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Interpretações de Nestor dos Santos Lima sobre a docência em instituições profissionais brasileiras e argentinas (1923)

PID: S1981-416x2021000401675 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Amorim Nascimento Pires
Resumo O presente artigo busca analisar interpretações, produzidas pelo dirigente educacional norte-rio-grandense Nestor dos Santos Lima, sobre a docência em instituições de educação. Comissionado oficialmente no ano de 1923 para observar espaços educacionais em estados brasileiros e na região do Rio da Prata, produziu um minucioso registro contendo dados e impressões acerca dos espaços visitados e que permitem perspectivar as relações entre os saberes e práticas que orientavam a docência desenvolvida no Brasil e na Argentina no respectivo período. Esta investigação centra-se, portanto, no conhecimento das ideias e práticas que circularam internacionalmente a partir da intersecção entre os países analisados. Em termos teórico-metodológicos, fundamenta-se na História Cultural e nos elementos da História Comparada, bem como na História da Educação Profissional, numa perspectiva transnacional. Dessa forma, são interlocutores Ciavatta (2007; 2009), Cunha (2005), Chartier (1990), Catani (2007), Roldán Vera e Fuchs (2021), Riondet, Hofstetter e Go (2018), dentre outros. A análise do relatório ressalta o contato do dirigente com a Associação Brasileira de Educação e demais sujeitos que circulavam no país. No tocante à educação para o trabalho, destaca-se a crescente procura por qualificação em um ofício com a aquisição do conhecimento prático, conferindo uma visão técnica e artística. Nesse sentido, as visitas comissionadas buscaram imprimir cientificidade e significação social às formações para o progresso técnico nas oficinas e nas indústrias nacionais.

Investigação matemática e educação financeira: manifestações de aprendizagem em um curso de licenciatura

PID: S1981-416x2021000100487 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Franzoni Quartieri
Resumo Este artigo caracteriza-se como pesquisa qualitativa e tem como objetivo investigar a aprendizagem e principais dificuldades dos licenciandos em matemática de uma universidade no estado do Rio Grande do Sul, com relação a tarefas investigativas de educação financeira, a partir de questionário metacognitivo. A metacognição está relacionada à consciência do indivíduo sobre a sua própria aprendizagem. Os dados produzidos foram analisados mediante a análise textual discursiva, surgindo duas categorias: a) Manifestações de aprendizagem e; b) Análise das dificuldades durante a resolução da tarefa. Por meio deste estudo, conclui-se que a maioria dos alunos envolvidos na pesquisa aprenderam educação financeira a partir da resolução das tarefas investigativas, análise das dificuldades e discussões com a turma. As principais dificuldades encontradas estão relacionadas à falta de conhecimento de economia; insegurança na formulação de conjecturas e generalizações, em função da dependência da utilização de formulários; ausência de prática na resolução de problemas de caráter aberto. Os pequenos grupos quando compararam seus resultados, no momento da socialização para o grande grupo, perceberam que poderiam ter escolhido outros caminhos ou que algum fator importante, que poderia ter feito parte da análise, não tinha sido considerado, o que possibilitou diversas reflexões, fortalecendo o aprendizado e o desenvolvimento do espírito crítico e colaborativo.

Irmã Elisabeth Silveira e a educação feminina no Colégio da Imaculada Conceição, Fortaleza-CE

PID: S1981-416x2021000100291 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Fialho Sousa
Resumo O estudo trata da educação de mulheres em meados do século XX, mais especificamente daquelas provenientes da elite cearense. O objetivo foi compreender, a partir da biografia da irmã Elisabeth Silveira, a educação que lhe foi conferida e a sua atuação docente, o que lhe ensejou destaque social na formação feminina no período de 1943 a 1968. Amparou-se teoricamente na história cultural para realizar uma pesquisa do tipo biográfico que adotou a História Oral como metodologia. A coleta de dados ocorreu mediante entrevistas livres desenvolvidas com duas ex-alunas, duas amigas e uma sobrinha da biografada, entrecruzadas com fontes documentais - jornais e livro de homenagem. Os resultados mostraram que Elisabeth Silveira foi uma mulher que gozou de trajetória formativa privilegiada, por morar na capital cearense e poder frequentar o prestigiado Colégio da Imaculada Conceição, onde concluiu o Curso Normal. Posteriormente tornou-se freira e passou a atuar como professora na referida instituição. Suas práticas educativas para a formação feminina eram pautadas na religiosidade, no ensino tradicional e na valorização do disciplinamento. O objetivo era educar moças de poder aquisitivo diferenciado, mediante escolarização, para que se tornassem comportadas, obedientes, religiosas, caridosas, recatadas e prendadas suficientemente para conseguirem casamentos, preferencialmente com homens provenientes de famílias bem-sucedidas financeiramente, com algum prestígio social.

