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SIGNIFICANTES VAZIOS E IDENTIFICAÇÕES: discursos curriculares pernambucanos

PID: S1982-03052024000400104 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Silva Silva Cunha
Resumo Este artigo apresenta uma investigação exploratória sobre propostas curriculares para a Educação Básica no Estado de Pernambuco. Utilizando a perspectiva discursiva de Laclau e Mouffe, temos como objetivo compreender como as identificações são formadas no contexto educacional pernambucano, destacando os valores que emergem e são articulados ao currículo escolar. A análise concentra-se no Plano de Governo 2023-2026 da governadora eleita Raquel Lyra. Partimos da premissa de que a política educacional funciona como um espaço de produção de significantes vazios, termos simbólicos impossíveis de significação imediata, visto sua ambiguidade e construção em cadeias de equivalência. Concluímos que o poder das retóricas hegemônicas e da proposta de governo analisada é alcançado e sustentado pelo caráter ideológico do discurso, pois, embora os significantes vazios possam parecer ambíguos e imprecisos, é justamente sua indefinição que lhes confere poder nos processos de identificação. Compreendemos que, na Educação Básica, os objetivos de uma vivência curricular democrática ultrapassam a aquisição de conteúdos e valores neoliberais, supostamente universais, ou o aprendizado acadêmico meramente orientado para a obtenção de habilidades e competências voltadas à inserção no mercado de trabalho. Nessa direção, podemos discutir a relação entre o discurso e as construções curriculares, enfatizando a educação na perspectiva da democracia radical.

SOFRIMENTO ÉTICO-POLÍTICO E INTERDIÇÃO DO DIREITO À EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS

PID: S1982-03052024000200115 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Dantas Schneider
Resumo Este artigo é resultado de uma pesquisa que objetivou compreender emoções e sentimentos relatados por jovens, adultos e idosos que sofreram interdições no direito à educação em qualquer fase de suas vidas. O estudo focalizou a entrevista realizada com uma mulher negra e pobre, moradora de um Assentamento no Rio de Janeiro. A investigação adotou a categoria analítica sofrimento ético-político e a interface entre gênero, raça e classe como mediação na análise da dor e sofrimento causados pela negação do direito à educação. A pesquisa adotou abordagem qualitativa e valeu-se da entrevista compreensiva como meio para conhecer histórias de vida perpassadas pela negação de direitos. O estudo revelou o sofrimento provocado pela espoliação humana, afetando direitos fundamentais e a subjetividade da entrevistada. Permitiu concluir ainda que a interdição do direito à educação é um estado complexo que faz confluir o pensar, o sentir e as determinações sociais que resultam no não respeito à dignidade humana.

TECNOLOGIA ASSISTIVA E AUTISMO: um olhar sobre as escolas públicas municipais do Rio de Janeiro

PID: S1982-03052024000400309 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Silva Pedrosa
Resumo Mudanças na educação brasileira determinaram o acesso de alunos com deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD), incluindo o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Altas Habilidades ou Superdotação às classes regulares de ensino. Para garantir esse acesso foi instituído o Atendimento Educacional Especializado (AEE), majoritariamente nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM). O Manual de Orientação do Programa de Implantação de SRM afirma que na composição dessas salas está prevista a Tecnologia Assistiva (TA) que engloba produtos, estratégias, serviços, recursos, metodologias e práticas com o objetivo de promover a participação, autonomia e funcionalidade de pessoas com deficiência, incapacidades permanentes ou momentâneas, mobilidade reduzida e TGD. Este artigo objetiva analisar as falas de 17 professores de SRM de alunos autistas do ensino fundamental de escolas da 8ª Corregedoria Regional de Educação (CRE) da rede pública municipal do Rio de Janeiro, em relação ao contexto e ao uso de TA por esses alunos. Os dados foram coletados em questionários e analisados com base em Bardin. Ficou evidenciado que a maioria dos professores de SRM possui formação inicial generalista para docência, pouco tempo de atuação em SRM e conhecimentos sobre TA, incluindo, em particular, as voltadas para pessoas com autismo. Além disso, constatou-se um grande quantitativo de alunos autistas nas SRM e a falta de articulação entre os professores da SRM e os profissionais da saúde que atendem seus alunos. Portanto, são necessários mais investimentos em TA.

