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As redes sociais como forma de compartilhamento de recursos educacionais abertos no ensino superior

PID: S1981-416x2013000100009 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Torres Siqueira Matos
Este artigo trata de redes sociais e recursos educacionais abertos como maneira de troca e colaboração para o Ensino Superior. Destaca a questão dos alunos como participantes da construção de um novo conhecimento, a partir de conteúdos apresentados em classe, por meio de debates mediados pelo docente e integração de cada participante com suas próprias experiências e características da realidade e da historicidade daquele momento. Busca, por meio de redes sociais e recursos educacionais abertos, novos elementos que favoreçam a propagação da cultura acadêmica, universitária, hoje inserida em denominações como: sociedade em rede, sociedade do conhecimento ou sociedade da informação. Em comum, em suas definições, possuem a alteração do paradigma educacional que pressupõe o aluno um sujeito passivo que apenas terá acesso à informação pelas mãos do professor, para um novo posicionamento teórico. As redes são usadas pela comunidade para compartilhamento de ideias, opiniões, e, no contexto educacional, para compartilhamento de recursos educacionais informatizados, com autorias como Andres (2000), Bruffee (1999), Downes (2007), Johnstone (2005) e outros. As habilidades de interdependência, troca de ideias e debates por meio de estratégias de colaboração podem ser incentivadas pela mediação da tecnologia. A partir de estudos sobre o tema, apresentam-se algumas recomendações para que os recursos educacionais respeitem padrões internacionais de produção, superando a mera digitalização de textos. O uso de recursos educacionais pode significar um progresso nas propostas de hibridização do ensino em instituições de Ensino Superior, por possibilitar uma flexibilização do processo ensino-aprendizagem, que supera as fronteiras da educação tradicional e formal.

Avaliação da aprendizagem e deficiência intelectual na perspectiva de professores do ensino comum

PID: S1981-416x2013000300003 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Valentim Oliveira
O objetivo deste estudo é identificar e analisar as concepções de um grupo de professores do Ensino Fundamental (ciclo I) sobre deficiência intelectual e avaliação da aprendizagem escolar. Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo que utilizou para investigação um roteiro de entrevista semiestruturado. Os relatos dos professores demonstraram certa fragilidade e despreparo para lidar com a inclusão escolar dos alunos com deficiência intelectual e, consequentemente, dificuldade de avaliar suas condições de aprendizagem. Verificou-se ainda que a avaliação utilizada por eles caracteriza-se por ser pouco dinâmica e baseia-se, essencialmente, na utilização de instrumentos quantitativos e de mensuração, que pouco orientam o processo de ensino e aprendizagem e, dessa forma, não contribuem para a efetivação da inclusão escolar desses alunos.

Avaliação da aprendizagem na educação básica: as pesquisas do estado da arte em questão (1980-2007)

PID: S1981-416x2013000300004 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Calderón Poltronieri
Este artigo tem por objetivo identificar e analisar os estudos existentes sobre o estado da arte focados na área da avaliação da aprendizagem da Educação Básica, visando a compreender as principais contribuições e preocupações teórico-metodológicas da comunidade científica brasileira na área em questão. As referências de análise foram três grandes pesquisas estruturantes da compreensão da avaliação da aprendizagem como campo de conhecimento, que focam um período de 28 anos (1980 a 2008) (BARRETO; PINTO, 2001; SOUSA, 1994; ULER, 2010), complementadas por duas pesquisas que ressaltam especificidades da área (CANDAU; OSWALD, 1995; SOUSA, 2005). Analisando a produção científica dentro de uma linha de tempo, fica evidenciada a força do paradigma tecnicista nas décadas de 1970 e 1980, bem como as tentativas de sua superação no decorrer da década de 1980 na direção de propostas formativas e emancipatórias. Na década de 1990, a preocupação dos pesquisadores deslocou-se das práticas avaliativas na escola, de cunho tecnicista, para a abordagem crítica das ideias, concepções, teorias e pressupostos da avaliação. Na primeira década do século XXI, constatou-se um direcionamento teórico que acenava para a hegemonia, no campo científico brasileiro, de um paradigma emancipatório, que tinha em seu cerne a avaliação da aprendizagem de forma processual, participativa e formativa. Contudo, as pesquisas demonstram o acentuado distanciamento entre os referenciais teóricos utilizados nas universidades (paradigma emancipatório) e a realidade das escolas públicas (paradigma tecnicista-tradicional).

