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Interculturalidade e educação na América Latina: uma construção plural, original e complexa

PID: S1981-416x2010000100009 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2010
Autores: Candau Russo
Este trabalho se situa no contexto da pesquisa “Multiculturalismo, Direitos Humanos e Educação”, desenvolvida no período de 2006 a 2009, com o apoio do CNPq. Analisa a construção da perspectiva da educação intercultural no continente latino-americano, destacando as principais contribuições que têm enriquecido esta abordagem, tanto do ponto de vista teórico quanto de suas implicações nos processos educacionais e sociopolíticos dos diferentes países. Parte das contribuições da educação escolar indígena, considerada a origem desta preocupação em nosso continente, apresenta contribuições dos movimentos negro, tendo presente sua diversidade de configurações no continente, e destaca as experiências de educação popular desenvolvidas no continente e, neste contexto, a figura de Paulo Freire como especialmente relevante para o aprofundamento da perspectiva da educação intercultural. Assinala também a incorporação da educação intercultural nas reformas curriculares dos anos 90 e a tendência a transformá-la em elemento funcional aos sistemas sociopolíticos vigentes. Aborda a perspectiva crítica da interculturalidade, que a considera como um dinamismo orientado a uma transformação estrutural das sociedades latino-americanas. Nesta ótica, dá especial ênfase às reflexões do grupo “modernidade-colonialidade”, constituído por um conjunto de especialistas que centram sua análise nas relações de poder presentes no continente em todo seu processo de formação histórica. Este estudo procura evidenciar o aspecto plural, complexo e original da construção da perspectiva da educação intercultural na América Latina.

O caráter simbólico e prático da formação permanente para professores

PID: S1981-416x2010000200005 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2010
Autores: Aguiar
Este estudo traz uma discussão sobre a formação permanente de professores. Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo, com enfoque na teoria das representações sociais, e teve como objetivo compreender o que pensam e o que sugerem os professores sobre formação permanente. Para captar esses sentidos, foi aplicado um questionário a sessenta e dois (62) professores que lecionam desde educação básica ao ensino superior nas redes pública e privada. As respostas às questões propostas foram analisadas com o apoio do software ALCESTER, cuja função é filtrar o essencial da mensagem contida em um texto. As análises apontam que as ações de formação não devem ser planejadas de forma isolada, uma vez que os professores são sujeitos ativos desse processo de construção pessoal e profissional. As representações sociais são, pois, um misto das ideias e crenças que os professores acumularam sobre o trabalho que desenvolvem e a formação permanente que buscam e que recebem, associam-se ao sentimento e à consciência de pertencerem a um grupo, de serem profissionais que interagem com o meio e os outros. Este estudo vem, portanto, confirmar a relevância da teoria das representações sociais como ferramenta apropriada para compreender os objetos educacionais como um todo e a formação dos professores, em particular.

Pedagogia universitária e aprendizagem docente: relações e novos sentidos da professoralidade

PID: S1981-416x2010000100002 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2010
Autores: Bolzan Isaia
Este artigo trata de estudos relativos à pedagogia universitária e à aprendizagem docente, buscando explicitar as relações e os novos sentidos da professoralidade. Assim refletir sobre as formas de intervenção pedagógica pode contribuir para a construção da professoralidade à medida que esse processo reflexivo possibilita responder a determinadas condições, compreendendo a experiência como princípio e não como momento de culminância da aprendizagem docente. Inferimos, pois, que os alicerces constitutivos à pedagogia universitária são a reflexão individual e coletiva, as relações intersubjetivas e interdiscursivas e o conhecimento pedagógico compartilhado que se consubstanciam no ato de aprender a ser professor. Portanto, a pedagogia universitária pode ser pensada como um campo em construção, no qual podemos analisar e compreender os fenômenos de aprender e de ensinar as profissões e, sobretudo, um lugar no qual a docência universitária em ação pode ser revisitada e reconstruída. Nesse sentido, ao analisarmos o contexto universitário, buscamos encontrar formas genuínas de construção de saberes capazes de dinamizar as inovações e a difusão de experiências, considerando o contexto global e local, no qual o processo pedagógico se institui. Enfim, acreditamos que esse espaço constitui-se em um lugar de formação no qual o protagonismo pedagógico é reconhecido como caminho para emancipação dos processos formativos, da aprendizagem de ser professor e da construção da professoralidade.

