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Os clássicos na formação docente: reflexões acerca do PNE (2014)

PID: S1981-416x2015000300661 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2015
Autores: Oliveira Santin
O artigo que apresentamos traz para o debate as metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que tratam da formação de professores analisado à luz de dois clássicos do pensamento medieval,: João de Salsbury (século XII) e Boaventura de Bagnoregio (século XIII). Não pretendemos, com isso, afirmar que os escritos desses dois pensadores da Idade Média são capazes, por si, de nos fazer entender o PNE e influenciar diretamente o encaminhamento a ser dado para a educação no presente, como se o presente pudesse ser entendido a partir dos pressupostos do passado. Todavia, uma reflexão a partir de uma experiência do passado pode nos proporcionar importantes lições para compreendermos melhor o que significa educação de excelência. Para isso, partimos dos princípios teórico-metodológicos da História Social, que assevera ser o homem no tempo o objeto próprio da história como ciência.

Os usos dos tempos no cotidiano escolar

PID: S1981-416x2015000100223 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2015
Autores: Marques Oliveira Monteiro
Nossa trajetória no núcleo de estudos e pesquisas nos levou a trabalhar com as diferenças como formas concretas da existência, rompendo com a dicotomia paradigmática do normal versus anormal. Uma das linhas de pesquisa do núcleo tem como pano de fundo o deslocamento do dado do universal da Modernidade para o do múltiplo da Atualidade, por meio da análise das categorias conhecimento, tempo, espaço e sujeito. Particularmente, neste grupo, pesquisamos os usos dos tempos no cotidiano escolar. Realizamos a pesquisa no/do/com o cotidiano numa escola de Ensino Fundamental que se organiza em ciclo de uma rede municipal mineira. Fizemos anotações dos indícios sobre os usos dos tempos no cotidiano da escola, narrando-os e transformamos tais narrativas em crônicas, que compartilhamos com as professoras e gestoras da escola em rodas de conversa. Pretendemos problematizar os usos dos tempos neste cotidiano escolar. Considerando a complexidade que é a organização do tempo escolar, pode-se equacionar o tempo, estabelecendo uma relação harmoniosa entre a cronologia do relógio e a criação.

Pensamento católico, difusão editorial e formação de professores no Brasil

PID: S1981-416x2015000300639 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2015
Autores: Gatti Júnior Lima
O presente trabalho tem por finalidade explanar sobre as características do pensamento católico expresso na realidade educacional brasileira do século XX e sua repercussão em estratégias didáticas e pedagógicas, exclusivamente voltadas para a formação de professores, por meio de produção editorial de autores como Theobaldo Miranda Santos. Para tanto, adotou-se como estratégias investigativas a pesquisa documental, baseada principalmente em análise de manuais escolares, de legislação educacional, de documentos eclesiásticos, assim como a abordagem qualitativa e bibliográfica de autores como Almeida Filho (2008), Azzi (1994), Bomeny (2001), Cury (2010), Roballo (2007), Silva (2014) e Toledo (2001). Desta forma, a investigação, primeiramente, está estruturalmente articulada em torno dos seguintes propósitos: reflexão sobre os pressupostos doutrinais católicos, compreendidos como embasamento ideológico para a formação especificamente técnica e moral dos professores; em segundo lugar, a discussão acerca da Encíclica papal Divini Illius Magistri (Pio XI), entendida como documento eclesiástico fundamental sobre a concepção educacional da Igreja Católica, assim como a disputa ideológica entre intelectuais católicos (como Alceu Amoroso Lima) com os partidários do escolanovismo. E, finalmente, propõe-se a análise da atuação de Theobaldo Miranda Santos como exemplo de autor de manuais escolares, vinculado ao projeto editorial católico dedicado à formação de professores, junto à Companhia Editora Nacional.

Políticas de acesso à educação superior: por que avaliar?

