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Direitos humanos, vulnerabilidade social e personalidade em pessoas com altas capacidades no contexto espanhol

PID: S1981-416x2025000301159 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Martins Souza Borges
Resumo Esta pesquisa objetivou analisar os traços de personalidade e vulnerabilidade social em pessoas adultas com altas capacidades na Espanha e refletir sobre essas variáveis sob a perspectiva dos direitos humanos. Contou com a participação de 231 pessoas com altas capacidades residentes na Espanha. Como instrumentos de coleta de dados, foram utilizados um questionário que solicitava informações de caracterização e sobre situações de vulnerabilidade social e o Questionário Breve de Personalidade, ambos aplicados via Google Forms e analisados quantitativamente. Os resultados apontaram que 139 participantes (60,17%) experienciaram situação de vulnerabilidade, na maioria envolvendo algum tipo de violência. Em relação à personalidade, a análise com base nos gêneros masculino e feminino revelou diferença estatisticamente significativa, com maior incidência de situações de vulnerabilidade sobre as mulheres com altas capacidades em relação aos homens. Por sua vez, a vivência ou não de situações de vulnerabilidade teve implicações sobre a personalidade, havendo diferença estatisticamente significativa em relação à dimensão neuroticismo, cuja presença é mais forte nas pessoas que passaram por situações de vulnerabilidade. Discute-se a relação entre vulnerabilidade e o traço de personalidade neuroticismo, salientando-se a necessidade da garantia dos direitos econômicos, sociais e culturais para a concretização do pleno desenvolvimento enquanto um direito humano.

Educação ambiental crítica com abordagem investigativa: uma experiência emancipadora no ensino de problemas ambientais

PID: S1981-416x2025000301276 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Sampaio Silveira
Resumo O estudo teve como objetivo pesquisar de que maneira uma Sequência Didática Investigativa (SDI), fundamentada na Educação Ambiental Crítica (EAC), pode promover a aprendizagem sobre os problemas ambientais nos biomas brasileiros, articulando conceitos como desequilíbrios ecológicos, racismo ambiental e saúde única. Os dados, coletados a partir de diários reflexivos e questionários e analisados por meio da combinação de frequência simples e análise de conteúdo, revelaram três eixos de avanços: (1) os estudantes do ensino médio ampliaram a compreensão da multicausalidade dos problemas ambientais, superando explicações genéricas e reconhecendo fatores estruturais como agronegócio; (2) os conceitos de racismo ambiental e saúde única emergiram nas conclusões, com destaque para os impactos desiguais em populações vulneráveis; (3) as soluções evoluíram de medidas punitivas para ações educativas e políticas públicas. Os alunos demonstraram elevados índices de interesse (muito interessante e interessante) nas etapas de contextualização (85%), problematização (80%), hipótese (75%), coleta de dados (80%), exposição dialogada (75%), conclusão (60%) e comunicação (65%). A experiência evidenciou que a articulação entre SDI e EAC desenvolveu nos estudantes a capacidade de analisar problemas ambientais nas dimensões ecológica, política e social, se configurando como prática pedagógica emancipatória e alinhadas às demandas contemporâneas por sustentabilidade e justiça ambiental.

Educação inclusiva e nona arte: possível mediação na relação escola-família

PID: S1981-416x2025000200824 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Tomé Martins Gimenez
Resumo A educação inclusiva contemporânea, segundo dados de órgãos oficiais, mostra um aumento significativo nas matrículas de alunos com necessidades educacionais especiais na última década, impulsionado por marcos legais e políticas públicas de inclusão. Educadores e responsáveis desses alunos em processo de inclusão, muitas vezes enfrentam desafios de comunicação e compreensão mútua. A pesquisa, oriunda de dissertação, propõe o uso de histórias em quadrinhos (HQs) autobiográficas como sistema mediador na relação escola-família. Utilizando o método fenomenológico e as obras de Merleau-Ponty e Groensteen, realizou-se uma leitura fenômeno-estrutural; assim, uma das unidades significativas identificada pela pesquisa foi nomeada como o diagnóstico, momento retratado nas três obras selecionadas na pesquisa, que será apresentada neste artigo. Conclui-se que a escola, ao construir um sentido comum com a família por meio das HQs, pode se tornar parte integrante da experiência familiar, pela apreensão da experiência vivida dessa, promovendo melhores condições de aprendizagem e desenvolvimento.

