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O Paradigma da Complexidade: contexto transdisciplinar para uma educação emancipadora

PID: S1981-416x2025000301056 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Alves Torres
Resumo Este texto propõe reflexões ao reconhecer abordagens educacionais emergentes como desdobramentos do paradigma educacional da complexidade, satisfazendo as necessidades desse terceiro milênio. Para a compreensão dos conceitos entrelaçados, a metodologia utilizada foi a pesquisa qualitativa, à medida em que buscou-se pela compreensão dos fenômenos estudados, interpretando contextos e teorias sobre o panorama complexo e seus desdobramentos na contemporaneidade. Em contraposição à afirmação de que ainda não foi possível implantar todos os procedimentos pelos quais a educação vem se esforçando desde o início do século XX, com os paradigmas inovadores, deve-se reconhecer que, mesmo que em proporções mínimas e em doses homeopáticas, colhem-se frutos dos esforços conquistados. Entre os principais autores citados estão Paulo Freire (2020; 2020b; 2020c), como sua abordagem progressista educacional, extremamente relevante para o desenvolvimento da complexidade, e Edgar Morin (2015; 2018; 2020), justamente pela maneira como apresenta seu pensamento complexo, edificador do paradigma vigente. Ao final, pode-se concluir que esta perspectiva amplia os horizontes do ensino-aprendizagem, estimulando a construção coletiva do saber ao preparar sujeitos éticos e solidários para enfrentar os desafios globais e existenciais do século XXI, lembrando-se sempre que é no espaço simbólico do coração que reside a chave para superar a crise planetária atual.

O Projeto de Vida na Educação Básica: educação sensível e humanidades em perspectiva à obra de Lise Bourbeau

PID: S1981-416x2025000100208 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Rosa Nogaro
Resumo A busca por práticas que vão além da simples transmissão de conhecimentos técnicos, que se debruce em explorar a utopia e propondo pedagogias sensíveis que considerem não apenas o intelecto, mas também as emoções, valores e experiências de vida, deve ser uma prioridade nas escolas. O desenvolvimento do Projeto de Vida emerge como uma ferramenta fundamental para integrar essas dimensões, promovendo uma educação mais humana e sensível. Esse tipo de educação, capaz de contribuir para a formação de uma consciência elevada, tem sido o foco de muitos pesquisadores. O objetivo deste artigo é discutir a prática pedagógica sensível e sua contribuição para uma formação mais humana, equilibrando razão e emoção na Educação Básica em uma escola pública no noroeste do Rio Grande do Sul. Os desafios sociais, ambientais e tecnológicos do século XXI demandam uma reformulação dos modelos educacionais e reforçam a necessidade de uma educação que valorize o ser integral. A partir de abordagem fenomenológica de Merleau-Ponty (2018) e dialogando com autores sobre a formação humana, este estudo reflete, à luz das perspectivas teóricas educação sensível e prática reflexiva, sobre a prática desenvolvida. A análise de conteúdo de Bardin (2011) orienta a pesquisa. Os resultados indicam que o desenvolvimento de práticas sensíveis, como o Projeto de Vida, pode transformar a escola em um espaço de verdadeira formação humana, apesar dos desafios que educadores e instituições enfrentam ao implementar essa perspectiva transformadora.

O brincar na Educação Infantil: estar com amigos, interagir e se apropriar do mundo

PID: S1981-416x2025000200426 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Santos Lira
Resumo A Educação Infantil é um espaço-tempo rico em possibilidades para que as crianças ampliem seus repertórios culturais e vivenciem interações por meio das brincadeiras. O artigo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa de Mestrado em Educação (Santos, 2024); está ancorado em uma abordagem qualitativa e fundamentado no campo da Sociologia da Infância. Tem como objetivo discutir de que modo as crianças vivenciam o brincar no contexto da Educação Infantil, quais são os seus principais interesses em relação a essa atividade, como se organizam, ocupam os espaços e interagem entre si. Como estratégias metodológicas, a investigação se fundamentou na pesquisa com crianças e lançou mão de observações de situações e momentos de brincadeiras, rodas de conversas, produções de registros fotográficos e diálogos com um grupo de crianças de 3 e 4 anos de idade. Para a análise dos resultados, optou-se pela triangulação dos dados, que permitiu identificar os temas e aspectos mais presentes e recorrentes ao longo da pesquisa, os quais nortearam a construção de categorias analíticas. Foi possível constatar que o brincar na Educação Infantil está intimamente assoaciado às interações que as crianças constroem umas com as outras, às experiências vivenciadas nos espaços da instituição educativa e às relações que desenvolvem com os brinquedos disponíveis.