Compreensão da leitura em espanhol por aprendizes brasileiros

PID: S1981-416x2013000100018 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Specht Guimarães
Este estudo analisa a compreensão da leitura em espanhol (língua estrangeira) por aprendizes brasileiros. Participaram da investigação 67 alunos de 8º e 9º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública de Curitiba, Paraná. Foram aplicados diversos instrumentos de coleta de dados para avaliar habilidades linguísticas e metalinguísticas que interferem na capacidade da compreensão de textos e, também, para analisar possíveis relações entre o desempenho na compreensão de textos em português e em espanhol. Os resultados mostraram expressiva relação entre a prova sintática de correção gramatical e a compreensão de textos em espanhol. Verificou-se ainda que, entre os participantes, a compreensão dos textos lidos em espanhol lhes forneceu pistas para inferir o significado de palavras desconhecidas encontradas no decorrer da leitura. Além disso, encontrou-se relação significativa entre o desempenho na compreensão de textos em português e o desempenho na compreensão de textos em espanhol. Entretanto, não se verificou relação significativa entre o domínio do vocabulário receptivo e a compreensão de textos em espanhol. Sugere-se que no processo de ensino do espanhol (língua estrangeira) os professores utilizem o texto como alicerce do trabalho pedagógico, orientando os alunos a utilizar o contexto (sentido do texto) tanto para identificar as palavras desconhecidas como para apreender as diferentes estruturas da língua (das mais simples às mais complexas), de maneira que possam adquirir progressivamente as habilidades linguísticas e metalinguísticas que propiciam maior domínio do espanhol.

Desenvolvimento sustentado e tecnologia educativa: elementos dinamizadores de modificações socioeducativas

PID: S1981-416x2013000300007 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Arco Arco
O contínuo desenvolvimento das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) conduz, como em outras áreas de atividade, à sua interligação com a educação, emergindo o campo de ação da tecnologia educativa. Como espaço de caráter formativo, torna-se indispensável efetuar uma persistente conceitualização consubstanciada na reflexão sobre a temática, no seu desenvolvimento ao longo do tempo e nas influências sociais associadas a ela. Considerando os múltiplos impactos de caráter socioeducativo fomentados pela tecnologia educativa, tendo sempre por base os seus principais pressupostos teóricos e conceituais, imprescindivelmente conectados a elementos basilares da área, como é o caso das representações que nos oferecem a conjugação dos conceitos de educação, didática e tecnologia, revela-se fundamental abordar, de igual forma, uma necessidade cotidiana premente, que surge enquadrada no espaço da literacia e da alfabetização tecnológica, essencial à plena consecução de uma integração social e educativa das tecnologias, permitindo abarcar toda a relevância nessas áreas na atualidade. Do ponto de vista da aplicabilidade das TICs como ferramentas educativas, englobando o seu potencial criador de espaços e contextos de ensino-aprendizagem e toda a contribuição que poderão facultar para incrementar a eficácia dos processos formativos, importa destacar a pertinência da integração da tecnologia educativa como elemento-chave de estratégias de desenvolvimento sustentado, representando um elemento fundamental para a otimização e potenciação formativa, no nível dos indivíduos, grupos e comunidades.

Discursos da inclusão escolar: modos de moralizar, modos de humanizar

PID: S1981-416x2013000200005 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Henning Lockmann
O presente artigo pretende colocar sob suspeita alguns discursos sobre a inclusão escolar, que vemos circular na atualidade. Para isso, selecionamos algumas edições da revista Nova Escola, que apresentavam a inclusão escolar como tema central de suas matérias. Discursos marcados pelos termos “amor”, “doação”, “carinho”, “humanização” são examinados a partir de uma matriz moderna que investe na moralização dos afetos. Devemos estar abertos ao Outro para sermos tocados, desde que o que nos toca conspire a favor do bem e da ordem. Além disso, problematizamos a ênfase que tais discursos apresentam nos processos de socialização e de convivência. Eles marcam uma espécie de banalização da aprendizagem, uma vez que reiteram o convívio com o outro, o respeito às regras e o saber comportar-se como aprendizagens fundamentais nos processos de inclusão. Colocando esses discursos sob exame, o texto pretende provocar o pensamento e suspender as verdades consagradas acerca da inclusão escolar proferida pela modernidade.

