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A formação docente para educação profissional por meio de um curso de extensão com tecnologias emergentes e escolarização aberta

PID: S1981-416x2021000401766 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Okada Matta
Resumo Este artigo explora a “escolarização aberta” promovida pela União Europeia cujo foco é a coaprendizagem formal, não-formal e informal por meio da cooperação entre estudantes, cientistas e comunidades para resolver problemas reais da vida visando educação profissional sociocientífica e cidadania responsável. O objetivo deste estudo foi compreender as práticas, estratégias e necessidades de professores interessados em inovação educacional com tecnologias emergentes e escolarização aberta. Este estudo de métodos mistos foi apoiado por um instrumento reflexivo semiestruturado do projeto CONNECT de escolarização aberta. Este projeto visa empoderar jovens apoiados em pesquisa e inovação responsáveis, ciência-ação e “diversão emancipatória" - prazer intrínseco de aprender. Os participantes foram 34 professores de escolas de ensino médio, incluindo educação profissional, técnica e vocacional no Brasil, que concluíram um curso de extensão sobre o uso de tecnologias emergentes. Os resultados destacam vários desafios para professores ainda centrados no ensino tradicional transmissivo: ensinar habilidades de pesquisa com problemas da vida real; ajudar os estudantes a gerar perguntas com visões baseadas em evidências; avaliar o quão bem os estudantes usam as evidências para formar um argumento e elaborar narrativas científicas e promover discussão sobre ciência na sociedade em sala de aula. Além disso, quatro estratégias de ensino e aprendizagem dos professores precisam tornar-se mais frequentes para que estudantes possam: elaborar questões científicas sobre o tópico abordado; desenvolver projeto de investigação colaborativa; usar jogos colaborativos com divisão de papéis e dialogar sobre questões científicas atuais.

A formação ética e o autoconhecimento para a formação de professores(as) em direitos humanos e ciências naturais

PID: S1981-416x2021000301270 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Bonfim Guimarães
Resumo Este ensaio teórico tem como objetivo discutir sobre a formação continuada de professores(as) de Ciências Naturais, dos anos iniciais do ensino fundamental, voltada à formação ética e ao autoconhecimento, tendo como propósito uma Educação em Direitos Humanos. Para o desenvolvimento deste ensaio, foi realizado um levantamento bibliográfico em livros, periódicos acadêmicos e artigos, que teve como objetivo aprofundar a temática apontada. Considera-se que as atitudes pedagógicas dos(as) professores(as) podem ser influenciadas pelas disposições construídas ao longo de sua história, assim é importante que o(a) docente reflita sobre essas disposições (habitus), visando uma formação ética, política e crítica, que leva ao desenvolvimento de práticas pedagógicas mais voltadas para uma Educação em Direitos Humanos.

A narratividade na formação continuada de professores para uma educação inclusiva

PID: S1981-416x2021000301053 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Lanuti Baptista
Resumo A partir de um estudo bibliográfico, analisaram-se os itinerários e resultados de duas pesquisas de Doutorado, defendidas em 2018 e 2019 no Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (LEPED), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). A necessidade de encontrar caminhos que possibilitam uma formação continuada de professores para uma educação inclusiva originou essas investigações. Sabe-se que a formação inicial não é suficiente para preparar os professores para o desenvolvimento de um trabalho pedagógico inclusivo, uma vez que as demandas, nesse sentido, se atualizam constantemente. Assim sendo, os objetivos deste texto foram analisar as contribuições da valorização da narratividade dos professores participantes de dois processos de formação continuada, um presencial e outro à distância, e identificar quais os pontos em comum entre os dois processos que levaram os participantes a uma reflexão e reconstrução de práticas pedagógicas a fim de incluir todos os estudantes na sala de aula comum. Concluiu-se que, em ambas as teses, a valorização da subjetividade dos professores participantes e o fundamento na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI, BRASIL, 2008) foram pontos determinantes para o entendimento dos professores sobre o que é a inclusão e suas demandas. Ao narrarem as suas experiências docentes durante as duas formações investigadas, os participantes repensaram o modo como concebiam o ensino, a aprendizagem e a deficiência e entenderam que o papel de uma escola inclusiva é o de promover a plena participação de cada aluno, mas segundo a sua capacidade, sem a pretensão de que ocorra uma homogeneização da aprendizagem.

