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Gestão de práticas esportivas escolares no ensino fundamental no município de Santos

PID: S1981-46902011000200006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Luguetti Bastos Böhme
A presente pesquisa teve por objetivo analisar as condições das práticas esportivas escolares (PEEs) no ensino fundamental no município de Santos - SP sob o ponto de vista dos gestores escolares, com relação à: a) percentual de atendimento no âmbito público; b) descrição dos recursos materiais e financeiros; c) caracterização dos recursos humanos; d) características do programa desenvolvido. Para isso, foram aplicados questionários junto aos gestores das escolas privadas (n = 12), municipais (n = 35) e estaduais (n = 12). Verificou-se que poucas crianças e jovens são atendidas nos programas no âmbito público. As instalações das escolas privadas e municipais são melhores que as da rede estadual; destaca-se que o município utiliza os espaços cedidos pela Secretaria Municipal de Esportes e pela Comunidade. De acordo com os gestores, o professor/treinador das PEEs não ministra Educação Física Escolar na mesma escola. Os gestores das escolas privadas e do município relataram que as PEEs não têm ligação com o Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola, o que aponta uma descrença dos gestores quanto à possibilidade educacional das PEEs. No âmbito público, pode-se pensar em estratégias para a democratização dessas práticas, com programas intersetoriais - que articulem diferentes secretarias e a participação da comunidade, de tal forma que os orçamentos possam ser otimizados e as PEEs valorizadas no contexto em que estão inseridas. Pretende-se que esse conhecimento subsidie futuras discussões sobre programas de iniciação esportiva no contexto escolar.

Gestão do Esporte: definindo a área

PID: S1981-46902011000500010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Rocha Bastos
A gestão do esporte constitui-se em uma área de investigação acadêmica, com formação específica a partir da década de 60. Em termos de atuação e intervenção profissional, as organizações públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, de prática ou administração esportiva se configuram como campos de atuação para o gestor do esporte. Este artigo foi desenvolvido no sentido de contextualizar a área em três eixos. Inicialmente, o atual estágio acadêmico da gestão esportiva é discutido a partir do desenvolvimento de cursos de pós-graduação, das associações profissionais e das revistas científicas da área. Em seguida, gestão do esporte e termos relacionados são definidos. Por fim, as subáreas e as principais linhas de pesquisa da área são apresentadas, com exemplos de estudos sob a ótica das teorias que as sustentam. Em cada um desses tópicos considera-se a área em termos internacionais e seu desenvolvimento no país, de forma a fornecer subsídios para a definição de escopos de ensino, pesquisa e prática profissional.

Grupos de pesquisa em cursos de Educação Física com pós-graduação “stricto sensu” no Brasil: análise temporal de 2000 a 2008

PID: S1981-46902011000400006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Del Duca Garcia Silva Nascimento
O objetivo da pesquisa foi descrever a evolução dos grupos de pesquisa em cursos de Educação Física com programas de pós-graduação “stricto sensu” no Brasil e sua produção intelectual no período de 2000 a 2008. Trata-se de um estudo descritivo, incluindo análise secundária de dados conduzida em 2010 com informações do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Analisou-se grupos de pesquisa; razões de pesquisadores e de estudantes por grupos de pesquisa; produção de artigos nacionais, artigos internacionais, livros e capítulos de livros, conforme macrorregiões geográficas; anos de coleta; número de cursos em Educação Física, pesquisadores e estudantes. As razões, frequências absolutas e relativas foram utilizadas na análise estatística descritiva dos dados. Os primeiros grupos de pesquisa em Educação Física no Brasil foram criados na década de 80, e em 2008 totalizaram 387. Observou-se diminuição da representatividade de grupos criados em instituições com programas “stricto sensu” (até 2000: 75,6%; de 2005-2008: 43,9%). No ano 2000, havia 453 pesquisadores e 479 estudantes de cursos de Educação Física. Identificou-se aumento nos anos 2002, 2004, 2006 e 2008, em comparação ao ano anterior (pesquisadores: aumento de 89%, 71%, 34% e 27%; estudantes: 83%, 76%, 42% e 41%, respectivamente). Também foi observada evolução na publicação de artigos em periódicos de circulação nacional; crescimento gradativo naqueles de circulação internacional e tendência de estagnação na publicação de livros e capítulos de livros. O crescimento do número de grupos de pesquisa e da produção intelectual reforçam o desenvolvimento e consolidação da Educação Física enquanto área acadêmica.

