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O Movimento paranaense de Matemática Moderna: o papel do NEDEM

PID: S1981-416x2006000200010 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Pinto Ferreira
No final da década de 50, o impacto produzido pelo lançamento do Sputnik preocupou não somente o governo americano, mas também educadores de várias partes do mundo envolvidos com a formação científica da população. O êxito científico e tecnológico alcançado pelos russos ampliou a preocupação de vários países com a educação matemática oferecida à população, gerando um movimento internacional de reformulação do ensino de Matemática, conhecido como Movimento da Matemática Moderna, uma tentativa que nos anos 60 e 70 procurava superar o ensino tradicional que até a década de 50 privilegiava a matemática clássica, o modelo euclidiano, a visão platônica. No Brasil, esse movimento foi liderado pelo grupo paulista - GEEM - coordenado por Oswaldo Sangiorgi, incentivando a criação de grupos de estudos em vários estados com vistas à modernização da Matemática ensinada no ensino primário e ginasial (hoje Ensino Fundamental). No Paraná, o disseminador do Movimento da Matemática Moderna foi o NEDEM - Núcleo de Estudos e Difusão do Ensino da Matemática - criado e coordenado por Osny Antonio Dacol, diretor do Colégio Estadual do Paraná. Trabalhando inicialmente com classes experimentais no maior colégio do estado, o NEDEM elaborou sua proposta de Matemática Moderna que, posteriormente, foi publicada em duas coleções de livros didáticos que passaram a ser adotadas pelas escolas paranaenses durante mais de duas décadas. Tais iniciativas marcaram significativamente o ensino de Matemática no Paraná. A repercussão do movimento teve seu auge na década de 60 e no final de 1970 e mesmo com a extinção do grupo, as sementes plantadas pelos integrantes do NEDEM deixaram marcas na história da educação matemática paranaense, especialmente pelo intenso e democrático trabalho de difusão do movimento no ensino público do Paraná.

O ato pedagógico como possibilidades de prazer, engajamento e significado: possibilidades de inclusão no contexto da exclusão social

PID: S1981-416x2006000100002 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Boneti
A inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais é uma questão filosófica e político cultural. Filosófica, porque parte do princípio de que o espaço da escola deve ser dado para todas as crianças independente de raça, religião, condição social ou de desenvolvimento. Este é um espaço legitimo que não se questiona possibilidades ou não de nele estar incluída toda criança. Político cultural porque implica numa política de garantia do direito que todo cidadão tem de se beneficiar dos bens materiais e culturais da sociedade. A partir deste pressuposto, dedica-se, neste texto, à análise de uma experiência da aplicação da política de inclusão para a rede estadual do estado do Rio Grande do Norte, no início dos anos 90, a qual pode ser considerada um marco importante na consolidação da política de inclusão praticada nos dias atuais.

O conhecimento e a leitura fecundam a terra livre

PID: S1981-416x2006000200017 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Costa
Estuda-se a relação entre leitura, escola e conhecimento, numa linguagem que alterna a ficção com a dissertação, partindo da história da pesquisa realizada pelo Professor & Leitor em uma biblioteca, com a finalidade de escrever um texto sobre definições de conhecimento, sua função e utilização na escola. Ao buscar nas estantes de livros, a personagem vai dialogando com filósofos, historiadores, educadores, psicólogos, dramaturgos e literatos, construindo uma rede de articulações de sentidos múltiplos para o conceito de conhecimento. Ao mesmo tempo, apresenta uma visão crítica sobre o estado da educação e seus comportamentos diante do saber e da necessidade de formação de alunos intelectualmente competentes.

O movimento da matemática moderna no Brasil: encontro de certezas e ambigüidades

PID: S1981-416x2006000200004 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Búrigo
O texto analisa o discurso veiculado por protagonistas do movimento da matemática moderna em São Paulo, nos anos 60, considerando esse discurso como expressão de crenças, valores e objetivos e como instrumento para busca de adesão e apoio ao movimento. São examinadas as identificações que permitiram o convívio de diferentes práticas e visões sobre o ensino e a aprendizagem e diferenças que ficaram encobertas pelas ambigüidades do discurso veiculado. O texto argumenta que essa combinação de identificações e diferenças é relevante para a compreensão do alcance do movimento, em termos de divulgação de idéias e mobilização de professores.

