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Dilemas (in)visíveis da formação para a docência nas licenciaturas

PID: S1981-416x2020000200509 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Araújo Fortunato Castro
Resumo Este artigo trata de examinar alguns dilemas (in)visíveis à formação para a docência em licenciaturas, tais como: baixa adesão de estudantes e egressos à carreira docente; a formação para a docência nos cursos de licenciatura concebida e realizada, muitas vezes, como uma atividade secundária; e, por fim, a formação inicial dos professores nos cursos de licenciatura centrada, amiúde, na ação docente “individual” em detrimento de um contexto de trabalho coletivo. Por meio de um exame dialógico, nosso objetivo é problematizar o caráter dos cursos de licenciatura como espaços para a formação docente. Ao final, conclui-se que a formação para a docência exige uma fase da mobilização dos estudantes para a formação e a profissão docente.

Diálogo, contextualização do saber e autonomia em Paulo Freire e a semipresencialidade na Educação Superior

PID: S1981-416x2020000301436 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Bertolin Bohrz
Resumo Ao idealizar a libertação dos indivíduos das amarras da opressão do ensino tradicional, a educação problematizadora de Paulo Freire propõe o ato pedagógico ancorado no tripé educador-educando-objeto do conhecimento, no qual o educador não é mais visto apenas como o mediador dos saberes, uma vez que o objeto de conhecimento é transformado pelo educando. Desse modo, educadores e educandos são sujeitos estratégicos do processo educacional, que buscam por meio do diálogo, da reflexão e da inserção crítica da realidade a transformação do seu contexto, tornando, assim, a educação um processo permanente e emancipatório. Nesse sentido, tais saberes da pedagogia freireana tornam-se necessários na Educação a Distância a fim de que nela se possa também produzir uma educação libertadora. Com base nesses princípios teóricos e metodológicos de educação, esta pesquisa investiga a presença das evidências freireanas referentes ao diálogo, à autonomia e à contextualização do saber nas práticas educacionais de disciplinas semipresenciais em uma instituição de ensino superior. A fim de atender a esse objetivo, realizou-se uma revisão de literatura, relacionada à teoria de Freire e a Educação a Distância; a seleção da amostra; a aplicação de instrumentos para identificação das categorias freireanas em disciplinas semipresenciais, do tipo de observação sistemática/não participante, os quais permitem a abordagem dos conceitos nas atividades coletivas e individuais da plataforma Moodle; e a análise das evidências encontradas a fim de que se possa averiguar a importância da teoria freireana para a compreensão e a prática bem-sucedida da EaD. Apesar de evidenciar os conceitos freireanos na semipresencialidade, este trabalho permitiu observar algumas dificuldades em relação à escolha e ao desenvolvimento das atividades propostas pelos docentes, participantes da amostra, do que se conclui que a concretização do diálogo, da autonomia e da contextualização do saber nas práticas educacionais não ocorreu de forma plena e que a modificação do ensino presencial, por meio do uso da modalidade semipresencial e das Tecnologias da Informação e Comunicação, exige um novo olhar, planejamento e inovação dos sujeitos envolvidos no processo educacional.

Diálogo: desafios da docência diante do papel social da universidade

PID: S1981-416x2020000200558 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Ribeiro Sales
Resumo Este estudo apresenta resultados de uma pesquisa qualitativa, realizada em 2019, que teve como objetivo compreender, diante da função social da universidade, os desafios referentes à aprendizagem no exercício da docência, na visão de treze professores da educação superior. No processo de produção dos dados, usamos um questionário composto por três questões abertas. Para a análise dos dados, utilizamos alguns pressupostos da Análise de Conteúdo. As conclusões apontam que a universidade deve primar pela formação integral dos estudantes, de modo a possibilitar que esses interfiram na sua realidade, propondo soluções para seus problemas. O papel social mais importante da universidade é a socialização do saber, particularmente aos grupos marginalizados socialmente. Assim, a docência exige do professor universitário inúmeros saberes, dentre os quais aqueles relacionados aos aspectos pedagógicos e didáticos: como lidar com as novas tecnologias da informação; lidar com os conflitos pessoais, principalmente entre colegas; compreender o processo de aprendizagem dos estudantes e como motivá-los, ficando evidente que a docência é uma profissão complexa para a qual se torna necessário uma formação específica e processos institucionais de desenvolvimento profissional desses sujeitos.

