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BASE NACIONAL COMUM - FORMAÇÃO E CUIDADO DE SI: a (im)possibilidade de professorar

PID: S1982-03052022000400098 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Costa Oliveira Aikawa
Resumo Este trabalho é um recorte de um projeto de produtividade acadêmica intitulado Do cais à deriva: escritas de um professorar no ensino superior durante pandemia de Covid-19, da Universidade do Estado do Amazonas. Tem como objetivo central problematizar a proposta formativa presente na Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação), a partir do cuidado de si foucaultiano, destacando modos de recusa e (de)formação docente. Alinhados a uma vertente pósestruturalista, centrada sobretudo na figura de Michel Foucault, mobilizaremos os conceitos de cuidado de si e de governamentalidade (governo de si e dos outros), em conjunto com a ideia do homem de lata, personagem descrita no famoso poema de Manoel de Barros. Dos resultados obtidos, destaca-se o viés neoconservador disperso ao longo do documento, materializado no caráter prescritivo, homogeneizador e uniformizador que atua na padronização de uma suposta proposta de forma(ta)ção de professores. Desse modo, buscamos aqui problematizar estas subjetivações impostas por um documento regulador da forma(ta)ção docente no Brasil. Por meio do cuidado de si, aventamos uma forma-ação que possa suscitar deslocamentos, mobilizações, desnaturalizações de coisas cristalizadas por gerações, falas e gestos visíveis e automatizados sobre o ser professor e o ato de professorar no Ensino Superior. Destacamos, por fim, a inventividade do homem de lata enquanto recusa à imobilidade e elemento inaugural para a (de)formação docente.

BNCC E AS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS: uma análise crítica às propostas de formação continuada

PID: S1982-03052022000400256 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Vital Urt
Resumo As propostas apresentadas pela BNCC, que retratam a ênfase nas competências e habilidades tomadas sob o enfoque socioemocional, parecem oferecer uma supremacia desse aspecto aos outros componentes do desenvolvimento humano, desfavorecendo uma concepção de desenvolvimento integral. Entretanto, a formação humana que se propõe pautada na unidade cognitivo-afetiva sob a perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural, encontra-se como suporte para a discussão do que se vem descortinando no contexto atual da formação continuada de professores, ao evidenciar programas e treinamentos em habilidades socioemocionais descolados dos aspectos cognitivos e, ainda mais, revestidos de um caráter ideológico, ao supor, por meio de um discurso sedutor, uma superação da crise na educação e no processo de aprendizagem. Neste artigo, objetiva-se apontar e discutir a formação continuada de professores sustentada pelos fundamentos da BNCC - a teoria das competências e das habilidades, a partir do olhar da Psicologia Histórico-Cultural, compartilhando o recorte de um estudo realizado em processo de doutoramento em Educação, que analisa criticamente a visão reducionista dessas competências e sua inter-relação com o processo contínuo de formação docente. Conclui-se que, para favorecer a leitura da realidade pelos professores, é preciso uma formação consistente, que revele e estabeleça as relações dialéticas entre desenvolvimento e aprendizagem, cognição e afetividade, constituindo, dessa forma, um contraponto ao determinismo emocional de ser, fazer e existir ou voltar a existir no corpus do contexto escolar.

BRANQUITUDE E FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE HISTÓRIA NAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS

PID: S1982-03052022000400185 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Marques Campos
Resumo O presente artigo busca analisar como a branquitude se inscreve nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores, pensando em particular na formação de professores de História. É evidenciado o processo histórico deste campo e como o mesmo esteve pautado em uma concepção eurocêntrica do currículo. Ao mesmo tempo, na contemporaneidade se perpetua, apesar de alguns avanços, a ideia de uma história euroreferenciada. Nesse sentido, a partir de uma análise cultural, as DCNs para a formação de professores são analisadas, dentro de seus respectivos contextos, entendendo suas particularidades - por exemplo, a atenção dada à temática étnico-racial - e similaridades - o modo como perpassa nos documentos a noção multiculturalista de diversidade, que contempla diferentes grupos raciais, mas não questiona as estruturas sociais. Conclui-se que as atuais diretrizes não contribuem para a problematização da branquitude enquanto estrutura de poder e da História enquanto instrumento desse poder, sendo necessário maior aprofundamento e articulação com a educação das relações étnico-raciais para uma efetiva mudança da realidade social.

