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A Base Nacional Comum Curricular e a formação de professores de música no Brasil: concepções e influências

PID: S1981-416x2025000100272 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Malaquias Vieira
Resumo O presente artigo trata das influências das concepções educacionais presentes nas legislações brasileiras para a educação musical a partir da análise da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A BNCC é responsável pelos conteúdos e abordagens na Educação Básica e, por essa razão, o artigo aborda suas influências e concepções para a educação musical e seus desdobramentos para a formação de professores de música. A problemática que emerge da pesquisa é desvelar quais as influências não explícitas presentes nas concepções educacionais na BNCC que podem influenciar a formação de professores de música para a atuação no contexto escolar. A partir dessa questão, o artigo busca apresentar as principais fontes de influências e concepções presentes na BNCC que impactam na formação do professor de música para o contexto escolar, considerando não só as disposições explícitas na normativa que tratam especificamente de música. Também são considerados outros aspectos técnicos apresentados pela normativa para a formação de professores em geral, levando em conta legislações complementares. A metodologia que fundamenta o artigo está embasada na Hermenêutica crítica de Ricoeur (1990).

A disciplina de Didática em Licenciaturas em Pedagogia no Brasil: um estudo por amostragem

PID: S1981-416x2025000100305 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Araújo Fortunato Medeiros
Resumo Este trabalho teve como objetivo compreender a Didática como disciplina nos cursos de licenciatura em Pedagogia no Brasil, por meio de um estudo amostral. Foram selecionados cinco cursos de Pedagogia, um de cada região do país, com base na Classificação de Curso registrada no e-MEC. A pergunta central foi: existe uma Didática Geral na licenciatura em Pedagogia? Partindo da hipótese negativa, investigou-se como a disciplina de Didática se manifesta nesses cursos, quais conteúdos curriculares são projetados para ela e quais referências sustentam o ensino da Didática. A análise dos ementários buscou identificar semelhanças e diferenças na concepção da Didática como disciplina na formação de professores. Os resultados revelaram a ausência de consenso quanto aos conteúdos curriculares, carga horária, semestres de oferta e bibliografia básica, o que questiona a existência de uma "didática geral" nas licenciaturas em Pedagogia no Brasil. Concluiu-se que há diversas abordagens da Didática nos cursos, refletindo a multiplicidade de propostas formativas.

A educação pelo impresso: um estudo sobre a reformulação do Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã (1964)

PID: S1981-416x2025000301406 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Simone Galvão Souza
Resumo O artigo analisa a edição do Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã publicada pela editora Vozes em 1964, que traz significativas alterações em relação a edições de décadas anteriores, e apresenta indícios do papel desempenhado pelo catecismo na formação do público a que era dirigido. Catecismos são impressos religiosos que têm resistido ao tempo com relativa estabilidade quanto ao conteúdo que veiculam e cumprem o papel de disseminar as doutrinas que os fundamentam. Por ser um catecismo com altas tiragens e elevado número de edições, buscou-se compreender motivações para as mudanças empreendidas e como, em um período crítico da história da Igreja Católica e da sociedade brasileira, o catecismo foi adaptado às demandas de público e do mercado editorial. As fontes da pesquisa foram 13 edições do catecismo publicadas no século XX; revistas e jornais disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional (RJ); catálogos da Editora Vozes; documentos oficiais, resultantes de concílios e conferências católicas. A análise permitiu verificar diversas alterações na materialidade, principalmente, aumento do tamanho do livro, presença de ilustrações coloridas, utilização de vocabulário simplificado; no entanto, as perguntas e respostas mantiveram-se ao longo do tempo, revelando a opção pela tradição em função do sucesso do texto oficial.