Documento autobiográfico: costuras estéticas nos processos narrativos da prática docente

PID: S1981-416x2020000301255 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Rosito Souza
Resumo Este artigo tem como objeto de estudo a tomada de consciência estética das experiências subjetivas para constituição da identidade docente. Tem como objetivo compreender o sentido da dimensão estética nas narrativas autobiográficas dos discentes que participaram do dispositivo “Colcha de Retalhos” na disciplina “Organização do trabalho docente”, no primeiro semestre de 2018, do curso de Pedagogia, de uma Universidade privada, localizada na zona leste da cidade de São Paulo. Adota-se o conceito de estética de Schiller (2002), entre sensível e a razão; de Adorno (2002), o de emancipação; de Josso (2006), narrativas autobiográficas; e de Freire (2013), o de autonomia, considerando a articulação entre consciência estética e consciência epistemológica. Neste estudo, compreende-se o dispositivo “Colcha de Retalhos”, como metodologia e epistemologia de formação e investigação. A interpretação das narrativas, sob o enfoque hermenêutico, em Gadamer (2000), apresenta uma contribuição para a prática de formação estética dos professores, visando à percepção da constituição da identidade docente por meio das experiências subjetivas, através de narrativas de situações pessoais e escolares relacionadas diretamente ao gosto e desgosto que se constituem como núcleo fundante na constituição estética da prática docente.

Docência na educação superior: problematizadora e tecnocientífica

PID: S1981-416x2020000200580 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Veiga Silva
Resumo Este artigo objetiva compreender como dois professores constroem a docência em cursos de Medicina e Engenharia Civil de uma instituição de ensino superior do Distrito Federal. Tem-se como pressuposto que a atividade docente pode reforçar ou desconstruir a dicotomia entre formação técnico-profissional e formação para o exercício crítico, consciente e comprometido com a sociedade e suas demandas. Questiona-se: a) em que medida a aula constitui espaço-tempo de construção coletiva do conhecimento?; b) como docentes constroem processos formativos a partir da problematização e da articulação entre teoria científica e tecnologia como produção dos sujeitos?; c) quais elementos caracterizam a docência problematizadora e tecnocientífica humanística? A abordagem qualitativa orientou o estudo, sendo os dados levantados das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos (CNE/CES, nº 03, 2014 e BRASIL, CNE/CES, nº 04, 2002), dos projetos pedagógicos dos cursos, de observações de aulas e de questionários aplicados para caracterizar os participantes. A análise evidencia que: a) experiências pessoais, acadêmicas e profissionais dos professores contribuem para a constituição da docência; b) processos didáticos participativos de ensinar, aprender e pesquisar com o protagonismo dos alunos favorecem o tratamento do conhecimento por meio da problematização e da articulação entre ciência, técnica e formação humanística; c) as atividades docentes sustentam-se na construção de conhecimentos por meio de metodologias participativas e; d) a docência sustenta-se no diálogo, na contextualização e na construção coletiva do conteúdo, em arranjos diferenciados para o espaço-tempo da aula, na relação professor-aluno e no conhecimento do professor, sem desconsiderar os saberes e as experiências dos estudantes.