A pesquisa narrativa como possibilidade metodológica no âmbito da formação docente

PID: S1981-416x2021000200795 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Reisdoefer Lima
Resumo O estudo tem como tema central a discussão sobre a pesquisa narrativa, abordagem metodológica adequada à produção de conhecimentos no âmbito da formação docente. O objetivo principal é apresentar em detalhes o delineamento da pesquisa narrativa, incluindo o modelo de coleta de dados e sua organização, seguido de interpretação e análise. Com fundamentos especialmente em Clandinin e Connelly (1995, 2015) e autores como Botía (2002), Josso (2004), Creswell (2014), Delory-Momberger (2014), Frison e Basso (2016) e Moraes (2018), o escrito apresenta os caminhos de construção de textos de campo e sua transposição para os textos de pesquisa. De caráter interpretativo, a elaboração dos textos de campo compreende o recolhimento de informações e entrevistas no espaço da pesquisa e sua interpretação. Os textos de pesquisa resultam da interpretação e análise dos textos de campo, aos quais são imbricadas a experiência do pesquisador e a teoria adequada à temática da pesquisa. Explicitam-se elementos de natureza teórico-metodológica que se constituem em balizadores para investigações narrativas tais como leitura, escrita, análise e interpretação. Esses elementos permitem um movimento em quatro direções: tanto para frente (prospectivamente), como para trás (retrospectivamente), e também para dentro (introspectivamente) e para fora (extrospectivamente). A teoria discutida e os exemplos apresentados abrem possibilidades para que novas formas de elaboração de textos de campo e de pesquisa sejam organizados em investigações desta natureza, especialmente na área educacional e formação docente.

A potencialidade dos museus de artes na formação de professores

PID: S1981-416x2021000200539 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Carvalho Gewerc
Resumo Partindo do pressuposto de que experiências com a Arte podem contribuir para a construção do simbólico, para a transformação do olhar, da atitude, do lugar do sujeito na sociedade, os museus de arte se configuram em espaços potentes para propiciar experiências sensíveis e contribuir para a autoria docente. O objetivo central da pesquisa parcialmente aqui apresentada é compreender se o que os museus da cidade do Rio de Janeiro oferecem aos professores contribui para sua formação estética e cultural. Para que o professor veja o museu como espaço de formação profissional e cultural, é necessário um convite do museu, um encorajamento aliado à liberdade para que o sujeito crie seus próprios significados. O instrumento metodológico utilizado para a produção dos dados aqui apresentados foi a entrevista semiestruturada. Foram entrevistados educadores museais de cinco museus da cidade do Rio de Janeiro. O texto traz uma reflexão sobre conceitos centrais da temática e um recorte das entrevistas que expressam a compreensão dos educadores sobre a concepção de educação museal e como se desenvolvem as atividades com professores nas instituições. O resultado parcial da pesquisa aponta que os museus de arte, apesar de seu histórico elitista, têm desenvolvido ações com professores em que a singularidade dos sujeitos visitantes, sua cultura, história e expectativas são consideradas em uma perspectiva dialógica, participativa, crítica e democrática. A educação assume uma perspectiva integral e a visita ao museu é vista como uma experiência transformadora.

A prática pedagógica do formador do professor alfabetizador mobilizada pela pandemia nas instituições de Ensino Superior e o uso das tecnologias da informação e comunicação

PID: S1981-416x2021000200940 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Bacila
Resumo Esta investigação discute como o formador do professor alfabetizador está elaborando suas práticas no Ensino Superior frente ao período de pandemia, decorrente da infecção humana causada pelo Covid-19. O eixo epistemológico deste estudo é a Didática prática (MARTINS, 2009), o que implica em analisar a prática pedagógica não como causa e efeito, mas como um campo de determinação de causalidade complexa. A opção metodológica utilizada para compor esse estudo é de natureza qualitativa, baseada em André (2008), e teve como unidade de análise a prática pedagógica produzida na disciplina de alfabetização nos cursos de Pedagogia presenciais de Curitiba. A estratégia de coleta de informações utilizada constitui-se em entrevista (FLICK, 2009). Os dados coletados foram produzidos e analisados apoiados na análise textual discursiva, segundo Moraes e Galiazzi (2011). Os principais teóricos que sustentam a análise dessa investigação são Morin (2001), Moore (2002), Moreira e Monteiro (2012), Torres (2004), Zabalza (2014), Kenski (2010) e Camargo e Daros (2018). Foi possível depreender desse estudo a mudança da prática pedagógica dos profissionais formadores no Ensino Superior para o uso de novas tecnologias. Com a avassaladora pandemia e a imposição do ensino remoto, prevalecem dificuldades tanto por parte dos estudantes quanto dos profissionais no que tange ao uso das tecnologias educacionais para ensinar e aprender.