TRABALHO E EDUCAÇÃO DO CAMPO NO VALE DO JURUÁ, ACRE

PID: S1982-03052024000300298 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Nicácio
Resumo A educação do campo, como uma proposta comprometida com as necessidades dos camponeses, compreende a conexão trabalho e escola como essencial para o desenvolvimento no meio rural. Esta pesquisa, analisa as políticas públicas de educação do campo dirigidas aos jovens do Vale do Juruá e suas relações com a pobreza. A problemática elencada para o estudo focou na análise de: quais as relações entre Educação do campo e pobreza para os jovens da região do Vale do Juruá, no estado do Acre? Para tanto, realizou-se um estudo de caso, de cunho qualitativo, através de entrevistas semiestruturas, abordadas por uma análise categorial dialética, mediada pelo software Nvivo. Os resultados do estudo apontam a desvinculação da escola com a materialidade do trabalho nas comunidades e, os problemas estruturais de modalidade de ensino, transporte escolar, alimentação escolar, estrutura física da escola, dentre outros, como os elementos da precarização da educação do campo.

TRAJETÓRIAS DOS PROFESSORES E EDUCADORES SOCIAIS CAIÇARAS DA CIDADE DE IGUAPE - SP

PID: S1982-03052024000100221 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Melo Júnior Bezerra Neto Franco
Resumo Pensar nas trajetórias dos professores e educadores sociais caiçaras da cidade de Iguape - São Paulo (SP) é refletir sobre os caminhos percorridos pelos povos do campo que retiram da terra e de suas tradições ancestrais força para prosseguir lutando por melhores condições de vida, educação, cultura e cidadania. O problema desse artigo traz a seguinte indagação: como se apresentam as trajetórias dos professores e educadores sociais caiçaras do município de Iguape - SP? Buscando responder, tivemos como objetivo analisar a trajetória de professores e educadores sociais caiçaras no município de Iguape - SP. As comunidades tradicionais caiçaras estão situadas nos litorais dos Estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, e apresentam modos de vida semelhantes por realizarem o mutirão de fandango como meio de uma organização social e produzir uma canoa utilizando um único tronco, bem como outros artefatos, num estilo parecido. Além disso, as populações caiçaras resultam da confluência dos indígenas, europeus e africanos que moldam, ao longo dos séculos, as faces dos brasileiros. Esta pesquisa foi fundamentada no materialismo histórico-dialético, no viés qualitativo, coletamos os dados por meio de entrevista semiestruturada. As comunidades tradicionais caiçaras pertencem ao grupo que compõe a educação do/no campo, contudo existe uma peculiaridade única que distinguem das outras comunidades campesinas, cujas características dizem respeito a tirar também do mar, por meio da pesca, o seu sustento.

TRANSCREVIVENCIAR A CRÍTICA À COLONIALIDADE EM AMBIENTES DE EDUCAÇÃO FORMAL

PID: S1982-03052024000300354 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Santos Lopes
Resumo Transcrevivenciar corresponde à ação de propor-agir uma escrita escrevivenciada que seja permeada e atravessada pelas experiências de vidas de pessoas transvestigêneres. Por causa disso, este artigo tem como objetivo promover uma análise transcrevivenciada que suscite transgressões nos processos educativos violentos gerados, reproduzidos e perpetuados pelas colonialidades em ambientes de educação formal. Desse modo, em relação aos dados, estes foram levantados e analisados a partir da evocação das minhas transcrevivências em cinco ambientes educacionais formais. Destes, três foram escolas públicas, duas em que estudei e uma em que trabalho enquanto docente, e uma universidade pública federal, no contexto da graduação e da pós-graduação. Assim, através da análise, notei que (n)esses espaços educativos promovem um processo contínuo de (re)produção da matriz colonial de poder. Por conseguinte, ao desobedecer às epistemologias moderno-coloniais, a pesquisa se insere nas epistemologias de fronteira com a função de pensar e agir desde e com as pessoas subalternizadas do Sul, rompendo, assim, com os processos educativos violentos geridos pela colonialidade. Logo, essa escrita é fronteiriça, desobediente e de(s)colonial.