O ensino industrial sob o viés legal: das leis orgânicas (1942) à LDB 4.024/1961

PID: S1981-416x2025000301598 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Lemos Junior
Resumo Este artigo tem como objetivo principal analisar a legislação educacional a partir da promulgação da lei orgânica do ensino industrial e da lei de criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), ocorridas em janeiro de 1942 até o ano de 1961, quando foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 4.024/1961. Como categorias de análise, buscou-se esclarecer o desenvolvimento do ensino industrial no recorte proposto sob dois aspectos: I - em relação a articulação entre os níveis de ensino, em especial, nas possibilidades de verticalização de ensino aos egressos dos diferentes cursos industriais; II - em relação a questão das instituições públicas e privadas responsáveis pelo ensino industrial, com foco nas escolas técnicas da rede federal e do SENAI. O artigo está dividido em três partes. A primeira parte, busca contextualizar a organização do ensino industrial ocorrida devido a promulgação do Decreto-Lei 4.073, de 30 de janeiro de 1942, a Lei orgânica do ensino industrial e do Decreto-lei 4.048, de 22 de janeiro de 1942, que criou o SENAI. A segunda parte trata de analisar a trajetória do ensino industrial durante a década de 1950, e por fim, a terceira parte trata de analisar a EPT no âmbito da LDB 4.024/1961. O período analisado aborda a trajetória da verticalização do ensino industrial, iniciando com a lei orgânica do ensino industrial, que permitiu a possibilidade de ingresso em curso superior aos técnicos de área correlata até a promulgação da LDB 4.024/1961, que promoveu a articulação total entre os níveis.

O fechamento de escolas multisseriadas em território campesino: o que apontam as pesquisas (2005 a 2022)

PID: S1981-416x2025000200901 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Baldotto Moreto Foerste
Resumo Este artigo apresenta uma abordagem qualitativa do tipo estado do conhecimento sobre o fechamento de escolas multisseriadas em território campesino. Neste trabalho, foram mapeadas as pesquisas sobre o fechamento das escolas multisseriadas em território campesino, por meio das plataformas do Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), no período de 2005 a 2022. Nesta pesquisa, objetivamos desvelar tensionamentos e discussões contemporâneas por meio da produção científica, de forma geral, e, em específico, de Estados de Conhecimento na área da Educação do Campo, com foco no fechamento de escolas multisseriadas. O corpus de análise final se configurou em 10 dissertações captadas nas plataformas Capes e BDTD, com a leitura de todos os trabalhos e auxílio do software IRaMuTeQ. Essas pesquisas foram analisadas e categorizadas com aproximação máxima à temática “fechamento da escola multisseriada na Educação do Campo”. Os resultados indicaram a fragilidade nas pesquisas sobre o fechamento de escolas multisseriadas em cursos de mestrado e a necessidade de continuidade dessas pesquisas em cursos de doutorado.

O penduricalho do Projeto de Vida no Novo Ensino Médio Gaúcho: o proposto pelo Referencial Curricular Gaúcho e o vivido pelos estudantes

PID: S1981-416x2025000100173 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Tonieto Fávero Bellenzier Centenaro
Resumo O presente artigo tem por objetivo identificar as consonâncias e discrepâncias entre o que é proposto pela política e o que é vivido no cotidiano escolar, confrontando o que é anunciado no Projeto de Vida, como eixo articulador do Referencial Curricular Gaúcho do Ensino Médio, e a visão dos estudantes do Ensino Médio. O estudo busca responder a seguinte pergunta: qual a percepção dos estudantes gaúchos a respeito do componente curricular do Projeto de Vida? Trata-se de uma pesquisa básica, exploratória e de abordagem qualitativa-quantitativa, delineada em um estudo de caso com dez escolas que fizeram parte do projeto piloto de implementação do Novo Ensino Médio no Rio Grande do Sul. Dentre as conclusões do estudo, é possível afirmar que o reconhecimento do Projeto de Vida enquanto princípio educativo ainda precisa ser aperfeiçoado, pois se torna uma espécie de adorno para chamar atenção e que ainda precisa mostrar o seu potencial inovador e sua factibilidade.