A feminização do magistério no Paraná: anos finais do século XIX

PID: S1981-416x2025000100335 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Ribeiro
Resumo O artigo procurou analisar como ocorreu a feminização do magistério no Paraná nos anos finais do século XIX. Quanto aos objetivos específicos, a pesquisa buscou apresentar como se deu a educação de mulheres no período do Brasil Colônia e Imperial, procurando destacar os primórdios da legislação sobre a instrução pública; discutir algumas representações que promoveram a feminização do magistério; e demonstrar como se desenvolveu feminização do magistério no Paraná. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental. Autores como Louro (2017), Castanha (2015), Hahner (2011), Vasconcelos (2005) e Miguel (1999) possibilitaram a compreensão dos aspectos históricos no âmbito social, cultural, econômico e político, que permitiram a inserção das mulheres nas salas de aula. Foram utilizados documentos como decretos, quadros demonstrativos de professoras, relatórios e regulamentos da instrução pública que possibilitaram vislumbrar parte do processo de feminização do magistério no estado do Paraná. Os resultados demonstraram que, no processo de feminização do magistério no Paraná, os documentos oficiais ditavam às mulheres professoras - que estavam ante as cadeiras promíscuas e as do sexo feminino - o impedimento de exercer outras atividades remuneradas. Ademais, os discursos que exaltavam a vinculação da mulher com a docência, alegando ser essa uma função feminina, podem ter auxiliado no ingresso de moças às escolas normais.

A governamentalidade neoliberal em discursos sobre o Projeto de Vida do Novo Ensino Médio

PID: S1981-416x2025000100009 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Melo Silva
Resumo O Ensino Médio brasileiro tem sido debatido há muitos anos, especialmente após a aprovação da Lei n.º 13.415/2017, que instituiu o Novo Ensino Médio (NEM). A reforma se propõe a preparar os jovens tanto para o mercado de trabalho quanto para a vida, permitindo-lhes a escolha de áreas de interesse para aprofundamento de seus conhecimentos. Nesse contexto, o Projeto de Vida (PV) , como componente curricular, destaca-se como uma ferramenta para que os estudantes possam refletir e agir sobre vários aspectos de suas vidas por meio de diferentes atividades e experiências. Este artigo objetiva analisar o funcionamento da governamentalidade neoliberal nos discursos relacionados ao PV. A metodologia adotada é a qualitativa e documental, baseada no método arqueogenealógico de Michel Foucault. O referencial teórico embasa-se em Foucault (de 1995 a 2010) e autores como Dardot e Laval (2016), Damon (2009), dentre outros. A pesquisa abrange documentos legais e pedagógicos, além de discursos em mídias digitais relacionados ao PV. As análises dos enunciados revelaram a influência da racionalidade neoliberal que molda o campo educacional para atender às demandas do mercado.

A participação das crianças na produção curricular da Educação Infantil por meio de brincadeiras e interações

PID: S1981-416x2025000200617 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Alves Mello
Resumo Este estudo tem como objetivo analisar a participação das crianças por meio das brincadeiras e interações estabelecidas entre e com elas, na produção curricular da Educação Infantil. Trata-se de uma Pesquisa-Ação Colaborativa, realizada com 50 crianças e cinco adultos (professoras e diretor). Os dados foram produzidos a partir de diário de campo, com ênfase nas enunciações das crianças, entrevistas narrativas com os adultos e fotografias. O foco da pesquisa incidiu sobre a revitalização da brinquedoteca de um Centro Municipal de Educação Infantil de Vitória/ES, em que as crianças mobilizaram táticas para ocupar e praticar esse lugar lúdico de acordo com os seus interesses e necessidades. Nesse contexto, as crianças desafiaram os adultos a subverterem a lógica escolar da previsibilidade e a discutir outras formas de educação, valorizando as suas agências e produções culturais. Esse movimento impactou na formação dos professores envolvidos, que foram desafiados a ressignificarem as suas práticas docentes, de modo a considerar as crianças como coprodutoras de currículos.

