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O que os alunos esperam de um “bom professor”? Revelando expectativas para repensar a prática de ensino

PID: S1981-416x2020000301280 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Bossolasco Chiecher
Resumo Este trabalho é parte de um projeto maior que visa identificar variáveis ​​pessoais e contextuais que afetam o perfil acadêmico de estudantes universitários. A figura do professor é reconhecida como uma variável que pode influenciar essas trajetórias e, por esse motivo, procura identificar os traços que definiriam um bom professor de acordo com a voz dos alunos. Foi realizado um estudo descritivo a partir de uma lógica qualitativa e indutiva. Para a coleta de dados, foi aplicado um questionário de autorrelato, no qual estudantes de duas instituições com desempenho acadêmico diferente, onde foi solicitada a descrição de “um bom professor”. Os resultados mostram que, independentemente da instituição de origem e do desempenho acadêmico obtido, os alunos que passam o primeiro ano no nível universitário reconhecem na explicação do professor o nó central de sua tarefa pedagógica e o aluno como o principal destinatário da referida Faz. Em todos os casos, os significados convergem em um sentido semelhante; um bom professor é aquele que explica as disciplinas de sua matéria de maneira que seus alunos entendam, para o qual ele usa estratégias diferentes e desenha suas aulas em um formato que lhe permita alcançar esse objetivo. Demandas particulares foram reconhecidas no grupo com o menor desempenho acadêmico, em ambas as universidades, o que parece estar vinculado à sua própria percepção de desvantagem. O reconhecimento dessas caracterizações permitiu inferir as expectativas de um bom professor, o que constitui uma contribuição valiosa para repensar a própria prática de ensino.

O regimento escolar e a desigualdade de oportunidades na educação moçambicana

PID: S1981-416x2020000200957 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Muara Werle
Resumo O artigo trata da regulamentação escolar como instrumento de repreensão e discute a desigualdade de gênero e de oportunidades na educação, considerada como direito fundamental do cidadão e instrumento para a integração do indivíduo na vida socioeconômica e política. O estudo objetiva expor os mecanismos sancionatórios consagrados pelas escolas moçambicanas, a partir de uma aproximação da realidade brasileira e apontar as construções socioculturais convencionadas pelas comunidades daquele país que afetam a igualdade educacional, o sucesso escolar e a progressão de estudos dos alunos. Metodologicamente, a pesquisa é bibliográfica, desenvolvida por meio da revisão de literatura na perspectiva da democracia e justiça escolar. Além disso, considera dois aspectos que fundamentam parte do insucesso escolar em Moçambique: o primeiro discute a expulsão como repreensão expressa na regulamentação escolar; o segundo debate as desigualdades educacionais de gênero. Constatou-se que, no primeiro aspecto, a expulsão de alunos é prevalecente, é uma sanção predominantemente aplicada nas escolas, transgredindo as normas regulamentares internacionais e nacionais que postulam o direito à educação. No segundo, observou-se que os problemas que afligem as meninas são considerados injustos, quando observados de acordo com as Políticas Educacionais. Diante disso, entende-se que a implementação de políticas de assistência às alunas e a contínua educação sexual e reprodutiva em idade escolar, são temas que devem permear todo o processo educativo moçambicano.

Olhares psicossociais para a prática docente: elaboração de uma estratégia investigativa

PID: S1981-416x2020000300946 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Novaes Souza Sant’Anna
Resumo A análise sistemática das produções vinculadas aos projetos abrigados pelo Centro Internacional de Estudos em Representações Sociais e Subjetividade - Educação (CIERS-ed) da Fundação Carlos Chagas apontou para a necessidade de desenvolvimento de uma pesquisa que buscasse uma compreensão contextualizada sobre representações sociais associadas à ação de professores. O Projeto “Olhares psicossociais para a prática docente” foi construído com o intuito de ampliar a possibilidade de estabelecer conexões entre representações sociais e práticas educacionais a partir da consideração de distintas formas de linguagem. Sua abordagem etnográfica e sua configuração em rede levaram à elaboração de um protocolo, consensuado com os 44 grupos de pesquisa associados ao Centro. O processo e o resultado da criação desse documento são apresentados no artigo, que visou ainda discutir os desafios da realização de um estudo multissituado e de se ambicionar uma generalização analítica com a conclusão do Projeto.