Influência da pedalada com os joelhos tangenciando o quadro da bicicleta sobre a ativação dos músculos do membro inferior

PID: S1981-46902011000100004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Bini Carpes Diefenthaeler
A mudança da posição do corpo sobre a bicicleta tem sido relacionada a alterações na ativação dos músculos do membro inferior. Desta forma, o objetivo do presente estudo foi comparar a ativação dos músculos “Tibialis Anterior”, “Gastrocnemius Medialis”, “Biceps Femoris”, “Rectus Femoris”, “Vastus Lateralis”, “Adductor Longus” e “Gluteus Maximus” nas seguintes situações: 1) posição de referência (posição preferida); 2) posição de adução (joelhos tangenciando o quadro da bicicleta); 3) posição de abdução (joelhos afastados do quadro da bicicleta). Seis atletas com experiência competitiva em ciclismo foram avaliados por meio da eletromiografia de superfície (EMG). Todos pedalaram em suas próprias bicicletas montadas em um ciclosimulador, com carga de trabalho normalizada pelo VO2 de forma que a taxa de troca respiratória se mantivesse entre 0,8 e 1,0. A ativação muscular foi analisada por meio da comparação da média do envelope RMS e do período de ativação para cada um dos músculos, nas três posições avaliadas. Não foram observadas diferenças significativas para a média do envelope RMS e para o período de ativação dos músculos nas três posições avaliadas, à exceção do “Adductor Longus”. Observou-se maior ativação (36 ± 6%) deste músculo na posição de adução comparado a posição de abdução (25 ± 11%) para um valor de significância de p = 0,02, sem diferenças em relação a posição de referência (27 ± 7%). Estes resultados sugerem que não ocorrem alterações substanciais na ativação dos principais músculos do membro inferior quando a posição dos joelhos no plano frontal é alterada e a carga de trabalho é mantida, à exceção do aumento da participação do “Adductor Longus”.

Interações sociais e proficiência motora em escolares do ensino fundamental

PID: S1981-46902011000400009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Miyabayashi Pimentel
Este estudo discute características de crianças que ingressam no ensino fundamental. Mais especificamente, o objetivo do estudo foi analisar a proficiência motora dessas crianças em relação com o nível socioeconômico e as interações sociais. O trabalho foi realizado com 30 crianças, as quais foram analisadas a partir do cruzamento de dados provenientes de teste de proficiência motora, questionário socioeconômico, observação direta e sociograma. Os resultados apontam que existe significância entre índices maiores de renda e sociabilidade com proficiência motora. Entretanto, o estudo também aponta para os desvios em relação à tendência encontrada, refletindo sobre a necessidade em se analisar os fatores macroscópicos do desenvolvimento sem recorrer a determinismos.

Metanálise dos efeitos agudos do alongamento na realização de corridas curtas de alta intensidade

PID: S1981-46902011000400003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Ribeiro Del Vecchio
Informações das pesquisas explorando efeitos do alongamento no desempenho em corridas curtas de alta intensidade (CCAI) são controversas. Com isso, esta metanálise objetivou examinar os desfechos decorrentes da execução de diferentes protocolos de alongamentos, prévios à execução de CCAI. A pesquisa foi realizada em diversas bases de dados, usando combinações dos seguintes termos de referência: “sprint” e “stretching”. Selecionaram-se estudos com pessoas do sexo masculino e idade superior a 16 anos, sem restrição de modalidade, nível de aptidão física e procedimentos de avaliação utilizados. Após diferentes depurações, localizaram-se 11 investigações como apropriadas para análises, das quais resultaram 62 situações para serem estudadas. Como variáveis dependentes, consideraram-se o Tamanho de Efeito (TE) e o Delta Percentual (Δ%), e, como fatores, delineamento adotado, tipo de alongamento, protocolo de avaliação, número de séries, modalidade esportiva, nível de aptidão e prática pregressa de alongamento. Os resultados sugerem que: a) alongamento dinâmico (AD) promove rendimento significativamente superior quando comparado ao alongamento estático (AE) (p < 0,001) ou misto (AM) (p < 0,002); b) há diferença no TE e no Δ% entre corridas com mudança de direção e corridas lineares (até 20 m, p = 0,003, e acima de 20 m, p < 0,009); c) realização de vários testes proporciona melhores resultados que aplicação de teste único após aquecer e alongar (p = 0,001); e d) executar série única de alongamento é menos prejudicial que duas (p = 0,016) e três séries (p < 0,001). Sendo assim, é possível a obtenção de pequena vantagem incorporando o AD em relação ao AE, AM ou ausência de estímulos para a execução de CCAI.