Aprendizagem experiencial da docência universitária: desenvolvimento profissional de professores tutores no método Problem-Based Learning

PID: S1981-416x2021000100184 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Moreira Santos Silva
Resumo Este artigo apresenta resultados finais de pesquisa-formação, de abordagem qualitativa, realizada entre 2018 e 2019, que teve por objetivo geral compreender processos de aprendizagem profissional da docência, com ênfase na base de conhecimento para o ensino, de professores tutores que atuam no método Problem-Based Learning (PBL) de uma universidade pública, situada no interior do Estado da Bahia. Respaldamo-nos teoricamente em Shulman (2014), Mizukami (2004), Marcelo Garcia (2009), Imbernón (2010) e Nóvoa (2017). Os dados foram coletados por meio da análise e construção de casos de ensino, além da aplicação de um questionário junto aos colaboradores do processo formativo. A análise do corpus empírico esteve pautada em pressupostos da análise do conteúdo, do tipo temática, proposta por Bardin (1977). Os achados sinalizam que os processos de aprendizagem da docência dos colaboradores do estudo são marcados por diversos níveis de complexidade. Assim, a ausência de uma formação inicial no campo didático-pedagógico incide para que os tutores desenvolvam um exercício docente intuitivo, com parco domínio analítico dos pressupostos filosóficos, epistemológicos e pedagógicos concernentes às suas práticas. Constatamos que a base de conhecimento dos participantes é frágil no quesito conhecimento pedagógico geral. Dessa maneira, defende-se a necessidade da configuração de políticas e ações institucionais que busquem fomentar a consolidação da profissionalidade pedagógica desses profissionais.

As redes pedagógicas materializadas em narrativas docentes

PID: S1981-416x2021000301192 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Castilho Megid
Resumo O objetivo deste artigo é apresentar uma análise de uma rede de parceiros e apoios docentes, estabelecida a partir de narrativas sobre as práticas pedagógicas realizadas por professoras atuantes em uma escola pública no decorrer do ano de 2018. Insere-se no âmbito de uma pesquisa mais ampla de doutorado que, a partir de um estudo de caso, investigou as relações de colaboração numa escola pública municipal de Ensino Fundamental I, localizada em uma cidade do interior do estado de São Paulo. Como procedimentos metodológicos, realizamos um estudo bibliográfico sobre a organização social em redes e uma pesquisa de campo, acompanhando um grupo de dez professores em atuação profissional. Foram realizadas entrevistas narrativas que abordaram as práticas pedagógicas realizadas nessa escola. A análise foi efetivada a partir de eixos temáticos que emergiram dos elementos fornecidos pelas narrativas, com os quais estabelecemos diálogos ancorados no aporte teórico do estudo bibliográfico. Os resultados revelados mediante a análise das narrativas sobre essas práticas pedagógicas evidenciaram a articulação dos professores com parceiros pertencentes a diferentes espaços e tempos sociais, com os quais estabeleceram laços por meio de experiências vividas, não somente aquelas do interior da escola, mas que extrapolam os territórios de atuação profissional. A partir dessas evidências, podemos considerar que os diferentes interlocutores que compõem a rede social do professor, e com ele estabelecem relações de trocas, potencializadas pelos avanços tecnológicos nos meios de comunicação, são os responsáveis por promover a continuidade da formação profissional docente.

