O presente trabalho é resultado de observações feitas em uma escola pública estadual como parte das atividades práticas da disciplina EL 511 Psicologia e Educação, ministrada pela professora Dra. Regina Maria de Souza, na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). A partir da observação de duas classes do primeiro ano do Ensino Médio, notamos a diferença - que fabricaram para si - de dois grupos sócio-culturais, chamados, nesse trabalho, de nerds e descolados. Tal diferença é analisada pela perspectiva psicanalítica, ao considerar que os alunos reforçam as diferenças entre o grupo ao qual pertencem em relação ao outro grupo a partir do processo de identificação. A identificação envolve a formação do eu, que passa necessariamente pela imagem do outro. Sustentamos que a diferença entre esses grupos influencia na dinâmica da interação em sala de aula e, por isso, deve ser considerada e discutida no âmbito educacional. Nesse trabalho, também salienta-se a questão da identificação das professoras observadas com um grupo em detrimento do outro.
Este artigo discute algumas relações entre indisciplina, incivilidade e cidadania na escola. Inicialmente abordamos algumas questões sobre disciplina e educação, e exploramos a noção de indisciplina como um modo de ruptura nas relações pedagógicas. A seguir discutimos a noção de incivilidade, recorrendo ao pensamento do sociólogo francês Bernard Charlot. Buscamos traçar uma relação entre incivilidade e indisciplina na escola. Também abordamos o conceito de cidadania, explorando alguns dos seus significados no cenário educacional. Ao final, analisamos a possibilidade das incivilidades estarem a comunicar algo ao projeto educacional, civilizatório das escolas, e recorremos à noção de reconhecimento, a qual nos parece promissora para avançar as noções de cidadania, respeito, civilidade, educação e disciplina nas escolas.
O texto apresenta um breve histórico sobre o conceito de infância, tendo como referência pensadores como Ariès que caracteriza o infante como “não- falante”, não existente. Destaca as transformações influenciadas pelos iluministas, em especial por Rousseau iniciando um processo de direito à fala, à palavra; e o infans para Lacan ocupando um lugar marcado pelo desejo materno, alienando-se na imagem de um Outro. Busca a relação entre psicanálise e educação, a necessidade do professor rever seus conceitos e postura ética para se utilizar dos conhecimentos psicanalíticos em sua prática educativa, num encontro com as diferenças, sendo o conhecimento o objeto de desejo que circula entre professor e aluno e a subjetividade dessa relação entre professor-aluno-conhecimento. Traz a discussão sob a perspectiva do sujeito “que não aprende”, que é “des” qualquer coisa, “desinteressado, desmotivado” e no endereçamento ao professor que é um suposto-saber. Defende uma educação que pensa em “sujeitos” e não em “massas uniformizadas” dentro de uma sala de aula, que respeite a singularidade de cada aluno, apesar do constrangimento e insegurança gerados pelo convívio com as diferenças. Reflete sobre a escola enquanto instituição normativa e a importância da construção do trabalho em grupo.
Este artigo trata da importância dos mapas conceituais como estratégia didática, nas aprendizagens realizadas em ambientes virtuais. Conceitua a interação, suas peculiaridades e desafios, buscando alguns conceitos em Piaget, Vygotsky, Primo e Cassol. Na analogia que criamos - turmas e orquestras, didática e partituras musicais - a interação garante a harmonia do conjunto, a produtividade e a significância da aprendizagem, coletivamente construída. O processo de ensino, que tem como peculiaridade a intencionalidade, faz com que surjam procedimentos didáticos. Este processo gera um corpo de conhecimentos sobre o ensino: a Didática. Os processos de ensino e aprendizagem realizados a distância demandam a criação de uma didática específica. Apontamos os mapas conceituais, criados por Novak e fundamentados na teoria de Ausubel, como uma excelente opção metodológica. Eles são uma ferramenta gráfica utilizada para representação da estrutura conceitual de um determinado conhecimento. Formam uma estrutura que vai dos conceitos mais abrangentes até os menos inclusivos. São utilizados para ordenar e seqüenciar hierarquizadamente os conteúdos de ensino, oferecendo estímulos adequados ao aluno. Tornam mais significativa e prazerosa a aprendizagem do aluno, que transforma o conhecimento sistematizado em conteúdo curricular, estabelecendo ligações do conhecimento com os conceitos relevantes que ele já possui.
Este artigo irá apontar situações de invisibilidade - “sensação de apagamento” - vivenciadas por mim na sala de aula atuando como intérprete educacional de língua de sinais no ensino superior. A proposta é de fazer uma reflexão das minhas experiências empíricas protagonizadas neste contexto, de sala de aula inclusiva, dialogando, de forma interesseira e interessada, com os saberes da psicanálise. O objetivo é entender as causas que levam o “apagamento” do outro: se à explícita exclusão e extermínio da diferença ou se à uma forma de mascarar uma situação incômoda de inclusão como sendo algo aparentemente tranqüilo - aceito - mas, ainda assim caminhando para a exclusão do outro só que agora de uma forma sutil e discreta.