Modelo de equilíbrio dinâmico: breve revisão da sua origem, implicações e novas perspectivas

PID: S1981-46902011000300016 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Pires Lima-Silva Kokubun Kiss
O Modelo de Equilíbrio Dinâmico (MED) assume a existência de uma intensidade máxima de exercício na qual seja possível observar um estado de equilíbrio fisiológico, o qual assegura o prolongamento do exercício. Até esta intensidade limite o exercício seria limitado pelos estoques de glicogênio muscular, mas acima desta, o acúmulo de metabólitos causaria a falha dos sistemas corporais e o término do exercício seria coincidente com o alcance de valores máximos em variáveis fisiológicas. Entretanto, o MED não se ajusta inteiramente aos resultados experimentais, pois estudos falharam em demonstrar um completo equilíbrio fisiológico em cargas iguais ou inferiores a esta intensidade limite. Adicionalmente, evidências mostram que nesta mesma faixa de intensidade, o término do exercício ocorre sem haver completa depleção nos estoques de glicogênio muscular. Inicialmente, o desalinhamento entre teoria e dados experimentais poderia ser devido, ao menos em parte, a um aspecto metodológico comum entre estudos anteriores: a ausência do término do exercício identificado na incapacidade da manutenção de uma potência mecânica requerida. A ausência do ponto de exaustão como critério do término do exercício pode ter gerado um artefato temporal nas medidas realizadas, não garantindo que cada medida temporal representasse a mesma fase de ajuste fisiológico ao exercício. Contudo estudos recentes do nosso grupo sugerem outra perspectiva para interpretação dos dados experimentais; a existência de equilíbrio fisiológico regulado pelos sistemas nervoso central e periférico, numa ampla faixa de intensidade de exercício.

Motivos da prática de dança de salão nas aulas de educação física escolar

PID: S1981-46902011000100003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Shibukawa Guimarães Machado Soares
O estudo de corte transversal analisou os motivos da prática da dança de salão nas aulas de Educação Física escolar de escolas particulares, relacionando-os com o gênero, seu tempo de prática e participação em eventos de dança de salão. Obteve-se uma amostra de 279 alunos com idade de 15,5 ± 1,0 anos, matriculados nas aulas de dança de salão como Educação Física escolar. Aplicou-se o questionário de motivação para as atividades desportivas - QMAD, adaptado de SERPA e FRIAS (1990) e SERPA (1991). Analisou- se os dados através da estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 95%. Foram encontradas associações significativas entre os motivos e gêneros (r = 0,285; - 0,172); tempo de prática (r = 0,174) e frequência em eventos (r = 0,122; - 0,156). A dança de salão oferece em sua prática uma ferramenta de inúmeras possibilidades, onde cada um de seus praticantes procura preencher as suas próprias necessidades. De acordo com os resultados levantados percebe-se que os alunos estão motivados com a prática de dança de salão na escola havendo diferenças entre o gênero, o tempo de prática e a frequência nos eventos. Diante disto sugere-se a criação de propostas metodológicas condizentes com os principais motivos dos alunos nas aulas de dança de salão dentro do ambiente da Educação Física escolar.

