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POLÍTICA, CURRÍCULO E FORMAÇÃO DOCENTE: em torno das novas bases profissionais do saber-fazer

PID: S1982-03052023000300084 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Medeiros Figueiredo
Resumo O artigo focaliza os discursos das políticas de formação de professores brasileiras que têm constituído as novas bases profissionais do saber-fazer docente como uma suposta garantia de educação de qualidade. Orientado por contribuições teórico-epistemológicas da teoria política do discurso (LACLAU, MOUFFE, 2015) e por perspectivas pós-fundacionais de currículo (LOPES, 2015a; 2015b; 2017a; 2017b; 2018a; 2018b; LOPES, MACEDO, 2011), opera com a política de formação de professores como discurso, identificando a articulação de demandas pela qualidade do ensino e da aprendizagem para o alcance da educação de qualidade, que projeta sentidos de professor e de formação docente que tenciona desestabilizar, afirmando a radical contingência desses processos de significação. Nesse contexto discursivo, a prática docente assume centralidade, possibilitando o discurso da homologia de processos, em um projeto de formação que tem a pretensão de representar de forma transparente a prática docente futura, de controlar na totalidade os processos de significação da docência, não considerando as contingências que caracterizam as relações constituídas nos espaços de formação docente e nos espaços escolares.

POLÍTICAS CURRICULARES MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO INFANTIL: uma análise dos materiais pedagógicos

PID: S1982-03052023000200290 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Nunes Scramingon Souza
Resumo Este artigo compõe os resultados de uma pesquisa interinstitucional que possui como amostra dez Secretarias Municipais de Educação (SME) do estado do Rio de Janeiro e tem como objetivo analisar materiais pedagógicos compreendendo que essas propostas revelam concepções de currículo na Educação Infantil (EI). A tradição dos contextos escolares de atendimento às crianças pequenas tem compreendido e vivido o currículo como prescrição, como um conjunto de conhecimentos que devem ser transmitidos às crianças visando um suposto progresso, sem considerar os sujeitos envolvidos no processo educativo, com suas histórias e desejos. O trabalho se debruça sobre as seguintes questões: o que se espera que as crianças aprendam? Como trabalhar com as crianças pequenas considerando seus contextos sociais heterogêneos e seus saberes diversos? Quais noções de criança e infância marcam os currículos? O que compõe o currículo da EI? O resultado das análises dos materiais pedagógicos destinados à EI, produzidos no período de março a setembro de 2020, disponibilizados nas redes sociais e sites dos municípios pesquisados, devido ao contexto da pandemia, possibilitou refletir sobre três temas: “Escola dentro de casa: uma oportunidade de reflexão sobre currículo”; “Institucionalização e Ensino Infantil”; e “Autonomia e autoria na construção dos materiais pedagógicos”. Embora a produção do acervo, composta por um banco de 811 imagens, tenha ocorrido durante a pandemia, o trabalho compartilha da hipótese de que esses achados pouco diferem da tradição da EI já problematizada em outros estudos.

POLÍTICAS DE CURRÍCULO PARA A DOCÊNCIA NA IBEROAMÉRICA

PID: S1982-03052023000300002 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Alba Dias
Resumo A apresentação desta seção temática convida todas e todos à leitura de artigos que foram aprovados para dialogar com um assunto que envolve aqueles e aquelas que se comprometem com a discussão contemporânea da escola básica, suas políticas de currículo e a docência na Ibero-América. Envolvendo os países da América Latina e Caribe além dos ibéricos (Portugal e Espanha), busca-se aprofundar os debates que vêm se apresentando na região difundidos pela Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI) ao longo dos anos 2000 sobre Metas para a Educação para a Geração dos Bicentenários da Independência dos países que integram a região. Destacam-se nesse contexto tentativas de regulação do currículo da formação e do trabalho docente traduzidas em orientações de currículo por competências de caráter instrumental; processos de avaliação de desempenho; a centralidade da prática; e o desenvolvimento de uma cultura da aprendizagem como algumas das demandas disseminadas em diversos textos políticos da região. Esta seção temática pretende com os diferentes artigos explorar objetos de investigação, perspectivas, metodologias e resultados de investigação que, longe de delimitar-se à região ibero-latino-americana, abrem-se para os mundos-mundo e suas diferentes proposições e leituras em torno de políticas de currículo para a docência dos países que fazem parte da Ibero-América, problematizando-as a partir de experiências locais e de suas relações com a representação desse espaço regional.