PID: S1981-416x2015000100173 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2015
Autores: Gisi Ens
Neste trabalho, busca-se discutir a avaliação de políticas públicas e como se apresentam os estudos na literatura contemporânea sobre essa temática, e, nesse contexto, investigar a avaliação das políticas de acesso à educação superior. A importância de estudos sobre avaliação de políticas, em especial, as de natureza social, está no fato de que é justamente a avaliação que permite uma prestação de contas do governo à população, o que significa que é um processo necessário para a democracia. Buscou-se, ainda, identificar em teses e dissertações (2011-2012), no banco de teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), a frequência de trabalhos referentes à avaliação das políticas de acesso à educação superior. A partir do estudo realizado, pode-se concluir que as pesquisas sobre avaliação de políticas públicas, de modo geral, ainda são incipientes, e, no que se refere às políticas de acesso à educação superior, embora exista uma produção significativa sobre a temática, o foco está voltado para análise das formas de acesso e permanência na educação superior de diferentes grupos sociais e diferentes programas. São poucos os estudos realizados na área da educação que investigaram, especificamente, a avaliação das políticas de acesso, constituindo-se ainda em um campo de pesquisa pouco explorado.

Políticas de avaliação educacional e formação continuada de professores

PID: S1981-416x2015000100111 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2015
Autores: Viegas Scaff
Este texto visa contribuir para a análise da política de formação continuada de professores alfabetizadores dos anos iniciais do Ensino Fundamental, buscando apontar sua relação com o caráter indutor das políticas de avaliação. Toma-se como lócus o município de Dourados (MS), onde foram realizadas entrevistas com gestores de cinco escolas públicas da rede municipal de ensino, bem como com gestores municipais responsáveis pela implementação de políticas de formação continuada de professores, no intuito de identificar suas impressões acerca da política de formação continuada desenvolvida pela rede municipal de ensino. As considerações feitas pelos gestores indicam um fortalecimento da relação formação/avaliação, que propõe um direcionamento de políticas que assegurem recursos materiais e financeiros, mas que, ao mesmo tempo, estabelecem mecanismo de aferição da aplicação desses recursos. Sendo assim, conclui-se que as ações de formação continuada vêm sendo direcionadas para a mediação dos resultados a partir do desempenho dos alunos.

Precarização do trabalho: a funcionalidade da educação profissional

PID: S1981-416x2015000100245 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2015
Autores: Oliveira
Considerando o crescente número de políticas públicas de qualificação profissional voltadas para a juventude, apresentam-se os resultados de uma pesquisa cujo objetivo foi analisar a forma de inserção da juventude brasileira no mercado de trabalho. Tendo como movimento metodológico a análise dos programas públicos de qualificação profissional e a análise de dados apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e do Departamento Intersindical de Estatística e de Estudos Socioeconômicos (Dieese) e, tendo como aporte teórico a literatura que discute o mercado de trabalho brasileiro e as políticas de juventude, defende-se que as políticas públicas de qualificação profissional, particularmente as voltadas para a juventude, ampliadas no mandato do presidente Lula e continuadas no governo Dilma, ao pautarem-se pelo desenvolvimento de competências laborais, pelo fortalecimento da empregabilidade e pelo objetivo de formar sujeitos empreendedores, reforçam a ideologia da meritocracia, bem como individualizam o enfrentamento ao problema do desemprego, retirando do Estado o compromisso social e político de enfrentamento à lógica desestruturante do capital. Conclui-se que essas políticas articulam-se diretamente à má qualidade da escola pública e convertem-se em instrumentos funcionais ao processo de reprodução do capital e de acirramento dos processos de exploração dos trabalhadores, direcionando-se basicamente à formação de uma mão de obra capaz de adequar-se subjetiva e tecnicamente a postos de trabalho precarizados.

Prática pedagógica numa visão complexa na educação presencial e a distância: os 'REAS' como recurso para pesquisar, ensinar e aprender

PID: S1981-416x2015000200443 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2015
Autores: Torres Behrens Matos
Este artigo apresenta o relato das atividades desenvolvidas em pesquisa realizada na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), de 2013 a 2014, como parte das atividades do grupo de pesquisa Prática Pedagógica na Educação Presencial e a Distância: Metodologias e Recursos Inovadores de Aprendizagem (PRAPETEC), do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCPR. O grupo PRAPETEC optou por uma metodologia participante, em parceria com grupos de pesquisa que tinham como objeto de discussão os Recursos Educacionais Abertos (REA). O desenvolvimento da pesquisa decorreu de uma parceria com a Open Research Community of Collaborative Open Learning, sob a coordenação da Dra. Alexandra Okada, denominado The OpenScout Project - Tool-Library, Open Educational Resources and Social Network: Co-learning and Professional Development. Suas ações objetivaram a coinvestigação por meio da produção de uma obra em formato e conteúdo REA. A pergunta problematizadora que deu origem a essa produção coletiva foi assim enunciada: Como nós, pesquisadores acadêmicos, podemos tornar o nosso trabalho mais acessível e reutilizável para qualquer leitor interessado em se tornar coautor? Este artigo relata a participação da PUCPR no projeto Europeu Portal OpenScout Tool-Library, contribuindo com a investigação sobre "Construção coletiva do conhecimento: desafios da cocriação no paradigma da complexidade" realizando as atividades no grupo de pesquisa PRAPETEC. Este grupo além de desenvolver o REA discutiu a evolução das tecnologias de informação e comunicação no século XXI, mais especialmente, as mudanças da ciência e da educação frente às exigências do paradigma da complexidade, que exige uma nova visão de homem, de sociedade e de mundo.