O sistema educativo angolano e a docência: desafios históricos e precariedades persistentes

PID: S1981-416x2025000301441 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Muanda Santana
Resumo Este artigo tem como objetivo apresentar um panorama que analisa a precarização da formação docente em Angola em articulação com os problemas sociais que afetaram o país, evidenciando como tais dimensões impactam diretamente a qualidade da educação básica. Partindo de uma abordagem histórico-crítica, ancorada em Gatti (2010), Saviani (1997), Samuels (2011) e Zau (2011), este artigo evidencia que o legado da colonização, os efeitos da guerra civil e os limites estruturais das políticas educacionais têm efeito negativo na formação inicial e nas condições de trabalho dos professores. Como conclusão, foi possível evidenciar que os problemas vivenciados na educação básica estão articulados, entre outros fatores, à ausência de uma política educacional que contemple a formação docente e que a superação desse cenário exige investimentos estruturais e uma concepção de formação comprometida com a transformação social.

Percepções e significados sobre a feminilização da gestão escolar na educação básica

PID: S1981-416x2025000301583 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Maso Furlin
Resumo Com a feminização da educação básica, a gestão escolar também passou a ser predominantemente exercida por mulheres. Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo analisar, sob a perspectiva de gênero, as percepções e os significados atribuídos por mulheres ao fato de constituírem a maioria nos cargos de gestão escolar na educação básica. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter descritivo-analítico. Os dados foram produzidos por meio do envio de um questionário, contendo perguntas abertas e fechadas, a diretoras de unidades escolares da rede estadual de Santa Catarina. A análise dos dados foi realizada com base na abordagem hermenêutica interpretativa (Minayo, 2014) e fundamentada nos pressupostos teóricos dos estudos de gênero, especialmente nas concepções que envolvem as relações de poder. Os resultados indicam que as mulheres atribuem diferentes significados à sua presença majoritária na gestão escolar, compreendendo-a como expressão da feminização da docência, da igualdade de competências de liderança entre os gêneros e, em alguns casos, como decorrente de habilidades associadas a uma suposta natureza feminina.

Possibilidades emergentes em narrativas de professores de turmas multisseriadas: ensinar-aprender em Escolas das Águas no Pantanal

PID: S1981-416x2025000301084 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Nozu Kassar
Resumo As escolas/classes multisseriadas é uma forma de organização educativa geralmente utilizada em contextos de baixa densidade demográfica. Em Corumbá, Mato Grosso do Sul, Brasil, há um conjunto de unidades de ensino denominado de Escolas das Águas, caracterizadas por estarem em região de difícil acesso e cuja dinâmica é influenciada pelo ciclo das águas da planície do Pantanal. Em face a este cenário, o presente artigo objetiva evidenciar, em narrativas de professores de turmas multisseriadas, a emergência de possibilidades de ensinar-aprender em Escolas das Águas no Pantanal sul-mato-grossense. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa, com a participação de 21 professores, que foram entrevistados no ano de 2019. Os resultados foram organizados em duas seções analíticas: a primeira apresenta a organização e o funcionamento das Escolas das Águas; a segunda focaliza as narrativas docentes sobre o ensinar-aprender em turmas multisseriadas das Escolas das Águas. Conclui-se que as narrativas docentes podem evocar experiências de ensinar-aprender contra-hegemônicas, que trazem, simultaneamente, anúncios de criatividade de práticas pedagógicas em contextos complexos e denúncias quanto às, muitas vezes, precárias condições materiais para a realização do processo educacional nessas localidades.

Posso escolher meu futuro? A reforma do Ensino Médio e o componente curricular Projeto de Vida

PID: S1981-416x2025000100026 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Oliveira Sousa Ens
Resumo A Lei nº 13.415, publicada em fevereiro de 2017 (Brasil, 2017), promoveu alterações radicais na proposta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/1996) e deu uma nova organização para o Ensino Médio brasileiro. A proposta da reforma apoiou-se na justificativa de que a maneira como estava organizado o Ensino Médio era de baixa qualidade e não dialogava com a juventude, com o setor produtivo, tampouco com as demandas do século XXI e isso provocava altos índices de abandono e de reprovação. As propostas centrais da nova legislação giram em torno da ampliação da carga horária de estudos, redução do número de disciplinas, organização de um currículo mais flexível e a separação da formação entre uma parte comum a todos os estudantes e outra diversificada, a fim de contemplar os Itinerários Formativos. Em razão disso, o objetivo deste artigo é discutir o componente curricular de “Projeto de Vida”, tido como um dos princípios norteadores da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e como estratégia para instrumentalizar os(as) estudantes a refletirem sobre seus objetivos e propósitos futuros em articulação com as representações sociais de estudantes do Ensino Médio. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa bibliográfica, documental e de campo, integrada aos estudos da Rede Projeto de Vida, com a proposta de que a escola se volte para refletir e discutir “Trajetórias de Vida”, com seus estudantes.

