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Formação Docente como ambiente de pensamento: projeto representacional e processos narrativos

PID: S1981-416x2020000300962 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Andrade Costa
Resumo O presente trabalho propõe uma análise psicossocial do processo formativo de profissionais da Educação Infantil orientada pela teoria das representações sociais. São privilegiadas as articulações entre representações sociais e processos narrativos, partindo-se do princípio que a narrativa atua tanto como construção sociocognitiva da realidade, quanto como qualidade paradigmática do espaço. A narrativa contribui para a constituição de um ambiente de pensamento no interior do qual são compartilhados novos conteúdos representacionais que delineiam determinado projeto representacional. Noções como obrigação do tipo contratual, confiança interpessoal e confiança epistêmica são analisadas como fatores que contribuem para o reconhecimento da legitimidade dos processos autorais dos participantes envolvidos e da sua configuração enquanto fórum permanente de aprendizagem e desenvolvimento profissional e pessoal. Apresenta-se análises sobre o caso do projeto de formação Cribiás, Crianças Sabidas e seu pressuposto: Educação Infantil como Espaço Narrativo. Foram realizadas observações e entrevistas com um grupo de 32 profissionais cuja análise de dados gerou núcleos de significações e eixos interpretativos. Os resultados revelam que o processo formativo potencializou o tensionamento do campo representacional e o compartilhamento de novos significados sobre a prática docente na Educação Infantil. O projeto representacional inscrito nas narrativas compartilhadas atuou na iminência de saberes construídos coletivamente.

Formação e educação da mulher e o caderno de Economia Doméstica (Dourados, Mato Grosso - 1972)

PID: S1981-416x2020000401783 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Marques Furtado
Resumo Este artigo insere-se nas abordagens sobre a história das instituições escolares, com um estudo direcionado para as práticas de formação e educação das mulheres, cuja finalidade é contribuir para a compreensão da seguinte problemática: como a disciplina de Economia Doméstica foi tratada em um caderno de uma ex-aluna da turma do Curso do Ginasial do Colégio Estadual Presidente Vargas, localizado na cidade de Dourados, interior do estado de Mato Grosso, no início dos anos de 1970? Assim, este artigo busca analisar o ensino de Economia Doméstica no Colégio Estadual Presidente Vargas da cidade de Dourados, tomando como fonte principal de pesquisa um caderno de uma ex-aluna do Curso Ginasial do ano de 1972. A pesquisa desenvolveu-se a partir das referências ligadas à história, à história da educação, à história das mulheres, à história da educação da mulher e ao currículo, bem como, com base em fontes documentais. A partir dos registros apresentados pela ex-aluna do Curso Ginasial no caderno foi possível entrever parte do processo de ensino da disciplina de Economia Doméstica, bem como compreender os conteúdos trabalhados e desenvolvidos para a formação e a educação das mulheres moradoras do interior do estado de Mato Grosso. Contudo, o caderno enquanto fonte documental revelou que a disciplina de Economia Doméstica mediante os seus conteúdos visava à formação e à educação das jovens como boas donas de casa, mulheres prendadas em seus afazeres domésticos, boas mães de família e, além disso, boas administradoras financeiras de seus lares.

Formação educacional e redes de sociabilidade intelectual de Eudésia Vieira na Paraíba (Século XX)

PID: S1981-416x2020000401582 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Galvíncio Costa
Resumo A educação feminina na transição do século XIX para século XX no Brasil era precária. Desse modo, a inserção das mulheres no debate público foi tardia e, muitas vezes, secundarizada. O objetivo desta investigação é entender como se deu o processo de formação educacional, além dos deslocamentos nos espaços de sociabilidade intelectual de Eudésia Vieira, nas primeiras décadas do século XX, no estado da Paraíba. Com isso, pretende-se também ampliar esta compreensão para além da narrativa individual, buscando tecer paralelos com outras trajetórias femininas do mesmo período, a identificando de modo geracional. Para tanto, as fontes utilizadas foram, prioritariamente, escritos biográficos e (auto)biográfico, com o objetivo de localizar a personagem no emaranhado das teias sociais da sua trajetória. Por um lado, os textos biográficos se inserem numa tradição narrativa que busca capturar e enaltecer o/a biografado/a. Por outro lado, os escritos (auto)biográficos trazem lances revelados pelo/a protagonista da vida narrada. É possível identificar que houve forte ligação da religião com os preceitos educacionais das mulheres nesta época, o que, de certa forma, foi incorporado nos repertórios e na forma de legitimação social de uma geração de mulheres intelectualizadas no Brasil nesse período.