TRANSPORTAR PARA UMA CASA O SEU PRÓPRIO CORAÇÃO: Armanda Álvaro Alberto através das ideologias do século XX

PID: S1982-03052024000300180 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Lacerda Silva
Resumo O artigo pretende analisar, por meio de uma pesquisa envolvendo fontes bibliográficas e documentais, os embates de forças políticas tais como a eugenia, o higienismo, autoritarismo e o racismo - bem com práticas de resistência a essas mesmas forças - no contexto da educadora Armanda Álvaro Alberto enquanto diretora da Escola Regional do Meriti, em Duque de Caxias-RJ. Na primeira década do século XX, Armanda lidou com diferentes manifestações dessas forças em suas relações sociais, com representações das mais divergentes ideologias. O artigo contextualiza a trajetória da educadora, em epígonos biográficos tais como seu envolvimento na Associação Brasileira de Educação e na União Feminina do Brasil, da qual foi a primeira presidente; seu aprisionamento político; e sua participação como signatária do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. É discutido o uso ofensivo do conceito de comunismo que foi dirigido à Armanda e reflete-se acerca da continuidade no uso desse termo como modo de desqualificar a educação ainda hoje. Nas conclusões são destacados os elementos de inovação pedagógicas presentes em suas propostas e a dimensão afetiva com a qual sua atuação marcou indelevelmente a educação brasileira.

TRILHANDO CAMINHOS: um ensaio autobiográfico sobre a democratização da educação superior no Brasil

PID: S1982-03052024000400400 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Ferreira Ferraz Sarturi
Resumo Este ensaio está entrelaçado à reflexão originada durante a elaboração do projeto de tese para o doutorado em educação. Ele aborda a democratização do acesso ao ensino superior no Brasil, focalizando nas políticas públicas de expansão e interiorização. Construída a partir da abordagem autobiográfica, entrelaçada à trajetória pessoal (micro-história), em relação ao ensino superior, destacando como a conscientização se torna um ato de libertação frente às amarras do mercado e do neoliberalismo (macro-história). Esse exercício é enriquecido com uma revisão bibliográfica fundamentada no legado de Freire (2011, 2019), entre outros, que se concentra na inconclusão e na busca pelo ser mais, permitindo interpretações renovadas das pedagogias que identificam e criticam os interesses de grupos, classes e nações dominantes, enquanto oferecem esperança por dias melhores por meio de estratégias colaborativas inspiradas nos inéditos-viáveis freirianos. Delineando uma formação humana profissional voltada para a pedagogia como prática de libertação e de reflexão-ação, possibilitando que o indivíduo se constitua como sujeito de sua própria história. Um lugar de luta, de resistência e de formação permanente.

UM NÚCLEO DE CONSCIÊNCIA NEGRA NA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO: a idealização de um quilombo