CALENDÁRIO INTERCULTURAL: resultado de uma pesquisa-ação com professoras

PID: S1982-03052022000300353 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Peters Lima
Resumo O artigo discute o resultado de pesquisa-ação realizada no período de 2019 a 2021, com professoras do ensino básico da EMEF Prof. Herbert de Alencar, na cidade de Porto Velho; tivemos por objetivo investigar e compreender os pontos de vista das participantes sobre as variáveis presentes na socialização e no aprendizado dos estudantes imigrantes, no contexto da escola-campo. Com ênfase nos processos interculturais e étnico-raciais, dialogamos sobre aspectos da educação escolar em contexto amazônico e construímos materiais didáticos para visibilizar, validar, valorizar e fazer circular os saberes dos estudantes bolivianos, haitianos e venezuelanos. As rodas de conversa possibilitaram a construção do processo de coleta de dados, reunir informações e conteúdos para serem acrescidos, como saberes, no currículo da escola-campo e ajudaram a construir coletivamente um produto educacional intitulado Calendário Intercultural. Os estranhamentos decorrentes do processo intercultural e da ênfase nas relações étnicoraciais trouxeram para o grupo de professoras participantes enfrentamentos em relação à invisibilização e à exclusão dos estudantes estrangeiros. A pesquisa-ação, a partir da perspectiva da interculturalidade e das relações étnico-raciais, permitiu compreender que pequenas fissuras no currículo podem minar a mentalidade colonizadora presente no espaço escolar e propor um aprendizado outro.

CARACTERIZAÇÃO DO COORDENADOR PEDAGÓGICO A PARTIR DE TESES DO CÁTALOGO DE TESES E DISSERTAÇÕES DA CAPES

PID: S1982-03052022000100337 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Silveira Lima Junior Vieira
Resumo Este trabalho buscou compreender como se caracteriza a figura do coordenador pedagógico em teses de doutorado. Para isso, realizamos uma pesquisa do tipo “Estado da arte”, utilizando o Catálogo de Teses e Dissertações - Capes, com o descritor de pesquisa “coordenador pedagógico”, entre aspas para melhor delimitar a pesquisa. Utilizamos este repositório pois ele abarca toda a produção nacional de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado. Analisamos os trabalhos resultantes de teses de doutorado, pois este é o maior nível de pós-graduação e que podem ser mais relevantes para compor nossa análise. Assim, foi possível localizar 45 pesquisas. Dessas, 27 fugiram da temática e 4 não puderam ser lidas na sua completude, restando para análise 14 produções. As pesquisas foram divididas pelos resumos em 3 categorias: “coordenador pedagógico e sua relação com a formação docente”, “o trabalho cotidiano do coordenador pedagógico” e “políticas públicas e atuação do coordenador pedagógico”.

CARREIRA PSICOSSOCIAL DE REFUGIADAS COM ENSINO SUPERIOR: reconstruções identitárias e trabalho