Formação profissional e prática docente: representações sociais de professores da rede básica de ensino

PID: S1981-416x2020000301091 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Nascimento Kimura Cardoso
Resumo Este artigo tem como objetivo apresentar os resultados de um estudo que trata das representações sociais de professores sobre a inter-relação entre formação profissional e prática pedagógica docente. Os dados analisados incidem sobre a dimensão “Formação e prática docente: Processo ensino aprendizagem”, que corresponde ao recorte de uma pesquisa guarda-chuva1, intitulada: “Os fatores que determinam a permanência na docência e as implicações no trabalho e nos desafios da contemporaneidade”, de abordagem qualitativa, do tipo descritiva-analítica, que compõe um estudo desenvolvido com os professores da rede pública estadual de ensino da cidade de Belém, no estado do Pará. Os instrumentos utilizados para a coleta dos dados foram o questionário e a entrevista semiestruturados, aplicados a oitenta e dois professores que atuam em turmas do Ensino Médio. O tratamento e sistematização das informações ocorreu por meio da técnica de análise temática, procedendo-se as análises com base nos pressupostos teóricos da teoria das representações sociais (TRS), na perspectiva da abordagem processual de Serge Moscovici (1978). Os resultados destacam os seguintes aspectos: “Formação, experiência e prática docente” e “Aprimoramento teórico e prático continuado”. Esses aspectos centralizam as imagens-objetivações e os sentidos-ancoragens atribuídos pelos professores participantes da pesquisa. Dentre as principais implicações decorrentes destas representações, é reafirmada a necessidade de reestruturação dos modelos formativos, como um aspecto essencial ao aprimoramento da prática pedagógica dos professores e ao desenvolvimento da profissão.

Future Classroom Lab em Portugal: análise da relação dos professores com um ambiente educativo inovador

PID: S1981-416x2020000100019 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Senra Braga
Resumo Neste trabalho procuramos estudar a implantação de novos Ambientes Educativos Inovadores em três escolas públicas portuguesas a partir do projeto “Future Classroom Lab”, desenvolvido nos países da União Europeia pela European Schoolnet. O estudo foi realizado com o objetivo de compreender como os professores vêm lidando com essa nova proposta em seu dia a dia. A investigação consistiu na coleta de informações a partir de entrevista com 6 professores. Com base na análise das entrevistas procuramos compreender como os professores se relacionaram com o espaço, com a tecnologia e com as metodologias adotadas durante a experiência de utilização dos Ambientes Educativos Inovadores, como a escola apoiou essa interação e como foram constituídas as comunidades de prática no apoio a essa experiência. Como instrumento de análise, elaboramos uma matriz para cada uma das 5 dimensões (espaço, formação, tecnologia, comunidade de prática e metodologia) com 5 diferentes estágios de classificação. A partir dessas dimensões foi possível compreender como os professores utilizam esses espaços, quais as dificuldades encontradas e as sugestões apontadas para melhoria do uso do espaço pelos professores. Os resultados parciais mostram a importância da formação de comunidades de prática nas escolas e de um sistema de partilha de boas práticas para apoiar os professores na integração das tecnologias e no uso dos Ambientes Educativos Inovadores. Propostas de integração tecnológica precisam envolver toda a comunidade escolar: professores, alunos, gestores e pais; se alinhar às políticas de planejamento e aos objetivos de ensino, assim como oferecer formação e suporte para os professores.