Docência universitária: um olhar sobre a constituição da profissionalidade docente de professores iniciantes

PID: S1981-416x2020000200911 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Santos Sordi
Resumo O artigo objetiva compreender o processo gradativo de constituição da profissionalidade docente de professores iniciantes de uma universidade pública estadual de São Paulo (Brasil), com base nas experiências de formação e atuação profissional vivenciadas no decorrer de suas trajetórias. O texto é oriundo de uma pesquisa predominantemente qualitativa, realizada entre os anos de 2016 e 2020, a partir do acompanhamento do trabalho de 10 professores, de diferentes áreas do conhecimento. Esse acompanhamento se deu essencialmente por meio da observação livre e intensiva de suas aulas durante um semestre letivo e da adoção de narrativas como possibilidade de reflexão e formação. Com base na análise dos dados produzidos, foi possível compreender que os professores iniciantes, conscientes ou não das suas microdecisões pedagógicas, constroem caminhos que possibilitam a constituição de uma profissionalidade docente universitária, a partir da gradativa apropriação e construção, no trabalho pedagógico, de conhecimentos específicos da docência. Tais percursos revelam o compromisso com a atividade de ensino, à medida em que se assume a responsabilidade com a formação dos estudantes, para além da dimensão cognitiva. Compreende-se que esses caminhos precisam ser apoiados, implicando a necessária responsabilidade institucional para com a formação do docente universitário. Sem dúvida, os espaços formativos precisam superar a compreensão técnica e instrumental da docência, assim como possibilitar a clareza quanto ao projeto de formação do estudante que se almeja. Desse modo, as instituições podem possibilitar a afirmação do processo de constituição de uma profissionalidade docente universitária, sobretudo quando consideram a reflexão, investigação e crítica como atitudes que sustentam o exercício profissional da docência.

Educação Infantil e Cidade Educadora: pelas representações do discurso documental e das narrativas

PID: S1981-416x2020000301205 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Donato Nagel
Resumo Este artigo focaliza a educação infantil na interface com a cidade educadora. Para tanto, buscou-se, neste estudo, analisar o discurso presente na Carta das Cidades Educadoras, produzido pela Associação Internacional das Cidades Educadoras (AICE) e sua relação com o da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Educação Infantil, e do Programa Linhas do Conhecimento da Secretaria Municipal da Educação de Curitiba-PR. O estudo encontra guarida na Teoria das Representações (MOSCOVICI, 2015; JODELET, 2001), em articulação com os estudos de Jodelet (2007), Souza (2011), Teibel e Andrade (2017) sobre análises textuais. A investigação relaciona a análise do discurso do documento “Carta das Cidades Educadoras” (AICE), a BNCC e do Programa Linhas do Conhecimento. O documento foi processado pelo software Iramuteq (RATINAUD, 2009), que permitiu a realização da análise de Classificação Hierárquica Descendente (CHD), favorecendo a identificação de diferentes classes no texto documento com o discurso da Base Nacional Comum Curricular da Educação Infantil e o Programa Linhas do Conhecimento. O resultado revelou que as proposições presentes nos documentos estão ancoradas em princípios enaltecidos no discurso da Carta das Cidades Educadoras. Evidenciou, ainda, o grande desafio para sensibilizar todos os habitantes da cidade para que seus olhares sejam voltados ao processo educacional que existe e acontece na cidade.