Por uma abordagem intercultural da educação: levar a cultura a sério

PID: S1981-416x2010000200010 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2010
Autores: Ogay
A importância de se considerar a dimensão cultural da educação é reconhecida cada vez mais não somente pelos investigadores e trabalhares da educação, mas também pelos responsáveis dos sistemas educativos. No entanto, nem sempre se sabe o que isso abrange precisamente. Este artigo procura refletir sobre as diferentes facetas da dimensão cultural da educação, bem como a respeito das armadilhas que o conceito de cultura, tão difícil de definir, pode ocultar. Procurando refutar o discurso universalista que nega ou minimiza a dimensão cultural, a educação intercultural utiliza um discurso que às vezes escorrega para o culturalismo, congelando a outra pessoa em diferenças imutáveis. Para evitar a escolha da sacralização das culturas, trata-se de conceber a interculturalidade como uma dialética entre o valor da diferença e o valor de igualdade. É então possível levar em conta a cultura e, por conseguinte, a diferença cultural, sem, no entanto, provocar um fator de divisão entre os seres humanos.

Sobre algumas contradições da forma escolar

PID: S1981-416x2010000300010 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2010
Autores: Pereira
Este trabalho visa a colocar em questão algumas contradições que aparecem na forma escolar de um modo geral e, em particular, no fenômeno da educação brasileira contemporânea. São elas: que o direito à educação converteu-se na escolarização obrigatória, transformando o que era uma reivindicação política em uma condição compulsória, cuja desobediência é punível pela lei; e que esse modelo de educação-para-todos vem contribuindo para modelar a escola como uma “instituição total”. Pautado no resgate histórico de alguns ideais iluministas e da evolução do capitalismo contemporâneo, o artigo chega à atual realidade brasileira com o intuito de especular alguns modos de funcionamento da escola como instituição que busca emancipar e, ao mesmo tempo, controlar.

“Não estou preparado”: a construção da docência na educação inclusiva

PID: S1981-416x2010000300011 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2010
Autores: Saraiva Vicente Ferenc
A inclusão escolar de alunos com necessidades especiais nos sistemas regulares de ensino é uma conquista dos movimentos sociais em prol de grupos marginalizados. Documentos nacionais e internacionais legislam sobre o arcabouço de recursos necessários para a concretização da premissa inclusiva, inclusive no que tange à formação dos docentes, haja vista as especificidades decorrentes da prática educativa com uma clientela especial. Nesse contexto, desenvolvemos uma pesquisa em que se buscou investigar o processo de formação dos professores que atuam em salas regulares na perspectiva de inclusão de alunos especiais. Utilizou-se como instrumento para coletas de dados entrevistas semiestruturadas com três professoras das séries iniciais do ensino fundamental de uma escola estadual do município de Viçosa, MG. A pesquisa apresentou os seguintes resultados: a carência de saberes teóricos, conceituais e de estratégias relacionadas ao processo de ensino e à aprendizagem de alunos com necessidades especiais; a concretização de práticas docentes intuitivas, fundamentadas na experiência cotidiana; a falta de incentivo à busca permanente de formação associada à existência de práticas docentes individualizadas; atitudes de resistências ao trabalho com alunos especiais; e a justificativa de ausência de investimento, por parte do profissional, alicerçada na não efetivação de políticas públicas direcionadas à formação de docentes para trabalharem na perspectiva da inclusão.

