Este artigo tem como finalidade discutir a respeito da formação de professores sob o viés da perspectiva da Educação Inclusiva. São analisadas as contribuições de um programa de formação de professores frente à sua prática pedagógica junto aos alunos com deficiência. Para tanto, realizou-se uma pesquisa em que os professores Orientadores de Estudo, participantes do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), do Rio Grande do Sul, refletiram sobre as possíveis contribuições desse programa para com suas práticas pedagógicas frente aos alunos com deficiência. Diante disso, 347 Orientadores de Estudo responderam a uma entrevista estruturada, em que se constatou que o PNAIC contribuiu com a prática pedagógica inclusiva de 74,06% desses professores. Além disso, para 95,1% deles, o PNAIC contribuiu como um programa de formação continuada qualificando suas práticas pedagógicas. Acreditase, portanto, que o PNAIC colaborou para ressignificar a prática pedagógica de muitos professores, além de oportunizar uma formação, ainda que incipiente, sobre a Educação Inclusiva.
Este artigo analisa o relato dos professores da sala de aula comum sobre as estratégias pedagógicas utilizadas com os possíveis alunos Público-Alvo da Educação Especial (PAEE) - antes de encaminhá-los para o atendimento educacional especializado (AEE) nas salas de recursos multifuncionais (SRMs) -, bem como analisa os critérios avaliativos estabelecidos com aqueles que passaram a receber tal atendimento e, ainda, o relato dos professores da Educação Especial sobre as avaliações utilizadas com os alunos PAEE, após receberem o AEE na SRMs. Para a coleta de dados foram utilizados dois roteiros de entrevista, dos quais um foi respondido por 30 professoras da sala de aula comum e o segundo respondido por cinco professoras da Educação Especial. Os resultados sugeriram que as estratégias pedagógicas e as avaliações direcionadas aos alunos PAEE eram fatores determinantes para identificar se as propostas políticas relacionadas à Educação Inclusiva estavam sendo implementadas de maneira efetiva nas escolas de Ensino Fundamental I
O objetivo deste artigo é discutir a articulação entre as mudanças nas práticas pedagógicas dos professores alfabetizadores, os princípios de formação e o objetivo de "contribuir para o aperfeiçoamento da formação dos professores alfabetizadores" proposto pelo Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, a partir de análises dos resultados de uma pesquisa realizada ao término do 1º ano de adoção desse programa em Mato Grosso - Brasil. Este artigo concentra-se nos dados do perfil dos Alfabetizadores, os quais foram trabalhados por meio da análise de conteúdo (BARDIN, 2002) e do aplicativo Many Eyes. As respostas-síntese são discutidas à luz da relação entre mudanças nas práticas pedagógicas dos professores alfabetizadores, os princípios formativos e o processo de formação realizado pelo Pacto em 2013. Os resultados apontam para algumas contribuições do Programa e indicam oportunidades de pesquisas futuras.
O presente texto tem como objeto o saber docente, com o objetivo central de desvelar, por meio de interpretações inferenciais, o saber do professor da Educação Infantil diante da prática pedagógica. A investigação envolveu quatro (4) professoras da Educação Infantil, utilizou as observações e as entrevistas para a coleta dos dados e contou com a Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011) para o tratamento das informações empíricas. Os fundamentos utilizados na pesquisa envolvem estudos de Tardif (2002), Gauthier et al. (2006) e Gimeno Sacristán (1999). Os resultados mostram que os saberes docentes originam tanto dos cursos de formação de professores quanto de suas experiências pessoais e profissionais. Os momentos citados fornecem elementos que constituem fontes de aprendizagem dos saberes que, por sua vez, passam por processos de desenvolvimento e são mobilizados na prática pedagógica de modo a influenciar e receber interferências dessa prática.
Este artigo investiga como a condição da crítica queer não se reflete apenas na esfera do intercâmbio social, mas pode adquirir dimensões metodológicas a tal ponto de permitir reaplicar às posturas investigativas e aos itinerários de pesquisa em currículo o estilo irônico e jocoso de ressignificação do insulto queer. O argumento explorado é que a crítica queer permite questionar as naturalizações normativas dos processos de investigação em currículo como aquelas contidas nas fórmulas que tendem a opor pesquisador/pesquisado, realismo/ficção, coerência/multiplicidade. Na perspectiva de tomar o queer como uma leitura heterogênea, este texto explora como quatro apontamentos, combinações, andanças, afetações e fecundações, intentam traduzir o que acontece quando se aquenda a metodologia de pesquisa. Movimentos que podem ser vistos como experimentos errantes em relação ao paradigma da crítica queer em educação e em currículo.