Impactos da Lei Orgânica de 1946 na trajetória de normalistas: um estudo de História Oral Temática

PID: S1981-416x2020000100017 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Carvalho Santos
Resumo Este texto discute os possíveis impactos da Lei Orgânica do Ensino Normal, promulgada em 1946, na formação e trajetória profissional de normalistas, reunindo evidências sobre algumas das transformações operadas no status da formação docente a partir da nova legislação. Utilizando-se a metodologia da História Oral Temática, foram entrevistadas oito mulheres, com idade entre 84 e 92 anos, que na década de 1940 cursavam magistério em uma escola normal religiosa do município de Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais. Buscou-se realizar o cruzamento de diversas fontes, incluindo documentos e outros registros escritos, imagens, textos bibliográficos e narrativas orais, recolhidas junto às entrevistadas e em diferentes arquivos institucionais e acervos pessoais. As análises feitas levaram em conta os contextos sociopolíticos da época em diálogo com a História da Educação, especialmente os estudos sobre legislação educacional, história da formação docente e das instituições escolares. Os achados da pesquisa confirmam a existência de impactos causados pela legislação estudada na trajetória de formação e vida profissional das ex-normalistas, possibilitando compreender dimensões da identidade de um grupo de mulheres e alguns aspectos do currículo vivenciados por elas durante o curso normal. A investigação busca evidenciar como grandes eventos surgidos no macroespaço político e social, como é o caso da legislação de 1946, repercutem no microespaço social, fazendo ecoar as vozes de mulheres octogenárias, cujas memórias seriam condenadas ao silêncio e esquecimento, não fosse a possibilidade de escuta e registro proporcionada pela História Oral.

Incursões sobre a estruturação da disciplina de Libras nos cursos de formação de professores

PID: S1981-416x2020000401938 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Pereira Raugust
Resumo O artigo busca problematizar as práticas discursivas, dentre elas as legislações que regem a disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e as demandas da comunidade surda por transformações na estruturação dessa disciplina, as quais se estabelecem como verdades, constituindo e legitimando o ensino de Libras como segunda língua no ensino superior. Dessa forma, visa oportunizar reflexões sobre a estruturação da disciplina de Libras nas Instituições de Ensino Superior do Rio Grande do Sul. O aporte teórico conta com as principais pesquisas acadêmicas atuais da área do ensino de Libras como segunda língua, como Santos e Klein (2015), Nascimento e Sofiato (2016) e Mélo (2019). A pesquisa tem caráter qualitativo, por meio de levantamento de dados retirados das ementas e planos de ensino da disciplina de Libras de tais instituições. Foi realizada busca detalhada, catalogação e análise dos documentos mencionados, objetivando encontrar neles algumas recorrências em sua estruturação. Este texto problematiza três delas: a pouca carga horária destinada à disciplina e o excesso de conteúdo a ser ensinado; a priorização de conteúdos considerados práticos em detrimento da teorização da disciplina e a generalização de conteúdos nos diferentes cursos de licenciatura. A conclusão é de que ainda são urgentes discussões com alcances mais amplos, englobando professores de Libras, coordenadores de cursos e gestão acadêmica, a fim de pensar conjuntamente a reestruturação da disciplina de Libras, dando ênfase mais às habilidades de expressão e compreensão dos dizeres da língua, mas também, formando um profissional consciente das singularidades linguísticas de seus futuros alunos.