PID: S1982-03052022000200306 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Pacheco Luna
Resumo Considerando a agenda de pesquisa contemporânea que congrega os temas trabalho, carreira e migração, buscou-se compreender a carreira psicossocial associada ao processo de migração forçada, mediante experiências de vida e trabalho de profissionais com ensino superior, que se encontram na situação de refugiadas acolhidas no Brasil. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa e descritiva, realizada por meio do estudo em profundidade dos casos de duas refugiadas latino-americanas, que participaram de entrevistas narrativas. Observou-se, como resultados, que as experiências das participantes certamente são únicas, contudo, refletem a forma como refugiados reconstroem as suas carreiras psicossociais, com base no passado, no presente e em suas aspirações e visões de futuro. Após a chegada na cidade de São Paulo, destacaram-se obstáculos e desafios relacionados à transição involuntária de carreira, às práticas cotidianas de trabalho fora da área de formação profissional e às reconstruções identitárias de trabalho. O processo de mudança de vida das migrantes ainda se apresenta atravessado por barreiras estruturais após a reinstalação, que envolvem a garantia do status legal e questões linguísticas. Conclui-se, por intermédio da análise de suas narrativas com base no modelo teórico da carreira psicossocial, que mesmo tratando-se de refugiadas com formação profissional já estabelecida, ambas as entrevistadas apresentam diferentes facetas de suas identidades de trabalho. Tais facetas se remetem, simultaneamente, a discursos de carreira mais tradicionais, fechados, estáveis e seguros, por um lado, e mais contemporâneos, abertos, flexíveis e arriscados/precários, por outro. Exprimem, assim, contradições significativas que se encontram presentes nas trajetórias de trabalho de refugiados.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O PORTUGUÊS LÍNGUA DE ACOLHIMENTO E SEUS IMPACTOS NA POLÍTICA LINGUÍSTICA

PID: S1982-03052022000200218 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Cortez Back
Resumo Este artigo, de caráter ensaístico, propõe uma reflexão sobre o papel das políticas linguísticas no estabelecimento do acesso ao ensino-aprendizagem do Português omo Língua de Acolhimento (PLAc). As questões aqui sistematizadas partem de experiências docentes na área de PLAc e diagnósticos de pesquisas que apontam a falta de políticas linguísticas (de envergadura), conforme Cortez (2018), para o acolhimento, sistematizadas aos migrantes que chegam. Tais reflexões amparam-se em Bakthin (2006), Freire (2019), Grosso (2010), hooks (2017), Ruíz (1984), por meio de pesquisa bibliográfica, com o propósito de refletir sobre a promoção e ensino da língua portuguesa no contexto de acolhimento, com vistas a uma prática de ensino de língua que não perpetue colonialismos e opressões. O debate organiza-se na contextualização do cenário, nas discussões a fim de compreender e tomar consciência das implicações para as práticas pedagógicas de PLAc e da relevância de um planejamento linguístico estabelecido de acordo com as necessidades daqueles migrantes que chegam a um aprendizado “formal”. Ampliam-se as discussões sobre as migrações contemporâneas, seus impactos locais e globais, bem como entendem as diversas frentes de atuação da condição de acolhimento, inclusive a linguística, fortalecendo a área de atuação, pesquisa e formação de PLAc. São temas para os quais este artigo tem vistas a colaborar.

CONSTRUINDO UMA UNIVERSIDADE INTERNACIONALIZADA: um estudo sobre a permanência estudantil na universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB)

PID: S1982-03052022000200204 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Jorge Silva Almeida
Resumo A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) foi criada em 2010 com a proposta de integrar Brasil e África. Além de ser uma universidade com presença maciça da população negra dos interiores da Bahia e do Ceará, onde se localizam os campi, possui cerca de 25% do corpo discente vindo de Países de Língua Oficial Portuguesa (Palop), principalmente do continente africano, o que traz desafios pelas características deste corpo discente: predominante negra e africana. Este artigo tem como objetivo analisar as questões relativas à permanência dos estudantes da Unilab. O campo da pesquisa foi realizado entre os meses de janeiro e abril de 2021, durante o período de pandemia com aplicação de questionários e a utilização de diários para estudantes ingressantes do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades. Os registros trazem questões sobre as dificuldades financeiras, aspectos sobre o desenvolvimento da escrita e, não menos importante, as saudades de familiares. Observou-se que, mesmo estudantes atendidos pelo Programa de Assistência ao Estudante (PAES), estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Garantir a permanência dessa juventude é algo desafiador especialmente pela especificidade do projeto Unilab, o que exige um olhar sobre as trajetórias desses(as) estudantes.