Nutrição aplicada à atividade motora

PID: S1981-46902011000500006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Lancha Junior
A Nutrição aplicada a atividade motora se divide em quatro áreas do movimento humano, a saber: esporte, educação física, dança, recreação/lazer. Essa definição conceitual diferencia a população alvo da intervenção nutricional. O organismo humano sempre apresentou o movimento como parte de sua atividade cotidiana e selecionou evolutivamente os organismos mais econômicos. Em contrapartida por conta de demandas, sociais, financeiras dentre outras a vida moderna impôs o sedentarismo como padrão de comportamento motor que aliado ao padrão genético de economia resultaram nas doenças modernas como obesidade, diabetes, etc. Assim a sociedade institucionalizou o movimento humano criando manifestações distintas descritas acima e suas necessidades específicas passaram a ser de interesse acadêmico/cientifico. Nutricionalmente os estudos se concentram no balanço energético, na necessidade de carboidratos, proteínas, lipídios assim como dos micronutrientes e outros compostos biologicamente ativos. Estes estudos definem estas substancias sob critérios de essencialidade ou efeito ergogênico superior a capacidade fisiológica. O primeiro determina mudanças nas necessidades nutricionais e o segundo substâncias consideradas ilícitas. No presente momento grande parte da comunidade cientifica dedicada à nutrição aplicada à atividade motora, dirige sua vocação na tentativa de descobrir as necessidades específicas provocadas pela pratica regular da atividade motora permitindo seu exercício regular para que a mesma propicie os benefícios na manutenção da saúde de forma plena nas quatro áreas descritas acima.

O esporte e o ensino médio: a visão dos professores de educação física da rede pública

PID: S1981-46902011000100008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Santos Nista-Piccolo
O presente trabalho investigou a visão que o professor de Educação Física, que atua no Ensino Médio, tem sobre a aplicação do esporte em suas aulas na escola. Buscamos identificar qual a concepção atribuída ao esporte e à competição, bem como verificar qual o sentido da prática esportiva nesse contexto. Numa pesquisa do tipo qualitativa foram coletadas informações a partir de uma ficha diagnóstica das escolas, além de uma entrevista semiestruturada com esses profissionais. Uma pergunta geradora norteava a investigação: Como você vê a relação Esporte/Educação Física? As respostas obtidas foram interpretadas por meio da técnica de análise de conteúdo, BARDIN (2004). O estudo consta de duas etapas, na primeira está uma revisão bibliográfica sobre as questões que permeiam a prática esportiva na Educação Física escolar no Ensino Médio e, na segunda, o desenvolvimento metodológico dessa pesquisa. Os resultados apresentados apontam o esporte relacionado aos seguintes temas: esporte e educação, que declara uma falta de compromisso por parte dos docentes; esporte e saúde, que se configura com equívocos conceituais; esporte e competição, que demonstra uma ênfase na prática seletiva; esporte como um aspecto cultural, visto como fundamental na contribuição à cultura da sociedade; esporte na perspectiva das modalidades tradicionais, definido como únicas perspectivas de prática pedagógica, esporte e inclusão, que revela a predominância das atividades exclusivas aos mais hábeis.

O papel do folclore na motivação para atividades físicas de idosas

PID: S1981-46902011000100007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Cardoso Assumpção
Existem muitos relatos sobre os benefícios biológicos da atividade física em idosos. Porém, o número de praticantes ainda não é satisfatório. Esse ponto controverso foi usado no presente artigo. Pesquisou-se sobre o uso do folclore local como um mecanismo educacional e motivacional útil no aumento da prática de atividades físicas para idosas. Foram entrevistadas idosas do Clube da Amizade em Caetité - BA, que foram motivadas e estimuladas pela dança. Este artigo também usou as reflexões de Paulo Freire, que admite o uso da cultura e contexto de vida pessoal como o mais importante meio de motivação e de educação. Os resultados provaram que é positivo o uso deste citado processo motivacional em estimular idosas nas suas aulas de educação física. Elas relataram que se sentem muito motivadas durante as aulas de dança enquanto podem escutar músicas que as fazem lembrar de seu passado, cultura e valores morais.