Os fios emaranhados do cultivo de si e o diálogo com a pedagogia

PID: S1981-416x2020000100013 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Hardt
Resumo Tomando como ponto de partida o conceito de cultivo de si em Nietzsche, o artigo tem como objetivo analisar na obra do filósofo a dimensão do sujeito com vistas a pensar o campo da educação e possíveis desdobramentos pedagógicos. Nesse entorno, o artigo dialoga também com Foucault, considerando o conceito de cuidado de si para sugerir aproximações entre os dois autores e em alguma medida diferenciá-los da perspectiva socrática. O texto problematiza, sem desqualificar, as possibilidades de formação em espaços institucionais para destacar a importância do cultivar a si mesmo, pois tais práticas instauram, permitem pensar de outras formas temas da Educação e, para além dela, a nós mesmos, sejamos alunos ou mestres.

Para quem os professores planejam suas aulas? Um estudo de caso luso-brasileiro

PID: S1981-416x2020000200750 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Silva Guimarães Sano
Resumo O planejamento é uma ação pedagógica na qual o professor organiza a sua prática educativa. O planejamento é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente. Deste modo, plano é uma espécie de teorização, um instrumento de reflexão sobre a sua prática docente. Mas será que os docentes concordam com as definições teóricas do papel da planificação? Assim, é preciso conhecer a concepção dos professores sobre o planejamento no ensino. O objetivo desta pesquisa foi verificar o que os professores consideram ao planejar suas ações; e se, nesta ação, consideram o perfil profissional dos estudantes, professores e/ou biólogos. Esta pesquisa tem um caráter qualitativo e adotou a entrevista como método de coleta de dados e a teoria fundamentada nos dados como método de análise. Foram entrevistados quinze professores de Botânica advindos de quatro universidades, sendo três brasileiras e uma portuguesa. Como resultado desta pesquisa, todos os professores consideram os conteúdos abordados nas aulas como fator principal na organização e no planejamento. Em relação ao perfil dos estudantes, metade dos docentes considera que todos devem saber o conteúdo específico, independentemente de onde irão atuar. Conclui-se que a não preocupação com o professor em formação pode interferir na ação desses sujeitos e em sua correlação entre o conhecimento científico e a práxis pedagógica.

Percepções de estudantes do curso de Nutrição sobre uso de metodologias ativas como ferramental do aprendizado por competências

PID: S1981-416x2020000200935 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Ribeiro Raymundo
Resumo Este estudo teve por objetivo analisar as percepções e dificuldades de estudantes do curso de Nutrição da PUCPR no que se refere aos seus protagonismos em um novo modelo de aprendizagem pautado em competências. Foi um estudo qualitativo que utilizou como técnica de coleta de dados o grupo focal. Para a análise, foi usada análise temática, segundo Bardin (2011). Foram encontradas três categorias: significados atribuídos às metodologias ativas, significados atribuídos à estrutura física na utilização das metodologias ativas e mudanças promovidas pela inserção das metodologias ativas no ensino-aprendizagem. Como resultado, foi possível identificar que os estudantes têm percepções positivas da importância do seu protagonismo em um novo modelo de aprendizagem pautado em competências, apesar de serem ainda, em algumas situações, muito reativos à participação nas aulas que empregam metodologias ativas de aprendizado. Concluiu-se que o grande desafio é aperfeiçoar a autonomia do estudante durante todo o curso de graduação, pois ele precisa sair da sua zona de conforto, com mudanças de postura e de modelos mentais; trata-se de um processo constante de aprender a aprender, que tem influência transformadora no meio acadêmico, principalmente com reflexos empreendedores positivos para o mercado de trabalho e para a sociedade.