POLÍTICAS DE CURRÍCULO PARA AS ESCOLAS DO CAMPO: pensando a alteridade, diferença e os outros da e na política

PID: S1982-03052023000400124 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Ramos Cunha Santos
Resumo Este artigo discute sobre as políticas de currículo em uma perspectiva pós-fundacional, articulada a noções de Derrida e sua relação com o pensamento de hegemonia em Laclau. Pensamos o campo das políticas curriculares para a educação do campo em tempos de tentativa de centralização curricular, com a BNCC e a partir de políticas e currículos estaduais, que intentam sob a domesticação da diferença e representação de uma identidade plena de um outro, visto nos currículos como uma projeção realizável de uma identidade plena possível por meio de uma formação homogênea. Argumentamos em favor da defesa do não fechamento definitivo da significação, operando na textualidade e rejeitando a ideia de um conhecimento poderoso que garanta projetos e modelos de formação pré-definidos e apostamos na tradução e na desconstrução como lugares abertos à significação, como conjunto de possibilidades imprevistas, abertas às subjetivações, negociações e traduções, ao porvir.

PROFESSORES(AS) FORMADORES(AS) E SUAS PERCEPÇÕES SOBRE A MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: elementos para um projeto formativo

PID: S1982-03052023000300124 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Ciríaco Santos
Resumo Este artigo é fruto de uma investigação, de Iniciação Científica, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP (Processo N. 2019/10135-7), desenvolvida na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no "Mancala - Grupo de estudos e pesquisas em educação matemática, cultura e formação docente" (CNPq). Objetivamos, com o presente trabalho, compreender percepções de formadores acerca da discussão de educação matemática na infância no currículo dos cursos de licenciatura em pedagogia que atuam e como concebem essa formação aos(as) futuros(as) professores(as) a partir de suas práticas profissionais. Para este fim, a abordagem metodológica foi de natureza qualitativa e os dados foram produzidos com base em entrevistas semiestruturadas com um professor e uma professora, ambos ensinam matemática na licenciatura em pedagogia, em instituições paulistas. A discussão teórica toma como referência estudos sobre a educação infantil, educação matemática na infância e o perfil de professores(as) formadores(as). Os resultados, decorrente das informações possibilitadas via entrevistas, constataram que os(as) formadores(as) afirmam que a licenciatura em questão necessita ampliar as discussões acerca do conceito de criança e das especificidades curriculares dos primeiros anos de vida em uma ampla relação com os pressupostos da educação da infância, isso porque consideram ser relevante perceber que não é papel da educação infantil escolarizar, mas sim pensar um currículo matemático mediado pelas interações e a brincadeira.

PROGRAMA MAIS INFÂNCIA: análise de uma política para educação infantil no município de Niterói-RJ

PID: S1982-03052023000100197 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Oliveira Mocarzel
Resumo O presente trabalho buscou investigar a trajetória do Programa Mais Infância, política pública criada em 2013 pela Prefeitura Municipal de Niterói, no estado do Rio de Janeiro (RJ), voltada para a expansão das vagas em educação infantil, bem como para a qualificação da oferta. Foi utilizada a análise de conteúdo como ferramenta metodológica para analisar seis entrevistas semiestruturadas realizadas com gestores municipais e familiares acerca das percepções sobre a política na realidade da educação do ´município. A partir das categorias construídas no campo, buscou-se compreender quais os pontos fortes da política, e os pontos que podem ser aprimorados. Como resultados, conclui-se que o Programa é uma política bem-sucedida, que vem contribuindo para a expansão quantitativa, de acordo com o que o Plano Nacional de Educação demanda, mas também uma política voltada para a ampliação da qualidade social, que leva em conta a valorização e a formação docente, a qualidade da estrutura física das escolas, que fomenta a integração entre o cuidar e o educar, por meio da bidocência e de outras estratégias.

PROJETO IMAGENS QUE ME ENCANTAM: autoria e protagonismo de crianças em tratamento oncológico

PID: S1982-03052023000100003 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Mazzei Mello
Resumo O objetivo desse artigo é analisar o processo de produção de fotos e de vídeos no Projeto, que teve o propósito de oferecer uma experiência brincante de ser cineasta e fotógrafo como forma de valorização e reconhecimento das agências e das autorias das crianças. Utiliza como método investigativo a pesquisa-ação existencial, por exigir dos pesquisadores a atuação com uma escuta sensível e pelo fato do projeto lidar com a transformação de realidades dos envolvidos. A iniciativa envolveu 60 pessoas, entre crianças, familiares, membros de equipe e os colaboradores da instituição acolhedora. Para além da perspectiva de adesão ao tratamento oncológico, a possibilidade de brincarem de fazer fotos e vídeos valorizou a criatividade e as agências das crianças, restituiu parte da autonomia dos sujeitos que estavam sob tratamento oncológico, bem como propiciou momentos de afeto entre os familiares.

