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Conhecimento tático-estratégico dos levantadores brasileiros campeões de voleibol: da formação ao alto nível

PID: S1981-46902011000300014 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Matias Juan Greco
O objetivo deste estudo consistiu na identificação do conhecimento tático-estratégico dos levantadores “experts”, de diferentes escalões, tendo como indicativo as ações de organização ofensiva do voleibol. Da presente investigação científica participaram dezoito levantadores de ambos os sexos: campeões de São Paulo e Minas Gerais, das competições promovidas pelas Federações destes estados nos escalões Mirim (sub-14), Infantil (sub-15), Infanto (sub-17) e Juvenil (sub-20), mais um campeão Adulto (Profissional) da Superliga Masculina e Feminina. Foi aplicada uma entrevista individual e semi-estruturada com referência na grelha de conhecimento tático-estratégico do levantador (MESQUITA & GRAÇA, 2002a, 2002b; QUEIROGA, 2005; QUEIROGA et al., 2010). Os textos das 18 entrevistas semi-estruturadas foram codificados, comparados e agrupados por similaridade de sentido (DUARTE, 2002; JONES, 2005; MINAYO & SANCHES, 1993; THOMAS & NELSON, 2002). Entre os resultados apurados, evidenciou-se que o levantador, mesmo com condições ideais na qualidade do primeiro toque, concentra as suas ações em determinados atacantes, por não ter confiança e por limitações táticas e técnicas dos outros jogadores em suas ações ofensivas finais. Além disto, os resultados indicam que os levantadores estão em constante evolução, independente dos anos de prática no voleibol, com referências de todos eles quanto à importância do treino como uma fonte de conhecimento, dentre outras.

Contribuições da aprendizagem motora: a prática na intervenção em educação física

PID: S1981-46902011000500004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Ugrinowitsch Benda
A prática é considerada o fator mais importante em aprendizagem motora e consequentemente organização da prática é o fator mais investigado na área. Existem dois diferentes tipos de prática: mental e física. Prática física é dividida em fracionamento, distribuição e variabilidade de prática. Apesar dos estudos investigarem diferentes tipos de organização da prática separadamente, em situações de ensino e treinamento todas elas interagem na organização da prática. Esta revisão também está organizada da mesma forma, mas ao final foram analisadas as possibilidades de interações.

Corporeidade e sexualidade em dançarinos de rua: axé e hip hop

PID: S1981-46902011000400010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Cardoso Silveira Sacomori Sperandio Beltrame
Analisaram-se aspectos da corporeidade e sexualidade em dançarinos de hip hop e axé (35 homens e 49 mulheres) comparativamente a indivíduos não-dançarinos expectadores da plateia (21 homens e 19 mulheres), via questionário anônimo. Os dançarinos de axé foram os mais satisfeitos com suas vidas sexuais, com as preliminares sexuais e os que mais gostavam de se masturbarem em relação aos de hip hop e plateia. Dançarinos do axé apresentaram uma sexualidade mais vinculada ao conhecimento corporal e conexões afetivas. Em ambos estilos, os dançarinos homens davam maior ênfase à genitália e a libido em relação aos aspectos da afetividade.

Crescimento e desenvolvimento aplicado à educação física e ao esporte

PID: S1981-46902011000500013 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Guedes
Crescimento refere-se essencialmente às transformações progressivas de cunho quantitativas que ocorrem nas dimensões do corpo humano, enquanto desenvolvimento engloba simultaneamente transformações quantitativas e qualitativas, sendo resultante de aspectos associados ao próprio processo de crescimento físico, à maturação biológica e, especificamente no caso da Educação Física e do Esporte, ao desempenho motor. Profissionais de Educação Física e Esporte se encontram em posição privilegiada para acompanhar indicadores de crescimento e desenvolvimento, considerando seu envolvimento com aspectos educacionais e de promoção da saúde na população jovem. O objetivo deste estudo de revisão foi apresentar conceitos básicos e atual estado-da-arte associado ao tema crescimento e desenvolvimento aplicado à pesquisa e à prática profissional na área de Educação Física e Esporte.

