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UTILIZAÇÃO DO ALFABETO MÓVEL ORGANIZADO POR CRIANÇAS COM TEA: percepções de profissionais

PID: S1982-03052023000100181 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Paiva Santos
Resumo Este artigo aborda as percepções dos profissionais envolvidos na escolarização de crianças com Transtorno do Espectro Autista em fase de transição da educação infantil ao ensino fundamental e sua construção da linguagem escrita a partir da usabilidade do Alfabeto Móvel Organizado, em oficinas sobre o funcionamento alfabético do sistema de escrita. Tratou-se de uma pesquisa participante de cunho descritiva com abordagem qualitativa, realizada em uma creche escola municipal de educação infantil de um pequeno município do centro-oeste paulista e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo seres humanos. Participaram três professoras do ensino comum, uma professora de educação especial, dois auxiliares de desenvolvimento infantil e cinquenta crianças matriculadas em três turmas de etapa II, na idade entre quatro anos e seis meses e cinco anos e onze meses, sendo que quatro delas eram diagnosticadas com TEA. Utilizou-se como instrumentos para coleta de dados questionários, registros de filmagem, fotografias e diário de campo. Os resultados revelaram, por meio da percepção dos profissionais, que o uso do AMO permitiu às quatro crianças com TEA mostrar seus saberes; apresentouse como material pedagógico enriquecedor à escolarização ao explorar as peculiaridades do transtorno e, maximizá-las em prol de uma aprendizagem efetiva. Concluiu-se que o AMO teve papel importante para a inclusão dessas crianças, favorecendo seu sentimento de pertencimento no contexto educacional comum.

VOCÊS SÃO IMPORTANTES…”: questões de alteridade e diferença nas políticas curriculares

PID: S1982-03052023000400003 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Ranniery Oliveira Rocha
Resumo A apresentação desta Seção Temática, organizada em parceria com a Associação Brasileira de Currículo (ABdC), é um convite à leitura dos artigos aprovados para dialogar com a fala do ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Prof. Silvio Almeida: “Vocês existem e são valiosos para nós...”. Reiteradamente repetido durante o ato de posse, o enunciado serviu de disparador para condensar e aprofundar as conversas sobre diferença e alteridade nas pesquisas, nas teorias e nas políticas curriculares. Neste contexto, a própria composição da apresentação busca performar o emaranhado denso e complexo que constitui o campo do currículo. Cada um dos organizadores, de três regiões diferentes do país com trajetórias intelectuais também diferentes, explorou, em uma das seções, sua leitura do ato de fala e suas conexões com as pesquisas em currículo, diferença e alteridade. Na escrita, este exercício busca expor ressonâncias que povoam o campo do currículo antes que movimentos ou conceitos em comum. Lendo de forma difrativa os artigos, esta seção temática pretende expor como a diferença e alteridade vem se constituindo como objeto de investigação, as perspectivas teóricas e as metodologias usadas, as inflexões éticas, políticas e estéticas que provocam, bem como os sonhos, os limites e as promessas políticas que nos envolvem.

‘SE FOSSE UM PASSARINHO, TAMBÉM IRIA VOAR’: a escola e a educação das crianças em situação de acolhimento institucional