O processo de formação do atleta de futsal e futebol: análise etnográfica

PID: S1981-46902011000400008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Cavichiolli Cheluchinhak Capraro Marchi Junior Mezzadri
Apesar de o senso comum estabelecer que todo brasileiro “já nasce sabendo jogar bola”, é longo o caminho entre o reconhecimento de se “ter talento” para o futebol até a “lapidação” desta espécie de “aptidão aparentemente inata”. Assim, cada vez mais cedo, as crianças praticam Futsal em escolinhas esportivas com a esperança de que sejam encaminhadas/convidadas a jogarem o Futebol em clubes profissionais. Como a quantidade desses jovens que se lançam no mercado esportivo é crescente, faz-se necessário observar e entender como se dá o comportamento social estabelecido nas escolinhas de futsal/futebol. O objetivo do presente estudo foi investigar o planejamento/ações que pais e clubes realizam para que os garotos adquiram a capacidade de jogar futsal/futebol. Para tanto, por meio de trabalho etnográfico, durante um ano foram observadas e registradas em entrevistas e diário de campo as práticas e as falas dos jovens atletas, pais, professores e dirigentes de um clube tradicional de Curitiba. Partindo da premissa de que a mítica do talento inato dá lugar à aprendizagem sistematizada como forma de se obter o triunfo, pretendemos expor aqui como são traçados os caminhos e os descaminhos no mundo do futsal e futebol de base. O trabalho revela que a formação de um jogador consiste num processo de ensino-aprendizagem-prática determinado pelos pais e que encontram eco em clubes especializados. Evidencia-se que para alguns pais e professores o “jogar bola” é apenas mais uma possibilidade de profissão, tão desejada, entre outras.

O processo de planejamento e periodização do treino em futebol nos clubes da principal liga portuguesa profissional de futebol na época 2004/2005.

PID: S1981-46902011000300010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Santos Castelo Silva
O planejamento e a periodização são fases cruciais diretamente implicadas na eficácia, consistência e qualidade do jogo das equipes. Foram objetivos deste estudo investigar: 1) a implementação da dinâmica da “carga” e sua relação com os períodos; 2) a importância atribuída às componentes da “carga” e recuperação; 3) a prescrição da intensidade; 4) as componentes do rendimento consideradas no planejamento, sua importância hierárquica e, forma de trabalho; 5) o aspecto considerado central no planejamento; 6) o tipo de planejamento utilizado na preparação da equipe; e 7) a utilização da modelação no processo de treino. O universo estudado foi constituído pelas 18 equipes do principal escalão de Futebol, na época 2004/2005. Foi aplicado um inquérito por questionário validado por sete especialistas. Representando cada um dos clubes em estudo, responderam ao questionário 16 treinadores principais e dois adjuntos, por remessa do respetivo treinador principal. Os resultados sugerem que embora pareça não ser a corrente de treino dominante, o paradigma da dimensão física do treino aparece ainda bastante vincado. Alguns dos pressupostos associados à conceção tradicional do treino permanecem presentes. Parece ser costume operacionalizar um planejamento com base na dimensão tática. Apesar desta ser a “guia” do processo, e “arrastar” a dimensão física, nem sempre tal acontece. Embora surjam situações em que ainda se promove a separação das dimensões do rendimento, a referência passa por trabalhá-las, sempre que possível, simultaneamente. A modelação do jogo é uma tendência na maioria dos clubes. Nem todos os treinadores agem de acordo com as suas convicções expressas.

Obesidade e sobrepeso em adolescentes: relação com atividade física, aptidão física, maturação biológica e “status” socioeconômico

PID: S1981-46902011000200005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Figueiredo Santos Souza Seabra Maia
Este estudo relaciona atividade física (AF), aptidão física (AptF), maturação biológica e “status” socioeconômico (ESE) com as prevalências de risco ponderal de adolescentes. Foi desenvolvido no Concelho de Santo Tirso, região norte de Portugal e amostrou 961 alunos (463 meninos e 498 meninas) com idades variando entre os 11 e os 18 anos. O índice de massa corporal foi utilizado para estabelecer o “status” ponderal com base nos pontos de corte propostos por COLE et al. A AF foi avaliada através do questionário de Baecke e a AptF com quatro testes da bateria Fitnessgram. O ESE foi estimado a partir do acesso aos escalões atribuídos pela Ação Social Escolar e a maturação biológica a partir do “offset” maturacional. A análise estatística foi efetuada nos “softwares” Pepi versão 4.0 e SPSS 18.0. O nível de significância foi mantido em 5%. Seis por cento dos alunos eram obesos e 19,5% tinham sobrepeso; meninos e meninas têm prevalências semelhantes de sobrepeso e obesidade. Os níveis médios de AF foram baixos a moderados independentemente do sexo ou “status” ponderal. Os meninos eram mais ativos que as meninas (p < 0,001), mas não se registraram diferenças significativas entre os alunos com obesidade e sobrepeso e os normoponderais. Na AptF, um número superior a 50%, foi considerado inapto, i.e, não obtiveram taxas de sucesso em todos os testes. Os alunos com sobrepeso e obesidade foram mais inaptos. Alunos com “offset” maturacional mais avançado e os mais novos tinham mais chances de ter sobrepeso e obesidade, mas não houve relação significativa entre o ESE e o “status” ponderal. Concluímos que os jovens Tirsenses apresentam prevalências de obesidade e sobrepeso elevadas, são relativamente pouco ativos e, em grande medida, fisicamente inaptos.