Educação Popular e Formação Docente: experiências de re-existência

PID: S1981-416x2020000200608 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Esteban Sampaio
Resumo O artigo discute, a partir de uma pesquisa exploratória, princípios da Educação Popular na Colômbia e no Brasil, presentes em experiências educacionais de formação docente e práticas escolares. Na atual conjuntura brasileira e latino-americana, em que professoras/es têm sido colocadas/os sob suspeita por exercerem a docência visando a formação integral e humana, mostram-se necessárias propostas baseadas na ética, no diálogo, e na participação, princípios da Educação Popular (movimento teoricoprático caracterizado pela ação com as classes populares) ao fortalecimento da formação e da ação docentes. Estes princípios orientam propostas de formação de professoras/es na universidade e suas práticas educativas em distintos contextos. O levantamento e conhecimento de diferentes propostas educativas nos países envolvidos, que desenvolvem práticas orientadas pelo referencial da Educação Popular, proporcionou o diálogo com espaços educativos, organizações e projetos diversos. Houve o contato com universidades, escolas, movimentos sociais e grupos, cujo trabalho tem buscado e criado propostas pedagógicas significativas. Construir uma educação pública e democrática para todas/os depende também de uma formação como prática política, que contribua para potencializar a ação docente em conexão e diálogo permanentes com distintos cenários e situações. Uma formação que seja ato de resistência e defesa da educação como prática de liberdade (FREIRE, 1989). A Educação Popular ressignifica a formação docente e a prática social dos sujeitos em formação - observar, atuar, vivenciar práticas educativas em diferentes contextos (escolares e não escolares) - de modo a problematizar experiências de fracasso e reprodução das desigualdades, ainda recorrentes para as classes populares, para transformá-las.

Educação popular e trabalhos autogestionários: iniciativas operando (re)arranjos em territórios vulneráveis

PID: S1981-416x2020000100014 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Boneti Belli
Resumo O presente artigo tem como objetivo analisar a educação popular como prática geradora de laços de convivência que potencializem ações comunitárias, transformando condições de vulnerabilidade em espaços ambientalmente sustentáveis. Metodologicamente, esse movimento de aprendizagem compartilhada, geradora de realizações, será analisado por meio da reconstituição do itinerário da Irmã Tereza Araújo e do CEFURIA. A abordagem se propõe desvelar e analisar os reposicionamentos desses atores em ambientes de aprendizagem geradores de problematizações sobre suas condições sociais em meio a mercados modelados por trocas emocionais, simbólicas, produtivas e financeiras. Compreender as posições e posicionamentos desses grupos com seus interlocutores possibilitou identificar suas parcerias junto a esferas institucionais, bem como analisar os (re)arranjos solidários como práticas pedagógicas, onde esquemas mentais foram formados através de repertórios provenientes de vivências, capazes de agregar transformações em microterritórios urbanos. Desses encontros surgiram comunidades de aprendizagem, visões diferentes chegaram a consensos, dos esforços individuais ocorreram convergências pela cooperação. Quando se instalou essa rede de interdependência, as contradições emergiram, eram proferidas em rodas de conversa, assim o senso crítico ganhava terreno ampliando as margens de luta por uma cidade mais inclusiva e democrática. No que se refere aos caminhos teóricos, adotaram-se no estudo Freire e Freire (2014), Polanyi (2000), Porto-Gonçalves (2006), Sen (2010) e Gadoti (1991). Assim, a Associação de Moradores Santo Inácio de Loyola e o CEFURIA possibilitaram examinar um conjunto de situações e sistemas de pensamento que substituíram resignação pela opção de reorganizar suas vidas.

Encontros e percursos de professoras militantes: Hildézia de Medeiros e Dodora Mota

PID: S1981-416x2020000401758 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Faria Martins
Resumo O artigo se propõe a analisar os trajetos de vida de Hildézia Alves de Medeiros e Maria das Dores Pereira Mota, com o objetivo de perscrutar seus processos de formação inicial, o encontro entre ambas e sua repercussão em seus caminhos. A temática abordada - trajetória e formação de docentes engajadas - propõe como questão a necessidade de conhecer essa dimensão da trajetória de mulheres professoras para compreender como se forjaram suas concepções e atuação em prol da educação pública, bem como se constitui como contribuição para pensar os dilemas atuais através de olhares sobre percursos formativos de professoras militantes. Importantes lideranças sindicais do SEPE, Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação, e professoras das Redes Públicas de Ensino no Estado do Rio de Janeiro, ambas tiveram atuação fundamental na luta pela democratização da educação pública. Considerando como perspectiva metodológica a história oral, foram utilizadas como fontes principais entrevistas realizadas no contexto de projetos e debates desenvolvidos por nosso laboratório de pesquisa, que vem coletando e sistematizando memórias no intuito de aprofundar estudos sobre trajetórias de docentes e lideranças sindicais do magistério do Estado do Rio de Janeiro. Revisitar as memórias e processos de formação e autoformação dessas mulheres, compreender sua atuação militante e sua opção de vida comprometida com a transformação social e a construção democrática, mesmo em tempos de ditadura civil-militar, contribui significativamente para pensar a superação dos desafios e retrocessos dos tempos pandêmicos atuais.