PID: S1982-03052023000500046 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Moura Silva
Resumo Em defesa de uma escola pública pertencente ao povo, em uma perspectiva inclusiva, a pesquisa aqui relatada objetivou compreender como vem sendo construído o fazer pedagógico no cotidiano da escola com crianças sob tutela do Estado, segundo a percepção de seus professores e professoras. Trata-se de uma pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, baseada nos seguintes procedimentos metodológicos: análise dos relatórios e dos levantamentos acerca dos dados nacionais e municipais que caracterizam a institucionalização infantil e sua estruturação, bem como entrevistas semiestruturadas com seis docentes que atuam ou atuaram com crianças em situação de acolhimento institucional na região do Grande ABC Paulista, identificados(as) por meio da técnica bola de neve (snowball). O referencial teórico dialoga com a epistemologia freiriana, a sociologia da infância e com os estudos sobre interseccionalidade e interculturalidade. Os resultados revelam a escola como mantenedora de processos excludentes, balizados por um currículo escolar, muitas vezes, reducionista e engessado, dada a existência de preconceitos e preconcepções estereotipadas, bem como de uma visão da criança sob tutela pública como sujeito da falta, carente, violento e triste. Os(as) docentes evidenciam a carência de formações acerca do trato com essas crianças e o caráter homogeneizador de cunho eurocêntrico da própria escola no que tange ao acolhimento desses(as) meninos e meninas. Em contrapartida, relataram-se possibilidades e estruturaram-se vivências com vistas a uma pedagogia amorosa, emancipadora e humanizada, sendo a escola um ambiente de possibilidades libertadoras e de combate a toda tentativa de reducionismo e segregação.

“COLEGA, SENTA QUE O BABADO É BOM!”: escolas, currículos e fuxicos

PID: S1982-03052023000500006 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Roseiro Gonçalves Rodrigues
Resumo O artigo se propõe a enunciar e problematizar as forças dos fuxicos, mexericos e fofocas enquanto modos de sociabilidades, ressaltando sua importância para fazer circular narrativas que enfraquecem as intenções de controle da vida. O texto, desdobrando-se em perguntas e convites à arte da fofoca, faz da brincadeira do telefone sem fio não algo que nos aprisione a uma moral punitiva diante de nossas invencionices, mas que afirma nessa prática uma política formativa disforme. O fuxico aparece como força do vivo e exercício de coragem, potencializando os processos criativos. No fuxico, os currículos são dessacralizados. A santidade é borrada e o oficial é tornado provisório. Em práticas de liberdade, se valendo das ocasiões dos que se afetam, um currículo fuxiqueiro cresce e se desloca. Aposta nas fofocas e nos fuxicos justamente como essas forças que, espalhando-se sem rostos e sem nomes, enfraquecem todo o discurso de verdade que as forças controladoras se armam para ditar. O fuxico e os currículos fuxiqueiros insurgem para romper com a norma e com as intenções de verdade absolutas dos currículos que negam as invenções dos praticantes.

“POR UMA ESCOLA GORDA!”: difrações a partir do ativismo e estudos do corpo gordo

PID: S1982-03052023000400150 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Paranhos Jimenez-Jimenez
Resumo O presente artigo objetiva propor um exercício difrativo que parte das experiências des autories enquanto corpas gordas em período escolar, e emaranha-se com os estudos do corpo gordo e com o ativismo gordo, a fim de pensarmos em possibilidades de teorização que instrumentalizem o estar-fazer na/a/com a escola. Identifica-se, em um primeiro momento, vários aspectos que levam a pensar como a gordofobia é uma violência estruturada na sociedade e, em decorrência, institucionalizada na educação. Posteriormente, propõe-se uma análise difrativa em torno do bullying, fenômeno complexo que indica a violência no contexto escolar, mas que, em face de suas fragilidades e de um uso indiscriminado, inscrito em uma lógica universalista, acaba por apagar formas de violência que necessitam ser nomeadas, assegurando suas especificidades. Por fim, numa espécie de manifesto, criam-se conexões a partir dos estudos do corpo gordo, do ativismo gordo, dos feminismos negro, gordo e cuir, além de outras perspectivas ontoepistemológicas, pensando em possibilidades que visem orientar na construção de uma prática educacional voltada à alteridade e à(s) diferença(s).

