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CURRÍCULO, DIFERENÇA E EDUCAÇÃO INFANTIL: as crianças negras são importantes

PID: S1982-03052023000400042 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva Backes
Resumo O artigo tem como objetivo analisar as relações entre crianças de três anos e destas com os adultos no contexto de uma creche, identificando a possível presença do ideal de branqueamento e da colonialidade. Situa-se teoricamente no campo dos estudos étnico-raciais, problematizando questões relativas ao currículo, à colonialidade e ao ideal de branqueamento. A pesquisa de campo foi realizada em uma creche com crianças de três anos, por meio da observação participante. A análise qualitativa mostrou que meninas brancas são forjadas entre elogios e afetos, e isso as faz pensar que são merecedoras de toda atenção; elas aprendem que são importantes. Já com as meninas negras na creche, acontece o contrário: quanto mais são desprezadas ou tratadas com indiferença, mais se retraem, se calam e se isolam; ainda, quanto mais escuro o tom da pele, maior a indiferença por parte da escola. Estas meninas aprendem que não são importantes ou que são menos importantes que as meninas brancas. Conclui-se que o ideal de branqueamento e a colonialidade pautam as relações entre as crianças e delas com os adultos.

CURRÍCULO-QUILOMBO NA ESCOLA DO FIM DO MUNDO

PID: S1982-03052023000400166 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva Oliveira
Resumo Este estudo trata sobre o currículo-quilombo, a partir da concepção de Beatriz Nascimento, referindo ao currículo descentralizado e em movimento, constituído pelas produções afetivas da negritude no contexto escolar. Assim sendo, espera-se mobilizar uma luta antirracista que está sendo fomentada neste espaço através de performances negras que sensibilizam múltiplas formas de existência, buscando, deste modo, tensionar o pedestal humanista/colonial produzido pela modernidade. Para isso, pretende-se acionar o pensamento negro radical, atrelado ao debate pós-estrutural da diferença, para sensibilizar potências que subvertem a noção de humanidade imposta pelo colonialismo. Em outras palavras, o que interessa para a experimentação deste currículo é justamente essa im/possibilidade de contê-lo, tocá-lo, planejá-lo, classificálo. É nesse currículo que se (des)encontra a luta antirracista, afetiva e afro-diaspórica performada pela negritude no contexto escolar. Portanto, assumindo a impossibilidade de alcançar o status moderno de humanidade, apresenta pistas para a escola após o fim do mundo, a partir do debate proposto por Denise Ferreira da Silva e Wilderson III.

DANÇA/EDUCAÇÃO NAS INFÂNCIAS: marcas na constituição docente

PID: S1982-03052023000100035 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Pillotto Silva Rausch
Resumo O artigo apresenta questões referentes a uma investigação realizada em um núcleo de pesquisa em arte na educação, vinculado a uma universidade comunitária. O objetivo é compreender como as experiências com a dança/educação nas infâncias, estão imbricadas na constituição docente e identitária, uma vez que somos movidos por memórias e atitudes. As ações escolares, por vezes, não dão o devido valor à dança, que geralmente é tratada apenas como meio de competição e entretenimento. A pesquisa tem abordagem narrativa (ABRAHÃO, BRAGANÇA, ARAÚJO, 2014) considerando nossas memórias e experiências, embasadas no imaginário, em estudos e em nossas práticas docentes. A produção e interpretação de dados, foram extraídas de nossas conversas sobre autores estudados e sobre narrativas, memórias, experiências estéticas e docentes (vídeos, cadernos de experiências, portfólios, anotações fotografias). Os resultados indicaram que ao relacionar memórias de infâncias aos aspectos conceituais e metodológicos, reitera-se a ideia de que a dança, tanto na educação formal como nos espaços não formais, são movimentos de pensares e sentires, integrando processos de cognição, crítica e sensibilidades. Além disso, a constituição docente está atrelada as experiências constituídas ao longo do percurso passado e presente, que de algum modo sinalizará também o futuro. É um processo contínuo e cíclico, que integra sobretudo, as sensibilidades, as relações com o outro e o modo de estar no mundo.