Memória e história: atravessamentos com a arte e a educação

PID: S1981-416x2021000200716 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Dahmer Barin
Resumo A história e a memória são os campos de articulação deste artigo, tendo como arranjo as possibilidades entre a arte e os espaços museológicos. Abordam-se as noções de história junto a Deleuze (2013) e Didi-Huberman (2013, 2015), propondo que sua constituição possa também se dar pelo que afeta e atravessa o presente, assim como a noção de memória e tempo como duração a partir de Bergson (2005). Apresentam-se recortes de experimentações com imagens da história da arte nos espaços educativos, assim como articulações com a memória e os espaços expositivos, visando algumas alianças entre arte e educação. Como método elenca-se a cartografia como modo de apresentar os atravessamentos entre memória e história, para tornar potente os percursos de uma pesquisa, do que afeta o/a pesquisador/a neste processo. Aponta-se como resultado que a abordagem da história e da memória a partir da sua articulação com o presente se dá como campo possível para a produção do conhecimento em arte e educação.

Memórias e narrativas dos estudantes da educação do campo mediadas pelo caderno da realidade

PID: S1981-416x2021000301072 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Gerke Guimarães
Resumo Este texto nasce no seio das experiências formativas empreendidas na Licenciatura em Educação do Campo, da Universidade Federal do Espírito Santo, no campus de Goiabeiras/Vitória, ES. Tem como objetivo dialogar com as memórias e narrativas dos sujeitos em formação, registradas nos Cadernos da Realidade, buscando à luz destas conhecer, reconhecer e compreender os processos enredados. Investiga como o uso desses cadernos tem potencializado as aprendizagens construídas nos territórios formativos do tempo universidade e do tempo comunidade. Fundamenta-se nos estudos de Walter Benjamin (1996), em especial nas discussões sobre experiência, e produz interlocuções teóricas com autores que caminham com o Movimento Nacional da Educação do Campo e a Formação por Alternância. Como perspectiva metodológica, analisa narrativas e memórias registradas nos Cadernos da Realidade a partir das discussões de Josso (2004) e Bertaux (2010). Compreende que os Cadernos podem ser empregados como mediações didático-pedagógicas da formação por alternância, capazes de propulsarem o pensar reflexivo e problematizador da inserção comunitária dos estudantes, do desenvolvimento profissional docente no campo e, ainda, da própria trajetória dos sujeitos na licenciatura em Educação do Campo.

Mulheres com deficiência na Educação Superior: afirmação de direitos e processos de autonomia

PID: S1981-416x2021000100210 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Torres Costas
Resumo Na última década houve uma ampliação de acesso aos espaços institucionais e garantia de direitos para pessoas com deficiência através da criação de políticas afirmativas em paralelo com uma forte mobilização do movimento das mulheres na reivindicação por direitos. Diante dessas mudanças sociais e políticas inclusivas e afirmativas buscamos observar as trajetórias de mulheres com deficiência na Educação Superior com o objetivo de investigar como essa modalidade possibilita processos de autonomia de mulheres com deficiência nos aspectos sociais, culturais e políticos. Como metodologia desenvolveu-se uma pesquisa exploratória de acordo com Gil (2010) na Universidade Federal de Santa Maria. A análise dos dados se deu mediante categorização dos temas, conforme Bardin (2002). As categorias trabalhadas a partir das trajetórias referem-se a: família; mudanças; experiências e aprendizagens. Como resultados refletimos acerca das possibilidades da criação de processos de autonomia dessas mulheres considerando que tais processos estão atrelados a determinantes como raça e classe social. Evidencia-se ainda a necessidade da afirmação de direitos como possibilidade de deslocar mulheres com deficiência de uma condição de dependência e falta, para compreendê-las como possuidoras de outras formas de ser e agir no mundo.