(DES)ENCANTOS DA DOCÊNCIA NA PANDEMIA E A ALEGRIA COMO POTÊNCIA DE VIDA

PID: S1982-03052022000400159 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Rosa Moraes Souza
Resumo Essa escritura fala sobre os encontros realizados no projeto Acolhe PIBID, que promoveu grupos de atenção psicossocial em Educação e Saúde para professoras e demais trabalhadoras de uma escola estadual da Grande Florianópolis, durante a pandemia da Covid-19. Trata-se de uma experiência produzida com estudantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), do Curso de Pedagogia da UFSC, e que buscou atender à demanda de escuta e diálogo sobre as aflições da/na docência durante a pandemia. Foram construídas cinco rodas de conversa pelo Google Meet, com um tempo médio de duração de duas horas, que ocorreram quinzenalmente, no período noturno. Os temas e as rodas privilegiaram a criação de um processo de olhar/sentir/pensar as veias abertas, de falar sobre os matizes da violência no ofício de ser professora, atravessada pelos desafios de uma pandemia, agravada pelo (in)gerenciamento da crise sanitária no Brasil. Com essas mediações e intervenções cumprimos uma função psicossocial de relevo no que diz respeito à necessidade de, simultaneamente, cuidarmos de nós e dos/as outros/as por meio de diferentes modalidades de encontros. Afinal, produzir redes de cuidado e proteção, afirmando a alegria como potência de vida, no sentido de aprender e ensinar formas coletivas de resistir às violências e produzir saúde, é uma das tarefas ético-estético-políticas e pedagógicas da educação.

(FO)FOCAR O EU COM OS OLHOS DO OUTRO: por um viés estético bakhtiniano na pesquisa narrativa

PID: S1982-03052022000300273 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Fujisawa Serodio Prado
Resumo O foco deste artigo é a compreensão da professora-pesquisadora que a partir dos estudos bakhtinianos, se vê autora-narradora, personagem entre outras personagens na atividade estética da produção de sua dissertação de mestrado. A diferença entre a posição axiológica da pesquisadora e autora das narrativas pedagógicas, por meio de um artifício estético, proporciona a aquisição de um posicionamento forte fora de si mesma (BAKHTIN, 2003) e o duplo reconhecimento da professora como pessoa, e da professora como investigadora que adentra as narrativas dentre as demais personagens. A problematização se dará especialmente em relação aos percursos estéticos dessa visão hetero-auto-consciente que gera e é gerada pela tomada consciente de outra posição axiológica durante o percurso da pesquisa e da formação da professora-pesquisadora-narradora, na produção de saberes transgredientes. O texto final da dissertação de mestrado profissional e o texto que o precedeu e foi avaliado no exame de qualificação são a materialidade usada para as discussões nesse artigo. O tema é uma das lições da pesquisa: a importância da tomada de posições axiológicas sobre-determinadas em relação às pesquisas da própria prática, que possibilitam aos pesquisadores narrativos reconhecerem e qualificarem o papel da dimensão estética na visão tangente do eu em relação à narrativa da própria prática, bem como o de ampliação dos olhares dos pesquisadores para o que têm pesquisado e narrado.

(IN)DISCIPLINA E VISIBILIDADE: considerações sobre ambiguidades e tensões no ambiente escolar

PID: S1982-03052022000100176 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Monteiro
Resumo O paper se dedica a refletir sobre a lógica (in)disciplina e suas corporificações no ambiente escolar. Intenta traçar uma linha de inteligibilidade que permita compreender os comportamentos estudantis lidos como indisciplinados pelos profissionais escolares, bem como, a forma pela qual estes comportamentos acabam se conectando e (re)atualizando esta lógica. A metodologia deste trabalho engloba a discussão de dados empíricos retirados de uma etnografia e de entrevistas semiestruturadas com atores escolares, de forma a articular estes dados com uma reflexão bibliográfica. Discute-se as dimensões dos comportamentos lidos como indisciplinados de modo a não os alocar automaticamente ao polo da resistência, e sim, de problematizar esta alocação. Também se aponta a importância de considerarmos questões que envolvem dinâmicas de prazer/poder entre os polos de normalização/resistência, assim como, a existência de um jogo entre o ver e ser visto existente na escola, na qual os comportamentos classificados como indisciplinados são centrais. Estas reflexões nos levarão a concluir que a existência da escola no modelo disciplinar como conhecemos hoje persiste dentro da lógica (in)disciplina, pois ao mesmo tempo que esta desloca feixes de poder dentro da instituição, esta reforça a escola, enquanto instituição, a todo momento.