DAS CLASSES ESPECIAIS À EDUCAÇÃO INCLUSIVA: um estudo sobre o sistema de educação de Miracema/RJ

PID: S1982-03052023000200219 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Gomes Barcellos
Resumo Este estudo reúne relatos sobre o sistema de educação do município de Miracema, compartilhando narrativas de profissionais que atuaram diretamente nas classes especiais e, a partir daí, enumera os principais desafios e as conquistas no salvaguardo do direito à educação para pessoas com deficiência e na implementação da educação especial na perspectiva da educação inclusiva em âmbito municipal. Metodologicamente, para além da pesquisa narrativa, utilizamos fontes bibliográficas (em bases selecionadas) e documentais (pertencentes a acervos existentes nos arquivos pessoais dos profissionais de educação que trabalharam nas extintas classes especiais e/ou nas escolas que possuíam tais classes). O objetivo foi abordar como tem se dado a implementação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) no sistema educacional municipal, valendo-nos da percepção de sujeitos envolvidos na passagem das classes especiais segregadoras para a educação inclusiva. Percebemos que, sob a percepção de professores/as, profissionais da educação, ex-alunos/as e familiares, as melhorias na infraestrutura, capacitação de profissionais e integração dos serviços de saúde e educação ofertados a estudantes com deficiências sempre foram necessários e buscamos compreender se a educação especial multidisciplinar e multiprofissional atualmente existente materializa os preceitos de uma educação inclusiva na prática.

DAS IDENTIDADES ÀS EXPERIÊNCIAS: travessias no território surdo

PID: S1982-03052023000200185 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Scremin Lunardi-Lazzarin
Resumo Neste artigo, problematizam-se narrativas sobre identidades Codas, como são denominados os filhos ouvintes de pais surdos, com suas marcas e impressões dos modos de vida surdo e ouvinte. Busca-se desconstruir a ideia de uma identidade Coda essencializada, marcada por modos de vida da cultura surda e reduzida a um modelo padrão, para pensarmos em uma matriz de experiência Coda (modos de vida-identidade-subjetividade). Os caminhos metodológicos perpassam cinco produções sobre a temática Coda, em que são identificadas algumas recorrências de marcas culturais surdas e ouvintes, envolvidas na malha discursiva sobre surdez. Entende-se que as recorrências ordenam e conduzem processos de constituição do Coda e que olhar para esta constituição pela matriz de experiência amplia as possibilidades de o Coda ser o sujeito da experiência. Assim, a discussão sobre identidade passa a ser entendida pelo viés de identificação cultural dos Codas como grupo, situando-se sua constituição subjetiva na experiência única e singular de sua história de vida.

DESAFIOS DA PRÁTICA EDUCACIONAL AO ESTUDANTE SURDO EM SUA ALTERIDADE

PID: S1982-03052023000200160 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Santos
Resumo O marco internacional das conquistas da política de inclusão foi a declaração de Salamanca, que assegura o direito educacional à pessoa surda. Essa conquista, no Brasil, adquire maior visibilidade com a publicação de algumas leis e documentos oficiais, pós-Constituição Federal de 1988, que orientam sobre esse ensino, tanto nas instituições públicas como privadas, com amparo pedagógico condizente a suas especificidades e, ainda, reconhecem as referências sócio-histórico-culturais da população surda. Este estudo analisou o processo educacional do surdo sob o aporte teórico de autores como Lodi (2011), Perlin e Strobel (2008), Miorando (2006), Quadros e Schmiedt (2006), Mantoan (2003), entre outros que abordam a temática voltada à educação e à cultura do povo surdo. A pesquisa se caracteriza exploratória, do ponto de vista de seu objetivo, bibliográfica e documental por seus procedimentos. O resultado da pesquisa apontou variados desafios, os quais perpassam o modo como se organiza o processo educacional, que reafirma o enrijecimento da prática educativa, logo, dificulta o processo do ensino-aprendizagem, bem como suprime a expressão identitária do estudante surdo, nomeadamente, a privação da sua língua natural. Os achados sugerem, portanto, a necessária reflexão das políticas educacionais inclusivas, especialmente em relação à adequada formação inicial ou continuada do professor; à conscientização dos pais de estudantes surdos e, no campo da linguística, a ausência e/ou a não efetivação de políticas públicas à prática didática que fomente o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

DIREITO À EDUCAÇÃO E PANDEMIA NO BRASIL: um estudo com base no Censo Escolar 2020

