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Representações sociais de professores da Amazônia paraense sobre a perspectiva de Projeto de Vida para jovens do Ensino Médio

PID: S1981-416x2025000100139 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Pereira Santos Lima
Resumo Este artigo tem o objetivo de examinar as representações sociais de professores da Amazônia paraense em relação às suas competências específicas da docência e à perspectiva de Projeto de Vida de jovens do Ensino Médio. A metodologia está pautada na pesquisa bibliográfica, com auxílio do referencial teórico da Teoria das Representações Sociais (TRS), além da realização de um grupo focal com professores de três escolas localizadas no estado do Pará, sendo uma pública, uma da rede particular e outra pública vinculada à rede federal. Os resultados revelaram que as representações sociais dos professores, manifestas a partir de distintos problemas realçados pelo grupo focal, apontam como os docentes, independentemente do conhecimento do contexto e da habilidade para o planejamento das ações de ensino, sentem-se responsáveis pelas escolhas dos alunos, referendando o princípio de que todos são capazes de aprender e manifestando que se sentem coautores dos Projetos de Vida dos estudantes.

Revista Nova Escola e o Projeto de Vida: Ajustamento ao Capital e a construção da Hegemonia sobre as juventudes

PID: S1981-416x2025000100072 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Baruffi Gisi
Resumo O presente artigo examina criticamente como a Fundação Lemann, por meio da revista e plataforma digital Nova Escola, influencia e operacionaliza a implementação do Projeto de Vida nas escolas brasileiras. A metodologia adotada é de caráter descritivo-interpretativo, com o objetivo de compreender como a linguagem hegemônica neoliberal se manifesta em veículos de comunicação voltados à educação. Trata-se de uma pesquisa documental de abordagem qualitativa. O corpus da pesquisa consiste em cinco reportagens publicadas no site Nova Escola, selecionadas com base no descritor “Projeto de Vida” e com foco específico no Ensino Médio, abrangendo o período de 2019 a 2022. O embasamento teórico é fundamentado em autores como Laval (2019), Dardot e Laval (2016), Shiroma, Campos e Garcia (2005), entre outros. A investigação revela que a Nova Escola promove o Projeto de Vida como parte de um movimento mais amplo vinculado à BNCC e às agendas de reforma do Ensino Médio, reforçando uma hegemonia neoliberal. Ao apresentar conteúdos de modo simplificado e acrítico, a plataforma contribui para moldar professores e estudantes às demandas do mercado, alinhando-se à lógica de interesses empresariais e mercadológicos.

Uma oficina de mímica e expressão corporal na formação inicial de profes-sores de Educação Infantil

PID: S1981-416x2025000200753 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Fernández-Garcimartín López-Pastor Fuentes Nieto
Resumo Este artigo apresenta uma experiência de um workshop de mímica na formação inicial de professores (FIP) para a educação de infância. Trata-se de uma sessão prática, onde os alunos-professores vivenciam a sessão como se fossem crianças. Explicamos a importância destas práticas na FIP de Educação de Infância em duas vertentes: (a) vivenciar práticas de expressão corporal, melhorando a sua competência expressiva; (b) fornecer recursos didácticos que lhes permitam posteriormente trabalhar estes conteúdos com crianças na Educação de Infância. A oficina de mímica insere-se na disciplina de “Expressão Corporal na Educação de Infância”. É uma disciplina optativa leccionada no primeiro quadrimestre do quarto ano da licenciatura. Neste quadrimestre, os alunos frequentam cinco disciplinas opcionais que constituem a sua especialização: “Educação Artística”. O atelier é composto por duas partes: (1) experiência prática, enquanto alunos; (2) análise didática da proposta e estudo das aplicações didácticas. É aplicado um sistema de avaliação formativa e partilhada (EFyC), que utiliza a avaliação para melhorar a aprendizagem dos alunos e dos professores e para incentivar a participação dos alunos no processo de avaliação, promovendo assim a autorregulação da sua aprendizagem. São utilizados dois instrumentos de avaliação: (a) caderno do professor (narração e observação); (b) ficha de autoavaliação para análise da sessão. Os resultados são muito positivos, quer em termos da experiência expressiva dos futuros alunos, quer em termos da sua própria aprendizagem. A aplicação dos processos da EFyC ajuda-os a estar mais conscientes do processo de aprendizagem e de melhoria dos aspectos técnicos, bem como das possibilidades da proposta. Esta formação permite-lhes aplicar estes conteúdos no seu futuro trabalho como professores de crianças na educação de infância.