PID: S1982-03052024000300048 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Siqueira Costa
Resumo Este artigo tem como objetivo apresentar o protagonismo de Jupiara Castro, mulher negra e trabalhadora, que foi umas das pessoas que idealizou e fundou um Núcleo de Consciência Negra dentro da Universidade de São Paulo (NCN/USP), em 1987. O objetivo é revelar quem é Jupiara, qual foi a sua missão, sua contribuição e qual legado deixou para as futuras gerações dentro do NCN e fora deste território que entendemos como um quilombo dentro da Universidade. Foram tomadas como fontes de pesquisa: entrevistas com membros do Núcleo, estatuto, publicações e documentos produzidos pelo NCN e pela USP, publicações em outros veículos de informação mais gerais, como periódicos da Universidade e da grande imprensa. Diante das entrevistas e análises dos documentos foi possível constatar que Jupiara promoveu dentro da Universidade de São Paulo um grande debate acerca do racismo, do antirracismo e da posição de inferioridade da(o) negra(o) brasileira(o). Além disso, com o passar do tempo, esse debate político se transformou em ações educacionais direcionadas às comunidades negra e não negra, para promover uma educação crítica, reflexiva e emancipadora. Concluiu-se que Jupiara fundou o Núcleo de Consciência Negra para promover ações afirmativas com o intuito de educar a população negra em atos públicos, cursinho prévestibular, cursos de idiomas, alfabetização, cultura e arte, e reeducar a sociedade sobre as relações étnicoraciais no Brasil, marcando a luta da população negra por ensino superior, que está na gênese das políticas de cotas raciais.

UM OLHAR SOBRE AS DESIGUALDADES ÉTNICO-RACIAIS NO ENSINO MÉDIO

PID: S1982-03052024000300384 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Gonçalves Mendes Dutra
Resumo Ao analisar a história do Ensino Médio no que se refere ao acesso e permanência de jovens nesta etapa da escolarização, jovens negros são protagonistas de anos de exclusão do sistema educacional. Portanto, o objetivo desse estudo foi realizar uma breve discussão mediante os dados do IBGE de 2023 e da nota técnica: “Desigualdades étnico-raciais nas matrículas e na conclusão do Ensino Médio”, produzida pela Organização Não Governamental (ONG) Todos pela Educação. A análise documental possibilitou realizar inferências e estabelecer diálogo com os dados apresentados, contribuindo com os resultados. Pode-se concluir que embora tenha ocorrido crescimento do número de jovens negros no Ensino Médio nos últimos anos, ainda vivemos desafios referente ao acesso e permanência desses jovens nessa etapa da escolarização da Educação Básica, dentre esses desafios encontra-se a permanência das assimetrias sociais nas instituições educacionais, tais como o racismo.

UMA CORREÇÃO NOS DADOS DE MATRÍCULAS DE ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO DE 2019: propostas para melhorar os registros

PID: S1982-03052024000100378 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Oliveira
Resumo Este artigo, que usa como metodologia a análise qualitativa e quantitativa de dados, tem como objetivo responder à causa do explosivo aumento do número de matrículas de alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD) em 2019, comparativamente ao ano de 2018, segundo os dados divulgados no Censo Escolar e na Sinopse Estatística da Educação Básica. Conforme demonstrado no artigo, o número de matrículas de alunos com AH/SD para São Paulo, em 2019, não foi de 32.638 registros, mas de apenas 1.932. Assim, o número dessas matrículas para o Brasil, no mesmo ano, não foi 54.359 e, sim, 23.653 registros. Este superdimensionamento ocorreu por problemas no cômputo dos dados pelas Diretorias de Ensino da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo. Essas correções e atualizações ainda não foram feitas no Censo Escolar nem na Sinopse Estatística da Educação Básica. Neste contexto, o artigo aponta algumas fragilidades, falhas e problemas com os sistemas de coleta e de registros de dados para o cômputo dos números de matrículas de alunos com AH/SD no Censo Escolar. Ainda discute algumas medidas que poderiam ser adotadas para melhorar a eficiência, qualidade e precisão desses sistemas.