Critérios para a implementação de práticas pedagógicas na formação inicial em educação física e implicações no conhecimento pedagógico do conteúdo dos futuros professores

PID: S1981-46902011000300013 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Marcon Graça Nascimento
O conhecimento pedagógico do conteúdo é concebido como o responsável por transformar o conhecimento do conteúdo dos professores em conhecimento ensinável e compreensível pelos alunos. Para o desenvolvimento desse conhecimento na formação inicial em Educação Física, tem sido recomendada a aproximação entre os contextos de formação e da Educação Básica, especialmente por meio de estratégias de práticas pedagógicas. Diante disso, este ensaio teórico objetivou apresentar e discutir alguns critérios que subsidiem os programas de formação inicial em Educação Física nas tarefas de estruturação e de implementação dessas práticas pedagógicas. As informações analisadas permitem identificar cinco diferentes aspectos que podem orientar os programas de formação: local de realização (Instituição de Ensino Superior, escola ou espaços comunitários); quantidade de estudantes-professores ministrantes (grupos, trios, duplas ou individualmente); alunos participantes (colegas ou alunos da comunidade); quantidade de alunos participantes (um, dois, pequenos grupos ou a turma inteira); e quantidade de atividades ministradas (uma, uma sequência pedagógica ou uma unidade didática completa). A literatura sugere, ainda, que o alcance dos objetivos das práticas pedagógicas nos programas de formação inicial depende das concepções que os programas de formação, os professores-formadores e os estudantes-professores têm a respeito da participação dessas estratégias formativas na formação dos futuros professores de Educação Física. Acredita-se, pois, que esses cinco critérios contribuam para a implementação de diferentes modalidades de práticas pedagógicas, as quais permitirão ao conhecimento pedagógico do conteúdo atuar como interlocutor entre a base de conhecimentos para o ensino e o contexto de ensino e aprendizagem, o que potencializará o gradativo desenvolvimento do próprio conhecimento pedagógico do conteúdo e a formação docente dos futuros professores ao longo da formação inicial em Educação Física.

Desafios no estudo de famílias nucleares: etapas iniciais de análise

PID: S1981-46902011000400015 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Forjaz Bartholomeu Rezende Oliveira Basso Tani Prista Maia
Os estudos em famílias nucleares possibilitam a avaliação da existência de agregação familiar numa dada característica, permitindo avaliar o quanto da variação dessa característica na população pode ser atribuída à variação genética existente entre os sujeitos. Os resultados desses estudos possibilitam a elaboração de estratégias de intervenção mais eficientes e direcionadas, além de serem o ponto de partida para estudos mais complexos de epidemiologia genética, como a identificação de genes responsáveis pela característica em análise. Nas áreas de Ciências do Desporto e Educação Física, alguns estudos têm sido realizados para verificar a existência de agregação familiar e a influência genética em traços relacionados a estados de saúde, atividade e desempenho físicos. Entretanto, esses esforços revelam-se escassos em populações lusófonas e são, praticamente inexistentes, na população brasileira. Dessa forma, o presente artigo teve como propósito abordar, de forma simples e introdutória, aspectos importantes de estudos em famílias nucleares. Para tanto, foram analisadas as duas fases iniciais dos estudos de Epidemiologia Genética, ou seja, a identificação e quantificação da agregação familiar e da heritabilidade. As diferentes etapas de análise foram exemplificadas com dados reais, coletados em famílias nucleares pertencentes a um estudo realizado na cidade de Muzambinho-MG. Espera-se que esse artigo forneça subsídios e estímulo aos pesquisadores iniciantes neste tipo de investigação.

Diversidade e eficiência das dinâmicas de criação de espaço e grau de cooperação entre as equipes de basquetebol paulistas: efeito da faixa etária