Enfoque holístico de la metodología de los Estilos de Aprendizaje en una institución educativa

PID: S1981-416x2020000100002 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Gil Alonso
Resumen En este trabajo pretendemos facilitar un enfoque holístico, completo y riguroso, sobre la Metodología de los Estilos de Aprendizaje en el que participe toda la Comunidad Educativa. Después de preguntarnos por qué la Metodología de los Estilos de Aprendizaje sigue sin incluirse en los curricula, tratamos de superar el individualismo investigador e innovador para integrarlo en una dinámica en la que participen todos los miembros de la Comunidad Educativa. Se propone una decisión y un compromiso del equipo directivo del Centro que asuma la oportunidad e interés de introducir la metodología de los Estilos de Aprendizaje en nuestro diseño educativo de forma planificada y coordinada en todas las aulas del Centro. Para ello hace falta tener en cuenta los aspectos y pasos que describimos detalladamente en tres etapas: Diseñar, Desarrollar y Evaluar/Supervisar.

Enfrentamentos e aprendizados: a insurgência feminina no Acampamento Zé Maria do Tomé, Chapada do Apodi-CE

PID: S1981-416x2020000401808 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Carvalho Silva Barbosa
Resumo1 O artigo apresenta o processo de aprendizagem repercutido na vida das camponesas, enfatizando a práxis de resistência contra o patriarcado emergida no contexto da luta pela terra, coordenada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Ao investigar sobre as práticas educativas que permeiam as mulheres em situação de acampadas no que concerne à figura feminina atuante no MST, este escrito tem o pressuposto de que essas mulheres buscam seu lugar de modo insurgente no mundo das contradições, resultado da formação política repercutida pela educação não formal presente nos momentos exigidos pela nova realidade. O objetivo do trabalho é analisar os aprendizados ocorridos nas reverberações políticas e subjetivas da inserção das mulheres no MST, na perspectiva de desvelamento do patriarcado concomitante ao sistema capitalista, e das insurgências no cotidiano de luta. O trabalho constata que a inserção na luta pela Reforma Agrária oportunizou às mulheres uma visão crítica no que concerne à desigualdade de gênero, propiciando-lhes aprendizados e conhecimentos essenciais às práticas de despatriarcalização.

Ensinamentos e contos: Maria Amália Vaz de Carvalho e sua estratégia para a educação da mulher

PID: S1981-416x2020000401513 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Vasconcelos
Resumo O presente estudo tem como objetivo analisar as obras Mulheres e Crianças: notas sobre educação e Contos e Phantasias, acerca da educação feminina, de autoria da poetisa e escritora portuguesa Maria Amália Vaz de Carvalho, ambas publicadas no ano de 1880. Em um plano mais específico, é abordada a concepção da autora sobre um tema inserido nesses dois escritos de Maria Amália, a educação doméstica de meninas realizada por suas próprias mães ou por mestras contratadas para esse fim. No que se refere aos aspectos metodológicos, o artigo apresenta uma pesquisa bibliográfica e analítica, cujas obras foram escolhidas por terem sido elaboradas no mesmo período e por se tratarem de dois gêneros diferenciados: realidade e ficção, igualmente utilizados pela autora como estratégia para convencer suas leitoras de seus ensinamentos. O estudo evidencia que as obras se complementam, à medida que demonstram - seja através dos ensinamentos diretos que Maria Amália oferece para as mulheres, seja por meio dos contos em que constrói narrativas que exemplificam e ilustram os seus conselhos - qual era a educação feminina adequada para o papel a ser exercido pelas mulheres na sociedade do seu tempo, consistindo, unicamente, no de boas esposas, boas mães e boas donas de casa.