PID: S1982-03052023000400249 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Ferreira Barbosa Santos
Resumo No Brasil, o direito à educação pública e a universalidade do acesso à educação básica são conquistas recentes. Ainda assim, problemas preexistentes na construção do vínculo escolar já deixavam à margem das redes de ensino um contingente expressivo de crianças e adolescentes. A pandemia de Covid-19 agravou o problema, uma vez que, ao impor a necessidade de afastamento social, e a realização de aulas não presenciais, interpôs, entre a instituição e seus alunos, a exigência de um conjunto de equipamentos, tecnologias e habilidades, cuja disponibilidade e acesso estão longe de serem equânimes. Nesse artigo, a partir de uma seleção de dados do Censo Escolar 2020 referentes à disponibilização de recursos, equipamentos e estratégias de ensino não presenciais ao conjunto de escolas que atendem ao ensino básico, buscaremos compreender os agudos desafios impostos ao exercício do direito à educação, ao longo do primeiro ano de pandemia de Covid -19, no país. Os achados demonstram que, a necessidade de uso de mediações técnicas e infraestruturais no processo de escolarização, em especial na etapa fundamental, colocou obstáculos ao direito de acesso à educação no país, agudizando as desigualdades educacionais e vulnerabilizando, provavelmente, todo uma geração escolar.

DISCURSO EDUCACIONAL CONTEMPORÂNEO: nota sobre um inventário analógico de Julio Groppa Aquino

PID: S1982-03052023000200372 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Costa
Resumo Discurso educacional contemporâneo: inventário analógico, de Julio Groppa Aquino, reúne 5.000 excertos de 1.165 entrevistas concedidas por 896 expoentes do campo pedagógico brasileiro nas últimas quatro décadas. O corpus documental é composto de 10 revistas de referência na imprensa periódica educacional. Trata-se de um amplo quadro diacrônico, que diz respeito tanto à história das narrativas pedagógicas em curso no país quanto à da intrincada mecânica de governamento docente apregoado pela expertise educacional em destaque. Nesta resenha, destaca-se à apropriação e a montagem como estratégias de pesquisa com o arquivo, noção que o autor mobiliza desde Michel Foucault e seus interlocutores. Longe de se configurar como um trabalho de reposição e interpretação dos textos selecionados, a obra instaura um movimento de hibridação e transcriação discursiva, cujos efeitos sugerem novos estilos de presença para as práticas educativas na atualidade.

DOCÊNCIA, FAMÍLIA E CURRÍCULO: o vazio de sentidos para a docência na política curricular familista

PID: S1982-03052023000300023 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva
Resumo O artigo discute o esvaziamento de sentidos docentes a partir do fortalecimento de políticas curriculares familistas no Brasil, as quais endereçando-se prioritariamente à família tradicional, como instância de ensinoaprendizagem, invertem a prioridade do interesse público para investir na ordem privada. Com o objetivo de analisar o esvaziamento discursivo da formação docente como um desdobramento da onda reacionárioconservadora da última década, realiza-se uma análise discursiva ancorada na pesquisa qualitativa documental, a partir de materiais do Programa Conta pra Mim que integra a Política Nacional de Alfabetização (PNA). Para tanto, este texto adota a perspectiva pós-estrutural da teoria do discurso de Laclau e Mouffe (2015) como arcabouço teórico-analítico, junto a considerações amparadas na filosofia da diferença de Derrida (2016) e no conceito de lógicas fantasmáticas de Glynos e Howarth (2007). Ante a isto, os achados permitem significar o Conta pra Mim como uma proposição de currículo embebida no familismo contemporâneo, afeita a sedimentação de sentidos neoconservadores e neoliberais e aliada aos interesses daqueles que intentam fragilizar os espaços-tempos da docência nas disputas por hegemonia educacional.

EDUCAR PARA A CRÍTICA, PLURALIDADE E MUDANÇA SOCIAL: notas desde a educação em direitos humanos

PID: S1982-03052023000500327 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Cardoso
Resumo Argumento neste ensaio que as aprendizagens ética, política e social em direitos humanos precisam ser tratadas como interdependentes, dialógicas e não estanques. Para tanto, questiono sobre a complexa - e ininterrupta - tarefa de pensar os fundamentos que dimensionam e orientam o ato de educar em direitos humanos. Ainda, problematizo algumas premissas como forma de ressaltar elementos que podem ser considerados como o núcleo ético que interliga a educação em direitos humanos e os processos de luta por direitos. Problematizo algumas condições que decorrem da formação de um amplo olhar sobre a dinâmica da vida social, que pode - e precisa - ser gestado no cotidiano de luta por direitos, na práxis que movimenta as novas subjetividades e a resistência política e educacional contra o autoritarismo. Por fim, amplio os pressupostos apresentados ao sugerir algumas intersecções entre o campo da educação em direitos humanos e os ideais de Paulo Freire, sobretudo acerca da problematização crítica do cotidiano.