PID: S1981-46902011000400013 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Lamas Rostaiser Santana Tricoli Ugrinowitsch
O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da experiência competitiva sobre as seguintes variáveis de desempenho: 1) diversidade das dinâmicas de criação de espaço (DCEs) no setor defensivo; 2) eficiência das DCEs (i.e., frequência de êxito/total de execuções); 3) grau de cooperação ofensiva (i.e. número de passes e assistências). Foram analisados 46 jogos do Campeonato Paulista Masculino de Basquetebol (i.e. pré-mini a adulto). Variáveis medidas: 1) DCEs realizadas, que precederam o término da posse de bola em finalização, falta ou erro; 2) eficiência das DCEs; 3) passes em um ataque; 4) assistências. A reprodutibilidade foi testada pelo teste Kappa, tendo apresentado índices entre 0,78-0,85. A diversidade das DCEs não apresentou diferença significante para nenhuma classe de DCE entre todas as faixas etárias. Na análise intra-faixa etária, contra defesa individual, verificou-se significante predomínio de Desmarque com Bola com Drible para os mais jovens (pré-mini a infantil) e de Bloqueio Direto para os mais velhos (juvenil e adulto). Contra defesa zona, Desmarque sem Bola foi significantemente mais frequente em todas as faixas etárias em relação às demais DCEs, exceto Desmarque com Bola com Drible. Não foi verificada diferença significante para nenhuma das DCEs quanto à eficiência entre todas as faixas etárias. Todas as faixas etárias apresentaram perfil semelhante quanto ao número de passes, assim como de assistências. Estes resultados contrariam a hipótese formulada que previa aumento da complexidade e diversificação das ações com o aumento da experiência competitiva dos jogadores. Estas evidências sugerem a necessidade de propostas metodológicas de ensino do jogo com foco no coletivo e na cooperação.

Do outside: corpo e natureza, medo e gênero no surfe universitário paulistano

PID: S1981-46902011000100010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Bandeira Rubio
Ao objetivo primeiro desta pesquisa, descrever as dinâmicas do surfe e os significados de sua prática, em especial a relação ser humano/natureza estabelecida por meio do esporte, somaram-se outros objetivos: problematizar a aproximação do pesquisador de seu campo de investigação, a possibilidade de um pesquisador realizar uma investigação através de seu próprio corpo e discutir a questão de gênero no surfe. Sobre o objetivo primeiro desta pesquisa, vivendo e descrevendo as dinâmicas do surfe encontrou-se os significados da relação do surfista com o mar nas sensações corporais experimentadas nas técnicas do remar, sentar, dar o joelhinho e dropar a onda. Que ser capaz de passar a rebentação é associado a um retorno bem sucedido à comunhão do homem com a natureza, sendo as cores, formas e sensações do “outside” o privilégio daquele que vence as dificuldades do tornar-se e ser surfista. Mas, que estas sensações são tidas como possibilidades de corpos corajosos e hábeis, “a priori”, entendidos como corpos masculinos. O surfe como campo em que o feminino é visto ainda como exceção dá a pensar que os esportes na natureza e a educação ao ar livre, embora tenham potencial de promover novas condutas políticas e a virtuosa sensibilidade ambiental, não estão livres de reproduzir outros padrões de dominação.

Educação do corpo feminino: um estudo na Revista Brasileira de Educação Física (1944-1950)

PID: S1981-46902011000200008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Silva Fontoura
O presente trabalho tem como objetivo analisar os discursos especializados sobre o corpo feminino vinculados a um importante periódico da Educação Física brasileira da década de 40: “A Revista Brasileira de Educação Física”. As práticas corporais e desportivas eram vistas como conquistas para as mulheres, mas ao mesmo tempo podiam colocar em risco o projeto de “ordem” e “progresso” e a própria representação de feminilidade vigente. Então, foram colocadas em ação várias retóricas discursivas que apontavam restrições à inserção feminina neste universo. A principal justificativa apresentada nas páginas da revista era o fator biológico, baseado principalmente nas diferenças anatômicas e fisiológicas, bem como em um excessivo medo da virilização da mulher. A título de conclusão, o trabalho aponta que, apesar das enormes limitações impostas às mulheres dentro das práticas corporais e desportivas, o seu ingresso neste universo representou uma conquista devido ao fato da sua saída do espaço privado do lar e entrada na esfera pública.