Práticas e percursos dos professores da Educação Básica com ações de autoria e colaboração nas redes sociais

PID: S1981-416x2015000200493 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2015
Autores: Carvalho Alves
Este artigo faz parte de uma pesquisa financiada pelo CNPq por meio da chamada pública do edital Universal (seleção 2013) e trata da capacidade do professor para construir e consolidar uma cultura digital efetiva. Para isso, decidimos investigar as práticas e os percursos dos professores da rede pública (Educação Básica) que se destacam com o uso de blogs, na perspectiva da autoria e da colaboração em rede. A fundamentação teórica deste estudo está baseada em autores como Castells, Harvey, Recuero, Bonilla, Lévy, entre outros, que tratam do tema da cultura digital. A metodologia de nossa pesquisa está orientada pelos princípios da pesquisa qualitativa, com fundamentação teórica no campo dos estudos culturais. Os resultados mostram que a maioria dos professores blogueiros estudados são autores de seus próprios textos, embora eles ainda encontrem algumas dificuldades de ampliar seu público leitor e de estabelecer comunicação e colaboração com novos leitores. Isso não invalida, entretanto, suas ações efetivas de autoria e colaboração em rede.

Significados produzidos por professores e alunos envolvidos no programa Salas de Apoio à Aprendizagem no estado do Paraná

PID: S1981-416x2015000100267 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2015
Autores: Oliveira Toscano
Este artigo analisa as significações de ensinar e de aprender produzidas por professores e alunos de salas de apoio à aprendizagem em duas escolas estaduais em Londrina (PR). De caráter qualitativo, adotando a modalidade descritiva-interpretativa, a pesquisa apoiou-se nos estudos de Ezpeleta e Rockwell (1986), Moysés e Collares (1992), Lahire (1997) e Aquino (1997, 1998), com o objetivo de compreender o trabalho desenvolvido nesses espaços de atuação. As perguntas de pesquisa foram: quais as significações de alunos e professores a respeito do aprender e das dificuldades de aprender? Como a sala de apoio à aprendizagem é significada? Que significações estão presentes nos documentos norteadores do programa Salas de Apoio à Aprendizagem? Para sua realização, adotamos os seguintes procedimentos metodológicos: revisão bibliográfica, pesquisa documental, observação e entrevista. Dentre os resultados obtidos destacamos: 1) a existência do programa Salas de Apoio à Aprendizagem sinaliza o reconhecimento do problema do não aprender como algo sistêmico, entretanto, suas ações são concentradas na oferta de salas de apoio somente para as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, cujas aulas são, via de regra, percebidas pelos alunos como idênticas às que tiveram na sala regular e não compreenderam; 2) a busca de certa culpabilização dos sujeitos pelo não aprender é muito presente e, a depender do lugar ocupado nas relações, a culpa pode recair sobre o professor, sobre o aluno e/ou sobre sua família.

Uso de dados de avaliações externas por redes municipais de educação paulistas

PID: S1981-416x2015000100037 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2015
Autores: Sousa Martins Pimenta Ishii Santos
Este artigo apresenta resultados de estudo que teve como propósito explorar eventuais usos de resultados de avaliações externas para a gestão da escola básica, em cinco redes municipais de educação no estado de São Paulo. A pesquisa apresentava o propósito de identificar e analisar a visão de coordenadores pedagógicos do Ensino Fundamental sobre possíveis usos dos resultados das avaliações externas no trabalho pedagógico, especialmente na coordenação pedagógica e na atuação dos professores das escolas sob sua coordenação. As opiniões dos coordenadores foram coletadas por meio de questões elaboradas em escala Likert, com informações sobre seu perfil de formação, trajetória profissional e usos dos resultados das avaliações. Os resultados revelam crescente valorização das avaliações externas no desenvolvimento de práticas pedagógicas nas redes municipais de ensino estudadas.

