A preocupação deste estudo está voltada para aqueles alunos que em razão da condição de classe, de gênero e de etnia, historicamente, vêm sendo excluídos da educação superior. Reverter este quadro é tarefa complexa quando visualizamos a trajetória da educação superior no âmbito da sociedade brasileira. O surgimento tardio deste nível de ensino no país, em especial em universidades, e a sua dependência aos interesses das classes dominantes, evidente nas reformas realizadas; os processos de seleção que têm priorizado os alunos com maior capital cultural, adquirido no decorrer da sua trajetória escolar e de vida e por último as dificuldades de acesso aos bens econômicos, sociais e culturais da maioria da população brasileira, como pano de fundo do caráter desigual da educação superior, não pode deixar de ser considerado quando se discute a questão do acesso e da permanência na educação superior. Dados obtidos mediante pesquisa realizada em duas universidades revelam que existe uma desigualdade de acesso e permanência, dependendo das oportunidades educacionais, sociais e econômicas dos estudantes e que esta desigualdade tem relação com a classe, gênero e etnia.
O texto aborda o estudo, em desenvolvimento, da experiência realizada nas classes-piloto, organizadas pelo Grupo de Estudos sobre o Ensino da Matemática de Porto Alegre - GEEMPA, em 1972. O estudo investiga a experiência realizada nessas classes e, por meio de procedimentos envolvendo documentos orais e escritos, procura analisar as práticas desenvolvidas que, segundo se sabe, marcaram a história da Educação Matemática nas escolas de Porto Alegre. Este estudo integra a pesquisa que busca traços dos cotidianos escolares deixados por professores, durante um tempo que correspondia a um movimento internacional de renovação do ensino da matemática. A metodologia da pesquisa transita entre a pesquisa documental e a história oral, dado que as fontes são professoras das classes e os arquivos do GEEMPA, onde se encontram documentos relativos ao planejamento e desenvolvimento de tais classes, entre outros. Até o momento, pelos depoimentos das professoras, pode-se verificar que a experiência representou uma importante contribuição, tanto na formação docente como na dos alunos das classes. A investigação busca responder a algumas questões: como a escola acolhia a experiência, realizada numa de suas classes? Como era a relação com as demais turmas da mesma série? Foi possível socializar os resultados da experiência com outras turmas e escolas de Porto Alegre ou do Estado? Como é que se desenvolveu uma experiência tão positiva - numa análise preliminar - quando o Movimento da Matemática Moderna já dava sinais de fracasso mundialmente?
Este artigo apresenta alguns resultados da pesquisa que estamos desenvolvendo em Natal acerca do Movimento da Matemática Moderna nesta cidade. Analisamos a inserção do Movimento da Matemática Moderna na Universidade do Rio Grande do Norte, na década de 1960. Para tal, iniciamos com uma contextualização do Movimento da Matemática Moderna de modo a ressaltar suas relações com os eventos sociais da época e, a seguir, analisamos a importância do convênio firmado entre SUDENE e UFRN para a inserção do MMM nesta universidade.
O presente texto focaliza os principais momentos da história da pesquisa educacional no Brasil. O primeiro período tem como marco a criação do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), em 1938, ligado ao MEC, que vai apoiar pesquisas para dar subsídios às políticas educacionais. O segundo período é inaugurado com a criação do Centro Brasileiro e dos Centros Regionais de Pesquisa, em 1956, ligados ao INEP, que se encarregam da formação de recursos humanos para a pesquisa. O terceiro momento é o da criação dos cursos de pós-graduação, na década de 70, quando são dadas as condições para a institucionalização da pesquisa. O texto menciona que nessa trajetória relativamente curta da pesquisa educacional houve grande crescimento no número de trabalhos e mudanças nos temas, nos enfoques, nas metodologias e no contexto de produção. Menciona ainda que várias análises críticas da pesquisa educacional têm apontado problemas na qualidade dos trabalhos produzidos, como a pulverização de temas, o modismo e a fragilidade metodológica na abordagem dos problemas. Atribui parte desses problemas à falta de condições para produção do conhecimento científico no Brasil e alerta para a necessidade de enfrentar tais problemas para que a pesquisa possa atingir a maturidade com o nível de qualidade e o respeito devidos.
Desde a segunda metade do sécuclo XVIII até meados do século XIX e em alguns casos até ao começo do século XX, os matemáticos mais influentes provinham sobretudo de meios militares. Este artigo tem o objetivo primordial de contribuir para um melhor conhecimento das figuras que marcaram esse período, partindo do meio castrense a que estavam ligados.
Este artigo tem por objetivo defender a necessidade de realização de estudos históricos comparativos, a fim de que seja possível compreender a herança deixada nas práticas pedagógicas do ensino de matemática no Brasil, pelo chamado Movimento da Matemática Moderna. O texto considera referenciais teórico-metodológicos da história cultural, a partir dos quais justifica a necessidade de que sejam realizadas investigações em diferentes cidades brasileiras nas quais foram criados grupos de divulgação e pesquisa da matemática moderna.