A educação a distância no Brasil: conceitos e fundamentos

PID: S1981-416x2009000200008 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Mugnol
Este texto tem por objetivo fazer uma análise da trajetória histórica da Educação a Distância (EAD) no Brasil. Procura destacar seus principais momentos no transcorrer do século XX e início do século XXI. Discute seus conceitos, seus fundamentos e a função desempenhada por ela na realidade social do Brasil. A EAD é apresentada como uma modalidade de ensino que acompanhou o desenvolvimento do sistema educacional brasileiro e, a partir de 1996, vem recebendo significativo apoio do Governo Federal que, por meio do Ministério da Educação, tem incentivado o seu crescimento, tanto na esfera púbica quanto privada. Iniciativas como a criação da Universidade Aberta do Brasil (UAB) são tidas como exemplos que demonstram o interesse governamental em constituir a EAD como uma modalidade de educação capaz de democratizar o acesso ao ensino superior.

A educação básica no Brasil: vozes de professores da rede pública e privada

PID: S1981-416x2009000200011 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Akkari Silva
Nas duas últimas décadas vimos surgir no Brasil um debate público sobre a necessidade de melhorar a qualidade do ensino na educação básica, em particular no ensino fundamental. Esse debate gira em torno essencialmente de três dimensões: (1) as medidas legislativas favoráveis à reforma do sistema educacional brasileiro que se traduzem pela adoção da LDB (Lei de Diretrizes e Bases); (2) as desigualdades estruturais ligadas aos financiamentos da educação pública e (3) a falta de compromisso dos poderes públicos em favor de uma educação básica. Sem negar a importância dessas três dimensões, nosso trabalho de pesquisa qualitativa está comprometido em explicitar a voz daqueles que não são mais ouvidos sobre o assunto: os professores e os diretores das escolas públicas e particulares. Realizamos 40 entrevistas não diretivas com estes atores da educação básica nos Estados de Goiás, Minas Gerais e Paraná. Estas entrevistas tinham por objetivo determinar o que provoca a qualidade ou a falta de qualidade do ensino, a partir do ponto de vista dos professores e dos diretores. Procuramos, em particular, analisar as escolhas atuais e potenciais dos professores da rede pública no que se refere à escolarização dos seus alunos. Este último ponto parece-nos extremamente importante porque acreditamos que é necessário um retorno das classes médias à escola pública para esperar uma melhoria do ensino público.

A educação especial em escolas regulares: tramas e dramas do cotidiano escolar

PID: S1981-416x2009000300015 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Caiado Martins Antonio
O objetivo desta pesquisa é contribuir com a reflexão sobre a formação de professores para atuarem com alunos deficientes nas séries iniciais do ensino fundamental e refletir sobre as práticas pedagógicas desenvolvidas nas denominadas classes inclusivas. Os dados empíricos foram construídos com fontes orais. Realizamos 102 entrevistas com professores que atuam nas séries iniciais do ensino fundamental, em sala regular de instituições de ensino regular, públicas ou privadas. Para análise e discussão dos dados utilizamos fontes bibliográficas e documentais, tais como: revisão bibliográfica, legislação, documentos de organismos nacionais e internacionais que abordam a temática em estudo. Assim, trabalhamos com eixos temáticos definidos a partir dos objetivos da pesquisa e dos conteúdos que emergiram das fontes. O foco deste trabalho é a formação do professor para atuar nas denominadas “classes inclusivas”. Nessa direção, organizamos dados referentes ao ano letivo de 2006 sobre: 1. o número de alunos com deficiência matriculados em cada escola; 2. o tipo de deficiência; 3. o tipo de serviço de apoio educacional especializado existente na escola; 4. a formação do professor, inicial e continuada; 5. o tempo de magistério; 6. o tempo de magistério em salas “inclusivas”; 7. as práticas pedagógicas nas salas “inclusivas”; 8. as sugestões dos professores referentes à construção de uma escola inclusiva. Os resultados revelam: um significativo aumento de alunos com variados tipos de deficiências frequentando salas do ensino regular; um clamor dos professores por formação centrada no processo de ensino-aprendizagem; as condições desfavoráveis de trabalho docente e vivência escolar.