O resgate do homem multidimensional em mundo unidimensional

PID: S1981-416x2006000100011 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Torquato
Em uma sociedade em que o consumo passou a ser a essência do esforço humano, a desumanização deste ser traz consigo conseqüências capazes de desenvolver um efeito altamente destrutivo que redunda em uma constante inadequação dele frente às necessidades que lhe apresentam. A redescoberta de si mesmo advém por meio do reencontro com a integralidade deste ser, desenvolvida pela redescoberta do belo e do estético, do emocional e relacional e do espiritual e transcendente. A aplicação desta reconstrução do ser humano atinge a produtividade a partir da integralização do profissional envolvido, objetivando sua realização interior e sua superação exterior. A partir disto, o ser humano, que se tornara unidimensional, reencontra seu paradigma identitário e compreende-se enquanto ser social. Redescobre-se humano e humaniza suas relações.

Paradigmas da ciência e o desafio da educação brasileira

PID: S1981-416x2006000200016 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Rau Kobren Brecailo
O artigo apresenta uma análise crítica e reflexiva sobre os paradigmas da ciência, tendo com base a obra de Behrens intitulada “O paradigma emergente e a prática pedagógica”, a fim de compreender quais os legados e reflexos na prática pedagógica. A partir de um breve recorte histórico que contempla desde o paradigma tradicional até o paradigma emergente, analisam-se quais os novos desafios metodológicos para a educação superior no Brasil. Buscou-se desvendar qual o papel do professor no cenário educacional brasileiro. Muitos são os desafios a vencer nesta primeira década do Século XXI à medida que a proposta do paradigma emergente é realmente inovadora e desafiadora, pois rompe com procedimentos seculares tanto comportamentais como metodológicos, permitindo ao professor e ao aluno maior interação nos processos de construção do conhecimento. Portanto, este novo paradigma resgata o ideal iluminista, que preconiza o homem como ser crítico e participativo do processo de construção do conhecimento. O grande desafio da educação superior é manter e estimular o espírito crítico/reflexivo, na tentativa de suprimir os “ranços” remanescentes dos Paradigmas Conservadores, em busca do ideal pedagógico que atenda as necessidades do mundo do trabalho.

Perspectivas para o ensino católico no Brasil

PID: S1981-416x2006000300011 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Alves
A presente análise pretende, de forma perspectiva, traçar alguns indicativos da evolução futura do ensino católico no Brasil a partir da observação da sua atual estrutura organizacional e dos dados estatísticos do seu desempenho institucional na última década. A análise suscita questões importantes para o debate presente sobre o ensino católico no país frente às tendências em educação, adotando como eixo o modelo de gestão e as relações internas do ensino católico com as suas entidades mantenedoras e com as diversas instâncias da Igreja Católica, bem como as suas relações externas com o mercado educacional, a opinião pública e o Estado.

Pesquisa-ação: possibilidade para a prática problematizadora com o ensino

PID: S1981-416x2006000300005 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Lima Martins
Os autores do texto, com base em suas experiências com o ensino nos anos 1980/1990 e na primeira década desse novo século, demarcam a noção de pesquisa que orienta os seus trabalhos como professores e pesquisadores, isto é, a pesquisa-ação. Num primeiro momento, o texto apresenta o histórico do termo pesquisa-ação e a indicação da sua importância nas últimas décadas do século passado com ênfase no professor-pesquisador e resgate do seu valor no contexto atual da educação brasileira. Em seguida, apresenta o materialismo histórico-dialético como referencial teórico de sustentação da pesquisa/ação, com críticas ao modelo tradicional de pesquisa. E, por fim, salienta o risco da sua institucionalização pelo campo acadêmico/universitário, em deferência, assim, do permanente esboço teórico pelos praticantes da pesquisa-ação.

