Com a pretensão de contribuir para o estudo da dinâmica das relações entre matemáticos e professores de matemática no contexto do Movimento da Matemática Moderna (MMM) no Brasil, este artigo volta-se para a discussão entre cultura acadêmica e cultura escolar, categorias que consideramos relevantes para o aprofundamento desse assunto. Buscamos constatar como se processam as práticas do fazer matemático a partir de aportes teóricos propugnados pela História Cultural. Dessa forma, procuramos retratar as práticas do cotidiano de matemáticos brasileiros e o modo como estas foram apropriadas pelo ensino secundário, a partir de análise de algumas de suas produções científicas e propostas para o ensino da matemática, utilizando como fontes livros didáticos, documentos de arquivos escolares e de arquivos pessoais, etc. Para tanto, tomamos os matemáticos Omar Catunda, Benedito Castrucci e Luiz Henrique Jacy Monteiro como personagens representativos dos modos de pensar daquele período, qual seja, o do MMM.
O artigo baseou-se em estudos bibliográficos, objetivando mostrar quão responsável devem ser aqueles que definem os currículos escolares, os quais não são somente instrumentos educacionais, mas também artefatos influentes no social e no cultural. O currículo não é neutro, sendo veículo de conhecimentos selecionados, liga-se ao poder, à homogeneização ou à diferenciação da escola e, por isso, os educadores precisam estar atentos às implicações sociológicas e culturais, quando de sua estruturação. São apresentados vários conceitos e objetivos, que variam segundo a visão da sociedade e a ideologia vigente, do pré-moderno ao pós-moderno. Cada período possui características peculiares que se refletem no currículo e, conseqüentemente, na formação do homem. A escola é uma das instituições capazes de contribuir para que a realidade do mundo contemporâneo seja refletida, conscientizada e melhorada e o currículo é um dos instrumentos para isso.
Considerando a relevância e desenvolvimento de um número significativo de projectos e programas para a integração das TIC na escola, os autores apresentam um dispositivo de avaliação de projectos em TIC. Com efeito, um número significativo de países, nomeadamente na União Europeia, tem vindo a desenvolver programas para a integração das TIC no currículo e no quotidiano da escola. A metodologia apresentada foi concebida tendo por base a intervenção/reflexão dos autores enquanto membros da equipa de avaliação do Centro de Competência da Universidade do Minho (CCUM) do Programa Nónio Séc. XXI, em Portugal, bem como iniciativas junto de professores com responsabilidades de decisão no desenvolvimento dos projectos nas escolas. O texto apresenta uma metodologia que tem por base quatro eixos fundamentais da avaliação, integrando os diversos actores, os diversos momentos, os diversos objectos e os diversos instrumentos, focalizando-a na perspectiva da referencialização. Aplicando esta metodologia aos projectos em TIC nas escolas Nónio do CCUM, os autores sublinham que os procedimentos da avaliação devem ser o resultado de uma reflexão sobre a sua própria lógica inerente à ideia de projecto.
Este artigo procura examinar a nova modalidade de ensino religioso definida pela Lei Federal 9.475/97 que altera o artigo 33 da LDB de 1996. O novo modelo de ensino religioso se afasta de toda forma de confessionalismo e proselitismo buscando estar de acordo com a atual pluralização do campo religioso brasileiro. Analisam-se também questões como a laicidade, a secularização e a relação Estado e Igreja Católica que estão intimamente relacionadas com o ensino religioso nas escolas públicas.
Neste trabalho apresenta-se, de forma resumida, o desenvolvimento histórico do Centro Belge de Pédagogíe da la Mathemátique (1958-1973), criado por Georges Papy, dando especial ênfase ao desenvolvimento curricular entre os 6 aos 18 anos; a influência da obra de Papy no Movimento da Matemática Moderna está amplamente reconhecida; analisam-se os fundamentos da reforma e põem-se em evidência alguns aspectos críticos da mesma.