“Bateu o sinal. Tá na hora de brincar!”: percepções infantis na transição escolar

PID: S1981-416x2025000200540 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Caciano Silva
Resumo O presente artigo objetiva analisar as percepções das crianças, em relação à brincadeira, durante o processo de transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, buscando compreender como a ludicidade pode garantir a continuidade e uma transição bem-sucedida entre as etapas. Os dados foram produzidos em uma pesquisa com as crianças (Caciano, 2024), utilizando a abordagem etnográfica (Geertz, 1989), juntamente com os seus instrumentos metodológicos, a observação participante (Filho e Barbosa, 2010), as rodas de conversa (Garanhani; Alessi, 2022), o diário de campo (Winkin, 1998) e os desenhos comentados (Martins, 2010). A partir das aproximações no campo empírico, obteve-se três unidades temáticas para análises: 1) os sentidos produzidos sobre o tempo; 2) o ambiente escolar e as práticas pedagógicas; 3) os espaços potencializados pelas crianças. Este artigo resulta de um recorte das análises, de modo que foi possível observar as percepções das crianças em relação à brincadeira, sendo, então, atravessadas pelas questões do tempo e do espaço na transição da educação infantil para o ensino fundamental. Sendo assim, embora se busque construir uma continuidade entre as etapas, sabemos que a experiência vivida pelas crianças durante o momento de transição gera muitas descontinuidades, visto que a intencionalidade educativa se difere, pois, nessa fase, são encontrados novos desafios no cotidiano pedagógico. Conclui-se que, por intermédio da ludicidade, as crianças potencializaram os espaços através da brincadeira e que, mesmo frequentando uma outra etapa da educação básica, em que novas habilidades são exigidas, as crianças continuavam sendo crianças, necessitando de tempo e espaço para brincar.

“E não é que acabei gostando desse lugar!”: os impactos das interações e da brincadeira na Educação Infantil

PID: S1981-416x2025000200444 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Oliveira
Resumo Este artigo tem como objetivo refletir sobre os impactos das interações e brincadeira na Educação Infantil, a partir da perspectiva de um grupo de crianças em uma escola pública de Piracicaba. Com base em uma experiência desenvolvida nesse contexto, busca-se compreender como as crianças vivenciam esses processos, mas também suas percepções sobre a escola e as proposições pedagógicas intencionalizadas pela professora-pesquisadora, interpretando seus engajamentos. O artigo, que é decorrente de uma pesquisa de doutorado, está ancorado no campo dos estudos da infância, dialogando com as contribuições de Vigotski (perspectiva Histórico-Cultural) e Walter Benjamin (Teoria Crítica), que destacam o papel das relações sociais, da cultura e da agência infantil. O contexto investigado é uma "Escola da Infância", conceito inspirado em Comenius, que prioriza o físico, emocional, social e cognitivo das crianças. A instituição articula a Pedagogia da Infância -que valoriza a criança como sujeito ativo na construção do conhecimento - e a perspectiva Macunaímica (inspirada na obra de Mário de Andrade), refletindo a diversidade cultural brasileira e a formação de identidades múltiplas. Adotou-se a Pesquisa Narrativa como abordagem teórico-metodológico, privilegiando as vozes das crianças por meio de desenhos, falas e registros fotográficos, além de registros reflexivos da professora-pesquisadora sobre suas intervenções. As análises evidenciam que a escola configura-se como um espaço de negociação entre as proposições adultas e as interpretações infantis, revelando como as crianças ressignificam as práticas educativas. Como conclusão, reforça-se a importância de articular as intencionalidades pedagógicas com as percepções das crianças, destacando seu protagonismo na construção de uma Educação Infantil democrática e significativa.