Diversidade cultural, desigualdade e exclusão: um encontro com professores da educação básica

PID: S1981-416x2013000200013 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Pavan
Este artigo é fruto da pesquisa financiada pelo CNPq que analisa a compreensão dos professores sobre os processos de exclusão na sociedade e na Educação Básica. O artigo refere-se apenas a professores das séries finais do Ensino Fundamental. No processo de análise, utilizamos teóricos que enfatizam a exclusão e a desigualdade numa perspectiva crítica, ou seja, defendem que elas são frutos das relações sociais assimétricas e desiguais, e não provocadas pelo próprio indivíduo. Para identificar a compreensão dos professores, foram realizadas entrevistas com oito docentes das séries finais do Ensino Fundamental, das diferentes áreas de conhecimento. A análise mostrou que a exclusão/desigualdade, quando percebida, não se refere apenas à questão econômica, mas a questões de raça, crença, geração, gênero e outras. Poucos professores afirmam existir processos de exclusão na escola, mas todos admitem que há processos de exclusão na sociedade. Essa forma de ver os processos de exclusão está relacionada aos processos de formação docente. A formação docente incluiu a discussão da desigualdade apenas na década de 1980 e, bem recentemente, a questão da diversidade cultural e exclusão. Nesse sentido, essa pesquisa contribui para que possamos entender criticamente as respostas dos entrevistados e, principalmente, oferece-nos pistas para qualificar o processo de formação docente.

Do direito à educação superior ao desafio do acesso para todos

PID: S1981-416x2013000200004 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Boneti Gisi Filipak
Analisa como as significações conceituais e os fins da Educação Superior se expressam nas políticas educacionais nos diferentes momentos da história brasileira, de um projeto tipicamente burguês ao acesso para todos. Argumenta-se que, além do arcabouço institucional (regras, normas, valores etc.) que rege o fazer educacional superior - o qual se mantém imutável durante todo o período histórico das políticas educacionais brasileiras, continuando afinado à ética burguesa -, diferentes eventos (políticos, econômicos, culturais etc.), nos diferentes momentos históricos, contribuíram com alterações significativas da feição das políticas de Educação Superior no que se refere aos seus fins e significações conceituais, tais como: Educação Superior associada à ideia da evolução social, utilizando-se da cultura burguesa como parâmetro/fim, antes da chamada “Revolução Burguesa” no Brasil; o enfoque na coletividade, Educação Superior como instrumento de construção de um projeto de nação, após a “Revolução Burguesa”; a volta ao enfoque no indivíduo e na competitividade a partir do discurso da cidadania e da inclusão social, com o início nas últimas duas décadas do século XX, caminhando para o seu principal desafio: o acesso para todos.

Docência no curso de pedagogia: uma relação paradoxal entre a teoria e a prática formativa

PID: S1981-416x2013000100006 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Vasconcellos Oliveira
O artigo analisa resultado de pesquisa realizada em uma universidade pública relativa à docência e à formação pedagógica na qual um dos objetivos foi conhecer percepções de estudantes e docentes a respeito da qualidade do ensino de graduação nessa universidade. Pautado em uma abordagem predominantemente qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, foram levantados dados sobre trabalho docente, qualidade do ensino e formação docente num curso de Pedagogia. O método hermenêutico-dialético foi utilizado como modelo de análise dos dados. O questionário foi o instrumento da coleta de dados de nove docentes e 84 estudantes desse curso de graduação. Como resultados, foram identificados problemas referentes à atuação do professor, ao comportamento de alunos e à organização do curso. Sobre a atuação do professor, priorizada neste texto, destacam-se problemas quanto à didática, à incoerência entre teoria e prática e ao compromisso docente, o que remete, necessariamente, à questão da formação docente. A investigação colocou em evidência a vulnerabilidade do trabalho docente que, mesmo praticado por docentes da área pedagógica, não está livre de ser considerado inadequado, especialmente quando os discursos não são acompanhados de práticas correspondentes.

E-group: uma estratégia para o desenvolvimento profissional de professors

PID: S1981-416x2013000100011 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Ferreira Silva
Neste texto, colocaremos em discussão, de forma predominante, o referencial teórico que norteou uma pesquisa de doutoramento acerca do desenvolvimento profissional de professores de História da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte (Brasil), que vivenciaram um processo de formação e consolidação de um grupo colaborativo, mediado pelas tecnologias de informação e comunicação aplicadas à educação - TICE. Destacamos como a colaboração online pode ser potencializadora do desenvolvimento profissional de professores e apresentamos breves exemplos dessa interação mediada pela ferramenta E-group. A partir do conceito de desenvolvimento profissional adotado por Garcia (1999) - como o conjunto de processos e estratégias que facilitam a reflexão dos professores sobre a sua prática, que contribui para que os professores gerem conhecimento prático, estratégico e sejam capazes de aprender com sua experiência -, acreditamos que o grupo colaborativo virtual pode ser um espaço desencadeador e propício para que essas reflexões ocorram.