O movimento de renovação de ensino conhecido como Matemática Moderna chegou ao Brasil na década de 60 impulsionado por reformas que estavam acontecendo em outros países. Antes disso, no início do século XX, manifestações em prol de uma renovação do ensino da Matemática já aconteciam em vários congressos internacionais e continuaram a acontecer em congressos nos anos seguintes. Muitas das reivindicações e críticas levantadas na época foram as mesmas discutidas anos mais tarde, na década de 50. Pode-se dizer que as discussões travadas nesses congressos internacionais deram impulso ao surgimento do Movimento da Matemática Moderna em todo o mundo e ainda se constituíram num fórum de debates acerca da Matemática Moderna. O objetivo deste texto é retomar alguns dos temas presentes nos principais congressos realizados ao longo do século XX que proporcionaram um aumento das discussões sobre o ensino de Matemática, culminando no início do Movimento da Matemática Moderna. Além disso, pretende-se discutir como foram os primeiros congressos sobre o ensino da Matemática no Brasil e a sua importância para o movimento.
Após a sistematização de experiências com o ensino, por meio da pesquisa-ação, na disciplina Filosofia, durante o mestrado (LIMA, 2002), nos cursos de História, Pedagogia e Psicologia e no doutorado (LIMA, 2005), em Prática de Ensino de Filosofia, no curso de Filosofia, o autor do texto dá continuidade à experiência no ano de 2006 e primeiro semestre de 2007, no Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia. Intenciona, assim, dar ênfase ao ensino como aprendizagem crítica na prática e pôr em relevância um ensino fundado na concepção de conhecimento como processo de produção coletiva e solidária.
Este artigo apresenta uma experiência vivenciada na formação continuada on-line com professores universitários envolvidos no programa MATICE (Metodologias de Aprendizagem via Tecnologias de Informação e Comunicação Educacionais). A proposta foi desenvolvida pela Diretoria de Educação a Distância da PUCPR em conjunto com o grupo de pesquisa PEFOP (Paradigmas Educacionais e Formação de Professores). Centrou-se o objetivo desta proposta na preparação de docentes para a utilização pedagógica de tecnologias da informação e comunicação na proposição de disciplinas on-line. O professor participante da formação continuada foi desafiado a tornar-se um agente mediador em busca de processos de ensino que abordem a aprendizagem em seus aspectos de elaboração pessoal e coletiva. Com essa visão, propiciou-se aos professores o desenvolvimento de capacidades para poder selecionar melhor a mídia disponível para cada situação de aprendizagem. A experiência vivenciada junto a estes professores permitiu aos pesquisadores levantar algumas contribuições relevantes que se apresentam neste artigo a partir da reflexão dos profissionais envolvidos no processo de formação continuada.
Os desafios relativos à formação de professores são temas recorrentes - e relevantes - nas discussões acadêmicas atuais. Este artigo tem como objetivo apresentar algumas reflexões a este respeito, centrando a discussão nos processos formativos de professores de língua inglesa, a partir da análise de material colhido num estudo sobre representações sociais que tais profissionais têm a respeito do idioma que ensinam, de sua formação e de sua prática docente.
O estudo propõe questões de investigação acerca das ações voltadas à formação de professores ao tempo do Movimento da Matemática Moderna, desenvolvidas por três dos grupos de estudo que atuaram no Brasil nas décadas de 60 e 70. Constitui-se num estudo inicial, que pretende investigar, histórico-comparativamente, aspectos relacionados aos trabalhos desenvolvidos pelos grupos GEEM, NEDEM e GEEMPA, que atuaram, respectivamente, nos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
A busca pela estética e pela perfeição técnica faz com que a dança perca o seu sentido expressivo e passe a ser a pura mecânica de execução de movimentos, destruindo a liberdade na dança e limitando as capacidades imaginativas e criativas dos alunos. Alguns profissionais propõem um ensino de dança baseado na reflexividade, no qual o corpo é visto como uma rica fonte de conhecimento e que, quando não objetificado, pode ser o lugar para a reflexão crítica, propondo desvincular a rigidez técnica em busca de uma libertação na dança e de um respeito à diversidade dos corpos. Foram realizadas entrevistas com cinco docentes de notória experiência nesta forma de ensino com o objetivo de analisar sua concepção de ensino e de trabalho com o corpo. Se por um lado os professores entrevistados acreditam que a licenciatura é importante para a formação, por outro, os pesquisadores afirmam que os professores de dança não estão preparados para atuar nas escolas. Este artigo vem propor uma discussão e reflexão sobre ensino de dança, tendo como foco principal o entendimento de que este ensino deve sempre buscar o desenvolvimento da criatividade e expressividade, almejando uma maior proximidade entre educação e dança na formação de professores e uma valorização do ensino de dança nas escolas regulares.