A EDUCAÇÃO DO CAMPO COMO ESPAÇO DE RESISTÊNCIA POLÍTICA E EPISTEMOLÓGICA: as lutas por outras pedagogias

PID: S1982-03052022000100089 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Lima
Resumo Este trabalho discute sobre o movimento de constituição da Educação do Campo, destacando suas vinculações com as lutas sociais e com os esforços empreendidos pelo Movimento de Educação do Campo na construção de um projeto de educação contenha os avanços do agronegócio e difundam as sementes de outro projeto de sociabilidade forjado nas redes de solidariedade tecidas a partir da agricultura camponesa. Este movimento pedagógico tem instituído novos espaços e tempos educativos voltados ao reconhecimento dos conhecimentos presentes nas práticas sociais camponeses, com a implementação de estratégias pedagógicas que ampliem os diálogos entre os saberes dos camponeses com os conhecimentos universais que compõem o patrimônio histórico da humanidade. O estudo foi desenvolvido a partir das contribuições teóricas da abordagem dialética, utilizando-se da pesquisa bibliográfica e da análise dos documentos produzidos pelo Movimento de Educação do Campo. Acreditamos que as experiências de Educação do Campo instituídas pelos movimentos sociais trazem importantes contribuições políticas, pedagógicas e epistemológicas para se pensar numa pedagogia crítica e libertadora, ancorada nos pressupostos políticos e filosóficos das teorias críticas da educação.

A EMERGÊNCIA DA ESCOLA NORMAL: formação de professoras e relações étnico-raciais

PID: S1982-03052022000100069 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Santos Chaves Nascimento
Resumo A pesquisa analisa a emergência da Escola Normal no período de 1938 a 1960 e sua proposição para a formação de professores e as relações étnico-raciais no município de Bragança, Pará. Pauta-se na abordagem qualitativa e caracteriza-se por uma pesquisa histórica-educacional com base em pressupostos da Nova História. Os dados apontam a educação e a religiosidade como pilares do processo formativo, ancorado na feminização do magistério que preparasse professoras como mulheres para o cuidado do lar e dos filhos, tementes a Deus e submissas aos seus maridos. Conclui-se que a criação da primeira Escola Normal no município de Bragança/PA, contribuiu para o desenvolvimento local, configurando-se como centro de formação escolar e espiritual, porém, desvencilhada da questão étnico-racial que permanecia ausente no debate político e educacional e nas propostas curriculares e formativas para a formação de professoras da Escola Normal.

A FILOSOFIA FORA DAS GRADES (CURRICULARES): a Lei 10.639/03 e os desafios para um ensino de filosofia antirracista

PID: S1982-03052022000100134 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Reis
Resumo O ensaio objetiva discutir os pressupostos epistêmicos, políticos e culturais do currículo de filosofia, a partir da implementação da Lei 10.639/03 e da crítica endereçada ao racismo epistêmico. Discutem-se, nessa análise, desde a perspectiva teórica do pensamento decolonial, os efeitos, os rastros e as estruturas persistentes da colonialidade no ensino de filosofia e, de modo especial, nos currículos. Trata-se, ademais, de problematizar o descompasso entre as tendências acadêmicas hegemônicas de perspectiva eurocentradas, que desconsideram as determinações geopolíticas na construção do conhecimento, e os saberes e experiências de populações africanas, afrodiaspóricas, indígenas e latino-americanas. Argumenta-se, por fim, que o projeto ancorado nos valores da modernidade/colonialidade europeia opera pela subalternização e silenciamento dos conhecimentos produzidos a partir de outras matrizes corpo-políticas, invalidando-as pela via do epistemicídio. Pensar o currículo de filosofia em bases decoloniais e antirracistas exige, portanto, que se questionem as premissas norteadoras deste projeto étnico, sexual e racialmente excludente.