CONVERSAS PROFISSIONAIS SÍNCRONAS E ASSÍNCRONAS COM RECURSOS TECNOLÓGICOS NA MENTORIA

PID: S1982-03052022000200368 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Marini Barros Reali
Resumo Este trabalho refere-se a uma pesquisa exploratória de caráter qualitativo que investigou como se dão conversas profissionais entre uma mentora e uma professora iniciante (PI) em diferentes espaços/recursos (síncronos e assíncronos), no contexto do Programa Híbrido de Mentoria (PHM). Os dados analisados são provenientes de uma entrevista com a mentora e de narrativas escritas da díade mentor-PI (M-PI) no ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Os resultados indicam que a combinação de interações síncronas com assíncronas apresentaram diferentes potencialidades e limites no estabelecimento de conversas profissionais. Com relação às potencialidades, destacam-se: o estabelecimento de vínculo de confiança; troca de experiências profissionais; construção de aprendizagens sobre a docência; favorecimento de processos reflexivos; viabilização da identificação das demandas da PI; planejamento das ações de mentoria. Quanto aos limites, observou-se: a baixa assiduidade em atividades assíncronas; narrativas escritas com pouco detalhamento sobre as práticas; a necessidade de apresentar uma escrita clara nas comandas das atividades; desconforto na interação em vídeo-chamadas. Constata-se que a integração de recursos síncronos e assíncronos permite o estabelecimento de conversas profissionais, favorecendo o desenvolvimento das ações de mentoria.

CORPOGRAFIAS NA LEITURA DO LITERÁRIO

PID: S1982-03052022000300291 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Neitzel Steil Barontini
Resumo Este estudo, de caráter qualitativo e documental, trata das relações entre corpo e leitura do literário no espaço da escola. A pesquisa teve como objetivo discutir sobre a exploração do texto literário por meio de sensorialidades, da interação leitor e obra pela mediação corporal, a qual oportuniza a abertura das camadas de sentidos do texto. Esta pesquisa está alinhada aos estudos de Yunes (2016), Aguiar (2019), Duarte Jr. (2010), Brito e Jacques (2012), Steil e Neitzel (2019), entre outros. Sinalizam-se como resultados que a corpografia pode potencializar o envolvimento do aluno na leitura do literário. Mediações que proponham a exploração dos sons do texto, que deem vazão para a leitura dramática e o jogo dramático encaminham o leitor a penetrar nas camadas das tessituras literárias, estabelecendo uma relação sensível com a literatura.

CRIANÇAS (I)MIGRANTES E EDUCAÇÃO INFANTIL: o que dizem as pesquisas acadêmicas brasileiras

PID: S1982-03052022000200077 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Daniel Moro
Resumo Este artigo tem por temática o debate a respeito das crianças imigrantes e a Educação Infantil em pesquisas acadêmicas na área da educação. Seu objetivo é apresentar uma síntese e considerações analíticas acerca das pesquisas realizadas no campo educacional. Como metodologia foi realizada busca sistemática de teses, dissertações e artigos em plataformas on line específicas. Após o levantamento dos dados foram analisadas sete teses e dissertações com a referida temática, sendo seus autores: Siller (2011); Silva (2014); Santos (2018); Alexandre (2019); Maçaneiro; (2021); Machado (2020) e Lorzing (2021). As considerações e conclusões do trabalho apontam para o aumento substancial de pesquisas sobre crianças imigrantes e Educação Infantil no campo da educação, principalmente em artigos a partir do ano de 2020. As análises das teses e dissertações destacam os temas da diferença, da diversidade e algumas delas o racismo e o acolhimento das crianças imigrantes nas instituições educacionais. Também foi constatado pelas pesquisadoras, em geral, a não valorização da cultura imigrante nas instituições e, ao mesmo tempo, tentativas de acolhimento das crianças no espaço escolar. As pesquisas, por fim, salientam a necessidade de ampliação de discussões e realização de novos estudos sobre o tema.