PROJEÇÕES CURRICULARES DE FORMAÇÃO DOCENTE NO CONTEXTO IBERO-AMERICANO: algumas fagulhas made in Paraíba

PID: S1982-03052023000300095 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Albino Rodrigues
Resumo O estudo apresenta uma análise das diferentes prioridades formativas elencadas por docentes da rede estadual da Paraíba (PB), por meio de ação planejada pelo projeto formação continuada na educação básica: as práticas curriculares como eixos de desenvolvimento profissional. Destaca-se, de forma breve, o contexto político em que se propõe bases de formação inicial e continuada e tensiona as considerações dos docentes sobre sua formação frente ao documento Metas educativas para a educação que queremos no Bicentenário 2021, formulado pela Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). As tensões verificadas entre a agenda de metas para o Bicentenário (OEI, 2010) e o recorte de pesquisa indicaram a valorização profissional como requisito fundamental para encaminhar um processo de formação continuada. Foi identificado também um cenário de construção de múltiplas identidades locais e a construção dos compromissos com os processos de aprendizagem e ensino. Tal encaminhamento não condiz com um currículo único e nem barato em termos de financiamento engendrado por agências multilaterais, mas uma conexão entre saberes locais, coletivos e individuais dos envolvidos.

QUEBRANDO O ESPELHO DO RACISMO: um estudo de caso sobre a construção identitária de meninas negras em uma escola pública municipal de Belo Horizonte

PID: S1982-03052023000500138 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Modesto Cardoso Alcântara
Resumo O artigo analisa as influências do racismo sobre a construção da identidade e da imagem de seis meninas negras com idades entre 12 e 15 anos, matriculadas em uma escola pública municipal de Belo horizonte. A pesquisa se baseou em um estudo de caso, apoiado em entrevistas individuais semiestruturadas com as participantes, e desenvolvido a partir de uma metodologia específica, do tipo oficina pedagógica, nomeada O meu reflexo no espelho. O trabalho fez uso de conceitos dos campos da sociologia da educação e dos estudos étnico-raciais. Foi identificado que eixos interseccionais atravessam os corpos dessas meninas, oprimindo-as por sua raça, classe e gênero. Em contrapartida, argumenta-se que, apesar de o racismo ser estruturante na sociedade brasileira, possibilidades de quebras nessa estrutura podem contribuir para a construção positiva da identidade e da imagem dessas meninas negras. Baseadas em uma construção histórica, posturas políticas como as identificadas na pesquisa vêm mudando a forma pela qual o/a negro/a brasileiro se vê e se mostra para o mundo.

QUEM NOS OLHA PELOS ESPELHOS? A educação das relações étnico-raciais e o regime de visualidades

PID: S1982-03052023000100020 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Valter Filé Macambira Aguiar
Resumo Como nós negros e negras temos sido representados historicamente nas mídias, nos livros didáticos, nas propagandas e em outras narrativas que sustentam o racismo? Seriam tais representações os espelhos com os quais temos aprendido a ver o mundo e a nós mesmos? Estas e outras questões nos impulsionam a problematizar como os chamados regimes de visualidades presentes em nossa sociedade influem na educação do preconceito. Este texto, portanto, nasce na encruzilhada em que três pesquisas se encontram para refletir sobre o racismo, os projetos de embranquecimento e as consequentes dificuldades de pessoas negras identificarem-se como negras. Neste sentido, trabalhamos com autoras e autores como Gonzalo Curto, Stuart Hall para entendermos os conceitos de regime de visualidades e representação do povo negro. Buscamos também, a partir de leituras de Carlos Skliar e Grada Kilomba, compreender melhor como se dá a invenção do outro, os diferentes que deverão ser excluídos, bem como as produções de Patrícia Collins a fim de nos ajudar com seu conceito de imagens de controle para a manutenção da matriz de dominação. Com estes autores e autoras, dentre outros, articulamos narrativas fílmicas, dispositivos e recursos orais e imagéticos a fim de refletir sobre as imagens que permeiam o imaginário social e que atuam na produção, manutenção e atualização do racismo em nossa sociedade.