Educação infantil e identidade cultural: caminhos freireanos para uma educação humanizadora

PID: S1981-416x2025000301116 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Furyama Saito
Resumo A reflexão apresentada neste artigo decorre de uma proposta de pesquisa finalizada, desenvolvida no âmbito de um Programa de Pós-Graduação em Educação, a nível de mestrado. Possui como objetivo apresentar as contribuições de Paulo Freire sobre a importância da valorização da identidade cultural das crianças para o processo formação humana, investigando de que forma o ensino pode considerar e reconhecer as diferentes identidades culturais nas salas das instituições de Educação Infantil. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de caráter qualitativo, com fundamentação nos pressupostos da Teoria Freireana. O recorte investigativo se delimita na etapa da Educação Infantil, focando na importância da valorização da identidade cultural das crianças no processo de ensino, aprendizagem e formação humana. Os resultados alcançados demonstram a importância da valorização da identidade cultural das crianças, pois a partir dessa valorização, somada aos novos conhecimentos, a criança pode desenvolver-se intelectualmente, compreender o mundo à sua volta, as diferentes culturas, perceber a si mesma e aos outros, tornando-se um ser humano atuante no mundo, se constituindo um adulto autônomo e emancipado. Desse modo, conclui-se que uma Educação Infantil que considera as múltiplas identidades culturais das crianças torna-se um caminho possível para uma educação voltada à humanização e libertação.

Educação moral e justiça social: articulações entre a teoria do domínio social e a pedagogia freireana

PID: S1981-416x2025000301357 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Oliva Dell'Agli Caetano
Resumo O presente artigo, de natureza teórica, discute a importância da educação moral como instrumento de enfrentamento das injustiças sociais, articulando a teoria do domínio social (TDS) e a pedagogia crítica de Paulo Freire. Inicialmente, são apresentados os fundamentos da TDS, que propõe a organização dos conhecimentos sociais em domínios distintos - moral, convencional e pessoal - e defende o desenvolvimento da consciência moral a partir de interações sociais e raciocínio crítico. Em seguida, examina-se a convergência entre a proposta da TDS e a pedagogia freireana, destacando a centralidade da práxis, do diálogo problematizador e do despertar da consciência crítica na formação de sujeitos éticos e comprometidos com a transformação social. Discute-se também a aprendizagem socioemocional transformadora como estratégia complementar à educação moral crítica, enfatizando a criação de ambientes escolares inclusivos, cooperativos e orientados à justiça social. Com base no diálogo entre essas perspectivas, são oferecidas sugestões práticas para escolas e professores interessados em promover a formação moral crítica dos estudantes. Conclui-se que a integração entre a TDS e a pedagogia crítica de Paulo Freire fortalece práticas educativas emancipatórias, capazes de desenvolver a agência moral e a responsabilidade social dos alunos, contribuindo para a construção de sociedades mais justas, democráticas e dialógicas.

Educação sob a égide do neoliberalismo: Projeto de Vida e a fragilização da formação integral

PID: S1981-416x2025000100106 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Rodrigues Costa Rodrigues
Resumo O artigo busca analisar criticamente como os valores neoliberais influenciam o componente curricular Projeto de Vida, inserido na Reforma do Ensino Médio. A partir de uma abordagem teórico-metodológica fundamentada em Foucault e na análise de políticas educacionais de Stephen Ball, o estudo investiga como o discurso neoliberal molda a proposta pedagógica do Projeto de Vida, destacando a ênfase na responsabilização individual e na preparação dos estudantes para o mercado de trabalho. A pesquisa evidencia a tensão entre a formação integral preconizada pelas diretrizes educacionais e a prática que prioriza competências relacionadas à produtividade e ao empreendedorismo de si. O artigo argumenta que essa orientação enfraquece a dimensão crítica e humanista da educação, transformando o espaço escolar em um meio de reprodução das lógicas do capital.