Neste artigo, focalizaremos duas experiências de trabalho coletivo: o Programa Licenciar desenvolvido na UFPR e o Fórum de Licenciaturas da PUCPR. As contribuições deste programa e fórum, para a formulação das proposições para os cursos de licenciatura no âmbito das instituições e nas definições sobre melhoria da formação realizada nestes cursos, serão analisadas apoiadas na sistematização de Santos (2005) que estabelece, em termos didáticos, diferentes níveis de conhecimento, do nível descritivo ao nível compreensivo, passando pelo nível explicativo. Partimos do pressuposto básico de que os problemas que afetam os cursos de licenciaturas, sobretudo a desarticulação entre teoria e prática na formação de professores, expressam a concepção de conhecimento mais usual cuja ênfase está na sólida formação teórica como base para uma prática conseqüente. Finalizamos com indicativos explicativos das implicações entre Programa Licenciar e os processos de individualização da formação inicial presentes nas atuais tendências e dos limites dos Fóruns no enfrentamento das desarticulações existentes nestes cursos.
En España, la formación de los profesores ha seguido distintos modelos a lo largo de la historia, condicionados por la situación política y social de cada momento. Desde la creación de la primera Escuela Normal hasta la revisión actual de los planes de estudio para adaptarlos al contexto europeo, en este escrito se revisa el devenir de esta formación.
Apesar de que o Movimento da Matemática Moderna deu seus primeiros passos na escola primária da Espanha, no início dos anos sessenta, até a lei de 1970 não aparecem expressos na legislação, de forma clara, os princípios que determinam esse movimento. Sem dúvida, a introdução dessas idéias no ambiente educativo ocorreu de forma progressiva, com disseminadores e difamadores que expressaram seu pensamento através de diversos meios, um dos quais foi a revista Vida Escolar. Em suas páginas encontramos as primeiras tentativas de modernizar o ensino das matemáticas e de disseminar uma nova metodologia que igualaria a Espanha ao resto dos países de seu entorno. Neste documento se faz uma revisão das diferentes contribuições que se fizeram desde 1960 a 1970 e se destacam algumas das idéias que marcariam posteriormente o ensino das matemáticas.
As percepções e construções em relação ao sagrado integram o substrato cultural dos povos, cujos relatos e registros elaborados sistematicamente pela humanidade se constituem em uma rica fonte de conhecimentos a instigar, desafiar, conflitar e subsidiar as gerações. A linguagem busca expressar, anunciar e pronunciar diferentes olhares, leituras, sentimentos e vivências que pessoas, culturas e povos vão organizando em relação ao que os circundam. O cotidiano escolar é um dos espaços onde continuamente transitam sujeitos e conhecimentos cujas vivências e redes de significados se percebem entretecidas com questões, que circunscrevem e indicam a presença do religioso de forma plural. O Ensino Religioso, em conformidade com a LDBEN n. 9394/96, nova redação do artigo 33 (Lei 9475/97) e Resolução 02/98 do Conselho Nacional de Educação o Ensino Religioso, é disciplina de matrícula facultativa, compreendida como parte integrante da formação do cidadão e constitui-se em uma das dez áreas do conhecimento do Ensino Fundamental. O respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil e a isenção de quaisquer formas de proselitismo são critérios estabelecidos no texto de lei. O presente texto busca fazer algumas aproximações conceituais sobre linguagem e diferença no intento de sinalizar possíveis referências, para estudos e discussões da temática em relação à formação de educadores para a área de conhecimento de Ensino Religioso.