Aspectos do estágio docente de Letras em Sala de Apoio à Aprendizagem em Língua Portuguesa

PID: S1981-416x2021000100461 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Angelo Menegassi
Resumoc Com fundamentação nos pressupostos da perspectiva histórico-cultural advindos de Vygotsky e nas pesquisas sobre leitura e escrita desenvolvidas pela Linguística Aplicada no Brasil, este artigo descreve, discute e reflete sobre a abordagem de trabalho com as habilidades de leitura e de escrita, por uma professora em formação docente inicial, junto a alunos com dificuldades de aprendizagem. Também objetiva refletir sobre a mediação do professor formador nessa situação específica. O corpus constitutivo das análises são os relatórios de estágio de uma aluna de licenciatura em Letras-Português, de uma universidade pública do estado do Paraná, produzidos nas práticas de ensino em uma Sala de Apoio à Aprendizagem de Língua Portuguesa (SAALP), contexto em que realizou o trabalho de observação e atuação. As análises demonstram que, por meio das experiências docentes em SAALP, mediadas pelo professor supervisor, a estagiária apreende as principais dificuldades de leitura e de escrita dos alunos, assim como as estratégias e abordagens para trabalhá-las, como a contação de histórias, a leitura compartilhada, a ordenação e sequenciação de perguntas de leitura, para impulsionar processos de desenvolvimento das habilidades nesses alunos e em si própria, enquanto docente.

Autoconhecimento como estratégia formativa do professor

PID: S1981-416x2021000301372 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Lousada Barreto
Resumo Diante da modificação ocorrida na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), pela qual espera-se que o professor desenvolva competências em seus estudantes, as quais englobem uma formação humana e ética, além da formação técnica e com especial relevância para o autoconhecimento e autocuidado, mostra-se necessário compreender como os autores da área realizam tal desenvolvimento. Para tanto foram analisados 22 resumos de artigos, dissertações e teses publicadas entre 2015 e 2020 nas plataformas do Educ@ e da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) a fim de conhecer as técnicas empregadas na promoção de tal capacidade e/ou habilidade. Como resultado encontraram-se tentativas de agregar a compreensão intrapsíquica na educação, sendo utilizadas diversas estratégias que vão desde a simples reflexão sobre si e a conscientização das escolhas realizadas e a realizar até a combinação de técnicas e teorias da Psicologia, muitas vezes já utilizadas no mundo corporativo. Outra tendência manifestada nesta investigação foi a inclusão de uma visão mais abrangente de Ser Humano, a necessidade e importância de uma visão holística, de um Ser Humano Integral que possibilite abarcar um trabalho que atue com as dimensões físico/corporal, afetivo/emocional, cognitivo/mental, social e espiritual/transcendente.

Avaliação da qualidade da mediação docente em ambiente universitário

PID: S1981-416x2021000100075 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Andriola
Resumo Na Teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva de Reuven Feuerstein, a mediação docente caracteriza-se por 12 dimensões, sendo quatro destas universais: intencionalidade e reciprocidade; transcendência; significado; consciência da modificabilidade. Para validar o instrumento voltado a avaliar a qualidade da mediação docente, realizou-se pesquisa com amostra de 531 universitários de 12 cursos de graduação, com idade média de 22,5 anos (desvio padrão 3,6 anos), predominância do gênero feminino (n = 309 ou 58,2%) e cursando bacharelados (n = 359 ou 67,6%). Os resultados revelaram estrutura fatorial na qual as 26 assertivas do instrumento foram agrupadas nos quatro fatores universais, com índices muito elevados de validade (autovalores entre 1,33 e 9,14; variância explicada entre 5,13% e 35,15%) e de fiabilidade (alfas de Cronbach entre 0,71 e 0,91). A Análise de Variância (ANOVA) detectou diferenças significativas na qualidade da mediação docente dos cursos das áreas das Ciências Humanas, Ciências da Saúde e Tecnologia em três dos fatores universais (F = 12,96; p < 0,001 - Fator intencionalidade e reciprocidade; F = 5,42; p < 0,001 - Fator transcendência; F = 13,40; p < 0,001 - Fator consciência da modificabilidade). Conclui-se que o instrumento possui elevado grau de confiança e de validade, podendo ser utilizado para avaliar a qualidade da mediação do professor em ambiente universitário.