REDE COLABORATIVA VIRTUAL DE APRENDIZAGEM: conectando docentes

PID: S1982-03052023000100278 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Cargnelutti Pavão
Resumo O presente trabalho se ocupou de questões relativas à aprendizagem colaborativa entre professores em formação contribuindo para a criação de redes colaborativas virtuais de aprendizagem como potencial reflexivo para a formação continuada de professores. Trata-se de um estudo qualitativo de caráter exploratório, sendo que a produção de dados aconteceu por meio de questionários elaborados pelo Google Forms e respondido pelos pesquisados totalmente a distância e por meio digital. Os sujeitos desta pesquisa foram professores da rede municipal participantes do programa de formação Letramento e Alfabetização (PROMLA) de Santa Maria, no período de abril a dezembro de 2020. A análise dos dados foi organizada de maneira teórico reflexiva. De posse dos dados analisados foi possível entender que os benefícios da aprendizagem colaborativa estão na interação, na troca, na disposição para colaborar, na comunicação com o outro, na horizontalidade. Como resultado desse trabalho pode-se entender que para se criar uma rede é preciso estar conectado, ou seja, estabelecer uma conexão com seus pares. Para haver colaboração é preciso estar disposto a colaborar, partilhar, apoiar, debater, contribuir, construir algo novo de forma compartilhada, cada um com sua responsabilidade de cooperar.

SOBRE NÃO SEGUIR RECEITAS, CRIAR OUTRAS NARRATIVAS E INVENTAR ROTEIROS: o que ensina o currículo de dois filmes infantis sobre gênero?

PID: S1982-03052023000400084 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Caitano Oliveira
Resumo Este artigo analisa dois filmes infantis Moana - um mar de aventuras e Valente. A partir de aportes das teorias pós-críticas, esses filmes se constituem como um currículo. Para as análises, inspiramo-nos na análise de discurso foucaultiana e mobilizamos gênero como categoria analítica. O argumento desenvolvido aqui é de que, no currículo dos filmes infantis analisados, demanda-se uma subjetividade feminina que resiste às normas de gênero, ensinando as meninas a serem corajosas, determinadas, empoderadas, aventureiras, guerreiras, livres, posicionadas, questionadoras e a lutarem por sua dignidade, independência e visibilidade, nos mais diversos campos que permeiam a sociedade, desde o seio familiar até os espaços considerados mais improváveis. Para além disso, que elas se reconheçam como sábias e capazes de reinventar e subverter os caminhos de seus próprios destinos.

TEACHERS´ NARRATIVES: the experience of the neoliberal curriculum by teachers in Brazil and Chile

PID: S1982-03052023000300278 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Terra Fajardo Castro
Resumo O texto pretende mostrar, por meio das narrativas de professores/as, como algumas políticas curriculares nacionais no Brasil e no Chile são marcadas por entidades e organizações como o Banco Mundial (BM), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Organização de Estados Ibero-americanos (OEI). O objetivo foi sinalizar como alguns elementos dessas políticas, todavia, se manifestam na experiência brasileira e chilena em certos documentos de políticas curriculares para a educação básica, a formação e a prática de professores/as. A metodologia do estudo se baseia na indagação narrativa, pela qual construímos e analisamos os relatos docentes que permitem entrelaçar experiências profissionais e pedagógicas de um grupo de professores e professoras no Brasil e no Chile. Apostamos que o diálogo com as duas experiências (Brasil e Chile) demarca reflexões de como as políticas curriculares nacionais continuam pondo em prática um currículo que busca silenciar as vozes dos/as professores/as. Ainda que as narrativas sejam frágeis, revelam que professores/as sabem o que as políticas pretendem e que aqueles/as que encontram espaço para trabalho coletivo tentam transcendê-las, de alguma forma, buscando a qualidade de ensino relevante para os/as estudantes.