EDUCAÇÃO E SURDEZ: a língua escrita como instrumento de exclusão social

PID: S1982-03052023000200148 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Lima
Resumo Este artigo é parte de uma pesquisa enveredada no campo da educação de surdos, cujo objetivo foi refletir sobre a importância de se pensar no ensino da língua escrita para esses estudantes. Por meio de um estudo teórico-conceitual, com caráter exploratório, pautado em autores como Senna (2010), Auroux (1992), Delacampagne (1997) e outros, a investigação se justifica pela necessidade de análise da predominância da língua portuguesa como instrumento de poder e canal único de conhecimento, questão que ultrapassa e se contrapõe às determinações legais que fortalecem o reconhecimento da língua de sinais em âmbito nacional. Os resultados alcançados sinalizam que, embora existam trabalhos que defendem o ensino bilingue para surdos no contexto escolar, muitos desses estudantes ainda são prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo, socioafetivo, linguístico e político-cultural, o que reflete perdas consideráveis no desenvolvimento da aprendizagem. Diante dessas constatações, destaca-se a necessidade de se (re)pensar os métodos e/ou estratégias mais adequadas ao ensino da gramática da língua portuguesa para surdos, levando em conta os desafios e possiblidades de cada aprendiz.

EFEITOS INTERSECCIONAIS DAS VIOLAÇÕES DE DIREITOS: Territórios da pobreza infantil

PID: S1982-03052023000500058 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Eyng Pacheco Padilha
Resumo As infâncias e juventudes em situação de pobreza infantil multidimensional se encontram enredadas pelos efeitos interseccionais das violações de seus direitos. Essas problemáticas ficam evidentes em uma pesquisa empírica realizada no âmbito latino-americano que retrata essas violências cotidianas sobre os corpos e as vidas de meninas e meninos nas periferias do saber/poder. Tais vidas, ameaçadas, ignoradas e frequentemente descartadas (dados do Mapa da Violência), interseccionam as possibilidades identitárias juvenis. Cenas do cotidiano, captadas pelos dados de pesquisa que promoveu a escuta das falas de 504 crianças e adolescentes, situam traços identitários interseccionados pelas violências econômicas, políticas, sociais e culturais. A interseccionalidade dos efeitos das violências nas condições de vida das infâncias requer políticas e programas que concebam e efetivem o conjunto de direitos de modo indissociável, na perspectiva intersetorial. Assim, a garantia interseccional de direitos nos permite esperançar a superação dos riscos e ameaças das violências interseccionais que incidem sobre a infância.

EM RODAS DE MEMÓRIAS: as africanidades em infâncias

PID: S1982-03052023000500152 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Pereira Lopes
Resumo Este artigo é o resultado de uma das muitas rodas de conversa que compõem a dissertação de mestrado: Rodas e fogueiras aos pés das grandes rochas - onde a escuta precede a fala: um exercício de escuta de múltiplas tradições orais do Oeste africano. Rodas de conversas que reuniram diversas vozes ao redor de fogueiras ancestrais e rochas milenares, e que aos poucos, nos levaram a compreender como a oralidade e o papel dos mestres das tradições orais se presentificam na constituição do ser humano e das sociedades. Aceitaram o nosso convite, vozes da velha e da jovem África, vozes de algumas das civilizações negras tradicionais do oeste africano, mais especificamente, da região sudano-saheliana. A dissertação dialogou com algumas obras do filósofo africano Amadou Hampâté Bâ e outros autores e autoras africanos, assim como com o djeli Sotigui Kouyaté e outros djeli e contadores de histórias da tradição do Manden. Por fim, encontros com africanos da região sudano-saheliana - estudantes, professores e contadores de histórias - acabaram por delinear a relevância da transmissão oral, dos mestres tradicionais e dos espaços formativos tradicionais nos dias atuais. Fruto de uma escuta ampliada pautada no protagonismo africano, o presente artigo configura-se num grande encontro - uma roda de conversa que se desdobra a partir de outras rodas - e pauta-se nas narrativas dos meus interlocutores africanos contemporâneos.