Processos (de)coloniais relacionados às infâncias: o brincar ao ar livre na Educação Infantil

PID: S1981-416x2025000200663 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Lima Almeida
Resumo O artigo discute a respeito da (de)colonialidade adultocêntrica sobre as crianças pequenas durante o brincar. Este é um recorte de uma pesquisa que buscou compreender sobre processos coloniais e decoloniais relacionados às infâncias, por meio da análise das relações de crianças com seus pares e com educadoras, estabelecidas nos espaços ao ar livre de um CMEI em uma comunidade do campo. Para alcançar esse objetivo, optamos por uma abordagem qualitativa, com inspiração etnográfica, aliada às concepções de metodologias de pesquisas com crianças, tendo como procedimento metodológico a observação participante. Os dados obtidos foram organizados em três categorias, das quais duas são discutidas neste trabalho: Colonialidade e o brincar ao ar livre e Aspectos que contribuem na construção de processos decoloniais. Dentre os resultados e conclusões apresentados estão: a existência de múltiplas dimensões que afetam, positiva ou negativamente, os processos decoloniais relacionados às infâncias e ao brincar na Educação Infantil; a presença de atos coloniais-adultocêntricos das educadoras; a ocorrência de (re)produção desses atos também pelas crianças; e a verificação de que elas se utilizam de estratégias decoloniais, enquanto brincam e produzem culturas.

Professores com deficiência física no cenário educacional brasileiro: uma revisão sistemática

PID: S1981-416x2025000200767 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Santos Franco
Resumo A presente revisão sistemática objetivou elucidar como pesquisas têm abordado a realidade dos professores com deficiência física no Brasil, considerando estudos publicados de 2011 a 2021. A revisão sistemática foi conduzida e realizada de acordo com as diretrizes descritas na declaração PRISMA. Foram incluídos estudos qualitativos disponíveis nas bases de dados Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações - BDTD e SciELO, focados nas trajetórias formativas e profissionais desses docentes. Dos 697 registros identificados, dois estudos atenderam aos critérios de inclusão. A análise revelou que, além de barreiras físicas, os professores enfrentam estigmas sociais que impactam a percepção de suas competências pedagógicas, evidenciando a influência da imagem corporal e do capacitismo em seu cotidiano profissional. Conclui-se que o preconceito estrutural e a escassez de políticas inclusivas perpetuam desafios, enquanto a literatura ainda apresenta lacunas significativas sobre as experiências docentes, dessa população.

Projetos de vida e representações sociais de Ensino Médio para estudantes: uma articulação com a abordagem dialógica

PID: S1981-416x2025000100153 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Santana Chamon Camarini
Resumo Estudos na área da Educação, e em especial sobre o Ensino Médio, voltam-se para as especificidades do estudante dessa etapa da Educação Básica e para a relação que se estabelece com o trabalho, com o emprego e o crescimento econômico, e com a elaboração de seus projetos de vida. Considera-se, neste estudo, projetos de vida (no plural) como expressões das possibilidades de escolha do sujeito diante das circunstâncias que se apresentam ao longo de sua vida, e relacionados ao desejo de realizações, de transformações, nas diferentes dimensões da vida (intelectual, física, emocional, social e cultural), observando-se o passado e o presente, na perspectiva de futuro. Com objetivo de analisar as representações sociais de Ensino Médio e curso profissionalizante, e como se relacionam com projetos de vida, realizou-se estudo envolvendo 218 estudantes do Ensino Médio, de escolas públicas, utilizando questionários e entrevista semiestruturada como instrumentos de coleta de dados. Na análise dos dados, buscou-se articular as abordagens sociogenética e dialógica, da Teoria das representações sociais. Os resultados revelam que os desejos e expectativas dos estudantes frente ao futuro estão intimamente relacionados com conquistar uma profissão valorizada, ser reconhecido (socialmente) e obter estabilidade financeira e familiar.