Empreender para (sobre) viver: o estado da arte do Novo Ensino Médio e a legitimação de um Projeto de Vida

PID: S1981-416x2025000100086 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Glatz Yaegashi Bianchini
Resumo Este estudo tem como objetivo investigar o impacto do componente curricular "Projeto de Vida" no Novo Ensino Médio brasileiro, analisando como o mesmo reflete e reforça ideologias neoliberais na educação. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica do tipo "estado da arte” que analisou teses, dissertações e artigos científicos de acesso aberto publicados entre 2019 e 2024 nas bases de dados CAPES, SciELO e Google Scholar. Os estudos selecionados foram subdivididos em duas categorias de análise: 1) Projeto de Vida e o trabalho: a formação do “empreendedor de si”; e 2) Projeto de Vida e a lógica meritocrática: entre o desejo e a (im)possibilidade. Os principais resultados revelam que o Projeto de Vida tende a promover o conceito de “empreendedor de si”, adaptando os estudantes a uma visão de mercado que privilegia a competitividade e a autossuficiência, desconsiderando desigualdades estruturais. Esse direcionamento reflete uma lacuna no desenvolvimento crítico e social dos alunos. Limitações do estudo incluem o acesso a apenas três bases de dados, o que restringe a generalização dos resultados, embora forneça insights importantes sobre as tendências neoliberais nas políticas educacionais atuais.

Enfrentamentos das crianças aos scripts de gênero no cotidiano da Educação Infantil

PID: S1981-416x2025000200649 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Moraes Souza
Resumo Este artigo analisa as estratégias que crianças da Educação Infantil utilizam para lidar com os scripts de gênero no cotidiano escolar, com ênfase nas interações entre materialidades, espaços e relações. Fundamentado nos Estudos de Gênero e na Sociologia da Infância, sob uma perspectiva pós-estruturalista, o estudo teve como objetivo investigar como as crianças burlam e ressignificam tais scripts, muitas vezes de forma sutil e que passam despercebidas no cotidiano. A pesquisa valoriza essas lutas e resistências por parte das crianças, frequentemente simbólicas, como ponto de partida para ampliar o debate sobre gênero na Educação Infantil a partir da perspectiva da infância. A investigação, conduzida por meio de etnografia, envolveu 17 crianças de quatro anos em uma escola pública da Região Metropolitana de Porto Alegre/RS. Os resultados destacam a importância de criar espaços inclusivos e participativos, nos quais as crianças expressem suas narrativas e desafiem normas tradicionais de gênero. Conclui-se que um currículo inclusivo, formação docente e políticas públicas que promovam ambientes mais livres são fundamentais para assegurar os direitos das crianças.

Ensino e aprendizagem de Educação Ambiental: percepções docentes sobre a formação continuada na escola

PID: S1981-416x2025000200860 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Reis Schwertner
Resumo A Educação Ambiental (EA) tem sido reconhecida como um importante eixo para a construção de sociedades mais sustentáveis. No entanto, sua inserção na formação docente ainda enfrenta desafios, muitas vezes limitando-se a abordagens fragmentadas e pontuais no currículo da Educação Básica. Diante dessa lacuna, este artigo, oriundo de uma pesquisa de doutorado na área de Ensino, propõe uma agenda de estudos sobre EA com professores do Ensino Fundamental, incentivando a criação e o uso de jogos didáticos. O objetivo foi analisar como a participação na formação continuada e o desenvolvimento de materiais lúdicos contribuíram para a prática docente em EA. O estudo, denatureza qualitativa, aproximou-se da abordagem da pesquisa-ação e foi realizado em 2023, em uma escola da rede municipal de Imperatriz/MA, com 17 voluntários. A investigação envolveu um questionário diagnóstico, cinco encontros formativos e a criação dos jogos didáticos que foram utilizados pelos professores para ensinar EA aos estudantes da escola. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, cujos dados foram interpretados por meio da Análise Textual Discursiva. Os professores relataram bom aproveitamento teórico e prático do percurso formativo, destacando a importância da abordagem vivencial para a criação e o uso dos jogos. O estudo evidencia a fragilidade da EA na formação inicial e continuada dos docentes e destaca a necessidade de políticas públicas que incentivem a inserção da EA de maneira contínua nos processos formativos de professores.