Entre lar e Igreja: A Educação de mulheres e as Congregações religiosas na Amazônia Paraense (1900-1927)

PID: S1981-416x2020000401609 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Silva Alves
Resumo Este artigo tem como cenário a educação mulheres nas primeiras décadas do século XX na Amazônia paraense. As congregações religiosas que atuaram em instituições femininas no Pará administraram instituições educativas que abrigaram, instruíram e educaram meninas para ajudar a construir o Pará republicano. Pretende-se analisar as ações e práticas educativas das congregações Filhas de Sant’ana e Irmãs de Santa Doroteia. De cunho documental, o corpus da pesquisa é constituído dos jornais católicos A Palavra e A Boa Nova, mensagens dos governadores do estado do Pará e o relatório do Instituto Gentil Bittencourt. Os resultados indicam que as meninas educadas pelas duas congregações eram instruídas nas habilidades femininas para se tornassem mães de família e mulheres preparadas para o casamento. As congregações atenderam aos anseios das oligarquias em Belém, no propósito de disseminar uma formação educativa feminina em asilos, colégios e internatos, funcionando a partir da parceria entre Igreja e Estado. As ações das Congregações Filhas de Sant’ana e Irmãs Doroteias, na Amazônia paraense no período da Belle Époque, foram fundamentais para a formação de mulheres integras, prendadas e com valores morais cristãos. Devido a existência de vários espaços considerados “perigosos” para as mulheres, a atuação das congregações evitaram que elas caíssem no abandono, criminalidade e prostituição. A educação defendida pelas congregações teriam a missão de formar mulheres de modelo para os filhos e exemplo para os maridos e úteis à sociedade paraense.

Estilos de Aprendizagem: evidências a partir de uma revisão sistemática da literatura

PID: S1981-416x2020000100003 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Ikeshoji Terçariol
Resumo Entende-se que o professor, ao conhecer seu estilo de ensino, pode alinhar de maneira mais adequada as estratégias de ensino, para contribuir com a aprendizagem significativa do aluno, segundo o seu estilo de aprendizagem. Nesse sentido, o objetivo principal deste artigo foi evidenciar como os estilos de aprendizagem contribuem com processo de ensino na educação básica e no ensino superior. Visando alcançar o objetivo proposto, realizou-se uma pesquisa exploratória, a partir de um levantamento sistemático da literatura, com o intuito de se buscar produções nas bases de dados do Portal de Periódicos da CAPES, ProQuest e SCOPUS, que focam os estilos de aprendizagem segundo a teoria de Alonso, Gallego e Honey (1994). Os critérios de inclusão adotados foram: teoria de Alonso, Gallego e Honey; sem parâmetro quanto ao período de publicação; artigos e/ou anais de eventos; independentemente do qualis do periódico e/ou evento. Portanto, a identificação dos estilos de aprendizagem pode ser um ponto de partida para a sistematização do complexo processo de ensino e de aprendizagem. Entende-se que o reconhecimento desses estilos pode contribuir com a minimização das lacunas existentes no processo de ensino e aprendizagem, uma vez que podem ser utilizados no contexto escolar para se abordar o currículo, nos diferentes níveis de ensino, de forma mais efetiva e significativa.