A educação na restauração lemista da igreja: a missão de Tristão de Athayde e Stella de Faro no Ministério da Educação e Saúde Pública: 1934-1945

PID: S1981-416x2009000200005 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Mesquida
Se o padre Julio Maria foi um verdadeiro interprete e oráculo da ortodoxia católica no final do século XIX e início do século XX, encetando campanhas de divulgação do pensamento católico e de chamamento à Santa Madre Igreja aos católicos de nome, mas não de prática e de ação, Dom Sebastião Leme, a partir de 1916, desencadeará uma ação nacional, inicialmente a partir do Nordeste (Recife), depois tendo como centro irradiador da dinamização da Igreja, o Rio de Janeiro, no sentido de apressar a restauração. Dom Leme irá centrar sua ação no chamamento dos intelectuais católicos. Para tanto, fundou no Rio de Janeiro, em 1921 e 1922, a revista A Ordem e o Centro Dom Vital, órgãos de difusão do pensamento católico e de preparação de intelectuais. De Jackson de Figueiredo a Alceu de Amoroso Lima, Gustavo Capanema e Stella de Faro, entre outros, a investida de Dom Leme por meio da intelectualidade católica para disseminar as ideias e princípios católicos e exercer influência política, foi significativa e expressiva. No período em que Gustavo Capanema foi Ministro da Educação e da Saúde, a Dom Leme procurou exercer influência no governo e sobre a sociedade por meio dos seus “braços” cultos no Ministério: Alceu de Amoroso Lima e Stella de Faro. Enquanto Tristão de Athayde procurava colocar católicos em postos chave do Ministério, Stella de Faro procurava participar de Comissões cujas decisões poderiam favorecer a presença da Igreja na sociedade, em particular pelo reconhecimento da mulher como mestra, cidadã (exercício político do voto) e pela sua presença em obras de serviço social.

A gestão da violência escolar

PID: S1981-416x2009000300010 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Leme
O trabalho analisa o desafio enfrentado atualmente pelos educadores brasileiros, a saber, o crescimento da violência escolar, constatado em várias pesquisas. Neste sentido, a evolução da violência escolar é focalizada em primeiro lugar, desde os primeiros registros de seu crescimento, que despertou a atenção dos pesquisadores, logo após a redemocratização brasileira, até dados mais recentes dos anos 2000. Em segundo lugar, o fenômeno é caracterizado em termos das suas formas de manifestação mais frequentes, que também têm variado ao longo da sua evolução, passando da depredação do patrimônio, inicialmente a transgressão mais frequente, para violências contra a pessoa. São também abordadas as variáveis já identificadas pelas pesquisas como associadas à manifestação da violência escolar, como, por exemplo, porte da cidade, tamanho do estabelecimento, desigualdade social, etc. Esta panorâmica permite observar, além do crescimento constante nos índices de violência escolar, a sua disseminação, e também, o agravamento do problema, em virtude das formas de manifestação terem se tornado cada vez mais explícitas e pessoais. Ante essa situação, é discutida a gestão da violência escolar, desde as políticas públicas já implementadas pelas administrações centrais até o que pode ser feito no âmbito da escola. Nesta perspectiva, discute-se as novas demandas que a violência na escola traz, não só para o diretor escolar, mas para todos os integrantes da comunidade.