O Ensino Religioso é um componente curricular nas escolas do continente europeu desde o século dezoito, quando a religião passa a fazer parte do cotidiano escolar. A compreensão de um Ensino Religioso relacionado às instituições religiosas de matriz cristã persiste no século vinte e um, entretanto a alteração do perfil étinico-cultural religioso do continente está exigindo todo um repensar sobre esta prática curricular. O Fórum Europeu de Ensino Religioso, por meio de suas sessões ordinárias, está promovendo uma ampla reflexão sobre esta temática, buscando tecer novos olhares, leituras e perspectivas aos desafios que se apresentam na atualidade em relação a ela. O presente artigo explicita, a partir da Constituição da União Européia e atividades do Fórum Europeu de Ensino Religioso, alguns elementos históricos da geografia e itinerários pedagógicos desse componente curricular.
São apresentados e analisados, de forma sumária, alguns indicadores e fatores que nos países em desenvolvimento e desenvolvidos estão na origem e no aumento de situações de pobreza, exclusão e violência, provocando disfuncionamentos sociais, familiares, psicológicos e somáticos, com graves conseqüências para a saúde, educação e qualidade de vida dos indivíduos, em particular das crianças e das famílias. Apresentam-se, igualmente, algumas reflexões e estratégias, tendo em vista a promoção de políticas de inclusão.
Trata-se de uma análise crítica dos fundamentos teóricos e conceituais que sustentam o discurso da “educação inclusiva”, discutindo os conceitos chaves envolvidos na formulação deste discurso, como é o caso da exclusão, da cidadania, da desigualdade e da diferença, na perspectiva de se diferenciar tipos de ações educacionais que produzem mesmo o que se poderia chamar de “inclusão social”, de atividades que assim são denominadas, mas que na verdade se resumem em meros procedimentos burocráticos. Argumenta-se, neste texto, que, em geral, as instituições públicas não absorveram a evolução conceitual e teórica processadas na academia em relação a significações envolvidas no discurso da “educação inclusiva”, carecendo de revisões.
O presente texto tem o propósito de discutir os procedimentos e limites dos estudos denominados de “Estado da arte”. Ao apresentar reflexões a partir de estudos realizados pelas autoras, com participações em grupos de pesquisa sobre estado da arte com o tema formação de professores, pretende-se trazer, para o debate, as contribuições dessa modalidade de pesquisa. Neste sentido, inclui alguns dos caminhos que os estudos e as pesquisas sobre o mapeamento de formação de professores vêm tomando e indicações metodológicas para a realização desta modalidade de pesquisa. A realização de estados da arte possibilita a efetivação de balanço da pesquisa de uma determinada área. Na área de formação de professores os estudos realizados apontam a ampliação na última década do interesse pelo tema. Destaca-se que este tipo de estudo, usual em outros países, foi ampliado na última década no Brasil, com a realização de estados da arte tais como os desenvolvidos pelo INEP. A dificuldade de acesso aos textos de periódicos, teses e dissertações torna a investigação morosa, constituindo-se num dos complicadores de sua realização.
A exclusão, outrora tratada como categoria dos processos sociais, é analisada nesse artigo como categoria do processo pedagógico desenvolvido na escola. A forma de avaliar a aprendizagem dos alunos pode se constituir em um mecanismo excludente mesmo nas propostas mais inovadoras das políticas educacionais voltadas para a democratização do acesso e permanência dos alunos na escola. Com o objetivo de discutir as relações entre avaliação da aprendizagem e exclusão escolar, o presente estudo analisa as características de uma avaliação da aprendizagem comprometida com a qualidade do ensino e com a inclusão cidadã do aluno da educação básica, apontando a dimensão formativa da avaliação como fator fundamental na efetivação da aprendizagem necessária ao sucesso da escolarização dos alunos social e culturalmente marginalizados.
Este artigo é parte de um trabalho de mestrado na área de Educação em Ciências e procura fazer uma análise sobre diferentes parâmetros de investigação da prática de sala-de-aula. Utilizando como referencial teórico os trabalhos de Zabala (1995, 1998), este artigo propõe uma comparação entre a interpretação das práticas de professores de química da rede estadual paulista, objeto da tese de doutoramento e posteriormente de um artigo de Romanelli (1992, 1996), e o trabalho do pesquisador/pedagogo espanhol.
Nos últimos anos, vêm crescendo o número de trabalhos que tratam da História da Educação Matemática no Brasil. Crescem também as discussões a respeito da filiação da História da Educação Matemática e das suas relações com a História, a Educação e a Educação Matemática. Essas discussões acompanham outros debates que mostram que o trabalho do historiador e as ferramentas utilizadas para escrever a história vêm sofrendo diversas influências que proporcionaram a ampliação de conceitos e a admissão de novos instrumentos e de novas abordagens à pesquisa histórica que estão sendo incorporadas pelos pesquisadores que se dedicam à História da Educação Matemática brasileira. Nesse artigo, tem-se como objetivo enfatizar o uso do jornal como fonte histórica, rico para a compreensão das práticas escolares, destacando a sua importância como veículo de divulgação das idéias do Movimento da Matemática Moderna no Brasil.