Educação física escolar: estado da arte e direções futuras

PID: S1981-46902011000500011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Betti Ferraz Dantas
O objetivo deste artigo é caracterizar e problematizar a Educação Física Escolar como prática profissional e subárea de pesquisa no campo mais amplo da Educação Física e das investigações educacionais. Para tal, inicialmente delimita o que é pesquisa em Educação Física Escolar, distinguindo-a da pesquisa sobre Educação Física Escolar, e quais seriam os objetos e hipóteses de pesquisa significativos para esta subárea. A seguir, analisa 289 artigos caracterizados como pesquisa em Educação Física Escolar, publicados em 11 periódicos (revistas) brasileiras, classificando-os nas categorias “ciclo de escolarização”, “prática corporal“ e “tema” investigados. Os resultados indicam que predominam os estudos no ensino fundamental, nas práticas “jogo” e “esporte”, e pesquisas de cunho descritivo-interpretativo das aulas de Educação Física em várias dimensões e interrelações. Em conclusão, aponta a necessidade de maior direcionamento para as pesquisas nos âmbitos da didática, da implementação dos programas (currículos) formulados no bojo das políticas públicas, e da formação de professores. Por fim, alerta para a necessidade dos programas de pós-graduação em Educação Física no Brasil investirem mais nas pesquisas em Educação Física Escolar.

Efeito da ordem dos exercícios no número de repetições e na percepção subjetiva de esforço em homens treinados em força

PID: S1981-46902011000100012 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: GilI Roschel Batista Ugrinowitsch Tricoli Barroso
A ordem dos exercícios refere-se à sequência de execução durante uma sessão de treinamento. Evidências demonstram que essa ordem pode afetar o número de repetições realizadas nos exercícios. A percepção subjetiva de esforço (PSE), assim como o número de repetições realizadas, depende da sobrecarga utilizada. Assim, alterações no número de repetições podem afetar a PSE. O volume total de trabalho (VTT) influencia nas adaptações crônicas ao treinamento e também pode ser afetado pela ordem dos exercícios. O objetivo foi verificar o efeito da ordem dos exercícios para membros inferiores no número de repetições realizadas, na PSE e no VTT. Doze homens treinados (19,3 ± 2,1 anos, 71,1 ± 9,8 kg, 172,4 ± 6,1 cm, 23,3 ± 11,5 meses/treino) realizaram duas sessões com os exercícios “leg-press” (L), mesa flexora (F) e cadeira extensora (E) em diferentes ordens (LFE ou EFL). Foram utilizados testes t de “Student” pareados com ajuste de Bonferroni para comparações múltiplas. O número de repetições em L e E diminuiu quando realizados no final da sessão. As repetições realizadas em F diminuíram na LFE. A PSE de E foi maior quando realizada no final da sessão, porém de L e de F não foram afetadas pelas diferentes ordens. O volume de trabalho total de LFE foi maior. Em conclusão, a ordem dos exercícios envolvendo membros inferiores afeta o número de repetições e a PSE de um exercício além do VTT, ressaltando a importância da ordem dos exercícios como uma importante variável na prescrição do treinamento.

Efeito da velocidade do estímulo no desempenho de uma tarefa de antecipação-coincidência em destros e canhotos

PID: S1981-46902011000300012 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Rodrigues Lima Vasconcelos Barreiros Botelho
Destros e canhotos diferem quando comparados em algumas tarefas motoras, parecendo os canhotos usufruir de alguma vantagem em tarefas visuo-motoras. Neste estudo foi analisado, em cada grupo de preferência manual, o efeito da velocidade do estímulo, do sexo e da mão de execução no desempenho de uma tarefa simples de antecipação-coincidência. Participaram 12 destros e 12 canhotos de ambos os sexos, estudantes universitários de Desporto. Empregou-se o “Bassin Anticipation Timer” para avaliar a capacidade de antecipação-coincidência em três velocidades: 268 cm/s, 402,3 cm/s e 536,4 cm/s (6, 9 e 12 mph, respectivamente). Os sujeitos executaram a tarefa tanto com a mão preferida como com a mão não preferida. Principais resultados: 1) apenas os destros foram afetados pela variável velocidade do estímulo, apresentando antecipação das respostas e maior variabilidade na velocidade 268 cm/s, enquanto nas velocidades 402,3 cm/s e 536,4 cm/s as respostas foram enviesadas no sentido do atraso da resposta e com variabilidade menos acentuada na velocidade mais alta; 2) o sexo teve um efeito significativo apenas nos canhotos, sendo o sexo masculino mais preciso e menos enviesado nas suas respostas do que o sexo feminino; 3) a assimetria manual manifestou-se apenas nos canhotos na velocidade de 268 cm/s e no Erro Variável. Concluímos que cada grupo de preferência manual parece comportar-se de forma diferenciada em tarefas perceptivas de Antecipação-Coincidência onde a velocidade do estímulo é manipulada.