Ambiente educador e imaginação material: relações que se tecem no brincar

PID: S1981-416x2025000200694 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Rezende Ayoub
Resumo Este artigo apresenta uma pesquisa de mestrado, na qual buscamos identificar maneiras de as crianças pequenas criarem imagens de si e do mundo, ao habitarem e se apropriarem do ambiente educador em contextos lúdicos e de interação entre pares. Trata-se de uma pesquisa narrativa e foi desenvolvida por meio de um estudo de campo em uma escola de Educação Infantil de São Paulo, com crianças de 4 e 5 de idade. Durante a pesquisa, acompanhamos as crianças no momento do brincar, tendo como registro notações no diário de bordo, fotografias, filmagens e gravação de entrevistas e conversas. Todo o percurso investigativo foi dialogado e realizado com as crianças, considerando não somente as suas vozes e palavras, mas também seus gestos, modos de ocupar o espaço e interagir com objetos e elementos da natureza, dando maior visibilidade para as dimensões poéticas das brincadeiras. Concluímos que elementos do universo material (como textura, formato, peso e tamanho) potencializam o brincar nas suas dimensões poética e criativa, apoiando as crianças nas interações umas com as outras e na formulação de compreensões sobre si e sobre o mundo, relevando as relações entre o ambiente educador e a imaginação material que se tecem no brincar.

Aprendizagem social e desenvolvimento profissional: as comunidades de prática de trabalhadores da educação

PID: S1981-416x2025000100353 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Bastos Mourão
Resumo As Comunidades de Prática (CoP) têm ganhado destaque no campo da Educação como um espaço privilegiado de aprendizagem social. Este estudo buscou compreender os impactos da aprendizagem social promovida em CoP no desenvolvimento profissional de trabalhadores da educação. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com dez coordenadores(as) de CoP focadas em processos educacionais. A análise das entrevistas foi conduzida por meio da Análise de Conteúdo de Bardin (2016), resultando em cinco categorias, a saber: (i) lugar da CoP, (ii) desafios internos, (iii) desafios externos, (iv) impactos e (v) resultados das CoP. Essas categorias foram subdivididas em 16 subcategorias. A discussão teórica baseou-se principalmente na Teoria da Aprendizagem Social, sob a perspectiva da Teoria Social Cognitiva de Albert Bandura. Os achados indicam que a aprendizagem em interação com outros, a partir da relação entre comportamento, cognição e ambiente, promove uma racionalidade crítica que permite ao indivíduo analisar e melhorar continuamente sua prática. Esse processo gera efeitos que vão além do cargo ou função atual do indivíduo, uma vez que ele reflete também no âmbito pessoal e em outras áreas profissionais. Os resultados encontrados no presente estudo corroboram a literatura nacional e internacional existente sobre o impacto das CoP no aprimoramento de competências, desenvolvimento profissional e avanço na carreira.

Artesanias, afetos e sabedorias: avaliação de um programa de formação continuada de professores de educação básica

PID: S1981-416x2025000200792 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Machado Silva
Resumo Este estudo tem como objetivo avaliar uma experiência de formação continuada com professores da educação básica, desenvolvida em uma Rede Municipal de Ensino (RME) entre os anos de 2017 e 2020. A qualificação da educação, especialmente da Educação Básica, passa necessariamente pelas relações estabelecidas com a universidade, visto o importante papel que esta exerce na formação docente, tanto inicial quanto continuada. O estudo de cunho qualitativo, ampara-se em registros produzidos durante a experiência formativa e produz a análise inspirada em seis posturas pesquisantes: a) Acessar, b) Sensibilizar(-se), c) Contemplar/Escutar, d) Conversar/Dialogar, e) Reflexionar/Refletir, f) Registrar/Documentar. Como resultado o estudo aponta para: o exercício da escuta atenta e comprometida dos educadores instituiu-se como uma metodologia que ganhou outros espaços, se tornando parte da cultura da rede, viabilizando um processo auto formativo constante; o protagonismo intelectual como reivindicação epistêmica do saber produzido no exercício da docência cotidiana; o sentimento de pertencimento a um projeto de trabalho que se construiu no coletivo, viabilizado por criar espaços formativos onde se aprende a aprender e se aprende a ensinar; o valor do ato de pesquisar e o aprender a fazer uso do que a ciência lega como herança, no campo da literatura sobre formação de professores, serviu como orientação para avançar no trabalho formativo.