“Meu quintal é maior do que o mundo...”: o brincar vivenciado por professoras da Educação Infantil

PID: S1981-416x2025000200725 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Almeida Ferreira
Resumo O presente artigo, derivado de uma pesquisa de doutorado, tem como objetivo conhecer os modos de ver e vivenciar o brincar por professoras da Educação Infantil. Parte-se da concepção de que Ser-Professora-Brincante é uma construção atravessada pelo Desenvolvimento Profissional Docente na Educação Infantil. A pesquisa segue uma abordagem qualitativa com narrativas produzidas a partir de três dispositivos: um questionário, o Caderno de Memórias Brincantes e as narrativas orais geradas por meio da Entrevista Narrativa, mobilizando experiências brincantes de três docentes que atuavam em uma creche da rede pública de Rio Real (BA). A análise compreensiva-interpretativa das narrativas nos possibilitou emergir significados e características que nos ajudaram a conhecer os modos de Ser Professora na Educação Infantil, relacionados ao repertório de brincadeiras transmitidas ao longo da vida, ao brincar na escola, ao brincar fora da escola como liberdade, aos desafios da percepção adulta do brincar e sua influência na prática docente. Os resultados apontam que o brincar das professoras está muito associado às memórias da infância fora da escola e que estas relacionam-se ao desenvolvimento profissional docente. Assim, entendemos que reavivar o brincar de cada professora é um desafio a ser enfrentado, quando se entende que esta é uma especificidade desta profissão. Concluímos que o brincar precisa ser reconhecido como saber docente, devendo atravessar todo o percurso profissional de professoras das infâncias.

“Mãos ao alto madame, isso é um assalto!”: a reprodução interpretativa em uma brincadeira sociodramática vivenciada na pré-escola

PID: S1981-416x2025000200380 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Carvalho
Resumo Com base nas contribuições dos Estudos Sociais da Infância, o artigo tem como objetivo discutir o processo de reprodução interpretativa emergente de uma rotina cultural de brincadeira sociodramática vivenciada no pátio da escola por um grupo de crianças da pré-escola. Metodologicamente, o estudo é decorrente de uma pesquisa etnográfica com crianças, a qual utiliza as seguintes estratégias de geração de dados: observação; diário de campo; rodas de conversas; registros fotográficos; gravações de áudio. A pesquisa foi realizada em uma escola pública de Educação Infantil, com 24 crianças de 5 anos de idade, no período de um ano letivo. O foco de análise do artigo é a rotina da brincadeira de “assalto ao salão de beleza”, pela constância de sua ocorrência nos momentos de atividade livre das crianças e elevado número de participantes. A partir da análise das rotinas de brincadeiras, são evidenciadas as alianças entre as crianças, a definição de papeis, a reprodução interpretativa e a produção de culturas infantis no pátio escolar. Com a pesquisa, infere-se a necessidade de que as crianças tenham tempo livre garantido para brincar, assim como suporte dos docentes em relação às suas demandas nas propostas de brincadeira.

Go with the flow? Professor, Influencer e a crise no sistema de peritos

PID: S1981-416x2024000401463 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Pinto Neto
Resumo Este artigo explora as diferenças entre as figuras do professor e do influenciador digital no contexto do capitalismo de plataforma. Discute-se como a autonomia do professor em abordar temas complexos contrasta com a restrição do influencer, que se vê limitado pela necessidade de adaptação aos algoritmos e à manutenção do engajamento de seu público. Além disso, analisa-se a ecologia da atenção, enfatizando a profundidade e reflexão no aprendizado, em oposição à superficialidade e imediatismo promovidos pela ansiedade algorítmica. O artigo conclui que, embora exista uma sobreposição entre os papéis de professores e influencers, é o contexto e as ferramentas disponíveis que definem as práticas e limitações de cada um.

A conquista da autonomia universitária plena: desafios para a consolidação da educação superior pública, gratuita e de qualidade nas IEES do Paraná (1990-2021)

PID: S1981-416x2024000301216 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Rodrigues Azevedo
Resumo O objetivo deste artigo consiste em investigar se a conquista da autonomia universitária plena (AUP) pelas Instituições Estaduais de Ensino Superior (IEES) do Paraná é a política capaz de consolidar a educação superior pública, gratuita e de qualidade. A presente pesquisa caracteriza-se como explicativa. No que tange à abordagem do problema, trata-se de uma pesquisa qualitativa. Para a coleta de dados foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os Dirigentes (Reitores, Pró-Reitores Acadêmicos e Pró-Reitores Administrativos) de quatro universidades estaduais do Paraná: UEM, UEL, UENP e UNESPAR. Os dados coletados foram classificados por meio de categorias de análise de conteúdo. Constatou-se que no Estado do Paraná, desde o ano de 1990, várias ações foram realizadas pelas IEES na tentativa de se conquistar a AUP, porém todas não obtiveram sucesso. Observa-se, por meio das entrevistas, que os gestores são favoráveis à conquista da AUP, sendo, para eles, a condição necessária para a consolidação da educação superior pública, gratuita e de qualidade.