Políticas de Educação Superior no Brasil e na Suíça

PID: S1981-416x2020000402053 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Gisi Voirol-Rubido
Resumo O objeto deste artigo são as políticas de educação superior do Brasil e da Suíça e tem como objetivo identificar semelhanças decorrentes da implementação dessas políticas. O estudo foi realizado mediante análise de documentos relativos às políticas para a educação superior existentes nos dois países. Com reformas efetuadas a partir da década de 1990, os dois países trilharam caminhos diferentes quando a Suíça aderiu ao Processo de Bolonha. Tal fato já indica diferenças acentuadas, mas pode-se constatar algumas semelhanças que encontram-se também em documentos oriundos de organismos internacionais e conferências sobre a educação superior, evidenciando o impacto da globalização nos diferentes setores sociais. Observa-se que existem semelhanças na organização da educação superior, em especial no que se refere à diversificação institucional e nas exigências de avaliação institucional. No entanto, no que se refere à mobilidade estudantil, se constata uma diferença significativa, pois o Brasil ainda se encontra com poucos estudantes estrangeiros em relação ao total de estudantes matriculados. Há também uma diferença acentuada no que se refere ao financiamento da educação superior, considerando que no Brasil o sistema é majoritariamente privado, ao contrário da Suíça, onde representa apenas 20% do financiamento da educação superior no país. São muitas as reformas efetuadas, mas permanece o questionamento sobre a finalidade da educação superior, que mesmo na sua dimensão profissional, não pode ficar restrita às exigências do mundo do trabalho, mas ter como finalidade uma educação emancipatória.

Professoras idosas do campo: narrativas sobre formação e prática pedagógica

PID: S1981-416x2020000301357 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Souza Pereira Fontana
Resumo Este artigo traz resultados da pesquisa sobre professoras idosas que vivem no campo, em duas regiões do estado do Paraná. O objetivo é compreender a prática pedagógica, a formação inicial e continuada que as professoras tiveram ao longo da trajetória profissional. Os sujeitos da pesquisa são 20 professoras que possuem acima de 60 anos, são moradoras do campo e sempre trabalharam em escolas rurais. A partir de entrevistas semiestruturadas com 7 professoras moradoras do campo e relatos orais de 13 professoras que sempre trabalharam em escolas rurais, é possível afirmar que a prática pedagógica está assentada em quatro aspectos, a saber: formação generalista, independente do contexto agrário brasileiro; organização curricular e conteúdos direcionados à instrução dos alunos; planejamento centrado na decisão das professoras e supervisão realizada pelas secretarias municipais e estadual de educação e proximidade da escola e das professoras com as comunidades, possibilitando articulação entre as atividades realizadas pelas famílias na agricultura e os conteúdos escolares. As professoras se formaram no e pelo trabalho pedagógico. A própria experiência e o apoio de outras professoras propiciavam o aprendizado da docência. Por meio do projeto Logos, a maioria teve acesso à formação pedagógica inicial. Elas demonstram estreita relação entre a vida pessoal-familiar e o trabalho na escola. Cada criança é como se fosse um filho, o que revela perspectivas solidárias e de sociabilidade com as famílias. As professoras sentem-se realizadas no trabalho efetivado ao longo da vida e demonstram saudades do tempo difícil da docência em escola isolada e multisseriada.

Promoção da leitura na universidade: possibilidades por meio do ensino de estratégias de leitura

PID: S1981-416x2020000200696 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Ribeiro Mota
Resumo Leitura e aprendizagem são dimensões intimamente relacionadas. A partir disso, é possível supor que a universidade precisa assumir para si a função de letrar estudantes academicamente. Nessa perspectiva, este artigo objetiva discutir a promoção da leitura na universidade por meio de dados coletados em uma aula sobre estratégias de leitura, demonstrando, ao mesmo tempo, os benefícios da abordagem didática desenvolvida nesta aula. Para tanto, dois questionários (um sobre o uso de estratégias metacognitivas de leitura, outro sobre o comportamento leitor) foram aplicados a vinte e cinco estudantes do segundo período de Letras de uma universidade pública mineira, com o objetivo de entender o uso que estudantes em início de graduação fazem de estratégias de leitura. Os resultados evidenciam que os participantes da pesquisa mobilizam apenas estratégias básicas durante a leitura (relegando estratégias pré e pós leitura), o que aponta para a necessidade do aumento da oferta de atividades didáticas que levem os estudantes a refletirem sobre o próprio comportamento leitor.