Estilos de aprendizagem e a sala de aula dialógica

PID: S1981-416x2020000100005 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Rodrigues
Resumo Os estilos de aprendizagem, apesar de consolidados, enfrentam ainda alguns desafios, dentre os quais, a aprendizagem individual em sala de aula. Argumenta-se que, em um espaço tradicional, o docente encontraria dificuldades intransponíveis ao ter que trabalhar com os estilos de cada aluno. A solução nesse caso seria a recorrência aos espaços virtuais que, além de ser mais adequados aos estilos de aprendizagem, também seriam uma resposta aos imensos desafios impostos pela sociedade tecnológica. Essa saída não considera que determinados atributos da sala de aula começam a se fazer presente no exato momento histórico em que os cursos de EAD ultrapassam os presenciais. Sem prejuízo para a educação a distância, este artigo tem por objetivo fazer uma defesa do uso dos estilos de aprendizagem na sala de aula. Considera-se que a abertura para o diálogo realiza a verdadeira vocação da sala de aula ao negociar com o aluno cada estilo pessoal, ao contrário do que parece ocorrer nos ambientes virtuais, nos quais uma agência tecnológica, travestida em tabelas, números e gráficos, determina os estilos individuais. A pesquisa bibliográfica norteou-se sobretudo em artigos publicados em língua portuguesa e espanhola. Além da pesquisa, propôs-se também um exemplo de estratégia com o uso de estilos de aprendizagem. Os resultados evidenciaram uma maior flexibilidade dos estilos de aprendizagem, sugerindo que o adensamento do conhecimento pode ser realizado de maneira horizontal e, portanto, mais democrática.

Estilos, estratégias e técnicas de ensino na educação básica: professores em formação continuada

PID: S1981-416x2020000100004 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Batista Portilho
Resumo O presente artigo apresenta os resultados referentes à identificação dos estilos, das estratégias e técnicas de ensino na educação básica utilizadas por professores em formação continuada, de duas escolas de um município do Paraná/Brasil. A metodologia de pesquisa utilizada é de caráter fenomenológico hermenêutico, em que participaram do programa de formação continuada dezesseis professores, oito do ensino fundamental e oito do ensino médio. Como instrumentos de pesquisa, foram utilizados o Questionário Portilho/Banas de Estilos de Ensino e um protocolo de observação de sala de aula desenvolvido pela pesquisa “Aprendizagem e Conhecimento na Formação Continuada”. Foi possível reconhecer o predomínio do estilo de ensino dinâmico, seguido pelos estilos analítico, sistemático e prático. Os estilos combinados dinâmico/analítico, analítico/sistemático e dinâmico/analítico/sistemático/prático apareceram uma vez cada. Também ficou evidenciada a presença da estratégia de ensino diretiva, mediante a utilização das técnicas de aula expositiva e resolução de exercícios; da estratégia dialógica, por meio das técnicas de ensino aula expositiva dialogada, seminário, dramatização e da estratégia de ensinolaissez-faire, caracterizada pela ausência de diretividade do trabalho pedagógico. Diante dos resultados apresentados, evidencia-se a necessidade de se pensar e propor programas de formação continuada que propiciem aos professores o desenvolvimento de práticas de ensino diferenciadas, de modo a possibilitar aos educandos maior autonomia e eficácia sobre o próprio processo de aprendizagem.

Exercer a docência no Ensino Superior Brasileiro na contemporaneidade com sucesso (competência e eficácia) apresenta como um grande desafio para o professor universitário

PID: S1981-416x2020000200842 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Masetto
Resumo Desde o início deste século, a universidade brasileira se vê envolvida em inovações que afetam os paradigmas curriculares, a dinamização das aulas universitárias através de metodologias ativas, a chegada do aluno que, no dizer de Veen e Vrakking (2009) se apresenta como um “homo zappiens” conectado com inúmeros grupos de WhatsApp, Facebook, Instagram. Neste cenário, um desafio para o docente: como agir de modo eficaz junto aos alunos para que estes se formem profissionais competentes para o século XXI? Este é o objetivo deste artigo: responder a esse desafio, nos baseando em estudos teóricos sobre inovações no ensino superior, em nossas experiências de docência nas últimas décadas, em orientações de pesquisas de mestrado e doutorado defendidas sobre projetos curriculares inovadores e formação de professores para agirem em tais projetos. As trilhas percorridas se entrelaçaram com estudos teóricos de autores como Sacristán (1998), Cunha (1998, 2009), Arroyo (2000), Zabalza (2004), Perrenoud (2013); com o exercício de práticas docentes e pesquisas de campo realizadas e publicadas em artigos e livros por Masetto (1992, 2010a, 2010b, 2018) e por Gaeta e Masetto, (2013), apresentadas em trabalhos e congressos nacionais e internacionais. Quatro trilhas comporão nossas reflexões e análises: a primeira, voltada para a necessária abertura do professor para as inovações atuais no ensino superior brasileiro; a segunda, resgatando a característica da profissionalidade na atuação docente; a terceira destacando o trabalho em equipe do corpo docente e, a quarta, evidenciando a construção de um agir docente competente em situações de sala de aula.

