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EXERCÍCIOS PARA UMA FORMAÇÃO DOCENTE INVENTIVA COM O CINEMA E A PSICOLOGIA

PID: S1982-03052023000300154 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Omelczuk
Resumo O artigo apresenta proposições e resultados de pesquisas para o campo da formação docente inventiva (Barbosa, Dias e Peluso, 2013; Dias, 2009, 2011, 2012; Kastrup, 2005) desenvolvidos com o cinema (Bergala, 2008; Fresquet, 2013; Migliorin, 2015) junto à disciplina de Psicologia da Educação, a qual é oferecida para diferentes cursos de licenciaturas. Para tanto, são definidos os fundamentos epistemológicos que sustentam a proposta de uma formação inventiva, além de referências e pesquisas sobre o ensino de psicologia e conteúdos que integram a ementa dessa disciplina nas licenciaturas, destacando modos de relação com esses saberes e suas políticas cognitivas. Em seguida, são apresentados os filmes O garoto selvagem (1969), de François Truffaut, e Jonas e o circo sem lona (2015), de Paula Gomes, que intensificam temas clássicos do campo psicológico para a formação de professores. Posteriormente, são expostos dois exercícios de criação cinematográfica realizados com esses filmes e as contribuições dessas atividades para uma formação docente inventiva com o cinema e a psicologia.

EXPANSÃO E EVASÃO: as ambivalências do ensino superior no Brasil

PID: S1982-03052023000400200 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Pfeiffer Prestes Santos
Resumo Nas sociedades modernas, a educação ocupa uma função estratégica, tanto para o desenvolvimento econômico, cultural e social, como na construção de identidades individuais e suas chances na vida. A educação superior é, nas sociedades atuais, a principal responsável pela formação pessoal e profissional de indivíduos para o desenvolvimento científico-tecnológico, cuja expansão se tornou um fenômeno global que abrange todos os países do mundo. O Brasil, nas últimas décadas, impulsado por uma política educacional expansionista, apresentou um crescimento extraordinário de matrículas e instituições conduzido, sobretudo, pelo setor privado. No entanto, se observou, um forte crescimento das taxas de evasão em todos os setores do ensino superior. Frente a essa situação, o presente estudo objetivou analisar, adotando os procedimentos metodológicos da pesquisa de natureza quantitativa, a relação entre expansão e evasão universitária no Brasil até o ano 2019, bem como desenvolver hipóteses no tocante às causas subjacentes desse fenômeno. Foi feito um levantamento, por ano, dos registros censitários de evasão existentes na base de dados do INEP/MEC, no período de 2000-2020, posteriormente agregados ao nível do sistema do ensino superior para ser analisado o comportamento da evasão nesse Sistema. Se utilizou o software SPSS que, em sincronia com os estudos e cálculos propiciados pelo próprio INEP, permitiu, mediante um modelo longitudinal dinâmico, as análises estatísticas observando-se as variáveis e indicadores referentes a ingresso, conclusão e abandono por ano, diferenciando-os em setor público e privado. Como hipóteses, atribui-se que o despreparo do alunado para acompanhar as aulas; a falta de identificação com o curso ou desinformação na opção por uma carreira profissional; a falta de condições financeiras ou insegurança de obter um trabalho ao término do curso, contribuem para provocar a evasão. Que sempre haverá jovens que não conhecem ainda sua própria vocação; que entram na faculdade por pressão de familiares e amigos ou por falta de alternativas; que têm uma imagem dos conteúdos e exigências de um curso fora do real ou que não é considerado atrativo para o mercado de trabalho. Conclui-se que o desafio de reverter a tendência de declínio da produtividade concomitante com o aumento da taxa de evasão continua sendo para todos os atores e stakeholders a prioridade absoluta nos próximos anos.

