologias digitais. Como se daria, então, a relação entre percepção temporal e necessidade de atividade no processo educativo face à sociedade do excesso? Este artigo tem por objetivo discutir esta questão uma vez que se trata de um fato por vezes minimizado pelas pesquisas que abordam o uso das tecnologias de informação e comunicação na educação. Foi feita uma revisão narrativa da literatura e seu cotejo com nossa prática educativa nas condições de psicólogos de uma instituição de educação profissional e tecnológica e professores do magistério superior. Consumo de marcas, formação continuada, produtivismo no trabalho e redução da experiência subjetiva são formas de lidar com a emergente necessidade de atividade na sociedade do excesso. Nossas análises indicam que existe uma percepção de tempo comprimida, o que deporia contra uma urgente e ampliada necessidade de atividade fruto de uma sociedade do excesso. Tal situação exigiria dos profissionais da educação uma revisão de suas práticas pedagógicas no sentido minimizarem os efeitos da compressão temporal.

Percepção publica de ciência de graduandos do estado de São Paulo: um estudo a partir da ótica da biotecnologia

PID: S1676-25922016000100083 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Simon Veraszto Camargo Silva Miranda
A associação entre o conhecimento científico e as atitudes frente à ciência possui implicações históricas, sociais e políticas fundamentais. Por isso, torna-se primordial avaliar as atitudes do público frente à ciência, pois elas relacionam-se com a mudança de contexto das práticas científicas e suas implicações nos problemas práticos e sociais. Neste sentido, este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa desenvolvida a partir de uma abordagem mista, que avaliou a percepção pública de ciência e as atitudes frente ao desenvolvimento científico e tecnológico, a partir da ótica da biotecnologia, em um público composto por alunos de graduação de diferentes localidades do Estado de São Paulo, no Brasil. Os resultados mostram que, na concepção dos investigados, a ciência influencia direta e positivamente suas atitudes frente à ciência.

Pesquisa como emaranhamento

PID: S1676-25922016000300541 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Hargraves
RESUMO Neste artigo, procuro explorar como podemos conceituar a pesquisa quando sujeito e objeto estão entrelaçados: quando sujeitos já não podem ser pensado como um corpo unificado, um Self consciente, formado por sua história única de experiências e interações; quando o objeto excede a sua identidade passiva e as relações de analogia, semelhança e oposição (Deleuze, 1994) com outros objetos. O trabalho interroga como um materialismo imanente afeta compreensões de se fazer pesquisa, o que implica em não se conseguir distinguir o pesquisador da pesquisa ou da sua metodologia, e abandonar as tentativas de retirar completamente os dados da pesquisa de suas relações contínuas com toda a matéria. O materialismo imanente oferece uma vista do sujeito que pesquisa e o objeto pesquisado como um emaranhado, um entrelaçamento em multiplicidades de matérias interconectadas, co-influenciando, individuando e sempre em devir. Os dados se expandem para incluir tudo: o tema, os objetos, a sua representação e seu potencial virtual para devir o novo. Em vez de sujeito-objeto, só há dados e dados, e dados, e ...

Políticas públicas em educação: ensino de artes e de filosofia em educação inclusiva

PID: S1676-25922016000100003 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Mendonça Andraus
Este artigo tem por objetivo discutir as políticas públicas de inclusão na perspectiva do ensino de Artes e de Filosofia. Do ponto de vista do método, foi realizada uma revisão de literatura na base Scielo utilizando-se unitermos que viessem a favorecer os achados pertinentes à investigação, configurando-se um levantamento das produções acadêmicas a respeito do ensino de Artes e de Filosofia em educação inclusiva. Concluiu-se que ainda são poucas as publicações contemplando a temática de interesse do estudo, justificando-se a necessidade de seu desenvolvimento na medida em que as disciplinas de Artes e de Filosofia, na qualidade de fomentadoras da autossuperação do sujeito, são fundamentais para se pensar em uma perspectiva de educação inclusiva.

Por uma pedagogia que fale em nome próprio

PID: S1676-25922016000400942 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Crizel Munhoz
RESUMO Trata-se de pensar uma pedagogia que fale em nome próprio. Tal proposição fez parte das investigações da dissertação de mestrado vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ensino da Univates, que tinha como objetivo pensar diferentemente o território da pedagogia. Dessa necessidade, dá-se um encontro - nome próprio - , expressão encontrada em meio aos escritos de Deleuze e Guattari. Do encontro, cria-se o desejo de pensar uma pedagogia que fale em nome próprio. O primeiro movimento feito foi rastrear, na obra Mil Platôs, as aparições da expressão e estabelecer alguns marcadores nos excertos selecionados, na intenção de apreender de que maneira essa noção é compreendida e operada pelos autores. No segundo momento do texto, tensionam-se as formas e formações da pedagogia para, na sequência, propor a composição de uma expressão que opera no plano filosófico com o território da pedagogia. Ao finalizar, conclui-se que tal composição, ao acontecer, movimenta o corpo e o pensamento, criando condições para um possível.