Fixada à parede, a coisa escrita: o cotidiano escolar em invenção e crítica

PID: S1981-416x2020000301462 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Lacerda
Resumo Este artigo tem por objetivo refletir acerca da invenção, reprodução e crítica de práticas no cotidiano escolar. Para isso, toma como referência teórica estudos de Michel de Certeau e Henri Lefebvre relacionados à vida cotidiana. Foi empregada, enquanto metodologia, a aplicação do método regressivo-progressivo proposto por Lefebvre através dos procedimentos de descrição, análise, regressão histórica e discussão a respeito de possibilidades. O desenvolvimento do texto comunica a análise que atravessa um artefato pedagógico comum, fixado à parede de uma sala de aula e encontrado em breve incursão a escolas localizadas no Noroeste do estado do Rio de Janeiro. Através do artefato pedagógico encontrado, acontece uma prática que dispõe de elementos presentes tanto em sua produção, quanto na reprodução e consumo. A descrição do artefato produz narrativas datadas historicamente, ressaltando a preservação de concepções anteriormente submetidas à crítica e sinalizando a invenção de outra realidade. No espaço escolar planificado, a busca regressiva e histórica que atravessa práticas e recursos didáticos, vai ao encontro de ideias que as delineiam e normatizam. Esta busca critica a persistência, na contemporaneidade, de produtos humanos já refutados. O estudo aponta para a possibilidade de a escola criar, através da análise crítica, regressiva e histórica, a compreensão acerca daquilo que produz e reproduz.

Fluência Tecnológico-Pedagógica na Docência Universitária

PID: S1981-416x2020000401986 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: SCHNEIDER SCHRAIBER MALLMANN
Resumo A docência na Educação Superior exige uma multiplicidade de habilidades do professor frente aos contextos emergentes que vem alterando os modelos tradicionais de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, o artigo destaca a Fluência Tecnológico-Pedagógica como um desafio à Docência Universitária. Tem como objetivo analisar a Fluência Tecnológico-Pedagógica de professores em um curso de formação continuada, “REA: Educação para o Futuro”, ofertado através de Small Open Online Course a professores e servidores da rede pública do ensino básico do estado do Rio Grande do Sul. Para tanto, resgata-se a base teórica que sustenta o conceito, problematizando seus desdobramentos nas inter-relações didáticas do trabalho do professor. A delimitação, organização e análise dos dados foi realizada a partir da orientação metodológica da pesquisa-ação por meio de três matrizes: Matriz Dialógico-Problematizadora (MDP), Matriz Temático-Organizadora (MTO) e Matriz Temático-Analítica (MTA). Os resultados apontam que o conjunto de saberes e práticas pedagógicas inerentes à docência na Educação Superior são viabilizados pelo desenvolvimento de Fluência Tecnológico-Pedagógica. O professor fluente avança para níveis de reflexão, análise e produção de conhecimento mais profundos em relação às ações de planejamento, organização de metodologias e estratégias didáticas, avaliação e interações entre os participantes. Conclui-se que maior Fluência Tecnológico-Pedagógica dos professores reverte em qualidade no processo ensino-aprendizagem.
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