EMPRETECER O CURRÍCULO: por uma comunidade escolar [e não escolar] antirracista

PID: S1982-03052023000300055 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva Rosa
Resumo O entendimento da escola como uma comunidade amorosa nos provoca a imaginar e produzir um currículo antirracista. Empretecer o currículo significa quebrar estereótipos e produzir outros imaginários sobre a população negra, seja brasileira ou afrodiaspórica. Se a representação negra no currículo tradicional é marcada pela vitimização, submissão, subalternização ou pela exotização dessa população, reforçadas pelas datas comemorativas, a Lei n. 10.639/2003 possibilita forjar outras representações emancipatórias. Por ocasião dos 20 anos de promulgação dessa Lei, pretende-se discutir a possibilidade de empretecer o currículo para construir uma comunidade escolar [e não escolar] antirracista. Desde uma perspectiva epistêmica decolonial, o texto explora e se ancora nas proposições de bell hooks, inspiradas nas ideias freirianas, para pensar um currículo antirracista.

ENCRUZILHANDO ESPAÇOS-TEMPOS ATRA-VERSADOS E(M) COTIDIANOS, JUVENTUDES, NEGRITUDES E QUILOMBO

PID: S1982-03052023000500166 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Oliveira Andrade
Resumo O presente trabalho visa refletir acerca das questões que envolvem pensar sobre as juventudes quilombolas. Como parte de uma investigação ainda em andamento, objetiva-se no texto abordar aspectos e escolhas teóricas sobre a temática, bem como apontar caminhos e abordagens que vem sendo utilizadas, de forma a perceber as pluralidades que envolvem pensar cotidianos, juventudes e negritudes e quilombo. Parte-se principalmente dos conceitos de encruzilhada, encantamento e cotidianos. Entende-se e defende-se que, lançar os sentidos sobre esses jovens, é entendê-los como sujeitos plurais, não fixos ou determinados por uma ou outra categorização - o quilombola, o rural, o jovem - mas, forjando-se e rasurando-se nas invenções cotidianas, além disso, afirma-se que o cotidiano enquanto espaçotempo de resistência e potência, permite refletir sobre os sentidos ligados a ideia de juventude quilombola. Percebe-se que, no fazer cotidiano, seja nas lutas pelos direitos da comunidade, nos eventos organizados, na relação com os mais velhos, essas juventudes se constroem e dão sentidos próprios ao ser quilombola.

ENRIQUECIMENTO CURRICULAR COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA PARA ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO: uma possibilidade de inclusão escolar

PID: S1982-03052023000100125 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Rech Negrini Santos
Resumo Tendo em conta o atual contexto da educação inclusiva, é fundamental que seja discutido a respeito de práticas pedagógicas para alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD), de modo a dar visibilidade para estes alunos que se encontram no espaço escolar já que, em alguns casos, eles não recebem o atendimento educacional especializado ao qual têm direito. Nesse contexto, este texto tem por finalidade debater sobre a importância da implementação de práticas pedagógicas inclusivas, focalizando no enriquecimento curricular como estratégia que visa proporcionar a suplementação curricular para os alunos com AH/SD. Para tanto, este estudo foi ancorado em uma abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso, apresentando os resultados da parceria realizada entre educação superior e educação básica, durante a qual foi realizado o enriquecimento para alunos com AH/SD, ao longo do ano de 2019. Os resultados apontam para a relevância da aproximação das duas instâncias educacionais, no intuito de viabilizar o diálogo e a construção de um trabalho conjunto com o objetivo de promover a inclusão escolar dos alunos com AH/SD. Além disso, verificou-se que o enriquecimento ofertado tanto de forma extracurricular (pela universidade) quanto intracurricular, na sala de recursos multifuncionais (pela escola), complementaram-se e foram relevantes para que esses alunos pudessem construir e/ou fortalecer sua identidade enquanto sujeitos com AH/SD, assim como terem garantido o desenvolvimento de suas habilidades e potenciais. Por outro lado, constatou-se que é necessário ampliar a prática pedagógica, buscando também o enriquecimento intracurricular para a sala de aula comum, envolvendo, desse modo, o professor regente.