As histórias de vida nas pesquisas sobre professores de Química: um estado da questão

PID: S1981-416x2025000301551 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Silva Souza
Resumo As histórias de vida como modo de fazer pesquisa têm contribuído com o rompimento de concepções positivistas na pesquisa sobre/com professores, ressignificando o que vivenciaram. Assim, este estudo buscou construir um Estado da Questão sobre pesquisas que abordam as histórias de vida de professores de Química, valendo-se de artigos, teses e dissertações em quatro fontes de consulta. Dos 1.296 resultados iniciais, foram selecionadas apenas 11 produções científicas, agrupadas em três categorias analíticas, que revelaram o potencial investigativo e formativo desses estudos. A maioria dos estudos é recente, a partir de 2020, prevalecendo as investigações sobre as histórias de vida de professores de Química da Educação Básica ou de estudantes da Licenciatura em Química, com foco na construção de suas identidades profissionais e seus saberes-fazeres docentes. Os estudos convergem quanto as potencialidades das histórias de vida para uma compreensão de si e do outro, na qual as dimensões pessoal e profissional são indissociáveis.

As identidades do professor de inglês no Ensino Médio integral: entre a língua estrangeira e o Projeto de Vida

PID: S1981-416x2025000100227 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Teles Teles
Resumo Este artigo analisa as identidades dos professores de inglês no Ensino Médio Integral do estado de Sergipe, destacando os impactos da disciplina Projeto de Vida quando esta é parte da carga horária docente. O problema investigado é a tensão gerada pela sobrecarga do professor, que precisa ensinar uma língua estrangeira e, ao mesmo tempo, guiar os alunos na construção de seus projetos de vida, ainda que esta disciplina não tenha sido parte da sua formação inicial. A pesquisa foi conduzida a partir de uma metodologia qualitativa, com análise de documentos (Sergipe, 2016) e entrevistas com professores de inglês1 a fim de compreender como essas exigências moldam as subjetividades docentes dentro de um contexto de racionalidade neoliberal (Laval, 2020). Os principais resultados indicam que o Projeto de Vida reforça práticas de controle e subjetivação neoliberal, mas também pode ser ressignificado como um espaço de resistência pedagógica (Gallo, 2008). Conclui-se que os professores enfrentam um dilema entre seu papel tradicional e as novas demandas emocionais e formativas, com oportunidades para práticas pedagógicas críticas.

Brincadeiras e interações na creche: a potência dos encontros entre bebês e suas educadoras

PID: S1981-416x2025000200409 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Silva Ramos
Resumo Fundamentando-se em estudos que discutem as capacidades sociocomunicativas dos/as bebês, esta pesquisa tem o objetivo de compreender como os/as bebês iniciam e partilham experiências brincantes com seus pares de idade e educadoras nos espaços da creche, destacando os modos singulares que expressam seus interesses e motivações nas relações que tecem com o outro. Desse modo, uma questão guia o percurso investigativo: Como a experiência cultural do brincar se desenvolve no cotidiano partilhado pelos/as bebês e educadoras na creche? Os dados foram produzidos com base na abordagem de pesquisa qualitativa, em um estudo de caso desenvolvido no agrupamento etário denominado de Berçário I de uma creche pública municipal localizada em Nossa Senhora do Socorro/SE, composto por oito bebês e duas educadoras. A produção de dados se deu por meio de observações, anotações em diário de campo, videogravações, fotografias, descrição de episódios interativos e encontros reflexivos com as educadoras. Utilizando suas múltiplas linguagens, expressas por olhares, sorrisos, gestos, movimentos, entre outros recursos sociocomunicativos, os/as bebês construíram brincadeiras com seus pares de idade e educadoras, evidenciando suas competências sociais e comunicativas. Portanto, foi possível concluir que os/as bebês investem cotidianamente em experiências brincantes nas suas ações, na relação com o outro, e exploram e ressignificam os espaços e objetos disponíveis para o desenvolvimento de suas interações e brincadeiras.