Pós-graduação: a orientação coletiva como espaço de formação do futuro pesquisador

PID: S1981-416x2020000200890 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Silva Ferreira
Resumo Neste artigo apresentamos algumas reflexões sobre a experiência da orientação coletiva (OC). A questão central do artigo é traçar considerações sobre em que medida a dinâmica metodológica desenvolvida na orientação coletiva pode contribuir para a compreensão do processo de pesquisa e escrita científica da dissertação de mestrado. Este estudo decorre das determinações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para a formação de novos pesquisadores em prazos mais curtos, o que tem pressionado a pesquisa a se alinhar cada vez mais com os interesses do mercado, além de evidenciar a intrincada relação entre orientador e orientando no processo de escrita e produção do conhecimento. Esse contexto nos obriga a prestar mais atenção aos processos de orientação, tornando-o coletivo, considerando que este permite que o educando exercite sua capacidade de expor, justificar e deixar mais nítida a sua proposta de pesquisa. A esse processo juntam-se os professores da mesma área e linha de pesquisa do programa. Para a fundamentação teórica, ancoramo-nos em Gramsci (2001), Alvarenga (2011), Bianchetti e Machado (2012) e Severino (2012), dentre outros. Acreditamos que esta discussão tem potencial para contribuir para o debate sobre a formação de pesquisadores, considerando que a luta popular pelo direito a uma educação pública e a uma vida social e coletiva melhor é o elemento-chave para o ponto de partida da produção do conhecimento nos cursos de pós-graduação da área de humanas.

Racismo, direitos humanos e ensino superior na América Latina

PID: S1981-416x2020000200630 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Mato
Resumo Este artigo destaca o caráter histórico estrutural do racismo nas sociedades latino-americanas e como sua “naturalização” afeta as possibilidades de indivíduos e comunidades de povos indígenas e afrodescendentes exercerem plenamente o direito à educação, com atenção especial ao ensino superior. A análise enfatiza que esse problema não afeta apenas a qualidade do ensino superior, mas também o exercício efetivo dos direitos humanos estabelecidos nos regulamentos internacionais sobre o assunto e que fazem parte das constituições e leis nacionais dos países da região, que os Estados têm o dever de garantir. O artigo também aponta que a incidência desse problema foi reconhecida pela 3ª Conferência Regional sobre Ensino Superior na América Latina e no Caribe (CRES 2018), cuja declaração final incluiu recomendações sobre o papel que as instituições de ensino superior devem desempenhar na erradicação do racismo em suas comunidades e na sociedade em geral. Para contribuir na viabilização da implementação dessas recomendações, propõe-se contextualizar a ideia de “racismo estrutural” e desagregá-la, diferenciando entre os próprios fatores estruturais, outros específicos para os respectivos sistemas de ensino superior, chamado de sistêmicos, outros característicos de cada IES em particular, que se chama de institucional e, finalmente, outras características de pessoas que estudam ou trabalham nessas instituições, a quem se chama de subjetivas.

Relação entre estilos de aprendizagem em ambientes remotos e inteligência emocional em estudantes de bacharelado

PID: S1981-416x2020000100008 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: LOZANO-RODRÍGUEZ GARCÍA-VÁZQUEZ GARCÍA-CUÉ
Resumo A maneira pela qual um aluno aprende depende de vários fatores, como família, meio ambiente, pessoal, cognitivo e emocional. Um aluno pode preferir uma maneira de aprender, diretamente relacionada ao seu estilo de aprendizagem; mas também pode ser formado melhor, dependendo das emoções que apresenta no momento do ato de educar-se. Se a incorporação das TIC nos programas educacionais nas modalidades a distância é acrescentada ao exposto, o panorama assume uma nuance diferente. Portanto, o objetivo desta pesquisa foi relacionar os Estilos de Aprendizagem em ambientes remotos com alguns fatores de Inteligência Emocional de estudantes de graduação de uma Universidade do Sul de Sonora, Mexico. A pesquisa foi quantitativa, não experimental e correlacional. A amostra foi composta por 193 universitários de várias carreiras matriculadas em agosto de 2018. Foram utilizados dois questionários: o Teste Chiron para Estilos de Aprendizagem e o Questionário de Inteligência Emocional-CIE. Os dados foram analisados por estatística descritiva, testes de normalidade, análise de correlação e comparação de duas amostras independentes. Identificou-se que os alunos que obtêm valores mais altos nos Estilos de Aprendizagem Analítico, Global, Dependente, Teórico e Prático obtêm valores mais baixos nas quatro dimensões emocionais. Os alunos com notas mais altas no Estilo de Aprendizagem Verbal têm valores mais baixos em Autorregulação, Autoeficácia e Empatia. Além disso, sexo e tipo de carreira influenciaram os valores obtidos. Concluiu-se que existe uma relação entre Estilos de Aprendizagem e Inteligência Emocional.