“A GUERRA É CULTURAL, P*!”: a alfabetização como trincheira das direitas radicais brasileiras

PID: S1982-03052024000100071 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Lins Cabello Silva
Resumo A partir de uma contextualização teórica e empírica sobre a chamada guerra cultural que impacta o país nos últimos anos, o artigo busca destacar a alfabetização como dispositivo político-instrumental das direitas radicais para a garantia do pleno governo da infância e controle social. Metodologicamente, o trabalho se desenvolve por meio de estudos pós-críticos, no caso, cartográficos. Neste contexto reflexivo, o texto concentra-se no enfoque de direitos e, mais especificamente, no direito humano das crianças à informação e no acesso aos bens culturais e simbólicos, ou seja, às formas de justiça epistêmica. São apresentadas algumas tendências e possíveis impactos dessas políticas para crianças surdas e ouvintes, em que se destaca a vulneração epistêmica em duas investigações e com um embasamento teórico voltado principalmente à perspectiva dos estudos da infância, dos estudos surdos, da história e da filosofia, bem como dos pressupostos freireanos. O trabalho indica elementos sobre como a alfabetização se converte num potente dispositivo político-instrumental do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“ELES COLOCAM UMA REALIDADE LÁ QUE NÃO É A MINHA!”: análise das Práticas e Políticas Curriculares no campo da Educação Física à luz da Clínica da Atividade

PID: S1982-03052024000400107 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Rufino Borges Souza Neto
Resumo O presente estudo objetivou analisar os impactos dos processos reflexivos de professores de Educação Física sobre as políticas curriculares e práticas educativas, utilizando a metodologia da autoconfrontação simples, no contexto da clínica da atividade. Assim, buscou-se compreender como os professores interpretam, adaptam e confrontam as atividades prescritas e reais, revelando as discrepâncias contidas nas políticas curriculares e na prática pedagógica. Os participantes foram seis professores de Educação Física envolvidos em um processo de desenvolvimento profissional docente, os quais tiveram aulas observadas, gravadas, transcritas e analisadas em oito episódios para cada um, por meio da autoconfrontação simples, a qual foi gravada e submetida a análise de conteúdo. Os resultados foram organizados em quatro categorias: 1) a utilização dos currículos oficiais como forma de prescrição do trabalho docente e os desafios da atividade real; 2) dificuldades provenientes da atividade real; 3) limites e contingências que restringem a atividade real; 4) o trabalho prescrito e o real da atividade na conjuntura da Educação Física. Os resultados identificaram saberes tácitos emergentes durante o processo reflexivo, sobretudo na relação entre atividade real e atividade prescrita, bem como reconheceram a dimensão coletiva da atividade e as interações sociais no transcurso do trabalho, revelando ainda como os saberes podem contribuir para os processos de desenvolvimento profissional docente. Nesse sentido, o processo desenvolvido por meio da análise das práticas pode contribuir com práticas formativas galgadas na reflexão e com a reconfiguração de políticas curriculares, tornando-as mais alinhadas com as realidades e necessidades baseadas no trabalho docente.

“ME ACEITAR HOMOSSEXUAL FOI A TRAVESSIA DA MINHA VIDA MAIS DIFÍCIL”: a constituição identitária do corpo-território LGBT+

PID: S1982-03052024000100016 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Cordeiro
Resumo Constituir-se como sujeito/a da diferença é ser atravessado/a por questões outras que o/a reposiciona distante daquilo do que é considerado/a normal, originando movimentos que dificultam o (re)conhecimento e a (auto)aceitação. Nesse movimento, construir-se e desconstruir-se ocorre dentro de sentimentos diversos que vão da negação à aceitação, angústias e sofrimentos. Este texto é resultado de uma pesquisa de doutoramento desenvolvida entre os anos de 2019-2022 que teve, entre outros objetivos, discutir os processos de constituição identitária de sete professores/as transviados/as que trabalham na educação básica do estado da Bahia. Ancorado nas ideias do corpo-território de Eduardo Miranda e “transviad@s” de Berenice Bento enredo os assujeitamentos e as (re)existências de sete docentes autodeclarados/as LGBTQIA+ que contam suas histórias de vida-formação-profissão atravessadas por uma ordem que modelam corpos e atitudes, e cujas pressões e opressões reposicionaram suas singularidades. As histórias foram contadas por meio de entrevista narrativa e de escrita de autorretratos, as quais foram analisadas na perspectiva da teoria de interpretação proposta por Paul Ricoeur. Os resultados apontam nas fragilidades de suas identidades os atravessamentos cisheteronormativos que provocaram medos, recuos e negações de si, bem como adequação ao sistema, produção de performatividades normalizadas e uma vida-formaçãoprofissão demarcada por cuidados, preconceitos e discriminações naturalizadas.