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA DESCOLONIZADORA: desenvolvimento da consciência de si e do outro

PID: S1982-03052023000500019 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Pissinatti Mori
Resumo O trabalho com o texto literário na sala de aula constitui uma ferramenta para o desenvolvimento de um sujeito reflexivo e crítico. A experiência estética descolonizadora se apresenta como um dos caminhos possíveis nesse processo. A pesquisa teve por objetivo identificar os contrastes nas produções de surdos e ouvintes e o desenvolvimento da consciência de si, a partir da intervenção pedagógica com a literatura. Para tanto, foram utilizados os pressupostos de Lev S. Vigotski, em diálogo com autores dos estudos póscoloniais. A pesquisa foi realizada com alunos surdos e ouvintes de uma escola estadual de ensino fundamental II. A metodologia pautou-se nos pressupostos de Yves Lenoir para a intervenção pedagógica e de Rildo Cosson, no que concerne às etapas da sequência básica. A análise aprofundou os dados obtidos na etapa da interpretação vivenciada na sequência básica. Os resultados indicam o texto literário como espaço de desenvolvimento da consciência de si e do outro, descolonizando o preconceito em relação ao diferente e oportunizando, assim, uma experiência estética descolonizadora de práticas excludentes.

FECHAMENTO DAS ESCOLAS DO CAMPO: entre os territórios de articulação, resistência e luta

PID: S1982-03052023000100330 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Oliveira Silva Silva
Resumo Neste artigo, busca-se promover uma reflexão a partir da análise do papel organizacional da sociedade civil na luta contra o fechamento das escolas do campo, com o objetivo de traçar um panorama sobre as articulações em defesa da educação do campo e apresentar um estudo de caso, referente ao processo de resistência e luta relacionada à reabertura da Escola Municipal Maria Emília Maracajá, localizada no sítio São José do Bonfim, no munícipio de Areia, Paraíba. Os pressupostos teóricos que fundamentam esta pesquisa ancoram-se nos estudos de Arroyo (2008, 2014), Caldart (2008), Molina (2008), e outros estudiosos que se debruçam e contribuem nos territórios da educação do campo. A base metodológica utilizada orienta-se por meio da abordagem qualitativa e da pesquisa participante, a partir dos estudos de Brandão (2006) e Yin (2001). Os dados observados no censo deixam explícita a opção pela negação ao direito à escola nos territórios camponeses, à medida que há uma crescente no fechamento das escolas do campo, com destaque para a região Nordeste. Apesar disso, a sociedade tem-se organizado em rede e empenhado esforços para alterar essa realidade e alcançar conquistas a partir da luta contra o fechamento dessas escolas. A reabertura da Escola Maria Emília Maracajá é reflexo dessa organização e demonstra o poder da articulação dos sujeitos em defesa de seus direitos.

FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) E PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO: notas para pensar o educar na tensão da diferença

PID: S1982-03052023000300305 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Pilan
Resumo O objetivo deste ensaio é pensar a formação de professores(as) com a filosofia da diferença, disparando alguns sentidos possíveis que este atravessamento pode fazer surgir. Há um esforço neste trabalho em pensar outras expressões de vida docente, mais atentas aos desatinos da diferença, e que precisam ser disparadas: estes modos outros de vida educadora só podem ser ousados, subversivos, clandestinos e provocadores da formação de professores(as) em seu formato hegemônico, constituído pela tríade religiãociência-lei (CORAZZA, 1999). A filosofia da diferença rasga os tecidos e modelos hegemônicos de enquadramento social, fazendo ver os fluxos inventivos e criadores da vida em diferenciação, que pede passagem. Tal provocação ecoa também na educação escolar, na formação de professores(as). A fluidez da vida, dos corpos em seus fluxos vitais, se vista para além dos modelos, pode deslocar uma vida docente ao interesse mais pelo encontro com o outro, do que pelo julgamento do outro. Assim, dar atenção à diferença por parte de uma vida docente é uma disposição exigente e inventiva, em que a produção de subjetividade do(a) professor(a) torna-se sua mais notável tarefa formativa: escavar-se a si, resistir àquilo que se é para criar outro(a) de si mesmo. Dispor-se a constante escavação de si envolve fluxos desviantes dos modelos que habitam uma vida educadora, implica a constante preocupação em escapar por linhas de fuga que criem fendas e cesuras na uniformidade e homogeneização curricular dos processos educacionais escolares. Pensar a formação de professores(as) na tensão da diferença faz fluir outros sentidos possíveis em que a formaação se desloca pela via da alteridade, e não apenas se molda pela via da identidade oferecida pelos modelos. São possíveis formações outras: inventivas e criadoras, em que se duvida do educador(a) que se é, inventase outro(a) de si mesmo(a), por meio de um cuidado com sua presença ética-estética-política no mundo e nos territórios escolares. Por fim, são expostas algumas divagações sobre possíveis técnicas existenciais que podem ser potentes, subversivas e inventivas na vida docente que se arrisca a educar em meio à vida e à diferença, e não apenas submete-se aos modelos.