Brincadeiras lúdico-agressivas na Educação Infantil: lógicas infantis e adultas em disputa

PID: S1981-416x2025000200513 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Barbosa
Resumo Este estudo analisa representações de adultos e crianças sobre brincadeiras lúdico-agressivas no cotidiano da Educação Infantil, considerando-as como práticas fundamentais para os processos de socialização e a produção de culturas infantis. A pesquisa, de caráter etnográfico, foi realizada em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) em Vitória/ES, com dados gerados por meio de narrativas, entrevistas, vídeos e registros em diário de campo. Os participantes incluíram duas professoras de Educação Física, 40 crianças de 4 e 5 anos, uma secretária, uma pedagoga e o diretor da escola. A análise revelou três categorias principais: (in)segurança na brincadeira, percepção e registro da realidade. Observou-se que as representações das professoras refletiam uma cultura de cuidado, marcada por um discurso tradicional, mas que evoluiu para uma abordagem mais compreensiva e tolerante, ao reconhecer a importância das brincadeiras para a aprendizagem e o convívio social. Os resultados destacam que, em consonância com os eixos norteadores do currículo da Educação Infantil, as brincadeiras lúdico-agressivas favorecem o desenvolvimento de competências socioemocionais, a convivência com as diferenças e a expressão por múltiplas linguagens. O estudo reforça a necessidade de valorizar essas práticas no planejamento pedagógico, reconhecendo o protagonismo infantil e a ludicidade como elementos essenciais da educação.

Cartografias do Projeto de Vida: subjetividades, controles e resistências no Novo Ensino Médio

PID: S1981-416x2025000100040 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Dutra-Pereira Tinôco
Resumo Este artigo apresenta os resultados do projeto “MAPAS: cartografia inventiva do Projeto de vida no Ensino Médio”, que se propôs a investigar a inclusão do Projeto de Vida como componente curricular do Novo Ensino Médio. Utilizando a cartografia inventiva como metodologia, o estudo envolveu docentes, estudantes e pesquisadores e pesquisadoras na reflexão sobre os impactos dessa disciplina escolar, analisando suas implicações na formação de subjetividades alinhadas à lógica neoliberal e ao protagonismo individual. O artigo discute como o Projeto de Vida opera como um dispositivo de controle, promovendo a adaptação de estudantes às exigências do mercado e reforçando um modelo de subjetivação cis-heteronormativo e patriarcal que exclui corpos dissidentes. A partir de seis conexões rizomáticas, o projeto aponta para a necessidade de um Ensino Médio mais inclusivo e emancipatório, que valorize a diversidade e resista às imposições da racionalidade neoliberal. Encerramos com um convite à reflexão: como podemos imaginar e construir uma educação que seja verdadeiramente uma prática de liberdade e criação coletiva? São as apostas cartográficas para o devir.

Contribuições das produções científicas de Heloisa Borges para formação de professores(as) do campo no Amazonas

PID: S1981-416x2025000201011 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Costa Souza Borges
Resumo O artigo desenvolvido no âmbito do Grupo de Pesquisa em Educação do Campo, Currículo e Formação de Professores(as) na Amazônia (GPECAM), ressalta a importância do trabalho de mulheres pesquisadoras brasileiras na área da Educação do Campo, objetivando analisar as contribuições das produções científicas da pesquisadora Heloisa Borges para a formação de professores(as) no campo amazônico. Trata-se de um estudo de natureza descritiva, com utilização de análise da produção científica da pesquisadora a partir das informações coletadas na integração de bases de dados contidas na plataforma Lattes/CNPq. Os resultados apontam que ao longo dos seus mais de 15 anos de atuação profissional na Educação do Campo, a pesquisadora contribuiu com a formação de mais de 8.919 sujeitos do campo no interior do Estado. Conclui-se que essa mulher pesquisadora amazônida vem auxiliando na formação de mestres e doutores, a partir do trabalho realizado junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação, que há mais de 35 anos vem resistindo e formando pesquisadores e pesquisadoras na região amazônica.