Educação e cibercultura: aprendizagem ubíqua no currículo da disciplina didática

PID: S1981-416x2013000100014 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Santos Weber
Com a intensificação dos usos do digital em rede e dos dispositivos móveis, apresentamos neste artigo as noções de mobilidade e espaços intersticiais (SANTAELLA, 2010), trazendo as tecnologias móveis como interfaces desses espaços constituídos por ubiquidade e conectividade. Compreendemos a mobilidade e o uso dos dispositivos móveis, via digital em rede, como formas de potencializar a educação, visto que não saímos dos espaços físicos para entrar em contato com os ambientes digitais. Discutimos, a partir do referencial de Santos (2005), possibilidades de práticas pedagógicas para uma aprendizagem ubíqua, levando em consideração uma abordagem multirreferencial (ARDOINO, 1998) do currículo. Apresentamos, assim, a criação de atos de currículo (MACEDO, 2011), fazendo dialogar os espaços-tempos da universidade/cidade/ciberespaço, dentro do contexto da disciplina Didática, de uma turma de graduação em Pedagogia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Educação e direitos humanos: análise da formação no ensino médio e profissional

PID: S1981-416x2013000200014 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Czernisz
Apresenta-se, neste texto, uma análise do Ensino Médio e Profissional como política pública para formação do cidadão e do trabalhador. O foco são os encaminhamentos do Ensino Médio e Profissional a partir da LDBEN 9394/96 e sua relação com o exercício dos direitos humanos e da cidadania. Para tanto, realiza-se uma análise do contexto social, político e econômico objetivando a realização do estudo das normativas norteadoras do Ensino Médio e Profissional. Discutem-se as propostas que sustentam a formação média e profissional e destacam-se os objetivos da formação com base nos direitos humanos e na cidadania, objetivos que, no contexto societário atual, podem levar também ao reforço dos ideais neoliberais ao atender interesses do sistema produtivo.

Educação e qualidade: duas faces de um mesmo direito

PID: S1981-416x2013000200007 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Esquinsani
Se a educação é um direito, a sua garantia concretiza-se apenas com o acesso à escola? Há o respeito pelo direito à educação quando desprovido de indicadores mínimos de qualidade? Educação sem qualidade não seria um direito pela metade? Alimentado por essas indagações, o texto propõe uma leitura sobre a qualidade na educação pública a partir dos resultados de uma pesquisa empírica em produtos midiáticos no recorte temporal de 2001 a 2011, cotejada com ancoragens teóricas que versam sobre a educação como um direito. Conquistar uma vaga na escola pública é parte do direito à educação, que só terá vazão se esta vaga também se fizer contemplada por referenciais de qualidade. O texto pondera, ainda, que a questão da qualidade na educação não se trata de um tema filosófico, mas político, que orbita na esfera prática e de garantia dos direitos humanos. Como conclusão, o texto defende a premissa de que a consecução de um direito não está descolada de condições contextuais e objetivas de sua existência, que possam garantir este direito efetivamente, para além de declarações e intenções. Não basta colocar todos na escola para alcançar a garantia do direito à educação, é preciso ir além da vaga: garantir a permanência, o sucesso escolar e um padrão mínimo (digno) de qualidade na escola e nos processos inerentes a essa instituição. Nessa ordem, o direito à educação só seria efetivado mediante referenciais de qualidade, como faces de uma mesma moeda.

Educação escolar: leitura e análise a partir da perspectiva adorniana

PID: S1981-416x2013000300009 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Teixeira Horn
Este artigo tem como propósito refletir sobre a compreensão de educação presente no pensamento do filósofo alemão Theodor W. Adorno, procurando mostrar como a visão adorniana de educação está intrinsecamente ligada à crítica da sociedade burguesa e, por conseguinte, à indústria cultural. Esse entendimento é desenvolvido a partir do conceito de esclarecimento e da tensão existente entre as aspirações do professor em relação aos desafios que enfrenta em sua prática educativa. As principais obras utilizadas são: Educação e emancipação (ADORNO, 2006) e Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos (ADORNO; HORKHEIMER, 1985). A questão central que se pretende explorar tem a ver com a relação que Adorno estabelece entre esclarecimento, emancipação, resistência e autonomia. Trata-se de responder à questão: até que ponto o esclarecimento leva o indivíduo a resistir àquilo que a sociedade define como dado e pronto? O pretenso esclarecimento da humanidade e sua submissão a uma razão totalitária e à indústria cultural, com sua influência na formação dos pensamentos e ações das pessoas, são elementos constitutivos da análise que se propõe. Adorno procura mostrar que a educação teria um poder de resistência em relação ao rumo caótico que a civilização humana está tomando e poderia fazer com que o homem usasse a reflexão sobre sua realidade e a analisasse de maneira crítica, não aceitando todas as imposições sociais como sendo naturais. A teoria crítica, da forma como entende Adorno, apresenta o processo histórico de produção da educação e aponta a dimensão de uma tarefa de emancipação social a ser desenvolvida pela escola.