FORMAÇÃO DOCENTE A DISTÂNCIA: um movimento histórico sob a perspectiva das teses e dissertações

PID: S1982-03052023000200360 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Diniz Baptista
Resumo O fenômeno problematizado a seguir tem sido alvo das reflexões de diversos pesquisadores, como atestam as teses e dissertações ora discutidas. A formação de professores a distância caminha a passos largos e o objetivo deste artigo é evidenciar o movimento histórico, portanto, contraditório, que marca o processo em curso, sob a perspectiva das produções acadêmicas desenvolvidas em universidades brasileiras, durante as duas primeiras décadas do século XXI. Foram analisados 21 desses trabalhos desenvolvidos entre os anos de 2006 e 2021, tendo como amparo metodológico o materialismo históricodialético, a partir do qual o pesquisador é capaz de identificar as contradições do fenômeno abordado. Os resultados indicam, entre outros aspectos, a vertente democratizante da modalidade em questão sem negar, entretanto, as ações consideradas danosas à formação docente, a exemplo da massificação muitas vezes inerente aos cursos desenvolvidos nesses moldes. Acredita-se que as análises apresentadas contribuem para o planejamento de cursos a distância voltados à formação docente, uma vez que as experiências relatadas pelos pesquisadores foram desenvolvidas em diversos estados brasileiros e sob a orientação das mais variadas propostas, com destaque para a Universidade Aberta do Brasil (UAB).

FORMAÇÃO DOCENTE PARA O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO POR MEIO DA PESQUISA-AÇÃO

PID: S1982-03052023000200198 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Mascaro Estef
Resumo O artigo se insere na temática sobre práticas pedagógicas com estudantes jovens e adultos com deficiência intelectual mediadas por tecnologias. Tem como objetivo apresentar um relato de experiência sobre uma formação docente pelo viés da pesquisa-ação para atuação docente no Atendimento Educacional Especializado (AEE) remoto. A proposta formativa tem como foco a aplicação do Plano Educacional Individualizado (PEI) com ênfase na alfabetização e letramento. Tendo como base a tríade do pilar universitário: ensino, pesquisa e extensão foi elaborada uma formação teórica e prática coadunando pesquisas sobre o PEI, o AEE, alfabetização e letramento do alunado jovem e adultos com deficiência. A opção metodológica foi a pesquisa-ação que permitiu o planejamento, desenvolvimento e avaliação da proposta com os participantes (professores, estudantes com deficiência intelectual e agentes de apoio domiciliares). O estudo aconteceu em todas as suas etapas em ambiente virtual, mediado por tecnologias. Como resultados relevantes, aponta-se o ineditismo de uma modalidade AEE remoto para atuação com esse alunado, além da estruturação de um trabalho pedagógico personalizado para o ensino de leitura, escrita e letramento. Quanto aos professores cursistas, o protocolo para aplicação do PEI foi fundamental para estruturar o PEI dos estudantes, com o planejamento de atividades específicas para cada um deles. A personalização dos processos durante a aplicação do PEI permitiu resultados significativos para cada um dos estudantes na área acadêmica, social e laboral. Concluiu-se que o caminho metodológico da pesquisa-ação torna possível os processos formativos emergentes na escola contemporânea.