A criatividade na performance pedagógica do tutor

PID: S1981-416x2024000100280 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Schraiber Mallmann
Resumo Inserido no contexto da Educação a Distância, este estudo aborda o tema da criatividade na performance pedagógica de um grupo de tutores de cursos de pós-graduação, em nível de Especialização, da Universidade Aberta do Brasil vinculada à Universidade Federal de Santa Maria. Em relação ao problema de pesquisa, questiona-se como o tutor potencializa o desenvolvimento de um processo ensino-aprendizagem criativo. Como objetivo, buscouse compreender quais são os princípios da performance pedagógica do tutor que potencializam o ensino-aprendizagem na perspectiva da criatividade. O referencial teórico está embasado nos componentes da criatividade, propostos por Nikerson, Perkins e Smith (1997), nos Estudos da Performance, em relação aos termos da realização da performance, apresentados por Schechner (2006), e no conceito de performance docente, desenvolvido por Malmann (2008). Em termos metodológicos, desenvolveu-se um estudo de caso com abordagem qualitativa, cujo montante de dados foi analisado mediante as etapas da unitarização, da categorização e do novo emergente, pertencentes à Análise Textual Discursiva, de Moraes e Galiazzi (2016). Como resultado, obteve-se cinco categorias de pesquisa, das quais este artigo destaca a da criatividade. Conclui-se que a criatividade é um princípio potencializador do ensino-aprendizagem criativo pelo fato de representar o desenvolvimento de ações e estratégias pedagógicas que caracterizam a performance do tutor como invenção pedagógica.

A educação contemporânea sob a perspectiva do neotecnicismo: desafios, ideologias e políticas educacionais

PID: S1981-416x2024000301067 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Brasão
Resumo Este estudo interdisciplinar explora a fundamentação teórica do neotecnicismo pedagógico, em conformidade aos pressupostos de Luiz Carlos de Freitas. Com uma abordagem teórica, bibliográfica e documental, o trabalho adota uma perspectiva qualitativa citada por Fazenda (2013), ao utilizar as contribuições de Freitas (1992, 1994, 2002, 2007, 2011, 2012, 2013, 2014, 2016, 2020) e Freitas et al. (2009). No âmbito das reformas educacionais contemporâneas, especialmente aquelas apoiadas em princípios empresariais, faltam o debate e a definição clara sobre uma educação de qualidade. A ideia de que tal condição seja meramente refletida na obtenção de notas elevadas em testes não se respalda no campo das Ciências da Educação e, tampouco, pode ser considerada a finalidade do ensino sob a perspectiva educativa. Além disso, a ênfase excessiva em avaliações ocasiona competições entre vencedores e perdedores, algo incompatível com os objetivos educacionais almejados.

A escolaridade dos pais dos estudantes da educação de jovens e adultos em debate

PID: S1981-416x2024000100230 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Ferreira
Resumo O propósito do texto é analisar a relação do nível de escolaridade dos pais dos estudantes matriculados na educação de jovens e adultos e as possíveis influências reveladas no processo de retorno às salas de aula da modalidade. A abordagem intergeracional e interdisciplinar dessa discussão, desperta interesse de entender se existe [ou não] relação entre a escolaridade dos pais com a situação dos estudantes, os quais, por razões diversas, deixaram de dar continuidade aos estudos na idade esperada, mas retornaram às salas de aula em busca de aprendizagem, formação e certificação escolar. A base teórica procede de Bourdieu (2003), DaMatta (2002), Castel (2010), Freire (1987) e Escóssia (2021) cujos processos de formação escolar e humana passam pela força do papel com a certificação e a apreensão dos conhecimentos como instrumentos de emancipação do indivíduo. A pesquisa qualitativa, do tipo participante, permitiu a interlocução feita in loco, com 33 (trinta e três) estudantes do ensino fundamental de uma escola pública, da EJA, no interior do estado do Ceará, em conversas gravadas em áudio, com base em três perguntas que pautaram a análise nas falas dos estudantes-respondentes. Diante dos achados no estudo, foi possível verificar a necessidade de superação das histórias familiares de insucesso escolar conduzidas a uma não repetição dessa trajetória intergeracional; a prospecção de um futuro possível mediante a certificação alcançada na conclusão da etapa escolar e, por fim, as chances de mobilidade social prometida com a certificação, convertida em melhores oportunidades profissionais associadas à transformação social.