Integração das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação em Práticas Pedagógicas Inovadoras no Ensino Superior

PID: S1981-416x2020000200722 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Vidal Mercado
Resumo Este artigo aborda a integração das tecnologias digitais da informação e comunicação no ensino superior com foco nas práticas pedagógicas inovadoras que se configuram no trabalho docente, tendo como objetivo identificar as práticas pedagógicas inovadoras no ensino superior com tecnologias digitais da informação e comunicação. A coleta dos dados ocorreu por meio de entrevistas narrativas com 10 docentes de instituições públicas e privadas situadas em diferentes estados brasileiros. Esses sujeitos integram o estudo subsidiado pelo saber da formação, experiências disciplinares e curriculares, através da história oral temática narrada por eles. Neste estudo, foram analisadas as seguintes categorias: concepção de mundo ou cultura digital; encontro com as TDIC; aprendizagem com TDIC; concepções de inovação pedagógica e tecnológica; inovação pedagógica com TDIC. Os resultados apontaram que faz-se necessário o reconhecimento do estudante como protagonista da aprendizagem e ao docente cabe a autoavaliação, reflexões e reconstruções da prática. No contexto da inovação, sugere novas formas de ensinar e aprender, é preciso haver mudança no currículo e a inserção das TDIC na prática pedagógica, aplicadas com intencionalidade. Trata-se de mudança de paradigma que apresenta mais do que a utilização, pois ressalta a importância de (re)significar as práticas já estabelecidas na docência.

Investigação da prática pedagógica: formação continuada nas narrativas e representações de profissionais da educação

PID: S1981-416x2020000301118 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Geronasso Ens Trindade
Resumo O artigo objetiva analisar as representações pelas narrativas de profissionais da educação da Rede Municipal de Ensino de Araucária, apresentadas em relatos de experiência e artigos publicados no Caderno Pedagógico 2017, pois esse documento compila os trabalhos finais do processo de formação dos profissionais da educação que participaram no município. Na primeira parte, trazemos uma reflexão sobre o processo de Investigação da Prática Pedagógica: projeto de formação continuada da Secretaria Municipal, a partir da descrição do curso oferecido aos profissionais da educação do município, tomando o processo de formação como uma das “constantes sociais”. Na segunda, traçamos os caminhos da pesquisa, a qual foi realizada por meio do tipo estado da arte. Na sequência, com base no aporte teórico da Teoria das Representações Sociais, a partir de Moscovici (2003), Jodelet (2001, 2005, 2007) e da análise dessas, examinamos pela relação as narrativas, apoiados em Jovchelovitch (2012), Teibel e Andrade (2017), a fim de interpretarmos as narrativas e representações dos 321 profissionais da educação participantes do curso de formação continuada sobre intervenção na prática pedagógica, que produziram 61 artigos e 63 relatos de experiência publicados no Caderno mencionado. Pela análise, inferimos que esse tipo de formação apresenta grande potencial para transformar a realidade em que os docentes atuam ao instaurar no espaço/tempo dessa formação um processo investigativo, reflexivo e interpretativo sobre as suas práticas pedagógicas.

Lecionar e pesquisar na educação básica: a atividade investigativa como caminho formativo para professores de português

PID: S1981-416x2020000100010 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Falcão Suassuna
Resumo Com o presente artigo, objetivamos contribuir para a discussão acerca do desenvolvimento de pesquisa pelo professor de português no âmbito da educação básica brasileira. A partir da noção de professor pesquisador e da análise dos dispositivos legais que normatizam a profissão docente no Brasil, o tema é tratado com base na articulação de estudos desenvolvidos nas áreas da formação de professores (ANDRÉ, 2001; CONTRERAS, 2002; DINIZ-PEREIRA e ZEICHNER, 2011; IMBERNON, 2016; GATTI, 2017 LÜDKE, 2000 e 2001 PIMENTA, 2012; TARDIF e MOSCOSO, 2018) e do ensino de língua (ANTUNES, 2003 e 2007; DORNELLA, 2007; GERALDI, 1996, 1997 e 2018; ILARI, 1997; PIETRI, 2003; SOARES, 2001). Os achados desta investigação indicam avanços no tocante à abordagem do tema nos diferentes campos de estudo e nas normativas oficiais, mas ressaltam os entraves existentes para a efetivação de propostas dessa natureza, tendo em vista a necessária efetivação das melhorias previstas nas condições de trabalho do professor pesquisador em atividade nesse nível da educação. Por outro lado, reafirmam a prática da pesquisa como caminho possível para a reconfiguração do trabalho docente, no tocante a questões relativas à autonomia desse profissional e a seu reconhecimento como produtor de conhecimento, bem como seu potencial para contribuir com a construção de práticas de ensino inovadoras, em consonância com os estudos linguísticos mais atuais.