Representação social e inclusão: lidando com a diferença

PID: S1981-416x2020000301015 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Souza Sousa Gonçalves
Resumo O presente artigo procura revelar as representações sociais dos professores na prática da inclusão educacional de alunos com deficiência na escola pública. Trata-se de um projeto que surgiu a partir de necessidades evidenciadas por professores e coordenadores pedagógicos para incluir alunos com deficiência. O objetivo desse projeto é apreender representações sociais de professores sobre a inclusão, bem como refletir e discutir práticas e metodologias dos docentes, o que lhes possibilita repensar sua própria prática e encontrar novos caminhos para inserir alunos com deficiência na escola pública em parceria com a universidade. A pesquisa conta com a participação de professores e alunos do curso de graduação em Psicologia e Pós-Graduação em Educação, bem como docentes da Educação Básica da Rede Pública de Ensino Estadual que aceitaram participar desse estudo, conforme normas éticas. Para tanto, pretende-se investigar as dificuldades de aprendizagem dos alunos incluídos e as dificuldades dos professores da escola para atuar com esses alunos. Foram coletadas as narrativas de professores em dois momentos distintos e estas foram analisadas por meio de metodologia interpretativa como forma de apreender as representações sociais dos professores acerca da prática da inclusão educacional de alunos com deficiência. Os resultados evidenciaram um profundo sentimento de desamparo nas narrativas dos professores e salientaram a necessidade de serem efetivados propostas, medidas e procedimentos que possam aperfeiçoar o processo de atendimento a alunos com deficiência nessa escola, assim como contribuir para a compreensão dos professores sobre as dificuldades específicas de cada um desses alunos.

Representações sociais do trabalho em tensão: narrativas de agentes e professores de Educação Infantil

PID: S1981-416x2020000301064 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Lima Lima
Resumo O estudo investigou representações sociais de agentes e professores de Educação Infantil a respeito do trabalho que desenvolvem nesse segmento educacional. A Teoria das Representações Sociais (TRS), em diálogo com a abordagem (auto)biográfica, enfatizando narrativas de vida, foi o arcabouço teórico-metodológico do estudo. A pesquisa foi desenvolvida em uma creche localizada na zona norte do Rio de Janeiro e envolveu dezesseis mulheres, oito agentes e oito professoras. Os dados foram produzidos a partir de entrevistas/conversa, analisadas com apoio da análise de conteúdo. Os resultados evidenciaram que, para os dois grupos, a natureza do trabalho é a mesma. No entanto, agentes reivindicam o reconhecimento da categoria como professoras e estas, apesar de reconhecerem que realizam as mesmas tarefas, acreditam terem maior responsabilidade que as agentes junto às demandas da direção da instituição e da Secretaria Municipal de Educação. Esta diferença está na origem de tensões vivenciadas pelos dois grupos em seu cotidiano de trabalho. As narrativas demonstraram que as histórias de vida são basilares à construção e compreensão das representações sociais dos grupos e revelaram que a tensão velada reforça a dicotomia do binômio cuidar-educar.

Sociedade civil e sociedade política na formação stricto sensu de professores da educação básica: correlações de forças

PID: S1981-416x2020000401967 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Oliveira Lagar Silva
Resumo O artigo busca compreender, com base no pensamento de Antonio Gramsci, a relação e as contradições existentes entre sociedade civil e sociedade política no que se refere ao entendimento da pós-graduação stricto sensu como possibilidade de formação continuada de professores da educação básica. Para tanto, foram realizadas pesquisa bibliográfica, para a exploração de conceitos gramscianos que auxiliem na compreensão do objeto, e entrevistas semiestruturadas com representantes de entidades/instituições ligadas à formação de professores e à pós-graduação. Desse modo, observa-se que há conflitos entre os dois polos da superestrutura, pois os mecanismos que representam a sociedade política entendem que a formação continuada no nível stricto sensu precisa caminhar na direção pragmatista e num formato flexível, a distância. Por outro lado, as entidades da sociedade civil, representativas da formação, entendem que tal formação precisa ser estruturada como política, com condições concretas, rigor teórico, científico e metodológico, independente do formato, o que garante a práxis. Tais manifestações permitem concluir que não há unidade entre sociedade civil e sociedade política quanto à formação docente na educação básica, o que provoca políticas públicas fragmentadas e descontínuas.