A escolarização venezuelana em Igarassu/Pernambuco: migração venezuelana, exclusão e resistência

PID: S1981-416x2024000200505 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Lucena
Resumo Considerando as migrações venezuelanas recentes no Brasil, este trabalho tem como objetivo analisar como é desenvolvida a escolarização de migrantes/refugiados venezuelanos no munícipio de Igarassu, no estado de Pernambuco. Assim, busco pensar sobre os processos de subjetivação do sujeito aluno venezuelano, em contexto de acolhida escolar. Para isso, parto de algumas observações iniciais que fiz em sala de aula, registradas em um diário de campo, a fim de observar o discurso do(a) aluno(a) migrante/refugiado(a) venezuelano(a), com textos e desenhos dos(as) alunos(as) elaborados em uma oficina proposta para crianças e adolescentes. Como aporte teórico, parto da Análise do Discurso de linha materialista com alguns trabalhos que vêm desenvolvendo avanços teóricos e metodológicos para o trabalho com a imagem como objeto analítico. A imagem mostra-se um desafio à primeira vista talvez pela falta da linguagem verbal ou pela necessidade de um gesto de interpretação mais visual, recuperando significados nos detalhes, nos silêncios da imagem, nos implícitos, pois é possível recuperar tudo isso também com o texto não-verbal. Logo, visei procurar funcionamentos discursivos nas imagens e analisá-los a partir de paráfrases visuais, isto é, desenvolver seus sentidos a partir de outros discursos que se materializam na horizontalidade discursiva, partindo do intra para o interdiscurso. Como resultado, as sequências discursivas do discurso dos(as) migrantes/refugiados(as), alunos(as) venezuelanos(as), mostram dificuldades enfrentadas pelos(as) alunos(as), como a falta de preparo da equipe pedagógica e a pressão para falar apenas português. No entanto, os(as) alunos(as) também mostram práticas discursivas de resistência, usando sua língua e cultura para se afirmarem como sujeitos.

A forma estética e a dimensão pedagógica do filme “A idade da terra”, do cineasta Glauber Rocha

PID: S1981-416x2024000200768 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Resende Betlinski
Resumo O presente artigo tem por objetivo fazer uma leitura interpretativa da forma estética e da dimensão pedagógica do filme “A idade da terra”, do cineasta brasileiro Glauber Rocha. Para a consecução deste objetivo foi realizada uma pesquisa bibliográfica a partir de obras de Glauber Rocha (2004) e Walter Benjamin (1955, 1984, 1986, 1989) que foram as principais referências teóricas, de onde abstraímos principalmente os conceitos relacionados ao campo da estética e do cinema. O problema, como ler o filme “A idade da terra” à luz de conceitos benjaminianos direcionou a pesquisa, que em sua metodologia incluiu a realização de análises de imagens recortadas para compreender sua produção artística e seu conteúdo educativo. Após análises realizadas, concluímos que é possível identificar a presença de conceitos/valores estéticos benjaminianos como alegoria, choque, segunda técnica e imagem dialética na obra e, portanto, a caracterização de sua forma estética potencializa sua dimensão pedagógica, principalmente na direção da compreensão crítica da história do povo brasileiro, dos processos políticos e ideológicos gerados pelos imperialistas e elites nacionais que comandaram o Estado nacional e, conforme pensava Benjamin, sem reconciliação dos povos oprimidos com sua história.

A formação inicial na Licenciatura em Educação do Campo dirigida para formação humana