Entre Escrevivências e Ciência: Perspectivas Étnico-Raciais na Educação Científica

PID: S1981-416x2025000301142 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Cesar Miranda
Resumo O presente artigo investiga possibilidades de abordagem das identidades étnico-raciais no ensino de ciências a partir do método decolonial de pesquisa denominado escrevivência, que visa dar voz a mulheres negras, caladas historicamente, assim como excluídas dos espaços acadêmicos. Este artigo discute as dificuldades e estratégias elencadas por docentes ao abordarem as identidades étnico-raciais no ensino de ciências. Para tal, propusemos a professoras negras de ciências a produção de escrevivências sobre como trabalham as questões étnico-raciais em suas aulas. A partir dos relatos foi possível discutir com o referencial teórico questões relacionadas com as seguintes temáticas: A formação docente para práticas voltadas para as relações étnico-raciais; Seleção de temas e a relação com o currículo oficial; Estratégias didáticas para uma educação científica voltada para as relações étnico-raciais e Reflexões sobre a prática: desafios de realizar uma educação científica voltada para a Educação para as Relações Étnico-raciais. Foi possível relacionar o ensino de ciências com as relações étnico-raciais a partir dos temas: etnoastronomia, arqueoastronomia, interseccionalidade, gentrificação, racismo ambiental, epistemicídio e evolução. Concluímos que professoras negras de ciências têm saberes valiosos que podem enriquecer a abordagem das identidades étnico-raciais no ensino.

Entre disputas e descobertas: situações de conflitos nas brincadeiras de crianças bem pequenas na Educação Infantil

PID: S1981-416x2025000200482 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Campos
Resumo Este estudo, recorte de uma pesquisa já concluída na área da Educação Infantil, tem como objetivo descrever e analisar as relações de conflito entre crianças pequenas durante as brincadeiras. Inicialmente, apresenta-se uma discussão sobre a Sociologia da Infância e as culturas infantis, destacando suas conexões com os estudos do brincar sob uma perspectiva social e cultural. Em seguida, são detalhadas as configurações metodológicas da pesquisa. Os participantes são 25 crianças de 3 anos, de ambos os sexos, matriculadas em uma escola municipal de Educação Infantil. A geração dos dados foi fundamentada nos aportes da Sociologia da Infância e conduzida a partir de uma abordagem etnográfica. Para tanto, foram empregadas técnicas como observação participante, registros em diário de campo e gravações em vídeo, possibilitando uma análise aprofundada das interações e conflitos no brincar. Os resultados indicam que, no grupo e contexto investigados, as situações de conflitos e suas formas de mediação são elementos essenciais das culturas da infância. Nessas interações, as crianças aprendem a gerenciar disputas e desentendimentos com base em regras coletivamente construídas e compartilhadas, o que contribui para o fortalecimento das relações interpessoais e a organização dos grupos sociais. Esse processo aponta para desenvolvimento de competências sociais e interpessoais fundamentais na constituição de suas identidades.