Mapa mental das representações sociais de professores do ensino fundamental sobre a educação étnico-racial

PID: S1981-416x2020000301311 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Santos Silva Gonçalves
Resumo Este estudo teve como objetivo analisar a constituição das representações sociais de professores do ensino fundamental sobre educação étnico-racial e as implicações em sua prática pedagógica. Tem como referencial teórico metodológico a Teoria das Representações Sociais e traz como categorias fundamentais a “educação”, “o racismo” e a “colonialidade”. A abordagem é qualitativa, com Técnica de Evocação de Palavras para produção de dados pelos professores do ensino fundamental de uma escola pública e o Mapa Mental para sua análise. O percurso deste estudo nos conduz a uma visão psicossocial da educação para as relações étnico-raciais na atualidade. Problematizamos o cômodo lugar a que uma perspectiva hegemônica de ciência e pesquisa - moldada na história moderna/ocidental/eurocêntrica - nos levaria. Daí o problema deste estudo: Como se constituem as representações sociais de professores do ensino fundamental sobre a educação étnico-racial e quais as implicações em sua prática pedagógica? Os resultados revelam que as representações sociais dos professores do ensino fundamental sobre a educação étnico-racial - num contexto diferenciado de mudanças socioculturais, político-legais, econômicas e educacionais, engendrado desde o processo de redemocratização do Brasil - apresentam perspectivas ambíguas, que em alguns momentos podem reproduzir o racismo, o preconceito e discriminação racial via educação. Entretanto, além de mudanças sensíveis a visão, um “território simbólico” com “solo fértil” para que novas mudanças sejam concretizadas na sociedade e no cotidiano escolar vem sendo construído a partir de aproximações da perspectiva intercultural como referencial demandado pelos alunos e alunas e impulsionados pela organização e mobilização do Movimento Negro.

Maria Zelma de Araújo Madeira: memórias de formação e resistências da docente universitária negra

PID: S1981-416x2020000200775 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Fialho Díaz
Resumo A pesquisa trata da biografia de Maria Zelma de Araújo Madeira, educadora negra que se inspirou na superação do preconceito racial para fomentar uma educação crítica voltada para a cidadania e justiça social na sua docência universitária. Objetivou-se compreender como uma jovem negra e interiorana, de classe econômica baixa, conseguiu concluir a escolarização, em tempos de mais exclusão educacional, para tornar-se professora universitária e militante feminista negra respeitada no estado do Ceará, Brasil. Desenvolveu-se um estudo do tipo biográfico, pautado nos pressupostos teóricos da história cultural, na perspectiva da história do presente, amparado metodologicamente na história oral, previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em 2018. As entrevistas em história oral foram realizadas com Zelma Madeira - gravadas, transcritas, textualizadas e validadas pela biografada, no segundo semestre de 2019. Os resultados mostram que Zelma Madeira era filha de pai trabalhador da construção civil e mãe costureira, nascida em 1967, na cidade de Aroazes, Piauí, Brasil. Ela conseguiu acesso à educação básica e ao ensino superior ao mudar-se com a família para Fortaleza, Ceará, Brasil, tendo que desenvolver mecanismos de resistência para não se evadir da escola ante o racismo e a exclusão sofridos. Concluiu a graduação em Serviço Social, mestrado e doutorado em Sociologia, iniciando sua atuação como docente no ensino superior em 1997. Constatou-se que ela conseguiu notoriedade no Ceará por sua atuação como pesquisadora das relações de gênero, raça e etnia, pois desenvolveu identidade consoante o feminismo negro, militando na defesa de um projeto societário mais justo e igualitário.