“NA MINHA ÉPOCA O PROFESSOR ERA VALORIZADO, O PROFESSOR ERA GENTE, O PROFESSOR ERA BEM-VISTO”: trajetórias de professoras piauienses em relatos de memória

PID: S1982-03052024000300195 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Vilanova
Resumo Esta pesquisa tem como temática central as trajetórias de professoras piauienses. O objetivo incide em analisar suas trajetórias, com foco no processo de ingresso no magistério e no papel que ocupavam em seus lugares, a partir de relatos de memórias. O recorte temporal definido atravessa as décadas de 1950 e 1970, período no qual as protagonistas ingressaram no magistério. O estudo vincula-se ao campo da História da Educação, associado às postulações da Nova História Cultural. Do ponto de vista metodológico, priorizouse o uso de memórias captadas através da História Oral. Os depoimentos foram coletados por meio de entrevistas realizadas com cinco professoras aposentadas. Esses relatos foram entrecruzados com outras fontes documentais, como mensagens de governo, matérias de jornais, entre outros, que nos auxiliaram na compreensão do contexto estudado. A relevância do trabalho reside no fato de privilegiar personagens comuns, cujas memórias tiraram do silêncio e do esquecimento aspectos de suas trajetórias docentes.

100 ANOS DE PAULO FREIRE, LEITURAS DE NOSSAS HISTÓRIAS: um ensaio autobiográfico sobre relações raciais

PID: S1982-03052023000400336 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Nunes
Resumo Este artigo decorre de uma reflexão provocada pelos eventos comemorativos dos cem anos de nascimento do educador Paulo Freire. A temática proposta, ao referir-se à educação de jovens e adultos (EJA), proporcionou um exercício de re-memória pessoal em relação a essa modalidade de ensino, construindo-se, então, um ato de sistematização das categorias teórico-conceituais atreladas a uma autobiografia. Tal exercício intersecciona-se, amparado com a devida revisão bibliográfica (Fanon, 2008, 2015; Mbembe, 2008, 2016; Quijano, 2010), às dimensões de raça/classe e gênero, cuja leitura social, sob os olhos contemporâneos, faz-se urgente. Revela-se, de forma concludente, como o legado freireano (Freire, 1983, 2000, 2006a, 2006b, 2007), voltado à inconclusão, permite possibilidades de leituras e releituras de pedagogias que denunciam a opressão e tendem a esperançar seus dias com estratégias que Freire nos permite conceber como inéditas e viáveis.

HACKEAMOS A UNIVERSIDADE: disputas e afirmações sobre o (não) lugar das pessoas trans e travestis na universidade

PID: S1982-03052023000200324 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Santos
Resumo Este artigo tem como objetivo problematizar noções de hackeamento e pertencimento, e as disputas sobre a territorialização da universidade através de narrativas de quatro mulheres trans/travestis estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Com esse intuito, entre outubro de 2019 e setembro de 2021, foram realizadas entrevistas individuais, semiestruturadas e em profundidade com quatro mulheres trans/travestis estudantes da UFPE, sobre suas trajetórias de ingresso e permanência na universidade. Nas narrativas aqui apresentadas, acessar a universidade envolve um sentimento de que o espaço acadêmico não é feito para pessoas trans e travestis, mas que nesse acesso encontra-se oportunidades de ressignificar as próprias histórias de vidas e disputar a universidade. As interlocutoras desse estudo destacam, por essa razão, como suas trajetórias acadêmicas são bandeiras e veículos de lutas fundamentais para essa população, deslocando os significados da política e da própria universidade. O termo hackear, que vem da palavra inglesa hack, significa invadir um sistema ou rede computacional, ou usar as técnicas que constituem um sistema contra ele mesmo causando modificações a favor de alguém. Dessa maneira, hackear a universidade é disputá-la por dentro, acessando seus espaços e dispositivos e desconstruindo as lógicas de subalternização e exclusão político-epistêmicas das pessoas trans e travestis.