Práticas educativas de famílias negras e relações étnico raciais: uma experiência em formação de professores

PID: S1676-25922016000300690 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Martins Candido
RESUMO As práticas educativas familiares têm influência direta nos processos de formação de identidade racial das crianças negras, assim como norteiam os modos como essas questões são vivenciadas nas interações sociais em contextos diversos. Esse trabalho descreve uma experiência com estudantes de um curso de formação inicial de professores de uma universidade pública da Grande São Paulo. Centrada no estudo de referenciais teóricos que versam sobre socialização primária e identidade no contexto das relações étnico-raciais, tal experiência buscou iniciar os estudantes em um projeto de iniciação à pesquisa. Com o objetivo de compreender como ocorrem as práticas educativas de famílias negras com relação a socialização de suas crianças, a partir de metodologia qualitativa, o trabalho contou com dois grupos de alunos que realizaram entrevistas com 12 famílias da classe trabalhadora. Os dados analisados indicam que as práticas educativas da maioria das famílias negras entrevistadas incluem ações que se referem às relações entre cor/raça. Concluiu-se que tal experiência reafirma a relevância da inclusão de ações de pesquisa nos programas de ensino dos cursos de formação de professores, principalmente nas interfaces entre a educação científica e a questão das relações étnico-raciais, tendo em vista a formação de profissionais empenhados no trabalho de combate à discriminação racial.

Rastros de uma heterotopia urbana: o caso do Parque Ibirapuera, SP

PID: S1676-25922016000400802 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Chaves Aquino
RESUMO O presente artigo baseia-se nas reflexões de Michel Foucault acerca da temática da espacialidade com vistas a formular um panorama teórico sobre a noção de espaço e, especificamente, sobre os espaços heterotópicos. Acerca destes, Foucault propôs uma abordagem singular ao colocar em destaque espaços outros, os quais denotariam seu caráter marginal, conflitante e subversivo em relação à ordem instituída. A título de exploração de tal hipótese geral, apresentam-se os resultados de uma investigação acerca do Parque Ibirapuera, ícone urbano da cidade de São Paulo, segundo duas frentes de trabalho complementares: documentos oficiais sobre o Parque e discursos jornalísticos veiculados a seu respeito pelo jornal O Estado de S. Paulo de 1954 a 2014. Os dados analisados permitiram identificar um modo de governo que traslada a ortopedia social para o controle do espaço e das condutas, por meio do isolamento do desvio e da modulação econômica por ele gerada; detectou-se também que, mediante tal processamento, despontam rastros heterotópicos como respostas imprevistas às estratégias de governamento, ou seja, como imaginações criativas que, posicionando-se no desvio e em outros modos de existência possíveis, desafiam os mecanismos de controle vigentes. A argumentação final encaminhase no sentido da defesa de novas perspectivas no que se refere ao trabalho analítico devotado às espacialidades urbanas, em favor de uma compreensão alargada dos vínculos que se estabelecem entre espaço, governo, resistência e (re)criação espacial.

Sala de aula assemblage: o cenário vibrante do processo escolar

PID: S1676-25922016000300580 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Lameu
RESUMO Este artigo busca refletir sobre a complexidade do ambiente da sala de aula considerada como uma assemblage. A hipótese é que todos os componentes do conjunto são igualmente vitais, embora alguns vibrem mais que outros. A teoria de Vitalismo (Driesch, 1914) e o Materialismo Vital (Bennett, 2010a; b) são usados como ferramentas teóricas para análise. A Etnografia Assemblage (Youdell, 2015; Youdell & McGimpsey, 2015) é a metodologia de coleta de dados. Um estudo de caso múltiplo foi desenvolvido em três escolas no Reino Unido. Os resultados sugerem que professor e alunos são os componentes que mais influenciam na composição, decomposição e recomposição da sala de aula assemblage, orientando os fluxos de matéria-energia, uma vez que eles são agentes criadores e de mudança.