Ação educativa e prática social: possibilidades didáticas em museus de ciências

PID: S1981-416x2021000200521 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Lima Bernardo
Resumo Por muito tempo os museus de ciências se dedicaram apenas ao acúmulo de objetos, servindo a um público restrito e oferecendo atividades absolutamente desvinculadas de funções e compromissos sociais. A partir da segunda metade da década de 1960, preocupações com a função social dos museus ganharam força e motivações que levaram às transformações no universo dos museus, impulsionando essas instituições no sentido de novas práticas engajadas socialmente. O presente artigo tem por objetivo discutir a articulação entre a ciência e o meio social em que o Museu da Vida - Fiocruz se insere, e faz parte de uma pesquisa de mestrado mais ampla, finalizada em 2019, que contou com a colaboração de participantes da ação educativa Pró-Cultural. A pesquisa, de viés qualitativo, fundamentou-se principalmente na pedagogia crítica e sociocultural de Paulo Freire, que prioriza uma educação dialógica e democrática, na perspectiva da valorização de saberes e vivências dos sujeitos envolvidos no processo educativo. Os resultados mostraram que as ações educativas, para além da contribuição na aproximação entre pessoas na relação museu-público, possuem potencial para elucidar os não cientistas em relação às questões de caráter científico, ao mesmo tempo em que favorecem reflexões sobre suas experiências socioculturais. No caso específico desta pesquisa, destacam-se as valorosas reflexões acerca de direitos, empatia, autoestima, pertencimento, identidade, resistência e política.

Base nacional: Uma reflexão a partir da representação social de professores(as) sobre a BNCC

PID: S1981-416x2021000301241 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Santos Melo Morais
Resumo A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi instituída com o objetivo de difundir conteúdos basilares para toda a Educação Básica brasileira, buscando o alcance da meta que prevê a aprendizagem com qualidade para as crianças de todo o país e a superação dos baixos índices nas avaliações nacionais e internacionais. Diante desse cenário, esse artigo traz debates de uma pesquisa quanti-qualitativa de abordagem psicossocial pautada na Teoria das Representações Sociais (TRS), realizada em 2019, tendo como objetivo refletir sobre a representação social que professores da rede básica de uma escola pública de ensino em Natal/Rio Grande do Norte têm sobre a BNCC. Por meio da estratégia metodológica da Técnica de Associação Livre de Palavra (TALP), buscou-se investigar os fios que entrelaçam as concepções desses professores(as), levantando as seguintes questões: Como esses professores(as) a partir das suas experiências com a docência, entendem a BNCC? Como está acontecendo a implementação da BNCC nas escolas de rede pública? É possível a partir da BNCC construir um currículo que combata as injustiças sociais e democratize a educação como um direito tal qual foi preconizado pela constituição de 1988? Os resultados encontrados contribuem para necessidade de construir formações pautadas no chão da história e nas realidades concretas da escola para elaboração de projetos pedagógicos curriculares.

Cognição como atividade humana criadora em vivências de estudantes de pedagogia

PID: S1981-416x2021000401967 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Gomes Neves Silva
Resumo Neste artigo discutimos diferentes trajetórias escolares por meio de Estudos de Casos de três estudantes de uma turma de Psicologia da Educação, do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Minas Gerais e seus familiares. As estudantes e seus familiares relataram vivências (perejivânia) tensas e dolorosas nessas trajetórias. Tais vivências nos impulsionaram a perguntar: Como pensar a cognição como uma atividade humana criadora? Como relacionar a cognição com as práticas sociais em que ela é gestada? No contexto das salas de aulas daquela universidade, os letramentos acadêmicos foram ressaltados nos discursos das estudantes e pudemos conhecer a força do afeto constituindo e sendo constituído pela cognição social situada, pela força das culturas e das linguagens em uso. Argumentamos que esses conceitos estão intimamente relacionados nas vivências relatadas, em alguns momentos um ou outro se torna mais saliente, porém estão sempre em diálogo, constituindo as pessoas. O diálogo entre teoria e empiria levou-nos à compreensão da indissociabilidade entre afeto, cognição, culturas e linguagens e, consequentemente, à proposição de uma síntese: a unidade de análise [afeto/cognição social situada/culturas/linguagens em uso] - ACCL - com base na Psicologia Histórico-cultural, que defende a unidade afeto/cognição, e na Etnografia em Educação, que argumenta que culturas e linguagens em uso são inseparáveis. A unidade ACCL permitiu-nos olhar para as pessoas, humanizando suas trajetórias escolares, bem como possibilitou-nos não as estigmatizar ou rotulá-las como deficientes.

Como Ensinar Química?