Museu dos Dinossauros: perspectivas da museologia social sob lentes e vozes da comunidade do entorno

PID: S1981-416x2021000200564 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Silva Colombo Junior
Resumo Empreender uma pesquisa que aborde os temas museu e comunidade requer relacionar segmentos que são próximos, coexistem e se enriquecem mutuamente, contudo, na maioria das vezes, são percebidos e tratados de forma isolada. Esta pesquisa buscou investigar os olhares e as vozes que ecoam sobre o Museu dos Dinossauros, em Uberaba, Minas Gerais, a partir de sua comunidade do entorno. As discussões são apoiadas pela museologia social, em que se reconhece a importância da aproximação dos caminhos museológicos ao compartilhar território, diálogo, valorização e direito a memória de diferentes saberes. A pesquisa é de natureza qualitativa, apoiada nos construtos teóricos da história oral, sendo os dados organizados a partir do delineamento de duas dimensões: vertente sociocultural e o reviver memórias e, sentimento de (in)(ex)clusão e o empoderamento participativo. Dentre os resultados, destacamos a importância de vislumbrar a relação entre o museu e sua comunidade local, uma vez que os laços de pertencimento e de compartilhar território colocaram-se como essenciais para uma participação democrática do cidadão na sociedade. Sobre esse aspecto, destacamos a riqueza das histórias narradas pelas pessoas que participaram da construção do Museu dos Dinossauros, as quais lutam para não ficarem invisíveis ao espaço territorial do museu e a sua história.

Narrativas de professores ribeirinhos: tensões, fragilidades e desafios

PID: S1981-416x2021000301169 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Almeida Bassalo
Resumo No contexto educacional amazônico ribeirinho, chama atenção a atuação das professoras e dos professores diante das condições e peculiaridades que atravessam seu cotidiano de trabalho pedagógico. Se fazem presentes as dimensões atitudinais e éticas uma vez que a experiência da docência se constrói lado a lado com os e as estudantes numa tessitura de sentidos subjetivos sobre a escola, sobre o ato de ensinar, sobre as responsabilidades educativas de cada um dos envolvidos nesse processo. O artigo apresenta, a partir de narrativas de professores ribeirinhos, a discussão de um dos aspectos mais objetivos, mas não tão claros da atividade pedagógica: as percepções sobre os e as estudantes e os modos de lidar com os desafios que lhes são impostos e que atravessam o fazer docente. A pesquisa orientou-se pela abordagem qualitativa, reunindo narrativas de três professores/as da rede pública de ensino em municípios ribeirinhos do Estado do Pará. A análise foi realizada tendo em vista os pressupostos da análise de narrativa segundo Fritz Schütze (2013). Os resultados de análise das narrativas apontam para a premência da circulação de significados tradicionais acerca da formação e papel da família, frustrações com a falta de condições objetivas para a realização do trabalho docente, fragilidade da formação dos professores para entender e lidar com a precariedade que marcam a trajetória de vida dos estudantes.

Negar a leitura literária hoje pra conter a organização política amanhã: formação estética para quem?

PID: S1981-416x2021000100409 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Chaves Koehler
Resumo Este ensaio discute pressupostos psicológicos e filosóficos para a formação estética da criança na experiência com a leitura de literatura. Nesse viés, problematiza brevemente políticas de acesso à leitura promovidas pelo Ministério da Educação; trata da imaginação e da criatividade, na perspectiva vygotskyana, como atividade humana determinada pela cultura e pela linguagem; e dos conceitos de imagem dialética e de mímesis, sob a perspectiva de Walter Benjamin, concebendo a leitura literária contrária à instrução de conteúdo moral, informativo, de simples divertimento, de caráter didático para o ensino da língua ou, ainda, de interpretação livre e espontânea por parte da criança. Esse esforço empenhado se justifica pela necessidade de que seja ainda discutida a dimensão estética da leitura literária infantil como um caminho para que as crianças acessem seus sentimentos mais conflitantes, extrapolem fronteiras de condutas padronizadas, participem da cultura, atribuam sentidos ao vivenciado, desenvolvam a atividade criadora e conciliem maneiras de se relacionar com o mundo. Isso está estreitamente vinculado a uma perspectiva de formação que não se ajusta à moral do trabalho - que propõe ideias conciliadoras, pragmáticas e utilitárias que promovem a contenção política -, mas à necessidade de formar-se, de modo mais pleno possível, como um sujeito do conhecimento histórico desde a infância.