Mentoras de professoras iniciantes: a construção de uma base de conhecimentos

PID: S1981-416x2020000401910 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Souza Reali
Resumo Esta investigação tem como cenário uma pesquisa-intervenção que estuda as contribuições e os limites de um programa híbrido de mentoria para o desenvolvimento profissional de professores experientes e professores iniciantes. Nesse programa, 10 professoras experientes - mentoras (com mais de 10 anos de prática docente) auxiliam professores iniciantes (com até cinco anos de atuação docente), que atuam na Educação Básica, a minimizar ou superar as dificuldades vividas no início da carreira docente. Isso ocorre por meio da interlocução com professores experientes, após processo formativo específico para atuarem como mentoras. Este trabalho investigou a construção da base de conhecimento para a mentoria analisando narrativas escritas pelas mentoras sobre sua experiência com as professoras iniciantes. Foram identificadas as seguintes categorias que compõem essa base de conhecimento: i. conhecimento do conteúdo específico, ii. conhecimento pedagógico geral para a mentoria, iii. conhecimento pedagógico do conteúdo, iv. conhecimento sobre o ser mentor e v. conhecimento atitudinal. Observou-se que a mentoria tem se configurado como uma comunidade de aprendizagem, pois busca propiciar um lugar de diálogo não hierárquico aproximando universidade e escola a: desenvolver ações formativas tendo em vista o contexto escolar do professor iniciante, suas demandas e outras necessidades formativas, valorizar a inserção dos participantes (pesquisadores, mentoras e iniciantes) em processos reflexivos e promover que as mentoras se assumam como parceiras do processo de formação dos iniciantes.

Mulheres na universidade: a presença feminina no movimento estudantil paranaense (1964-85)

PID: S1981-416x2020000401733 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Borges Fiuza
Resumo Este texto aborda a participação feminina no movimento estudantil (ME) universitário paranaense durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985), tendo como foco de análise preliminar o processo histórico da inserção feminina na educação formal e no ensino superior ao longo dos séculos XIX e XX. Para tal artigo, valeu-se da historiografia sobre o tema, dos estudos feministas de Joana Maria Pedro (2005) e Ana Maria Colling (1997, 2004). Para a análise do caso paranaense, adotou-se como fonte de análise a documentação presente no arquivo da Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS), do Estado do Paraná, bem como de entrevistas publicadas com mulheres militantes, vítimas da violência estatal. A partir do exame das fontes, da historiografia e dos depoimentos das militantes, construiu-se uma breve história da inserção feminina no interior do movimento estudantil paranaense. A partir deste estudo, observou-se como a luta política das mulheres no interior do ME universitário paranaense se solidificou e ganhou amplitude, em plena ditadura, guardando similaridades com a luta empreendida pelas mulheres ao longo do século XX, bem como sendo caudatária da organização da classe estudantil e da luta feminista no Brasil. Com o fim do período autoritário e durante a transição, estas mulheres ocuparam espaços de liderança nos mais diferentes campos da luta social e da representação política, organizativa e sindical.

Narrativas de educadores da socioeducação: representações sociais sobre adolescência na tessitura do trabalho socioeducativo

PID: S1981-416x2020000301162 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Eyng Ramos
Resumo No texto colocamos sob interpretação as representações sociais de educadores da socioeducação sobre a adolescência. A abordagem transversal do objeto se dá na análise da rede de significados, que configuram as representações sociais de um grupo multiprofissional de educadores, os quais enunciam suas narrativas sobre um objeto e num contexto compartilhado. O estudo das representações tem como aporte as contribuições de Moscovici (1961) e o aplicado nos estudos de Alves-Mazzotti (2015), Passeggi (2011), Ribeiro, Carvalho e Antunes-Rocha (2017), Sousa et al. (2014), Teibe e Andrade (2017). As narrativas em discussão advêm de estudo de campo, que abrangeu observação das dinâmicas de interação entre sujeitos no contexto das práticas socioeducativas e entrevistas individuais com a escuta de 17 educadores que compõem a equipe multiprofissional. Das narrativas dos educadores colocamos em destaque as significações sobre a adolescência e os adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto. As representações sociais extraídas das narrativas dos educadores estão ancoradas em duas direções em contradição que constituem as redes de significados acerca dos adolescentes. As representações sociais sobre a adolescência, nas quais ainda persistem narrativas da situação irregular, ampliam sobremaneira as demandas das práticas socioeducativas que, além do trabalho multidisciplinar, desafiam a desconstrução de tais referências na perspectiva da garantia dos direitos da infância.