FORMAÇÃO INICIAL E PLANEJAMENTO DE PROFESSORES EM CLASSES MULTISSERIADAS

PID: S1982-03052023000100386 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Tomàs
Resumo Este artigo reflete a importância e a necessidade de aprender a planejar a sala de aula multisseriada, desde a formação inicial de professores. A formação inicial de professores não contempla, ou pouco, a escola do campo e a sala multisseriada. Consequentemente, os futuros professores não conhecem o processo de ensino-aprendizagem na sala de aula do campo, nem, claro a importância e necessidade de um planejamento multisseriado para dar uma resposta adequada à diversidade e heterogeneidade característica desta sala de aula e, como instrumento chave para conceber e implementar inovações educativas que facilitem a melhoria da qualidade da educação no meio rural e tornem a escola rural visível no quadro das políticas e práticas educativas.

GESTÃO DEMOCRÁTICA E EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: uma análise discursiva do Plano Municipal de Educação de João Pessoa/PB

PID: S1982-03052023000400224 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Alcantara Rodrigues
Resumo Objetivamos analisar as correlações enunciativas entre gestão democrática e educação de jovens e adultos no Plano Municipal de Educação de João Pessoa. Dialogamos com produções teóricas sobre a temática, apresentamos e operamos com as noções metodológicas de discurso e enunciado a partir da tradição foucaultiana. analisamos documentos circunscritos ao plano que estão relacionados ao objeto da pesquisa. Os resultados evidenciam que o conhecimento, o campo político-pedagógico e os sujeitos da escola pública caracterizam correlatos enunciativos entre gestão democrática e educação de jovens e adultos, tecidos em uma rede discursiva que afirma a educação como direito universal, pressuposto para construção da cidadania.

GRAFITES DA DISCÓRDIA: o conservadorismo em ação na escola

PID: S1982-03052023000300262 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Moura Souza Witeze Junior
Resumo No final de 2017, como parte das atividades pedagógicas de artes visuais orientadas por docentes, estudantes do ensino médio realizaram grafites nas paredes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) em Formosa. O esforço analítico neste artigo centrou-se, então, no discurso contrário aos grafites como expressão do conservadorismo no campo educacional, que possuía forte presença em debate na sociedade brasileira naquele momento. No caso em estudo, foi possível perceber que o conservadorismo se coloca em ação no âmbito escolar por meio das seguintes ações: negação do conhecimento acadêmico, crítica às instituições, vigilância à atividade docente, desqualificação do trabalho educativo e disseminação de pânico moral. Para o presente estudo, foram reunidos documentos oficiais com reclamações ou elogios à ação educativa, as respectivas respostas institucionais à ouvidoria e ao Ministério Público, bem como atas de reunião e diversas cartas públicas de apoio elaboradas por ocasião dos fatos. A alteração no padrão visual do campus gerou disputas que explicitaram as divergências ideológicas latentes, trazendo à tona diversos entendimentos sobre o que é arte e como ela deve ser desenvolvida no espaço da escola pública.

HABITAR A DOCÊNCIA NO ESPAÇO SIGNIFICADO DA ESCOLA: ressonâncias coletivas em formação continuada

PID: S1982-03052023000400176 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Figueira
Resumo Neste texto interrogamos uma ação de formação continuada realizada com professores dos anos iniciais do ensino fundamental, em um município do Noroeste fluminense sobre a dimensão da experiência no espaço escolar e os enredos provocados. Assume-se que a espacialidade das escolas ressoa escrituras didáticas e confluências pedagógicas promotoras de justiça social e cognitiva quando vivificadas em unidade, isto é, quando se supera o reducionismo destes espaços, enquanto cenário neutro e prescritivo de atuação. Apoiamo-nos teoricamente em estudos que reconhecem que o espaço não se constitui separadamente da experiência (Passegi, 2010; Delory-Momberger, 2012) buscando compreender: de que maneira a dimensão espacial escolar (re)configura a experiência docente? Assim, por meio do caminhar metodológico qualitativo ancorado na tematização (Fontoura, 2011) visamos acessar e problematizar percepções múltiplas descortinadas no/com o espaço cotidiano de feitura das escolas, na relação com os docentes e com suas práticas pedagógicas que levem à compreensão contextualizada da escola, tendo em vista a superação de normativas curriculares que funcionalizam a docência às demandas do mercado.