No presente artigo abordamos as manifestações do ato falho na leitura e na escrita de uma criança com dificuldade de aprendizagem escolar, observada durante o processo clínico, tomando como referência o texto de Freud Sobre a Psicopatologia do Cotidiano. Desta forma, analisamos os supostos "erros" que ocorrem na escrita desta criança a partir de uma perspectiva psicanalítica, entendendo que o ato falho fala sobre uma verdade do sujeito. Tais reflexões possibilitaram uma nova forma de compreender "os erros" na fala e na escrita, além de nos impulsionar para uma mudança em nossa prática clínica.
Analisar das novas tendências na área de normalização no que se refere à apresentação dos trabalhos acadêmicos do tipo teses e dissertações. O universo da pesquisa é a área de ciências biológicas da Universidade Estadual de Campinas, no período de 1999 a 2005. Dada a importância da padronização para que a comunicação científica se efetive, destaca-se a necessidade de formular diretrizes mais consistentes para orientar os pesquisadores, de forma a atender tanto aos critérios de avaliação de produtividade científica como aos requisitos da qualidade formal das publicações. A aplicação de método qualitativo, por meio de entrevistas com os coordenadores de pós-graduação e bibliotecários da área leva a algumas reflexões sobre o papel do bibliotecário, das agências de normalização e dos órgãos de financiamento da pesquisa nesse novo cenário.
O texto aborda diferentes aspectos da reflexão freudiana em matéria educativa: a diferença entre psicanálise com crianças e a educação, a inviabilidade da profilaxia das neuroses, a educação para a realidade e, finalmente, a possibilidade de se endereçar a palavra às crianças além de toda normativa pedagógica.
Este estudo enfoca como a informática pode auxiliar portadores de necessidades especiais que possuem dificuldades de aprendizado e raciocínio, visto que a tecnologia da informação quando utilizada de forma planejada e bem estruturada permite maior absorção de conceitos e crescimento cultural, devido à gama de informações que proporciona. Este crescimento visa compreender a formação de todos os tipos de deficientes, sejam eles visuais, mentais, auditivos, paraplégicos, etc. Para portadores de necessidades especiais esta realidade se torna ainda mais importante, pois não serão excluídos da sociedade, que hoje vive essa nova era da informação e globalização, onde a tecnologia muda a cada instante. Por meio de um enfoque integrado da visão sistêmica, o presente estudo buscou compreender o projeto do Centro de Atendimento a Pessoas com Deficiências / SMAC (CAPD), procurando analisar como a tecnologia de informação pode transformar a vida sociocultural destes indivíduos. Para coleta de dados foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas, que permitiram a avaliação das fases do desenvolvimento e as mudanças na realidade dos envolvidos. Foram identificados os fatores que comprovam a viabilidade e a eficiência das tecnologias quando inseridas na rotina dos deficientes e seus familiares.
O objetivo do presente trabalho é oferecer uma introdução às reflexões sobre verdade e ciência a partir da abordagem de textos literários, promovendo uma interlocução entre arte e ciência, entre literatura e metodologia da pesquisa (em especial, em educação). Inspirado por uma poesia de Drummond, um conto de Machado de Assis e um romance contemporâneo, de autoria de Lia Neiva, o texto aponta a literatura como forma de se abordarem temas complexos das ciências, como a noção de verdade e realidade, com estudantes de graduação. Introduz, ainda que de modo breve, uma interlocução com produções artísticas variadas - desde imagens com ilusões de ótica até filmes e seriados televisivos - no intuito de tornar as experiências em metodologia de pesquisa mais dinâmicas, mais atraentes e esclarecedoras. Ao final do texto, somos levados a uma reflexão acerca das possibilidades e dos limites da leitura da realidade propiciada por nossas experiências científicas e literárias, bem como de suas interpretações, realizadas/escolhidas segundo nossos caprichos, nossas miopias e nossas ilusões, numa referência direta ao poema “A porta da verdade” de Carlos Drummond de Andrade.
En este trabajo reflexionamos sobre el surgimiento del concepto “niño” a partir de la modernidad, los primeros planteos respecto del psicoanálisis de niños y las relaciones que se establecieron con la pedagogía en el interior del psicoanálisis. Desde los inicios, con Anna Freud y Melanie Klein, las curas con niños dieron lugar a dos dispositivos psicoanalíticos diferentes: una nueva forma de la pedagogía o la exploración del funcionamiento psíquico. Posteriormente, desde Lacan “lo niño” entendido como “el niño”, en tanto que sujeto en relación a un discurso familiar, y “lo infantil”, en tanto irrupción de algo del orden de lo subjetivo posibilitará un abordaje diferente.
Este artigo apresenta alguns aspectos da interferência que a psicanálise exerceu no percurso profissional dos autores, que se serviram da dúvida e da busca por outras formas de atuar nas poucas possibilidades que o processo educativo, seja na educação formal (escola) ou na educação não formal (ONG) podia oferecer. Aproximar-se da psicanálise foi uma possibilidade que fez a diferença neste percurso, contribuindo para abrir algumas brechas para que profissionais, alunos, adolescentes e jovens, imersos nesta civilização, pudessem, exercitar o cuidado de si e do outro numa dialética constitutiva da subjetivação de todos.