No entrecruzar da História, Patrimônio e Educação Étnico-Racial - Uma experiência decolonial possível na Educação de São José

PID: S1981-416x2021000200768 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Silva Pontes Paim
Resumo O presente artigo relata e teoriza uma experiência de ensino desenvolvida por duas professoras de História no ensino fundamental da rede municipal de ensino em São José, na Grande Florianópolis, Estado de Santa Catarina. Consistiu em um projeto pedagógico desenvolvido no entrecruzar dos campos da História, do Patrimônio e da Educação Étnico-Racial. O objetivo foi visibilizar a presença da população afro-brasileira e africana no município. Metodologicamente, realizamos estudo e problematização dos patrimônios oficiais, das memórias de sujeitos negros evidenciando as colonialidades e silenciamentos sobre eles na História do município. Percebemos as relações de poder e colonialidade nas políticas públicas de preservação de memórias e patrimônios. A experiência evidenciou que o ensino de outras Histórias é possível ao propormos metodologias e temáticas curriculares capazes de transgredir com as colonialidades dos conteúdos históricos pré-definidos na proposta curricular municipal. Destacamos o envolvimento dos estudantes com as atividades, um misto de encantamento e surpresa por não conhecerem os espaços, as gentes e os patrimônios da cidade que habitam.

O Atendimento Educacional Especializado para Altas Habilidades/Superdotação: das políticas à prática

PID: S1981-416x2021000401885 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Szymanski Vieira
Resumo O Atendimento Educacional Especializado para Altas Habilidades/Superdotação em Sala de Recursos Multifuncional e em sala de aula regular aos sujeitos que apresentam indicativos de Altas Habilidades/Superdotação é direito garantido por leis federais e estaduais. Assim, nesta pesquisa qualitativa e de campo indaga-se, frente às políticas públicas vigentes para a Educação Especial, quais as condições históricas e pedagógicas do Atendimento Educacional Especializado nas Salas de Recursos Multifuncionais para Altas Habilidades/Superdotação. Para resgatar a história, no Núcleo Regional de Educação de Cascavel, entrevistaram-se diretores e professores que iniciaram ou mantêm esse trabalho, e aplicaram-se questionários aos pais e alunos de uma Sala de Recursos Multifuncional, utilizando a Análise de Conteúdo para reflexão sobre os dados coletados. Os resultados revelaram dificuldades na identificação destes sujeitos. Aspectos como a precariedade na formação docente inicial e continuada, bem como a fragilidade nos critérios para a contratação de profissionais preparados e a falta de investimento estatal nas Salas de Recursos Multifuncionais, obstaculizam a continuidade no trabalho. É de suma importância que a Universidade amplie o trabalho conjunto com a Educação Básica e contribua com pesquisas e trabalhos de extensão junto à comunidade, também na área de Altas Habilidades/Superdotação. Entende-se que a escola tem o compromisso de propiciar a todos seus alunos o máximo desenvolvimento, além de uma leitura de mundo que lhes possibilite inserirem-se e contribuírem socialmente promovendo transformações visando uma sociedade mais justa e menos excludente.