INDICADORES EDUCACIONAIS E ESCOLARIZAÇÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA NA BAIXADA FLUMINENSE

PID: S1982-03052023000200098 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Antonioli Pletsch Eisenberg
Resumo Este artigo discute a escolarização de alunos com deficiência múltipla decorrente da Síndrome Congênita do Zika Vírus (SCZV) na Baixada Fluminense/Rio de Janeiro (RJ). Inicialmente, foi realizado levantamento de dados estatísticos do censo escolar do período de 2018 até 2022. Em seguida, entrevistamos seis profissionais da educação de uma escola pública de educação infantil de uma rede municipal de educação da Baixada Fluminense/RJ. Por fim, foram também observadas 2 crianças de cinco anos diagnosticadas com SCZV. Os dados apontam para um aumento anual de matrículas de alunos com deficiência múltipla em classes comuns em escolas desta região. Igualmente, evidencia que estes números poderiam ser mais expressivos, considerando que existem crianças com SCZV que residem nesta região e que ainda não estão nas escolas, apesar da idade. No que se refere à inclusão educacional dessas crianças, o artigo foca na chegada delas à escola, a relação com os colegas e a participação nas atividades escolares. Por fim, apresenta argumentos sobre a relevância de ações intersetoriais entre educação, saúde e assistência social para a promoção do atendimento integral dessas crianças focando na escolarização, melhora da condição de saúde e bem-estar.

INFÂNCIA, EDUCAÇÃO E APRENDIZAGEM: reflexões a partir da obra Como estrelas na terra: toda criança é especial

PID: S1982-03052023000100154 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Sachet Jesus Carola
Resumo Este artigo se propõe a dialogar a respeito do filme Como estrelas na terra: toda criança é especial, de Aamir Khan, com vistas a refletir sobre as concepções de infância, educação e aprendizagem representadas pelos sujeitos da sociedade retratada na obra. Observou-se, por meio da análise, que Ishaan, personagem principal do filme, vive a infância com entusiasmo, protagonismo e criatividade, aspectos inerentes ao ser criança. O garoto observa e admira o mundo, tanto quanto é surpreendido, indaga, estranha e cria. No entanto, vive em uma sociedade dotada de valores burgueses sob uma lógica da engrenagem capitalista mundial. Desse modo, não há tempo para ser criança como Ishaan, porque é preciso adequar-se ao tempo e aos padrões pré-estabelecidos. A análise permite compreender, pois, que a concepção idealizada pela sociedade na qual o menino vive é contrária àquela vivenciada por ele. Na escola, é retratada uma organização tradicional não apenas a partir da figura do docente, mas também na organização curricular e estrutural das salas de aulas. Isso acaba fazendo com que aqueles que diferem do proposto sejam excluídos, como Ishaan, que, por ser disléxico e não conseguir acompanhar o ritmo das atividades, é inferiorizado.

INFÂNCIAS QUEERS IMPORTAM?! Precariedade, subjetivação e dissidências didático-curriculares

PID: S1982-03052023000400349 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva
Resumo Este ensaio abraça o intuito de problematizar as infâncias queers, entrevendo em suas superfícies corporais, efeitos político-performativos e dissidências didático-curriculares. Querendo, com isso, tanto debater a noção de infância queer e as formas difusas de precariedade que vivenciam como ação normativa em suas superfícies corporais; quanto evidenciar as fissuras constitutivas engendradas pela força performativa de seus corpos em contraposição à ação governamentalizada da política da aparência. Inicialmente retoma a problematização do surgimento da infância e sua relação com a emergência da modernidade e da instituição escolar, para, em seguida, tensionar a constituição de variadas práticas de produção de vidas intensamente precarizadas e o engendramento de uma aparência normativa para as infâncias queers que circunscrevem termos inteligíveis para o reconhecimento, desumanização e vulnerabilização de seus corpos. Dessa forma, tece algumas provocações sobre o cenário contemporâneo, apontando certas práticas conservadoras atuais e suas reiterações em torno de um regime normativo das infâncias, e entrevendo, como devir, as infâncias queers articulando, através do aparecimento, a proliferação potente de formas dissidentes de estar no mundo no urdimento de afetações didático-curriculares fortemente queerizadas.