O objetivo deste ensaio é o de refletir sobre algumas implicações do pensamento desenvolvido por Theodor W. Adorno na educação. Com o aporte da noção Kantiana de juízo, este texto procura discutir a interface da educação com a indústria cultural, a sua viabilidade como instrumento do esclarecimento, e a sua articulação com o sensus communis.
Este artigo apresenta apontamentos para a formação do professor-educador matemático em cursos de Licenciatura em Matemática. Trata-se de um estudo que subsidia questões gerais sobre a formação de professores de Matemática, segundo um modelo reflexivo e que podem servir para um novo pensar de cursos de formação de professores. Da investigação, destacam-se alguns aspectos fundamentais para a formação do professor-educador matemático: a definição do verdadeiro papel das Licenciaturas; o curso como um momento propício para o repensar de concepções dos futuros professores; a composição das disciplinas do curso de modo que a relação teoria-prática se configure como eixo central nos programas; a formação do professor em Educação Matemática; a universidade entendida como espaço de produção de saberes e de experiências significativas de aprendizagem e comprometida com a formação continuada dos professores.
O presente trabalho, resultado de pesquisa histórico-bibliográfica, procura apresentar o itinerário percorrido no processo de apropriação pelo cristianismo do conceito grego de Paidéia. A nascente igreja cristã, ao modificar a concepção pagã de mundo, desde o seu início, procurou unir processos do ensino da sua mensagem com a busca do conhecimento. A fundamentação histórica deste processo é encontrada na tradição judaica do estudo da Toráh. A Paidéia Christi por sua vez é explicitada no Logos joanino, nas epístolas paulinas, na patrística e na teorização medieval. Cristo, como pedagogo da humanidade (cf. Clemente de Alexandria) ao atrair todos a si, não fazendo distinção nem de classe nem de pessoa, contribui para que grandes parcelas da população do mundo da época, durante e ao fim do processo de catecumenato, tivessem aberto para si o caminho do conhecimento. E este fato não se restringiu apenas à conversão, mas contribuiu também para incluir no processo educativo cristão pessoas que de outra forma dele ficariam excluídas. Deu assim a sua contribuição à evolução das idéias pedagógicas, que séculos depois culminou no ideário da modernidade e seu projeto educativo.
O campo da História do Ensino da Matemática está no início em Portugal. É apresentada uma revisão de trabalhos iniciais da área, seguida por uma reflexão sobre direções para a investigação futura. A natureza interdisciplinar deste campo requer a institucionalização de um diálogo entre os domínios científicos que com ele se relacionam, bem como o estabelecimento de fortes cooperações internacionais.
Trata-se de analisar uma pesquisa descritiva e comparativa dos percursos escolares de meninas e meninos em Guiné, no período de setembro a dezembro de 2001, em duas escolas rurais e duas escolas urbanas “guinéennes”, centralizando a pesquisa nos níveis do primário e do secundário em cada uma das escolas pesquisadas. O principal objetivo da pesquisa foi o de compreender a perseverança escolar dos meninos e, sobretudo, das meninas, filhos de famílias em condições sociais desfavoráveis, e assim, do ponto de vista sociológico, contribuir com a explicação da questão do sucesso escolar atípico. Nesse texto, discutem-se dados preliminares de uma destas escolas, do Colégio de Porédaka. A pesquisa foi realizada com alunos do décimo ano de estudo, o último nível do secundário geral do primeiro ciclo. A metodologia utilizada combina a enquete por meio de questionários (respondidos por 42 alunos); entrevistas semidirigidas com 20 crianças, pais, professores e responsáveis, observação e pesquisa documental.
Neste trabalho buscamos aprofundar a leitura teórica das memórias de professores mais marcantes, fazendo estudos sobre a socialização profissional do professor universitário conforme as pesquisas feitas por Garcia (1999), associando-os aos estudos de saberes de professores elaborados por Tardif (2002). Partimos do pressuposto de que as memórias dos professores selecionados pelos alunos de pós-graduação deveriam expressar certas habilidades básicas, para lidar com os processos de ensino e aprendizagem, constituindo assim o processo de socialização prévia. Nesta perspectiva os saberes experiências do professor não se baseiam unicamente na prática de sala de aula, mas decorreriam, em grande parte, das pré-concepções do ensino e da aprendizagem herdadas da história escolar. Concluímos que as memórias de professores mais marcantes, os saberes docentes e a socialização profissional são processos sociais inter-relacionados e são indissociáveis como formação docente.
O artigo apresenta uma cronologia de 1950 a 1976, construída a partir de um inventário sobre teses e dissertações sobre o Movimento da Matemática Moderna no Brasil realizada pelo GHEMAT. Discute em seguida possíveis interpretações sobre a cronologia apresentada utilizando a discussão monumento/documento proposta pelo historiador Jacques Le Goff (1992).