The subject-object-relationship in karl jaspers' Periechontology: a contribution to an education for Openness, tolerance and existential realization

PID: S1676-25922016000300596 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Rohr
RESUMO A relação sujeito-objeto está sendo comumente tratada em teorias educacionais sob o viés de como o educando pode entrar apropriadamente em contato com os conteúdos. Na filosofia tardia de Karl Jaspers, na sua Periechontologia, encontramos reflexões que levam para os limites da cisão sujeito-objeto, demonstrando que um conhecimento absoluto e final do Ser é impossível. Ele chama essas reflexões de conhecimento filosófico fundamental, que pode ser considerado antídoto contra qualquer totalitarismo e pensamento dogmático. Precisamos transcender a relação sujeito-objeto e considerar o Ser como Todo-Abrangente de sujeito e objeto. Jaspers distingue sete modos do Todo-Abrangente. Ser-Aí (Dasein), Consciência em Geral (Bewusstsein überhaupt) e Espirito (Geist) são os modos subjetivos e imanentes, Mundo (Welt) o modo correspondente, objetivo e imanente. Viver exclusivamente nesses modos imanentes nunca satisfaz realmente. Para encontrar satisfação, de fato, nas nossas vidas, temos de transcender a imanência. Na visão de Jaspers, o passo para os modos transcendentes acontece somente concomitantemente no lado subjetivo para a Existencia (Existenz) e no objetivo para a Transcendência (Transzendenz). É fé filosófica (não religiosa) de Jaspers que os seres humanos encontram a própria identidade no momento em que reconhecem alguma cifra da Transcendência como valor absoluto para si. O sétimo modo é a Razão Abrangente (Vernunft). Esse modo permite que todos os demais sejam contemplados no seu sentido próprio e unificados nas decisões que tomamos para guiar a nossa vida. É objetivo deste artigo elucidar o pensamento pedagógico subjacente à Periechontologia de Jaspers, que se caracteriza como abertura, tolerância e realização existencial.

Três tecnologias de subjetivação para pensar o ensino de dança na escola

PID: S1676-25922016000300628 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Icle Falkembach
RESUMO Este texto pretende propor o ensino de dança na escola de Educação Básica como tecnologia que envolve três possibilidades: disciplina; biopolítica e técnica de si. São apresentadas as relações entre ensino de dança e as formas disciplinares de conduta de professoras e professores, e de alunas e alunos. Problematiza-se a biopolítica como tecnologia que trama o movimento e o movimentar-se à produção da vida, especialmente, por intermédio da mídia e de outras tecnologias. Discute-se a dança como tecnologia de si, como inquietude, mostrando a articulação entre movimento e modos de subjetivação. A reflexão aqui empreendida parte da produção filosófica de Michel Foucault, amalgamando-se aos estudos sobre o movimento de Rudolf Laban. Este texto enfatiza a relação entre a produção de movimento na Escola e três modos distintos de subjetivação, dando visibilidade à trama ambígua produzida pelo ensino da dança na Escola: subjetivar-se e assujeitar-se.

Uma cartografia que pode dançar

PID: S1676-25922016000400857 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Cazetta Preve
RESUMO Duas pesquisas em curso: "O que pode a cartografia e a geografia: investigações e invenções em educação" e "Geografias em corpos". Em ambas, a cartografia está em pauta. Por um lado, a cartografia como qualidade de acompanhar processos para que possamos dizer o que é preciso ser dito e, por outro, a cartografia da geografia, responsável por assegurar a produção de mapas ancorada na equivalência do espaço e sua representação. Do nosso encontro e do encontro das duas pesquisas elaboramos uma oficina na modalidade "Atividade Programada", oferecida para alunos do Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro de Ciências Humanas e da Educação (FAED), da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). A fim de que nossas ideias de cartografia "falassem", cartografamos a sala de aula onde o encontro acontecia. Movimentamos, antes, as noções de cartografia em pauta para, em seguida, como numa dança, fazer com que os oficineiros deslocassem-nas, oscilando entre uma e outra. "O que pode a cartografia de uma sala de aula?". Assim, disparamos meios de expressão de uma ideia, criando espaçamentos, nos e por seus corpos, descolados de contextos figurativos e representacionais asfixiantes da ciência maior. Disponibilizamos ao grupo materiais diversos, prestando atenção aos processos de constituição daqueles mapas, afinal, o que é uma sala de aula? Quais são seus planos? Estavam em questão as dificuldades encontradas para o começo do mapeamento, não só do modo de trazer à tona as cartografias daquela sala de aula, mas do modo como presentificá-las.