O Museu como memórias plurais e resistência cultural no Ensino de História

PID: S1981-416x2021000200591 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Mello Jesus
Resumo A visão dos museus como um espaço que, junto com as escolas, proporciona a educação tem pautado as discussões e o desenvolvimento de teorias e práticas dentro da Museologia e da Educação. Destaca-se o papel do historiador e do museólogo no gerenciamento dessas memórias, identidades e histórias para a compreensão do museu como um espaço para discussão e provocação de leituras outras que passam pelas formas de resistência cultural. O século XXI tem sido marcado pelo rápido acesso à informação, impulsionado pelo desenvolvimento da internet, o que permite não apenas aos usuários, mas também aos geradores de informação, como os museus, lançar um novo olhar para autores e teorias que suscitam as práticas dentro e fora dos museus. A construção da discussão do artigo teve por metodologia a pesquisa qualitativa, como forma de compreender o universo pesquisado e, por método, baseou-se no descritivo-analítico, para interpretação das fontes levantadas e dos fenômenos discutidos. Conclui-se que é necessária uma maior abertura nas discussões que levem em questão as particularidades locais e regionais nas construções de arcabouços teóricos e sua aplicação prática em museus e formas de colaboração com espaços educacionais, como as escolas e seus professores.

O corpo da deficiência sob o olhar docente no Atendimento Educacional Especializado

PID: S1981-416x2021000301295 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Barbosa Sardagna
Resumo Este artigo compõe-se do recorte de uma pesquisa que discute sobre o olhar docente no Atendimento Educacional Especializado (AEE) e as expectativas em relação aos estudantes, problematizando como professores desse serviço de apoio criam/inventam estratégias pedagógicas que incidem no corpo e nas condutas dos estudantes com deficiência, em escolas da Região Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Objetivou-se compreender e analisar governamentos engendrados nas práticas que incidem sobre os estudantes nos atendimentos em espaços denominados Salas de Recursos Multifuncionais. Buscou-se inspiração em noções foucaultianas da análise do discurso, como jogos estratégicos, sob a grade de inteligibilidade da governamentalidade enquanto arte de governar as condutas e os modos de agir socialmente, no contexto da biopolítica. O exercício analítico permitiu a organização dos resultados em eixos temáticos, quais sejam: i) Saberes especializados: o (bio)poder da medicina e da psicologia na educação; ii) As verdades sobre a família: o desencaixe em relação às expectativas do especialista; iii) A deficiência: a distinção entre normal e anormal como marcador do corpo. Conclui-se que o AEE é um campo de disputa de poderes e saberes diversos que produzem desejos e vontades, e inventam verdades que transformam os sujeitos com deficiência em um corpo teórico - um corpo imaginário, manipulável e superador contumaz.

O dilema da autoridade educacional num mundo “fora dos eixos”

PID: S1981-416x2021000200821 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Petry Cenci
Resumo No presente artigo, apresentamos uma reflexão acerca do dilema da autoridade educacional que se estruturou num mundo “fora dos eixos”. Tal mundo, apesar disso, exige a autoridade docente para introduzir os “recém-chegados”, porque a essência da educação é a “natalidade”, isto é, o fato de os seres humanos nascerem no mundo. Porém, a crise da Modernidade é caracterizada pelo fim da Tradição e da autoridade e o problema da educação é não poder abrir mão de ambas. Assim, o problema reside no fundamento da autoridade educacional num contexto em que a autoridade chegou ao fim. O dilema se complexifica, pois a autoridade é confundida com o “autoritarismo”, oriundo das experiências totalitárias, as quais exigiam ou estimularam uma “obediência cega” por meio da violência e do terror (Arendt) e com as formas destrutivas de autoridade, como o paternalismo e a autonomia (Sennett). Argumentamos que a autoridade deve ser fundamentada na responsabilidade dos adultos pela criança e pela continuidade do mundo. Ademais, defendemos não haver educação sem transmissão, do mesmo modo que não há educação sem autoridade. A educação é uma relação geracional em que adultos introduzem os “novos” e lhes permitem experimentar o mundo e a si mesmos como novidade.