Este artigo investiga como a condição da crítica queer não se reflete apenas na esfera do intercâmbio social, mas pode adquirir dimensões metodológicas a tal ponto de permitir reaplicar às posturas investigativas e aos itinerários de pesquisa em currículo o estilo irônico e jocoso de ressignificação do insulto queer. O argumento explorado é que a crítica queer permite questionar as naturalizações normativas dos processos de investigação em currículo como aquelas contidas nas fórmulas que tendem a opor pesquisador/pesquisado, realismo/ficção, coerência/multiplicidade. Na perspectiva de tomar o queer como uma leitura heterogênea, este texto explora como quatro apontamentos, combinações, andanças, afetações e fecundações, intentam traduzir o que acontece quando se aquenda a metodologia de pesquisa. Movimentos que podem ser vistos como experimentos errantes em relação ao paradigma da crítica queer em educação e em currículo.
O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) propõe-se a oferecer aos professores de 1º ao 3º anos conhecimentos necessários sobre os processos de alfabetização e letramento para que as crianças no Brasil sejam alfabetizadas até os 8 anos de idade. Nesse programa, o papel do formador de professor é aqui discutido por meio de um questionário aplicado junto aos onze formadores de professores da Universidade Estadual de Maringá, com o qual se investigou como essas influências se caracterizam. Os dados coletados demonstram que os desdobramentos do PNAIC evidenciam-se não somente na melhoria de suas práticas docentes em sala de aula como também em: a) trabalhos externos para formação continuada; b) participação em projetos de pesquisa institucional; c) apresentação e participação em eventos acadêmicos; d) docência em cursos de especialização; e) aprovação em Programa de Pós-Graduação stricto sensu. Tais resultados demonstram como o PNAIC apresenta abrangências e influências muito maiores do que aquelas previstas inicialmente.
A Libras é uma língua viso-espacial utilizada pela comunidade surda brasileira. Seguindo os princípios da espacialidade e da visão, o usuário da língua de sinais recorre com mais facilidade aos estímulos do meio do que o usuário da língua oral-auditiva. Assim, parte-se da hipótese de que as affordances (propriedades do ambiente que viabilizam ações psicologicamente possíveis) seriam um elemento facilitador no processo de aquisição da Libras. Utilizando-se da pesquisa narrativa e interpretativista de natureza qualitativa, discute-se o papel das affordances no ciclo de percepção, interpretação e ação de uma ouvinte na aquisição de Libras como segunda língua. Resultados apontam que os sinais icônicos podem ser considerados importantes affordances nos estágios iniciais da aquisição. Constata-se, ainda, a importância da permanência no nicho em que naturalmente se usa a Libras para a evolução nesse processo.
Resumo: Este trabalho resulta de uma pesquisa de doutorado que analisa o currículo escolar na interface com a avaliação externa, com o objetivo de identificar, descrever e analisar como os sujeitos estão se posicionando nesse contexto de testes, e mapear as alterações realizadas no currículo escolar, impelidas pela Prova Brasil e IDEB. A abordagem é descritivo-analítica, com uso da análise documental, questionário e entrevistas orais, em amostra de 55 professores, sujeitos. A investigação fundamentou-se em Freitas et al. (2012), Gimeno Sacristán (2000), Apple (2005), Sousa (2004) entre outros. A avaliação externa tem impactado a configuração do currículo escolar e induzido ao treinamento, em demasia, para os testes, comprometendo, desta forma, a qualidade da educação.
Resumo: O artigo discute os efeitos das avaliações externas na gestão do currículo na sala de aula. O objetivo da pesquisa desenvolvida foi compreender quais sentidos são produzidos por professores e alunos frente às exigências do SARESP. O trabalho de campo envolveu o acompanhamento de atividades de trabalho pedagógico coletivo de uma escola pública do interior paulista durante os anos de 2014 e 2015. A análise dos registros dos encontros que discutiram a relação entre avaliação e currículo permite afirmar que o SARESP pode ser considerado como parâmetro e referência para a reflexão e ajustes no planejamento dos professores, mas a centralidade que assumiu na organização do trabalho pedagógico está caracterizada como medida e controle, ao definir o que ensinar e como avaliar o trabalho do professor e do aluno, esvaziando a discussão sobre o projeto político-pedagógico.