Uma dança dos corpos fílmicos

PID: S1676-25922016000400835 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Gonçalves
RESUMO Este ensaio visa tecer linhas transversalmente, com uma perspectiva pós-estruturalista. Evocamos como intercessores, pensadores como Gilles Deleuze, Giorgio Agamben, Ana Francisca de Azevedo; cineastas, técnicos e projecionistas, tendo nestes últimos, um estudo de caso que enlaça nossas ponderações, produzindo espécie de falcaça nos fios que puxamos. Desenvolvemos uma reflexão sobre os corpos como suportes e sobre os suportes como corpos. Levamos em conta que: os movimentos de nosso pensamento, podem atuar de modo semelhante aos projetores cinematográficos, dispondo imagens no tempo, nas "telas" de nossas vidas; há um processo em curso de substituição do suporte padrão cinematográfico, do filme fotoquímico para os pixels; películas e seus agenciamentos estão sendo substituídos pelo cinema digital, que demanda e produz corpos com outras trajetórias, singrando novos campos de possíveis no que tange às produções audiovisuais, pois as imagens digitais por se tratarem de pontos fotográficos binários podem ser copiadas e modificadas "ad infinitum", descerrando possibilidades estéticas; por sua volta, experimentações dos modos de fazer relacionados à película constituem-se como experiências singulares, que percorrem outras linhas. Esta é uma discussão de vulto na contemporaneidade, tendo em vista que a transição tecnológica tem desterritorializado os saberes relacionados ao fazeres cinematográficos com película fotoquímica e, noutro turno, que nossas relações interpessoais têm sido cada vez mais mediadas por imagens-projetadas em telas e sua produção via corpos-pixel, em variados dispositivos.

Uso de smartphones na prática educativa: experiência e processo criativo

PID: S1676-25922016000400889 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Nunes
RESUMO Apresento neste artigo algumas considerações sobre uma experiência em que os smartphones foram usados não como ferramenta didática para o ensino de conteúdos escolares. Ao longo do processo de desenvolvimento da minha pesquisa de mestrado em que analisei as possibilidades de uso dos smartphones em situações escolares de aprendizagem me deparei com outra perspectiva para pensar o uso das novas tecnologias da informação e os seus dispositivos móveis de comunicação em práticas educativas. Essa perspectiva se refere não a maneiras de usar esses dispositivos para tarefas que visam à aprendizagem, mas ao emprego dos seus recursos em experiências educativas que se constituem como processos de criação. Com base em Leite (2011), considero que as formas de desenvolver as práticas educativas devem ir além da concepção de trabalho estritamente didático e técnico, constituindo de outra maneira espaços possíveis onde emergem experiências educativas. Entendo, portanto que é preciso analisar se os smartphones podem ser considerados potentes instrumentos para a realização de práticas educativas nas quais a criação pode se efetivar como produção maquínica (GUATTARI, 1996). Essa análise deve ser efetivada observando como nas intersecções da máquina social (a escola) com as máquinas técnicas (smartphones) pode ocorrer o alargamento das possibilidades de criação. A experimentação nas práticas educativas deve, portanto, ir muito além da mera possibilidade de encontrar novas maneiras de ensinar conteúdos.

Você tem Face?: perspectivas discentes e implicações do (não) uso do Facebook no Ensino Superior

PID: S1676-25922016000100227 | Journal: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) | Year: 2016
Authors: Cavassani Andrade
É cada vez mais comum na literatura relatos de experiências nas quais as redes sociais configuram-se como tecnologia educacional capaz de suscitar ambientes colaborativos, simples e eficientes no auxílio ao processo de ensino e aprendizagem. Apesar do impacto trazido pela tecnologia na vida contemporânea, esse fato ainda não é consensual entre os pesquisadores da área e representa um ponto fulcral para futuras transformações educacionais. A temática das novas tecnologias na educação configura-se, portanto, como um campo fértil para novas investigações e, com tal problemática, apresenta-se neste trabalho os resultados de uma pesquisa que analisou a percepção dos alunos de um curso superior de Licenciatura em Química a respeito do uso da rede social Facebook (FB) em suas atividades acadêmicas. Com tal indagação desenvolveu-se uma série de atividades utilizando a função grupos da rede social Facebook em uma disciplina do referido curso e realizou-se uma entrevista vídeo-gravada ao final da disciplina. Com abordagem qualitativa e ainda em uma perspectiva de estudo de caso, analisou-se o resultado dessa experiência por meio da análise de conteúdo. Os resultados foram organizados em três categorias e analisados à luz do exposto na literatura acerca do tema. A partir da interpretação dos dados ressalta-se a importância dessa ferramenta como ambiente social e colaborativo, facilitador da comunicação e da interatividade; de todo modo, esta não parece ter ainda impacto direto na melhoria dos processo de ensino e aprendizagem como recurso educacional diretivo.
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