Formação-Ação de Professores para uma Educação Emancipadora: práticas interdisciplinares, colaborativas e contextualizadas

PID: S1981-416x2025000301312 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Waltrick Silva Jurado
Resumo O artigo analisa as implicações do Programa de Formação-Ação em Escolas Criativas no processo de formação continuada de professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental no município de Lages/SC. Estruturado com base em uma abordagem qualitativa e na pesquisa-ação, o estudo promoveu encontros temáticos sobre a interdisciplinaridade como forma de estimular práticas pedagógicas colaborativas, contextualizadas e comprometidas com a realidade dos sujeitos e das escolas. A formação desenvolvida fundamenta-se em uma perspectiva emancipadora de base freireana, articulando diálogo, transdisciplinaridade, sustentabilidade e direitos humanos como eixos estruturantes da prática docente. Os resultados indicam que a formação continuada, quando concebida como espaço dialógico e coletivo, pode contribuir significativamente para a transformação das práticas educativas e para o fortalecimento da escola como espaço democrático e integrador.

Interações brincantes nos terreiros de escolas da Educação Infantil do e no campo: confluências e proposições em pesquisas

PID: S1981-416x2025000200589 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Leal Lacerda Souza
Resumo Este artigo tem como objetivo apresentar a relevância dos terreiros situados em áreas campesinas, destacando-os como espaços fundamentais no cotidiano das populações desses contextos, presentes não apenas no entorno das casas, mas também ao redor das escolas e demais instituições do campo. Com base em duas pesquisas de mestrado realizadas no Cariri Paraibano, o estudo problematiza os terreiros como lugares de vida, onde se manifestam modos de existência do campesinato brasileiro, especialmente no que se refere às vivências infantis. As reflexões e discussões aqui apresentadas fundamentam-se em diversos estudos acadêmicos que exploram, entre outros temas, a importância cultural e social desses espaços. Enfatiza-se a noção de que os terreiros são espaços ocupados e desejados pelas crianças em sítios, assentamentos e comunidades, sendo compreendidos como referência do mundo rural. Por fim, verifica-se que isso contrasta com a predominância dos espaços construídos nos centros urbanos; pois, embora vinculados às residências e presentes no entorno de escolas de Educação Infantil situadas no campo, os terreiros nem sempre são valorizados como possibilidades pedagógicas e de vivência comunitária.

Interlocução freiriana com a Educação Especial e Inclusiva mediada por uma revisão sistemática de literatura

PID: S1981-416x2025000301236 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Blaszko Ujiie Ortiz-Padilla
Resumo O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão sistemática acerca das pesquisas relacionadas a Educação Especial e Educação Inclusiva em diálogo com o aporte teórico freiriano, tendo em vista analisar e articular interlocuções com a educação emancipatória. Como substrato metodológico, a pesquisa tem ancoragem na revisão sistemática de literatura e análise qualitativa. O Portal Capes Catálogo de Teses e Dissertações foi a base de dados utilizada pela pesquisa considerando três descritores conjugados: “Educação Especial”, “Inclusão” e “Freire”, com filtragem na área de Educação e interstício 2020 a 2024. As pesquisas ressaltam que a Educação Inclusiva, embora garantida por lei, é um desafio à prática pedagógica cotidiana das escolas regulares, e que a dialogicidade com o aporte freiriano da educação emancipatória, que garante uma educação para todos, ainda tem pouca interlocução e difusão, pois a matiz da educação bancária e transmissiva tem ainda presença marcante na realidade de desenvolvimento das pesquisas que compuseram o arcabouço analítico desta investigação.

Intervenção pedagógica para a promoção da alfabetização científica em meninas privadas de liberdade