DESENTENDIMENTO NA POLÍTICA CURRICULAR: um problema de sentido

PID: S1982-03052022000400129 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Scofano Ranniery
Resumo Escrevemos este artigo perseguidos pela seguinte provocação: “a política supõe mais do que as palavras que a definem”. Em decorrência de um projeto de pesquisa interinstitucional, escutamos esta fala quando acompanhávamos uma roda de conversa para a produção de uma política curricular de uma rede pública municipal de educação. Levando a sério a fala de professores e professoras com quem tivemos contato, pretendemos reimaginar a política curricular em seu quadrante notoriamente afetivo e sensível, entendendoa como uma coreografia de afecções e expressões entre corpos de diferentes naturezas. A nosso ver - ao cartografarmos um processo de reformulação curricular -, a experiência política é instaurada e pode ser pensada através de uma relação dissensual e imanente aos atos de ver, fazer e falar, tal como elabora Jacques Rancière em diversos escritos. Dito de outro modo, nosso argumento expõe como, por não concordamos e não termos consenso em relação àquilo que o currículo é (o que acontece na escola, um documento oficial, uma prática de significação, a própria vida: as definições não são totalizáveis), a política de currículo se manifesta enquanto um espaço-tempo de convergência e derrame da diferença. Neste percurso, ergue-se um problema de sentido na política, isto é, de como as palavras e as coisas se (des)articulam e em suas respectivas irredutibilidades; movimento que produz distintos regimes de sensorialidade em comunidades políticas no seio da experiência curricular.

DESENVOLVIMENTOEAVALIAÇÃODEUMDOCUMENTÁRIO PARA SOCIALIZAÇÃO DA LEIN. 10.639/2003

PID: S1982-03052022000100353 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Rodrigues Barbosa
Resumo O objetivo deste artigo foi descrever o processo de elaboração, produção, aplicação e avaliação de um documentário na busca da socialização da Lei n. 10.639/2003. Desenvolveu-se uma pesquisa de campo, descritiva e exploratória com uma abordagem qualiquantitativa na análise dos dados. Aplicou-se questionário pré-teste a 29 estudantes do 8º ano do ensino fundamental II da cidade de Pires do Rio, Goiás, antes da exibição do documentário e, posteriormente, um questionário pós-teste. Considerou-se que o documentário trouxe a socialização e conhecimento da Lei n. 10.639/2003 e, também, promoveu sensibilização quanto a necessidade de práticas para a discussão do racismo e preconceito a fim de se promover a verdadeira efetivação da respectiva Lei.

DESLOCAMENTO SOCIAL MEDIANTE A EDUCAÇÃO: tessituras da mulher pobre e periférica (1970-1994)

PID: S1982-03052022000300227 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Fialho Freire Sousa
Resumo O artigo trata do protagonismo feminino empreendido por uma menina pobre e negra, residente da periferia de Fortaleza, para conseguir ingressar na escolarização e prosseguir na educação formal, rompendo o semianalfabetismo geracional característico para as mulheres cearenses de sua etnia da década de 1960. O objetivo foi compreender os percalços e os deslocamentos vivenciados pela professora Zuleide Fernandes Queiroz na sua educação escolar e universitária que lhe possibilitaram resistir ao discurso conservador e às exclusões das instituições educacionais (1970-1994). Amparada teoricamente na história cultural e metodologicamente na história oral, desenvolveu-se uma pesquisa do tipo biográfica, que considerou como objeto de estudo as narrativas da biografada, coletadas mediante entrevista livre. Os resultados demonstram que, na contramão do percurso das outras meninas pobres, negras e periféricas do seu tempo, fadadas ao analfabetismo e ao subemprego, Zuleide Fernandes Queiroz conseguiu, com muita dificuldade, não apenas concluir a Educação Básica, mas tornar-se professora efetiva da Universidade Regional do Cariri. Sua trajetória educativa, marcada pela falta de recursos financeiros, foi ressignificada com a participação ativa nos movimentos estudantis, protagonizando a luta pelos direitos civis e de cidadania subtraídos às mulheres pobres, em especial, as negras.

DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA EDUCAÇÃO PLURILÍNGUE NO BRASIL: qual educação bilíngue?

PID: S1982-03052022000400380 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Reis Barleta Souza
Resumo Este estudo apresenta uma análise sobre a educação bilíngue no Brasil, partindo de aspectos conceituais e normativos, com ênfase nas recentes Diretrizes Curriculares Nacionais para oferta de Educação Plurilíngue, aprovadas em 2020 pelo Conselho Nacional de Educação e pela Câmara de Educação Básica. Partindo da necessidade de investigar os discursos propagados para a formação do sujeito bilíngue no contexto escolar, tencionamos compreender as concepções de educação bilíngue na visão de pesquisadores e nas legislações da política educacional brasileira, a fim de identificar conceitos e parâmetros legais que norteiam a implementação de escolas autodenominadas bilíngues. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental que objetivou verificar a concepção de educação bilíngue na proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais para oferta de Educação Plurilíngue, aprovadas por meio do Parecer n° 2/2020 - CNE/CEB. Nossas inferências apontam aspectos conceituais e classificatórios que sinalizam um modelo voltado ao desenvolvimento de habilidades linguísticas, desvirtuando-se de questões sociais e culturais que inspiraram o surgimento da educação bilíngue e a sua expansão pelo mundo.

EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS. (Re)pensando o trabalho e os contextos profissionais

PID: S1982-03052022000400487 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Jú Santos
Resumo A resenha descreve o livro Educação e Formação de Jovens e Adultos. (Re)pensando o trabalho e os contextos profissionais, organizado por Luís Alcoforado, Elenita Eliete de Lima Ramos e Nivia Maria Vieira Costa. A obra é composta por uma coletânea de 28 artigos que discutem as políticas educacionais no âmbito da educação profissional e da educação de jovens e adultos, abordando temas como formação de professores, sujeitos com trajetórias interrompidas e a atuação das agências internacionais na educação. Os trabalhos tiveram como campo de pesquisa escolas do Brasil e de Portugal. Devido ao número significativo de artigos, optouse por uma metodologia que realizasse um diálogo entre os textos por eixos temáticos, aprofundando somente alguns assuntos de forma mais específica. A leitura provoca reflexões sobre os resultados e efeitos que as políticas de orientação neoliberal lançam sobre as conjunturas dessas nações a partir dos interesses de organismos multilaterais.

EDUCAÇÃO PARA ALÉM DA MATRÍCULA: crianças migrantes, refugiadas, e a Resolução nº 1/2020

PID: S1982-03052022000200134 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Azevedo Amaral
Resumo Neste artigo, discute-se o direito à educação da criança migrante e refugiada na escola pública brasileira. Para isso, é realizada uma pesquisa qualitativa, de caráter documental, da Resolução nº 1, de 13 de novembro de 2020, emitida pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Trata-se do primeiro documento federal que aborda especificamente a educação básica para a população proveniente de fluxos migratórios internacionais. A análise do documento tem por objetivo compreender como a resolução apresenta o direito à educação da criança migrante e refugiada, observando o contexto da escola pública. O resultado da análise aponta que o documento trata esse direito em dois eixos: matrícula e ensino, de forma que um é indissociável do outro. Entretanto, apesar de considerar o direito à educação para além da matrícula, a resolução imputa uma responsabilização à escola local, que muitas vezes recebe as crianças sem que os profissionais da instituição tenham apoio e orientação. O documento também não menciona outros atores necessários na concretização desse direito, como estados e municípios, além das universidades, que atuam na formação de professores.