A questão do corpo e sexualidade na formação docente

PID: S1981-416x2009000200010 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Strapasson
O presente trabalho tem o objetivo de esclarecer alguns aspectos da questão do corpo e da sexualidade na formação docente na perspectiva da psicologia e, para isso, o caminho percorrido é: do signo ao símbolo, do profano ao sagrado. Eros, o deus do amor, ou o próprio amor, é o representante maior da afetividade e da sexualidade. É Eros quem dá inteligência e coração à sexualidade. Eros tem duas faces, uma escura e uma luminosa. O seu lado escuro não deve ser simplesmente rejeitado ou negado, por ser desconhecido e ameaçador, mas sim acolhido e compreendido, e com isto, transformado. Para tal, precisasse de conhecimento. Não apenas do conhecimento informativo, mas de um conascimento, de um nascer com, de um emergir do conhecimento que nasce da experiência profunda do cotidiano e se mostra em palavras, gestos, tom de voz, no olhar, enfim, no corpo.

A representação social da homofobia na cidade de Lorena/SP

PID: S1981-416x2009000300013 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Koehler
Este trabalho é produto de uma pesquisa em andamento realizada pelo Observatório de Violências nas Escolas, do Núcleo UNISAL, Lorena/SP, que estuda conflitos, clima escolar, exclusão, preconceitos, direitos humanos, convívio, tolerância e respeito pelo “Ser” humano no ambiente escolar. O objetivo foi investigar a representação social em relação ao fenômeno da homofobia da comunidade de Lorena/SP, representados por adolescentes, adultos e idosos, com idade entre 16 e 84 anos, que transitavam pela praça principal da cidade de Lorena. Foram realizadas 671 entrevistas, 330 no ano de 2006 e 341 em 2007. Caracterizada como um survey longitudinal, pois uma determinada população foi estudada em ocasiões diferentes e representada por diferentes indivíduos o que permite a análise do processo de mudança no tempo. O instrumento de pesquisa utilizado foi uma entrevista do tipo semiestruturado com questões abertas e fechadas. Os dados das questões abertas estão submetidos à metodologia segundo os princípios da análise de conteúdo. Compreender o pensamento e a opinião das pessoas sobre a homofobia é fundamental para se pensar formas de esclarecer e instrumentalizar os educadores ao lidar com a temática em questão. A partir da categorização dos dados e da análise das respostas obtidas, almeja-se ações ao nível de prevenção primária e secundária que contribuam com as políticas públicas, assim como na redução do sentimento homofóbico, do preconceito e da discriminação relacionada à homossexualidade, consequentemente contribuir com a promoção dos direitos humanos.

Autoridade na escola e a insustentável leveza do ser

PID: S1981-416x2009000300006 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Gomes Lira Pereira
O aumento das violências das/nas escolas, bem como a crise de autoridade, tem motivado o desenvolvimento de pesquisas, inclusive as que as relacionam com a formação inicial e continuada de professores. Parte destas analisa a socialização profissional do magistério e encontra questões, como novas faces do “choque de realidade” dos docentes. Assim, efetuou-se uma investigação sobre as percepções dos licenciandos a respeito das violências, da autoridade e do seu próprio preparo para fazer face aos problemas emergentes. Os resultados, obtidos por meio de grupos focais realizados com estudantes de magistério, confirmam a sensação de despreparo para a imersão, ainda que gradual, na prática. Um dos temas silenciados na formação e na pesquisa é a autoridade do educador, como esta se define e se mantém. Parece ser um assunto tabu, de que se fala indiretamente, por meio do “controle de classe” e da indisciplina. Esta lacuna pode conduzir ao trato inadequado da realidade e à redução do ímpeto renovador dos novos mestres. Entre as propostas dos participantes, destacam-se a construção de um gradiente teoria-prática mais adequado, o caráter mais aplicado das disciplinas e o desenvolvimento da capacidade de encontrar soluções, sem receituários.