Perda de eletrólitos durante uma competição de duatlo terrestre no calor

PID: S1981-46902011000200004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Becker Flores Schneider Laitano
Eventos esportivos prolongados, como o duatlo (6 km corrida, 26 km ciclismo e 4 km corrida) podem levar o atleta a um desequilíbrio hidroeletrolítico, devido a perdas elevadas de suor, em especial se realizados no calor. O presente estudo avaliou as perdas de sódio (Na<sup>+</sup>), potássio (K<sup>+</sup>) e cloreto (Cl<sup>-</sup>) durante uma competição de duatlo realizada no calor (31,2 °C e 51% de umidade relativa do ar), analisando a composição do suor e os níveis sanguíneos destes eletrólitos. Doze atletas fizeram parte deste estudo. Coletas de sangue foram realizadas antes e após a competição, e o suor foi coletado utilizando-se adesivos específicos. O tempo médio para completar a competição foi de 85,0 ± 6,57 min. O percentual de desidratação foi 3,0 ± 0,92%. A reposição de líquidos perdidos durante a competição foi 31 ± 18,7%. A taxa de sudorese foi 1,86 ± 0,56 L•h<sup>-1</sup>. A concentração de Na<sup>+</sup>, K<sup>+</sup> e Cl<sup>-</sup> no suor foi 71 ± 26,05 mmol•L<sup>-1</sup>, 5,43 ± 1,98 mmol•L<sup>-1</sup> e 58,93 ± 25,99 mmol•L<sup>1</sup>, respectivamente. A perda total de Na<sup>+</sup>, K<sup>+</sup> e Cl<sup>-</sup> no suor foi 132,11 ± 62,82 mmol, 10,09 ± 5,01 mmol e 109,75 ± 58,49 mmol, respectivamente. Em conclusão, os atletas não ingeriram líquido suficiente para repor o volume de fluidos perdido. Além disto, os participantes apresentaram elevada taxa de sudorese acompanhada de perdas de Na<sup>+</sup>, K<sup>+</sup> e Cl<sup>-</sup>. Apesar disso, não ocorreram alterações nas concentrações de eletrólitos séricos.

Perfil antropométrico e fisiológico de atletas brasileiros de “rugby”