PID: S1981-416x2025000301624 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Rodrigues Silva Araújo
Resumo Ao se considerar a educação como um direito essencial ao progresso dos adolescentes que se encontram em medida socioeducativa, o processo de ensino e aprendizagem deve ser adaptado às condições exigidas por este cenário, essencialmente, quando voltado para a promoção da Alfabetização Científica. Nesse viés, o objetivo deste estudo foi discutir sobre uma intervenção pedagógica aplicada no processo de ensino e aprendizagem de meninas em privação de liberdade com foco na promoção da Alfabetização Científica. A pesquisa qualitativa de intervenção pedagógica foi materializada por meio de uma Sequência Didática que abordou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ao longo de cinco encontros. Os sujeitos envolvidos foram cinco adolescentes do sexo feminino, que se encontravam em cumprimento de medida socioeducativa, com faixa etária de 12 a 18 anos de idade. Os resultados mostram evidências de construção de conhecimentos pelas participantes, bem como o alcance de todos os indicadores de Alfabetização Científica considerados (seriação de informações, organização de informações, classificação de informações, raciocínio lógico, raciocínio proporcional, levantamento de hipóteses, teste de hipóteses, justificativa, previsão e explicação). Infere-se, portanto, a necessidade de oferecer condições para que meninas privadas de liberdade desenvolvam competências e habilidades relacionadas com o processo de ensino e aprendizagem por meio de atividades que as instiguem à observação, à análise de um problema e à reflexão crítica, estimulando-as à construção de conhecimento e o respeito às opiniões divergentes.

Linguagem e poder: performances identitárias e resistência em dispositivos discursivos contemporâneos

PID: S1981-416x2025000301452 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Rufino Senna
Resumo Este estudo tem como objetivo analisar a relação intrínseca entre linguagem e identidade, explorando como o discurso pode atuar como ferramenta de construção identitária e, simultaneamente, de exclusão social. Por meio de uma pesquisa bibliográfica crítica, fundamentada em teóricos como Foucault, Freire, Butler, Rajagopalan e Anzaldúa, investiga-se como a linguagem, em suas múltiplas formas (gestual, digital, oral), modela pertencimentos, hierarquiza saberes e perpetua desigualdades, mas também abre brechas para resistências. Os principais achados revelam que a linguagem é um campo de batalha simbólico: enquanto normas hegemônicas silenciam dialetos e sotaques marginalizados, movimentos periféricos ressignificam palavras, criam neologismos (como o pajubá, LGBTQIA+) e utilizam tecnologias para revitalizar línguas ameaçadas. Além disso, o poder disciplinar, analisado por Foucault, mostra-se presente em instituições como escolas e mídias, que naturalizam exclusões, mas também são palcos de insurgências. Conclui-se que a identidade é performativa, moldada por escolhas linguísticas que oscilam entre a submissão e a subversão, e que a crítica ao discurso é um ato político essencial para desmontar estruturas opressoras.

Narrativas de crianças sobre o jogo em contexto de transição da educação infantil para o 1° ano do ensino fundamental

PID: S1981-416x2025000200573 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Nois Sommerhalder Zanotto
Resumo Objetiva examinar e problematizar por meio de narrativas de crianças, a transição da Educação Infantil para o 1° ano do Ensino Fundamental no que se refere ao jogo na escola. Considerou-se os autores como Formosinho e Brougère e assumiu a natureza qualitativa-exploratória por meio de entrevistas narrativas com 13 crianças na última fase da Educação Infantil e no 1° ano do Ensino Fundamental. Com base na Análise de Conteúdo, os resultados da categoria Cultura Lúdica evidenciaram Atividades com água e/ou piscina; Brincadeiras com fantasia; Pega-pega e esconde-esconde; Tanques de areia e Brinquedão de madeira. Os achados mostraram os jogos preferidos das crianças, ambientes e/ou suportes lúdicos que gostariam que estivessem presentes nas escolas. O estudo foi indicativo de que a escola de Ensino Fundamental possui uma estrutura menos estimuladora do que a Educação Infantil nos seguintes elementos: tempo disponível para o jogo, ambientes lúdicos e possibilidades para experiências com o jogo simbólico ou com o corpo. As autoras alertam sob a necessária consideração de que a infância permanece em trânsito para o Ensino Fundamental e a transição entre ciclos pode ser mais exitosa se for valorizada na perspectiva de uma compreensão de aprendizagem em continuidade, e não da ruptura entre ciclos.