TEMPO(S) DE AVÓS E NETOS memória, presença e infância

PID: S1982-03052023000500229 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Castro
Resumo Este artigo tem como objetivo analisar concepções de tempo e infância em narrativas de avós e netos ouvidas em uma pesquisa de doutorado em educação. A filosofia de Walter Benjamin e a antropologia filosófica de Martin Buber foram as principais referências teóricas do estudo, que entrevistou dez adultos, entre cinquenta e um e setenta e um anos de idade, e seis de seus netos, de cinco a doze anos de idade. Como estratégia metodológica, foram realizadas entrevistas individuais com os adultos e uma entrevista coletiva com as crianças. Devido ao contexto de pandemia, o trabalho de campo foi realizado por meios digitais (plataforma Zoom e aplicativo WhatsApp). Nas narrativas das/os participantes da investigação, o tempo aparece com lugar de destaque: envelhecimento, histórias de outros tempos, preocupações com o futuro, tempo de brincar. O texto entrecruza vozes de crianças e adultos, e delas emergem reflexões filosóficas e antropológicas sobre infância, tempo e nossos modos de viver.

TEMPORALIDADES DA DOCÊNCIA NA CRECHE

PID: S1982-03052023000400278 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Spat Carvalho
Resumo O presente artigo, baseado nas contribuições dos estudos sobre docência na educação infantil e nas discussões contemporâneas sobre o tempo enquanto marcador social, é decorrente de uma investigação que teve como objetivo compreender os modos como professoras vivenciam as temporalidades da docência na creche a partir da gestão do tempo institucional. Em tal direção, as temporalidades são entendidas, com base em Oliveira (2012), como as experiências no e com o tempo. Metodologicamente, foi realizado um estudo de caso etnográfico em uma instituição pública de educação infantil, com três professoras responsáveis por um grupo de crianças de 2 anos de idade. As estratégias de geração de dados foram a observação, o registro em diário de campo e a realização de entrevistas com as professoras. Após as análises, foram definidas duas unidades de discussão: 1) o tempo institucional e as temporalidades na creche; e 2) a reinvenção do cotidiano e as temporalidades da docência. Foi então possível inferir que as professoras, para além do tempo cronológico - dos horários institucionais -, vivenciam as temporalidades da docência na creche em uma perspectiva que reconhece os tempos das crianças, acolhendo suas demandas e singularidades. Os modos como as professoras lidam com os tempos na creche centram-se no cotidiano e são sustentados por formação docente, planejamento, grupo de estudos e reflexões decorrentes da documentação pedagógica. Assim, a organização institucional incide em um modo qualificado e respeitoso de atendimento a crianças na creche.

TESSITURAS DAS REDES EDUCATIVAS NOS CURRÍCULOS DOS POVOS ORIGINÁRIOS

PID: S1982-03052023000100251 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Reis Morais Caldas
Resumo O presente ensaio nos remete às origens de nosso país e a força de uma nação que foi dizimada e invisibilizada por centenas de anos. Cremos que as redes educativas são um dos meios de grande potência para nos fazer sentirfazerpensar os modos de vida dos povos originários em constante alinhamento à natureza, porque, como eles afirmam: Nós não cuidamos da natureza, somos a natureza. Daremos ênfase ao movimento ecce femina, pensando na força da mãe Terra, nos rizomas de Deleuze e Guatarri, que eclodem mundos de criações educativas. Em busca de diálogo com os personagens conceituais (DELEUZE, 1992; ALVES, 2012), especialmente com a compreensão dos usos que os praticantes sentemfazempensam com os múltiplos artefatos, com a noção de acontecimento e com a ideia de virtualidade, decidimos evidenciar o movimento ecce femina. Dessa forma, com autores como Alves, Deleuze, Guattari, Foucault, Biesta, Guajajara e outros, estabelecemos uma conversa, através da metodologia de pesquisa assumida por nós, para compreender os movimentos nas redes educativas em suas variadas facetas e conversar acerca deles, nos processos formativos e curriculares dos sentiresfazerespensares que atravessam e criam os cotidianos.

TESSITURAS ENTRE ALTERIDADE E EDUCAÇÃO: oito abordagens contemporâneas para a educação sexual na escola e a (des) aparição das dimensões da sexualidade humana na BNCC

PID: S1982-03052023000400098 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silveira
Resumo Situando-se nos estudos do currículo, este texto busca explicitar as oito abordagens contemporâneas para a educação sexual na escola, a fim de analisar como aspectos relacionados a dimensões da sexualidade humana estão presentes (ou não) na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Considera-se, portanto, a problemática das relações de gênero, de orientação sexual e de igualdade étnico-racial a partir de perspectiva que se articula a estudos do currículo na contemporaneidade. Afirma-se que o discurso conservador ganha adeptos com frequência no mundo todo e que, no Brasil, não é diferente. Por conseguinte, tal abordagem retrógrada pode ser associada à elaboração e à reprodução da narrativa de que questões ligadas a gênero e sexualidade são inimigas a serem combatidas pelas famílias, para que não sejam implementadas nas escolas nacionais. Conclui-se que os desafios enfrentados pelas escolas, cotidianamente, no que diz respeito ao tema, se negligenciados podem levar à ampliação das desigualdades sociais, sobretudo quanto a vivências e dificuldades de sujeitos ininteligíveis, cuja generificação não resulta de coerência entre sexo, gênero e desejo, por ser regulada por pressupostos heteronormativos.