Narrativas de um professor arquiteto: contribuições da trajetória para seu desenvolvimento profissional

PID: S1981-416x2020000200862 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Luz farias Sabóia
Resumo A trajetória de desenvolvimento profissional de um arquiteto professor, em particular sua formação pedagógica, está no centro deste artigo. Objetivou-se compreender como e em que a trajetória desse docente arquiteto se relaciona ‘com’ e ‘para’ o seu ato de ensinar. O fundamento teórico da pesquisa está ancorado nos estudos de Júlia Oliveira-Formosinho, Carlos Marcelo García e Francisco Imbernón. As análises realizadas se apoiam na abordagem qualitativa de pesquisa, caracterizando-se como estudo de caso único desenvolvido com suporte na observação de aulas, entrevista semiestruturada e o exame de documentos (currículo Lattes, ementa da disciplina e Projeto Pedagógico do curso de Arquitetura e Urbanismo da IES em contexto). O trabalho de campo foi realizado nos meses de setembro e outubro de 2017 e os dados analisados com base na categorização temática do conteúdo. Os resultados revelaram que, ante o desprestigio do ensino em face o privilégio dado à pesquisa nas instituições de ensino superior, o professor é instigado a se desenvolver de modo autônomo; que as ações de formação das quais tem participado, em sua maioria, focalizam a formação do pesquisador, secundarizam a docência, especializando-o em conteúdos específicos de sua área disciplinar de ensino. Esta tendência, com raras exceções, responde pela fragilidade ou ausência de conhecimentos pedagógicos entre os professores arquitetos bacharéis.

Narrativas e representações sociais: professores de ensino fundamental e fracasso escolar

PID: S1981-416x2020000301144 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Chamon Miragaia Monteiro
Resumo O artigo apresenta uma proposta de utilização da pesquisa narrativa na análise das representações sociais, ilustrando esse potencial diálogo por meio de um estudo na área de educação. Busca-se apreender as representações sociais de professores sobre a defasagem idade-série e, por extensão, sobre o fracasso escolar. A proposta é utilizar a narrativa como método para analisar as representações sociais. Como essas representações circulam na comunicação e são construídas socialmente, elas podem se revelar nas narrativas dos sujeitos pesquisados. O estudo foi realizado com 14 professores de ensino fundamental, sete de Matemática e sete de Língua Portuguesa, de uma rede pública municipal do interior do Estado de São Paulo. Estes professores trabalhavam em um programa de recuperação de aprendizagem com alunos de 6º a 9º ano. As narrativas foram construídas a partir de entrevistas individuais semi-estruturadas cuja questão central versava sobre como eram os alunos com defasagem idade-série e como se desenrolava o programa de recuperação. A análise das entrevistas incorporou os esquemas próprios dos estudos com narrativas, buscando identificar histórias e materiais contextuais, e reconstruir o significado amplo dessas histórias na forma de grandes temáticas organizadoras das representações sociais. Os resultados obtidos apontam para uma lógica de exclusão na qual a escola é vista positivamente e isenta de responsabilidades, e o fracasso escolar - aqui representado pela defasegem idade-série e suas consequências - tem como causa uma família desestruturada e um aluno a quem falta empenho ou interesse.