EM CENA A MESTRA ROSA CASTRO: o percurso de uma professora no cenário educacional maranhense.

PID: S1982-03052022000300152 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Costa Castro
Resumo No presente artigo, aborda-se o percurso da professora normalista Rosa Castro (1891-1976), que atuou no espaço público por meio do ensino e destacou-se pela autoridade docente construída na vida laboral como professora e intelectual no Estado do Maranhão. Fundou, em 1916, a Escola Normal Primária Rosa Castro, onde lecionou e instruiu toda uma geração de professores. Busca-se, assim, analisar seus saberes e fazeres e os desafios pelos quais passara durante o exercício do magistério e sua participação em outros espaços públicos. Nesse itinerário, passeia-se pela História da Educação do Maranhão, no âmbito da instrução primária e do magistério na Primeira República. Assim, foi realizado um levantamento documental na Biblioteca Pública Benedito Leite do Estado do Maranhão e levantamento bibliográfico em livros e jornais. Por fim, dar visibilidade a essa personagem se investe de importância por contribuir com os estudos no campo da história das mulheres e das relações de gênero socialmente produzidas na cultura escolar maranhense.

EMANCIPAÇÃO DA MULHER ARTISTA: o caso da poetisa pernambucana Léa Tereza Lopes de Oliveira

PID: S1982-03052022000300190 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Gomes
Resumo Neste artigo objetiva-se identificar e compreender o processo de emancipação da mulher artista pernambucana durante as décadas de 1960 a 1970 a partir da análise da vida e obra da poetisa Léa Tereza Lopes de Oliveira. É estudo conduzido a partir da metodologia da História Oral (ALBERTI, 2004) e tem por base teórica a História Cultural (CHARTIER, 2002) e a História das Mulheres (PERROT, 2017; 2019). Em acordo com a Metodologia da História Oral, os dados obtidos são resultado da realização de entrevista temática com a poetisa Léa Lopes. A fim de compreender o processo formativo da artista como mulher e a construção da sua poética na arte, coloca-se em discussão os conceitos de práticas e representações. A partir deste estudo foi possível observar que a vida e obra da poetisa exemplifica como a família, a escola e as redes de sociabilidade mantêm relação com a construção da subjetividade do sujeito e com seu processo de emancipação. Sua trajetória histórica revela a necessidade de uma educação que abra espaço para discussões sensíveis da vida, como a sexualidade, a formação política e dignidade. Deste modo, Léa Lopes, está entre as mulheres que experienciaram uma educação castradora nas décadas de 1960 e 1970 no Brasil e que utilizaram de manobras para fugir das relações androcêntricas que ainda no século XXI, estão presentes na sociedade.

ENTRE PEDAGOGIAS E SABERES “OUTROS”: contribuições da interculturalidade para o direito à educação de migrantes no Brasil

PID: S1982-03052022000200178 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Friedrich Bertoldo
Resumo Os fluxos migratórios para o Brasil das últimas décadas, especialmente provenientes do Sul Global, têm revelado múltiplas fronteiras e desafios na promoção dos direitos humanos. No caso do direito à educação, a presença de migrantes e pessoas em situação de refúgio nas redes de ensino tem revelado outras formas de exclusão da diferença e que ampliam as desigualdades em sociedades de profundas raízes coloniais como o Brasil. Diante desse contexto, o objetivo da pesquisa é identificar as principais contribuições teóricas e práticas da interculturalidade crítica para (re)pensar e (re)fazer o direito à educação de migrantes e pessoas em situação de refúgio na realidade brasileira. O marco teórico-metodológico está situado nas teorias da modernidade/colonialidade e que configura um caminho alternativo de pesquisa e prática diante dos desafios de direitos dos(as) migrantes não-ocidentais. Diante da experiência de migrantes nos sistemas educacionais brasileiros, a interculturalidade representa outra possibilidade de acolhimento do outro e da diferença desde uma ética da alteridade.
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