O exame de admissão ao ensino superior como indicador de qualidade entre os estudantes

PID: S1981-416x2021000401839 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Collinson Barbosa Ribáuè
Resumo O uso de avaliações, testes e exames remonta a vários séculos antes da nossa era, sendo um mecanismo ou instrumento com diversas aplicações, quer no contexto educacional, quer no contexto mais amplo da vida em sociedade. Especificamente, no que se refere ao ensino superior, a importância atribuída aos exames, em especial de admissão ao ensino superior, é enquadrada no contexto das funções desempenhadas pelos exames, de forma geral, mas em particular, pela percepção de qualidade que daí advém. A literatura disponível e consultada para o efeito, bem como os resultados de um inquérito realizado a uma amostra de estudantes do ensino superior, em específico da Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, ilustra que os estudantes têm uma percepção de qualidade do ensino superior, resultante do mecanismo de ingresso usado, neste caso o exame de admissão à que foram sujeitos. Com efeito, conclue-se também que a validade do instrumento, proveniente da concepção correcta dos exames, é um indicador de qualidade do futuro graduado.

O relato de si e a escuta do Outro - violência e responsabilidade nas narrativas docentes

PID: S1981-416x2021000301019 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Barros Alves
Resumo Nosso artigo surge das reflexões sobre as implicações éticas da escuta dos relatos de si de professoras durante as pesquisas dos cotidianos. Ao pesquisar o que fazemos? Pesquisar é escarafunchar a alma alheia? Os sentidos do discurso? É uma atribuição de sentido para além da própria existência do objeto ou sujeito? A pesquisa poderia ser especialmente baseada na escuta e não no que se discorre acerca do escutado? Esse exercício se dá no contexto de execução de grupos de estudo bimestrais com professoras de uma escola municipal de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Temos como disparadores a leitura: literária ou antropológica e é ela que nos comove e dá comoção (trabalho de campo). Em lugar de interpelar as professoras através dos discursos da resistência e enfrentamento, traçamos um expediente de compreensão quando atravessamos muitos dos limiares presentes nos modos de abordar as falas docentes e interrogar os limites dos epistêmicos e políticos pertencentes aos paradigmas informados pelo patriarcado. Nossa pesquisa passa por assumir nossa abertura incondicional e o que nela podemos perceber durante o exercício da escuta de outras profissionais de fé: as professoras da escola. E este artigo é o fruto dessa expansão. Um dos resultados não pressupostos da experiência de escuta. Escutamos e não ensinamos algo objetivo que vá mudar a ação docente de forma que possamos medir, qualificar, quantificar, etc. Nos modificamos mutuamente, em alguma medida não medida, ao tentar nos abrir eticamente ao Outro.

O trabalhador estudante em um curso de bacharelado e licenciatura em enfermagem: trajetórias e desafios

PID: S1981-416x2021000100435 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Prebill Corrêa
Resumoc Nas últimas décadas, tem havido um processo de expansão do ensino superior no Brasil, considerando políticas internacionais e nacionais. A área da enfermagem insere-se também nesse processo, com expansão de vagas, principalmente em cursos noturnos em instituições de ensino superior (IES) privadas. Nesse contexto, faz-se presente a possibilidade de inserção de trabalhadores nas IES. O estudo teve como objetivo compreender a trajetória do trabalhador estudante no curso de Bacharelado e Licenciatura em Enfermagem de uma instituição de ensino superior pública. Tratou-se de estudo qualitativo, descritivo-exploratório, que utilizou entrevista semiestruturada como técnica de coleta de dados e análise temática de conteúdo para análise dos mesmos. Envolveu trabalhadores estudantes egressos que ingressaram no curso entre os anos de 2006 e 2013. Os trabalhadores estudantes entrevistados eram, na maioria, auxiliares/técnicos em enfermagem e vislumbraram a possibilidade de conciliar trabalho e estudo ao ingressar no curso. A trajetória prévia na educação básica pública se apresentou como fator limitador para a continuação dos estudos em nível superior. A procura pelo curso relacionou-se a uma possibilidade de inserção rápida ou permanência no mercado de trabalho. Algumas vivências dos trabalhadores estudantes envolveram o não reconhecimento do direito da sua inserção, como trabalhador no curso. Os participantes valorizaram a trajetória individualizada, estando em consonância com a lógica neoliberal. Os resultados obtidos podem subsidiar reflexões sobre a forma como a inserção de trabalhadores no ensino superior tem sido compreendida nos espaços de formação docente e de tomada de decisões institucionais.