Naíde Regueira Teodósio: médica, professora e pesquisadora em tempos autoritários

PID: S1981-416x2020000401539 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Barreto Natividade
Resumo Com vistas a contribuir com a história das mulheres e com a história da Educação no Brasil foi objetivo neste artigo analisar a relação formação-atuação profissional-enfrentamento a regimes autoritários da médica, professora, pesquisadora pernambucana e militante do Partido Comunista Brasileiro, Naíde Regueira Teodósio (1915-2005). A investigação ocorreu por meio do método biográfico a partir de Franco Ferrarotti (1991) e Giovanni Levi (1996), tendo como objeto de análise a trajetória formativa e profissional da referida personagem. Foram utilizadas fontes documentais (prontuários, declarações, processo de indenização por danos físicos, psicológicos e morais) localizadas no fundo da Comissão da Verdade do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano/PE e de entrevistas concedidas e armazenadas na Coordenação-Geral de Estudos da História Brasileira (Cehibra) da Fundação Joaquim Nabuco e no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas. Os resultados apontam elementos educacionais que consorciam formação familiar, escolar, político-partidária e autoformação. Desvelam também faces de uma formação médica que alia fisiologia, nutrição e engajamento político e que permite interpretações sobre a constituição de si, as práticas femininas, a relação formação-atuação e, sobretudo, sobre as formas concretas de resistência e enfrentamentos aos regimes políticos autoritários no Brasil das décadas de 1940 e 1960.

O protagonismo da mulher no suplemento feminino do jornal O Estado de S. Paulo

PID: S1981-416x2020000401887 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Coelho Quadros Machado
Resumo O objetivo deste artigo é analisar o modo como o Suplemento Feminino do jornal O Estado de S. Paulo propagava ideais que contribuíram para mobilizar as mulheres paulistas a apoiarem o Golpe Civil-Militar de 1964 sem, contudo, alterar seu papel no meio familiar e social. Investiga-se a postura adotada por esse suplemento em relação à questão política na primeira metade da década de 1960; para isto, são estudados textos e propagandas publicados entre os anos de 1960 e 1964. A hipótese é a de que as matérias publicadas pelo Suplemento Feminino deste jornal expressavam opiniões com o intuito de justificar a necessidade da intervenção militar, bem como convencer o seu público de que as atitudes dos grupos militares eram necessárias para a manutenção dos princípios democráticos no país. Neste sentido, entende-se que o discurso veiculado pelo Suplemento Feminino era duplamente ideológico: ao mesmo tempo que dava voz às mulheres nas decisões políticas, construindo um sujeito político feminino, procurava convencê-las de que o seu lugar se restringia ao lar, espaço em que desempenharia a função de protetora do lar, da família e da pátria, ou seja, reiterava o papel submisso da mulher na sociedade.

O protagonismo de Ellen G. White no projeto educacional cristão adventista no Brasil

PID: S1981-416x2020000100020 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Sales Castro
Resumo O presente artigo é decorrente de pesquisa histórica, centrada em análise documental e bibliográfica e tem como objetivo demonstrar como Ellen G. White (1827-1917), escritora norte-americana, exerceu papel preponderante no desenvolvimento e estabelecimento dos princípios da educação adventista do sétimo dia. Pioneira e uma das fundadoras do movimento, iniciado por volta de 1844, com seus conselhos e orientações através de artigos, manuscritos, cartas e livros, estabeleceu as diretrizes filosóficas educacionais do sistema educacional, doutrinárias da instituição como igreja e de saúde da instituição, que visa o bem-estar de seus seguidores e de tantos quantos possam ser beneficiados. Com isso, aquilo que, no início era apenas um movimento religioso, se consolida em uma instituição confessional de orientação protestante, cuja presença se estende a várias partes do mundo, destacando-se no campo educacional por meio de suas escolas e internatos que atuam desde o ensino básico até o superior, bem como por ampla rede de hospitais e clínicas médicas. Seus escritos sobre educação de crianças e jovens, saúde, temperança e vida cristã constituem a base da filosofia cristã adventista e têm servido como orientações para os fiéis frente às incertezas da vida secular até os dias atuais.
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