Este artigo faz parte de um projeto de pesquisa que pretende construir fatos históricos da educação matemática no Brasil, em especial, sobre o ensino de geometria na Bahia durante o Movimento da Matemática Moderna. Investigaremos, nesta pesquisa, que proposta de ensino da geometria esteve contida nos livros didáticos do curso ginasial do projeto: Processo entre a exposição e a descoberta - PROED, livros estes produzidos em Salvador na década de 70, que tinha como uma das autoras a matemática e educadora baiana Martha Maria de Souza Dantas. O projeto de pesquisa busca compreender como foi a introdução da geometria moderna na Bahia, para isso fizemos uma descrição e uma análise preliminar de documentos de dois projetos desenvolvidos em Salvador nas décadas de 60 e 70, entre eles o projeto ao qual deu origem aos livros didáticos que farão parte de nossa investigação. No corpo desse artigo apresentamos uma cronologia acadêmica de Martha Dantas, pois ao fazermos as primeiras leituras nos documentos recolhidos em Salvador, percebemos que os mesmos estavam fortemente atrelados à vida acadêmica dessa educadora.
Neste artigo, analisa-se o processo de mobilização e construção de saberes docentes de professores/as que atuam na Educação a Distância (EaD), tendo como foco o processo de mediação pedagógica. Trata-se de um estudo pautado em pressupostos contemporâneos sobre a constituição dos saberes docentes, em especial nas áreas de educação e comunicação. Na EaD, o distanciamento físico sempre exigiu recursos e estratégias didáticas e comunicativas diferentes dos convencionais. Com a inserção das tecnologias digitais de comunicação e o desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem, a função mediadora do professor tomou um forte impulso, provocado pelas possibilidades e também pelas exigências da configuração desse novo “espaço”. Como os/as professores/as desenvolvem essa atitude mediadora na EaD? Como lidam com os alunos, uma vez que não podem intervir presencialmente? Qual o papel das tecnologias de informação e da comunicação (TIC) nesta mediação? Como utilizar as TIC de modo a potencializar esta mediação? Assim, por meio dessas perguntas, aborda-se a mediação pedagógica, levantando dilemas e apontando perspectivas e possibilidades na EaD, procurando contribuir com a formação e atuação docente na modalidade.
Este artigo articula os conhecimentos construídos nas pesquisas desenvolvidas por Schlemmer (1998, 2002, 2004, 2005, 2006, 2007) e pelo Grupo de Pesquisa Educação Digital - GP e-du UNISINOS/CNPq, principalmente no que se refere aos projetos “A construção de mundos virtuais para formação a distância” e “Formação do Educador na Interação com o AVA em Mundos Virtuais: Percepções e representações” e “Espaço de Convivência Digital Virtual - ECODI”. Assim, tem o intuito de teorizar e discutir sobre as relações e interações realizadas em metaversos, para a construção do conhecimento de práticas educacionais. Para tanto, os dados coletados são sistematizados num texto conceitual de termos emergentes das pesquisas e fundamentadas nas teorias de Castells (1999), Piaget & Inhelder (1993), Maturana e Varela (2002) e Lévy (1999) com reflexões sobre o viver e conviver dos “cidadãos” que habitam os metaversos. Esta sistematização contribui para a construção de práticas pedagógicas numa perspectiva interacionista/construtivista/sistêmica, bem como para a compreensão das novas formas de pensar e construir o conhecimento por meio das tecnologias digitais virtuais (TDVs), principalmente os metaversos.
O presente estudo enfoca algumas experiências realizadas em Educação Superior a Distância a partir da década de 90 em nosso país, o papel da nova cultura docente e discente das Instituições de Ensino Superior e os resultados das experiências realizadas como consultora e docente nos Cursos Superiores em EAD. Aborda a importância da formação de professores especialistas, bem como dos tutores numa visão de consultoria acadêmica, voltada para a compreensão da EAD como uma modalidade complexa do sistema de ensino, onde tanto os professores como os tutores são profissionais formados que devem participar efetivamente do projeto político-pedagógico da Instituição.
Este texto analisa a singularidade da recepção no Brasil de propostas internacionais para modificação do ensino de matemática na segunda metade do século XX. Em meio ao que fica conhecido como Movimento da Matemática Moderna - MMM, o estudo destaca a participação do professor Osvaldo Sangiorgi nos processos de apropriação de um ideário construído alhures, que promove alterações profundas na matemática escolar das salas de aula brasileiras.