ALTERIDADE: o outro na pesquisa em educação

PID: S1982-03052022000100405 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Nunes Barros
Resumo O artigo propõe um debate sobre alteridade ao abordar a pesquisa em educação. Versa sobre a pesquisa-ação como uma alternativa que aproxima e possibilita a escuta do pesquisador frente ao seu objeto, principalmente quando falante, a fim de produzir conhecimentos que gerem impacto nas ações educacionais e contribuam para solucionar problemas detectados nos processos de coleta de dados de campo. Como metodologia foi utilizada a pesquisa bibliográfica. A investigação demonstrou que o pesquisador, ao escolher a pesquisa-ação, institui uma das possibilidades promissoras capazes de criar alternativas educacionais no âmbito social, principalmente porque estabelecem ou criam constantes diálogos, alteridades e escutas sensíveis, itens fundamentais ao tratar da pesquisa com seres humanos. Instituir a dialogicidade é premente à identificação e solução na condição de alternativa para resolver parte dos problemas educacionais.

AMBIVALÊNCIA, EDUCAÇÃO E SOLIDARIEDADE EM DIÁLOGO: caminhos de formação para a pluralidade

PID: S1982-03052022000100307 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Cassol
Resumo Os tempos líquidos que, neste momento da história da humanidade, compartilhamos, convocam a refletir alternativas de enfrentamento à crescente violência, despolitização, captura e desautorização do pensamento científico. Dispor-se ao diálogo e à solidariedade educa pelo compromisso com a vida e pela gestualidade que, eticamente, enriquece as experiências cotidianas, concretas e das narrativas. Em atenção à temática da educação, do conhecimento e da identidade no mundo da pluralidade sociocultural, pelo olhar da filosofia social, objetiva-se ensaiar acerca da solidariedade como ponto de partida para a pluralidade e para o compromisso dialógico na perspectiva metodológica da hermenêutica pluralizadora, ainda que sem a pretensão de fundamentos e soluções teleológicas, porém, com intencionalidades reflexivas e propositivas. Os caminhos teóricos se constituem, para esta elaboração, no lastro metodológico da ambivalência/plurivalência, em categorias paradigmáticas, a partir de Bauman, e mostram-se potentes para pensar processos educativos como possibilidades de construção do conhecimento, da solidariedade e do diálogo, afetivo, acolhedor e sensível à pluralidade e compromissos éticos desde os vínculos humanos e, para eles também dirigidos. Pensadores e vertentes diversas são chamados para a tematização, pois, de seus lugares de compreensão e elaboração, se aproximam da validade do pensamento plural como instituinte de perspectivas. Pensar a educação orientada para a solidariedade coloca-se como possibilidade de resistência às imposições anatemáticas que violam a condição humana da dignidade e do diálogo como espaço de constituição das subjetividades, do mundo da vida e das vivências formadoras da pluralidade.

CIBERCULTURA E EDUCAÇÃO: uma revisão sistemática da literatura

PID: S1982-03052022000100237 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Souza
Resumo Este estudo teve o objetivo de revisar a produção científica acerca da cibercultura e da educação. Realizou-se uma revisão sistemática da literatura, com artigos pesquisados no Portal da CAPES (periódicos), a partir dos descritores ‘cibercultura’, ‘cibercultura’ e ‘educação’. O critério de inclusão foram artigos nacionais dos anos de 2010 a 2019 e oriundos de estudos desenvolvidos no Brasil. Os critérios de exclusão foram dissertações, teses e demais textos, pois nosso foco de estudo deteve-se apenas a artigos científicos. Por meio desse processo, a amostra final foi constituída de 28 artigos. A escolha dos artigos se deu em relação ao seu título e posterior leitura dos resumos e, em seguida, na elaboração de um quadro dos dados coletados com informações de cada pesquisa, a saber: título, ano de publicação, autores, revista/periódico. A análise do estudo foi feita qualitativamente. As publicações revisadas descrevem as relações entre a cibercultura e o processo educativo, com destaque para conceitos como: mídia, ciberespaço, comunidade virtual, novas tecnologias, hipertexto, cultura, cultura digital, entre outros. Os estudos ressaltam que o crescimento do conceito de cibercultura está atrelado ao conceito de ciberespaço, que apresenta uma nova dimensão social, resultante de um movimento global em que predomina a conexão em tempo real. O ciberespaço é um espaço de aprendizagem, onde o uso de ferramentas midiáticas se apresenta como um recurso a ser utilizado pelo docente no processo de ensino e aprendizagem.