PID: S1981-416x2021000200985 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Bedin
Resumo Neste artigo objetiva-se entender como um grupo de professores desenvolve as suas ações didático-pedagógicas com vistas ao ensino de química, ponderando concepções sobre a pergunta: “Como ensinar química?”. Tal objetivo deriva da perspectiva de que as convicções em relação ao questionamento são constituídas idiossincraticamente sobre o ideário pedagógico que se arquiteta e se fundamenta a partir de pressupostos teóricos e de reflexões sobre a própria ação pedagógica, vislumbrando os recursos didáticos e as diferentes metodologias de ensino plausíveis a sua realidade. Para tanto, esta pesquisa de natureza quali-quantitativa, a partir da análise dos dados de forma mista, foi desenvolvida por meio de um formulário online contendo sete assertivas, construído no Google Forms com base na escala Likert de cinco pontos¸ e disponibilizado a 92 professores de química em um período de 30 dias. A análise qualitativa das assertivas ocorreu de forma interpretativa à luz de teóricos da área, e de forma quantitativa com base na estatística descritiva a partir do programa Statistical Package for the Social Sciences. Ao término, evidenciou-se que a maioria dos professores desenvolve as suas ações didático-pedagógicas a partir de estratégias que julgam eficientes e importantes para os alunos aprenderem química, seguida da inserção da pesquisa, do diálogo e da (re)significação dos conceitos e dos conteúdos a partir da curiosidade, do contexto e do interesse dos sujeitos.

Currículos Outros, Sujeitos Outros: novas paisagens no território curricular a partir de uma narrativa-experiência docente

PID: S1981-416x2021000401861 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Ferrari
Resumo Nosso foco de problematização se inscreve nas relações entre currículo e subjetividades, tomando como provocação a narrativa-experiência de uma professora universitária no encontro com o imprevisível da sala de aula. Perseguindo esse foco de problematizar as relações entre o currículo e as subjetividades, organizamos o texto em três partes: a expectativa, o encontro e a mudança. Todas essas partes dizem e dão forma à narrativa-experiência da professora junto às alunas e aos alunos e seus questionamentos em torno do currículo e de si mesma como resultado desse currículo, mas, sobretudo, nos conduzem para as potencialidades da sala de aula na construção de outros currículos e outros sujeitos. As perspectivas teórico-metodológicas que orientam nossas análises são a pós-critica de currículo e a inspiração dos estudos de Michel Foucault. A narrativa-experiência aqui acionada por nós para pensar o território curricular mostra que, entre os seus ordenamentos, o currículo demanda um tipo específico de professora e professor, aquela e aquele que busca se munir de ferramentas e garantir a realização de um plano e conduzir sua conduta de certo modo, mas, no encontro com o imprevisível do currículo, essa posição de sujeito professora esvanece. Nossa defesa é de que, na sala de aula, emergem possibilidades de constituição de novas paisagens no território curricular que, como efeito, permitem a constituição de currículos outros e sujeitos outros.

Da institucionalização do Sistema de Pós-graduação ao Plano Nacional de Pós-Graduação (2011-2020): desafios e perspectivas

PID: S1981-416x2021000401989 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Shigunov Neto Trevisol Almeida
Resumo O artigo é resultado da pesquisa sobre pós-graduação no Brasil a partir de sua institucionalização até o Plano Nacional de Pós-Graduação (2011-2020). O objetivo é historicizar os planos de pós-graduação, sobretudo, as questões formuladas no PNPG (2011-2020) e suas recomendações subsequentes nos relatórios 2016, 2018 e 2020. As metas e objetivos propostos nos PNPG ditam o ritmo e definem os caminhos que a nação pretende para o futuro, relacionados as pesquisas que serão desenvolvidas na pós-graduação. Ressalta-se, neste contexto, áreas são acentuadas como prioritárias, fontes de financiamento são definidas e formas de avaliação são implementadas. A reflexão sobre os PNPGs permite, além do entendimento da conjuntura política, capacitar e organizar os programas de pós-graduação para que tenham impacto na pesquisa sem perder sua identidade e compromisso com a região que estão localizados. Trata-se de uma pesquisa exploratória de cunho analítico e com coleta de dados documental. A metodologia utilizada para investigação foi a histórico-crítica. De acordo com a pesquisa, pode-se afirmar que os PNPG estão interligados com o contexto que foram gestados e revelam o projeto de nação preterido pelo (des)governo, além, de estipular como meta a consolidação da pesquisa nos mesmos níveis de competividade global, com ênfase em investigações de alto impacto para o mercado capitalista.