Projetos e vida: narrativas de egressos do Ensino Médio Integral do estado de São Paulo

PID: S1981-416x2025000100192 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Pucci Seimandi Ferreira
Resumo Recentes reformas do Ensino Médio mudaram a configuração da oferta desta etapa da Educação Básica. O presente estudo tem como objetivo compreender como as experiências e relações estabelecidas no Ensino Médio de tempo integral participam na formação cidadã de alunos egressos do Ensino Médio. Para tanto, foram analisadas as narrativas de egressos do Ensino Médio de uma escola estadual, localizada no interior de São Paulo, que aderiu ao Programa Ensino Integral (PEI). O fundamento teórico é amparado por uma perspectiva crítica, construída a partir da contribuição de autores que discutem a Educação e o Ensino Médio no contexto neoliberal. Apresenta-se uma contextualização do Programa Ensino Integral (PEI) de São Paulo e do Projeto de vida (considerado fio condutor de perspectivas e ações do PEI). O diálogo com egressos aponta que as experiências que promovem reflexão, autonomia e emancipação têm mais possibilidades de acontecerem dentro de um modelo que inclua o aluno mais tempo na escola, que o permita construir um projeto de/para a sua vida, considerando o olhar responsável e coletivo. Ainda, as oportunidades de exercício da cidadania não foram méritos de um Programa, mas possibilitadas por um contexto escolar que reunia condições para tal.

Prática docente: análise do desenvolvimento de uma sequência didática para o trabalho com a inclusão na Educação Infantil

PID: S1981-416x2025000301202 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Conceição
Resumo Os objetivos da pesquisa consistem em apresentar uma sequência didática desenvolvida para o último ano da Educação Infantil, visando o desenvolvimento de um ambiente inclusivo, e analisar o desenvolvimento dessa sequência a partir das percepções dos educandos sobre as deficiências, comparando-as antes e após a intervenção. Para isso, selecionou-se uma turma de uma Escola Municipal de Educação Infantil, com educandos de 5 e 6 anos. Inicialmente, na Hora de Estudo Coletivo, os professores da escola selecionada, participaram de formações relacionadas com a inclusão. Ao final, elaborou-se uma sequência didática sobre a temática para ser trabalhada com os educandos. Antes e após o trabalho com essa sequência, os educandos responderam a um questionário relacionado com percepções de deficiências, cujas respostas foram categorizadas em: “desconhecimento”, “ideia fantasiosa”, “informação equivocada” e “resposta favorável”. Houve aumento das respostas favoráveis sobre a percepção dos educandos relacionadas com todas as deficiências. A variação relativa em relação ao valor inicial das respostas favoráveis é de 76,3%, demonstrando um aumento significativo do conhecimento da temática inclusiva. A ordem das respostas mais favoráveis para as menos favoráveis estava relacionada com: Deficiência Visual, Auditiva, Física e Intelectual.

Práticas pedagógicas e questões sociais: evasão na Educação de Jovens e Adultos

PID: S1981-416x2025000301252 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Guimarães
Resumo Esta pesquisa teve por objetivo identificar nas produções acadêmicas os fatores que contribuem para a evasão na Educação de Jovens e Adultos - EJA. Para tanto, realizamos um levantamento na base de dados da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), a partir do descritor “MOTIVOS EVASÃO EJA” no título e no resumo. Os resultados evidenciados nas 22 pesquisas apontam que os fatores que contribuem para a evasão na EJA estão atrelados a duas grandes categorias: 1a) questões sociais: trabalho, dinâmicas familiares, carência de incentivo familiar, maternidade, casamento, optar entre trabalhar e estudar, e acabam dando preferência para o trabalho, entrada precoce do mercado de trabalho, obstáculos de mobilidade, desgaste que o trabalho provoca; 2a) ligação com o espaço escolar: prática pedagógica inadequada, ausência de material didático específico, desconexão entre o currículo escolar e a realidade dos alunos. Acreditamos que é necessária a reconfiguração da EJA, com políticas públicas que considerem as às especificidades e particularidades dos sujeitos que recorrem a essa modalidade de ensino. Sujeitos estes que, após terem o acesso à educação negado e interrompido por diversos fatores, enfrentam novamente desafios sociais, econômicos e culturais para dar continuidade aos estudos.