PID: S1981-46902011000300004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Lopes Sant’ana Baroni Cunha Radaelli Oliveira Castro
O “Rugby” é um esporte bastante popular internacionalmente e em franca ascensão no Brasil. É caracterizado pela existência de duas posições táticas básicas (“forwards” e “backs”), cujos atletas apresentam demandas funcionais e características físicas distintas. Embora a literatura internacional apresente um número interessante de referências acerca do perfil antropométrico e fisiológico destes atletas, pouca atenção tem sido despendida aos atletas brasileiros. Assim, este trabalho teve como objetivo verificar o desempenho de 20 jogadores amadores de “Rugby” submetidos à ergoespirometria, teste de Wingate e Dinamometria isocinética bem como a comparação entre “backs” (n = 10) e “forwards” (n = 10) para verificar possíveis diferenças entre as posições táticas. Para determinação dos valores de VO<sub>2</sub> e VCO<sub>2</sub> foi utilizado um analisador de gases computadorizado (CPX-D; MedGraphics Cardiorespiratory Diagnostic Systems) para variáveis de força um dinamômetro isocinético Cybex Norm (Lumex & Co., Ronkonkoma, USA) e para comparações de composição corporal foi aplicada a técnica de cinco componentes da ISAK. A comparação entre os dados foi verificada por meio do teste t de Student para amostras independentes, sendo que para todas as variáveis foi adotado um índice de significância de p < 0,05. Os nossos resultados mostram uma diferença significativa entre “backs” e “forwards’ nas variáveis VO<sub>2max</sub> (47,8 ± 4,5 e 38,8 ± 5,5 ml.kg<sup>-1</sup>.min<sup>-1</sup>) - 2° limiar ventilatório (38,3 ± 3,0 e 31,6 ± 4,2 ml.kg<sup>-1</sup>.min<sup>-1</sup>) - potência média (7,5 ±0,6 e 6,3 ±1,1 W.kg<sup>-1</sup>) e trabalho total (225,7 ± 18,4 e 187,9 ± 31,7 J.kg-1) - massa corporal (78,5 ± 9,5 e 101,6 ± 12,6 kg) Massa Adiposa (24,7 ± 3,2 e 29,7 ± 4,6%) Massa Muscular (48,7 ± 4,2 e 44,5 ± 3,4%) respectivamente (p < 0,05). Sendo assim, evidenciamos a existência de diferenças significativas em algumas das variáveis medidas entre atletas de “Rugby’ conforme sua função no jogo. Essa evidência mostra que mesmo os atletas sendo de nível amador, as características fisiológicas, antropométricas e mecânicas são semelhantes quando comparadas aos jogadores de nível profissional.

Perfil antropométrico e funcional de velejadores da classe “Optimist”

PID: S1981-46902011000100016 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Oliveira Polato Alves Fragai Macedo
Este estudo apresenta uma análise descritiva das características antropométricas e funcionais de crianças e adolescentes velejadores da classe “Optimist”, participantes do campeonato estadual do Rio de Janeiro, em 2006. Foram avaliados 50 velejadores do sexo masculino, sendo 17 da categoria infantil e 33 da juvenil. Os velejadores da categoria infantil apresentaram (valores médios ± desvio padrão) 152,8 ± 5,8 cm de estatura, 45,6 ± 5,5 kg de massa corporal, índice de massa corporal (IMC) de 19,6 ± 2,8 e percentual de gordura de 23,9 ± 7,0%. Quanto às características funcionais, observou-se força de preensão média de 22,5 ± 2,9 kgf e salto vertical com altura de 25,5 ± 4,8 cm. A categoria juvenil apresentou estatura média de 161,7 ± 7,7 cm, massa corporal de 48,9 ± 7,5 kg, IMC de 18,7 ± 2,2 kg/m<sup>2</sup>, percentual de gordura de 18,6 ± 5,5%, força de preensão de 29,6 ± 5,5 kgf e altura do salto vertical de 31,6 ± 4,7 cm. A categoria juvenil apresentou estatura e força significativamente maiores que a infantil (p < 0,05). Todavia, com o percentual de gordura foi significativamente menor, o que resultou em valores de Índice de Massa Corpórea (IMC) e massa corporal similares. Os resultados apontam para um perfil longilíneo dos velejadores juvenis, onde maior força e estatura são acompanhados por redução do percentual de gordura e manutenção da massa corporal, não prejudicando o desempenho do atleta no tipo de embarcação da classe “Optimist”.

Prevalência e fatores associados a níveis insuficientes de atividade física em jovens estudantes de duas cidades brasileiras: últimos sete dias e semana típica ou normal