Educação, direitos humanos e reconstrução social nas políticas contemporâneas de escolarização no Brasil

PID: S1981-416x2013000200002 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Silva Silva
O presente artigo visa analisar a constituição dos direitos humanos como temática indispensável para a composição das políticas brasileiras de escolarização em nosso tempo. Partindo de uma percepção sociológica acerca dos diferentes processos de individualização na sociedade contemporânea, os autores problematizam o lugar ocupado pela temática na pauta social, assim como estabelecem um diagnóstico crítico dos diferentes sentidos que adquire em nosso tempo, enfocando seu posicionamento estratégico junto às novas formas de gestão das políticas e dos processos escolares. Por fim, mediante a percepção da revitalização dos direitos humanos em documentos produzidos para a educação básica, observa-se que tais direitos têm sido assumidos como importante instrumento de justiça escolar. Ao mesmo tempo, esses direitos engendram narrativas de reconstrução social para uma sociedade onde a incerteza, a flexibilidade e o individualismo passam a ser naturalizados nos processos coletivos de formação e convivência humanas.

Ensino rural e legitimação das ações do estado

PID: S1981-416x2013000200016 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Werle
A Secretaria de Estado da Educação do Rio Grande do Sul, Brasil, publicou, na década de 1950, o Boletim de Educação Rural. Era um instrumento de política, uma publicação em formato de revista impressa, focalizando as instituições, os atores, o papel da educação e projetos para a área rural. Nesse trabalho se analisa a importância desse impresso, sua função de legitimar as políticas do setor, o conteúdo e o contexto em que ele circulou, bem como as temáticas, artigos, notícias, fatos, documentos administrativos e o conteúdo pedagógico voltado para a vida rural. Conclui-se que tal impresso contribuiu para o estabelecimento de normativas do trabalho docente, para a emulação de práticas exemplares, como estratégia de constituição da identidade profissional dos professores rurais, e de divulgação das políticas expansionistas do setor.

Fatores que promoveram mal ou bem-estar ao longo da profissão docente na opinião de professores em fase final de carreira

PID: S1981-416x2013000300012 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Rausch Dubiella
O objetivo da pesquisa foi identificar os principais fatores que contribuíram com o mal ou bem-estar ao longo da profissão docente na opinião de professores da rede municipal de ensino de Blumenau em fase final de carreira. O bem-estar refere-se à realização profissional, promovendo satisfação e comprometimento, e o mal-estar, à insatisfação, tristeza e desânimo, que, muitas vezes, levam ao adoecimento do professor. A pesquisa caracterizou-se como qualitativa e exploratória. Como instrumento de coleta de dados, aplicou-se um questionário a 34 professores. Os dados foram analisados buscando evidências das satisfações e insatisfações dos docentes e categorizados em quatro dimensões: pessoal, interpessoal, organizacional e social. Como fatores que promoveram mal-estar, destacaram-se: baixos salários, desvalorização profissional, estrutura física inadequada, carga horária excessiva, turmas lotadas, ausência da família no apoio e acompanhamento dos educandos e falta de limites dos alunos. Como principais fatores de bem-estar, tiveram destaque: relação professor-aluno, relação professor-professor, aprendizagem dos alunos e formação contínua. Portanto, destacaram-se as dimensões organizacional e interpessoal como maiores promotoras de mal e bem-estar docente, respectivamente. Os resultados revelaram, ainda, que prevaleceram situações de mal- -estar em decorrência de situações de bem-estar ao longo da profissão docente dos professores da rede municipal de ensino de Blumenau e que praticamente a metade dos pesquisados, se pudesse voltar, escolheria outra profissão. Isso sinaliza que é preciso urgentemente desenvolver ações coletivas que ampliem situações de bem-estar na profissão docente.