Corpo-narrativa: brincadeiras e interações de bebês com os livros na creche

PID: S1981-416x2025000200462 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Gonçalves Buss-Simão Debus
Resumo O artigo apresenta uma pesquisa em nível de doutorado, que teve como objetivo analisar como acontecem as relações dos bebês com os livros no contexto da Educação Infantil. Mais especificamente, se os bebês têm acesso aos livros e quais as possibilidades interativas que este objeto cultural promove. A pesquisa de campo aconteceu em uma instituição da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis junto a 14 bebês e suas professoras. A fim de trazer uma escrita que se aproximasse da perspectiva dos bebês, foram elencados os procedimentos metodológicos provenientes da etnografia. Os dados do campo mostraram que as interações dos bebês com os livros (tanto os livros infantis quanto os livros de literatura infantil) se constituem principalmente pela relação corporal. Para os bebês o livro é também brinquedo, o texto literário é também brincadeira. Os dados corroboram com a defesa de que, na Educação Infantil, o livro, é mais do que suporte de leitura, é ser suporte de brincadeira! O livro deve ser aquele que compõe suas criações, que é reinventado a partir dos próprios bebês, mas que, principalmente, compõe suas vidas.

DECOLONIALIDADE NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: transformações no currículo, na formação docente e nas práticas avaliativas

PID: S1981-416x2025000100320 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Castro
Resumo O artigo analisa criticamente o currículo de matemática sob a perspectiva da decolonialidade, desafiando a visão hegemônica da matemática como neutra e universal. Utilizando uma metodologia bibliográfica, fundamentada em autores como Quijano (2005), Skovsmose (2014) e D’Ambrósio (1998, 2002), dentre outros, evidencia como a predominância de epistemologias eurocêntricas marginaliza saberes de povos de culturas não ocidentais, perpetuando desigualdades sociais e educacionais. A partir das perspectivas da decolonialidade e da etnomatemática, o artigo propõe a reestruturação do currículo, valorizando saberes locais e tradicionais. Identifica a etnomatemática como alternativa viável, ao reconhecer a matemática como prática cultural e socialmente situada, conectada às realidades dos estudantes e promotora de justiça social. Destaca, ainda, o papel crítico da formação docente para integrar epistemologias diversas e repensar avaliações padronizadas que reforçam exclusões. Como resultados, aponta estratégias pedagógicas que promovem pluralidade epistêmica e inclusão. Conclui que a decolonialidade no currículo transforma o ensino de matemática em espaço de resistência e valorização cultural, contribuindo para a superação de desigualdades educacionais e formação de cidadãos críticos. Assim, a etnomatemática e a educação matemática crítica se consolidam como pressupostos de uma educação decolonial.

Descolonizar o humano: o papel da educação libertadora na reconstrução dos direitos humanos

PID: S1981-416x2025000301186 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Karnopp
Resumo O discurso hegemônico dos direitos humanos consolidado pela modernidade ocidental ostenta características coloniais assentadas em uma concepção homogênea e eurocêntrica de humanidade. O pensamento descolonial oferece instrumentos para a ruptura epistêmica com essa racionalidade e a construção de um paradigma pluriversal de direitos humanos. O artigo tem o objetivo de investigar os subsídios teóricos e práticos da educação libertadora para o desprendimento da lógica colonial e a efetiva universalização dos direitos humanos. Para isto, utiliza o método hipotético-dedutivo, sustentado em pesquisa bibliográfica, para propor a hipótese de que a educação libertadora contribui com a construção de uma outra perspectiva de direitos humanos, não homogeneizante. Questiona como a educação libertadora, na perspectiva de Freire (2022), pode contribuir para o enfrentamento da matriz colonial e para o estabelecimento de uma perspectiva pluriversalista de direitos humanos. Conclui que a educação libertadora contribui para a superação das estruturas de opressão que consolidam a colonialidade em matéria de direitos humanos, fomentando a libertação individual e coletiva e, em última instância, política.