Concepção emancipatória: uma orientação na formação continuada a distância de professores

PID: S1981-416x2009000100010 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Cunha Vilarinho
A pesquisa investigou como a literatura pedagógica vem abordando a formação continuada a distância de professores a partir de periódicos nacionais classificados pelo processo Qualis/CAPES na categoria indicativa de qualidade A, incluindo também os trabalhos apresentados nas reuniões anuais da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) e os publicados pela Revista Brasileira de Tecnologia Educacional ao longo de cinco anos (2000-2004). Dos 37 artigos encontrados e analisados verificou-se que mais da metade se alinha à perspectiva emancipatória, o que sugere um movimento de superação da visão instrumental que marcou a formação docente nos anos de 1970 e 1980. Identificou-se, ainda, a presença de significativas contribuições que podem subsidiar a (re)formulação dessa formação.

Conflitos, sentimentos e violência escolar

PID: S1981-416x2009000300012 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Dani
Este artigo apresenta reflexões sobre a temática violência escolar seus conflitos e sentimentos. As informações para este texto foram coletadas durante o desenvolvimento da segunda etapa do projeto de pesquisa intitulado “Os conflitos e os sentimentos presentes na relação pedagógica e seus entrelaçamentos na construção da personalidade moral”. Nessa etapa, a pesquisa teve como objetivos identificar quais os sentimentos que afloraram nas situações de conflitos presentes na relação pedagógica e quais as significações que foram construídas pelas crianças envolvidas em tais situações, buscando compreender como esses elementos atuam na construção da personalidade moral autônoma (PUIG, 1998). Para tanto, o foco central dessa investigação direcionou-se para um estudo de caso de uma turma dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de uma escola da rede pública municipal da cidade de Santa Maria - RS, composta por 26 alunos com faixa etária entre 9 e 14 anos e a professora regente. Num período de três meses realizamos observações e atividades nas quais as crianças teriam de expressar seus sentimentos em relação às situações de conflitos. As observações realizadas foram caracterizadas como observações do tipo mais formal (WITTROCK, 1989) através de um sistema aberto (WITTROCK, 1989) e, registradas em um diário de campo. As atividades escolhidas foram: dinâmica de grupo e entrevista grupal, tendo como elemento motivador gravuras referentes ao ambiente escolar. Os resultados apontaram para a ideia de que a convivência baseada no conceito de agrupamento (CORTELLA; DE LA TAILLE, 2005) favorece a construção de significações que legitimam a violência nas relações interpessoais escolares.

Construindo a autonomia moral na escola: os conflitos interpessoais e a aprendizagem dos valores

PID: S1981-416x2009000300009 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Vinha Tognetta
A partir de pesquisas que investigaram se o ambiente escolar influencia o desenvolvimento moral dos alunos e a maneira com a qual eles se relacionam e resolvem seus conflitos interpessoais, propõe-se uma reflexão, fundamentada na teoria construtivista, sobre a forma como os conflitos têm sido resolvidos na escola em duas perspectivas (tradicional e construtivista) e uma análise das consequências destes na formação moral dos alunos. Inicialmente é apresentado um breve quadro teórico que fundamenta essas investigações, descrevendo o desenvolvimento moral segundo a teoria de Jean Piaget e outros pesquisadores que compartilham dessa concepção, e são estabelecidas algumas reflexões sobre o ambiente sócio-moral da escola e a construção da autorregulação. Constata-se que, apesar de os educadores afirmarem que pretendem favorecer a formação de pessoas autônomas que vivam relações mais justas, respeitosas e solidárias, nem sempre conseguem fazer com que as crianças e os jovens pautem suas ações em princípios morais e autorregulem seus comportamentos. Em seguida, são apresentados os principais processos utilizados para intervir nas situações de conflitos interpessoais tanto pelos educadores que possuem uma perspectiva tradicional quanto na construtivista, compreendendo que estes transmitem mensagens que dizem respeito à moralidade. Os resultados encontrados indicam que, apesar dos professores terem objetivos comuns, o processo empregado nas escolas mais tradicionais favorece a manutenção de altos níveis de heteronomia em seus alunos. Constatou-se ainda que, por causa da concepção de que os conflitos são naturais nas relações e podem ser oportunidades para trabalhar os valores e regras e ao emprego de intervenções mais coerentes com o processo de construção da moralidade, tais intervenções contribuíram mais efetivamente para a melhoria das relações interpessoais e para o desenvolvimento da autorregulação.