Desafios dos professores de programação de computadores para promover a regulação dos alunos em atividades de aprendizagem invertida durante o COVID-19

PID: S1981-416x2021000401820 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Gonçalves Ferreira Graciano Neto
Resumo Os desafios para professores de programação de computadores são grandes; é difícil ensinar conceitos e estruturas inerentes à linguagem de programação aos alunos em cursos introdutórios na área de informática. A pandemia de coronavírus, COVID-19, intensificou essas dificuldades à medida que todo o processo de ensino e aprendizagem migrou para as plataformas online. A pesquisa visa fornecer evidências sobre as dificuldades que os professores de informática estão tendo para implementar aulas invertidas. A análise envolve o conhecimento das percepções dos professores sobre os métodos de ensino colaborativos de resolução de problemas e com estratégias regulatórias para motivar os alunos e promover reflexões sobre a sua aprendizagem. Os resultados indicam que os professores apresentam dificuldades significativas na compreensão do uso das metodologias ativas, na compreensão do perfil dos alunos aprendizes e na forma como eles podem preparar, planejar, implementar e favorecer a aprendizagem.

Desenvolvimento profissional dos professores formadores: notas a partir das relações estabelecidas com os estudantes das licenciaturas

PID: S1981-416x2021000100027 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Araújo Fortunato Medeiros
Resumo O desenvolvimento profissional dos professores formadores e as relações construídas com os estudantes são duas faces de um mesmo processo: (trans)formar a si e ao outro. Neste texto, de natureza teórica, estudamos o desenvolvimento profissional dos professores formadores de cursos de licenciatura a partir das relações estabelecidas com os estudantes. Para tal, começamos por um breve enquadramento das experiências profissionais e os saberes de experiência, seguindo com uma discussão na qual se busca argumentar que a relação entre um professor formador e osseus estudantes pode ser entendida como uma experiência de (trans)formação profissional. Concluímos que a realização de estudos e pesquisas acerca da formação dos professores para o Ensino Superior, particularmente a respeito do trabalho dos professores formadores nos cursos de licenciatura, é extremamente necessária, sobretudo por haver, ainda, poucos estudos e pesquisas nessa direção.

Diários visuais e/ou textuais como laboratório de criação de si: movimentos transversais na docência universitária

PID: S1981-416x2021000100261 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Cardonetti Garlet Oliveira
Resumo Este artigo busca pensar a formação na docência universitária a partir da perspectiva das filosofias da diferença, uma formação que “acontece” em meio aos seus processos e encontros imprevistos, sem uma forma a priori a ser alcançada. Escritos de autores e autoras como Ribetto (2011), Pereira (2010a, 2010b), Loponte (2008, 2014), Hardt (2006) e Corazza (2013) se mostram como ferramentas potentes para pensar desdobramentos a partir dessa perspectiva, ou seja, uma formação que é pensada como um campo vivo e aberto, sempre a se fazer. São articulados também à escrita, três diários visuais e/ou textuais, os quais foram produzidos pelas autoras deste artigo em seus percursos como professoras no contexto da universidade. Assim, busca-se pensar: Como os diários visuais e/ou textuais podem funcionar como laboratório de criação de si na docência universitária? Dessa forma, intentou-se pensar o cenário formativo como um laboratório de experimentação, possibilitando colocar a docência em tensionamento com elementos/alimentos (ROLNIK, 2006) que não necessariamente dizem de docência, mas que funcionam como elementos potentes para produzi-la. A perspectiva cartográfica, enquanto estratégia de investigação processual (DELEUZE; GUATTARI, 1995), impeliu as autoras a investir em linhas transversais (GALLO, 2006; GUATTARI, 2004) junto aos diários visuais e/ou textuais (CARDONETTI; OLIVEIRA, 2015; OLIVEIRA, 2011, 2013, 2014) produzidos em suas experiências educativas. Junto desse movimento de pesquisa pensa-se/opera-se uma formação docente que se dá na singularidade de seu acontecer.
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