O artigo apresenta uma pesquisa sobre representações sociais da dança no contexto da Educação Física Escolar (EFE). A pesquisa foi realizada em duas escolas da rede pública municipal e duas da rede particular de ensino de Ponta Grossa - PR. A observação e o questionário foram os instrumentos utilizados na coleta dos dados. Participaram da pesquisa cinco professores de Educação Física e 331 alunos do Ensino Fundamental (5º ano do Ensino Fundamental). Os resultados indicam que as representações sociais dos professores de dança estão relacionadas às festas e datas comemorativas da escola e dos alunos, ao prazer e à preferência musical. A dança na escola tem espaço para elaborações coreográficas, ensaios de festa junina e apresentações escolares.
Este artigo analisa as consequências para a oferta e a gestão da educação pública do Programa Gestão Nota 10 e do Programa Escola Campeã, resultantes de parcerias firmadas entre municípios brasileiros e o Instituto Ayrton Senna (IAS). O artigo se baseia nos resultados de estudos de caso realizados em 10 municípios de diferentes estados brasileiros que integraram uma pesquisa nacional. Busca-se indicar as regularidades encontradas nas informações coletadas nos estudos de caso por meio da análise de fontes documentais e entrevistas com gestores municipais.
Este artigo objetiva discutir a construção de sentido através da argumentação na História ensinada, a partir de uma pesquisa de campo realizada em uma escola da rede municipal de Niterói-RJ. A pesquisa de campo constitui-se de 30 horas de gravação de aulas de História de uma turma do 4º ciclo do Ensino Fundamental (correspondente ao 8º ano). Na análise de dados buscou-se a articulação com elementos teóricos vinculados ao currículo, à linguagem e à cultura. Destaca-se, com tal exercício, uma possibilidade de aproximação teórica dos conceitos vinculados a esses três campos de conhecimento, relacionando-os a um espaço concreto - uma sala de aula de História. O desafio proposto é dialogar com as teorias dos campos do currículo, da linguagem e da cultura, buscando compreender a construção de sentido na História ensinada pela argumentação.
O presente trabalho discute algumas possibilidades de utilização da Experimentoteca de Matemática (equivalente a um Laboratório de Matemática) no processo de ensino e aprendizagem dessa ciência. Defende-se que no processo de elaboração do conhecimento, os experimentos matemáticos, desde que trabalhados adequadamente, podem auxiliar na criação de significados dos objetos matemáticos neles contemplados. Nessa direção, focaliza-se um dos experimentos e suas atividades com o objetivo de indicar as possibilidades de relacioná-las com abordagens alternativas do ensino de Matemática, tais como a Resolução de problemas e a Modelagem Matemática. O artigo defende a Experimentoteca como uma possível aliada no desenvolvimento de trabalhos alternativos no ensino dessa disciplina.
O texto trata das representações sociais de 528 sujeitos, sendo 163 professores de matemática e 365 estudantes de instituições públicas e particulares do Estado de Pernambuco, acerca do professor de matemática. Os dados foram coletados a partir de um método trifásico: questionários de associação livre, seminários temáticos à luz de grupos focais e entrevistas. Os resultados foram construídos progressivamente com os participantes, que recebiam em cada etapa a análise da etapa anterior. Os questionários foram tratados pelo software Tri-deux, e os sentidos das falas nas duas outras fases, interpretados pela análise de conteúdo segundo Bardin. Encontramos estereótipos como o dom para ensinar e aprender matemática e a inteligência superior e anormal do professor de matemática.
Este artigo é parte resultante da tese de doutorado intitulada “Infâncias Monotônicas - uma rapsódia da Esperança”. Insere-se na perspectiva de um estudo psicossocial e cultural crítico e objetiva discutir acerca das representações do outro na escrita de pesquisa, elegendo a infância como um lugar alegórico e reflexivo. Contempla, pela análise, os desenhos e os poemas das crianças do gueto de Terezin no período da Segunda Guerra Mundial. Toma como base a Teoria das Representações Sociais, de Serge Moscovici, na interlocução constante com outras teorias e campos de conhecimento, utilizando especialmente as contribuições de Walter Benjamin e Mikhail Bakhtin. Conclui sustentando a tese que concebe a poética como um dos eixos tradutores das culturas das infâncias.