A Literatura Infantil como disciplina na formação de professores e na cultura escolar - 1940-1950

PID: S1981-416x2014000300781 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2014
Autores: Corrêa Castilhos
Este artigo é parte de uma dissertação de mestrado que versou sobre a Literatura Infantil e sua introdução como disciplina em currículo de curso destinado à formação de profesores na Escola Normal na cidade de São Paulo. Trata-se de uma abordagem de modo particular situada no âmbito da História das Disciplinas Escolares (CHERVEL, 1990) e, de modo geral, no campo da História da Educação. Nela procurou-se compreender o processo pelo qual os saberes comuns da literatura infantil tornam-se saberes disciplinares, ao se constituírem num corpus disciplinar com finalidade específica: educar moral e civicamente a infância tendo como base saberes veiculados nesse tipo de literatura. Como disciplina, ela foi instituída no Brasil no ano de 1947, em São Paulo, pelo Decreto Estadual n. 1.7698/47, que, entre outras determinações, inseriu-a no currículo da Escola Normal, adentrando, assim, a cultura escolar. Desse modo, e como consequência da formação de professores, ela tomaria assento na Escola Primária por meio de manuais, revistas pedagógicas e livros. Há indicadores de que manuais, por exemplo, foram usados tanto naquele curso Normal destinado à formação de professores Primários quanto em salas de aula para a leitura de crianças na Escola Primária. Assim, quer em verso ou em prosa, pretendia-se, tudo leva a crer, educar a infância segundo preceitos considerados, à época, social e culturalmente válidos. É nessa perspectiva que abordamos a Literatura Infantil neste artigo.

A consolidação de grupos de aprendizagem em projeto de formação continuada

PID: S1981-416x2014000200008 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2014
Autores: Silva Cracel Compiani
Resumo Este artigo relata e discute a importância e a consolidação de um grupo de estudos formado por professores da Educação Básica e acadêmicos em uma proposta de trabalho colaborativo. Partindo de enunciados produzidos pelos próprios professores e de registros obtidos com a participação em reuniões coletivas, o texto destaca a existência dos avanços reflexivos dos docentes e a dificuldade dos acadêmicos em lidar com entraves vividos pelos professores na experiência formativa. Essa análise baseia-se na perspectiva bakhtiniana acerca do enunciado, que pressupõe a interação social como forma de compreender os episódios citados neste trabalho. Conclui enfatizando a importância da consolidação do grupo para a construção de caminhos reflexivos da parte dos acadêmicos e professores e buscando um esclarecimento da compreensão de uma pesquisa colaborativa.

A construção de práticas pedagógicas inter/multiculturais no ensino fundamental e os saberes docentes

PID: S1981-416x2014000200005 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2014
Autores: Lima
Resumo Este artigo problematiza a construção de práticas pedagógicas inter/multiculturais no Ensino Fundamental, em contraponto com a concepção de saberes docentes. Para tanto, analisa resultados de duas pesquisas, oriundas de teses de doutorado, ambas versando sobre práticas pedagógicas de docentes que se propunham a trabalhar na perspectiva inter/multicultural. Propõe que, para desenvolver os conteúdos escolares inter/multiculturalmente, não basta que o docente construa e acione saberes, entendidos na perspectiva racional; é preciso que tais saberes sejam conjugados com crenças e valores coerentes com esse tipo de atuação, o que requer uma autopercepção mais honesta por parte dos professores. Além disso, o artigo defende que a discussão dos saberes docentes muito se relaciona à dimensão ética - a ética do humano, do ser-mais -, na direção da universalização de mínimos éticos visando à preservação da dignidade humana. Finalmente, tece considerações a respeito das consequências de tais ideias para a formação de professores e para a formação de seus formadores.