TRAJETÓRIAS FEMININAS NO COMPLEXO DA MARÉ: contribuições da juventude

PID: S1982-03052023000500124 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Sant’Anna Silva Oliveira
Resumo O presente texto, que é fruto de três pesquisas em educação, busca compreender como jovens de uma região periférica de uma grande metrópole se entendem como mulheres e se relacionam socialmente. Investigamos, assim, suas percepções do seu lugar de moradia e/ou pertencimento e o modo como as jovens lidam com questões sexistas que atravessam essas regiões. Para tal empreitada, lançamos mão de um breve olhar para as favelas em sua relação construída historicamente de exclusão com a cidade. Optamos por utilizar um referencial teórico feminista negro (hooks, 2019; LORDE, 2019) para melhor compreender as narrativas das jovens, além do referencial etnográficos clássico. Utilizamos, além dos dados das três pesquisas supracitadas, entrevistas com jovens mulheres moradoras do Complexo da Maré com faixa etária entre 20 e 21 anos.

UM FENÔMENO NA PERMANÊNCIA ESTUDANTIL: não deixar nenhum para trás e o Ensaio sobre a dádiva

PID: S1982-03052023000500330 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Carmo Souza Josuel
Resumo Este trabalho, inspirado na tríade dar-receber-retribuir do Ensaio sobre a dádiva de Marcel Mauss, oportuniza a compreensão dos envolvimentos socioacadêmicos que ocorrem com estudantes na sala de aula. Internacionalmente, tais envolvimentos (ou engajamentos) já são considerados indutores de permanência estudantil. No Brasil, por sua vez, o Núcleo de Estudos sobre Acesso e Permanência na Educação (Nucleape) configura o envolvimento estudantil como fato inerente ao fenômeno proximidade espontânea socioacadêmica (PROESA). Tal fenômeno, quando submetido à pesquisa com (e não sobre) estudantes, gera investimentos de forma, noção desenvolvida por Laurent Thévenot, que possibilita aos estudantes coordenarem interesses e saberes situados e entrelaçados por desempenhos cognitivos, comportamentais e emotivos. A partir de um dispositivo provocador-reflexivo de auto-observações e observações mútuas, na sala de aula, intuímos a emersão de alunos reinventados que tangenciam perspectivas do aluno como invenção, noção elaborada por José Sacristán.

UMA PROFESSORA QUE CONTA HISTÓRIAS SOBRE INFÂNCIAS: gêneros e sexualidades dissidentes na escola

PID: S1982-03052023000400028 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Ávila Mesquita
Resumo O artigo propõe discutir os impactos do dispositivo curricular na constituição das infâncias dissidentes da norma de gêneros e sexualidades. Para tanto, lança mão dos registros feitos em um caderno, o qual nomeamos de diário de memórias do cotidiano escolar. Tais registros representam as cenas que tratam dos modos de resistência das infâncias em dissidência à norma, e estão relacionados às observações de uma professora a partir dos tempos e espaços de uma escola da etapa do ensino fundamental, ao longo de um ano letivo. Como objetivo visamos discutir o currículo a partir da presença das infâncias dissidentes da norma de gêneros e sexualidades. Trata-se de uma discussão pautada nas teorizações e metodologias pós-críticas em educação e currículo, as quais concebem a constituição dos corpos como efeito das práticas discursivas e das relações de poder. O estudo observou que, frente às estratégias forjadas pelo poder, estas infâncias criam brechas de fuga em prol de paisagens curriculares de liberdade, agindo em defesa do direito à vida como modo de sobreviver às tramas que constituem este dispositivo. Além disso, observou também que apesar de nos últimos anos a escola ter sido alvo de ataques ultraconservadores, esta instituição tem se politizado, expandindo-se para novas experiências na perspectiva de gêneros e sexualidades.
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