Este artigo objetiva analisar a perspectiva de formação defendida por documentos oficiais que orientam a Educação Básica, bem como as práticas pedagógicas que eles sugerem, apontando a relação entre uma política pública de definição curricular e a organização didática do conteúdo escolar. Os resultados mostram que a formação defendida pelos referidos documentos busca atender às demandas de mercado da sociedade atual, valorizando práticas pedagógicas voltadas para o desenvolvimento de atitudes, valores, competências e habilidades exigidas pela sociedade globalizada. Ao colocar em primeiro plano esse tipo de formação em detrimento da transmissão e apropriação dos conhecimentos disciplinares, a educação escolar diminui seu compromisso com a cultura científica, distanciando-se da função de oferecer os instrumentos simbólicos necessários ao desenvolvimento integral dos estudantes.
A dimensão intelectual e política do campo da educação na América Latina e no Caribe: uma visão da produção discursiva das organizações internacionais (1981-1992) Este trabalho pretende contribuir para a análise da dimensão intelectual e política do campo da educação na América Latina e do Caribe no período compreendido entre 1981 e 1992. A partir do estudo das ideias políticopedagógicas o artigo explora os conteúdos, conceitos temas e problemáticas que caracterizaram a produção discursiva dos organismos internacionais, enquanto segmento constitutivo do campo intelectual da educação. Empiricamente, o artigo apresenta uma análise comparativa e contrastiva das produções fundamentais para a América Latina e Caribe produzidas por organismos internacionais: el Proyecto Principal de Educación para América Latina y el Caribe (1981/1989, UNESCO) e Educación y Conocimiento: ejes de la transformación productiva con equidad (1992, UNESCO-CEPAL).
Problematizam-se neste trabalho leituras recorrentes no campo educacional de escritos do filósofo francês Michel Foucault a respeito dos processos de disciplina e controle nos espaços-tempos escolares da contemporaneidade. Partindo-se dos registros de um estudo de caso etnográfico realizado em escola da rede pública municipal do Rio de Janeiro, questiona-se a dicotomia liberdade vs.opressão com que frequentemente se interpretam, com base nas referidas leituras, as relações escolares. Destaca-se, em conclusão, a atualidade da crítica antiautoritária das proposições foucaultianas em discussão, a qual não se compromete pelo questionamento de suas apropriações em simplificação binária.
Apesar de haver uma considerável literatura acerca da educação no contexto da legislação internacional de direitos, pouco se discute sobre os sentidos fundamentais da educação, a sua natureza e escopo. Este artigo apresenta uma exploração teórica dessa questão e leva a uma reavaliação normativa. Primeiramente, o artigo avalia como o direito à educação é expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos, identificando as suas limitações no que se refere ao foco na escolaridade primária. Outros candidatos a constituírem a base desse direito são avaliados, como os resultados da aprendizagem e o engajamento em processos educacionais, vindo o último a ser considerado a base mais sólida. No entanto, as implicações da escolaridade formal para as desigualdades sociais não podem ser ignoradas. Em razão disso, propõe-se uma expressão desse direito em duas vias, envolvendo o acesso tanto a uma aprendizagem significativa quanto a instituições que oferecem vantagem posicional.
O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que objetivou analisar o impacto das políticas educacionais voltadas ao uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (por exemplo, o Programa Nacional de Informática na Escola - ProInfo) na vida de escolas de Ensino Fundamental de dois municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre-RS. O marco teórico baseia-se no pensamento de Peter McLaren, de Stephen J. Ball e de Berger e Luckmann. A coleta de dados foi realizada com professores com mais de 10 anos de docências nas respectivas redes, mediante análise de documentos, entrevistas, narrativas e grupo de discussão. Concluiu-se que: a) os efeitos positivos na qualidade da Educação mediante o uso das TIC são ainda inexpressivos e ocorrem por esforços individuais de alguns professores; b) as experiências relacionadas com o uso das TIC não estão contempladas nos Projetos Político-Pedagógicos das escolas; c) as ações de formação estão limitadas às competências técnicas dos professores vinculados aos laboratórios; d) há manifestação de desconforto em relação à estrutura de poder, à divisão do espaço-tempo escolar e às formas de comunicação. A pesquisa indicou que a possibilidade de melhoria da qualidade da educação mediante experiências relacionadas com o uso das TIC exige uma política que considere a cultura profissional docente, bem como as características que conformam a micropolítica da organização escolar.