Desigualdade social e os possíveis impactos na oferta do Ensino Médio paraense na cidade de Belém-PA

PID: S1981-416x2025000200942 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Souza Alves
Resumo Neste estudo, pretende-se compreender a qualidade da oferta do Ensino Médio público no estado do Pará. Para tanto utiliza-se do Indicador de Vulnerabilidade Social (IVS) e alguns indicadores educacionais do município de Belém-PA, tais como indicadores de fluxo, distorção idade-ano, abandono escolar, entre outros, com o intuito de compreender qual a qualidade da oferta do Ensino Médio Público da rede estadual da Amazônia paraense. Dessa forma, serão considerados os fatores macroestruturais, tais quais as desiguladades sociais e as políticas públicas, assim como os fatores microestruturais, que incluem a infraenstrura das escolas, distorção idade-ano, média de alunos por turma, taxa de aprovação, abandono escolar, entre outras causas que interferem no processo formativo dos estudantes. A pesquisa foi feita a partir de uma abordagem qualitativa, a qual foi materializada por meio do estudo documental. Observa-se que, embora a educação seja uma das dimensões avaliadas no IVS, as políticas públicas educativas existentes não buscam superar a causa dos problemas que podem afetar essa etapa de ensino, a exemplo do que ocorre na Reforma do Ensino Médio, em nível federal, bem como nos Programas “Bora Estudar” e “Escola que Transforma” da Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC-PA). Em outros termos, não basta ofertar uma educação de forma precária e criar políticas públicas que não dialogam com os objetivos que norteiam uma educação como um direito fundamental e de qualidade social. Com base nisso, pondera-se que, enquanto as políticas públicas forem alicerçadas nas orientações dos organismos multilaterais, os resultados do IVS e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) serão utilizados para embasar a construção de reformas de ajustamento econômico, social e político, já que a manutenção do status quo é um projeto do capitalismo em constante movimento de autorrenovação.

Dialogicidade na docência: uma ferramenta para o protagonismo do sujeito na educação

PID: S1981-416x2025000100291 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Cordeiro Kraemer
Resumo Neste artigo nos propomos a discutir o ensino de Filosofia tendo por base a dialogicidade. A discussão foi feita a partir do entrecruzamento de respostas dadas pelos estudantes do Ensino Médio em resposta a um questionário sobre o tema em pauta, bem como, conversas travadas em dois grupos focais. Além da participação dos estudantes, discutimos a temática com base em autores consagrados da filosofia e pesquisadores que estudam sobre esse tema no Ensino Médio. A dialogicidade foi explorada ao longo deste artigo em conexão com os atores já mencionados e aprofundada com base nas contribuições de Paulo Freire. O trabalho em questão é resultado de parte da dissertação apresentada em 2015 no PPGE de educação da FURB, bem como discussões feitas na disciplina de “Paulo Freire e a Teoria Crítica”, desenvolvida no segundo semestre de 2023, na mesma instituição. A discussão envolveu os estudantes e professores, ou seja, os principais agentes quando se trata de educação. Por envolvê-los dialogicamente, o que se percebe principalmente a partir do ponto vista dos estudantes é uma visão pautada no professor como centralidade do processo educacional. Desse modo, problematizamos esta visão, respeitando os dizeres dos estudantes, mas alertando quanto o processo de possibilidade de emancipação e libertação.
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