Pesquisar em educação: considerações sobre alguns pontos-chave

PID: S1981-416x2006000300003 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Gatti
Pretendemos abordar neste artigo cinco pontos que podem contribuir para a discussão da pesquisa que se produz em educação. O primeiro deles diz respeito ao que se entende por pesquisa, o segundo é relativo à idéia de paradigma, o terceiro refere-se ao confronto dos chamados métodos qualitativos em relação aos quantitativos, o quarto versa sobre o possível papel dos estudos quantitativos e, o quinto ponto, refere-se à questão dos grupos de pesquisa e à emergência de novos tipos de temáticas.

Políticas de inclusão e cultura excludente: paradoxos do currículo escolar

PID: S1981-416x2006000100003 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Santiago
Este texto conduz uma reflexão sobre as condições de possibilidade de um currículo inclusivo no contexto em que se desenvolvem as políticas públicas de educação no Brasil, a partir da última década do século XX. Leva em consideração o conceito de inclusão internacionalmente definido, as teorizações sobre currículo e alguns princípios básicos da política neoliberal que vem marcando a globalização econômica e o discurso educacional no período em questão. Conclui inferindo algumas possibilidades de reestruturação curricular na perspectiva conceitual em que se propõe a educação inclusiva.

Políticas educacionais e pedagogia da exclusão: a escola em xeque no Brasil do século XXI

PID: S1981-416x2006000100004 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Almeida
Neste trabalho, pretendo abordar criticamente algumas dimensões da configuração das políticas educacionais no discurso neoliberal do campo educacional, tendo como foco de análise a Escola. Começarei destacando a importância teórica e política de se compreender o neoliberalismo como um complexo processo de construção hegemônica das relações sociais e educacionais vigentes no terceiro milênio, ou seja, como uma estratégia de poder que se programa em sentidos articulados: por um lado, por meio de um conjunto razoavelmente regular de reformas concretas no plano econômico, político, educacional e, por outro, mediante uma série de estratégias orientadas a impor novos diagnósticos acerca da crise e construir novos significados sociais a partir dos quais visa a legitimar as reformas neoliberais como sendo as únicas que podem (e devem) ser aplicadas no atual contexto histórico de nossa sociedade civil. Tentarei mostrar de que forma esta dimensão educacional, característica de toda lógica hegemônica, foi sempre reconhecida como um importante espaço de construção política por aqueles intelectuais conservadores que, em meados deste século, começaram a traçar as bases teóricas do neoliberalismo enquanto alternativa de poder na práxis pedagógica. Na seqüência, tentarei apresentar algumas considerações gerais sobre como se constrói a retórica neoliberal no campo educacional. Meu objetivo será questionar a forma neoliberal de pensar e projetar a política educacional. Finalizo destacando algumas das mais evidentes conseqüências da pedagogia da exclusão promovida pelos discursos educacionais em prol da construção de uma cidadania outorgada!

Procedimentos para a pesquisa de práticas pedagógicas do cotidiano da educação infantil: relato de investigação

PID: S1981-416x2006000300006 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Garanhani
O presente estudo relata a trajetória metodológica percorrida para a investigação de concepções e práticas de educadoras de um Centro Municipal de Educação Infantil, com o objetivo de identificar quais saberes norteiam as ações pedagógicas acerca do movimento corporal da criança que se encontra na idade 3 a 6 anos. A coleta de dados realizou-se por meio da observação de práticas pedagógicas, entrevista semi-estruturada, análise de documentos e a imagem fotográfica. Na busca de um caminho que não fragmentasse os fatos e/ou eventos a serem estudados na prática pedagógica cotidiana de educadoras da pequena infância optou-se por focalizar a investigação em quatro dimensões que constituem a unidade ambiente escolar: a institucional, a instrucional, a temporal e a espacial. Assim, o estudo mostra a utilização de técnicas etnográficas na investigação de práticas pedagógicas do cotidiano da Educação Infantil.