Passado e presente da forma escolar para a Escola secundária Este artigo tem, em primeiro lugar, a intenção de resenhar os modos pelos quais a escola secundária configurou-se na Argentina. Esse formato concretizou-se com traços específicos, consolidando a noção de escola secundária. Em segundo lugar, o artigo destaca alguns desses componentes centrais do formato que claramente estão sendo questionados. Para isso, duas novas modalidades (Escuelas de Reingreso e Escuelas de Familia Agrícola) são destacadas como exemplos de organizações institucionais distintas que colocam em discussão alguns elementos centrais da forma escolar hegemônica.
Autores: Capellini Rodrigues Valle Melchiori Zanata Leite Lepre
Este artigo analisa aspectos relacionados a um curso de formação continuada sobre práticas em Educação Especial e Inclusiva na área de Deficiência Mental, oferecido a professores de 20 (vinte) turmas inscritas pelo Ministério da Educação, de diferentes regiões do Brasil, com 180 (cento e oitenta) horas de duração, por meio de EaD. A pesquisa envolveu a descrição do perfil dos cursistas, uma análise da avaliação do curso realizada pelos cursistas e a das causas da evasão ocorrida no curso. Os resultados indicaram que os participantes, na sua maioria, avaliaram o curso positivamente em todos os aspectos solicitados. Os motivos mais frequentes para a evasão referiram-se às limitações dos cursistas, como a dificuldade em cumprir os prazos, motivos pessoais e inabilidade em usar computador. Concluiu-se que a Educação a Distância mostra-se como ferramenta relevante para aquisição de conhecimentos sobre a prática pedagógica inclusiva.
Este artigo discute as recentes propostas para a avaliação de professores no Brasil. Com base no materialismo histórico, analisamos documentos nacionais e internacionais para identificar os objetivos desse tipo de avaliação, as justificativas para sua implementação e os debates em torno de seus resultados. Constatamos convergências entre as políticas recomendadas pelo Banco Mundial e pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos e as propostas no Brasil, o que indica o grande interesse e influência dos organismos multilaterais na definição de políticas para os professores. As primeiras reações dos docentes, pesquisadores, associações de professores e instituições formadoras, acrescidas das experiências de outros países que adotaram políticas de avaliação de professores, nos ajudam a compreender os possíveis resultados e implicações dessas políticas para a categoria dos professores, suas carreiras e sindicatos.
A presente contribuição é parte de uma pesquisa mais ampla que tem como objetivo principal indagar se existem conflitos e discrepâncias nas diferentes representações de identidade profissional dos educadores (ideal, real, “percebida”), bem como traçar e descrever os núcleos figurativos que constituem tais representações sociais, ou quais são os elementos centrais, mais estáveis e resistentes à mudança, segundo proposto na abordagem estrutural (ABRIC, 1998, 1994). O ponto de partida do estudo provém da pesquisa conduzida por Lodolo D’Oria et al. (2002), que consideram o conflito e a discrepância da representação do Self profissional dos educadores italianos (divididos entre ideal e real, entre profissionais e empregatícios) a principal fonte de desencadeamento de estados emocionais negativos, de sofrimento e desânimo. Em contrapartida, a harmonia entre as duas tipologias do Self (ideal e real) e o equilíbrio entre identidade pessoal e social proporcionam bem-estar. (D’ORIA; POCATERRA; POZZI, 2003).