Este artigo investiga a formação continuada docente como política pública voltada ao enfrentamento do problema do analfabetismo nos anos iniciais do Ensino Fundamental, por meio das percepções de 1.515 professores alfabetizadores do noroeste paulista que participaram do programa federal Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, PNAIC durante o ano de 2013. A formação docente é discutida com base nos autores Tardif, Imbernón e Nóvoa. Para a coleta de dados, foi utilizado um questionário com questões abertas e fechadas disponibilizadas em um servidor online para pesquisas. A metodologia adotada foi qualitativa e os dados revelam que os processos envolvidos na realização de uma formação, como trabalhos em grupo e metodologia, são tão valorizados quanto o acesso a novos conhecimentos.
Resumo: O presente artigo tem como objetivo apresentar e discutir o sistema de avaliação do estado do Rio de Janeiro a partir da década de 1990. A apresentação foi organizada por meio do referencial teórico que se ampara em Brooke; Soares (2008); Coelho (2008); Sordi; Ludke (2009); Bonamino; Sousa (2012), além dos documentos oficiais que definem o sistema de avaliação; a discussão foi construída a partir da fala de dois gestores (um diretor e uma diretora) e um professor atuantes nas escolas observadas. Os instrumentos de coleta de dados foram observação, entrevistas semiestruturadas e análise documental. Compreendem a pesquisa documental o "SAERJ" e o "Saerjinho", o Currículo Mínimo, o Sistema on-line chamado Conexão, o "IDERJ" a partir dos quais foi possível identificar uma política fortemente marcada por responsabilizar os professores e diretores pelos resultados alcançados. Os resultados apontam que, em ambas as escolas, há um treinamento para a realização das avaliações externas nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. Conclui-se que o atendimento às demandas particulares de cada escola pode ser prejudicado pela atenção destinada ao cumprimento das exigências gerais impostas pelo sistema de avaliação externo às escolas.
Resumo: O objetivo deste artigo é avaliar a relação entre: 1. a Política de Responsabilidade Educacional, 2. a Política de Avaliação definida pela Rede Estadual de Pernambuco e 3. o processo de implementação do Programa de educação Integral (PEI) nas Escolas de Referência em Ensino Médio (EREMs) e nas Escolas Técnicas Estaduais (ETEs). Com base na análise documental e na análise de conteúdo, trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo cujos instrumentos de coleta de dados foram entrevistas com gestores, docentes, discentes e técnicos e também questionários aplicados com discentes. O referencial teórico amparou-se em Freitas (2012), Ravitch (2011), Algebaile (2009) e outros. Os resultados apontam que no processo de implementação do PEI, a avaliação por resultados está relacionada com estratégias de comando-e-controle que ampliam e intensificam a jornada escolar de docentes e discentes, como um laboratório neoliberal e gerencialista na educação. A partir desse percurso de pesquisa, conclui-se que estratégias como o aumento dos anos de estudo e da jornada escolar camuflam problemáticas como a crise do desemprego estrutural e a diminuição dos investimentos previstos nas políticas sociais como um todo.
O presente artigo examina as atuais políticas de formação de professores alfabetizadores no Brasil, materializadas recentemente no Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), e visa analisar as estratégias políticas que podem ser visibilizadas em seu processo de implementação. Situando-as nos cenários de reforma educacional, em suas modalidades de regulação e dominação política, reconhece-se que as concepções de formação de professores colocadas em ação são potencializadas por meio de modos de individualização dos percursos formativos, ao mesmo tempo em que intensificam as formas de gestão governamental da ação dos professores alfabetizadores. Conclui-se que tal intervenção formativa aposta nos modelos de avaliação de larga escala como objetivo estratégico e produz esforços na direção de uma docência em inovação permanente, apropriada para os regimes de inspiração neoliberal, predominantes nas políticas de escolarização mobilizadas no país.
Resumo: O presente trabalho analisa como os gestores (coordenadores) dos cursos de graduação avaliam o ENADE enquanto política de avaliação em larga escala e de que estratégias de gestão lançam mão para melhorar a avaliação dos cursos. Os sujeitos da pesquisa foram os coordenadores de curso da URI - Campus de Frederico Westphalen/RS. No processo de investigação utilizou-se a abordagem qualitativa. A partir dos referenciais teóricos e da coleta e análise dos dados, chegou-se a algumas conclusões provisórias: a. grande parcela dos coordenadores entrevistados está buscando novas possibilidades para qualificar os cursos, contudo, ainda são tentativas isoladas e muito subjetivas; b. a preocupação com resultados quantitativos é muito forte, sobrepondo-se aos processos qualitativos; c. o ENADE, como avaliação em larga escala, não está conseguindo desencadear um processo profundo de discussão teórica, pois é trabalhado pela grande maioria dos cursos um semestre antes de realizarem o exame.