Efeito do uso do traje de neoprene sobre variáveis técnicas, fisiológicas e perceptivas de nadadores

PID: S1981-46902011000200002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Santos Bento Rodacki
Ao contrário do que ocorre em provas de piscina, competições em águas abertas estão sujeitas as condições ambientais, sendo uma delas as baixas temperaturas. Em determinadas circunstâncias é permitido o uso de roupas especiais para evitar hipotermia. O objetivo do estudo foi verificar os efeitos do uso da roupa de neoprene em um grupo composto por triatletas e nadadores, comparado ao uso de vestimentas convencionais (sunga) sobre variáveis cinemáticas e psicofisiológicas do nado. Participaram 20 homens (12 triatletas e oito nadadores) de idade 22,0 ± 6,6 anos com desempenhos que correspondem a 75 ± 7,7% do melhor tempo brasileiro na prova de 400 m. Os atletas realizaram duas repetições máximas e duas submáximas de 400 m em nado “crawl”, com e sem o uso da roupa de neoprene. Foram comparadas a velocidade média (VM), comprimento de braçada (CB), frequência de braçada (FB), índice de nado (IN), percepção subjetiva de esforço (PSE), frequência cardíaca (FC), e concentração de lactato sanguíneo (LAC). Um conjunto de ANOVAs com medidas repetidas do tipo “two-way” foi aplicado. Quando diferenças foram encontradas o teste de Tukey foi empregado. Com o traje de neoprene, em máxima intensidade, o tempo para nadar a distância foi 6,4% menor, com manutenção da FB e aumento da CB, as variáveis psicofisiológicas não diferiram estatisticamente. Em esforço submáximo, o uso do traje de neoprene resultou em menor FB, maior CB, maior IN e em menores valores de FC, LAC e PSE (p < 0,05). O uso do traje proporcionou melhoria do desempenho nos aspectos biomecânicos, fisiológicos e perceptivos e que o aumento da VM em esforço máximo não depende exclusivamente de alterações na FB e CB. Possivelmente, incrementos nos parâmetros associados ao nado pode ter melhorado a eficiência mecânica do movimento, a qual pode ter provido uma economia de movimento que resultou em melhor desempenho.

Efeitos agudos de diferentes intensidades de exercício sobre a ingestão alimentar pós-exercício

PID: S1981-46902011000200001 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Lins Neves Tenório Cruz Santana Prado
O objetivo do presente estudo foi verificar os efeitos agudos de diferentes intensidades de exercício aeróbio (40 e 80% do VO<sub>2pico</sub>) sobre a ingestão alimentar pós-exercício. Participaram do estudo 18 adultos jovens, eutróficos (22,20 ± 1,72 kg/m²) e fisicamente ativos. Todos os sujeitos foram submetidos aleatoriamente a três condições experimentais: controle (sem exercício); EBI, exercício de baixa intensidade (40% do VO<sub>2pico</sub>) e EAI, exercício de alta intensidade (80% do VO<sub>2pico</sub>). As sessões de exercício foram isocalóricas (350 kcal). Após 120 minutos de recuperação passiva, os voluntários tinham livre acesso a um “buffet” variado de alimentos, a ingestão alimentar foi determinada através da pesagem dos alimentos ingeridos. Os dados alimentares obtidos foram então tabulados e analisados por meio do “software” Nutwin 6.0 (UNIFESP, 2002), para estimativa do consumo energético total (kcal) e ingestão dos macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos) em gramas. Os resultados não demonstram nenhuma diferença na ingestão alimentar entre as condições experimentais analisadas. Dessa forma, podemos concluir que a ingestão alimentar pós-exercício não se mostrou dependente da intensidade do esforço em curto prazo em indivíduos adultos jovens fisicamente ativos.