Quando a dignidade não cabe na ementa: uma análise da formação inicial de pedagogas(os) no Brasil

PID: S1981-416x2025000301342 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Souza Reis Furtado
Resumo Este apresenta a presença/ausência de indicadores da Educação em Direitos Humanos (EDH) nos currículos dos cursos de Pedagogia no Brasil, a partir da análise de conteúdo de 220 Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) de instituições públicas e privadas. Os resultados revelam que a EDH permanece marginalizada, com abordagens fragmentadas, pontuais e frequentemente eletivas, sem articulação interdisciplinar e sem centralidade na formação docente. A investigação adota uma abordagem qualiquantitativa e fundamenta-se em referenciais críticos e decoloniais, apontando que os princípios de igualdade, liberdade e identidade são os mais recorrentes, enquanto dimensões como relações étnico-raciais, de gênero, afetivo-sexuais e mais-que-humanas são escassamente abordadas. O estudo interpreta esses dados como expressão de um projeto de formação ainda ancorado em um mito universal de humanidade, que silencia outras formas de existência e conhecimento. Ao propor a EDH decolonial como prática ética e insurgente, o artigo defende uma formação que valorize a dignidade em sua dimensão relacional, política e planetária.

Redes que conectam: superando desafios no atendimento aos estudantes do Ensino Superior

PID: S1981-416x2025000301516 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Magnago Pavão
Resumo Este estudo examinou a conjuntura do Ensino Superior Público referente aos obstáculos enfrentados pelos estudantes e às ações de apoio psicopedagógico para superá-los. Realizou-se o estudo de múltiplos casos e a Epistemologia Qualitativa embasou a análise através do Método Construtivo-Interpretativo. O resultado indicou uma avaliação positiva das ações de apoio psicopedagógico ofertadas a estudantes de uma Universidade Federal, identificou limites na sua propositura e estabeleceu determinantes para a criação de um espaço acadêmico que conjugue formação superior e permanência universitária com qualidade. Conclui-se que é necessário atuar sobre a causa dos obstáculos, por meio de práticas interligadas e inclusivas, e de acolhimento e corresponsabilização no atendimento aos estudantes.

Reflexões sobre a formação de professores e o ensino de temas de Geociências na educação básica

PID: S1981-416x2025000100258 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Silva Rezende Filho
Resumo O presente trabalho busca analisar aspectos da identidade epistemológica das Geociências, bem como das particularidades de seu ensino, entendendo-os como elementos relevantes para os debates sobre a formação e sobre a prática docente. A fim de embasar essas reflexões serão descritos os resultados de um processo de revisão narrativa de parte da produção realizada nos últimos vinte anos voltadas à temática em destaque. A leitura dos trabalhos permitiu identificarmos importantes elementos para esse debate: Ao abordar a identidade das Geociências, os autores destacam sua relação com a empiria, seu caráter histórico e experimental e sua correlação com outros campos do saber. Ao abordar seu ensino, reforçam sua relevância para a formação de cidadãos conscientes acerca de temas científicos e para seu papel na promoção de uma aprendizagem sistêmica e multidisciplinar das ciências. No que se refere à formação específica de professores da educação básica para atuação no ensino de Geociências, os trabalhos demonstram a necessidade de refletir sobre possíveis mudanças estruturais na capacitação inicial acadêmica, da mesma forma como buscam refletir e construir novas experiências de formação continuada.

Reflexões sociológicas para quê? Com acadêmicos indígenas, em contexto universitário amazonense

PID: S1981-416x2025000201033 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Carvalho Saraiva
Resumo Este artigo tem como objetivo refletir sobre a importância do componente curricular sociologia da educação, com acadêmicos indígenas multilíngues no curso de Licenciatura em Letras, executado por uma universidade pública, pelo Programa de Formação de Professores (Parfor), em 2024, no município de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 76,9% da população de São Gabriel da Cachoeira se identifica como indígena. Participaram do estudo 81 estudantes, professores em formação de várias etnias. A metodologia desta investigação possui abordagem qualitativa, do tipo descritiva, desenvolvida à luz da pesquisa-ação (Thiollent, 2003), com estratégias etnográficas (Chizzotti, 2003). A pesquisa-ação foi adotada por se tratar de uma investigação com foco em experiências de aprendizagens, em duas turmas, no curso de Licenciatura em Letras. Participaram da pesquisa 81 acadêmicos indígenas falantes das respectivas línguas no chão da universidade. Como resultado, destacam-se coeficientes de performance com média superior à nota mínima para aprovação. Os acadêmicos compreenderam os conteúdos, de forma crítica e reflexiva, do componente curricular a partir das vivências diárias de suas comunidades em contexto da universidade, aliados aos saberes ancestrais e a organização política e social das comunidades em que estão inseridos.
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