Resumo: Este artigo tem como objetivo identificar como professores da disciplina de Arte se apropriaram das políticas de avaliação e quais foram os desdobramentos dessas políticas nas práticas educativas desses profissionais. De abordagem qualitativa, o instrumento utilizado para coleta de dados foram entrevistas semiestruturadas com professores e estudantes de Arte em escolas da rede pública municipal de ensino. O referencial teórico consiste em documentos oficiais como Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica (BRASIL, 2013), Proposta Curricular de Santa Catarina (SANTA CATARINA, 2014), Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996) e ainda Alves (2006), Barbosa (2009), Esteban (2005), Goodson (2001), Hall (2007), Moreira e Candau (2003), entre outros. A análise dos resultados apontou fragilidades no entendimento dos professores sobre os critérios avaliativos, suas conexões com o ensino e aprendizagem e quais políticas de avaliação são assumidas pela escola. Conclui-se que a avaliação é vista pelos professores ora como parte do processo de aprendizagem, ora como elemento limitador, que sinaliza aprovação ou reprovação do estudante e algumas vezes como um fragmento isolado do currículo.
Resumo: Este artigo apresenta reflexões sobre as políticas brasileiras de avaliação externa com o objetivo de questionar a pertinência da ênfase que tem sido dada às competências. Para isso analisaremos os objetivos, os fundamentos e as matrizes de referência da Prova Brasil e o Projeto SENNA, relacionando-os às novas exigências do capital e aos direcionamentos das organizações internacionais a partir dos anos de 1990. Conforme a análise, incialmente, as avaliações externas tinham uma perspectiva conteudista e, posteriormente, passaram a orientar-se pelo modelo de competências, influenciando na forma como os professores avaliam e a maneira como operacionalizam os conhecimentos, ou seja, suas concepções pedagógicas. Os resultados apontam que a lógica das competências corresponde a uma tendência nos direcionamentos políticos e pedagógicos de negação dos conhecimentos científicos e culturais, e do papel da escola como responsável pela distribuição, o mais igualmente possível, dos conhecimentos sistematizados.
Resumo: A docência tem assumido centralidade nos discursos Iberoamericanos para a educação básica, de modo a atribuir, privilegiadamente, ao trabalho docente a garantia do êxito escolar dos discentes e, consequentemente, o alcance da qualidade da educação. A partir de tais discursos, textos políticos vêm defendendo a produção de políticas de avaliação na tentativa de controlar os currículos da formação (inicial e continuada) e a atuação docente. Neste artigo, orientado teórico-metodologicamente pela Teoria do Discurso de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe analiso os processos de articulação discursiva presentes nos textos da Organização dos Estados Iberoamericanos - OEI e da UNESCO, destacando o significante desempenho como foco da avaliação. Na análise dos discursos para a avaliação da formação e do trabalho docente estabelecida como meta para a região Iberoamericana, tendo como foco o desempenho profissional, as competências assumem importância como modelo de organização curricular. Concluo que as tentativas de controle sobre a comunidade profissional docente na sua formação e trabalho projetam novos papéis para o professor marcados pela responsabilização.
Este artigo discute o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - PNAIC (2012), programa instituído pelo Ministério da Educação que visa assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos de idade e que tem como ação prioritária a formação do professor alfabetizador. Argumenta-se que a produção de políticas é luta por significação que envolve diferentes discursos que se articulam na produção de um discurso pedagógico que, em busca de qualidade, nesse caso, significa o investimento na formação de professores como instituidores de políticas curriculares. Analisam-se os documentos referentes ao PNAIC e outros com os quais ele se relaciona, interrogando os sentidos de formação, currículo e alfabetização que deles se depreendem, observando o deslocamento/deslizamento do que se considera, neste artigo, núcleo de significação importante para as propostas: o direito à aprendizagem. Daí se desdobra a valorização das discussões metodológicas/procedimentais, em uma centralidade da dimensão do ensino que se observa na proposta.
Resumo O tema do artigo são as políticas educacionais produzidas para o Ensino Médio, na última década, objetivando examinar as concepções de conhecimento que emergem de tais políticas por meio da relação entre educação e desenvolvimento econômico. A metodologia utilizada foi a análise documental, e o referencial teórico adotado considerou autores como Licínio Lima, Stephen Ball e Nora Krawczyk. Os estudos realizados permitiram compreender de que forma a flexibilidade fez com que o conhecimento desse lugar a aprendizagens mínimas. Estas são caracterizadas por capacitações para formar personalidades produtivas para fomentar a competitividade econômica através do estabelecimento de percursos formativos individualizados. O conhecimento está associado à produção de um perfil formativo pautado na aprendizagem permanente, objetivando a empregabilidade.