PID: S1981-416x2024000301033 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Bonfim Marques
Resumo O presente artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa que teve como objetivo analisar, em contexto de pesquisa-formação onto-crítica, o processo de constituição da formação inicial docente na Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC) dirigido para a formação humana, em uma perspectiva histórico-crítica. Participaram da pesquisa quatro estudantes da Licenciatura em Educação do Campo, com habilitação em Ciências da Natureza. A pesquisa foi desenvolvida nos pressupostos teórico-metodológicos do materialismo histórico-dialético, da psicologia histórico-cultural e da pedagogia histórico-crítica. Como metodologia, utilizou-se a pesquisa-formação onto-crítica, por meio de dispositivos para formação e produção de dados: relatórios e projetos, encontros formativos, diários formativos. Os dados foram analisados a partir dos núcleos de significação. Os resultados da pesquisa revelam que a formação inicial na LEdoC se dirige para a formação humana em uma perspectiva histórico-crítica, quando é mediada por uma teoria pedagógica crítico-radical, que possibilita o desenvolvimento de significações da atividade de ensino, como condição para promover a compreensão da prática social para além da aparência fenomênica. É necessário, então, criar condições para que, no processo de formação inicial, desenvolvam-se significações da importância da mediação do conhecimento historicamente acumulado presente nos conceitos científicos como condição para o desenvolvimento das máximas capacidades humanas que engendrem a compreensão crítica da realidade e sua transformação qualitativa. As signficações das participantes vão ao encontro dessa compreensão, ao revelarem que o motivo da atividade do professor passa a ser o desenvolvimento do aluno, por meio do estudo e da aprendizagem teórica das legalidades naturais e sociais.

A inclusão perversa: Ensino Superior, pandemia e desigualdade socioeconômica no Amazonas

PID: S1981-416x2024000100263 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Gomes Torres Villar
Resumo A crise sanitária e humanitária causada pela pandemia de COVID-19 no Amazonas teve impactos significativos em diversos setores da atividade humana, incluindo o campo educacional. Neste estudo, foi realizada uma análise sobre como a desigualdade socioeconômica, os desafios geográficos e as deficiências nas políticas públicas de acesso e permanência afetaram os jovens universitários no interior do estado durante o período pandêmico. O estudo contou com a participação de 143 universitários, com idades entre 18 e 44 anos (média de 23,5; desvio padrão de 5,1), sendo 58,7% mulheres cisgênero e 40,5% homens cisgênero. Em relação à raça, 67,1% se autodeclararam pardos e 19% indígenas. Os resultados evidenciaram as dificuldades decorrentes das condições geográficas, socioeconômicas e psicossociais enfrentadas pelos estudantes durante a pandemia. Essas dificuldades revelam mecanismos sutis presentes na dinâmica de inclusão/exclusão, desencadeando sentimentos de ansiedade, depressão e desafios para lidar, simultaneamente, com os efeitos da pandemia e o ensino remoto. Conclui-se, portanto, que é fundamental estar atento às armadilhas da exclusão, a fim de evitar uma inclusão perversa e a perpetuação do status quo de opressão, invisibilidade, reprodução e agravamento das desigualdades sociais no Amazonas. É necessário empreender esforços contínuos para a constituição de uma educação na região amazônica, promotora de justiça social.

A inteligência artificial na educação: será o professorado substituível?

PID: S1981-416x2024000401360 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Gomes Sousa Fierro
Resumo Este trabalho, fundamentado em resenha seletiva da literatura e uma pesquisa exploratória de campo, objetiva examinar o desenvolvimento da inteligência artificial na educação e sua eventual possibilidade de substituir o professorado para minimizar custos e evitar complexidades inerentes à interação social. Uma das tendências presentes é tomar o lugar do ser humano em grande parte da estrutura ocupacional e alterar o perfil de numerosas ocupações. Pesquisa comparada e internacional verificou, por meio de questionários aplicados ao alunado de nível superior, que, na pandemia, ele enfrentou dificuldades com a educação remota, como solidão e sentimentos depressivos. Ao final, a maioria saudou a volta à educação presencial, em interação com docentes e colegas. Todavia, persistem as tentativas de reduzir ou até eliminar trabalhadoras.es, inclusive o professorado. A rota da inteligência artificial é nebulosa, sem clareza quanto ao seu desenvolvimento. O paradigma produtivista transforma pessoas em coisas para maior lucratividade. Será difícil reduzir a presença humana pela própria natureza da educação. O professorado com sobrevivência em risco se guia pelo monólogo, transmite conteúdos fixados e lida com as pessoas como coisas. Já a docência suscetível de fazer diferença mantém o diálogo e trata as.os estudantes como sujeitos ativos, em preparação dinâmica para o futuro.