PID: S1981-46902011000400007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Farias Júnior Siqueira Nahas Barros
Este estudo comparou as prevalências de níveis insuficientes de atividade física e fatores associados determinados a partir da medida das atividades físicas praticadas nos últimos sete dias e durante uma semana típica ou normal. Trata-se de uma análise transversal dos dados de base (“baseline data”) de uma intervenção escolar randomizada (Projeto Saúde na Boa), que incluiu 2.096 jovens (15-24 anos; 55,6% do sexo feminino), de 20 escolas públicas (10 em Florianópolis e 10 em Recife), pareadas por tamanho e localização geográfica. Os dados foram coletados por meio de questionário previamente validado. Foram classificados como “insuficientemente ativos” os sujeitos que não atingiram dose recomendada de prática de atividades físicas (≥ 60 minutos diários de atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa, ≥ 5dias/semana). A medida de atividade física foi efetuada considerando dois períodos de referência: os últimos sete dias e uma semana típica ou normal. A medida das atividades físicas praticadas considerando a referência dos últimos sete dias resultou em prevalência mais elevada de níveis insuficientes de atividade física em comparação à medida considerando a referência da semana típica ou normal (60,8% vs. 54,6%; p < 0,001). Independentemente do período de referência da medida de atividade física, foram identificados os mesmos fatores associados a níveis insuficientes de atividade física, com uma discreta variação na magnitude das medidas de associação desse desfecho com os fatores analisados. Utilizar os últimos sete dias ou uma semana típica como referência para mensurar as atividades físicas parece produzir prevalências de níveis insuficientes de atividade física diferentes, mas fatores associados semelhantes.

Reinterpretação da estrutura teórico-conceitual do conhecimento pedagógico do conteúdo

PID: S1981-46902011000200013 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Marcon Graça Nascimento
O conhecimento pedagógico do conteúdo integra a base de conhecimentos para o ensino - conjunto de conhecimentos necessários ao professor - juntamente com aqueles relativos às características dos alunos, aos conteúdos da matéria de ensino, à pedagogia geral e aos contextos que circundam a aprendizagem. Considerando sua importância na formação inicial de professores, o objetivo deste ensaio foi o de analisar a estrutura da base de conhecimentos dos futuros professores de Educação Física sob a perspectiva do conhecimento pedagógico do conteúdo, buscando contribuir com o debate a respeito do papel desse conhecimento no planejamento e na implementação das situações de ensino e aprendizagem, bem como na formação docente dos estudantes-professores. Diante do referencial teórico analisado, pode-se compreender o conhecimento pedagógico do conteúdo como aquele que o estudante-professor utiliza para, a partir dos seus objetivos, da realidade dos alunos e das características do contexto de ensino e aprendizagem, convocar, gerir e fazer interagir os conhecimentos da base de conhecimentos para o ensino, visando à adaptação, à transformação e à implementação do conhecimento do conteúdo a ser ensinado, de modo a torná-lo compreensível e ensinável aos alunos. Para alcançar esses objetivos, a literatura sugere a aproximação do contexto de formação inicial em Educação Física daquele de atuação profissional do professor na Educação Básica, além da ampliação das oportunidades para que os estudantes-professores se defrontem com diferentes dilemas e situações-problema ao longo da formação inicial. Tais estratégias fomentarão a construção do conhecimento pedagógico do conteúdo e, consequentemente, o delineamento da personalidade docente dos futuros professores.

Relação entre a dimensão do campo de jogo e os comportamentos táticos do jogador de futebol

PID: S1981-46902011000100009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Ano: 2011
Autores: Costa Garganta Juan Greco Mesquita Muller
O presente trabalho teve por objetivo verificar de que modo os comportamentos táticos dos jogadores de Futebol variam perante a alteração das dimensões do campo de jogo. Para tal, foram avaliadas 1476 ações táticas desempenhadas por 12 jogadores da categoria sub-15. O instrumento utilizado para a recolha e a análise dos dados foi o Teste “GR3-3GR”, que permite avaliar as ações táticas desempenhadas por cada um dos jogadores participantes, com e sem bola, de acordo com 10 princípios táticos fundamentais do jogo de Futebol, tendo em conta a localização da ação no campo de jogo e o seu resultado final. A partir dessas informações o teste fornece 13 índices de performance tática do jogador. A análise estatística foi realizada com recurso ao SPSS for Windows, a partir da análise exploratória verificou- se a normalidade da distribuição, aplicando-se também o teste de Shapiro-Wilk, teste de qui- quadrado, teste de Mann- Whitney U (p ≤ 0,05) e teste de fiabilidade. Os resultados mostraram 26 diferenças significativas entre as 76 variáveis analisadas nesse estudo. Destas, 21 demonstraram valores superiores no Campo Menor e somente cinco no Campo Maior. Conclui-se que os comportamentos desempenhados pelos jogadores de Futebol foram influenciados pelas alterações nas dimensões do campo de jogo, principalmente no que concerne a organização defensiva das equipes.
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