Este artigo resulta de pesquisa que teve por objetivo analisar as representações sociais de meio ambiente de docentes que atuam em Casas Familiares Rurais da região sudoeste do Paraná. Para a coleta de dados utilizou-se um instrumento composto de três partes: a primeira concentrava dados de identificação; a segunda continha questões abertas centradas nas concepções dos docentes sobre desenvolvimento sustentável, educação e pedagogia da alternância; a terceira consistia numa questão de evocação livre, tendo como termo indutor a expressão meio ambiente. Os resultados obtidos sugerem que a representação social de meio ambiente dos sujeitos está diretamente relacionada com o seu contexto de educadores do campo e com as mediações propiciadas pela condução do trabalho pedagógico segundo o método da pedagogia da alternância. Foi identificada certa perspectiva de Educação Ambiental que prioriza a mudança de comportamento e de atitude das pessoas perante os problemas ambientais.
Este artigo objetiva caracterizar a estrutura das representações sociais de leitura de professores que atuam no Ensino Fundamental da rede municipal de uma cidade do interior do Paraná. Um teste de associação livre de palavras foi utilizado para o levantamento dos dados. Das 322 palavras diferentes registradas, processadas pelo software EVOC, os elementos “conhecer”, “informar” e “essencial” parecem ser os constituintes do provável núcleo. Para esse grupo de professores, a leitura é essencial e necessária para a apropriação de conhecimentos. Implicações desses sentidos acerca da leitura e sugestões são apresentadas no decorrer do texto.
Este artigo busca compreender tensões e desafios do trabalho do pedagogo em escolas municipais com atendimento de tempo integral. Com o aporte teórico da Teoria das Representações Sociais e de estudos sobre a formação do pedagogo no Brasil e políticas educacionais, fez-se análise do corpus das 21 entrevistas semiestruturadas realizadas com pedagogas de escolas municipais de Curitiba, Paraná, com atendimento em tempo integral. Os estudos registraram que as representações sociais das pedagogas sobre seu trabalho como coordenadoras de ação pedagógica nessas escolas realizam um movimento entre suas angústias, frustrações, anseios, limitações, necessidades e desafios em relação ao seu cotidiano de trabalho na escola de tempo integral, perante a sua formação, as condições de trabalho e as necessidades de seu trabalho no espaço da escola. As representações revelam que o processo de formação e desenvolvimento profissional é marcado por expectativas e limitações, sem indicações das transformações que provocam mudanças no papel social atribuído ao pedagogo.
Este texto apresenta os resultados preliminares de uma pesquisa em andamento que, tendo como aporte teórico a Teoria das Representações Sociais, de Moscovici, investiga a interferência dos processos de formação inicial nas representações que os alunos de dois cursos de Pedagogia distintos têm e constroem sobre o trabalho pedagógico na Educação Infantil (EI). O estudo, de caráter longitudinal, acompanha os estudantes em seu processo de formação inicial, em curso de 2009 a 2012, adotando questionários e entrevistas como instrumentos para a obtenção dos dados. Assim, neste artigo nos deteremos na análise de representações sobre criança e o que é e como é ser professor da Educação Infantil. Os dados não indicam elaborações sobre o que é e como é ser professor de crianças pequenas, tampouco sobre a especificidade do trabalho pedagógico na EI, permitindo-nos afirmar que em ambos os grupos o uso dos termos professor e criança refere-se ao trabalho desenvolvido no Ensino Fundamental.
O artigo analisa a convivência entre o Programa Escola Guaicuru - Vivendo Uma Nova Lição e o Programa Melhoria e Expansão do Ensino Médio (Promed/Escola Jovem) no Estado de Mato Grosso do Sul, no período de 1999 a 2006. Ressaltou-se que, no contexto de operacionalização da Lei nº. 9.424/1996 (Fundef), o Estado teve que transferir recursos para seus municípios, situação que o levou a buscar novas fontes de financiamento para o Ensino Médio, tal como o Promed, proposto e coordenado pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC). A pesquisa tomou como fonte a legislação educacional, documentos produzidos em âmbito federal e estadual e a literatura pertinente à temática. Constatou-se que a convivência entre o programa Escola Guaicuru - Vivendo Uma Nova Lição e o Promed distorceu os pressupostos da política educacional estadual porque tinham orientações antagônicas. Como o estado não cumpriu totalmente as metas do Promed perdeu recursos para investir no Ensino Médio.