Efeitos dos intervalos de tempo de apresentação de conhecimento de resultados (CR) na aquisição de habilidades motoras

PID: S1981-46902011000400012 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Vieira Ugrinowitsch Lage Benda
O aspecto temporal do Conhecimento de Resultados (CR) é composto por três intervalos: pré-CR, pós-CR e o intervalo intertentativas. Um problema sobre este tópico é que a manipulação de um intervalo implica na alteração dos outros, o que sugere uma análise conjunta desses intervalos. O presente estudo investigou os efeitos dos intervalos de tempo de apresentação de CR na aquisição de habilidades motoras. Foi utilizada uma tarefa de posicionamento manual, que consistia em transportar três bolas de tênis entre seis recipientes em ordem e tempo alvo pré-estipulados. O instrumento continha uma plataforma com seis recipientes e uma central de controle ligada ao microcomputador. O estudo teve a fase de aquisição, com 30 tentativas com a sequência (4-2/5-3/6-1) e tempo alvo (3000 ms) definidos pelo experimentador. Dez minutos após o término da fase de aquisição foi aplicado o teste de transferência imediata e, após 24 horas, o teste de transferência atrasada. Ambos os testes tiveram de 15 tentativas de prática, de uma nova sequência de movimento (6-1/5-3/4-2) e tempo alvo (4000 ms), sem fornecimento de CR. Noventa universitários foram divididos em nove grupos (n = 10): três grupos com quatro segundos, três grupos com oito segundos e três grupos com 16 segundos de intervalo intertentativas, todos com intervalos pré e pós-CR distintos. Os resultados mostraram que menores intervalos intertentativas tiveram melhor desempenho nos testes. Isto sugere que o tempo para processamento de informação não deve ser longo, o que aumentaria a demanda de atenção e a exigência de memória.

Estrutura de prática e validade ecológica no processo adaptativo de aprendizagem motora

PID: S1981-46902011000100005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Massigli Nunes Freudenheim Corrêa
O objetivo desse estudo foi investigar o efeito da estrutura de prática no processo adaptativo de aprendizagem motora em função da validade ecológica da situação experimental. Participaram do estudo 104 crianças distribuídas em oito grupos experimentais (dois níveis de validade ecológica x quatro estruturas de prática). A tarefa consistiu em rebater uma bola de tênis de mesa lançada por um equipamento ou pelo experimentador, com o objetivo de acertar um alvo localizado no lado oposto da mesa. O estudo envolveu duas fases: estabilização e adaptação. O desempenho foi analisado por meio da soma dos pontos obtidos em blocos de 10 tentativas. Os resultados mostraram que os efeitos das práticas constante, aleatória, constante-aleatória e aleatória-constante no processo adaptativo de aprendizagem motora foram similares em ambos os níveis de validade ecológica; a prática constante foi a estrutura menos efetiva no processo adaptativo de aprendizagem motora em ambas as situações experimentais.

Estudos em modalidades esportivas de combate: estado da arte

PID: S1981-46902011000500008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Franchini Del Vecchio
O objetivo do presente texto foi apresentar o estado da arte dos estudos sobre as modalidades esportivas de combate (MEC). Inicialmente, é destacada a relevância destas modalidades, tanto do ponto de vista histórico, quanto em relação à sua representatividade em competições internacionais, como os Jogos Olímpicos. Também são apresentadas as áreas mais comuns de atuação do profissional de Esporte nas MEC, bem como as iniciativas de organização de eventos, publicações, grupos de estudos e instituições científicas direcionadas às MEC. Posteriormente, estudos com possibilidade de aplicação em diferentes áreas de intervenção - preparação física, técnica e tática, gestão e organização - por parte do profissional do Esporte foram destacados. Finalmente, perspectivas de novos estudos e aspectos relacionados à preparação profissional são evidenciados.

Exercício de força ativa a via AKT/mTor pelo receptor de angiotensina II tipo I no músculo cardíaco de ratos