A criança e o brincar como experiência de cultura

PID: S1981-416x2014000300737 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2014
Autores: Portilho Tosatto
Este artigo se propõe a dar visibilidade à criança, destacando o brincar como experiencia de cultura. A partir de um programa de formação continuada em um Centro de Educação Infantil da Rede Municipal de Curitiba, PR - Brasil, com 32 professoras, diálogos com diferentes autores se fizeram presentes, entre eles: Sarmento (2004, 2005, 2011), Nascimento (2011) e Corsaro (2009). Os instrumentos de pesquisa selecionados foram as entrevistas semiestruturadas e as observações do ambiente educativo. Das unidades de significação construídas para a pesquisa, foi dado destaque à criança como um ser que brinca. É possível inferir que a concepção de que a criança "aprende brincando" está impregnada nos discursos docentes, mas a forma como as professoras concebem a brincadeira ainda está longe da ideia do brincar como uma atividade social e cultural, bem como da imagen da criança produtora de identidade, conhecimento e cultura. Outra ideia revelada é que a brincadeira, para poder se fazer presente na escola, precisa ter sempre uma intenção didática, isto é, o brincar revestido de aula e sem a participação criativa, inventiva e transformadora das crianças. Um brincar que não se abre para a manifestação das culturas da infância. O grande desafio parece ser a transformação dos olhares, tanto das professoras em relação a si mesmas quanto dos olhares delas para as crianças. Para tanto, espaços mútuos de autoria precisam ser promovidos, contribuindo para que novos lugares sejam construídos, tanto para as crianças quanto para as professoras.

A criança, as culturas infantis e o amplo sentido do termo brincadeira

PID: S1981-416x2014000300717 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2014
Autores: Spréa Garanhani
Este texto apresenta conceitos e propõe reflexões sobre a relação entre as brincadeiras infantis produzidas no cotidiano da escola, em momentos de recreio, e os elementos sociodinâmicos que contextualizam a cultura das crianças. Os significados dos termos jogo, brinquedo e brincadeira são analisados e contrastados, tendo em vista a ação lúdica produzida pela experiência da criança que brinca. Com base nos estudos de Florestan Fernandes (2004), são assinaladas as formas de socialização implicadas na atividade lúdica dos grupos infantis, a função de transmissão cultural exercida pelas brincadeiras e a dimensão criativa do brincar, que faz das crianças agentes de sua socialização e produtoras de culturas infantis.

Aprendizaje global en el aula de 5 años basado en el método científico

PID: S1981-416x2014000300669 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2014
Autores: Soler López Arteaga Martínez
Este trabajo pretende introducir a los niños de cinco años en el método científico como proceso que favorece la adquisición y desarrollo de capacidades, habilidades y competencias en los alumnos, estimulando un desarrollo integral de la persona a nivel físico, cognitivo, emocional y social. Para ello, el diseño de la propuesta de trabajo ha abarcado desde una fundamentación teórica hasta la puesta en práctica de la misma. Este diseño, realizado a través de las fases del método aplicadas al estudio del caracol serrano, persigue desarrollar en los alumnos aspectos que contribuyan a su alfabetización científica y desarrollo integral, además de trabajar de manera transversal contenidos pertenecientes al currículo de Educación Infantil. Su puesta en práctica ha estado caracterizada por una metodología global y constructivista, teniendo como resultado aportaciones positivas en cuanto al rendimiento y desarrollo personal del alumno.

As culturas da infância no trabalho docente da Educação Infantil

PID: S1981-416x2014000300821 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2014
Autores: Lima Lima
Este artigo retrata resultados de uma pesquisa sobre as culturas da infância desenvolvida em uma instituição de Educação Infantil. Teve como objetivo central investigar como são trabalhados os quatro eixos das culturas infantis: interatividade, ludicidade, fantasia do real e reiteração. A metodologia, de natureza qualitativa, caracterizou-se como pesquisaação. Quanto aos resultados alcançados, destacamos a própria metodologia, que exigiu a participação dos sujeitos da instituição parceira, a atuação da equipe universitária no contexto investigado e a busca de transformação da realidade. Tais requisitos ampliaram as exigências de comprometimento, respeito mútuo, trabalho coletivo e tolerância entre os atores sociais de distintas instituições. As situações de estudos, discussão e intervenção geraram embates entre concepções e indicaram olhares diferentes para a criança e para a prática educativa. Ressaltamos, também, as influências no trabalho pedagógico, pois foi constatado que as educadoras ampliaram e atualizaram suas concepções, principalmente no que se refere à educação para a infância e à importância das atividades lúdicas como um eixo das culturas da infância. No diagnóstico, verificamos que cobravam comportamentos muito rígidos, os quais se transformavam em empecilhos para as atividades peculiares das crianças. A ampliação da compreensão sobre o tema fez com que as educadoras relacionassem os quatro eixos das culturas da infância entre si e percebessem a necessidade de sua atuação como mediadoras e responsáveis por condições que garantam às crianças a participação, como protagonistas, e o direito a uma educação que respeite as especificidades infantis.