Formação de professores mediada por tecnologias educacionais em rede: contribuições da perspectiva sócio-histórica

PID: S1981-416x2013000100005 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Alberti Franco
A partir do embasamento teórico da Psicologia sócio-histórica, em particular da Teoria da Atividade de Leontiev e das Atividades de Estudo de Davidov, este artigo apresenta os resultados de pesquisa, em que investigamos as tarefas de estudo realizadas em um curso de Pedagogia mediado por tecnologias educacionais em rede que tinham a potencialidade para o desenvolvimento de novas atividades profissionais. Para tanto, a metodologia empregada foi a análise de conteúdo, por meio de procedimento de categorização. Os resultados evidenciaram que, nesse contexto investigado, a forma de organização e o conjunto de tarefas de estudo foram potencializadoras de Atividades de Estudo desenvolvimentais. Essas tarefas de estudo traziam em sua essência a transformação dos processos de ensino-aprendizagem, por meio do movimento de reorganização das ações mediadoras no planejamento, implementação, acompanhamento e avaliação, colocando os professores-alunos na condição de sujeitos de seu processo formativo. Nessa perspectiva, entendemos que as tarefas de estudo realizadas na formação de professores mediada por tecnologias educacionais em rede mudou a forma de pensar e de agir desses professores-alunos, desenvolvendo seu psiquismo e transformando-os tanto pessoal quanto profissionalmente. Esses resultados apontam perspectivas para estudos mais avançados sobre a qualidade dos cursos na formação de professores, tendo como base de avaliação tarefas de estudo que contribuem para o desenvolvimento profissional.

Formação de professores: a construção da docência e da atividade pedagógica na Educação Superior

PID: S1981-416x2013000100003 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Bolzan Isaia Maciel
Este artigo foi produzido a partir de uma rede investigativa que tem como elos a interlocução entre grupos de pesquisa diante dos estudos que desenvolvem. O GPFOPE, o GTFORMA e o KOSMOS, preocupados em contribuir para a área da formação de professores, têm produzido aportes para a implementação e o aprimoramento de políticas educativas e institucionais, tendo em vista a qualificação de cursos presenciais e a distância. O propósito desta reflexão é oferecer alternativas para repensar os processos formativos promovidos pelas IES e sua repercussão na organização das atividades pedagógicas que desenvolvem. Nesse sentido, consideramos que o foco da formação de professores não pode estar restrito a pensar e discutir a organização do ensino e seus desdobramentos, mas antes de tudo está em mobilizar os sujeitos a continuarem aprendendo nos diferentes contextos de atuação. Isso inclui refletir na e sobre a prática pedagógica, compreender os problemas do ensino, analisar os currículos, reconhecer a influência dos materiais didáticos nas escolhas pedagógicas, socializar as construções e troca de experiências, de modo a avançar em direção a novas aprendizagens, num constante exercício de prática reflexiva, colaborativa e coletiva. Trata-se de um processo caracterizado por tensões e desafios em contextos desconhecidos, nos quais os formadores buscam equilíbrio profissional. Para que isso ocorra, precisam conscientizar-se de que são sujeitos em permanente evolução e desenvolvimento profissional docente.

Formação do professor de matemática na modalidade a distância: o que pensam os alunos sobre sua aprendizagem

PID: S1981-416x2013000100008 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2013
Autores: Resende Vieira
No contexto da expansão vertiginosa da educação a distância no Brasil, especialmente na formação de professores, o presente trabalho visou investigar quem é o aluno concluinte da Licenciatura em Matemática e como ele descreve sua aprendizagem. Optamos por uma abordagem qualitativa de pesquisa, utilizando como procedimentos de coleta de dado, questionário e entrevista semiestruturada, aplicados, respectivamente, a 102 e a oito sujeitos. Procedemos à análise de conteúdo conforme os pressupostos de Bardin (1979). Dialogamos com os seguintes autores: Belloni (1999), Gatti (2009), González Rey (2006), Manrique e André (2006), Pozo (2002) e Preti (2005). Os dados analisados nos permitiram verificar na perspectiva dos sujeitos: a centralidade do aluno no processo de aprendizagem, enfatizando a disciplina, o esforço pessoal e a organização do tempo; a aprendizagem caracterizada pela busca e pesquisa; a interação e o diálogo como elementos indispensáveis; as mudanças de atitudes em relação à Matemática e ao seu ensino. O que mais se destacou foi o grau de satisfação do aluno em relação à aprendizagem, não só dos conteúdos específicos, mas também dos pedagógicos e didáticos.
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