ENSINO DAS CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E A CONTEXTUALIZAÇÃO DE SABERES: uma análise do currículo de formação docente

PID: S1982-03052023000100291 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva Ramos
Resumo O presente trabalho teve como objetivo analisar os componentes curriculares do curso de licenciatura em ciências biológicas de uma universidade pública no estado de Pernambuco para assim descrever se estes contribuem para a sensibilização dos professores e valorização de conhecimentos culturas locais em aulas de ciências e biologia e atuar no desenvolvimento de estratégias que promovam um ensino de ciências/biologia contextualizado. Para isso foi feita uma análise ao currículo do curso, através de leitura das ementas, conteúdos programáticos, objetivos e competências contidos nos componentes curriculares, a partir de algumas abordagens, posteriormente foram feitas categorizações e análise de conteúdo das informações contidas nesses componentes. No geral, foram analisadas nove disciplinas por se relacionarem com as abordagens selecionadas e atenderem a proposta de investigação desse trabalho. As análises indicam que os componentes curriculares trazem abordagens vinculadas com a diversidade cultural, o que pode contribuir para uma formação que promova a sensibilização dos futuros professores para o diálogo intercultural nas salas de aula de ciências/biologia e metodologias que relacionem os conteúdos científicos às realidades locais escolares no que tange à diversidade cultural escolar, possibilitando assim um ensino contextualizado. Todavia, é preciso pontuar que nem sempre os elementos propostos são de fato vivencializados nos cursos de formação, necessitando assim de pesquisas mais pontuais que acompanhem o desenvolver das disciplinas cotidianamente.

ENTRELAÇANDO LINGUAGENS E HISTÓRIA: Práticas de tortura contemporânea a partir da visão do letramento crítico

PID: S1982-03052023000300230 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Aguiar Milea
Resumo O presente trabalho pretende conectar, de forma transdisciplinar, o ensino de linguagens e história, por meio da discussão e elaboração de uma proposta didática, orientada pelos preceitos filosóficos-educacionaisculturais do letramento crítico (DUBOC, 2014, AGUIAR, 2021, 2022, SHOR, 1999, BISHOP, 2014; CARBONIERI, 2016;,LEWISON, FLINT, VAN SLUYS, 2002,GONZÁLEZ-MILEA, GARCÍA-RUIZ, 2021). A ideia é refletir sobre as práticas de tortura institucionalizadas, sobretudo na época da ditadura militar brasileira (1964-1985), e entender suas heranças na contemporaneidade por meio de métodos de torturas veladas, cada vez mais sofisticadas. O importante aqui é nomear o que está ocultado, e construir com os estudantes caminhos alternativos para entender a história que a história não conta.

EU BRINCO, TU BRINCAS, NÓS BRINCAMOS: o corpo e o movimento na formação de professores para a educação infantil

PID: S1982-03052023000200309 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Camargo Dornelles
Resumo Tomamos como ponto de partida as inquietações acerca do brincar no cotidiano da educação infantil, considerando que a formação do professor é um importante elemento para a valorização e o redimensionamento do brincar. Nesta perspectiva, nos propusemos a investigar e discutir o brincar na formação de professores para a EI, permeado por uma compreensão das crianças, de suas infâncias e das instituições de ensino a elas destinadas. Trazemos uma discussão teórica sobre a temática, apresentando abordagens de estudiosos do brincar, do corpo em movimento e da formação de professores, articuladas a algumas falas de acadêmicos de pedagogia sobre brincar, o corpo e o movimento na sua formação, no curso superior. Neste emaranhado de falas, referências e análises, tratamos do brincar, do corpo e da acrobacia cotidiana que é educar e aprender com as crianças, considerando que a formação de professores de EI precisa estar vinculada ao movimento, à vivência estética e à compreensão da arte e das culturas infantis.

EXERCÍCIOS DE LIVROS DIDÁTICOS E AVALIAÇÃO DEMOCRÁTICA DAS APRENDIZAGENS

PID: S1982-03052023000100394 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Bomfim
Resumo Considerando o acúmulo de discussões desenvolvidas no campo dos estudos e pesquisas em/sobre avaliação educacional, a proposta desse ensaio é problematizar os exercícios e atividades propostos em livros didáticos como instrumentos de avaliação da aprendizagem. A partir de uma abordagem discursiva inscrita na pauta pós-fundacional (MARCHART, 2009) - que questiona os essencialismos transcendentais que assumem condição de fundamento último nos processos de significação do social - os argumentos mobilizados neste texto produzem deslocamentos de sentidos hegemonizados sobre significantes como aprendizagem - a partir das contribuições de Biesta (2017) e Gabriel (2016); e avaliação - a partir dos estudos de Álvarez Méndez (2001, 2017) e Fernandes (2009), reverberando na proposição de uma avaliação democrática das aprendizagens (MARTINS, 2020), na qual os exercícios de livros didáticos assumem a condição de ser um de seus instrumentos por consistirem em espaços privilegiados para feedback e regulação.
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