A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM À LUZ DAS CONTRIBUIÇÕES DE CIPRIANO CARLOS LUCKESI

PID: S1982-03052023000400365 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Feitosa Silva Pires
Resumo Ao longo do tempo, o professor Cipriano Carlos Luckesi sagrou-se referência nos estudos sobre a avaliação da aprendizagem. Conscientes da relevância da avaliação ao processo de ensino-aprendizagem, dialogamos com o professor a respeito da materialização e desafios da avaliação formativa na educação escolar, das repercussões provocadas pelas diferenças regionais no processo de formação docente, da utilização de provas como instrumento de aprovação e reprovação no percurso formativo de professores e dos impasses e potencialidades à avaliação no contexto do retorno ao ensino presencial na educação brasileira. Luckesi é professor aposentado da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Possui graduação em filosofia pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL) e em teologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), mestrado em ciências sociais pela UFBA e doutorado em educação pela PUC-SP. A entrevista reitera a compreensão acerca da avaliação da aprendizagem como instrumento de ascensão à formação qualitativa e emancipatória dos sujeitos.

A CONTEMPORANEIDADE DA PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO EM EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA NO BRASIL

PID: S1982-03052023000200002 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Machado Walter
Resumo O presente artigo tem por objetivo contextualizar o cenário das políticas públicas educacionais inclusivas, bem como assinalar aspectos dos processos e propostas educacionais que possibilitem a concretização de uma educação especial e inclusiva. Tal discussão constitui o cenário a partir do qual são apresentados os artigos que compõem o dossiê temático da Revista Teias, intitulado A contemporaneidade da produção de conhecimento em educação especial e inclusiva no Brasil. Aponta-se que a educação inclusiva vem sendo construída a partir dos avanços nas políticas públicas, bem como nas pesquisas que discutem aspectos epistemológicos e apresentam evidências científicas da efetividade de propostas educacionais, implementadas nos contextos diversos da educação básica e do ensino superior, que contemplam a diversidade de estudantes. Evidencia-se que o dossiê fomenta um espaço para a reflexão tanto sobre as políticas curriculares e de formação de professores quanto sobre as práticas educacionais que articulem a educação especial e inclusiva e remetam ao enfrentamento das desigualdades na educação e à garantia da equidade de acesso, permanência, avanço escolar e aprendizagem a todos os estudantes, especialmente para aqueles que constituem o público-alvo da educação especial. Conclui-se que os estudos apresentados corroboram o entendimento de que a educação especial vem sendo ressignificada e compreendida não mais como um sistema educacional especializado à parte, mas como um arcabouço consistente de saberes teóricos e práticos, estratégias, metodologias e recursos que as escolas precisam dispor para atender à diversidade de estudantes que as constituem.

A EDUCAÇÃO FÍSICA NO NOVO ENSINO MÉDIO: desafios para consolidação nas escolas de Pernambuco

PID: S1982-03052023000400237 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva Brasileiro
Resumo A pesquisa investigou a consolidação da educação física nas escolas do estado de Pernambuco, diante da implementação do novo ensino médio, tendo como objetivo apresentar como está a educação física nestas escolas, diante da implementação do novo ensino médio. Caracterizou-se por um estudo de abordagem qualitativa, tendo como instrumento de coleta uma entrevista com professores/as de educação física da rede estadual de Pernambuco. Os dados foram analisados a partir da análise de conteúdo tipo categorial por temática. Constatamos que esta reforma curricular se encontra longe de sua consolidação nas escolas pernambucanas e que os/as professores/as de educação física não têm conhecimentos aprofundados sobre o novo ensino médio e nem sobre a Base Nacional Comum Curricular.
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