Trabalho docente e narrativa: as dimensões do Ser docente

PID: S1981-416x2020000301185 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Carreras Belló Stockl
Resumo O ser docente define-se entorno de quarto grandes dimensoes que funcionan entre sí como como camadas concentricas e cada uma de las tem uma dinamica distinta. O ser ontológico, o ser ético, o ser pragmático e o ser politico conjugados de tal forma que permitem delimitar a essencia do fenómeno do trabalho docente. As conclusoes chegou-se um estudo fenomenológico que teve por objetivo relevar a experiencia de professores latinoamericanos em torno de sua actividade, a través da escrita de experiencias narradas a colegas em cartas. Com esta finalidade, contou-se com a participacao voluntária de 15 docentes, 10 provenientes do Norte da Argentina e 5 do sul do México, selecionados intencionalmente. Esses professores foram convidados a escrever uma carta dirigida a um colega estrangeiro narrando sobre a experiencia de seu trabalho. Este corpus obtido foi analisado pelo método Colaizzi (1978) obtendo um total de 245 declaracoes significativas extraídas apos as primeiras leituras, 239 significados formulados, 56 agrupamentos temáticos e, 17 temas emergentes que se tornam em todas as 4 categorias teóricas que describen la esencia del fenómeno abordado.

Trajetórias de formadoras de professores: os desafios do desenvolvimento profissional docente

PID: S1981-416x2020000200820 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Hernandes Barreiro
Resumo A temática da formação de professores tem sido bastante pesquisada nas últimas décadas por se reconhecer a relevância do professor na construção de uma educação de qualidade, entendida aqui como aquela capaz de contribuir no desenvolvimento integral dos educandos. Em qualquer campo de atuação, o conhecimento profissional representa o conjunto de saberes que habilita ao exercício da profissão, no entanto, no exercício da docência este conhecimento ultrapassa os saberes acadêmicos possíveis de serem construídos nos bancos universitários. A investigação aqui apresentada foi realizada entre os anos de 2018 e 2019 e teve como principal objetivo compreender o desenvolvimento profissional de formadores de professores de um Curso de Formação Pedagógica, graduação destinada a habilitar para a docência sujeitos que se formam bacharéis e tecnólogos e desejam atuar como professores da Educação Profissional e Tecnológica, especialmente a que está situada no âmbito da educação básica. Como metodologia de pesquisa foi utilizada a pesquisa narrativa, por privilegiar a fala dos professores como fonte, propiciando a articulação das dimensões pessoais e sociais que compõem suas ideias, suas crenças, seus modos de pensar e estar no papel de formadores de professores. Como método de análise, optou-se pela Análise Qualitativa de Conteúdo, pois permite analisar de forma compreensiva e indutiva as formas de comunicação. Os sujeitos da pesquisa são professoras que atuam no curso como orientadoras de estágio. Os resultados apontaram para influência de vivências pessoais enquanto estudante, da formação continuada em educação e de suas trajetórias de vida profissional em seu desenvolvimento profissional. Conclui-se que o desenvolvimento profissional das professoras formadoras teve como uma de suas fontes principais a graduação em pedagogia, ampliando-se através da formação continuada na área da educação e das aprendizagens que advém da relação com outros docentes e com os estudantes. Assim, ressalta-se a importância de pensar em espaços e tempos de formação, inicial e continuada, de professores de ensino superior.