Patrimônio cultural e história das mulheres: reflexões e possibilidades didáticas

PID: S1981-416x2021000200696 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Zarbato
Resumo Esse artigo pretende apresentar a contribuição epistemológica do patrimônio cultural, da História das Mulheres na história ensinada. Para tanto, apresenta-se a fundamentação teórica e metodológica desenvolvida na pesquisa sobre Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais e ensino de história em Mato Grosso do Sul (2018-2020). As perspectivas teóricas fundamentaram-se nas dimensões sobre a História das Mulheres, educação histórica e patrimônio cultural feminino. No âmbito da análise aqui apresentada, concebe-se que a história ensinada pode envolver as possibilidades e perspectivas didáticas com o uso de fontes históricas (museus, centros históricos, etc.). Metodologicamente utilizam-se os planejamentos de aulas e as utilizações de temas relacionados ao patrimônio no âmbito feminino em museus, realizados de 2019 a 2020, promovidos nas ações do grupo de pesquisa (Ensino de história, mulheres e patrimônio). Entre os resultados, tem-se a produção de materiais didáticos, assim como as propostas de aulas oficinas, as quais versaram sobre os diálogos e possibilidades relativas ao patrimônio feminino.

Pedagogias de (re)existência: narrativas da docência na educação profissional técnica com/na diversidade

PID: S1981-416x2021000401653 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Menezes
Resumo O artigo discute como professores/as vêm construindo pedagogias que insurgem como modos de (re)existência (WALSH, 2013) ao silenciamento de sujeitos da diversidade e da ausência de políticas de integração com a comunidade. Aponta no debate como a diversidade se constitui enquanto campo de disputa e de luta por direitos e como isso reverbera no cenário educacional e tensiona os/as docentes a atuarem em direção às demandas advindas desse contexto. O trabalho resulta de uma pesquisa que cartografou a profissão docente na educação profissional técnica a partir de experiências educativas com/na diversidade. Produzido em dois campi do Instituto Federal da Bahia, inscreve-se como pesquisa narrativa, tendo como dispositivos as rodas de conversa e as cartas pedagógicas, como espaços narrativos que propiciaram revelar as interpretações de uma realidade, mapeada pelas experiências e pelos modos como os sujeitos que nela habitam dão significados aos acontecimentos e como estes reverberam na profissão docente. A cartografia produzida revela como experiências educativas com a diversidade colocam os/as docentes na condição de escuta, de compreensão sobre como seus/suas estudantes vivem e enfrentam situações de discriminação e preconceito. Ainda revelam como em suas práticas de (re)existência favorecem a integração com a comunidade ou promovem na escola a cultura que dela emerge e geram construção de relações mais horizontais tendo-os/as como atores/atrizes, copartícipes e corresponsáveis pelo processo de ensino-aprendizagem.

Pedagogos em formação: revisão sistemática das trajetórias formativas, identidades, letramento e perfil midiático

PID: S1981-416x2021000301114 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2021
Autores: Arndt Cruz
Resumo A identidade midiática do pedagogo em formação sofre influência direta da trajetória formativa e da representação social que estes sujeitos têm sobre a profissão escolhida e na relação com as mídias em seu cotidiano. A partir dessa hipótese, o presente trabalho integra uma pesquisa de doutorado em andamento que tem por objetivo verificar e analisar o perfil midiático do pedagogo em formação, numa possível articulação da constituição deste perfil com sua trajetória formativa e com a representação social que estes sujeitos têm sobre a profissão do pedagogo. O propósito deste trabalho é apresentar um retrato temporal de pesquisas já realizadas sobre trajetórias formativas, representação social, identidades, letramento e perfil midiático, evidenciando desde o detalhamento do percurso metodológico até os resultados encontrados. A metodologia usada foi a revisão sistemática e o recorte temporal foi de 10 anos (2010 a 2020), que culminou na análise atenta de 75 trabalhos, resultantes de pesquisas acadêmicas da área da educação. O resultado evidenciou a relevância de pesquisas sobre identidades e sua interface com trajetória formativa, principalmente quando os sujeitos são pedagogos em formação. Discutir sobre identidade midiática dos pedagogos requer levar em consideração a sua relação com as mídias, como estas estiveram presentes em sua trajetória formativa e como essa relação contribuiu na constituição da sua identidade.
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