CRIANÇA, ESCOLA E ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL: a escola como espaço de socialização

PID: S1982-03052022000100029 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Sudario Moreno
Resumo O artigo versa sobre o papel da escola na socialização das crianças acolhidas institucionalmente. Elencou-se como objetivos pesquisar sobre o papel da escola no processo de construção da identidade e da socialização da criança acolhida; conhecer a trajetória da criação, implementação e consolidação das instituições de acolhimento no Brasil; e reconhecer a escola como importante espaço de socialização. Quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo bibliográfica. Como resultado, percebeu-se a importância do conhecimento sobre a história e a função das instituições de acolhimento, a fim de desmistificar mitos e preconceitos; assim como a relevância do papel da escola na infância das crianças acolhidas. A escola tem o papel de ajudá-las na superação das possíveis dificuldades em seu desenvolvimento, e desmistificar a visão, muitas vezes, preconceituosa sobre a criança acolhida.

DIVERSIDADE NO CURRÍCULO ESCOLAR: perspectivas de professoras da educação básica

PID: S1982-03052022000100147 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Sousa Salustiano
Resumo O estudo da diversidade no currículo é amplo, complexo e está diretamente associado à visão de mundo predominante em determinado contexto histórico e educacional. Este artigo discute a compreensão de professoras dos anos iniciais do ensino fundamental acerca da diversidade no currículo escolar. Apresenta resultados de uma investigação qualitativa, desenvolvida mediante a análise de conteúdo de entrevistas semiestruturadas. Os dados evidenciaram que as professoras sujeitos deste estudo reconhecem a importância e a necessidade de abordar a diversidade como temática significativa no currículo escolar e buscam incluí-la em suas práticas pedagógicas; destacaram também a importância do respaldo legal para a visibilidade de conteúdos relacionados à diversidade, sem o qual a cultura afro-indígena, as desigualdades econômicas, a diversidade de credos ou práticas religiosas, dentre outras questões, continuariam negligenciadas enquanto objeto de estudo. Ressalta-se, ainda, neste trabalho, a importância da mediação docente na compreensão de práticas discriminatórias e excludentes, oportunizando a expressão e o reconhecimento de sujeitos silenciados e invisibilizados na escola e na sociedade.

EDUCAÇÃO ESCOLAR E DÍVIDA SIMBÓLICA: reflexões sobre a (des)caracterização da escola e da docência

PID: S1982-03052022000100016 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Schütz Junges
Resumo O presente artigo, de cunho bibliográfico, tematiza a relação intrínseca entre educação escolar e dívida simbólica, dívida que todos os professores devem ou ao menos deveriam assumir face às gerações vindouras. No entanto, há teorizações e discursos que negam a tarefa de assumir a dívida simbólica, e com isso, desescolarizam a própria escola e instauram a demissão do professor enquanto representante do mundo adulto. Nesse sentido, num primeiro momento, apresentam-se as teorizações e discursos que abandonam e negam a dívida simbólica na tarefa educacional; num segundo momento, aborda-se a imprescindibilidade de se assumir e “pagar” a dívida simbólica da qual somos devedores, fazendo jus à especificidade da educação escolar e da docência. Entende-se, portanto, que a educação escolar tem em sua especificidade a filiação simbólica das novas gerações ao mundo comum, e no interior da escola, só o professor poderá saldar esta dívida.