Professores de matemática ao tempo do Movimento da Matemática Moderna: perspectivas de pesquisa

PID: S1981-416x2006000200007 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Oliveira
Este artigo tem como objetivo levantar questionamentos sobre a formação de professores de Matemática durante o Movimento da Matemática Moderna no Brasil. Esse movimento, que foi uma iniciativa internacional de mudança no ensino de Matemática, ainda deixa marcas nas práticas dos professores atualmente? Que heranças são essas? Com base na leitura de dissertações e teses produzidas no Brasil sobre o MMM, formulamos uma hipótese de que a proposta foi apresentada aos professores das escolas primárias e secundárias de forma bastante “acabada”, na medida em que estes eram “treinados” pelos divulgadores do movimento, como GEEM (Grupo de Estudos do Ensino da Matemática) em São Paulo, para levar para sala de aula os novos conteúdos e a nova proposta de trabalho. A existência de realidades tão distintas, por um lado jovens matemáticos e professores de Matemática sendo formados na USP sob forte influência da Matemática produzida nos grupos mais reconhecidos da época como o grupo Bourbaki e por outro lado professores leigos que lecionavam Matemática em várias regiões do Brasil remete-nos a questionamentos de que a apropriação e a prática docente sob a influência do MMM é também muito diversa. As histórias contadas sobre o Movimento da Matemática Moderna no que diz respeito à formação de professores e sua atuação nesse movimento contam muito pouco dos professores que estavam nas escolas e passaram ou não por cursos de aperfeiçoamento (como costumavam chamar na época) e de suas práticas.

Reflexão sobre procedimentos de leitura para análise de textos acadêmicos

PID: S1981-416x2006000300007 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Mindal
Este artigo tem por objetivo refletir sobre os procedimentos de leitura que foram utilizados quando se realizou a seleção e análise de textos acadêmicos que constituiu parte da Tese de Doutoramento elaborada para o Programa de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A investigação realizada sistematizou e analisou a produção acadêmica sobre ensino superior encontrada nas reuniões da ANPEd (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação) entre 1996 e 2003 e que tratava de aspectos sobre a graduação. A dificuldades encontradas na leitura e análise de textos com temas tão diversos como os veiculados na ANPEd mostrou que, para mapear aspectos sobre a graduação, seria necessário repensar os procedimentos e estratégias de leitura utilizados pela pesquisadora.

Sistemas de representación en la enseñanza de los puntos críticos: perspectiva histórica. Sistemas de representação no ensino dos pontos críticos: perspectiva histórica.

PID: S1981-416x2006000200013 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: González Astudillo
A análise de livros de texto fornece muita informação tanto acerca das concepções em relação ao conteúdo matemático que desenvolvem como acerca do processo educativo com o que estão relacionados. Por esse motivo, desenvolveu-se um modelo de análise de livros de texto que permite caracterizar a informação, estrutura e forma de fazer matemática em cada momento histórico. Esse modelo desenvolve-se em três etapas, com um nível diferente de profundidade e especificidade. No primeiro nível, elabora-se a ficha de referência de cada texto que permite fazer a sua identificação. O segundo nível consiste num estudo global para enquadrar a obra no momento histórico e científico em que se deu o seu nascimento. No terceiro nível, estudam-se os tipos de representação que aparecem em cada um dos livros. O modelo desenhado aplicou-se a diferentes livros de Análise Matemática a partir do primeiro que foi escrito no ano de 1696 e considerada a publicação mais relevante realizada no século XVIII.

Uma perspectiva histórica do ensino da matemática no feminino

PID: S1981-416x2006000200011 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2006
Autores: Henriques
A idéia de mulher, subjacente ao pensamento do século XIX, encontra-se associada ao conceito de doméstica, sendo-lhe reservados os papéis de esposa e mãe. A sua atividade encontrava-se dividida pelas tarefas de dona de casa e de educadora. Estará assim na base do implemento do ensino feminino, a necessidade de valorizar o papel da mãe educadora dos futuros homens. Como a educação das raparigas tinha como finalidade o exercício da maternidade, é evidente que os conteúdos a lecionar no ensino feminino centravam-se quase exclusivamente na educação moral, e ainda na aprendizagem da leitura, da escrita, da aritmética simples, completadas com os trabalhos de agulha (coser, bordar, tricotar). Tentaremos analisar a evolução do ensino feminino, particularmente no que diz respeito à Matemática, focando a presença ou ausência desta disciplina e tentando encontrar algumas justificações para o desenvolvimento dos planos curriculares do ensino feminino.
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