INVESTIGAÇÕES-VIDA EM EDUCAÇÃO: escutar, conversar e constelar

PID: S1982-03052023000500303 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Lenz Ramallo Ribeiro
Resumo O presente ensaio parte das experiências acadêmicas e indagações referentes às investigações-vidas em educação desenvolvidas por três pesquisadorxs, em diferentes contextos geográficos e culturais (Argentina, Brasil e Chile). De distintos e singulares processos investigativos com sujeitxs vivxs, o texto reúne inquietudes, princípios e aprendizagens tecidas ao longo da vida mesma. Sublinhar as investigaçõesvidas como possibilidades de experimentar deslocamentos das margens da ciência tradicional e convida a vivenciar desmarcações na trama da investigação, enquanto aventura (auto)biográfica e narrativa, corporal, encarnada e vital. A partir de conversas e teceduras entre seus autorxs no marco de uma Rede de Investigação no cone sul da América do Sul, finalmente são compartilhados alguns princípios/dispositivos privilegiados nas e a partir das trajetórias investigativas envolvidas nessa narração. Destaca-se a escuta como uma maneira de reconhecer a experiência sentipensante de quem investiga. Conectada à escuta, a conversa é outro dispositivo na busca de modos de pesquisar com, e não simplesmente sobre as pessoas. A conversa torna possível o encontro das diferentes linguagens de quem compartilha em comun-unidade a investigação. Finalmente, o constelar é uma experiência de construção comunitária e de aprendizagem em unidade plural, a qual mostra a construção vinculante desintegradora, transformadora e integradora, espiral de investigação-vida.

LER COM BEBÊS: narrativas sobre docência e as interações das crianças com o livro na creche

PID: S1982-03052023000400306 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Margotti Pandini-Simiano
Resumo O texto tem por foco analisar o que contam as documentações pedagógicas sobre a ação docente e as interações das crianças bem pequenas, desde bebês, com o objeto livro na creche. A pesquisa, desenvolvida em uma perspectiva qualitativa, foi realizada no âmbito do mestrado em educação em uma universidade do sul do estado de Santa Catarina. Teve como sujeitos quatro professoras e uma gestora que atuam na educação infantil. A observação participante, registros escritos, audiovisuais, as cartas, as documentações, e, sobretudo, o estar junto e com as professoras foram os instrumentos de pesquisa. A partir do diálogo entre diferentes autores, Benjamin, Rinaldi, Debus e Gonçalves, Pandini-Simiano, destaca-se nas documentações que no encontro dos bebês com os livros, eles fazem suas leituras com o corpo por meio de todos os sentidos. Embora haja um esforço das professoras em possibilitar o acesso das crianças aos livros, ainda se evidenciam traços de uma ação docente diretiva, mais centrada no adulto. O gesto de documentar, revisitar e narrar permite à professora reconhecer, valorar e redimensionar a ação docente, construindo um outro olhar sobre os bebês, os livros e a especificidade da docência na educação infantil.

LUGAR DE FALA INFANTIL? Possíveis (re)leituras da infância no âmbito de uma prática artístico-pedagógica

PID: S1982-03052023000500244 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Gomes Munhoz
Resumo A presente pesquisa objetivou investigar a noção de lugar de fala infantil a partir da proposição de uma ação artístico-pedagógica com crianças estudantes dos primeiros anos do ensino fundamental da rede pública de ensino da cidade de Maringá - Paraná. Teve-se como intuito trabalhar não só as práticas teatrais, mas seus desdobramentos pedagógicos e artísticos nas rotinas dessas crianças e de seus pares. Como inspiração teórica e temática, buscou-se referências no campo da antropologia da criança e da sociologia da infância. Já no que tange às inspirações metodológicas, foi pensada uma poética de trabalho calcada em jogos teatrais, contação de histórias, brincadeiras tradicionais e as linguagens da autobiografia e do relato pessoal. Ao estarem muito ocupadas brincando, as crianças falaram a partir dos lugares sociais que ocupam, trazendo à tona discursos, ações, desejos e pontos de vista sobre o mundo, legitimadores de seus lugares de fala e, consequentemente, dos lugares de escuta adulta, além de se afirmarem não apenas como objetos, mas também sujeitos da cultura.