PID: S1981-46902011000300003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Soares Melo Amadeu Magalhães Fernandes Carmo Mendes Barretti Brum Oliveira
O receptor de angiotensina II tipo I (AT1) tem uma importante participação no desenvolvimento da hipertrofia cardíaca. Em um trabalho publicado anteriormente, por nosso grupo, demonstramos que o bloqueio do receptor AT1 durante o treinamento de força inibiu a hipertrofia cardíaca em ratos. Por isso, o objetivo deste trabalho foi estudar a participação do receptor AT1 na ativação de vias de sinalização intracelular relacionadas com o aumento da síntese de proteína em ratos submetidos a uma sessão de exercício de força. Para isso, realizamos um experimento com seis grupos de animais (n = 6; cada): controle (Con), exercitado e sacrificado cinco minutos após o exercício (Exe 5), exercitado e sacrificado 30 minutos após o exercício (Exe 30), controle tratado com losartan (Con Los), tratado com losartan, exercitado e sacrificado cinco minutos após o exercício (Exe 5 Los), tratado com losartan, exercitado e sacrificado 30 minutos após o exercício (Exe 30 Los). Os resultados mostram que no grupo Exe 5 e Exe 30 ocorreu um aumento de 63% (P < 0,05) e 62% (P < 0,05), respectivamente, na fosforilação da proteína AKT comparado com o grupo controle. Enquanto a fosforilação da mTor foi aumentada 65% (P < 0,05) somente no grupo Exe 30 comparado com o grupo controle, sendo estes efeitos bloqueados pelo uso do losartan nos grupos Exe 5 Los e Exe 30 Los. Portanto, esses resultados, juntamente com nossos resultados prévios, demonstram que o receptor AT1 tem participação na ativação da AKT e mTOR após uma sessão de exercício de força.

Feedback after good versus poor trials enhances motor learning in children

PID: S1981-46902011000400011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Saemi Wulf Varzaneh Zarghami
O presente estudo investigou se a aprendizagem motora de crianças pode ser beneficiada pelo “feedback” (conhecimento de resultados -CR) fornecido após tentativas relativamente boas de prática, ao invés de após tentativas ruins. A tarefa requeriu que os participantes arremessassem saquinhos de feijão em um alvo circular fixo, posicionado no chão, a uma distância de 3 m. Vinte e oito crianças do ensino fundamental (idade média: 10,6 anos) participaram deste experimento. A fase de prática consistiu de 10 blocos de seis tentativas. Após cada bloco de tentativas, um grupo (KR “good”) recebeu CR relacionado aos três arremessos mais precisos, enquanto ao outro grupo (KR “poor”) foi fornecido CR relacionado aos três arremessos menos precisos. Os participantes não foram informados sobre as tentativas nas quais o “feedback” seria fornecido. Imediatamente após a fase de prática, os participantes preencheram o questionário de motivação intrínseca. Um dia após a fase de prática, foi conduzido um teste de retenção composto por 10 tentativas, sem CR. Os resultados demonstraram que a aprendizagem foi melhorada através do fornecimento de CR após as boas tentativas de prática. Ainda, os resultados do questionário revelaram que a motivação intrínseca dos aprendizes foi aumentada pelo “feedback” positivo. Os presentes achados adicionam evidências de que os efeitos motivacionais do “feedback” possuem um impacto direto sobre a aprendizagem.

Filosofia e neurociência: entre certezas e dúvidas

PID: S1981-46902011000400016 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Zimmermann Torriani-Pasin
Quando tentamos pensar o movimento humano, esse corpo vivo em relação com o mundo, por meio de conceitos restritos a uma única área, constata-se a complexidade deste fenômeno, que se mostra a cada novo movimento da ciência. Considerando esta complexidade, retomamos neste ensaio a possibilidade de diálogo entre Filosofia e Ciência, aqui ocupadas com os estudos sobre corpo e movimento humano. Recorremos, então, ao estranhamento entre Neurociência e Filosofia, em especial a Fenomenologia de Merleau-Ponty, por meio de exemplos clínicos e reflexões, não no sentido de buscar um sistema de explicações, forçar uma aproximação ou apontar elementos para fins de hierarquização, mas com o intuito de extrair deste movimento os elementos que nos ajudem a pensar nossas certezas e dúvidas acerca do movimento humano. A Filosofia nos auxilia, inicialmente, a indagar sobre os pressupostos e consequências das pesquisas, recolocando questões e restaurando o lugar da dúvida. A Ciência, por sua vez, abre campos, aguça curiosidades, e mesmo sem admiti-lo, deixa-se questionar. A separação entre as diferentes formas de pensar a realidade e produzir conhecimentos não precisa necessariamente ser combatida, às custas do enfraquecimento de ambas, mas é possível extrair consequências interessantes de um movimento de aproximação entre as duas áreas.
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