Cultura material escolar e ensino religioso: um caminho para a formação do professor de ensino religioso

PID: S1981-416x2009000100013 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Rodrigues Gilz Junqueira
O presente artigo discute a cultura material escolar a partir de um conjunto de elementos que - direta ou indiretamente - subsidiam o processo de ensino-aprendizagem nas suas mais variadas expressões e espaços físico-sociais, como um caminho para a formação do professor de Ensino Religioso. Constata que, além de arquivos, de documentos textuais e iconográficos, de saberes produzidos pelos recursos pedagógicos e de políticas governamentais voltadas à adoção de livros didáticos para as escolas, essas mesmas fontes são também pontos de convergência de usos e sentidos educacionais. Fomenta, por isso, a necessidade de o professor de Ensino Religioso avaliar com mais propriedade as concepções pedagógicas, as práticas e os saberes vinculados aos materiais escolares utilizados nas atividades de ensino-aprendizagem. Identifica na pesquisa sobre cultura material escolar um dos meios de elucidar a complexidade inerente aos desafios da formação docente da área de Ensino Religioso, principalmente no que diz respeito à problemática da diversidade.

Curso normal: a formação de professores em nível médio, no Paraná (1996-2006)

PID: S1981-416x2009000200006 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Gomide Miguel
Este trabalho analisa as políticas educacionais para Formação de Professores para a Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental, inserido na organização do sistema educacional brasileiro em nível médio, modalidade normal. Parte da compreensão do processo de reestruturação produtiva, das mudanças no mundo do trabalho e da reconfiguração do papel do estado interligados à educação, para apreender, neste contexto, as políticas para formação de professores em nível médio desenvolvidas no Estado do Paraná, entre 1996 e 2006. Analisa as orientações advindas da LBD 9394/ 96 e de documentos da Unesco, como a Declaração de Jomtien (1990) e Dakar (2000), consoantes com este projeto. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, na qual, por meio de análise de conteúdo de documentos, estabelece um diálogo crítico com base nas obras de Tanuri (2000), Miguel (2007), Saviani (2005) e Harvey (1993). Os resultados indicam que, no decorrer da história, entre políticas para permanência ou extinção do referido curso, essa modalidade de ensino resiste às pressões e, no Paraná, embora construído com base epistemológica materialista histórica, explicita orientações internacionais da Unesco e cumpre um papel dualista na formação de professores e na consolidação da educação brasileira.

Descrever o bullying na escola: estudo de um agrupamento de escolas no interior de Portugal

PID: S1981-416x2009000300004 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2009
Autores: Pereira Silva Nunes
O bullying define-se como o comportamento agressivo entre pares, intencional e continuado. O bullying na escola registra-se em diferentes tipos tais como o físico, verbal e indirecto e em diferentes espaços. O objectivo desta investigação foi diagnosticar o bullying na escola e caracterizar as crianças vítimas quanto à prevalência, formas e locais de ocorrência do bullying. Também pretendemos, com base nos resultados e no conhecimento sobre programas de intervenção implementados, descrever um plano a ser levado a cabo pelo agrupamento em estudo. Foi aplicado um questionário adaptado de Olweus num agrupamento de escolas do Nordeste Transmontano, no interior de Portugal. As conclusões apontaram para a disseminação do bullying, cerca de uma em cada quatro crianças foi vítima de agressão pelos pares três ou mais vezes, na escola; verifica-se que existe grande diversidade de tipos de bullying, sendo os mais difundidos o recurso ao insulto seguido da agressão física. Quanto aos locais, o recreio foi o espaço mais mencionado apesar de ser um espaço muito valorizado pelas crianças. Os valores percentuais registados recomendam a intervenção que descrevemos de forma sumária.
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