Nas interações é possível brincar... e no brincar se constrói a brincadeira: análises do documento Brinca Curitiba sobre cenários do brincar

PID: S1981-416x2025000301484 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Garanhani Nadolny Paula
Resumo O presente estudo analisa cenários do brincar na escola da criança, publicados no documento BRINCA CURITIBA (Curitiba, 2016). Esse documento é o relatório de um projeto de pesquisa do Departamento de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, que se organizou como caderno formação de professores, para compreensão do direito ao brincar como eixo central das práticas pedagógicas. Os cenários do brincar analisados, numa pesquisa documental, mostraram como as interações criança- criança e criança-adulto, bem como as interações com os espaços escolares, constituem o brincar e caracterizam a brincadeira por meio da fantasia e dos desafios. Assim, com a compreensão de que o brincar é uma forma de interação com o mundo e, entrelaçada com o brinquedo, produz brincadeiras, concluímos: os cenários do brincar são lugares que promovem interações e a reprodução interpretativa do contexto em que a criança vive, por meio da produção de cenas. E estas cenas caracterizam-se em brincadeiras que poderão ser compreendidas como narrativas do corpo criança. Assim, cenários do brincar poderão se constituir fundamento pedagógico da Educação Infantil.

O Ensino Médio e suas incertezas: Representações Sociais e a construção de Projetos de Vida

PID: S1981-416x2025000100123 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Ferreira Silva
Resumo Este artigo relata uma investigação com 113 estudantes do Ensino Médio de cinco escolas públicas paulistas, buscando analisar as Representações Sociais (RS) relacionadas ao componente obrigatório “Projeto” de Vida. A pesquisa investigou como esses jovens se veem no presente e projetam suas expectativas para um futuro demarcado em 5 e 10 anos. A fundamentação teórica integrou a Teoria das Representações Sociais (TRS) com estudos sobre Imagem. A metodologia de triangulação de Apostolidis (2006) foi adotada, utilizando-se o desenho (método Panofsky), as palavras (Técnica de Associação Livre de Palavras) e os textos (software IRAMUTEQ) como técnicas de análise e coleta de dados. Os resultados revelaram referências simbólicas nas quais o “Dinheiro” representa estabilidade e conforto; o “Trabalho” é associado à autonomia e à independência; o “Sucesso” simboliza o equilíbrio entre várias áreas da vida; e a “Faculdade” é percebida como um investimento para um futuro promissor. Entretanto, os dados também revelam que essas aspirações carecem de reflexões contínuas e propostas de ações intencionais para sua concretização, criando uma falsa ilusão de um salto direto entre o presente e o futuro, como se os próximos 5 ou 10 anos pudessem ser projetados sem uma formação que possibilite a conscientização dos processos necessários para alcançar o que se deseja.

O Novo Ensino Médio e a doutrinação ultraliberal nas escolas públicas paranaenses

PID: S1981-416x2025000100241 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Silva Junior Orso
Resumo Nas últimas décadas, os professores, principalmente das escolas e universidades públicas, têm sido desrespeitados e perseguidos, acusados de fazerem doutrinação político-ideológica em sala de aula. Um dos movimentos que se destacou nessa cruzada, na defesa da neutralidade na educação, foi o Escola sem Partido. Diante dessa problemática, o presente artigo tem como objetivo demonstrar que a alegada neutralidade na educação não é possível, uma vez que se trata de um processo intencional e que a escola historicamente tem sido um dos principais meios de disseminação das ideias dominantes, com o objetivo de manter a dominação de classe. Para esse fim, o artigo analisa os conteúdos de algumas aulas do componente curricular denominado Projeto de Vida, do 3º ano do Novo Ensino Médio, produzidas pela Seed/PR, com o objetivo de explicitar o conteúdo ideológico dessas aulas, que visam conformar a juventude às novas exigências do mercado de trabalho e ao ideário ultraliberal do individualismo exacerbado, da competição e do empreendedorismo de si mesmo.
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