LUTERANISMO, TRANSNACIONALISMO E SURDEZ: a Escola Especial Concórdia por entre as memórias de um professor

PID: S1982-03052023000500259 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Kuster Weiduschadt
Resumo O presente artigo objetiva explorar aspectos referentes à fundação e atuação da Escola Especial Concórdia, instituição educativa localizada na cidade de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, por meio das memórias de um dos seus professores. Tal instituição foi criada para atender alunos com surdez, através de um viés luterano que buscava fortalecer o campo religioso em detrimento de outras esferas, como a familiar e a social. Para tanto, utilizou-se da metodologia da História Oral, baseada nos estudos de Portelli (1997; 2010) e Thompson (1998), do conceito de Identidade, a partir de Bauman (2005) e Hall (2006), além do conceito de Memória, explorado por meio dos estudos de Halbwachs (1990). A análise evidenciou que por mais que a Escola Especial Concórdia buscasse o firmamento dos cânones da fé luterana em primeira instância, acabou por promover uma integração dos sujeitos com surdez em um mesmo ambiente e, a partir desse aspecto firmado em sua cultura escolar, possibilitou a ideia de pertencimento e de identificação social, em outras palavras, de comunidade surda.

LUZ, CÂMERA, QUILOMBO: A projeção da imagem antirracista em sala de aula

PID: S1982-03052023000500196 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Eiras Soares
Resumo Este artigo reflete sobre a projeção cinematográfica em sala de aula através de uma proposta antirracista e decolonial. Ele parte da vivência de um dos autores com a sua turma do ensino fundamental público do Rio de Janeiro (SME/RJ), ao exibir o filme Quilombo (1984) do diretor Cacá Diegues. Uma análise que parte da hipótese de que o uso das práticas cinematográficas no ensino público pode ativar uma percepção plural da criança, em que todas as instâncias da cultura podem ser vistas como pedagógicas. Propondo, desta forma, diferentes perspectivas teóricas na busca por outros olhares que relacionem o cinema com a escola. Assim, o trajeto metodológico proposto entende que a análise e a prática cinematográfica sempre vão andar juntas, pois articulam diversas potencialidades estéticas, como som, diálogo, enquadramento, que precisam ser agenciados pelos próprios alunos. no cotidiano das escolas. Uma proposta teórico-metodológica da pesquisa-ação que privilegie um processo de interação entre a pesquisa e o pesquisador na elaboração de novas práticas.

LÁPIS COR DE PELE: entre “riscos” e rabiscos das infâncias negras nos cotidianos escolares

PID: S1982-03052023000500113 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Rodrigues Euclides Herneck
Resumo Neste artigo, a interseccionalidade e os marcadores de identidade e a diferença nas infâncias negras nos auxiliam na problematização do termo lápis cor de pele e suas implicações sobre a produção de subjetividade de crianças negras. Para isso, o presente texto se subdivide em duas seções: na primeira, trataremos sobre a infância enquanto tática de combate ao racismo, conforme propõem Renato Noguera e Luciana Alves (2019), e a outras opressões nos cotidianos escolares; e, na segunda seção, abordaremos os agenciamentos que sustentam o termo lápis cor de pele, a fim de questionarmos os marcadores que elegem a branquitude como identidade macro, de modo a discutir o compromisso na produção da subjetividade de crianças negras. Consideramos que as infâncias compõem táticas para o combate às opressões que atravessam os sujeitos negros e que o termo lápis cor de pele provoca afetações sobre a subjetividade que demanda a decolonialidade.
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