Avaliação de livros na área de educação

PID: S1981-416x2014000100014 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2014
Autores: Sousa Werle
Este texto descreve processo de classificação de livros da Área de Educação. Relata os esforços desenvolvidos no sentido de garantir que o livro, veículo que expressa grande parte da produção da Área de Educação seja valorizado, tenha uma avaliação rigorosa, adequada e fiel aos seus propósitos. Identifica inicialmente o contexto em que a avaliação é realizada e a seguir os procedimentos empregados. Demonstra que o processo realizado tem muito a ser aperfeiçoado mas, o que já foi desenvolvido significou um avanço considerável, na medida em que conferiu confiabilidade à avaliação da produção intelectual dos Programas de Pós Graduação.

Celebrações do saber: exames finais nas escolas da região colonial italiana, Rio Grande do Sul, 1875 a 1930

PID: S1981-416x2014000100013 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2014
Autores: Luchese
Resultado de pesquisa institucional sobre o processo escolar entre imigrantes italianos e seus descendentes, este artigo apresenta uma análise dos momentos de exames finais como elemento importante para pensarmos as práticas educativas e avaliativas. A partir de indícios documentais diversificados, o recorte espacial abrange a chamada região colonial italiana do Rio Grande do Sul (antigas colônias Dona Isabel, Caxias e Conde d’Eu). A análise privilegia o período de 1875 a 1930 e o referencial teórico-metodológico utilizado foi o da História Cultural. No cumprimento do calendário escolar um dos principais momentos, ao final do ano letivo, era o dos exames finais. Estes se constituíam no momento ápice da avaliação escolar. Eram celebrados e em torno de sua realização havia um ritual de relações de poder evidenciado pelos diversos registros - fotográficos, atas, jornais que publicavam os resultados e todo o conjunto de atividades de permeavam o ritual dos exames. Quem compunha a comissão examinadora? Por quem eram nomeados? Como procediam na aplicação dos exames? Quais os conhecimentos exigidos / valorizados? Como os professores preparavam a turma para os exames finais? O que eles dimensionam das relações de poder, das culturas escolares? Premiações, almoços festivos, que outros momentos eram preparados após os exames? Estas e algumas outras questões são o cerne deste estudo produzido a partir de fontes historiográficas diversificadas como relatórios, mapas de freqüência, correspondências diversas, cadernos de chamada, atas, jornais e fotografias. O estudo procura contribuir para o conhecimento da história da educação brasileira, considerando a multiplicidade cultural e étnica da Região.

Cidade como metáfora de si: representação socioespacial de Cuiabá-MT segundo a criança

PID: S1981-416x2014000300759 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2014
Autores: Silva Andrade
Este artigo propõe uma discussão sobre a relação da criança com a cidade, mediante análise compreensiva do discurso associado ao mapa da cidade construído pela criança participante, com o objetivo de refletir sobre aspectos de sua constituição identitária nessa relação. A análise das significações se orienta pela articulação entre a Teoria Histórico-Cultural (VIGOTSKI, 2009, 2010) e a Teoria das Representações Sociais (MOSCOVICI, 2003), esta última no diálogo com os estudos de Jodelet (1982, 2001). Os estudos de Tuan (1980, 1983) sobre a noção de lugar, topofilia e topofobia também integram o referencial teórico, que, em seu conjunto, possibilita compreender a relação entre criança e cidade como aspecto importante para o desenvolvimento infantil. O procedimento metodológico adotado para a apreensão da representação socioespacial deu-se pelo recolhimento do desenho da cidade, inspirado na proposta dos mapas cognitivos (ALBA, 2011), acompanhado de entrevista semiestruturada com uma criança de uma escola municipal de Educação Básica de Cuiabá, MT. A análise da entrevista e do mapa da cidade orientou-se pela perspectiva compreensiva do discurso e revelou que a representação socioespacial da cidade de Cuiabá é influenciada por valores, vivências e afetos da criança, estando presentes elementos de suas particularidades, mas que também são frutos de relações estabelecidas socialmente. Além disso, nota-se que os lugares do afeto permeiam o processo de formação identitária da criança, aspecto que permite anunciar que, em alguma medida, a cidade é tomada como metáfora de si.
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