ENSINO REMOTO NA PANDEMIA DE COVID-19: alfabetização em risco na Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre

PID: S1982-03052022000100250 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Camini Freitas
Resumo O artigo apresenta resultados de pesquisa que visou a investigar efeitos do ensino remoto na alfabetização, em 2020, a partir do olhar de professoras alfabetizadoras da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre (RME-POA). A metodologia foi composta por survey e análise de conteúdo, tendo como material empírico respostas de 40 professoras alfabetizadoras. Os resultados indicaram como tendência a desconexão entre alfabetizadoras e a maioria dos estudantes das turmas, o que inviabilizou a continuidade da alfabetização. A partir de contribuições de autores como Byung-Chul Han, Axel Rivas e Luiz Carlos de Freitas, concluiu-se que a RME-POA deve avançar na implementação de estratégias para minimizar os efeitos do ensino remoto e seguir buscando atingir a meta 5 do PNE (2014-2024), a partir da responsabilização bilateral pela alfabetização e não às custas da autoexploração do trabalho docente.

EXTENSÃO POPULAR EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL: convivência em comunidade de trabalho

PID: S1982-03052022000100220 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Souza Oliveira
Resumo Este artigo é resultado de pesquisa de doutorado em Educação, que investigou a Extensão Popular em Educação Ambiental, desenvolvida por uma Comunidade de Trabalho, na cidade de Uberaba, Minas Gerais. Tem por objetivo apresentar os processos educativos inerentes a esta prática social. O referencial teórico da pesquisa está atrelado ao campo da educação popular, extensão popular e educação ambiental popular. O procedimento de coleta de dados foi a observação participante, cujos dados foram registrados em diários de campo e analisados por meio da análise de conteúdo. A extensão popular potencializou a efetivação de uma comunidade de trabalho que tem se sustentado na convivência e revelou processos educativos como o aprender a confiar, a ousar, a comunicar, a dialogar, a enfrentar o medo, a empoderar a luta, a superar a ingenuidade da consciência, com vias à construção de um conhecimento emancipatório e humanizador.

FORMAÇÃO ACADÊMICA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: análise da Produção de Conhecimento nos Periódicos Qualis A1 e A2 (2010-2018)

PID: S1982-03052022000100273 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Branco
Resumo O artigo apresenta uma revisão teórica sobre a formação acadêmica na Educação Superior, enquanto subcategoria que compõe a ambiência de ensino-aprendizagem, a partir da análise da produção acadêmica disponível nos periódicos da área de Educação, com classificação Qualis A1 e A2 (CAPES). Como recorte temporal, foram analisados artigos produzidos entre 2010-2018. Foram catalogados 266 artigos de 14 periódicos em língua portuguesa. Os descritores utilizados, inicialmente, foram: educação superior e evasão ou permanência ou relação professor/a – aluno/a. Foram organizados dados bibliográficos da produção, resumos e palavras-chave que, após análise, permitiram a seleção de 103 artigos. Foram sistematizados os principais aspectos apresentados em cada um dos artigos, possibilitando identificar elementos importantes na configuração da ambiência de ensino-aprendizagem na educação superior, envolvendo discussões sobre: currículo dos cursos de graduação, metodologias, avaliação e dimensão afetivo-cognitiva no ambiente acadêmico. Para fins deste artigo, foi apresentada a subcategoria formação acadêmica, a partir de importantes elementos teórico-metodológicos, como: competência, capital simbólico, engajamento, formação acadêmica e mercado de trabalho, métodos ativos de aprendizagem e modelo de avaliação institucional. Os trabalhos referenciados no presente estudo se constituem em importantes instrumentos para ampliação e verticalização dos estudos, com novos elementos para a construção do conhecimento.
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