A pesquisa atrelada à prática: o caso da Revista Veredas da Secretaria Municipal da Educação de Curitiba

PID: S1981-416x2024000300991 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Floriano Bacila
Resumo A pesquisa desempenha um papel fundamental quando possibilita reflexões e inovações em soluções, desde que esteja alinhada com as demandas da vida social. Essa conexão é especialmente relevante na intersecção entre o ambiente acadêmico e profissional, onde as habilidades desenvolvidas na pesquisa científica podem ser aplicadas. Este estudo investiga a produção de natureza formativa do periódico Revista Veredas, publicação da Secretaria Municipal da Educação de Curitiba, com foco na integração entre teoria e prática no contexto educacional que envolve tanto a Rede Municipal de Educação quanto outros interessados. Para isso, a exploração do material e o tratamento dos resultados obtidos juntamente com a interpretação tem como parâmetros de avaliação de revistas os indicadores de Costa e Guimarães (2010); Ferreira (2005); Ferreira e Kryzanowski (2003); Kryzanowsky et al (1991) e Oliveira (2017), sendo que o estudo se fundamenta nas teorias de Kuhn (2011) e Latour (2000) sobre o avanço científico, além de destacar a importância do vínculo entre pesquisa e prática profissional conforme as diretrizes da UNESCO (2010). O artigo enfatiza a relevância da interação entre pesquisa e prática no contexto da Revista Veredas da Secretaria Municipal da Educação de Curitiba investigando as publicações, formatação, organização, projetos e iniciativas que originam publicações além do fluxo contínuo e outras questões voltadas para este fim.

A rede de atendimento e o direito à educação escolar de crianças venezuelanas em Manaus

PID: S1981-416x2024000200468 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Pinheiro Fernandes
Resumo Em 2016 milhares de pessoas venezuelanas migraram para o Brasil devido à crise econômica e humanitária ocasionada pelos embargos econômicos impostos à Venezuela pelos Estados Unidos da América e União Europeia. Logo, modificações na legislação brasileira foram realizadas para garantir os direitos sociais à essas pessoas quando elas chegaram ao país. Objetiva-se nesse artigo analisar o direito à educação das crianças em situação de mobilidade social, como também, analisar a rede de atendimento às pessoas em situação de mobilidade humana em Manaus. O método que orienta a pesquisa é o materialismo histórico-dialético e o procedimento metodológico é o bibliográfico e documental. Para pensar os fenômenos sociais de forma ampla que expressam a realidade analisada utilizamos a totalidade como categoria fundamental. Essa categoria possui relação direta com o método escolhido Os resultados consideram que a garantia dos direitos sociais às pessoas em situação de mobilidade é formalizado como política pública. Em relação aos dados educacionais, no ano de 2021, 32% dos imigrantes eram pessoas com idade até 17 anos. Em relação à dificuldade de matrícula, o problema está relacionado ao desconhecimento do sistema educacional brasileiro. Apesar disso, 37.000 venezuelanos estavam matriculados em escolas brasileiras no ano de 2021, dentre esses, 5.726 crianças eram matriculadas na Educação Infantil e no Ensino Fundamental de Manaus.

Acacia Zeneida Kuenzer: referência feminina na formação docente e na Educação Profissional

PID: S1981-416x2024000100140 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2024
Autores: Urbanetz Barreiro
Resumo Este artigo é sobre a obra de Acacia Zeneida Kuenzer, importante referência feminina para pensar a formação de professores, especialmente a da Educação Profissional. Através da análise de trabalhos publicados e de entrevista realizada com a autora, pode-se inferir que desde a década de 1980 a autora defende uma formação docente que se dê em um espaço universitário, tendo em vista a articulação dos conhecimentos sobre o mundo do trabalho e os científico-tecnológicos de todas as áreas de conhecimento, através de práticas integradas e integradoras entre ciência, cultura e trabalho, dentro dos eixos contextual, institucional, pedagógico, práxico, ético e investigativo. Em sua obra também é possível perceber o posicionamento da formação docente na relação com o trabalho e com a educação, demonstrando que a precarização do trabalho e da formação docente servem ao que chama de inclusão excludente, uma vez que fazem ingressar no sistema educacional os trabalhadores e seus filhos sem dotá-los de efetivas condições de análise e transformação social, em um movimento que vem se aprofundando de redução dos conhecimentos teóricos em benefício dos conhecimentos instrumentais e pragmáticos. Kuenzer aponta como a educação acaba por servir à manutenção e aprofundamento das relações de exploração capitalista, tornando ainda mais necessário ao papel do professor refletir e fazer refletir as condições que permeiam o mundo do trabalho, amparado em sólido ferramental teórico, que permita a ação em direção a uma sociedade mais justa. A vida e obra acadêmica da autora são exemplos de militância em prol desses objetivos.
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