Um estudo sobre famílias de alunos de escola pública nas representações sociais construídas por docentes

PID: S1981-416x2020000301332 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Lima Machado
Resumo No Brasil, a universalização do acesso à escola pública desestabilizou a relação família-escola. Neste artigo, recorte de uma pesquisa de Doutorado em Educação, analisamos as representações sociais das famílias dos alunos de escola pública construídas por professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental e como essas representações orientam suas práticas. Constituíram-se referenciais teóricos para estudos de família e da relação família-escola autores como Scott (2011), Goldani (1993; 2005), Silva (2003; 2012), Nogueira (2006) e Thin (2006). A Teoria das Representações Sociais, originada por Moscovici, orientou a pesquisa. O estudo, de natureza qualitativa, foi realizado na Rede Municipal de Ensino do Recife-PE. A coleta de informações foi dividida em duas fases. Da primeira, participaram 15 professoras ; e da segunda, três dessas docentes. Na primeira fase, utilizamos a entrevista semiestruturada, procedimento de coleta de base. Na segunda, realizamos a observação de Plantões Pedagógicos, procedimento complementar. Para análise dos dados, usamos a Técnica de Análise de Conteúdo Categorial Temática. Nas representações sociais, construídas pelas professoras na confluência de saberes de origens diversas, as famílias dos alunos delegam funções à escola por serem, em sua maioria, “desestruturadas”. As representações revelam que há resistência à ampliação de funções da escola, mas mostram que essa ampliação orienta práticas. Nessas representações sociais, predomina um conteúdo representacional negativo que orienta práticas das docentes. A pesquisa poderá suscitar novas reflexões no âmbito das práticas formadoras, das práticas pedagógicas e docentes e das políticas educacionais.

Uma perspectiva dialógica de representações sociais sobre o uso de tecnologias digitais em contexto educacional

PID: S1981-416x2020000301038 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: bastos ribeiro
Resumo Tendo em vista a importância de se compreender como é construído um conhecimento socialmente compartilhado em contexto educacional, verificamos as representações sociais de professores de um curso de letras inglês de uma universidade do interior do estado do Ceará sobre o uso de tecnologias digitais. Para dar corpo à esta reflexão, utilizamos a Teoria das Representações Sociais na perspectiva dialógica. O dispositivo metodológico autoconfrontação possibilitou a geração do corpus discursivo. A análise se concentrou em torno das diferentes relações entre alter/ego/objeto flagradas nos diálogos com os professores. Concluímos que as representações sociais sobre o uso das tecnologias digitais em contexto educacional giram em torno de themata do tipo “fácil/difícil” e “certo/errado”. A semântica positiva dos léxicos “fácil” e “certo” construiu a representação de que o uso de tecnologias digitais é melhor para os alunos, fácil, prático e válido, enquanto a semântica negativa dos léxicos “difícil” e “errado” compôs a representação do objeto como uma obrigação, difícil, trabalhoso ou, até mesmo, inadequado. As relações dialógicas na tematização do objeto sinalizam que o tema ainda é palco de tensão e constantemente negociado nas práticas de linguagem dos professores. Advogamos, assim, pela necessidade de políticas púbicas que viabilizem a formação do professor de maneira a levá-lo a ressignificar a relação com as tecnologias digitais para além das categorias oposicionais verificadas.

Vestígios memorialísticos de Anísio Teixeira: interlocuções com a educação jesuítica no início do século XX

PID: S1981-416x2020000100011 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2020
Autores: Matos Sousa
Resumo Este trabalho resgata e analisa os vestígios e interlocuções advindos da influência jesuítica do percurso formativo de Anísio Teixeira na Bahia, a partir de uma abordagem qualitativa e de cunho memorialista. A pesquisa priorizou a análise de discursos e de fontes documentais. Estudando a vida pública e os fazimentos de Anísio Teixeira, rememora-se o seu legado na proposta de um modelo educacional sem privilégios, destinada democraticamente para todos, com destaque para o Movimento Escolanovista e a criação de escolas de tempo integral, em Salvador e em Brasília. Observa-se que um dos modelos propostos em sua vida pública, as escolas de tempo integral, inspira-se naquele que Anísio vivenciou durante sua educação básica, em colégios jesuítas baianos, com destaque para o desenvolvimento das faculdades intelectuais, morais, sociais e físicas dos alunos. Sua vivência com pragmatistas e escolanovistas, tanto no Brasil quanto no exterior, cimentou uma concepção, tida como liberal, de uma Educação Integral laica para todos, não focada em filhos da elite, que, tradicionalmente, estavam presentes nos colégios jesuítas. Vale ressaltar que, durante as investigações, observamos um apagamento desse período jesuítico da memória anisiana, estigmatizado, inclusive, como indiferente, porém importante para a elucidação de questões que pairam na roda do pensamento educacional brasileiro.
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